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	<title>Dilemas contemporâneos | Tricontinental: Institute for Social Research</title>
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	<description>international, movement-driven institution focused on stimulating intellectual debate that serves people’s aspirations.</description>
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		<title>Os 80 anos da vitória na Guerra Mundial Antifascista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Amilcar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 19:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dilemas contemporâneos]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao comemorarmos oitenta anos da vitória dos povos na Guerra Mundial Antifascista, devemos lembrar quem verdadeiramente salvou a humanidade – e honrar seu sacrifício com a verdade.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align:center;">Quem salvou a humanidade: uma história restauracionista</h4>
<p class="single-post--content--text-small">Este estudo foi escrito por Neville Roy Singham, presidente do conselho consultivo do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. O autor agradece o apoio fundamental da equipe do Tricontinental, cuja atuação incluiu pesquisa multifacetada, análise estatística abrangente, infraestrutura técnica e a produção desta publicação. Uma versão anterior deste estudo foi publicada na revista <em>Guancha</em> (观察者网), cujos editores forneceram valiosas sugestões para pesquisas e análises adicionais. O autor assume total responsabilidade por quaisquer erros ou omissões neste trabalho.</p>
<hr class="single-post--content--separator-narrow">
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-130433 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/1-1-1024x814.jpg" alt="" width="1024" height="814" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/1-1-1024x814.jpg 1024w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/1-1-300x239.jpg 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/1-1-768x611.jpg 768w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/1-1-1536x1222.jpg 1536w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/1-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px"></div>
<p>Ao comemorarmos os 80 anos da vitória na Guerra Mundial Antifascista (GMAF), as potências ocidentais tecem sua narrativa familiar: o poder industrial dos EUA e a determinação britânica salvaram o mundo do fascismo. Isso é mentira. A verdade jorra dos números: enquanto as potências ocidentais calculavam vantagens econômicas, os povos soviéticos e chineses pagavam com sangue. O fascismo não foi derrotado pelo capital anglo-americano, mas pela liderança socialista e por um enorme heroísmo, por uma estratégia brilhante de Moscou e Yan’an, por uma resiliência inquebrantável de trabalhadores e camponeses que se recusaram a se render e por um sacrifício que salvou a humanidade da escravidão.</p>
<p>A verdadeira guerra não começou em 1939, quando Adolf Hitler invadiu a Polônia, mas em 1931, quando o Japão invadiu o Nordeste da China (东北).<a href="#_edn1" name="_ednref1"><sup>1</sup></a> Por dez anos, a China lutou basicamente sozinha, exceto pela ajuda soviética, que incluía aviões e pilotos. A Grã-Bretanha, a França e os Estados Unidos enviaram uma ajuda mínima à China de 1937 a 1941. Washington e Londres preferiram os lucros.</p>
<p>Ao longo da mesma década, a União Soviética corria contra o tempo, forçando sua industrialização e sabendo que uma invasão era iminente. O discurso de Josef Stalin em fevereiro de 1931 para os administradores das indústrias previu com terrível precisão: “Estamos cinquenta ou cem anos atrás dos países avançados. Devemos encurtar essa distância em dez anos. Ou fazemos isso, ou sucumbiremos”.<a href="#_edn2" name="_ednref2"><sup>2</sup></a> Dez anos depois, em junho de 1941, a Wehrmacht (as forças armadas unificadas da Alemanha Nazista) levou à cabo a invasão. A URSS teve exatamente uma década para se preparar para uma guerra que todos sabiam que aconteceria. A preparação não foi suficiente para evitar a catástrofe inicial, mas foi assertiva o bastante para permitir a recuperação.</p>
<p>A estratégia inicial das potências do Atlântico até pouco antes de sua entrada na guerra era simples e cínica: deixar o fascismo e o comunismo se destruírem mutuamente.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-130443 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/2-1-720x1024.jpg" alt="" width="720" height="1024" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/2-1-720x1024.jpg 720w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/2-1-211x300.jpg 211w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/2-1-768x1092.jpg 768w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/2-1-1081x1536.jpg 1081w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/2-1-1441x2048.jpg 1441w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/2-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px"></div>
<h1 data-heading-number="1"><span class="heading-number">1.</span> O atraso deliberado do Ocidente: uma estratégia de traição</h1>
<p>A linha do tempo da traição ocidental fala por si mesma. De 1931 a 1941, enquanto o Japão dividia a China, os bancos ocidentais mantinham seus escritórios em Tóquio, os navios de guerra japoneses eram abastecidos por petróleo ocidental e a sucata ocidental se tornava munição japonesa.<a href="#_edn3" name="_ednref3"><sup>3</sup></a> Quando a invasão em grande escala eclodiu em 1937 – como o massacre de Nanquim e os terríveis bombardeios das cidades chinesas – a resposta dos aliados imperialistas foi vender mais petróleo ao Japão. Até 1941, os EUA forneciam 80% do petróleo do Japão.<a href="#_edn4" name="_ednref4"><sup>4</sup></a></p>
<p>Isso não foi isolamento, mas provisão calculada: o fascismo executando o que o fracassado Cerco do Exército Branco, contrarrevolucionário, em 1919 não conseguiu realizar. Até 1941, havia 250 corporações americanas operando na Alemanha nazista.<a href="#_edn5" name="_ednref5"><sup>5</sup></a> O empresário estadunidense Thomas Watson, da IBM, automatizou o Holocausto enquanto mantinha amizades pessoais com o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, e o secretário de Estado Cordell Hull.<a href="#_edn6" name="_ednref6"><sup>6</sup></a> A subsidiária alemã da General Motors, Opel, produziu caminhões da Wehrmacht até 1944, com a GM posteriormente reivindicando uma dedução fiscal de 22,7 milhões de dólares por suas operações nazistas “abandonadas”.<a href="#_edn7" name="_ednref7"><sup>7</sup></a> Os EUA continuaram estrategicamente comprometidos econômica, política e militarmente com a destruição da União Soviética.</p>
<p>A historiografia ocidental atribui essa entrada tardia dos EUA ao “isolacionismo”. Essa visão ahistórica ignora precedentes documentados: durante o Cerco Branco de 1919, os EUA enviaram 11.500 soldados para a Rússia – 4.500 para Arkhangelsk e 7 mil para Vladivostok – ao lado de forças britânicas, francesas e japonesas, lutando diretamente contra o Exército Vermelho com mais de 500 baixas estadunidenses.<a href="#_edn8" name="_ednref8"><sup>8</sup></a> O presidente dos EUA, Woodrow Wilson, também forneceu mais de 50 milhões de dólares em apoio militar para os exércitos brancos. Quando a intervenção militar direta fracassou em sufocar o socialismo em sua raiz, a estratégia mudou. Os formuladores de políticas dos EUA consistentemente favoreceram autocratas de direita que prometeram estabilidade e antibolchevismo em detrimento de movimentos democráticos. Essa política produziu apoio aberto ao fascismo europeu. Em 1933, o presidente Roosevelt declarou que estava “profundamente impressionado com o que [Benito Mussolini] realizou e com seu evidente propósito honesto de restaurar a Itália”.<a href="#_edn9" name="_ednref9"><sup>9</sup></a></p>
<p>A primeira estratégia britânica, mesmo após entrar na guerra, foi deixar Adolf Hitler e Joseph Stalin exaurir um ao outro. Quando a Alemanha invadiu a Polônia em setembro de 1939, a Grã-Bretanha e a França, ao declarar guerra à Alemanha, não fizeram nada – a “Guerra Falsa” durou oito meses enquanto mantinham esperanças de que Hitler fosse para o leste. O ódio anticomunista de Winston Churchill definiu sua carreira. Em 1919, ele buscou “estrangular o bolchevismo em seu berço”.<a href="#_edn10" name="_ednref10"><sup>10</sup></a> Em 1945, com Hitler praticamente morto, ele planejou a Operação Impensável, usando forças da Wehrmacht para atacar a União Soviética.<a href="#_edn11" name="_ednref11"><sup>11</sup></a></p>
<p>Os impulsos genocidas de Churchill tinham como alvo, da mesma maneira, os comunistas e os povos colonizados. Sua violência racial era ampla: celebrou a morte de “selvagens” em Omdurman (1898), uma cidade do Sudão, apoiou campos de concentração que mataram 48 mil africanos e bôeres, e defendeu uso de gás venenoso contra as “tribos incivilizadas” iraquianas (1920). Em 1942, enquanto Bengala passava fome, Churchill disse a Leo Amery, o secretário de Estado da Índia: “Eu odeio os indianos. São um povo bestial com uma religião bestial”. Quando Amery implorou por auxílio contra a fome, Churchill respondeu que os indianos “se reproduzem como coelhos”.<a href="#_edn12" name="_ednref12"><sup>12</sup></a> Três milhões de indianos morreram enquanto a Grã-Bretanha exportava o arroz de Bengala. Após o ataque de Churchill à Índia, Leo Amery escreveu em seu diário: “Eu não pude deixar de dizer a ele que não via muita diferença entre sua perspectiva e a de Hitler”.<a href="#_edn13" name="_ednref13"><sup>13</sup></a> Hoje, a Grã-Bretanha venera este homem, cuja diferença com relação a Hitler está apenas na vitória de um sobre o outro.</p>
<p>Os EUA entraram na guerra apenas quando foram atacados diretamente em Pearl Harbor (Havaí), em dezembro de 1941, uma década após a guerra do Japão contra a China ter sido iniciada. A Segunda Frente, prometida para 1942, não foi implementada até junho de 1944 – com 730 dias de atraso, após as batalhas de Stalingrado (1942-1943) e Kursk (1943) já terem quebrado a espinha da Wehrmacht.<a href="#_edn14" name="_ednref14"><sup>14</sup></a> No Dia D, o Exército Vermelho já havia destruído o mito da invencibilidade alemã e a derrota nazista já estava dada. Os EUA e a Grã-Bretanha tiveram que invadir a Europa continental em 1944, quando a União Soviética já havia consolidado a derrota da Alemanha, para garantir que a URSS não libertasse todo o continente, ameaçando o capitalismo na Europa Ocidental e Oriental.</p>
<p>As prioridades dos EUA eram claras: melhor uma Europa fascista do que uma socialista. Melhor a dominação japonesa da Ásia do que a libertação proposta pela China e a expansão do socialismo. O ódio das potências metropolitanas ao comunismo e o amor por suas colônias superavam seus princípios antifascistas.</p>
<h1 data-heading-number="2"><span class="heading-number">2.</span> Quando as rivalidades inter-imperialistas importavam</h1>
<p>A estratégia ocidental em relação à Alemanha nazista seguiu uma lógica estabelecida em 1917. Quando a intervenção britânica não conseguiu derrubar os bolcheviques, o teórico geopolítico Halford Mackinder – nomeado alto comissário para organizar o apoio ao Exército Branco – recomendou que o rearmamento alemão (após a derrota na Primeira Guerra Mundial), embora perigoso para os interesses britânicos, era essencial como baluarte contra o controle bolchevique da Europa Oriental. O Tratado de Versalhes (1919) era fundamentalmente “um pacto para a redução da Rússia Soviética”, como observou o economista Thorstein Veblen; um objetivo que, embora “não estivesse escrito no texto do Tratado”, era, no entanto, “o pergaminho sobre o qual o texto foi escrito”.<a href="#_edn15" name="_ednref15"><sup>15</sup></a> Essa continuou sendo a estratégia ocidental até 1945: conter e destruir a URSS, mesmo que isso significasse permitir o fascismo.</p>
<p>Em Munique, em 1938, o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain formalizou essa estratégia com Hitler: a Alemanha teria “carta branca” na Europa Oriental para atacar a URSS em troca do respeito aos interesses imperiais britânicos. No entanto, a rivalidade inter-imperialista impôs limites. A Grã-Bretanha queria que Hitler destruísse a União Soviética, mas temia que a expansão alemã descontrolada ameaçasse o próprio Império Britânico – a contradição explica tanto a conivência quanto a eventual declaração de guerra da Grã-Bretanha.</p>
<p>Quando a Grã-Bretanha enviou negociadores a Moscou em um lento navio cargueiro, o Almirante Reginald Drax chegou sem uma autorização por escrito para negociar, a mensagem era inequívoca: nenhuma aliança real com os comunistas.<a href="#_edn16" name="_ednref16"><sup>16</sup></a></p>
<p>Durante uma reunião em 1937, o ministro das Relações Exteriores Halifax elogiou Hitler como um “baluarte contra o bolchevismo”, enquanto um panfleto endossado pelo governo em 1939, escrito pelo político britânico Lord Lloyd de Dolobran, identificou a “apostasia final” de Hitler não como a invasão da Polônia, mas como a assinatura do pacto germano-soviético – “a traição da Europa”.<a href="#_edn17" name="_ednref17"><sup>17</sup></a> Enfrentando o isolamento, em 1939 Stalin assinou o Pacto Molotov-Ribbentrop (acordo de não agressão assinado entre a Alemanha Nazista e a União Soviética) não por escolha, mas pela necessidade criada pela convivência do Ocidente com Hitler.</p>
<p>Nos 22 meses seguintes (setembro de 1939 a meados de junho de 1941), a União Soviética mais que triplicou seu exército de 1,6 para 5,3 milhões, dobrou sua produção de tanques de 2.794, em 1940, para 6.590, em 1941 (incluindo 1.225 T-34s), e moveu indústrias inteiras para o leste. Os adidos dos EUA relataram transferências industriais maciças para os Urais no final de 1940, antes da invasão. A URSS avançou suas fronteiras entre 200 e 300 quilômetros para o oeste, trocando espaço por tempo. Stalin sabia que a guerra estava prestes a acontecer.<a href="#_edn18" name="_ednref18"><sup>18</sup></a></p>
<p>Em maio de 1940, Churchill se tornou o primeiro-ministro da Grã-Bretanha enquanto a França e o exército britânico fugiam de Dunkirk. O Secretário de Relações Exteriores da Inglaterra, o Conde de Halifax, propôs negociar a paz por meio de Mussolini – a Alemanha poderia ter a Europa se a Grã-Bretanha mantivesse seu império.<a href="#_edn19" name="_ednref19"><sup>19</sup></a> Churchill se opôs a esse plano, não por princípio, mas por aritmética. Se a Alemanha fosse autorizada a conquistar a Europa, sua força poderia posteriormente reverter qualquer acordo de paz e derrotar a Grã-Bretanha. Para dar apenas um exemplo, o Cáucaso produzia 25,4 milhões de toneladas de petróleo anualmente – 80% da produção soviética. A Alemanha tinha 3,1 meses de reservas de petróleo.<a href="#_edn20" name="_ednref20"><sup>20</sup></a> Se o Chanceler da Alemanha, Adolf Hitler, conquistasse os recursos soviéticos, a derrota da Grã-Bretanha seria certa.</p>
<p>Ao continuar a guerra, Churchill forçou a Alemanha a manter 49 divisões na Europa Ocidental e na Noruega – 24% da força total da Wehrmacht que não poderia ser deslocada contra a URSS.<a href="#_edn21" name="_ednref21"><sup>21</sup></a> Embora significativo, isso não impediu a montagem da maior força de invasão da história.</p>
<p>A Alemanha lançou a Operação Barbarossa (a invasão da União Soviética pelas Potências do Eixo em 22 de junho de 1941) com 153 divisões alemãs, totalizando mais de 3 milhões de soldados. O Museu Imperial da Guerra, o imponente museu nacional da Grã-Bretanha, calcula que 80% do Exército Alemão estava comprometido com esta invasão.<a href="#_edn22" name="_ednref22"><sup>22</sup></a> Além disso, 36 divisões aliadas do Eixo se juntaram ao ataque: 16 finlandesas, 15 romenas, 3 italianas e 2 eslovacas, totalizando 189 divisões. Essa força de quase 4 milhões de soldados representou a surpreendente concentração do poder militar do Eixo. A Frente Oriental não era outro teatro de guerra, mas o principal local de agressão fascista, onde a Wehrmacht destacou suas melhores unidades, os comandantes mais experientes e sua força máxima.</p>
<p>Esta foi a maior invasão militar da história humana. No entanto, a União Soviética derrotou este ataque sem precedentes por meio de sua própria profundidade estratégica, da mobilização de massas e de sua relocalização industrial.</p>
<p>Ao enfrentarem adversários extremamente poderosos, Stalin e Mao Zedong consideraram como explorar rivalidades inter-imperialistas que se tornaram tão intensas na década de 1940. Essas contradições inter-imperialistas – momentos contingentes em que os conflitos internos do império servem ocasionalmente às forças revolucionárias – são geralmente breves e pouco confiáveis. Elas surgem de forma imprevisível das contradições internas do capitalismo, devem ser reconhecidas e aproveitadas quando aparecem, mas nunca confundidas com uma aliança estratégica.</p>
<h1 data-heading-number="3"><span class="heading-number">3.</span> Poder econômico em 1941: o mito do poder ocidental</h1>
<p>Em 1941, o PIB mundial totalizou cerca de 4,5 a 5 trilhões em dólares internacionais de 1990. Aqueles com a maior capacidade de lutar contra o fascismo deliberadamente escolheram não fazê-lo.</p>
<p>Como documentado pelo historiador econômico Mark Harrison em seu livro <em>The economics of World War II </em>[A economia da Segunda Guerra Mundial], o núcleo imperial anglo-americano comandava aproximadamente 30,2% do PIB mundial. Os EUA sozinhos controlavam 1,094 trilhões – aproximadamente 22 a 24% da produção global – enquanto mantinham uma neutralidade confortável uma década após o início da guerra antifascista. O Império Britânico adicionou 344 bilhões de dólares (7 a 8% do PIB mundial), extraídos de 427 milhões de exploração colonial. No total, este campo (EUA e seus territórios e o Império Britânico conforme definido pelos britânicos em 1941) controlava 28,6% da população mundial. Os EUA permaneceram neutros até serem atacados em Pearl Harbor em dezembro de 1941. A Grã-Bretanha declarou guerra, mas priorizou o império.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<div id="attachment_130543" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-130543" class="size-large wp-image-130543 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_1.png" alt="" width="1024" height="681" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_1.png"><p id="caption-attachment-130543" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small>Fontes: Dados populacionais extraídos principalmente de Maddison (2010); dados do PIB extraídos principalmente de Harrison (1998), p. 10, tabela 1.3; dados sobre a população da URSS, em 1941, extraídos de Statista (2025); estimativas do PIB da China e mundial são corroboradas pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Ver apêndice para verificar a metodologia completa.</small></p></div>
</div>
<p>Os EUA dedicavam apenas 11% de seu PIB a gastos militares antes de Pearl Harbor. As Forças Armadas dos EUA, em dezembro de 1941, contavam com apenas 1,62 milhão de soldados, com uma uma população de 133,9 milhões – representando apenas 1,2%. Em contraste, a Alemanha tinha 7,3 milhões de soldados em uma população de 70,2 milhões (10,4%), e a União Soviética tinha 7,1 milhões em uma população de 195,4 milhões (3,6%) ao final daquele ano. A Grã-Bretanha, apesar de declarar guerra em 1939, havia alcançado 53% da despesa nacional em esforços militares, mas grande parte disso foi para proteger o império, não para lutar diretamente contra o fascismo. No Norte da África, as forças britânicas lutaram para manter o controle colonial, não para libertar populações. Segundo Churchill, “eu não me tornei o primeiro-ministro do rei para liquidar o Império Britânico”.<sup> <a href="#_edn23" name="_ednref23"><sup>23</sup></a></sup></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<div id="attachment_130553" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-130553" class="size-large wp-image-130553 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_2.png" alt="" width="1024" height="821" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_2.png"><p id="caption-attachment-130553" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small>Fontes: Dados sobre soldados extraídos de Harrison (1998, p. 14), tabela 1.5; dados populacionais extraídos de Maddison (2010) e Statista (2025). Consulte o apêndice para obter a metodologia completa.</small></p></div>
</div>
<p>O eixo fascista-imperial havia armado suas economias. A Alemanha dedicou 52% do PIB a gastos militares em 1941, alcançando 70% em 1943, e mobilizou 3 milhões de soldados para a invasão da União Soviética em 1941. Outras potências do Eixo mobilizaram um contingente extra de 500 mil a 700 mil soldados (Romênia, Finlândia, Hungria, Itália e Eslováquia), permitindo assim que Hitler afirmasse que esta era uma operação pan-europeia. Essa foi e ainda é a maior invasão militar da história humana. O Japão manteve 1,7 milhão de soldados na China com um ônus militar de 27% do PIB após uma década de guerra contínua.</p>
