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	<title>Balochistan | Tricontinental: Institute for Social Research</title>
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	<description>international, movement-driven institution focused on stimulating intellectual debate that serves people’s aspirations.</description>
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		<title>Paquistão sob água</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Sep 2022 07:00:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Alerta Vermelho n. 15 explica como as recentes inundações agravaram as crises subjacentes no Paquistão, que são produto da crise econômica e política impulsionada pelo capitalismo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-64297 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/20220907_Red-Alert-15-Cards_PT_TT-e1662742340121.jpg" alt="" width="950" height="499" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/20220907_Red-Alert-15-Cards_PT_TT-e1662742340121.jpg 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/20220907_Red-Alert-15-Cards_PT_TT-e1662742340121-300x158.jpg 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/20220907_Red-Alert-15-Cards_PT_TT-e1662742340121-768x403.jpg 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Essas inundações no Paquistão são um “ato de Deus”?</strong></span></h2>
<p>Um terço do vasto território do Paquistão foi afetado por inundações na última semana de agosto. Imagens de satélite mostraram a rápida propagação das águas que romperam as margens do rio Indo, cobrindo enormes porções de duas grandes províncias: Baluchistão e Sindh. Em 30 de agosto de 2022, o secretário-geral das Nações Unidas, <a href="https://twitter.com/antonioguterres/status/1564556094680227841">António Guterres, chamou de “monção com esteróides”</a>, pois <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-022-02813-6">as águas da chuva mataram mais de mil</a> pessoas e deslocaram cerca de 33 milhões. A situação é terrível, com aqueles que fugiram de suas casas em perigo imediato e de longo prazo. As pessoas acampadas em terras mais altas, como nas principais estradas, estão atualmente sob o risco de passar fome e de contrair doenças transmitidas pela água, como diarréia, disenteria e hepatite. A longo prazo, as pessoas que perderam suas plantações (algodão e cana-de-açúcar) e o gado enfrentam o empobrecimento. O ministro do Planejamento do Paquistão, Ahsan Iqbal, estima que <a href="https://tribune.com.pk/story/2373770/floods-cost-at-least-10b-iqbal">os danos totalizarão </a>mais de 10 bilhões de dólares.</p>
<p>À primeira vista, a principal razão para as inundações parece ser a forte chuva adicional no final de uma monção ou estação chuvosa já recorde. Um verão muito quente com temperaturas acima de 40°C por longos períodos em abril e maio fez do Paquistão “o lugar mais quente da Terra”, <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-022-02813-6">segundo Malik Amin Aslam</a>, ex-ministro de mudanças climáticas. Esses meses escaldantes resultaram no derretimento anormal das geleiras do norte do país, cujas águas encontraram as chuvas torrenciais estimuladas por um “<a href="https://public.wmo.int/en/media/press-release/wmo-predicts-first-">triplo mergulho</a>” – três anos consecutivos de La Niña esfriando o Oceano Pacífico equatorial. Além disso, mudanças climáticas catastróficas – impulsionadas pelo capitalismo global movido a carbono – também causaram a chuva e o derretimento glacial.</p>
<p>Mas a natureza das inundações em si não se deve totalmente a padrões climáticos turbulentos. Significativamente, o impacto do aumento das águas sobre a população do Paquistão se deve ao desmatamento descontrolado e à infraestrutura deteriorada, como barragens, canais e outros meios para conter a água. Em 2019, o Banco Mundial disse que o Paquistão enfrenta uma <a href="https://blogs.worldbank.org/endpovertyinsouthasia/green-emergency-deforestation-pakistan">“</a><a href="https://blogs.worldbank.org/endpovertyinsouthasia/green-emergency-deforestation-pakistan">emergência verde”</a> porque a cada ano cerca de 27 mil hectares de floresta natural são derrubados, dificultando muito a absorção da água da chuva no solo.</p>
<p>Além disso, a falta de investimento estatal em barragens e canais (agora fortemente assoreados) tornou muito mais difícil controlar grandes quantidades de água. As mais importantes dessas barragens, canais e reservatórios são a <a href="https://tribune.com.pk/story/2337867/new-lease-on-life-for-sukkur-barrage">Barragem de Sukkur</a>, o maior sistema de irrigação do mundo do gênero, que atrai o Indo para o sul do rio Sindh, e os <a href="https://pecongress.org.pk/images/upload/books/Paper659.pdf">reservatórios de Mangla e Tarbela</a>, que desviam as águas da capital do Paquistão, Islamabad. A construção ilegal de imóveis em várzeas exacerba ainda mais o potencial de tragédia humana.</p>