<p>O Eixo, liderado pela Alemanha, Itália e Japão, também incluía os signatários do pacto, como Hungria, Romênia, Eslováquia, Bulgária e Croácia, com a Finlândia como cobeligerante. As potências do Eixo e os territórios que controlavam comandavam aproximadamente 20,1% do PIB mundial. Esse número era composto por contribuições da Alemanha (412 bilhões de dólares), do território anexado da Áustria (29 bilhões de dólares), do Japão (196 bilhões de dólares), da Itália (144 bilhões de dólares), do território ocupado da França, altamente industrializado (130 bilhões de dólares), e dos outros membros (aproximadamente 47 bilhões de dólares). Além disso, colaboradores “neutros”, incluindo Suíça, Suécia, Espanha e Portugal, contribuíram com 2,6% do PIB mundial para a esfera econômica do Eixo.</p>
<p>O bloco socialista – a União Soviética e as áreas de base comunistas chinesas que imobilizaram 60% das forças japonesas – representava aproximadamente 8% do PIB mundial, com 359 bilhões de dólares. Em meados de 1941, com os exércitos alemães dentro do território soviético, até isso estava encolhendo. No entanto, os soviéticos mobilizaram 28% do PIB para gastos militares. O Exército Vermelho expandiu sua força  de 1,5 milhão de soldados em tempos de paz, em 1 de janeiro de 1938, para mais de 5 milhões em junho de 1941.<a href="#_edn24" name="_ednref24"><sup>24</sup></a></p>
<p>A tragédia da China foi escrita em números. Com 23% da população mundial (490-525 milhões de pessoas), a China gerou apenas cerca de 5% do PIB mundial após seu século de humilhação e uma década de devastação japonesa. Os dados oficiais do governo chinês Guomindang (KMT) são escassos. Em 1937, o ano da escalada total da agressão japonesa, a estimativa de soldados do KMT era de 1,7 milhão; em 1941, o exército dos EUA estimou 3,8 milhões de soldados. Uma pesquisa acadêmica sobre a história militar chinesa estimou que havia 6 milhões de soldados do KMT no verão de 1941.<a href="#_edn25" name="_ednref25"><sup>25</sup></a> O exército do povo, liderado pelo Partido Comunista da China (PCCh), cresceu de 56 mil, em 1937, para aproximadamente 440 mil, em 1941, e 1,3 milhão em 1945.<a href="#_edn26" name="_ednref26"><sup>26</sup></a> Com pouca produção doméstica de armas, a capacidade militar dependia de suprimentos estrangeiros, especialmente da União Soviética. A China tinha pessoas, mas poucas armas; coragem, mas pouca indústria; resistência, mas recursos escassos.</p>
<p>O padrão da ajuda externa expôs prioridades. Entre outubro de 1937 e junho de 1941, enquanto os EUA observavam, a União Soviética forneceu à China mais de 250 milhões de dólares em créditos, 1.235 aeronaves, milhares de peças de artilharia, dezenas de milhares de metralhadoras, além de munição e suprimentos.<a href="#_edn27" name="_ednref27"><sup>27</sup></a> Os soviéticos enviaram mais de 2 mil pilotos – 200 dos quais morreram defendendo cidades chinesas – e conselheiros militares.<a href="#_edn28" name="_ednref28"><sup>28</sup></a> Ao mesmo tempo que lutava pela sobrevivência, a URSS conseguiu enviar ajudas que representavam 0,07% de seu PIB. Pilotos soviéticos realizaram missões de combate sobre Nanjing, Wuhan e Chongqing. Antes de Pearl Harbor, os EUA não forneceram quase nada, apesar de serem responsáveis por 22 a 24% do PIB mundial.</p>
<p>Mesmo após entrar na guerra, a China recebeu apenas 632 milhões de dólares em ajuda do Lend-Lease (1941-1945) – uma política de empréstimos dos Estados Unidos a países aliados durante a Segunda Guerra Mundial -, enquanto a Grã-Bretanha, com seus dois estados coloniais brancos (Austrália e Nova Zelândia), recebeu 25,8 bilhões de dólares dos 30,3 bilhões atribuídos pelos EUA ao “Império Britânico”.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<div id="attachment_130563" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-130563" class="size-large wp-image-130563 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_3.png" alt="" width="1024" height="855" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_3.png"><p id="caption-attachment-130563" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small>Fontes: Números do auxílio do programa Lend-Lease extraídos do Departamento de Estado dos EUA (1945, p. 14, tabela 2, e p. 42–43, tabela 25); dados populacionais extraídos de Maddison (2010); dados de mortalidade na China extraídos de Bian (2012, pp. 401–405); dados de mortalidade na Índia extraídos de Sen (1977, p. 36). Consulte o apêndice para a metodologia completa.<br>*“Índias Britânicas” refere-se aqui à Índia e aos atuais Paquistão e Bangladesh. Os números do auxílio do programa Lend-Lease e população para a Índia Britânica e Ceilão (atual Sri Lanka) estão incluídos aqui.<br>*“Estados de colonos brancos” refere-se à Austrália e à Nova Zelândia.</small></p></div>
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<p><strong>Gráfico 1:</strong> Ajuda <em>per capita</em>: brancos receberam 442,3 dólares por pessoa; não brancos (China, Índia Britânica e Ceilão) receberam 4,4 dólares – uma proporção de 101:1</p>
<p><strong>Gráfico 2:</strong> Valor por morte: mortes brancas “avaliadas” em 52.913 dólares; mortes não brancas (China, Índia Britânica) em 155 dólares – uma proporção de 341:1</p>
<p>O Império Britânico em 1945 (conforme definido pelos EUA no Programa Lend-Lease) consistia em 58,3 milhões de brancos e 443,1 milhões de não brancos. A matemática era simples. Os EUA direcionaram 85,1% da ajuda do Lend-Lease do Império Britânico para brancos, que representavam apenas 11,6% da população do Império.</p>
<p>De 1945 a 1948, os EUA forneceram pelo menos 1,4 bilhão de dólar ao governo chinês de Chiang Kai-shek, com mais da metade sendo ajuda militar – o dobro dos 700 milhões de dólares em ajuda militar dados durante a Grande Guerra Antifascista – excluindo substantivos excedentes de vendas de propriedades.<a href="#_edn29" name="_ednref29"><sup>29</sup></a> A ajuda suplementar continuou até 1949, quando os nacionalistas perderam a guerra civil. A fórmula utilizada foi essa: ajuda mínima contra o Japão, apoio máximo contra o comunismo.</p>
<p>Observações comoventes foram feitas por dois artigos na <em>Historical Review,</em> publicados pela Academia Chinesa de Ciências Sociais em agosto de 2025.</p>
<p>O primeiro avalia que, no geral, nos estágios iniciais da Guerra de Resistência em larga escala, a assistência vital da União Soviética para uma China envolvida em uma luta árdua foi como “oferecer combustível em clima de neve”.</p>
<p>O segundo observa que após o fim da Guerra Anti-Japonesa, os EUA ajudaram ativamente e apoiaram os reacionários do Guomindang a lançar uma guerra civil e assinaram o aparentemente recíproco, mas na verdade desigual, “Tratado Sino-Americano de Amizade, Comércio e Navegação” com o governo nacionalista, visando manter influência sobre a China por meio de controle econômico e intervenção militar.</p>
<p>A aritmética econômica era clara: os anglo-americanos tinham o dinheiro, mas não lutariam; os fascistas militarizaram tudo; e os socialistas tinham pouco, mas deram tudo.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<div id="attachment_130573" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-130573" class="wp-image-130573 size-large img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_4.png" alt="" width="1024" height="939" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_4.png"><p id="caption-attachment-130573" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small>Fontes: Harrison (1998, p. 21, tabela 1.8). Consulte o apêndice para obter a metodologia completa.</small></p></div>
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<h1 data-heading-number="4"><span class="heading-number">4.</span> 14 anos de resistência chinesa: a base esquecida da vitória</h1>
<p>A resistência de 14 anos da China contra o imperialismo japonês imobilizou a maior parte das forças terrestres japonesas durante a guerra. As forças chinesas impediram mais de 500 mil soldados japoneses de atacarem o Extremo Oriente Soviético ou de varrerem o Pacífico.<a href="#_edn30" name="_ednref30"><sup>30</sup></a> À medida que a guerra avançava, um número crescente de soldados do KMT desertava para as forças comunistas, fortalecendo a resistência guerrilheira. Cada soldado chinês que ocupava uma posição com armas obsoletas e um estômago vazio impedia um soldado japonês de lutar em outro lugar. A fraqueza militar da China tornou sua resistência ainda mais heroica.</p>
<p>Em 1935, os soldados do Exército Vermelho que fugiram de Ruijin, local da primeira República Soviética Chinesa, cruzaram montanhas congeladas usando sandálias de palha, enquanto bombardeiros do KMT com motores estadunidenses os caçavam de cima.<a href="#_edn31" name="_ednref31"><sup>31</sup></a> O sangue congelava em suas pegadas. Os dedos dos pés ficavam pretos e caíam. Aqueles que sobreviveram se tornaram o núcleo das forças guerrilheiras que, em 1940, imobilizaram 60% das tropas japonesas.</p>
<p>Os números seguintes destroem todos os mitos sobre quem venceu a guerra:</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<div id="attachment_130583" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-130583" class="size-large wp-image-130583 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_5.png" alt="" width="1024" height="759" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_5.png"><p id="caption-attachment-130583" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small>Fontes: Dados da URSS extraídos de Andreev et al. (1993); dados da China extraídos de Bian (2012, pp. 401–405); dados da Índia extraídos de Sen (1977, p. 36). Consulte o apêndice para obter a metodologia completa.</small></p></div>
</div>
<p>Os padrões de entrega à guerra expõem a verdade: as forças socialistas estavam desesperadamente engajadas em uma luta existencial, enquanto as forças capitalistas cuidadosamente se auto preservavam para obter vantagens pós-guerra.</p>
<h1 data-heading-number="5"><span class="heading-number">5.</span> O preço do sangue: quem realmente derrotou o fascismo</h1>
<p>A luta global contra o fascismo matou 85 milhões de seres humanos, o que representa 3,8% da humanidade.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<div id="attachment_130593" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-130593" class="size-large wp-image-130593 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_6.png" alt="" width="1024" height="793" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_6.png"><p id="caption-attachment-130593" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small>Fontes: Dados de mortalidade na URSS extraídos de Andreev et al. (1993); dados de mortalidade na China extraídos de Bian (2012), pp. 401–405; população da Indochina Francesa extraída de Budge (2014) e dados de mortalidade extraídos do Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial de Nova Orleans (s.d.); outros dados populacionais extraídos de Maddison (2010). Consulte o apêndice para obter a metodologia completa.</small></p></div>
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<p>Quem pagou esse preço revela quem salvou o mundo. A aritmética destruirá toda mentira que os que chegaram atrasado contaram sobre essa guerra, não em termos de estatística, mas como acusações. Cada número é um crime, cada porcentagem, um veredito.</p>
<p>Dos mortos, 59,8% eram socialistas, 13,1% eram povos colonizados e apenas 1% era anglo-americano.</p>
<p>Esta não era a guerra deles, antes, era o lucro deles.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<div id="attachment_130603" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-130603" class="size-large wp-image-130603 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_7.png" alt="" width="1024" height="765" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_7.png"><p id="caption-attachment-130603" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small>Fontes: Dados da URSS extraídos de Andreev et al. (1993); dados da China extraídos de Bian (2012, p. 401–405, p. 442). Consulte o apêndice para a metodologia completa.</small></p></div>
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<p>Mas mesmo essas mortes contam apenas metade do horror. Os feridos – aqueles que sobreviveram mutilados, traumatizados, quebrados – desapareceram da história ocidental. Nós os recolocamos aqui: entre 13 a 18 milhões de soviéticos feridos que não figuram nos registros. Cada um viveu com a dor que Washington e Londres nunca sentiram. Cada soldado ocidental ferido se tornou uma vítima digna de pensões, medalhas, lembranças. Os 11 a 26 milhões de feridos chineses desapareceram da história como se nunca tivessem existido, sofrido ou tido qualquer importância.</p>
<p>A aritmética condena: as forças socialistas sofreram 59,8% de todas as mortes da Guerra Mundial Antifascista, com menos de 15% do PIB mundial. Na Coreia, 99% das mortes foram coreanas ou chinesas. No Vietnã, 99% das mortes foram de pessoas do Sudeste asiático. O padrão grita por meio de três guerras, ao longo de cinco décadas e pelos continentes: aqueles que não tinham nada salvaram a humanidade, enquanto aqueles que tinham tudo preservaram sua força para o saque pós-guerra.</p>
<h1 data-heading-number="6"><span class="heading-number">6.</span> A União Soviética destruiu o fascismo na Europa</h1>
<p>O Exército Vermelho eliminou ou derrotou decisivamente a força da Wehrmacht em batalhas que decidiram o destino da humanidade: Moscou, Stalingrado, Kursk e Berlim. O preço: 27 milhões de mortes soviéticas,<a href="#_edn32" name="_ednref32"><sup>32</sup></a> o que representa 13,8% de sua população, que alcançava 196 milhões em 1940, e 1,2% da população mundial total morta por ter se colocado entre o fascismo e o resto do mundo.</p>
<p>Essas não eram estatísticas abstratas. Vilarejos inteiros onde nenhum homem entre 18 e 50 anos sobreviveu. A União Soviética impôs 9 milhões das 11,1 milhões de baixas militares da Alemanha. Essa vitória foi parcialmente possível porque a resistência da China impediu o Japão de atacar o Extremo Oriente Soviético durante 1941-1942, quando Moscou estava por um fio. Como o presidente Vladimir Putin reconheceu em 2025, a resistência chinesa foi “um dos fatores cruciais que impediram o Japão de apunhalar a União Soviética pelas costas durante os meses mais sombrios”.</p>
<p>Entre as mortes soviéticas estavam 1,3 milhão de judeus assassinados nos campos de extermínio orientais do Holocausto; 3,3 milhões de prisioneiros de guerra que deliberadamente passavam fome em campos alemães; e milhões de civis mortos pelo Generalplan Ost (plano mestre para o oriente) e outras políticas raciais nazistas que visavam os eslavos “subhumanos”.<a href="#_edn33" name="_ednref33"><sup>33</sup></a></p>
<h1 data-heading-number="7"><span class="heading-number">7.</span> A catástrofe demográfica da China</h1>
<p>Pelo menos 23,6 milhões de mortes de chineses foram documentadas de 1937 a 1945: 20,6 milhões em combates e massacres, além de 3 milhões decorrentes da fome de Henan de 1942 causada pela ruptura japonesa. Antes disso, de 1931 até meados de 1937, a invasão japonesa também resultou em cerca de 450 mil mortes. O total de mortes documentadas de 1931 a 1945 chega a 24,05 milhões. Incluindo os feridos, o total de baixas se aproxima dos  35 milhões. No entanto, mesmo esse número impressionante subestima a catástrofe. Ao incluir os 15 milhões que nunca nasceram devido à destruição da guerra, a perda total da população da China superou 50 milhões. O Ocidente reconhece, talvez, 15 a 20 milhões de mortos, mas ignora completamente os feridos e apaga o buraco demográfico que levou gerações para ser preenchido.<a href="#_edn34" name="_ednref34"><sup>34</sup></a></p>
<p>O sistema de trabalho forçado acrescentou outra dimensão a esse genocídio: de 1935 a 1945, 20% dos 11,5 milhões de trabalhadores forçados no Nordeste da China morreram (2,3 milhões de mortes). Entre os 38.935 trabalhadores forçados enviados ao Japão, 17,5% foram mortos na terra natal do imperador, segundo a historiadora da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Bian Xiuyue.<a href="#_edn35" name="_ednref35"><sup>35</sup></a> Essa pesquisa documenta o genocídio em termos precisos, não com estimativas vagas.</p>
<p>A insistência ocidental em contar apenas mortes promove um apagamento duplo. Diante do fato de que 35 milhões de chineses foram mortos ou feridos, focar apenas na subestimada contabilidade ocidental de cerca de 20 milhões de mortes apaga pelo menos 11 milhões de feridos cujas vidas foram destruídas pela agressão japonesa.</p>
<p>A pesquisa do governo da China de 2015, envolvendo 600 mil participantes, documentou o extermínio sistemático por meio de múltiplos métodos, como o Massacre de Nanquim, com 300 mil mortos em seis semanas e uma estimativa de 20 a 80 mil estupros;<a href="#_edn36" name="_ednref36"><sup>36</sup></a> a campanha “Três Tudos” do Japão (“Mate tudo, queime tudo, saqueie tudo”), que transformou províncias inteiras em cemitérios; e até mesmo campos de prisioneiros de guerra regulares que revelaram uma política de extermínio chauvinista: o Japão matou 99,9% dos prisioneiros chineses, mas apenas 27,1% dos prisioneiros de guerra ocidentais.<a href="#_edn37" name="_ednref37"><sup>37</sup></a></p>
<h1 data-heading-number="8"><span class="heading-number">8.</span> O holocausto colonial: 11 milhões esquecidos</h1>
<p>Enquanto as potências imperiais preservavam sua força, suas colônias sangravam. Um total de 11,2 milhões de pessoas das colônias morreram, mais de dez vezes o total de mortes na guerra anglo-americana.</p>
<p>A Fome de Bengala de 1943 matou 3 milhões de indianos devido à política britânica. Enquanto os bengalis morriam de fome, a Grã-Bretanha exportava arroz daquele estado indiano e negava a chegada de navios de socorro.<a href="#_edn38" name="_ednref38"><sup>38</sup></a> Churchill disse ao seu secretário particular que “os indianos eram uma raça imunda protegida apenas pela multiplicação da condenação que lhes é devida”. Ele gostaria que o Marechal da aeronáutica Arthur Harris, chefe do Comando de Bombardeiros Britânico, pudesse “enviar alguns de seus bombardeiros excedentes para destruí-los”.<a href="#_edn39" name="_ednref39"><sup>39</sup></a></p>
<p>As Índias Orientais Holandesas perderam 3,4 milhões de pessoas – 4,7% da população. Duas potências coloniais os mataram: os holandeses, por meio de séculos de espoliação que deixaram os povos colonizados enfraquecidos, e os japoneses, com o trabalho forçado, fome e violência sistemática.</p>
<p>Somente em Java, na Indonésia, ocorreram 1,8 milhão de mortes excessivas entre 1944 e 1945. O sistema de trabalho forçado <em>romusha</em> enviou 300 mil indonésios para o exterior; apenas 77 mil retornaram.<a href="#_edn40" name="_ednref40"><sup>40</sup></a> Apenas na Ferrovia de Sumatra, 17 mil dos 22 mil trabalhadores javaneses pereceram – uma taxa de mortalidade de 77%.</p>
<p>A Indochina Francesa perdeu 1,5 milhão de pessoas – 6,5% da população. A fome de 1944-1945 matou de 1 a 2 milhões de vietnamitas devido à extração combinada de exigências japonesas e à contínua administração colonial francesa.</p>
<p>Já na Birmânia, houve entre 270 mil a até 1 milhão de mortos sob ocupação japonesa enquanto a Grã-Bretanha fugia, destruindo campos de petróleo, mas abandonando os trabalhadores indianos e os civis birmaneses que não tinham meios de escapar. A Ferrovia Tailândia-Birmânia (402 quilômetros) matou 215 pessoas por quilômetro de trilho construído (31 mortes de prisioneiros de guerra ocidentais por quilômetro e 184 trabalhadores asiáticos mortos por quilômetro), um número em que o fator racial mostra uma ocorrência de fatalidades seis vezes maior entre não ocidentais.<a href="#_edn41" name="_ednref41"><sup>41</sup></a> A mais curta Ferrovia do Istmo de Kra (90 quilômetros) teve uma taxa de mortalidade ainda mais alta: 537 mortes por quilômetro (Huff, 2020), construída inteiramente por trabalhadores asiáticos cujas mortes foram em grande parte não documentadas pelas autoridades japonesas. De um total estimado entre 260 e 270 mil trabalhadores em ambas as ferrovias, cerca de 90 a 140 mil trabalhadores asiáticos pereceram, incluindo números significativos entre os mais de 100 mil malaios e tâmiles recrutados de territórios britânicos.</p>
<p>Malásia e Cingapura perderam até 150 mil cidadãos. Filipinas, 765 mil.<a href="#_edn42" name="_ednref42"><sup>42</sup></a> Timor Português perdeu de 14% a 19% de sua população, a maior taxa de mortalidade de qualquer território no Sul da Ásia.<a href="#_edn43" name="_ednref43"><sup>43</sup></a></p>
<p>Está é a aritmética colonial: mortos pela ocupação fascista enquanto os senhores coloniais acumulavam recursos. Enquanto indianos morriam de fome, a Grã-Bretanha garantia seus grãos. Enquanto indonésios sucumbiam, a extração holandesa não construía nada para salvá-los. Vietnamitas pereceram ao mesmo tempo em que a França mantinha seu aparato de extração mesmo sob o domínio japonês.</p>
<p>Onze milhões de mortes coloniais. Museus guardam a memória dos 12 mil soldados estadunidenses e filipinos que morreram na Marcha da Morte de Bataan.<a href="#_edn44" name="_ednref44"><sup>44</sup></a> Os cerca de 100 mil romushas que morreram ao construírem a Ferrovia da Birmânia não têm museu nem filme como <em>Ponte do Rio Kwai</em> (1957).</p>
<h1 data-heading-number="9"><span class="heading-number">9.</span> África: 2 milhões de pessoas esquecidas</h1>
<p>A África se tornou a reserva de emergência dos Aliados quando a França caiu, e as colônias ocidentais na Ásia foram perdidas para o Japão. Grã-Bretanha, França e Bélgica extraíram o máximo de recursos das colônias africanas enquanto lutavam em uma guerra supostamente por liberdade. Entre 1,6 e 2 milhões de africanos morreram por conta da invasão fascista, trabalho forçado, serviço em combate e fome sistêmica. As autoridades coloniais, que contabilizam a produção de cobre por tonelada, nunca contaram as mortes africanas.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Etiópia: o primeiro campo de batalha</h2>
<p>Na África, a Guerra Mundial Antifascista começou em 1935 quando a Itália invadiu a Etiópia. Um memorando do governo etíope de 1945 documentou 760.300 mortes (275 mil em combate, 300 mil por fome entre os refugiados, 75 mil patriotas mortos durante a ocupação, 35 mil em campos de concentração, 30 mil no massacre de Addis Ababa em fevereiro de 1937, 24 mil execuções, 17.800 civis mortos por ataques aéreos). Apesar de ter assinado o Protocolo de Genebra, a Itália usou entre 300 e 500 toneladas de gás mostarda e lançou 4.336 bombas aéreas carregadas com mostarda de enxofre e 540 bombas contendo difenilcloroarsina sobre a Etiópia. Analistas soviéticos calcularam que essas armas químicas causaram 30% das mortes dos etíopes em combate. Na caverna Ametsegna Washa, em 1939, as forças italianas envenenaram, com gás, e metralharam mais de 5.500 etíopes.</p>
<p>Mulheres etíopes lutaram como combatentes armadas (<em>arbegna</em>) contra a ocupação italiana – o <em>Livro de Honra</em> oficial do governo etíope, 1935-1941, documentou o sacrifício destas mulheres, registrando um terço de seus nomes como patriotas que pegaram em armas contra o fascismo, embora as histórias ocidentais as apaguem completamente.<a href="#_edn45" name="_ednref45"><sup>45</sup></a> Essas mulheres aprenderam a usar rifles e granadas, suportaram bombardeios aéreos e ataques com gás mostarda, e em alguns casos assumiram o comando de tropas. Em março de 1948, a Comissão de Crimes de Guerra da ONU identificou 1.200 criminosos de guerra italianos da campanha etíope. Mas nenhum processo foi aberto.<a href="#_edn46" name="_ednref46"><sup>46</sup></a> Badoglio, que estava envolvido no genocídio italiano na Líbia (1929-1934), voltou para a Itália para se tornar o último primeiro-ministro de Mussolini.<a href="#_edn47" name="_ednref47"><sup>47</sup></a> O marechal de campo italiano que autorizou o uso sistemático de armas químicas que mataram dezenas de milhares de etíopes tornou-se o “ativo valioso” dos anglo-americanos contra o comunismo.</p>
<p>Quando o governo Bonomi parecia pronto para prender Badoglio, o primeiro-ministro Churchill enviou um telegrama “pessoal e ultrassecreto” em 8 de dezembro de 1944 para Sir Noel Charles, o embaixador britânico em Roma, afirmando: “Você é responsável pela segurança e pelo refúgio do Marechal na Embaixada Britânica ou em algum lugar igualmente seguro para o qual ele possa ser levado”.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Serviço de combate</h2>
<p>Quase um milhão de africanos serviram às tropas de combate antifacista. A França mobilizou 100 mil soldados africanos contra a Alemanha em 1940 (17.500 mortos). Marrocos enviou 90 mil soldados para a França. Na Birmânia, 90 mil soldados africanos constituíam 9% das forças imperiais. A 82ª Divisão da África Ocidental sofreu 2.085 baixas – o maior número no “XV Corps”.</p>
<p>O <em>apartheid </em>militar estruturou tudo: os soldados africanos recebiam um terço do salário dos brancos, e o castigo corporal permaneceu legal para os africanos até 1946. Entre os 500 mil soldados africanos, os oficiais eram tão raros que eram conhecidos pelo nome. A discriminação racial ia além da política institucional, chegando à violência brutal. Em 1940, os nazistas massacraram 3 mil soldados negros franceses. Hitler manteve prisioneiros de guerra soldados africanos enquanto libertava os brancos.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">A matemática da extração</h2>
<p>A África forneceu 98% dos diamantes industriais aos aliados, 90% do cobalto, 50% da produção de ouro e 39% da cromita. Os britânicos recrutaram 100 mil homens para as minas de estanho da Nigéria entre 1942 e 1944. A taxa de mortalidade por doenças na barragem de Tente chegou a 10%.<a href="#_edn48" name="_ednref48"><sup>48</sup></a>, e conseguiu um aumento da produção de 6%. No Congo ocupado pela Bélgica, o trabalho obrigatório atingiu 120 dias anuais. A África Ocidental Francesa obrigava 38.153 homens a integrarem os exércitos de trabalho forçado, enquanto vilarejos inteiros fugiam, como a migração de 6 mil pessoas de Forécariah para Serra Leoa.</p>
<p>A mina de Shinkolobwe forneceu urânio para as bombas atômicas usadas em Hiroshima e Nagasaki. Nesta mina, o minério continha 75% de óxido de urânio contra 0,2% considerado comercializável na América do Norte. Mineiros congoleses manusearam minério radioativo com as mãos nuas. Seus nomes nunca foram registrados, e suas mortes nunca foram contabilizadas.<a href="#_edn49" name="_ednref49"><sup>49</sup></a></p>
<p>A substituição forçada de cultivos criou fome. Em Moçambique, 800 mil pessoas morreram em decorrência do cultivo forçado de algodão. Em Cabo Verde, houve 24.643 mortes pela fome durante a guerra. Na Nigéria, as exportações de amendoim aumentaram, enquanto a produção de milheto foi abandonada. A fome foi a consequência dos registros de exportação.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">A traição</h2>
<p>No dia 1° de dezembro de 1944, na cidade de Thiaroye, no Senegal, oficiais franceses massacraram veteranos da África Ocidental que exigiam pagamento atrasado. Uma contagem oficial computou 35 mortos; os arquivos militares registraram 70 mortes; uma pesquisa histórica atual apontou para 300 a 400 mortos. Oitenta anos depois, os arquivos contêm documentos falsificados e permanecem sigilosos por serem  considerados “sensíveis”.</p>
<p>Em 8 de maio de 1945, Dia da Vitória na Europa, as forças francesas começaram a matar argelinos em Sétif e Guelma. A Argélia conta 45 mil mortos;<a href="#_edn50" name="_ednref50"><sup>50</sup></a> a França admite 1.500.</p>
<p>A greve geral nigeriana de 1945. Em Madagascar, em 1947, a França matou 40 mil pessoas, esmagando a independência.</p>
<p>A greve ferroviária da África Ocidental Francesa, entre 1947-1948, durou 160 dias e envolveu  20 mil trabalhadores.</p>
<p>Em 1948, na Costa do Ouro (agora Gana), o superintendente britânico Imray atirou pessoalmente em três veteranos que lideravam protestos.</p>
<p>Greves gerais eclodiram de Durban a Túnis, de Dakar a Dar es Salaam. Em 1947, em Mombaça, cidade do Quênia, 15 mil trabalhadores paralisaram a cidade.</p>
<p>Na África do Sul, em Witwatersrand, os mineiros entraram em greve apesar de 1.248 pessoas serem feridas pela polícia, em 1946.</p>
<p>O padrão foi estabelecido da seguinte forma: veteranos que exigiam salários foram massacrados, trabalhadores que exigiam direitos foram baleados, movimentos de independência teriam que ser esmagados. A França matou 1,5 milhão de pessoas na Argélia. A Grã-Bretanha encarcerou 1,5 milhão de quenianos. Portugal incendiou  Moçambique. Os veteranos que sobreviveram ao fascismo agora entendiam o inimigo. Dentro de uma década, guerras de libertação eclodiriam da Argélia ao Quênia, de Angola a Moçambique,  lideradas e influenciadas por movimentos e lideranças socialistas que aprenderam que a fórmula de 600 anos do Ocidente nunca mudou: extração máxima, morte máxima, reconhecimento mínimo, nenhuma responsabilização.</p>
<p>Há uma contabilidade que as potências coloniais nunca fizeram entre 1935-1945: entre 1,6 e 2 milhões de africanos foram mortos; somente na Etiópia foram 760 mil. As mortes de militares chegaram a 75 mil. O trabalho forçado e a fome levou centenas de milhares ao mesmo destino. As autoridades coloniais documentaram a quantidade de cobre extraído: 262.394 toneladas, mas as mortes africanas nunca foram registradas.</p>
<h1 data-heading-number="10"><span class="heading-number">10.</span> Como o socialismo derrotou o fascismo com uma estratégia superior</h1>
<p>Três batalhas provaram que o Japão poderia ser derrotado. Em Pingxingguan (平型关), em 1937, as forças comunistas mataram mais de mil japoneses e capturaram 82 veículos – a primeira derrota do Japão.<sup> <a href="#_edn51" name="_ednref51"><sup>51</sup></a></sup> Em Taierzhuang (台儿庄), em 1938, os japoneses foram derrotados. Existem várias estimativas históricas. Um estudo de 1996 aponta que houve 20 mil baixas entre 55 mil soldados japoneses.<a href="#_edn52" name="_ednref52"><sup>52</sup></a> Em Wanjialing (万家岭), em 10 de outubro de 1938, uma divisão japonesa inteira – 31 mil soldados – foi reduzida a mil sobreviventes. Foi o dia mais sombrio do Japão.</p>
<p>A Ofensiva dos Cem Regimentos do Partido Comunista da China de 1940 – uma série de ataques coordenados no norte do país – destruiu a infraestrutura japonesa. As forças do PCCh prenderam 60% das forças do Japão e 95% das forças fantoches (não uma “maioria” vaga, mas precisa e sangrenta).<a href="#_edn53" name="_ednref53"><sup>53</sup></a> A “guerra dos pardais” (麻雀战)fez as patrulhas japonesas sangrarem por cada milha, assim como a guerra de túneis em Ranzhuang (冉庄), em 1939, com escavações de dezesseis quilômetros de comprimento que conectavam cinco vilas, enquanto os guerrilheiros apareciam e desapareciam como fantasmas.<a href="#_edn54" name="_ednref54"><sup>54</sup></a></p>
<p>A derrota do fascismo não foi apenas sob sacrifício; foi uma estratégia brilhante que transformou a fraqueza inicial em força. A liderança socialista não apenas mobilizou as massas, mas superou e derrotou seus inimigos, apesar de todas as vantagens materiais destes.</p>
<p>A inovação soviética transformou a derrota em vitória total. A URSS enfrentou uma equação impossível: enquanto construía a primeira sociedade socialista da humanidade a partir das ruínas do sistema feudal do czarismo – transformando as relações sociais de produção e reprodução em uma escala sem precedentes -, teve precisamente uma década para construir uma capacidade militar-industrial para uma guerra inevitável.</p>
<p>Quando os exércitos alemães destruíram a linha de defesa soviética em junho de 1941, observadores ocidentais deram à URSS semanas de sobrevida. Em seis meses, a URSS impôs a primeira grande derrota estratégica à Alemanha nazista com a contraofensiva de Moscou; em 18 meses, o Exército Vermelho estava dizimando grupos inteiros do exército alemão. O segredo estava em combinar a doutrina militar revolucionária com uma mobilização social sem precedentes. As operações em profundidade, teoria da batalha profunda, previam o rompimento das linhas inimigas em múltiplos pontos, e depois exploravam as reservas para aniquilar frentes inteiras. Quando a crise surgiu, 1.523 fábricas foram carregadas em 1,5 milhão de vagões de trem e evacuadas além dos Urais em cinco meses sob bombardeio da Luftwaffe.<a href="#_edn55" name="_ednref55"><sup>55</sup></a> Dezessete milhões de cidadãos soviéticos foram evacuados junto com as fábricas onde trabalhavam.<a href="#_edn56" name="_ednref56"><sup>56</sup></a> A Fábrica Kirov foi evacuada de Leningrado para Chelyabinsk, onde 5.800 máquinas foram instaladas e se tornaram operacionais em menos de três semanas (em galpões sem telhado, com trabalhadores vivendo em tendas a -40°C).<a href="#_edn57" name="_ednref57"><sup>57</sup></a></p>
<p>A produção de tanques soviéticos praticamente quadruplicou em um ano, subindo de 6.590, em 1941, para 24.719, em 1942, mesmo apesar das perdas catastróficas.<a href="#_edn58" name="_ednref58"><sup>58</sup></a> Ao todo, os soviéticos produziram mais de 100 mil tanques e canhões de autopropulsão, contra 43 mil da Alemanha (1941-1945).<a href="#_edn59" name="_ednref59"><sup>59</sup></a> O T-34 foi tão devastador às forças da Wehrmacht que engenheiros alemães tentaram desesperadamente copiá-lo, mas falharam. Até a RAND Corporation admitiu que era o “epítome do <em>design</em> criativo”.<a href="#_edn60" name="_ednref60"><sup>60</sup></a></p>
<p>Stalin criou o Comitê de Defesa do Estado (GKO) em 30 de junho de 1941, que coordenou essa evacuação sem precedentes. Os trabalhadores labutaram dia e noite e construíram novas fábricas ao redor do equipamento à medida que os trens chegavam. Em março de 1942, essas fábricas evacuadas estavam produzindo em níveis pré-guerra. Os alemães haviam capturado áreas contendo 40% da população, 60% da produção de carvão, aço e alumínio, mas a produção militar soviética superou a produção alemã até 1942.<a href="#_edn61" name="_ednref61"><sup>61</sup></a> Apenas uma sociedade socialista poderia alcançar esse milagre de realocação sob invasão.</p>
<p>Isso foi superioridade científica.</p>
<p>Stalingrado demonstrou uma estratégia de batalha superior à excelência tática alemã. O General Georgy Zhukov deixou os alemães utilizarem suas melhores unidades no combate urbano, onde a superioridade de tanques não significava nada. Cada edifício se tornou uma fortaleza; cada sala se tornou um campo de batalha. Enquanto as forças alemãs se esgotavam na cidade, as reservas soviéticas se concentravam nos flancos. A Operação Urano, em 1942, atingiu com precisão matemática, visando os exércitos romenos que a Alemanha havia posicionado em seus flancos – forças aliadas mais fracas segurando posições críticas. Múltiplos ataques simultâneos destruíram esses exércitos romenos e cercaram todo o Sexto Exército.</p>
<p>Ao final da guerra, as ofensivas soviéticas rotineiramente destruíam grupos inteiros do exército alemão em frentes de milhares de quilômetros. O mesmo exército que colapsou em 1941 estava, em 1944, conduzindo operações de complexidade e em uma escala que nenhum exército capitalista poderia igualar.</p>
<p>Isso não foi apenas heroísmo, mas a fusão da ciência marxista com a criatividade das massas. Enquanto os exércitos capitalistas preservaram forças profissionais, o sistema soviético mobilizou todos. Em 1942, as mulheres no Exército Vermelho somavam 800 mil. Em 1945, havia 246 mil mulheres na linha de frente – atiradoras, pilotas, equipes de tanques e não apenas enfermeiras.<a href="#_edn62" name="_ednref62"><sup>62</sup></a> A guerra de resistência encurralou 500 mil soldados alemães com forças organizadas localmente; aproximadamente 205.600 membros da resistência estavam organizados atrás das linhas alemãs em 1º de julho de 1944.<a href="#_edn63" name="_ednref63"><sup>63</sup></a> Apesar de perder a maior parte de sua base industrial anterior à guerra, a URSS superou a Alemanha em todas as categorias importantes, como as 112.100 aeronaves de combate contra 89.500 da Alemanha.<a href="#_edn64" name="_ednref64"><sup>64</sup></a> Das cerca de 3 a 3,5 milhões de mortes militares da Alemanha, 2,6 a 3,1 milhões ocorreram na luta contra o Exército Vermelho; das suas 11,1 milhões de baixas totais, 9 milhões foram na Frente Oriental.<a href="#_edn65" name="_ednref65"><sup>65</sup></a> De 1941 a 1942, a Alemanha teve que empregar entre 72% a 80% de toda a sua força militar ao longo dessa frente de 3 mil quilômetros – e lá as perdeu. Enquanto os imperialistas aliados enfrentaram 54 divisões alemãs no Dia D, o Exército Vermelho estava simultaneamente desmontando e destruindo 156,5 divisões no Leste.<a href="#_edn66" name="_ednref66"><sup>66</sup></a></p>
<p>Enquanto isso, a inovação chinesa superou a superioridade japonesa em armamentos. O PCCh transformou a fraqueza da China em força. O Exército da Oitava Rota do PCCh e o Novo Quarto Exército imobilizou 60% das forças japonesas por meio da guerra de guerrilha. Sua “resistência abrangente” transformou cada agricultor em fornecedor, cada trabalhador em sabotador, cada estudante em organizador.</p>
<p>As forças convencionais do Guomindang (KMT) engajaram os 40% restantes, enfrentando desafios severos em batalhas convencionais, apesar de algumas vitórias defensivas notáveis.</p>
<p>Em <em>Sobre a Guerra Prolongada</em> (1938), Mao forneceu uma análise científica: o Japão era forte, mas pequeno, isolado e bárbaro; a China era fraca, mas vasta, progressista, com o tempo a seu favor. Mao previu três fases: defensiva estratégica, impasse estratégico e contraofensiva estratégica, exatamente como a guerra se desenrolou. A profecia se provou exata.</p>
<p>O campo de batalha da retaguarda se tornou a ferida aberta do Japão. As forças comunistas estabeleceram bases em todo o território ocupado, implementando reforma agrária para mobilizar camponeses e governança democrática para unir todas as classes patrióticas contra o invasor. Na fase de impasse, a guerra de guerrilha imobilizou 60% das tropas japonesas e 95% das forças fantoches. Guerra de túneis, guerra móvel e guerra de minas terrestres; cada tática explorou as vulnerabilidades japonesas. Os ocupantes controlavam as cidades e ferrovias; a resistência controlava todo o resto.</p>
<p>A Ofensiva dos Cem Regimentos de 1940 provou que as zonas ocupadas eram cemitérios, não colônias. Ataques coordenados no norte da China destruíram a infraestrutura japonesa e despedaçaram o mito da pacificação. Cada ferrovia explodida, cada comboio emboscado demonstrou uma verdade simples: armas superiores não significavam nada quando cada vila era hostil, cada camponês uma rede de inteligência, cada noite uma oportunidade de ataque. Os japoneses se viram afundando em um oceano de guerra popular.</p>
<p>Esta foi a aplicação científica da teoria revolucionária a condições concretas. A equação se provou exata: linha política correta mais mobilização em massa igual a milagres militares. A China provou que a superioridade técnica do imperialismo desmorona quando um povo inteiro se recusa a ser escravizado.</p>
<p>O contraste com a liderança militar capitalista também era marcante. Os comandantes estadunidenses e britânicos tinham todas as vantagens: forças maiores, linhas de suprimento ininterruptas, apoio aéreo esmagador. No entanto, eles se moviam com cautela, preservando suas forças em vez de eliminar o inimigo. A Operação Market Garden (1944) fracassou. A Batalha das Ardenas os pegou de surpresa. Foram necessários onze meses para avançar da Normandia a Berlim, uma distância que o Exército Vermelho cobriu em quatro meses enquanto lutava em batalhas mais desafiadoras.<a href="#_edn67" name="_ednref67"><sup>67</sup></a></p>
<p>O “milagre da produção” dos EUA era na verdade ineficiência. A produtividade da manufatura caiu 1,4% por ano  durante a guerra. Contratos de custo garantiam lucro independentemente do desperdício; as corporações eram pagas por todos os custos mais o lucro. O veredicto do Comitê Truman sentenciava que “a guerra é desperdício – desperdício de mão de obra e material”,<a href="#_edn68" name="_ednref68"><sup>68</sup></a> mas a fórmula era clara: lucro máximo, eficiência mínima e deixe que os outros sangrem.<a href="#_edn69" name="_ednref69"><sup>69</sup></a></p>
<p>Os povos socialistas e colonizados representaram 73% de todas as mortes; os anglo-americanos apenas 1%.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<div id="attachment_130613" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-130613" class="size-large wp-image-130613 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_8.png" alt="" width="1024" height="810" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_8.png"><p id="caption-attachment-130613" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small>Fontes: Elaboração do autor com base em Mukerjee (2010, p. 205, p. 246–247); Murayama (1995); Nie, Guo, Selden e Kleinman (2010, p. 5); Kohn e Harahan (1988, p. 88); Stone (1952, p. 312).</small></p></div>
</div>
<h1 data-heading-number="11"><span class="heading-number">11.</span> O laboratório anticomunista do fascismo: o ensaio doméstico para o genocídio global</h1>
<p>Antes que o fascismo se voltasse para fora para conquistar nações, ele aperfeiçoou o assassinato em massa em seus países. De 1931 a 1945, regimes fascistas exterminaram sistematicamente de 216 mil a 286 mil comunistas e pessoas de esquerda na Alemanha, Espanha, Itália e Japão – não vítimas de guerra, mas genocídio político deliberado.<a href="#_edn70" name="_ednref70"><sup>70</sup></a> Outros milhões enfrentaram prisão, tortura e exílio.</p>
<p>Esse foi o ensaio para o que viria a seguir, assistido com aprovação pelas metrópoles coloniais. Melhor comunistas mortos do que uma revolução vermelha. Enquanto o fascismo aperfeiçoava suas técnicas de assassinato em comunistas em seus países, as “democracias liberais” imperiais calculavam suas vantagens econômicas.</p>
<p>A Alemanha industrializou o assassinato político, e seus primeiros alvos foram os comunistas. Nas eleições de novembro de 1932, o Partido Comunista Alemão (KPD) era uma enorme força política que garantia quase 6 milhões de votos (16,9% do total).<a href="#_edn71" name="_ednref71"><sup>71</sup></a> Todo esse mundo político foi alvo de aniquilação. Após o Incêndio do Reichstag, em fevereiro de 1933, o regime nazista lançou sua primeira onda de terror em massa. Dados conservadores indicam que pelo menos 100 mil opositores políticos foram presos apenas em 1933, com 600 deles morrendo sob custódia; estimativa da própria direção do KPD colocava esses números em 130 mil presos e 2.500 assassinados.<a href="#_edn72" name="_ednref72"><sup>72</sup></a></p>