<p>Deus tem pouco a ver com essas inundações. A natureza só agravou as crises subjacentes da catástrofe climática impulsionada pelo capitalismo e a negligência da gestão da água, da terra e das florestas no Paquistão.</p>
<h2 style="margin:3em 0;"></h2>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Quais são as múltiplas crises urgentes que afligem o Paquistão?</strong></span></h2>
<p>As inundações revelaram um conjunto de problemas duradouros que paralisam o Paquistão. <a href="https://asia.nikkei.com/Spotlight/Asia-Insight/Pakistan-s-punishing-inflation-changes-life-as-225m-people-know-it">Pesquisas</a> feitas em maio, antes das enchentes, mostraram que 54% da população considerava a inflação seu principal problema. Em agosto, o Escritório de Estatísticas do Paquistão <a href="https://www.pbs.gov.pk/sites/default/files/price_statistics/cpi/CPI_Monthly_Review_August_2022.pdf">informou</a> que o índice de preços no atacado, que mede a flutuação nos preços médios das mercadorias, aumentou 41,2%, enquanto a taxa de inflação anual foi de 27%. Apesar da inflação ter aumentado globalmente e do reconhecimento de que o custo das inundações seria superior a 10 bilhões de dólares, o Fundo Monetário Internacional (FMI) <a href="https://www.imf.org/en/News/Articles/2022/08/29/pr22293-imf-executive-board-completes-reviews-of-extended-fund-facility-pakistan">prometeu apenas 1,1 bilhão de dólares</a> com condições semelhantes à austeridade, como “política monetária prudente”. É criminoso que o FMI imponha austeridade estrita quando a infraestrutura agrícola do país está totalmente destruída (essa ação inadequada é uma reminiscência da política colonial britânica de continuar a exportação de trigo da Índia durante a fome de 1943 em Bengala). O Índice Global da Fome de 2021 já colocou o <a href="https://www.welthungerhilfe.org/news/publications/detail/global-hunger-index-2021">Paquistão em 92º entre 116 países com crise alimentar</a> – isso antes das enchentes – em um nível grave. No entanto, como nenhum dos partidos políticos burgueses do país levou a sério essas descobertas, sem dúvida, sua crise econômica se intensificará com pouca recuperação.</p>
<p>Isso nos leva à aguda crise política. Desde sua independência dos britânicos em 1947, há 75 anos, o Paquistão teve <a href="https://na.gov.pk/en/priminister_list.php">31 primeiros-ministros</a>. Em abril de 2022, o trigésimo, Imran Khan, foi removido para instalar o atual primeiro-ministro Shehbaz Sharif. Khan, que <a href="https://tribune.com.pk/story/2374195/court-extends-imrans-bail-in-terrorism-case">enfrenta acusações</a> de terrorismo e desacato ao tribunal, alegou que seu governo foi removido a pedido de Washington devido a seus laços estreitos com a Rússia. O partido paquistanês de Khan, Tehreek-e-Insaf (PTI ou “Partido da Justiça”), não conquistou a maioria nas eleições de 2018, o que deixou sua coalizão vulnerável à saída de um punhado de legisladores. Foi exatamente o que fez a oposição, que chegou ao poder por meio de manobras legislativas, sem um novo mandato da população. Desde sua remoção, a posição de Imran Khan e do PTI aumentou no Paquistão, tendo vencido 15 das 20 eleições de julho em <a href="https://www.dawn.com/news/1706160">Karachi</a> e <a href="https://www.dawn.com/news/1700283">Punjab</a>, antes das enchentes. Agora, à medida que <a href="https://www.dawn.com/news/1703850/anger-as-balochistans-remote-areas-await-help">a raiva aumenta</a> contra o governo de Sharif por conta do ritmo lento do socorro às vítimas das enchentes, a crise política só se aprofunda.</p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Quais são as tarefas possíveis?</strong></span></h2>
<p>O Paquistão está sofrendo com o “apartheid climático”. Esse país de mais de 230 milhões de pessoas <a href="https://www.unep.org/gan/news/press-release/pakistan-develop-national-adaptation-plan-climate-change">contribui</a> com apenas 1% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas está <a href="https://www.germanwatch.org/en/cri">ameaçado</a> pelo oitavo maior risco climático do mundo. O fracasso dos países capitalistas ocidentais em reconhecer sua destruição do clima do planeta significa que países como o Paquistão, que têm baixos níveis de emissões, já estão sofrendo desproporcionalmente o impacto das rápidas mudanças climáticas. Os países capitalistas ocidentais devem pelo menos fornecer seu <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-crise-climatica-new-green-deal/">total apoio</a> à Agenda Global de Ação Climática.</p>
<p>Forças de esquerda e progressistas – como o Partido Mazdoor Kisan – e outros grupos civis organizaram uma campanha de socorro às inundações nas quatro províncias do Paquistão. Eles estão estendendo a mão principalmente com ajuda alimentar para combater a fome em áreas de difícil acesso, em grande parte rurais. A esquerda paquistanesa está exigindo que o governo impeça a onda de austeridade e inflação que certamente exacerbará a crise humanitária.</p>
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