<p>Essas prisões iniciais preencheram os primeiros campos de concentração – como Oranienburg e o notório Dachau -, que se tornaram os laboratórios para o extermínio industrializado. A brutalidade caótica da SA logo deu lugar ao terror burocrático da SS (organizações paramilitares ligadas ao Partido Nazista). Até o final de 1933, pelo menos 27 mil pessoas foram detidas nos campos, a grande maioria delas prisioneiros políticos: 80% eram membros do Partido Comunista da Alemanha e 10% do Partido Social-Democrata da Alemanha.<a href="#_edn73" name="_ednref73"><sup>73</sup></a> Lá, os métodos de desumanização foram refinados. Em 1937, o triângulo vermelho que marcava prisioneiros políticos era o precursor da classificação de todas as vítimas, e o sistema de tortura e trabalho forçado se tornou prática padrão. O ataque aos comunistas estabeleceu o modelo para o Holocausto; ao longo do regime nazista, aproximadamente 150 mil comunistas seriam aprisionados, e entre 20 mil e 30 mil seriam assassinados ou executados.<a href="#_edn74" name="_ednref74"><sup>74</sup></a> A tortura e o assassinato de comunistas serviram como laboratório onde nazistas aperfeiçoaram técnicas que mais tarde foram usadas contra judeus, ciganos e eslavos.</p>
<p>A Espanha transformou a limpeza política em uma ciência. Franco assassinou de 150 mil a 200 mil civis atrás das linhas e executou 50 mil republicanos após março de 1939.<a href="#_edn75" name="_ednref75"><sup>75</sup></a> A população carcerária atingiu 233 mil em 1941.</p>
<p>O massacre na cidade espanhola de Badajoz, em 1936, matou 4 mil pessoas de esquerda desarmadas.<a href="#_edn76" name="_ednref76"><sup>76</sup></a> Os voluntários das Brigadas Internacionais enfrentaram uma taxa de mortalidade de 30% – os nacionalistas frequentemente executavam prisioneiros internacionais.<a href="#_edn77" name="_ednref77"><sup>77</sup></a> Em 1940, Franco recusou os pedidos nazistas para repatriar republicanos espanhóis dos campos franceses, declarando-os apátridas e condenando mais de 10 mil a campos de concentração nazistas.</p>
<p>A Polícia Especial Superior do Japão prendeu 65 mil pessoas sob a Lei de Preservação da Paz.<a href="#_edn78" name="_ednref78"><sup>78</sup></a> A tortura era uma política; a autópsia do escritor proletário Kobayashi Takiji, em 1933, revelou o uso de brutalidade sistemática.<a href="#_edn79" name="_ednref79"><sup>79</sup></a> Entre 1942 e 1945, apenas um tribunal de Jinzhou, em Manchukuo, na China, condenou 1.700 à morte e 2.600 à prisão perpétua por “crimes de pensamento”.</p>
<p>A Itália já havia demonstrado o padrão antes de 1931: os <em>squadristi</em> realizaram 2.120 atos de violência antissocialista entre 1919 e 1922, incluindo 709 assassinatos, enquanto atacavam sistematicamente conselhos socialistas e organizações de trabalhadores em todo o Vale do Pó e em toda a Emilia-Romagna.<a href="#_edn80" name="_ednref80"><sup>80</sup></a> Embora esses assassinatos anteriores a 1931 não estejam contabilizados nas cifras mencionadas, eles estabeleceram o modelo violento do fascismo. Em 1943, a OVRA, a polícia secreta de Mussolini, havia compilado arquivos de vigilância sobre 130 mil subversivos suspeitos.</p>
<p>Os líderes ocidentais não apenas sabiam, mas aplaudiam.<a href="#_edn81" name="_ednref81"><sup>81</sup></a>  Em 1937, Churchill fez a seguinte declaração: “Não vou fingir que, se tivesse que escolher entre o comunismo e o nazismo, escolheria o comunismo”. Para decifrar esse circunlóquio de Harrow (escola particular de classe alta), Churchill estava anunciando que preferia Hitler a Stalin, enquanto preservava a rota de escape linguística de nunca ter realmente dito isso.</p>
<p>Esse apoio se estendeu das elites políticas e da mídia ao capital industrial, com o empresário  americano Henry Ford fornecendo um modelo ideológico direto para o nazismo. Adolf Hitler chamou Ford de sua “inspiração” e mantinha um grande retrato dele em seu escritório em Munique. O livro antissemita de Ford, <em>O judeu internacional: o principal problema do mundo </em>(1920-1922), foi traduzido e “distribuído para milhões em toda a Alemanha”, promovendo a ficção central nazista de uma conspiração “judeu-bolchevique” para controlar o mundo. Hitler copiou trechos dele para seu livro <em>Minha luta</em> (1925), e altos funcionários alemães disseram que Ford forneceu parte do financiamento inicial do Partido Nazista. Em julho de 1938, Hitler concedeu a Ford a Grande Cruz da Águia Alemã, a mais alta condecoração que o Terceiro Reich poderia dar a um estrangeiro.<a href="#_edn82" name="_ednref82"><sup>82</sup></a> Cada aperto de mão ocidental com o fascismo foi assinado com sangue de comunistas.</p>
<p>Essas técnicas retornariam mais tarde na Indonésia, no Chile, em El Salvador ou em qualquer lugar onde as pessoas escolhessem o socialismo em vez da subjugação.</p>
<h1 data-heading-number="12"><span class="heading-number">12.</span> A cruzada anticomunista: da agenda oculta à guerra aberta</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">Os bombardeios atômicos: o primeiro ato da Guerra Fria</h2>
<p>Os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente, tinham como alvo mais a União Soviética do que o Japão. O Japão já estava derrotado. O almirante William Leahy, oficial militar de mais alta patente dos EUA e chefe do Estado-Maior de Truman, escreveu em suas memórias de 1950: “O uso dessa arma bárbara em Hiroshima e Nagasaki não serviu como ajuda material em nossa guerra contra o Japão. Os japoneses já estavam derrotados e prontos para se render”. O general Dwight Eisenhower disse ao secretário da Guerra Stimson, em julho de 1945, que “o Japão já estava derrotado… lançar a bomba foi completamente desnecessário”.</p>
<p>O Relatório de Bombardeio Estratégico dos EUA de julho de 1946 concluiu que o Japão teria se rendido em novembro de 1945 “mesmo que as bombas atômicas não tivessem sido lançadas, mesmo que a Rússia não tivesse entrado na guerra e mesmo que nenhuma invasão tivesse sido planejada ou contemplada”. O historiador Gar Alperovitz documenta posição semelhante de outros cinco oficiais cinco estrelas dos EUA.<a href="#_edn83" name="_ednref83"><sup>83</sup></a></p>
<p>No entanto, as bombas foram lançadas. O momento revela o cálculo. Na Conferência de Yalta (4 a 11 de fevereiro de 1945), a União Soviética se comprometeu a entrar na guerra contra o Japão três meses após a rendição da Alemanha, estabelecendo o prazo de 8 a 15 de agosto. Philip Morrison, físico do Projeto Manhattan, revelou em 1948 que “os cientistas responsáveis pela fabricação da bomba foram pressionados a cumprir um prazo ‘misterioso’, no qual ela deveria estar pronta em ‘uma data próxima a 10 de agosto’”. O teste Trinity foi bem-sucedido em 16 de julho de 1945, durante a Conferência de Potsdam. Truman emitiu a diretiva de bombardeio em 25 de julho, e a primeira bomba caiu sobre Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945. A declaração de guerra da URSS se deu no dia 8 de agosto, com a invasão soviética da Manchúria na madrugada de 9 de agosto, enquanto a segunda bomba caía sobre Nagasaki nesse mesmo dia, horas após o início da ofensiva soviética.</p>
<p>O diário de Potsdam do presidente Truman revela seus cálculos. Em 17 de julho, após se encontrar com Stalin, ele escreveu que “ele [Stalin] entrará na guerra contra o Japão em 15 de agosto. […] Os japoneses [estarão acabados] quando isso acontecer”. Ele anotou questões controversas com os soviéticos e, em seguida, escreveu: “Tenho um trunfo na manga e outro à mostra”. Em 18 de julho havia escrito “Acredito que os japoneses vão desistir antes que a Rússia entre na guerra. Tenho certeza de que o farão quando Manhattan aparecer sobre sua terra natal”. O secretário de Estado dos EUA, James Byrnes, foi explícito. O diário de seu assessor Walter Brown registrou, em 24 de julho, que Byrnes esperava que “após [a] bomba atômica, o Japão se rendesse e a Rússia não se envolvesse tanto na destruição”. As anotações do diário do secretário da Guerra Stimson, de maio de 1945, descrevem a bomba como algo que dava a Washington “todas as cartas”, um “<em>royal straight flush</em>” nas negociações com Moscou e o “trunfo” na diplomacia dos EUA.<a href="#_edn84" name="_ednref84"><sup>84</sup></a></p>
<p>A invasão soviética destruiu a última esperança estratégica do Japão. O bombardeio atômico de Hiroshima não desencadeou negociações imediatas de rendição. O Conselho Supremo de Guerra não convocou uma reunião de emergência em 7 ou 8 de agosto. A declaração de guerra soviética em 9 de agosto forçou o primeiro-ministro do Japão, Kantarõ Suzuki, a convocar a primeira reunião de emergência naquela mesma manhã para discutir a rendição. O decreto do imperador Hirohito, de 17 de agosto, citou a entrada soviética como “colocando em risco a própria fundação da existência do Império”, e não as bombas atômicas.</p>
<p>Patrick M. S. Blackett, físico britânico ganhador do Prêmio Nobel, forneceu a primeira análise sistemática em seu livro de 1949, <em>Fear, War, and the Bomb: Military and Political Consequences of Atomic Energy</em> (Medo, guerra e a bomba: consequências militares e políticas da energia atômica). Blackett argumentou que “o lançamento das bombas atômicas não foi tanto o último ato militar da Segunda Guerra Mundial, mas a primeira grande operação da guerra diplomática fria com a Rússia agora em andamento”.</p>
<p>O Japão já havia se oferecido para negociar os termos de paz com uma condição: a preservação do imperador. A invasão dos EUA ainda estava a meses de distância. A União Soviética se preparava para entrar na guerra em 8 de agosto. O objetivo dos EUA, explicou Blackett, era forçar a rendição japonesa antes que os soviéticos pudessem avançar para a Manchúria e garantir que o Japão se rendesse apenas aos EUA.<a href="#_edn85" name="_ednref85"><sup>85</sup></a></p>
<p>Os Estados Unidos mataram entre 110 mil e 210 mil civis japoneses para demonstrar seu monopólio atômico e garantir a ocupação exclusiva do Japão pelos EUA, evitando a divisão entre quatro potências, como ocorrera na Alemanha. Esse foi o primeiro ato da Guerra Fria, não o último ato da Guerra Mundial Antifascista.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">A guerra ininterrupta: de Tóquio a Seul</h2>
<p>No momento em que o fascismo ruiu, a máscara caiu. O verdadeiro inimigo estratégico das potências atlânticas sempre foi o comunismo, não o fascismo. A Guerra Antifascista mal havia terminado antes que os assassinatos recomeçassem, agora direcionados diretamente a qualquer nação que escolhesse o desenvolvimento socialista.</p>
<p>A linha do tempo revela a verdade:</p>
<ul class="timeline-list">
<li><strong>Agosto de 1945:</strong> o Japão se rende.</li>
<li><strong>Setembro/Outubro de 1945:</strong> Ho Chi Minh declara a independência vietnamita; os britânicos libertam e rearmam tropas francesas em Saigon, e os EUA fornecem oito navios de transporte para levar tropas francesas na tentativa de reconquistar o Vietnã.<a href="#_edn86" name="_ednref86"><sup>86</sup></a></li>
<li><strong>1946-1949:</strong> guerra civil grega – a Grã-Bretanha e depois os EUA esmagam os comunistas; 158 mil mortos.<a href="#_edn87" name="_ednref87"><sup>87</sup></a></li>
<li><strong>Abril de 1948:</strong> revolta de Jeju na Coreia do Sul – forças apoiadas pelos EUA massacram de 14 mil a 30 mil.<sup> <a href="#_edn88" name="_ednref88"><sup>88</sup></a></sup></li>
<li><strong>Outono de 1950:</strong> início da invasão em grande escala dos EUA na Coreia.</li>
</ul>
<p>Cinco anos de “vitória sobre o fascismo” a uma guerra genocida contra o socialismo. Sem pausa. Sem paz. Os mesmos B-29 que bombardearam Tóquio estavam bombardeando a região Norte da Coreia na “Guerra de Libertação da Pátria”. Os assassinatos nunca pararam, apenas mudaram de alvo.</p>
<p>O Japão se rendeu em setembro de 1945. Em 1950 – apenas cinco anos depois – os EUA estavam incinerando a Coreia para evitar a reunificação sob liderança socialista. A guerra matou 4,5 milhões de coreanos, enquanto os EUA tiveram apenas 54.246 baixas. Isso exclui os 197.653 voluntários do povo chinês que sacrificaram suas vidas defendendo a Coreia do genocídio dos EUA.<a href="#_edn89" name="_ednref89"><sup>89</sup></a></p>
<h2 style="margin:3em 0;">A Coreia do Norte resistiu ao choque genocida</h2>
<p>Estimativas ocidentais mostram que entre 1,5 e 2,5 milhões de coreanos foram mortos na República Democrática Popular da Coreia (RPDC), algo em torno de  15,6% a 26% de sua população pré-guerra. Nenhum dado oficial da RPDC está disponível publicamente, impossibilitando fornecer a contabilidade da própria RPDC. Dado o histórico, é improvável que a RPDC seja o único caso em que as contagens ocidentais não subestimem as mortes.</p>
<p>Os EUA lançaram 635 mil toneladas de bombas e 32.557 toneladas de napalm em um país do tamanho do estado da Pensilvânia.<a href="#_edn90" name="_ednref90"><sup>90</sup></a> O general dos EUA, Curtis LeMay, fez a seguinte declaração: “Queimamos todas as cidades da Coreia do Norte […] matamos – o que – 20% da população”.<a href="#_edn91" name="_ednref91"><sup>91</sup></a></p>
<p>O general estadunidense MacArthur disse que “a guerra na Coreia já quase destruiu aquela nação de 20 milhões de pessoas. Nunca vi tamanha devastação. Acho que já vi mais sangue e desastre que qualquer outro homem vivo, mas fiquei com o estômago embrulhado da última vez que estive lá. Depois que olhei para aquela destruição e aquelas milhares de mulheres e crianças e tudo, eu vomitei”.<a href="#_edn92" name="_ednref92"><sup>92</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<div id="attachment_130623" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-130623" class="size-large wp-image-130623 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_9.png" alt="" width="937" height="1024" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/WAFW_Charts_PT_9.png"><p id="caption-attachment-130623" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small>Fontes: Shin (2001), Halliday &amp; Cumings (1988); The Star-Ledger (1995); Vietnan Veterans of America (2025). Consulte o apêndice para obter a metodologia completa.</small></p></div>
</div>
<p>Os EUA obliteraram 18 das 22 principais cidades da RPDC. O estrago em cada cidade destruída variou de 65% a 100%, incluindo a destruição completa de Sinanju e 95% de Sariwon.<a href="#_edn93" name="_ednref93"><sup>93</sup></a></p>
<p>Com napalm e tempestades de fogo, não há feridos: a carne queima, os pulmões se incendeiam e todos na área morrem. Os bombardeios convencionais causaram inúmeras outras vítimas, esmagadas sob os escombros, mutiladas por estilhaços, órfãs e famintas.</p>
<p>Nenhuma nação na história moderna sofreu tal destruição concentrada.</p>
<p>A China enviou centenas de milhares de voluntários para “a guerra de resistência à agressão dos EUA e ajuda à Coreia”. Entre as perdas estava Mao Anying, filho de Mao Zedong, morto em novembro de 1950.</p>
<p>O general Douglas MacArthur, o mesmo homem que havia abandonado as Filipinas em 1942, agora ordenou que a Força Aérea destruísse “todas as instalações, fábricas, cidades e vilarejos” ao Norte do paralelo 38. As táticas de extermínio racista usadas contra o Japão agora visavam qualquer nação que resistisse ao capitalismo.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Vietnã: o padrão continua</h2>
<p>O Vietnã confirmou o padrão. À medida que a guerra colonial da França fracassou, os EUA assumiram o controle. De 1955 a 1975, o Vietnã perdeu pelo menos 3,1 milhões de pessoas (cifras retiradas de vários relatórios, incluindo os da República Socialista do Vietnã).</p>
<p>Isso não foi uma “discrepância”.</p>
<p>Foi apagamento.</p>
<p>Os bombardeios dos EUA representaram 7,66 milhões de toneladas lançadas sobre Vietnã, Laos e Camboja, 3,6 vezes a quantidade lançada em todas as frentes da Guerra Mundial Antifascista. As mortes no Laos e no Camboja não estão documentadas separadamente nas fontes disponíveis, mas inclusas na devastação regional.</p>
<p>Ao todo, 3,1 milhões de vietnamitas perderam suas vidas, ante os 58 mil soldados estadunidenses.</p>
<p>A proporção é de 53:1.</p>
<p>Por que os EUA lançaram mais bombas no Vietnã do que em todos os campos de batalha da Guerra Antifascista combinados? Porque o exemplo do Vietnã – resistência bem-sucedida de uma pequena nação contra os mais ricos do mundo – ameaçava inspirar outros.</p>
<p>Quando calculamos porcentagens populacionais, a palavra “genocídio” se torna inegável.</p>
<p>No caso da RPDC, lembre-se de que 26% da população morreu. Lembremos deste número quando falarem de “intervenção humanitária”.</p>
<p>O padrão em três guerras revela um extermínio sistemático. Quando 26% de uma população morre, chamamos de genocídio, a menos que os EUA sejam o <em>génocidaire</em>.</p>
<h1 data-heading-number="13"><span class="heading-number">13.</span> Fabricando memória</h1>
<p>Hollywood transformou o Dia D no ponto de virada da Guerra Mundial Antifascista, apagando Moscou, Stalingrado e Kursk. Os livros didáticos estadunidenses retrataram a Lend-Lease como caridade em vez de apoio atrasado que chegou após as batalhas mais decisivas. A bomba atômica se tornou a vencedora da guerra, não os exércitos soviéticos avançando em direção ao Japão. Isso serviu como preparação, não apenas propaganda. Se os estadunidenses acreditavam ter salvado o mundo do fascismo, poderiam se mobilizar para “salvá-lo” do comunismo. As mesmas corporações que fizeram negócios com Hitler agora lucravam com a contenção do socialismo.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">O aparelho ideológico: dinheiro e métodos</h2>
<p>A cumplicidade acadêmica se estendeu por instituições e indivíduos específicos. A Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) injetou dezenas de milhões de dólares no Congresso para a Liberdade Cultural ao longo de 17 anos, travando o que chamaram de “batalha pela mente dos homens”.<a href="#_edn94" name="_ednref94"><sup>94</sup></a> Irving Kristol editou <em>Encounter</em>, Sidney Hook participou de conferências em Berlim (ambos receberam financiamento da CIA por meio dessa rede).<a href="#_edn95" name="_ednref95"><sup>95</sup></a> Hook promoveu a tese dos “gêmeos totalitários”, equiparando Stalin a Hitler. Arthur Schlesinger Jr., que participou dessas mesmas conferências, mais tarde escreveria <em>The Vital Center </em>[<em>O centro vital</em>] (1949), argumentando que o liberalismo dos EUA salvou a democracia, deixando de fora, no mínimo, 45 milhões de soviéticos e 35 milhões de chineses das vítimas totais. Thomas Braden, que dirigiu a Divisão de Organizações Internacionais da CIA, posteriormente confessou na <em>Saturday Evening Post</em> que estava “feliz que a CIA é “imoral”’, gabando-se ao comprar uma geração inteira de intelectuais.<a href="#_edn96" name="_ednref96"><sup>96</sup></a></p>
<p>Aqueles que documentaram o sacrifício socialista enfrentaram destruição sistemática. Por exemplo, William Appleman Williams enfrentou repetidas negativas para assumir um cargo na universidade por documentar a expansão imperial dos EUA em <em>The Tragedy of American Diplomacy </em>[<em>A tragédia da diplomacia americana</em>] (1959), apesar de publicar em periódicos de prestígio. Uma pesquisa com 2.451 cientistas sociais realizada na primavera de 1955 revelou que agentes contataram 61% dos professores com o objetivo de intimidá-los.<a href="#_edn97" name="_ednref97"><sup>97</sup></a></p>
<p>Paralelamente a essa supressão ideológica, o imenso poder financeiro do Pentágono criou uma dependência estrutural que fomentou uma nova cultura acadêmica à serviço do Estado de segurança nacional. Ao longo da década de 1950, o Departamento de Defesa (DOD, na sigla em inglês) foi responsável pela vasta maioria de todos os gastos federais em pesquisa, atingindo um pico de 83,8% do orçamento total. Esse capital não foi apenas concedido; foi direcionado. A mobilização da Guerra da Coreia dobrou o financiamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&amp;D) para 1,3 bilhão de dólares, estabelecendo laboratórios militares geridos por universidades como o Laboratório Lincoln, do MIT, e o Laboratório de Eletrônica Aplicada de Stanford. Em 1960, esses contratos militares representavam 40% de todo o orçamento operacional da Universidade de Stanford, institucionalizando uma dependência permanente nas ciências físicas.<a href="#_edn98" name="_ednref98"><sup>98</sup></a> A influência do financiamento do DOD se estendeu além das ciências. A “liberdade” acadêmica significava as prioridades do Pentágono, a arquitetura da captura intelectual. A mensagem era clara: escreva sobre o heroísmo estadunidense ou perca sua carreira.</p>
<p>Harvard exige duas línguas europeias para doutorados em história europeia. Para a história chinesa, quatro anos de chinês moderno, dois anos de chinês literário e três anos de japonês. A exigência do japonês não era neutra; estudantes de pós-graduação dos EUA em estudos chineses eram rotineiramente enviados a Quioto para formação, obrigados a abordar a história chinesa por meio de arcabouços acadêmicos japoneses. Para documentar o sofrimento da China, os acadêmicos ocidentais primeiro tinham que dominar a língua de seu invasor.</p>
<p>Mesmo acadêmicos que superam essas barreiras sistematicamente produzem estimativas subestimadas. Rana Mitter – a principal especialista em China de Oxford com pleno acesso linguístico – estima apenas de 15 a 20 milhões de mortes chinesas durante a Segunda Guerra Mundial.<a href="#_edn99" name="_ednref99"><sup>99</sup></a> A documentação do governo chinês registra 24,05 milhões de mortes entre 1931 e 1945, com total de 35 milhões de vítimas, incluindo mortos e feridos.<a href="#_edn100" name="_ednref100"><sup>100</sup></a> O padrão revela um apagamento além da linguagem: escolhas metodológicas, seleção de fontes e o que conta como evidência confiável.</p>
<p>A <em>Enciclopédia Britânica</em> – por mais de dois séculos, o padrão ouro da produção de conhecimento anglo-americana – revela a historiografia imperial por meio do que conta e do que deixa de contar. Sua tabela de vítimas da Segunda Guerra Mundial lista 1,31 milhão de mortes de militares chineses, mas não traz o registro de mortos civis ou o total de mortos, apenas espaços em branco.<a href="#_edn101" name="_ednref101"><sup>101</sup></a> Em contraste, registra 5,675 milhões de mortes de civis poloneses e 5,8 milhões de mortes no total. A Iugoslávia aparece com 1,2 milhões de mortes de civis e 1,505 milhão no total de mortos. Até a Alemanha derrotada tem registros mais elaborados: 780 mil mortes de civis e 4,2 milhões de mortos no total. A China,  a nação que lutou por mais tempo (1931-1945), recebe lacunas em um cenário em que há mais de 24 milhões de mortes de civis.</p>
<p>E ainda conta com uma nota de rodapé sarcástica da <em>Enciclopédia Britânica</em>: “Os números da China compreendem as vítimas das forças nacionalistas chinesas durante 1937-1945, conforme relatado em 1946, e não incluem números de exércitos locais e comunistas. Estimativas de 2,2 milhões de militares mortos e 22 milhões de mortes civis aparecem em algumas compilações, mas são de precisão duvidosa”. A lacuna representa não um erro de contagem, mas décadas de apagamento coordenado.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">A ficção da apaziguamento: como a conivência se tornou confusão</h2>
<p>A historiografia ocidental transformou a conivência calculada de Neville Chamberlain com Hitler em uma história de “apaziguamento” ingênuo – esforços bem-intencionados, mas equivocados, para evitar a guerra. Essa ficção tem um propósito: se Chamberlain simplesmente julgou mal as intenções de Hitler, a estratégia britânica parece um fracasso honroso, em vez de uma conspiração anticomunista. Os registros documentais destroem esse mito.</p>
<p>Dois dias antes de se encontrar com Hitler, Chamberlain escreveu ao rei George VI declarando seu objetivo: um “entendimento anglo-alemão” entre os dois países como “os dois pilares da paz europeia e fortalezas contra o comunismo”, reconhecendo que Hitler estava determinado a “avançar mais para o leste”.<a href="#_edn102" name="_ednref102"><sup>102</sup></a> Ao longo de três reuniões em setembro de 1938, essa estratégia foi formalizada. Em Godesberg, nos dias 22 e 23 de setembro, Hitler tornou o acordo explícito. Conforme registrado pelo tradutor oficial alemão Dr. Paul Schmidt, Hitler disse a Chamberlain: “não impediremos que você busque seus interesses não europeus e você pode, sem prejuízo, nos dar carta branca no continente europeu, na Europa Central e no Sudeste europeu”.<a href="#_edn103" name="_ednref103"><sup>103</sup></a></p>
<p>Chamberlain não protestou. A reunião terminou, observou Schmidt, “em um tom completamente amigável”. O embaixador britânico na Alemanha escreveu mais tarde: “O mundo também não teria deixado de aclamar Hitler como um grande alemão se ele soubesse quando e onde parar: mesmo, por exemplo, após Munique e os decretos de Nuremberg para os judeus”.<a href="#_edn104" name="_ednref104"><sup>104</sup></a></p>
<p>Como observou o editor da <em>Monthly Review</em>, John Bellamy Foster, o governo de Chamberlain procurou “não tanto ‘apaziguar’ a Alemanha nazista, mas sim conspirar com ela, na esperança de que a Alemanha voltasse suas armas para o leste, em direção à URSS”.<a href="#_edn105" name="_ednref105"><sup>105</sup></a> A transformação da conspiração documentada no “mito do apaziguamento” representa outro apagamento deliberado – desta vez, não do sacrifício socialista, mas da cumplicidade ocidental em permitir a expansão do fascismo para o leste.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">A frente cultural: propaganda como história</h2>
<p>A colaboração do Pentágono com Hollywood – documentada em mais de 2.500 produções – garante que as pessoas nos EUA aprendam história por meio de filmes, como <em>O resgate do soldado Ryan </em>(1998), em vez de fazê-lo por meio de estudos acadêmicos.<a href="#_edn106" name="_ednref106"><sup>106</sup></a> Enquanto filmes soviéticos, como <em>Vá e Veja </em>(1985), foram efetivamente restritos a no máximo 100 salas de cinema, filmes aprovados pelo Pentágono chegam a milhares delas.<a href="#_edn107" name="_ednref107"><sup>107</sup></a> Cada filme soviético suprimido significava que milhões nunca souberam que o Exército Vermelho destruiu dez soldados da Wehrmacht para cada um que os Aliados Ocidentais enfrentaram. <em>Círculo de fogo</em> (2001), que retratou soldados soviéticos compartilhando rifles – pura ficção, segundo historiadores russos -, alcançou mais espectadores do que todos os filmes de guerra soviéticos combinados.<a href="#_edn108" name="_ednref108"><sup>108</sup></a> O Pentágono não precisa proibir a verdade quando pode afogá-la em mentiras bem financiadas.</p>
<p>A mesma metodologia de apagamento opera em todas as vítimas socialistas. Enquanto o Vietnã documenta 3,1 milhões de mortes de 1955 a 1975, historiadores ocidentais reconhecem 2 milhões. Guenter Lewy reduziu em 30% o número de mortos do exército estadunidense, ao mesmo tempo que rejeitou os números do governo vietnamita, considerados “politicamente inflacionados”. Os executores são quem registram seus próprios crimes.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">História em pedra: pasteurizando o fascismo</h2>
<p>A cruzada anticomunista exigiu mais do que apagar vitórias socialistas; demandou pasteurizar o fascismo. Quase 1.500 monumentos homenageando colaboradores nazistas estão atualmente espalhados por 25 países. Na Alemanha e na Áustria, há mais de 110. Nos EUA – o suposto vencedor – há 36.<a href="#_edn109" name="_ednref109"><sup>109</sup></a></p>
<p>Primeiro, seus crimes foram perdoados. Depois, foram colocados em pedestais.</p>
<h1 data-heading-number="14"><span class="heading-number">14.</span> A fórmula da impunidade: capital, ciência e a Guerra Fria</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">O capital estadunidense e a máquina de guerra nazista</h2>
<p>A escala da colaboração corporativa dos EUA com a Alemanha nazista exige uma análise mais detalhada. Em 1941, 250 corporações estadunidenses haviam investido capital diretamente na infraestrutura industrial da máquina de guerra nazista.</p>
<p>O envolvimento de Henry Ford foi além do apoio ideológico. Com a aprovação dos executivos da sede da Ford em Dearborn, cidade estadunidense, a subsidiária francesa da empresa produziu caminhões para o exército alemão mesmo após Pearl Harbor, levando a uma investigação criminal nos EUA sob a Lei de Comércio com o Inimigo, suprimida após a morte de Edsel Ford em 1943.</p>
<p>Após a guerra, a responsabilidade foi deixada de lado enquanto a Ford recontratou seu gerente alemão da era nazista como consultor em 1950, acusado de usar trabalhadores escravizados do campo de Buchenwald, na Alemanha.</p>
<p>A colaboração da IBM foi gerida pessoalmente por seu presidente, Thomas J. Watson, que viajou para a Alemanha várias vezes e aceitou uma medalha especial de Adolf Hitler em 1937. Watson supervisionou a personalização da tecnologia da IBM especificamente para os requisitos nazistas, estabelecendo uma subsidiária alemã, Dehomag, para atender às necessidades do Reich, enquanto mantinha controle direto. As máquinas de cartões perfurados Hollerith, da IBM – precursor do computador — automatizaram o próprio Holocausto. A tecnologia permitiu que os nazistas identificassem eficientemente judeus por meio de dados censitários, gerenciassem a logística dos transportes de trem para os campos de extermínio e rastreassem os prisioneiros dentro dos próprios campos. Técnicos da IBM prestavam serviços nas máquinas no local; quase todos os campos, incluindo Auschwitz, tinham um Departamento da Hollerith. Os números de cinco dígitos tatuados nos braços dos internos correspondiam diretamente ao sistema de cartões perfurados da IBM usado para gerenciá-los. Watson só devolveu sua medalha nazista em 1940 sob pressão pública, mas as máquinas da IBM continuaram funcionando nos campos até a libertação.</p>
<p>A International Telephone &amp; Telegraph (ITT), sob a presidência de Sosthenes Behn – um dos primeiros executivos dos EUA a se encontrar com Hitler em 3 de agosto de 1933 – firmou acordos de cartel com a empresa alemã Siemens &amp; Halske e, até 1943, detinha uma participação de 29% no fabricante de aeronaves Focke-Wulf – cujos aviões mataram aviadores e soldados aliados. Um relatório do governo dos EUA de 1942 observou a “habilidade incomum de Behn em se dar bem com governos fascistas e particularmente com a Alemanha nazista”. Após a guerra, o governo dos EUA compensou a ITT com 27 milhões de dólares pelos danos causados por bombardeios aliados em suas fábricas alemãs – pagando empresas dos EUA por instalações que haviam produzido armas para matar soldados estadunidenses.<a href="#_edn110" name="_ednref110"><sup>110</sup></a></p>
<p>A Opel, subsidiária da General Motors, tornou-se a principal fabricante de caminhões da Wehrmacht. A fábrica da Opel em Rüsselsheim produziu o caminhão Opel Blitz, o principal veículo de transporte usado pela Wehrmacht em suas invasões da Polônia, França e União Soviética. Apenas a fábrica de Brandenburg produziu 130 mil caminhões Blitz até 1944. O CEO da GM para operações no exterior, James D. Mooney, recebeu a Grande Cruz da Águia Alemã de Hitler, em 1938. Durante a guerra, as fábricas da GM usaram trabalho forçado e escravo fornecido pelo Reich. A manipulação financeira foi sofisticada: incapaz de repatriar lucros após 1941, a GM declarou a Opel “abandonada” e reivindicou uma dedução fiscal de 22,7 milhões de dólares sob uma legislação especial que Roosevelt assinou em outubro de 1942 – mesmo enquanto a Opel continuava produzindo para a Wehrmacht. Após a guerra, a GM recuperou o controle de suas valiosas instalações alemãs e retomou as operações. A empresa lucrou com a colaboração pré-guerra (1933-1941), benefícios fiscais durante a guerra e recuperação pós-guerra de ativos industriais.</p>
<p>A supressão dessa história constitui outra forma perniciosa de apagamento – desta vez em relação à integração sistêmica do capital dos EUA na máquina de guerra nazista. Nenhum executivo corporativo dos EUA enfrentou processo por operar fábricas em campos de concentração ou por automatizar o Holocausto. Em vez disso, receberam compensação por danos causados por bombardeios e deduções fiscais por suas “perdas”. Essa evidência refuta a alegação de que o presidente Franklin Roosevelt estava meramente limitado pela opinião pública; ela documenta uma política estatal que protegia esses poderosos interesses corporativos. A fórmula estava estabelecida: lucrar com a construção da capacidade de genocídio do fascismo e, em seguida, lucrar com a derrota do fascismo.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Recrutando o inimigo: industriais e cientistas nazistas</h2>
<p>Enquanto os cientistas nazistas recebiam laboratórios estadunidenses, os industriais nazistas recebiam proteção dos EUA. Alfred Krupp – cujos trabalhadores escravizados construíram o arsenal da Wehrmacht – foi libertado em 1951, tendo sua fortuna restaurada por decreto dos EUA.<a href="#_edn111" name="_ednref111"><sup>111</sup></a> A dinastia Quandt, enriquecida pelo trabalho forçado em campos de concentração, tornou-se bilionária com a BMW.<a href="#_edn112" name="_ednref112"><sup>112</sup></a> Hermann Josef Abs, o banqueiro de Hitler que financiou Auschwitz, tornou-se conselheiro do chanceler da Alemanha Ocidental, Konrad Adenauer.<a href="#_edn113" name="_ednref113"><sup>113</sup></a> Ferdinand Porsche, que usou escravizados de Buchenwald para construir os destróieres de tanques Ferdinand (mais tarde Elefant), viu o império de sua família florescer sob a ocupação dos EUA.<a href="#_edn114" name="_ednref114"><sup>114</sup></a></p>
<p>A Operação Paperclip (1945-1959) trouxe mais de 1.500 criminosos de guerra nazistas para os EUA, incluindo membros da SS que usaram trabalho escravo e realizaram experimentos com humanos.<a href="#_edn115" name="_ednref115"><sup>115</sup></a> Eles receberam laboratórios enquanto estudiosos que documentavam o sacrifício soviético eram colocados na lista proibida.</p>
<p>Nenhum industrial nazista – nem qualquer um de seus colaboradores corporativos dos EUA – foi julgado em Nuremberg por operar fábricas em campos de concentração.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Crimes de guerra japoneses: a arquitetura da impunidade imposta pelos EUA</h2>
<p>Os criminosos de guerra do Japão receberam proteção muito maior. Enquanto os Aliados processaram 199 grandes criminosos de guerra alemães (24 em Nuremberg e 177 em julgamentos subsequentes), apenas 25 criminosos de guerra japoneses foram processados em Tóquio. A disparidade revela um planejamento deliberado que os padrões de acusação expõem.</p>
<p>Durante o julgamento de 5.700 japoneses por crimes de guerra em tribunais aliados, o oficial estadunidense Saltzman os encerrou em 1949, declarando que “não haveria mais julgamentos”. Embora 920 tenham sido executados, essa foi uma justiça estrangeira imposta pelas nações vítimas.<a href="#_edn116" name="_ednref116"><sup>116</sup></a> A Alemanha foi forçada a investigar 90 mil indivíduos e estabeleceu tribunais domésticos, processando dezenas de milhares.<a href="#_edn117" name="_ednref117"><sup>117</sup></a> O Japão não investigou nada domesticamente, nem realizou processo algum internamente. A ocupação estadunidense preservou a burocracia de criminosos de guerra do Japão, que obviamente não processaram a si mesmos.</p>
<p>A imunidade organizacional concedida ao Japão superou até mesmo essa proteção individual. Em Nuremberg, os Aliados declararam quatro organizações como criminosas: SS, Gestapo, SD e o corpo dirigente do Partido Nazista. Apenas a filiação tornou-se motivo para acusação. Para o Japão, os Aliados não declararam nenhuma organização criminosa. Nem mesmo a Kempeitai, a polícia militar que torturou prisioneiros de guerra; tampouco a Polícia Especial Superior, que prendeu 65 mil pessoas por crimes políticos; ou mesmo a Unidade 731, cujos 3.607 membros realizaram experimentos com humanos. Essa imunidade organizacional por atacado garantiu que crimes sistemáticos nunca pudessem ser processados.</p>
<p>A arquitetura do Julgamento de Tóquio neutralizou crimes contra a humanidade como uma categoria distinta. Ao contrário das diferença claras de Nuremberg, as 5.700 acusações japonesas de “Classe B e Classe C” foram fundidas em uma única categoria, sem acusações ou vereditos separados da Classe C, apagando crimes contra a humanidade como uma acusação independente e evitando precedentes aplicáveis ao domínio colonial ocidental.</p>
<p>A disparidade financeira completou a hierarquia racial: enquanto a Alemanha pagou 86,8 bilhões em reparações do Holocausto até 2018, com compensação direta às vítimas, o Japão pagou 2,6 bilhões por meio de acordos entre Estados com renúncias obrigatórias, bloqueando a compensação individual. As chamadas “mulheres de conforto” (<em>ianfu</em>) – 200 mil a 400 mil escravizadas – não viram nenhuma responsabilização judicial dos culpados. Os prisioneiros de guerra chineses sofreram 99,9% de mortalidade, enquanto os prisioneiros de guerra ocidentais enfrentaram 27% de mortalidade sob os mesmos algozes. A arquitetura legal não apenas refletia a hierarquia racial; ela a codificava.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">De criminosos de guerra à elite governante do Japão</h2>
<p>A Unidade 731 exemplificou tanto as profundezas dos crimes de guerra japoneses quanto a total cumplicidade dos EUA. Os 3.607 membros da unidade chamavam os prisioneiros de <em>maruta</em> (troncos) enquanto conduziam experimentos que desafiavam a compreensão humana.<a href="#_edn118" name="_ednref118"><sup>118</sup></a> Eles realizaram vivissecção sem anestesia, infectavam prisioneiros com peste e cólera, congelavam membros para estudar o resfriamento até que soassem como tábuas quando golpeados, submetiam prisioneiros a câmaras de pressão até que seus olhos saltassem para fora, usavam-nos como alvos vivos para bombas de germes e lança-chamas, e abriam mulheres grávidas para observar a infecção fetal. Os prisioneiros tinham uma expectativa de vida máxima de um mês; os técnicos os alimentavam com bolinhos contaminados com tifoide, injetavam veneno de cobra e ácido prússico, substituíam seu sangue por sangue de cavalo e então documentavam cuidadosamente suas mortes antes de queimar os corpos em crematórios abastecidos por petróleo.</p>
<p>Em 6 de maio de 1947, MacArthur enviou uma mensagem de rádio a Washington: O comandante japonês Shiro Ishii  forneceria a “história completa” se recebesse “imunidade documental”. O Comitê Coordenador do Estado-Guerra-Marinha considerou esses dados “a única fonte conhecida” de resultados de experimentos com humanos – pesquisa que os EUA não puderam reproduzir por ser  “escrupulosa”. Fort Detrick pagou de 150 mil a 200 mil ienes pelos dados – o que o General Charles Willoughby chamou de “uma ninharia” – e coletou 8 mil lâminas patológicas de mais de 200 casos humanos. Fort Detrick incorporou esses dados sanguíneos em seu programa de armas biológicas.</p>
<p>O cálculo racial era explícito. Os EUA executaram dois médicos japoneses em Yokohama por vivissecção de pilotos estadunidenses – eles nem eram da Unidade 731. No entanto, todos os 3.607 membros da Unidade 731 que mataram 3 mil pessoas em experimentos e 200 mil com armas biológicas – a maioria chineses — ganharam imunidade.<a href="#_edn119" name="_ednref119"><sup>119</sup></a> Vidas americanas equivalia a processo. Vidas asiáticas, imunidade e remuneração.</p>
<p>Quando os soviéticos processaram doze membros capturados da Unidade 731 em Khabarovsk, em 1949 – expondo os experimentos humanos em prisioneiros chineses, coreanos e soviéticos em depoimentos juramentados – os governos ocidentais, incluindo os EUA, refutaram o julgamento considerando-o propaganda soviética.</p>
<p>As trajetórias de carreira dos funcionários da Unidade 731 demonstram como a imunidade se transformou em progresso. O comandante Shiro Ishii tornou-se consultor médico do Exército dos EUA. Seus adjuntos fundaram a Green Cross Pharmaceuticals. Yoshimura Hisato, que conduziu experimentos de congelamento, tornou-se Presidente da Universidade Municipal de Medicina de Quioto e recebeu a Ordem do Sol Nascente do Imperador Hirohito. Esses homens formaram a geração seguinte de médicos japoneses. O Julgamento dos Médicos de Nuremberg executou 7 dos 23 profissionais nazistas por experimentos idênticos. Os experimentadores japoneses tornaram-se educadores médicos.</p>
<p>A transformação de criminosos de guerra em liderança política seguiu o mesmo padrão. Nobusuke Kishi administrou trabalho forçado no norte da China que resultou em quatro milhões de escravizados e uma taxa de 40% de mortalidade. Na Mina de Carvão de Fushun, 25 mil dos 40 mil trabalhadores eram substituídos anualmente após trabalharem até a morte. MacArthur o libertou da Prisão de Sugamo em 24 de dezembro de 1948 – um dia após a execução do Primeiro Ministro Hideki Tojo. A mensagem que se passava era de que alguns criminosos de guerra são enforcados enquanto outros governam. A CIA orquestrou a ascensão de Kishi: em 1957, ele se tornou primeiro-ministro, tendo aprovado o Tratado de Segurança EUA-Japão. De criminoso de guerra a primeiro-ministro em nove anos. Seu neto, Shinzo Abe, ocupou o cargo de primeiro-ministro por mais de 3.188 dias, o maior mandato do Japão.<a href="#_edn120" name="_ednref120"><sup>120</sup></a></p>
<p>A arquitetura financeira da impunidade provou ser igualmente sistemática. Yoshio Kodama pilhou 175 milhões de dólares por meio do tráfico de ópio, considerado pela CIA “um mentiroso profissional, gangster, charlatão e ladrão descarado”, mas o manteve na folha de pagamento. Sua riqueza roubada financiou o Partido Liberal Democrático. Ryoichi Sasakawa, “o fascista mais rico do mundo”, transformou o saque da guerra no monopólio de jogos do Japão, financiando causas globais de direita por meio de sua Fundação Nippon.</p>
<p>As corporações <em>zaibatsu</em> (Mitsubishi, Mitsui, Nissan, Sumitomo) exploraram 40 mil prisioneiros chineses e centenas de milhares de coreanos. Seus executivos morreram como bilionários honrados. Matsutaro Shoriki, um criminoso de guerra Classe A, fundou a Nippon Television enquanto moldava a memória pública por gerações.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Impondo a negação histórica</h2>
<p>A arquitetura da impunidade exigia mais do que proteger criminosos de guerra; exigia impor a negação histórica. O Japão nunca emitiu um pedido de desculpas completo às vítimas asiáticas. A China, com 24 milhões de mortos, não recebeu pedido de desculpas formal e incondicional. A Indonésia perdeu 3,4 milhões de cidadãos, a Birmânia 345 mil, a Malásia 100 mil em Sook Ching (operações de expurgo) e as Filipinas 765 mil; todos sem reconhecimento direto.</p>
<p>A Declaração Murayama de 1995 foi meramente pessoal; a resolução de Dieta evitou admitir culpa.<a href="#_edn121" name="_ednref121"><sup>121</sup></a> Os livros didáticos minimizam esses crimes. Os 40 mil membros do Nippon Kaigi trabalham sistematicamente para reverter “a visão da história do Tribunal de Tóquio”. Uma nação que consagra criminosos de guerra e censura suas vítimas não pode reivindicar arrependimento.</p>
<p>A imunidade de MacArthur para o imperador japonês Hirohito criou a base para toda a negação. O imperador que assumiu a responsabilidade de comando pela Unidade 731 teve imunidade garantida antes do início dos julgamentos. Isso criou um buraco negro legal: se o comandante supremo era imune, nenhuma organização poderia ser criminosa, nenhuma cadeia de comando poderia ser rastreada. Hirohito morreu em 1989, nunca questionado sobre os milhões de mortos sob seu comando.</p>
<p>O Santuário Yasukuni honra 1.066 criminosos de guerra, incluindo 14 Classe A. Sete primeiros-ministros frequentaram o local desde 1978 – Koizumi seis vezes. O Museu Yushukan exibe a locomotiva da Ferrovia Tailândia-Birmânia, celebrando a engenharia japonesa enquanto deixa no esquecimento os 90 mil trabalhadores asiáticos que morreram em sua construção. No Museu da Unidade 731 de Harbin, as vítimas preservam evidências que os agressores negam. A Alemanha criminaliza a negação do Holocausto; o <em>establishment </em>japonês suprime o reconhecimento dos crimes de guerra. Historiadores que documentam atrocidades enfrentam ameaças de morte. Memoriais das “mulheres de conforto” provocam protestos diplomáticos.</p>
<p>MacArthur arquitetou a impunidade como política, garantindo que os criminosos de guerra se tornassem a elite governante do Japão e escolhendo a estabilidade anticomunista em vez da justiça para milhões de asiáticos mortos.</p>
<p>Criminosos de guerra se tornaram ministros de Estado. Suas vítimas se tornaram espaços em branco nas enciclopédias.</p>
<h1 data-heading-number="15"><span class="heading-number">15.</span> O buraco da memória: admissão da guerra real</h1>
<p>Em 29 de março de 2025, o Secretário de Defesa dos EUA, Hegseth, estava na ilha japonesa de Iwo Jima, celebrando o inimigo de ontem como o amigo de hoje. O Japão e os EUA lutaram como impérios rivais, não como oponentes ideológicos. Seu inimigo comum sempre foi o socialismo.</p>
<p>A revisão histórica acelera. Na Cúpula do G7 de 2023, em Hiroshima, o bombardeio atômico foi reinterpretado não mais como um assassinato em massa de civis pelos EUA, mas como um aviso sobre as ameaças nucleares da Rússia e da China. As vítimas das armas nucleares dos EUA se tornaram ferramentas de propaganda contra nações que nunca as usaram. Na ocasião, o primeiro-ministro do Japão esteve no local onde 140 mil morreram e apontou para Pequim e Moscou, não para Washington.</p>
<p>Cinco anos após Hiroshima, MacArthur estava rearmando o Japão. Dentro de seis anos, o Tratado de São Francisco – que encerrou oficialmente a Segunda Guerra Mundial entre o Japão e as Potências Aliadas em 1951 – excluiu a China e a União Soviética, as duas nações que realmente derrotaram o fascismo japonês. O atual Secretário de Defesa dos Estados Unidos do governo Trump, Peter Hegseth, anunciou recentemente o Japão como um quartel-general de combate contra a agressão comunista chinesa. Essa linha do tempo revela a verdade: um conflito temporário entre Estados imperialistas (1941-1945) e uma guerra permanente contra o socialismo que começou em 1917 e perdura por mais de um século.</p>
<p>A anulação histórica do Ocidente opera em múltiplos níveis. O primeiro é um silêncio quase total na esfera popular, no qual os dados fundamentais da guerra, como o fato da União Soviética ter destruído 80% da Wehrmacht e ter perdido 27 milhões de vidas, e a China ter imobilizado o exército japonês a um custo de 24 milhões de mortos, estão simplesmente ausentes.</p>
<p>Além desse silenciamento público, ocorre um apagamento acadêmico mais sutil. Mesmo quando um grande número de mortos – talvez 50 milhões – é tecnicamente reconhecido, frequentemente é enterrado em textos obscuros, supostamente neutros, e apresentado como dados desprovidos de autores, responsabilidade e do contexto de uma vitória socialista. Simultaneamente, a pesquisa mais abrangente das nações vítimas é ativamente minimizada por meio de uma demanda grotesca por contabilidade de cemitérios, permitindo que seus relatórios de vítimas sejam refutados como politicamente inflacionados, enquanto os criminosos controlam o registro histórico. É assim que os impérios mentem, ao fazerem os mortos desaparecerem duas vezes. Primeiro, eles os matam e os mutilam. Depois, negam terem algum dia existido. A diferença entre as admissões ocidentais e a realidade não é um erro, descuido ou diferença metodológica. É um ato deliberado, sistemático e contínuo de apagamento.</p>
<p>O cálculo completo, portanto, requer a restauração desse contexto perdido e do custo humano. O resultado é derivado da soma de dois grupos principais de vítimas silenciadas:</p>
<ol>
<li>O custo humano total da Guerra Antifascista Mundial, incluindo tanto os vitoriosos socialistas quanto as vítimas colonizadas, cujo sofrimento é ignorado:
<ul>
<li>União Soviética: entre 40 a 45 milhões de vítimas (mortos e feridos);</li>
<li>China: entre 35 a 50 milhões de vítimas (mortos e feridos);</li>
<li>Povos colonizados (Ásia e África): 11,2 milhões de mortos.</li>
</ul>
</li>
<li>As vítimas dos genocídios anticomunistas que se seguiram, cujos assassinatos são minimizados ou esquecidos:
<ul>
<li>coreanos mortos: 4,5 milhões;</li>
<li>pessoas mortas do sudeste asiático (Vietnã, Laos e Camboja): entre 3,1 a 5,1 milhões;</li>
<li>indonésios mortos (1965–1966): entre 1 e 2 milhões.</li>
</ul>
</li>
</ol>
<p>A soma desses números revela a verdadeira escala do que está escondido por trás dos dados neutralizados do Ocidente e do silenciamento público: um total de 90 a 115 milhões de seres humanos tornados invisíveis. Essa contagem conservadora não inclui nem mesmo as vítimas do terror dos regimes apoiados pelos EUA do Chile à Guatemala, nem mesmo os assassinatos durante seis séculos de barbárie imperial ininterrupta no continente africano. Cada vítima não contabilizada serve ao império. Todo genocídio minimizado protege os culpados.</p>
<h1 data-heading-number="16"><span class="heading-number">16.</span> A arquitetura da traição: do Cairo a São Francisco</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">As traições pós-guerra foram planejadas antes do fim da Guerra</h2>
<p>A Declaração do Cairo (27 de novembro de 1943) prometeu que a Coreia se tornaria “livre e independente”. Roosevelt, Churchill e Chiang assinaram isso enquanto trabalhadores forçados coreanos morriam em minas japonesas.<a href="#_edn122" name="_ednref122"><sup>122</sup></a> A Carta do Atlântico (1941) não garantiu “qualquer mudança territorial que não concorde com os desejos livremente expressos dos povos envolvidos”.<a href="#_edn123" name="_ednref123"><sup>123</sup></a> No entanto, o Primeiro-Ministro Churchill esclareceu ao Parlamento menos de um mês depois que esse princípio se aplicava apenas a “Estados e nações da Europa agora sob o jugo nazista” e excluía explicitamente os súditos do Império Britânico.<a href="#_edn124" name="_ednref124"><sup>124</sup></a> A Declaração de Potsdam (26 de julho de 1945) exigiu a desmilitarização completa do Japão e a restauração territorial da China. O conceito dos “Quatro Policiais” de Roosevelt previa que a ONU estivesse sob o controle de quatro grandes potências: EUA, Grã-Bretanha, URSS e China. Toda promessa seria sistematicamente quebrada.</p>
<p>A reviravolta começou imediatamente. Em agosto de 1945, Dean Rusk – um simples coronel – traçou a linha do paralelo 38 dividindo a Coreia em duas, a nação à qual havia prometido independência.<a href="#_edn125" name="_ednref125"><sup>125</sup></a> Em 1950, os EUA estavam incinerando a Coreia que haviam prometido libertar. Quanto a integridade territorial da Carta do Atlântico? Os EUA acabariam estabelecendo 902 bases militares estrangeiras em 98 países e territórios.<a href="#_edn126" name="_ednref126"><sup>126</sup></a></p>
<p>Após a Guerra Mundial Antifascista, os militares dos EUA ocuparam a província japonesa de Okinawa, o Reino Ryukyu que o Japão havia anexado à força em 1879. A Declaração de Potsdam limitou a soberania japonesa às suas ilhas principais e “tais ilhas menores como determinarmos”, mas não fez provisão para a autodeterminação do povo ryukyuana. Os EUA simplesmente substituíram o Japão como a potência ocupante, mantendo o controle até 1972, quando transferiram a autoridade administrativa de volta ao Japão – novamente sem consultar o povo de Okinawa. As bases dos EUA permanecem até os dias atuais e ocupam 18% da ilha, onde 70% de todas as forças dos EUA no Japão estão concentradas.<a href="#_edn127" name="_ednref127"><sup>127</sup></a> Quanto a desmilitarização do Japão, MacArthur criou a Reserva Policial em 1950 (mais tarde conhecida como Forças de Autodefesa), apenas cinco anos após o bombardeio de Hiroshima.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">A exclusão de São Francisco</h2>
<p>O Tratado de São Francisco (8 de setembro de 1951) cristalizou a traição por meio de uma  exclusão calculada. Nem Pequim nem Taipei foram convidados, apesar de a China ter suportado entre 35 e 50 milhões de baixas derrotando o Japão. A URSS compareceu, mas se recusou a assinar.<a href="#_edn128" name="_ednref128"><sup>128</sup></a> O delegado soviético Andrei Gromyko protestou que o tratado transformaria o Japão em “uma base militar estadunidense” enquanto excluía a China, “uma das principais vítimas”.<a href="#_edn129" name="_ednref129"><sup>129</sup></a> Quando ele tentou garantir uma discussão, manobras parlamentares orquestradas pelos EUA o consideraram “fora do jogo”. A questão da participação da China foi simplesmente descartada. O Secretário de Estado dos EUA, John Foster Dulles, recebeu “louvores” de vinte delegações por orquestrar essa exclusão – o mesmo Dulles que mais tarde ameaçaria “retaliação maciça” e empurraria o mundo para a beira da nuclearização. Os EUA negociaram a paz com o Japão excluindo as duas nações que mais sacrificaram para derrotá-lo. Isso não foi um descuido; isso estabeleceu a arquitetura de segurança do Leste Asiático pós-guerra.</p>
<p>A Organização das Nações Unidas (ONU), projetada para segurança coletiva por meio da cooperação das grandes potências, foi imediatamente controlada. Os EUA exploraram a ausência soviética durante a votação do Conselho de Segurança sobre a Coreia e então criaram alternativas para contornar os vetos soviéticos. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), criada em 1949, e outras estruturas paralelas operaram fora da autoridade da ONU. Ao chamar a Coreia de “ação policial”, os EUA estabeleceram uma série de precedentes para intervenções sem a aprovação do Conselho de Segurança. A mesma manipulação semântica é usada hoje na Síria, Líbia e Iêmen.</p>
<p>Três guerras. Um padrão.</p>
<p>A contabilidade final destrói a mitologia imperial: aqueles com riqueza esmagadora infligiram a máxima violência sobre aqueles que tinham menos, e ainda assim perderam. Forças socialistas com riqueza mínima mobilizaram a máxima humanidade, e venceram.</p>
<p>A “Nova Guerra Fria” dos dias de hoje contra a China e a Rússia (independentes, não socialistas) segue o mesmo roteiro. Os rostos mudam, o imperialismo permanece. Quando a mídia ocidental demoniza a China enquanto ignora as 800 milhões de pessoas que o país asiático  retirou da pobreza nas últimas décadas, quando retrata a Rússia como agressiva enquanto a Otan se expande até suas fronteiras, vemos a mesma maquinaria de propaganda que apagou a verdade sobre quem derrotou o fascismo.</p>
<h1 data-heading-number="17"><span class="heading-number">17.</span> Conclusão: a Guerra Mundial Antifascista dentro da luta de um século</h1>
<p>Esta não foi uma guerra da humanidade do “bem contra o mal”, após a qual a paz prevaleceu. Ela envolveu um capítulo do ataque de um século do imperialismo ao socialismo que começou com a Revolução Russa de 1917 e continua até hoje.</p>
<p>A ficção liberal de três sistemas concorrentes – democracia, fascismo e comunismo – esconde a verdade: o fascismo é o capitalismo em crise, sem sua máscara. A verdadeira luta nunca foi entre três sistemas, mas entre dois: socialismo e capitalismo, com o fascismo como a resposta de emergência do capitalismo à ameaça revolucionária.</p>
<p>As metrópoles coloniais apoiaram a ascensão do fascismo – desde Churchill elogiando Mussolini até corporações dos EUA construindo a máquina de guerra de Hitler – porque o fascismo era a solução para derrotar qualquer emergência de socialismo nos elos mais fracos da cadeia imperialista e destruir a experiência soviética. Somente quando o fascismo ameaçou os interesses das potências imperialistas ocidentais é que elas se juntaram relutantemente às potências socialistas que esperavam ver destruídas.</p>
<p>Os números expõem a verdade com uma clareza brutal.</p>
<p>A União Soviética e a China – controlando menos de um sexto da produção econômica global – destruíram mais de 80% do poder militar fascista enquanto sofriam 59,8% de todas as mortes da Guerra Antifascista. Eles venceram a guerra. Roosevelt e Churchill se posicionaram para vencer a paz. Isso não foi uma coincidência, estratégia ou uma oportunidade inteligente. Isso foi uma traição planejada desde o início, executada com precisão, coberta com propaganda que continua até hoje, quando o Ocidente celebra o Dia D ao mesmo tempo que minimiza Moscou e Stalingrado; honra Churchill enquanto escondem seu genocídio em Bengala; clama vitória enquanto aqueles que realmente venceram jazem em milhões de tumbas não reconhecidas.</p>
<p>Mas esta guerra nunca terminou estrategicamente. Ela simplesmente mudou de forma. Em 1931, o Japão invadiu a China. Em 1941, a Alemanha invadiu a URSS. Em 1950, os EUA invadiram a Coreia. Em 1955, os EUA assumiram a guerra da França no Vietnã. Não houve pausa entre “derrotar o fascismo” e atacar o socialismo,  porque derrotar o socialismo sempre foi o objetivo decisivo.</p>
<p>A mesma aritmética de sacrifício continuou. A Coreia perdeu 4,5 milhões de pessoas, enquanto os EUA perderam 54.246. O Vietnã, segundo documentação própria, contabilizou 3,1 milhões de mortes, enquanto os EUA tiveram 58 mil baixas. A Indonésia sofreu 1 a 2 milhões de assassinatos em 1965-1966 por listas de morte fornecidas pelos governos da Austrália e dos EUA.<a href="#_edn130" name="_ednref130"><sup>130</sup></a> Para a África, houve seis séculos de barbarismo imperial ininterrupto, começando com o comércio de escravos e o genocídio colonial. Este ano também marca os 70 anos da Conferência de Bandung, de 1955, quando 29 nações africanas e asiáticas declararam sua recusa em serem peões na Guerra Fria, ao passo que exigiam uma verdadeira independência tanto do domínio colonial quanto da dominação neocolonial emergente.</p>
<p>Hoje, o genocídio anticomunista e colonial se estendeu das montanhas da Coreia e das ilhas da Indonésia até as minas do Congo, aos campos de cobre do Chile e a Gaza; o alvo nunca muda. Cada nação paga em sangue pelo crime de buscar uma verdadeira independência. As armas melhoram; o genocídio permanece constante. Qualquer nação que tente um desenvolvimento verdadeiramente independente enfrenta a escolha: submeter-se ao capital ou enfrentar o ataque imperialista.</p>
<p>À medida que o bloco militar liderado pelos EUA representa mais de 75% do total de gastos militares do mundo, enquanto a Otan se expande apesar das promessas, e as sanções estrangulam qualquer nação que afirme soberania – de Cuba ao Sahel -, o imperialismo promove a mesma guerra por outros meios.<a href="#_edn131" name="_ednref131"><sup>131</sup></a> A “ordem internacional baseada em regras” significa a mesma coisa que a “missão civilizadora”: submeter-se ou ser destruído.</p>
<p>Quando os líderes ocidentais invocam a Guerra Mundial Antifascista para justificar a agressão, lembre-se de quem realmente lutou e morreu. Eles afirmam defender a democracia, mas se aliaram ao fascismo até serem forçados a lutar. Eles prometem proteger os direitos humanos enquanto deixam milhões arderem, preservando sua força.</p>
<p>Os povos soviético e chinês salvaram a humanidade não por meio da riqueza, mas pelo sacrifício; não com recursos superiores, mas por meio de uma estratégia superior; não pela preservação do capital, mas pela mobilização das massas.</p>
<p>Os povos e lideranças socialistas podem derrotar qualquer uma das faces do imperialismo, seja fascista ou a atual versão hiperimperialista, apesar de todas as desvantagens materiais. Aquela vitória exigiu genialidade, coragem e sacrifício inimaginável. Isso também provou algo que o imperialismo não pode aceitar: pessoas comuns, organizadas e lideradas com brilhantismo, podem derrotar qualquer império. Mao Zedong cristalizou essa verdade em <em>Sobre a Guerra Prolongada</em> (1938): “A fonte mais rica de poder para travar guerra reside nas massas do povo”. Não em porcentagens do PIB ou orçamentos militares, não na extração colonial ou capacidade industrial, mas nas massas mobilizadas que se recusam a se ajoelhar. A aritmética provou que ele estava certo: aqueles com 8% do PIB mundial derrotaram aqueles com cerca de 30%. A fórmula permanece inalterada: quando o povo está organizado, nenhum império pode resistir.</p>
<p>Vivemos em tempos de mudanças não vistos em cem anos. Faz um século desde que o primeiro Estado socialista estabeleceu o precedente de que um mundo além do capital era alcançável. Hoje, pela primeira vez desde 1900, os oito países imperialistas mais ricos caíram de 57,3% do PIB mundial para 29,9%. Seu estrangulamento econômico enfraquece à medida que o Sul Global se levanta. Nos inspiramos em todos os nossos mártires. Não permitiremos que seu sacrifício seja em vão. A história está do nosso lado.</p>
<p>É por isso que eles mentem sobre quem ganhou a guerra.</p>
<p>É por isso que devemos dizer a verdade.</p>
<h1 class="fwafw--img-header fwafw--img-header--apendix"><span class="fwafw--img-header-text">Anexo<i>:</i></span> <span class="fwafw--img-header-subtext">Dados, fontes e metodologia</span></h1>
<p>Este anexo fornece uma visão geral abrangente das fontes de dados, cálculos e princípios metodológicos que sustentam este estudo. O objetivo é oferecer transparência e um recurso centralizado para leitores que buscam compreender as evidências fundamentais para os argumentos centrais do artigo. O anexo está dividido em três seções:</p>
<ol>
<li><strong>Tabelas de dados e fontes dos números</strong>: as tabelas resumidas conforme aparecem no artigo.</li>
<li><strong>Observações metodológicas</strong>: explicações sobre como os dados foram calculados e interpretados, incluindo as principais tabelas de dados comparativos.</li>
<li><strong>Excertos das fontes de dados</strong>: as principais tabelas de dados reproduzidas diretamente de fontes primárias para total transparência.</li>
</ol>
<h2 style="margin:3em 0;">Seção 1: Tabelas de dados e fontes dos números</h2>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 1</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Capacidade econômica e população (1941)</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País</th>
<th>PIB (em bilhões de dólares internacionais em 1990)</th>
<th>% do PIB mundial</th>
<th>População (milhões)</th>
<th>% da população mundial</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td>412</td>
<td>8,7%</td>
<td>70,2</td>
<td>3,1%</td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td>196</td>
<td>4,1%</td>
<td>74,0</td>
<td>3,3%</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>344</td>
<td>7,2%</td>
<td>48,2</td>
<td>2,1%</td>
</tr>
<tr>
<td>EUA</td>
<td>1.094</td>
<td>23,0%</td>
<td>133,9</td>
<td>5,9%</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>359</td>
<td>7,5%</td>
<td>195,4</td>
<td>8,6%</td>
</tr>
<tr>
<td>China</td>
<td>238</td>
<td>5,0%</td>
<td>521,5</td>
<td>23,1%</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>total mundial</strong></td>
<td><strong>4.759</strong></td>
<td><strong>100,0%</strong></td>
<td><strong>2.260,4</strong></td>
<td><strong>100,0%</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="5">
<div><strong>Fontes:</strong> Dados populacionais extraídos principalmente de Maddison (2010); dados do PIB extraídos principalmente de Harrison (1998), p. 10, tabela 1.3; dados sobre a população da URSS, em 1941, extraídos de Statista (2025); estimativas do PIB da China e mundial são corroboradas pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Ver seção 2 para a metodologia completa.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 2</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Tarde para o combate: porcentagem de soldados em relação à população total (1939-1945)</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País</th>
<th>1939</th>
<th>1940</th>
<th>1941</th>
<th>1942</th>
<th>1943</th>
<th>1944</th>
<th>1945</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>EUA</td>
<td>0,3%</td>
<td>0,4%</td>
<td>1,2%</td>
<td>2,9%</td>
<td>6,6%</td>
<td>8,2%</td>
<td>8,1%</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>1,0%</td>
<td>4,7%</td>
<td>7,0%</td>
<td>8,5%</td>
<td>9,8%</td>
<td>10,1%</td>
<td>10,3%</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>—</td>
<td>2,6%</td>
<td>3,6%</td>
<td>6,0%</td>
<td>6,4%</td>
<td>6,8%</td>
<td>6,9%</td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td>6,5%</td>
<td>8,3%</td>
<td>10,4%</td>
<td>11,9%</td>
<td>13,5%</td>
<td>13,5%</td>
<td>11,7%</td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td>—</td>
<td>2,2%</td>
<td>3,3%</td>
<td>3,8%</td>
<td>4,9%</td>
<td>7,0%</td>
<td>10,1%</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="8">
<div><strong>Fontes:</strong> Dados sobre soldados extraídos de Harrison (1998, p. 14), tabela 1.5; dados populacionais extraídos de Maddison (2010) e Statista (2025). Consulte a Seção 2 para ver a metodologia completa.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 3</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Cálculos ocidentais sobre o valor relativo de uma vida: distribuição do programa Lend-Lease (1941-1945)</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País/grupo</th>
<th>Auxílio do programa Lend-Lease (dólar)</th>
<th>Mortes</th>
<th>Auxílio por morte (dólar)</th>
<th>Auxílio <em>per capita</em> (dólar)</th>
<th>População em 1945</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>China</td>
<td>631.509.000</td>
<td>24.050.000</td>
<td>26</td>
<td>1,2</td>
<td>532.607.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Índias Britânicas<sup>1</sup></td>
<td>3.567.477.000</td>
<td>3.000.000</td>
<td>1.189</td>
<td>8,6</td>
<td>417.050.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Estados de colonos brancos<sup>2</sup></td>
<td>2.432.913.000</td>
<td>55.000</td>
<td>44.235</td>
<td>268,0</td>
<td>9.077.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>23.335.549.000</td>
<td>432.000</td>
<td>54.017</td>
<td>474,5</td>
<td>49.182.000</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>
<p><strong>Fontes</strong>: Números do auxílio do programa Lend-Lease extraídos do Departamento de Estado dos EUA (1945, p. 14, tabela 2, e p. 42–43, tabela 25); dados populacionais extraídos de Maddison (2010); dados de mortalidade na China extraídos de Bian (2012, pp. 401–405); dados de mortalidade na Índia extraídos de Sen (1977, p. 36). Ver seção 2 para a metodologia completa.</p>
<ol>
<li>“Índias Britânicas” refere-se aqui à Índia e aos atuais Paquistão e Bangladesh. Os números do auxílio do programa Lend-Lease e população para a Índia Britânica e Ceilão (atual Sri Lanka) estão incluídos aqui.</li>
<li>“Estados de colonos brancos” refere-se à Austrália e à Nova Zelândia.</li>
</ol>
</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 4</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">A economia do atraso: compromissos de gastos militares</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País</th>
<th>1939</th>
<th>1940</th>
<th>1941</th>
<th>1942</th>
<th>1943</th>
<th>1944</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>EUA</td>
<td>1%</td>
<td>2%</td>
<td>11%</td>
<td>31%</td>
<td>42%</td>
<td>42%</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>15%</td>
<td>44%</td>
<td>53%</td>
<td>52%</td>
<td>55%</td>
<td>53%</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>—</td>
<td>17%</td>
<td>28%</td>
<td>61%</td>
<td>61%</td>
<td>53%</td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td>23%</td>
<td>40%</td>
<td>52%</td>
<td>64%</td>
<td>70%</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td>22%</td>
<td>22%</td>
<td>27%</td>
<td>33%</td>
<td>43%</td>
<td>76%</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="7">
<div><strong>Fontes:</strong> Harrison (1998, p. 21, tabela 1.8). Ver seção 3 para uma transcrição literal da fonte de dados.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 5</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Quem pagou o preço: ocorrência de mortes na Guerra Mundial Antifascista</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Grupo</th>
<th>Mortes</th>
<th>% de mortes em relação ao total mundial</th>
<th>Observação</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>URSS + China</td>
<td>51.050.000</td>
<td>59,8%</td>
<td>Forças socialistas que salvaram a humanidade</td>
</tr>
<tr>
<td>Colônias (Ásia/África)</td>
<td>11.218.000</td>
<td>13,1%</td>
<td>Vítimas do fascismo japonês e também da exploração dos aliados</td>
</tr>
<tr>
<td>Potências do Eixo</td>
<td>11.007.000</td>
<td>12,9%</td>
<td>Agressores fascistas</td>
</tr>
<tr>
<td>Europa Oriental/Sul</td>
<td>9.514.000</td>
<td>11,1%</td>
<td>Entre o fascismo e a libertação</td>
</tr>
<tr>
<td>Aliados imperialistas do Ocidente</td>
<td>1.595.700</td>
<td>1,9%</td>
<td>França, Países Baixos, Bélgica (potências coloniais)</td>
</tr>
<tr>
<td>Anglo-América (EUA + Reino Unido)</td>
<td>847.000</td>
<td>1,0%</td>
<td>EUA + Reino Unido que reivindicam a “vitória”</td>
</tr>
<tr>
<td>Total de mortes no mundo</td>
<td>85.335.700</td>
<td>100,0%</td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="4">
<div><strong>Fontes:</strong> Dados da URSS extraídos de Andreev <em>et al</em>. (1993); dados da China extraídos de Bian (2012, pp. 401–405); dados da Índia extraídos de Sen (1977, p. 36). Ver seção 2 para a metodologia completa.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 6</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Distribuição global das mortes da Guerra Mundial Antifascista</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País</th>
<th>% do total de mortes</th>
<th>% da população do país</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>31,6%</td>
<td>13,8%</td>
</tr>
<tr>
<td>China</td>
<td>28,2%</td>
<td>4,9%</td>
</tr>
<tr>
<td>Indochina francesa</td>
<td>1,8%</td>
<td>6,5%*</td>
</tr>
<tr>
<td>Filipinas</td>
<td>0,9%</td>
<td>4,7%</td>
</tr>
<tr>
<td>Índias holandesas</td>
<td>4,0%</td>
<td>4,7%</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>0,5%</td>
<td>0,9%</td>
</tr>
<tr>
<td>EUA</td>
<td>0,5%</td>
<td>0,3%</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="3">
<div><strong>Fontes:</strong> Dados de mortalidade na URSS extraídos de Andreev <em>et al.</em> (1993); dados de mortalidade na China extraídos de Bian (2012), pp. 401–405; população da Indochina Francesa extraída de Budge (2014) e dados de mortalidade extraídos do Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial de Nova Orleans (s.d.); outros dados populacionais extraídos de Maddison (2010). Ver seção 2 para a metodologia completa.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 7</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">A URSS e a China suportam o fardo da história</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País</th>
<th>Mortes (estimativas do Ocidente)</th>
<th>País mortes registradas/calculadas</th>
<th>País mortes registradas/calculadas</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>20–27 milhões</td>
<td>27 milhões</td>
<td>40–45 milhões</td>
</tr>
<tr>
<td>China</td>
<td>14–20 milhões</td>
<td>24,1 milhões</td>
<td>35–50 milhões</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="4">
<div><strong>Fontes:</strong> Dados da URSS extraídos de Andreev et al. (1993); dados da China extraídos de Bian (2012, p. 401–405, p. 442). Ver seção 2 para a metodologia completa.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 8</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Quando os assassinos confessam: admissão dos agressores</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Guerra</th>
<th>Agressor</th>
<th>Posição</th>
<th>Citação direta</th>
<th>Mortes confirmadas</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Guerra Mundial Antifascista (GMA)</td>
<td>Winston Churchill</td>
<td>Primeiro ministro britânico</td>
<td>Os indianos “procriam como coelhos (…) os hindus eram uma raça imunda, protegida pela mera população da ruína que lhes era devida”. Ele desejava que o chefe do Comando de Bombardeiros Britânico pudesse: “enviar alguns de seus bombardeiros excedentes para destruí-los”.</td>
<td>A falta de auxílio à fome em Bengala ocasionou a morte de 3 milhões de pessoas.</td>
</tr>
<tr>
<td>GMA</td>
<td>Governo do Japão</td>
<td>Declaração de Murayama (1995)</td>
<td>“Causou enormes danos e sofrimento às pessoas de muitos países, particularmente às nações asiáticas”.</td>
<td>24 milhões de chineses mortos.</td>
</tr>
<tr>
<td>GMA</td>
<td>Shirō Ishii</td>
<td>Comandante da Unidade 731</td>
<td>Chamava os prisioneiros de “registros”; os EUA pagavam por seus dados.</td>
<td>Mais de 12 mil mortes.</td>
</tr>
<tr>
<td>Coreia</td>
<td>Curtis LeMay</td>
<td>Comando Aéreo Estratégico</td>
<td>“Matamos – o quê? – vinte por cento da população”.</td>
<td>1,9 milhão de mortes na Coreia do Norte.</td>
</tr>
<tr>
<td>Coreia</td>
<td>Emmett O’Donnell</td>
<td>Comando de Bombardeiros do Extremo Oriente</td>
<td>“Está tudo destruído. Nada digno de nome permanece”.</td>
<td>85% da infraestrutura destruída.</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="5">
<div><strong>Fontes:</strong> Elaboração do autor com base em Mukerjee (2010, p. 205, p. 246–247); Murayama (1995); Nie, Guo, Selden e Kleinman (2010, p. 5); Kohn e Harahan (1988, p. 88); Stone (1952, p. 312).</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 9</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Fascismo derrotado: Coreia e Vietnã escolhem a soberania e o socialismo, e enfrentam o genocídio</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th></th>
<th colspan="2">Mortes (admitidas pelo Ocidente)</th>
<th colspan="2">Mortes (estimativas dos países invadidos)</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>País</td>
<td>Total de mortes</td>
<td>% da população pré-Guerra</td>
<td>Total de mortes</td>
<td>% da população pré-Guerra</td>
</tr>
<tr>
<td>RPDC (Guerra da Coreia)</td>
<td>1,5-2,5 milhões</td>
<td>15,6%-26,0%</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>Vietnã (Guerra do Vietnã)</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>3,1-5,1 milhões</td>
<td>8,3%-13,7%</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="5">
<div><strong>Fontes:</strong> Shin (2001), Halliday &amp; Cumings (1988); The Star-Ledger (1995); Vietnan Veterans of America (2025). Ver Seção 2 para metodologia completa.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h2 style="margin:3em 0;">Seção 2: Observações metodológicas</h2>
<h3 style="margin:2em 0;">Metodologia de dados sobre PIB e população</h3>
<p>Todos os dados de PIB e população neste artigo seguem uma hierarquia de fontes sistemática para garantir consistência e maximizar a cobertura de dados.</p>
<p><strong>Dados do PIB</strong></p>
<p>Todos os valores do PIB são expressos em dólares internacionais Geary-Khamis, de 1990, para fins de comparabilidade entre países. Os dados primários do PIB são provenientes de Harrison (1998). Nos casos em que Harrison não fornece dados suficientes, estes são complementados por Maddison (2010). Fontes alternativas são utilizadas apenas quando ambas as fontes primárias não possuem os dados necessários.</p>
<p>O total do PIB mundial de 1941 é estimado utilizando a seguinte metodologia: partindo do total mundial de Maddison de 1940 (4.547 bilhões de dólares), calculamos a taxa de crescimento média ponderada (4,6%) para países com cobertura contínua de 1940-1941 (representando 73,7% do PIB mundial de 1940) e aplicamos essa taxa para derivar a estimativa global de 1941 com base nos dados do PIB mundial de 1940. Cálculo: 4.547 bilhões de dólares × 1,046 = 4.759 bilhões de dólares.<a href="#_edn132" name="_ednref132"><sup>132</sup></a></p>
<p>Para a China, apenas o valor do PIB de 1938 está disponível; o seu PIB de 1941 e a sua cota do PIB mundial são estimativas.<a href="#_edn133" name="_ednref133"><sup>133</sup></a></p>
<p><strong>Dados populacionais</strong></p>
<p>Os dados populacionais derivam principalmente do banco de dados de Maddison 2010, que fornece a cobertura mais abrangente para os países e períodos examinados. Embora Harrison (1998) tenha utilizado uma versão anterior do conjunto de dados de Maddison (agora indisponível), este artigo utiliza a revisão de 2010 para fins de consistência. Nos casos em que Maddison não apresenta os dados necessários, métodos alternativos de fontes ou interpolação são empregados. Especificamente, os dados populacionais da URSS para 1941 e 1946 são provenientes de Statista (2025), com valores para 1942-1945 derivados por interpolação linear.<sup> <a href="#_edn134" name="_ednref134"><sup>134</sup></a></sup></p>
<p>Reconhecemos que a interpolação linear durante o período de guerra representa uma suposição simplificada que não captura as rupturas demográficas reais; esses números devem ser considerados apenas estimativas aproximadas.</p>
<p><strong>Observação</strong></p>
<p>Todos os valores interpolados ou derivados representam compromissos metodológicos necessários devido a lacunas no registro histórico. Quando os limites territoriais mudaram durante o período em estudo, usamos os limites definidos pela fonte primária para cada ano respectivo.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Observações sobre o cálculo de baixas na Guerra Mundial Antifascista</h3>
<p>Este estudo documenta apenas mortes. O total de 85,3 milhões de mortes situa-se no limite superior das faixas ocidentais, principalmente devido à nossa aceitação de projetos de pesquisa nacionais abrangentes das nações que mais sofreram.</p>
<ul>
<li><strong>URSS:</strong> o número de 27 milhões de mortes soviéticas é de Andreev <em>et al</em>. (1993).<sup> <a href="#_edn135" name="_ednref135"><sup>135</sup></a></sup></li>
<li><strong>China (1931-1945):</strong> afirmamos que a Guerra do Vietnã do Norte começou com a invasão japonesa do nordeste da China em 1931. O total de 24,05 milhões de mortes chinesas é um número abrangente derivado de múltiplos componentes, baseado principalmente na pesquisa de Bian (2012). O cálculo é o seguinte:
<ul>
<li><strong>Mortes diretas (1937-1945):</strong> cerca de 20,6 milhões</li>
<li><strong>Mortes indiretas (1937-1945):</strong> cerca de 3 milhões (principalmente por fome e deslocamento induzidos pela guerra)</li>
<li><strong>Mortes estimadas (1931-1937):</strong> cerca de 450 mil (uma estimativa fundamentada, visto que os números oficiais para este período não estão disponíveis, com base em inúmeros incidentes documentados durante a invasão e ocupação inicial do nordeste da China)</li>
<li><strong>Total de mortes calculadas:</strong> cerca de 24,05 milhões<a href="#_edn136" name="_ednref136"><sup>136</sup></a></li>
</ul>
</li>
<li><strong>Índia:</strong> O cálculo das mortes de indianas e indianos durante a Guerra Antifascista Mundial concentra-se em dois componentes principais: baixas militares (87 mil) e a Fome de Bengala de 1943 (3 milhões) (Sen, 1977). Embora essas mortes tenham totalizado 3,087 milhões, utilizamos o número consolidado de 3 milhões para análise.<a href="#_edn137" name="_ednref137"><sup>137</sup></a> Esse arredondamento não afeta materialmente nenhum dos nossos cálculos – as mortes na Índia continuam representando 3,5% das mortes globais e a ajuda do programa Lend-Lease por morte permanece em 1.189 dólares. Usar o número arredondado de 3 milhões mantém a consistência com nossa abordagem metodológica conservadora, ao mesmo tempo em que reconhece que as mortes por fome, e não as baixas militares, constituem a esmagadora maioria das perdas indianas.</li>
</ul>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h3 style="margin:2em 0;">Números de mortos por colônias</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País</th>
<th>Grupo</th>
<th>Mortes (pesquisa final)</th>
<th>% de mortes em relação ao total mundial de mortos</th>
<th>Ano do cálculo da população pré-guerra</th>
<th>População pré-guerra</th>
<th>% de em relação a população pré-guerra</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Birmânia</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>270.000</td>
<td>0,3%</td>
<td>1939</td>
<td>16.368.000</td>
<td>1,6%</td>
</tr>
<tr>
<td>Índias Orientais Holandesas<sup>1</sup></td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>3.400.000</td>
<td>4,0%</td>
<td>1939</td>
<td>72.903.000</td>
<td>4,7%</td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td>colônias-África</td>
<td>100.000</td>
<td>0,1%</td>
<td>1934</td>
<td>12.000.000</td>
<td>0,8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Indochina Francesa<sup>2</sup></td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>1.500.000</td>
<td>1,8%</td>
<td>1939</td>
<td>23.000.000</td>
<td>6,5%</td>
</tr>
<tr>
<td>Guam</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Índia (Índias britânicas)</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>3.000.000</td>
<td>3,5%</td>
<td>1939</td>
<td>381.400.000</td>
<td>0,8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Coreia<sup>3</sup></td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>483.000</td>
<td>0,6%</td>
<td>1936</td>
<td>21.374.000</td>
<td>2,3%</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia e Singapura</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>150.000</td>
<td>0,2%</td>
<td>1939</td>
<td>5.317.000</td>
<td>2,8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Filipinas</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>765.000</td>
<td>0,9%</td>
<td>1939</td>
<td>16.275.000</td>
<td>4,7%</td>
</tr>
<tr>
<td>Ruanda-Urundi</td>
<td>colônias-África</td>
<td>50.000</td>
<td>0,1%</td>
<td>1939</td>
<td>3.800.000</td>
<td>1,3%</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="7">
<div>
<p><strong>Fontes</strong>: Dados populacionais extraídos de Maddison (2010), salvo indicação em contrário; totais de óbitos extraídos de pesquisas em nível nacional, citados em outra parte deste anexo. Ver Seção 2 para a metodologia completa.</p>
<ol>
<li>Número de mortos nas Índias Orientais Holandesas, segundo a Inglaterra (2024). <a href="#_edn138" name="_ednref138"><sup>138</sup></a></li>
<li>População da Indochina Francesa, segundo Budge (2014) e dados sobre óbitos extraídos do Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial de Nova Orleans (s.d.).<sup> <a href="#_edn139" name="_ednref139"><sup>139</sup></a></sup></li>
<li>Maddison (2010) fornece dados populacionais apenas para a Coreia do Sul (1936): 15,139 milhões; para a Coreia como um todo, utilizamos a estimativa da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico: 21,374 milhões (1975), p. 13, tabela 2.<sup> <a href="#_edn140" name="_ednref140"><sup>140</sup></a></sup></li>
</ol>
<p><strong>Observação</strong>: Excluindo a URSS e a China, todas as outras estimativas ficam abaixo do limite superior das estimativas ocidentais. Embora países africanos apareçam em várias tabelas ao longo deste anexo, o número total de mortos africanos usados em nossa análise é de 1,6 milhão (estimativa conservadora). Veja a seguir uma explicação detalhada.</p>
</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h4 style="margin:2em 0;">Mortes africanas na Guerra Mundial Antifascista</h4>
<p>A avaliação das baixas africanas durante a Guerra Mundial Antifascista apresenta desafios específicos devido à manutenção incompleta de registros coloniais e à marginalização histórica das perdas africanas. Esta seção estabelece um patamar conservador de 1,6 milhão de mortes, com uma variação razoável de 1,6 a 2 milhões ao contabilizar perdas não documentadas.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Documentação de fontes primárias</strong></p>
<p>O memorando de 1945 do governo etíope às potências aliadas registrou 760.300 mortes durante a invasão e ocupação italiana (1935-1941), compreendendo:<a href="#_edn141" name="_ednref141"><sup>141</sup></a></p>
<ul>
<li>275 mil mortes em campos de batalha</li>
<li>300 mil mortes por fome induzida pela guerra e deslocamento forçado</li>
<li>185.300 mortes por massacres, execuções, campos de concentração e guerra química</li>
</ul>
<p>Esta documentação, presente em Del Boca (1969, p. 275), representa a contabilidade nacional mais rigorosa do cenário africano.</p>
<p>A <em>Oxford Research Encyclopedia of African History</em> fornece estimativas consolidadas para o restante do continente:<a href="#_edn142" name="_ednref142"><sup>142</sup></a></p>
<ul>
<li>475 mil mortes de militares africanos (incluindo tropas coloniais em cenários europeus e asiáticos)</li>
<li>500 mil mortes de civis por causas relacionadas à guerra (excluindo a Etiópia)</li>
</ul>
<p>Esses números sintetizam estudos recentes sobre campanhas no Norte da África, deslocamentos de tropas coloniais e baixas civis.</p>
<p><strong>Observações metodológicas</strong></p>
<p>Em consonância com nossa definição da Guerra Mundial Antifascista (1931-1945), incluímos a Guerra entre e Itália e Etiópia, iniciada em 1935, como parte da resistência antifascista global. O patamar documentado de 1,74 milhão de mortes deriva de fontes primárias (governo etíope) e de sínteses acadêmicas revisadas por pares (760.300 etíopes + 975 mil outros habitantes do continente africano).</p>
<p>Os registros coloniais subestimaram sistematicamente as mortes africanas, particularmente a mortalidade por trabalho forçado, fome, assassinatos por represália e campanhas de terra arrasada. Com base em lacunas análogas na documentação no caso asiático, um fator de ajuste de 10 a 15% poderia explicar essas exclusões, resultando em um limite superior de 2 milhões de mortes.</p>
<p><strong>Abordagem conservadora: 1,6 milhões</strong></p>
<p>Adotamos deliberadamente o número mais conservador de 1,6 milhão de mortes africanas – o limite inferior absoluto – por vários motivos:</p>
<ol>
<li><strong>Rigor documental</strong>: este número requer extrapolação mínima de fontes documentadas e leva em conta a potencial sobreposição entre categorias, tornando-o altamente defensável em termos de evidências.</li>
<li><strong>Subestimação estratégica</strong>: usar a menor estimativa defensável garante que nosso argumento mais amplo sobre a distribuição de sacrifícios não pode ser refutado como se estivesse inflacionado. Na verdade, subestimamos as perdas africanas.</li>
<li><strong>Contexto comparativo</strong>: mesmo com 1,6 milhão de mortes – nossa estimativa mais conservadora – as perdas africanas excederam as mortes militares combinadas dos Estados Unidos e do Reino Unido (847 mil no total), demonstrando a profunda disparidade entre quem pagou o preço e quem reivindicou a vitória.</li>
</ol>
<p>Há uma grande possibilidade de o número real de mortos ser maior, provavelmente se aproximando de 2 milhões, considerando a subcontagem colonial sistemática. Entretanto, nosso conservadorismo metodológico fortalece nosso argumento central: mesmo usando estimativas mínimas, o apagamento do sacrifício de povos africanos das narrativas da Guerra Mundial Antifascista representa uma grave injustiça histórica.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Cálculo de baixas — Guerras do Vietnã e da Coreia</h3>
<ul>
<li><strong>Coreia do Norte (1950-1953):</strong> 1,5–2,5 milhões de mortes. O limite superior deriva de Halliday e Cummings (1988): “Mais de 2 milhões de civis norte-coreanos morreram e cerca de 500 mil soldados norte-coreanos”.<a href="#_edn143" name="_ednref143"><sup>143</sup></a> Isso está em acordo com a admissão do General da Força Aérea dos EUA, Curtis LeMay, de ter matado “vinte por cento da população”.</li>
<li><strong>Coreia do Sul (1950-1953)</strong>: 1,5 a 2 milhões de mortes. Shin (2001) observa: “a subnotificação de mortes de guerra e os sistemas inadequados de registro de óbitos após a guerra fazem com que esta estimativa represente menos da metade das perdas relatadas relacionadas à guerra, que provavelmente ficaram entre 1,5 e 2 milhões”.</li>
<li><strong>Total da Península Coreana (1950-1953)</strong>: 3 a 4,5 milhões de mortes, representando 10 a 15% da população pré-guerra.</li>
<li><strong>Vietnã (1955-1975)</strong>: os números atuais do governo vietnamita documentam 3,1 milhões de mortes, com alguns estudos demográficos anteriores chegando a 5,1 milhões.<a href="#_edn144" name="_ednref144"><sup>144</sup></a></li>
</ul>
<p><strong>Observação</strong>: as mortes vietnamitas e estadunidenses foram calculadas como porcentagem de suas respectivas populações em 1965 (ponto médio do período de guerra de 1955-1975) para levar em conta as mudanças demográficas ao longo dos vinte anos de conflito. O uso de um único ano de referência fornece um patamar consistente para comparação, ao mesmo tempo que reconhece que as populações flutuaram ao longo da guerra.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h3 style="margin:2em 0;">Número comparativo de mortes: Coreia e Vietnã</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Guerra</th>
<th>País</th>
<th>Mortes (alcance da pesquisa)</th>
<th>% da população pré-guerra</th>
<th>% do total de mortes na guerra</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td rowspan="3" width="123">Coreia (1950-1953)</td>
<td>Coreia (total)</td>
<td>3.000.000-4.500.000</td>
<td>10,1%-15,1%</td>
<td>92,3%-94,7%</td>
</tr>
<tr>
<td>China</td>
<td>197.653</td>
<td>0,04%</td>
<td>4,2%-6,1%</td>
</tr>
<tr>
<td>EUA*</td>
<td>54.246</td>
<td>0,04%</td>
<td>1,1%-1,7%</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2" width="123">Vietnã (1955-1975)</td>
<td>Vietnã</td>
<td>3.100.000-5.100.000</td>
<td>8,3%-13,7%</td>
<td>98,2%-98,9%</td>
</tr>
<tr>
<td>EUA</td>
<td>58.200</td>
<td>0,03%</td>
<td>1,1%-1,8%</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="5">
<div><strong>Fontes:</strong> Shin (2001); Halliday and Cumings (1988); Li (2019); Highsmith (1998); The Star-Ledger (1995); Vietnam Veterans of America (2025).</div>
<div>* Mortes estadunidenses registradas no memorial dos veteranos da Guerra da Coreia em Washington DC.<a href="#_edn145" name="_ednref145"><sup>145</sup></a></div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h3 style="margin:2em 0;">Cálculo do auxílio do Land-Lease</h3>
<p>O Departamento de Estado (1945) relata que a ajuda total do programa Lend-Lease ao Império Britânico foi de 30,26921 bilhões de dólares (p. 14, tabela 2), mas não fornece detalhamentos para cada nação da Comunidade Britânica. Para estimar a distribuição da ajuda entre o Reino Unido, as Índias Britânicas, a Austrália e a Nova Zelândia, desenvolvemos a seguinte metodologia:</p>
<p><strong>Passo 1: calcular as proporções de exportação usando a tabela 25 (p. 42–43)</strong></p>
<p>Calculamos a destinação de cada parte no total das exportações de Lend-Lease do Império Britânico, que é de 17.954.911 dólares. Portanto, para o Reino Unido, a participação é: 13.842.043 ÷ 17.954.911 = 77,1%.</p>
<p><strong>Passo 2: aplicar as proporções ao auxílio total</strong></p>
<p>Em seguida, aplicamos essas porcentagens ao auxílio total do Império Britânico e arredondamos para milhares de dólares.<a href="#_edn146" name="_ednref146"><sup>146</sup></a> Portanto, para o Reino Unido, a ajuda estimada é: 30.269.210.000 × 77,1% = 23.335.549.000 dólares.</p>
<p><strong>Observação: </strong>Ceilão (Sri Lanka) está incluído com a Índia tanto na fonte de dados quanto em nossos cálculos, pois os dois países estavam administrativamente vinculados na contabilidade de Lend-Lease dos EUA.</p>
<p><strong>Limitações metodológicas:</strong></p>
<ul>
<li>Este método pressupõe que a distribuição do auxílio correspondeu à distribuição das exportações, o que pode não refletir os padrões reais.</li>
<li>Parte do auxílio pode ter sido distribuído por canais não captados nos dados de exportação.</li>
<li>As transferências de equipamento militar podem ter seguido padrões de alocação diferentes dos suprimentos gerais.</li>
</ul>
<h3 style="margin:2em 0;">Definição de Império Britânico</h3>
<p>Este estudo emprega duas definições distintas de “Império Britânico” correspondentes ao seu uso histórico pelos respectivos governos:</p>
<p><strong>Definição britânica (usada para dados sobre população) </strong></p>
<p>Para os cálculos populacionais de 1941 na Tabela 1, utilizamos a definição oficial do governo britânico para o Império Britânico, que incluía:</p>
<ul>
<li><strong>Domínios</strong>: Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Terra Nova e Labrador (separada do Canadá até 1949)</li>
<li><strong>Império indiano</strong>: Índia (incluindo as atuais Índia, Paquistão e Bangladesh), Birmânia e Ceilão</li>
<li><strong>Império colonial</strong>: colônias, protetorados e territórios sob mandato na África, Ásia, Oriente Médio, Américas, Pacífico e Mediterrâneo</li>
</ul>
<p>Esta definição abrangente inclui todos os territórios sob soberania ou proteção britânica, independentemente de seu grau de autogoverno.</p>
<p><strong>Definição dos Estados Unidos (usada para o programa Lend-Lease)</strong></p>
<p>Para os cálculos de distribuição de auxílio pelo programa Lend-Lease na Tabela 3, adotamos necessariamente a classificação administrativa do Departamento de Estado dos EUA de 1945. A definição dos EUA tratava o Império Britânico da seguinte forma:</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<tbody>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>Malásia britânica</td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão Anglo-Egípcio</td>
<td>Austrália</td>
</tr>
<tr>
<td>Gold Coast</td>
<td>Nova Guiné</td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td>Nova Zelândia</td>
</tr>
<tr>
<td>África Ocidental Britânica</td>
<td>Territórios Britânicos no Pacífico Ocidental</td>
</tr>
<tr>
<td>África Oriental Britânica</td>
<td>Terra Nova e Labrador</td>
</tr>
<tr>
<td>União da África do Sul</td>
<td>Honduras</td>
</tr>
<tr>
<td>Rodésia do Sul</td>
<td>Bermuda</td>
</tr>
<tr>
<td>Palestina e Transjordânia</td>
<td>Bahamas</td>
</tr>
<tr>
<td>Índia e Ceilão</td>
<td>Jamaica</td>
</tr>
<tr>
<td>Birmânia</td>
<td>Trinidad e Tobago</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Essa definição afetou a forma como a ajuda era alocada e relatada na documentação oficial dos EUA.</p>
<p>A distinção é crucial: enquanto a definição britânica era usada para compreender a população total do Império e seus recursos, a definição dos EUA determinava o fluxo real e a contabilização da ajuda em tempos de guerra. Nossos cálculos para a ajuda <em>per capita</em> e as avaliações por morte no Tabela 3 refletem essas categorias administrativas estadunidenses, não a autoconcepção imperial britânica.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Cálculo dos oito países imperialistas mais ricos (1900 e 2024)</h3>
<p>A comparação que afirma que “os oito países imperialistas mais ricos caíram de 57,3% do PIB mundial para 29,9%” exigiu decisões metodológicas específicas, tanto para consistência histórica quanto para categorização política.</p>
<p><strong>Cálculo de 2024</strong></p>
<p>Os oito países imperialistas mais ricos são identificados pela classificação do PIB entre as nações classificadas como potências imperialistas. Os oito países são: EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha e Canadá. Observe que o PIB desse grupo e o total mundial estão em Paridade do Poder de Compra (PPC), com base nos Indicadores de Desenvolvimento Mundial do Banco Mundial, atualizados pela última vez em julho de 2025.</p>
<p><strong>Cálculo de 1900</strong></p>
<p>As oito potências em 1900 – EUA, Reino Unido, Império Alemão, Império Francês, Império Russo, Áustria-Hungria, Itália e Japão – estavam todas envolvidas em expansão imperial ou administração colonial. Tendo Maddison (2010) como nossa fonte primária, confrontamos duas questões específicas:</p>
<ol>
<li><strong>Áustria-Hungria:</strong> o banco de dados Maddison 2010 não fornece dados unificados para a Áustria-Hungria, visto que o império havia se dissolvido quando o banco de dados foi construído. Para reconstruir o peso econômico do Império de Habsburgo em 1900, somamos os valores do PIB para:
<ul>
<li>Áustria</li>
<li>Hungria</li>
<li>Tchecoslováquia (as terras tchecas eram parte da Áustria-Hungria em 1900)</li>
</ul>
</li>
</ol>
<p>Esse agregado fornece uma maior aproximação da produção econômica real do Império Austro-Húngaro.</p>
<ol start="2">
<li><strong>Polônia:</strong> Maddison (2010) fornece o PIB da Polônia para 1900, apesar de a Polônia não existir como um Estado independente (tendo sido dividida entre Rússia, Alemanha e Áustria-Hungria desde 1795). Para refletir com precisão a distribuição de 1900 entre as potências em divisão, alocamos o PIB relatado da Polônia da seguinte forma:</li>
</ol>
<ul>
<li style="list-style-type: none;">
<ul>
<li>60% para o Império Russo (refletindo o controle da Rússia sobre a Polônia do Congresso, a maior divisão)</li>
<li>30% para o Império Alemão (refletindo o controle da Prússia sobre a Grande Polônia e a Pomerânia)</li>
<li>10% para a Áustria-Hungria (refletindo o controle austríaco sobre a Galícia)</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p>Essas porcentagens aproximam a distribuição territorial e populacional das partições polonesas.</p>
<p><strong>Observação sobre a categorização política</strong></p>
<p>A exclusão da Rússia da lista de 2024 e sua inclusão na lista de 1900 refletem circunstâncias históricas alteradas e nossa análise das estruturas de poder globais contemporâneas. Essa decisão metodológica garante consistência no acompanhamento do peso econômico das potências imperialistas ao longo do tempo.</p>
<p>O cálculo resultante mostra que essas oito potências imperialistas controlavam aproximadamente 57,3% do PIB mundial em 1900, em comparação com a participação de 29,9% dos oito países imperialistas mais ricos da atualidade em 2024.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Seção 3: Excertos literais da fontes de dados</h2>
<p>Esta seção reproduz tabelas de dados importantes de fontes fundamentais, de modo a fornecer máxima transparência às alegações estatísticas feitas neste artigo.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Dados usados para criar a Figura 1. Capacidade econômica e população (1941)</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 1.3</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">PIB das grandes potências em tempo de guerra (1939-1945) em dólares e preços internacionais de 1990 (bilhões)</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Aliança/país</th>
<th>1938</th>
<th>1939</th>
<th>1940</th>
<th>1941</th>
<th>1942</th>
<th>1943</th>
<th>1944</th>
<th>1945</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="single-post--table--row--red-bg">
<td><strong>Potências aliadas</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>EUA</td>
<td>800</td>
<td>869</td>
<td>943</td>
<td>1,094</td>
<td>1,235</td>
<td>1,399</td>
<td>1,499</td>
<td>1,474</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>284</td>
<td>287</td>
<td>316</td>
<td>344</td>
<td>353</td>
<td>361</td>
<td>346</td>
<td>331</td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td>186</td>
<td>199</td>
<td>82</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>101</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>117</td>
<td>92</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>359</td>
<td>366</td>
<td>417</td>
<td>359</td>
<td>318</td>
<td>464</td>
<td>495</td>
<td>396</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Total dos aliados </strong></td>
<td>1.629</td>
<td>1.721</td>
<td>1.757</td>
<td>1.798</td>
<td>1.906</td>
<td>2.223</td>
<td>2.458</td>
<td>2.394</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--red-bg">
<td><strong>Potências do Eixo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td>351</td>
<td>384</td>
<td>387</td>
<td>412</td>
<td>417</td>
<td>426</td>
<td>437</td>
<td>310</td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>82</td>
<td>130</td>
<td>116</td>
<td>110</td>
<td>93</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>Áustria</td>
<td>24</td>
<td>27</td>
<td>27</td>
<td>29</td>
<td>27</td>
<td>28</td>
<td>29</td>
<td>12</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td>141</td>
<td>151</td>
<td>147</td>
<td>144</td>
<td>145</td>
<td>137</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td>169</td>
<td>184</td>
<td>192</td>
<td>196</td>
<td>197</td>
<td>194</td>
<td>189</td>
<td>144</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Total do eixo </strong></td>
<td>686</td>
<td>747</td>
<td>835</td>
<td>911</td>
<td>903</td>
<td>895</td>
<td>748</td>
<td>466</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--red-bg">
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Aliados/Eixo</td>
<td>2,4</td>
<td>2,3</td>
<td>2,1</td>
<td>2</td>
<td>2,1</td>
<td>2,5</td>
<td>3,3</td>
<td>5,1</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS/Alemanha</td>
<td>1</td>
<td>1</td>
<td>1,1</td>
<td>0,9</td>
<td>0,8</td>
<td>1,1</td>
<td>1,1</td>
<td>1,3</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div><strong>Fonte:</strong> Harrison (1998, p. 10), tabela 1.3.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h3 style="margin:2em 0;">Dados usados para criar a Figura 2. Atrasados ​​para a luta: tropas como percentagem da população (1939-1945)</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 1.5</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Forças armadas das grandes potências (1939–1945) (milhares)</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Aliança/país</th>
<th>1939</th>
<th>1940</th>
<th>1941</th>
<th>1942</th>
<th>1943</th>
<th>1944</th>
<th>1945</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Potências aliadas</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>EUA</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>1.620</td>
<td>3.970</td>
<td>9.020</td>
<td>11.410</td>
<td>11.430</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>480</td>
<td>2.273</td>
<td>3.383</td>
<td>4.091</td>
<td>4.761</td>
<td>4.967</td>
<td>5.090</td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td>5.000</td>
<td>7.000</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>—</td>
<td>5.000</td>
<td>7.100</td>
<td>11.340</td>
<td>11.858</td>
<td>12.225</td>
<td>12.100</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total dos aliados</strong></td>
<td>5.480</td>
<td>14.273</td>
<td>12.103</td>
<td>19.401</td>
<td>25.639</td>
<td>28.602</td>
<td>28.620</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Potências do Eixo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td>4.522</td>
<td>5.762</td>
<td>7.309</td>
<td>8.410</td>
<td>9.480</td>
<td>9.420</td>
<td>7.830</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td>1.740</td>
<td>2.340</td>
<td>3.227</td>
<td>3.810</td>
<td>3.815</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td>—</td>
<td>1.630</td>
<td>2.420</td>
<td>2.840</td>
<td>3.700</td>
<td>5.380</td>
<td>7.730</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total do eixo</strong></td>
<td>6.262</td>
<td>9.732</td>
<td>12.956</td>
<td>15.060</td>
<td>16.995</td>
<td>14.800</td>
<td>15.560</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td>Aliados/Eixo:</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Frente do Oriente</td>
<td>—</td>
<td>1,1</td>
<td>1,1</td>
<td>1,5</td>
<td>1,4</td>
<td>1,9</td>
<td>2,3</td>
</tr>
<tr>
<td>Frente do Ocidente e Pacífico</td>
<td>1,2</td>
<td>0,8</td>
<td>0,9</td>
<td>1,1</td>
<td>1,9</td>
<td>1,9</td>
<td>1,6</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="8">
<div><strong>Fonte:</strong> Harrison (1998, p. 14), tabela 1.5.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 3.11</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">População ativa dos Estados Unidos (milhares, média anual das séries mensais)</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th></th>
<th>Total</th>
<th colspan="4">Por status de emprego</th>
<th colspan="2">Por gênero</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong>Funcionários civis</strong></td>
<td><strong>Forças armadas</strong></td>
<td><strong>Total da população ativa</strong></td>
<td><strong>Total da população não ativa</strong></td>
<td><strong>Homem</strong></td>
<td><strong>Mulher</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong>1</strong></td>
<td><strong>2</strong></td>
<td><strong>3</strong></td>
<td><strong>4</strong></td>
<td><strong>5</strong></td>
<td><strong>6</strong></td>
<td><strong>7</strong></td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td style="text-align: center;" colspan="8">Números, Milhares</td>
</tr>
<tr>
<td>1938</td>
<td>54.872</td>
<td>44.142</td>
<td>340</td>
<td>44.482</td>
<td>10.390</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>1939</td>
<td>55.588</td>
<td>45.738</td>
<td>370</td>
<td>46.108</td>
<td>9.480</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>1940</td>
<td>56.180</td>
<td>47.520</td>
<td>540</td>
<td>48.060</td>
<td>8.120</td>
<td>41.940</td>
<td>14.160</td>
</tr>
<tr>
<td>1941</td>
<td>57.630</td>
<td>50.350</td>
<td>1.620</td>
<td>51.970</td>
<td>5.660</td>
<td>43.070</td>
<td>14.650</td>
</tr>
<tr>
<td>1942</td>
<td>60.380</td>
<td>53.750</td>
<td>3.970</td>
<td>57.720</td>
<td>2.660</td>
<td>44.200</td>
<td>16.150</td>
</tr>
<tr>
<td>1943</td>
<td>64.560</td>
<td>54.470</td>
<td>9.020</td>
<td>63.490</td>
<td>1.070</td>
<td>45.950</td>
<td>18.830</td>
</tr>
<tr>
<td>1944</td>
<td>66.040</td>
<td>53.960</td>
<td>11.410</td>
<td>65.370</td>
<td>670</td>
<td>46.930</td>
<td>19.390</td>
</tr>
<tr>
<td>1945</td>
<td>65.290</td>
<td>52.820</td>
<td>11.430</td>
<td>64.250</td>
<td>1.040</td>
<td>46.910</td>
<td>19.304</td>
</tr>
<tr>
<td>1946</td>
<td>60.970</td>
<td>55.250</td>
<td>3.450</td>
<td>58.700</td>
<td>2.270</td>
<td>43.690</td>
<td>16.840</td>
</tr>
<tr>
<td>1947</td>
<td>61.758</td>
<td>57.812</td>
<td>1.590</td>
<td>59.402</td>
<td>2.356</td>
<td>44.258</td>
<td>16.683</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td style="text-align: center;" colspan="8">Fontes do aumento de empregos ao longo dos anos 1940, milhares</td>
</tr>
<tr>
<td>1941</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>3.910</td>
<td>2.560</td>
<td>1.130</td>
<td>490</td>
</tr>
<tr>
<td>1942</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>9.660</td>
<td>5.460</td>
<td>2.260</td>
<td>1.960</td>
</tr>
<tr>
<td>1943</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>15.430</td>
<td>7.050</td>
<td>4.010</td>
<td>4.670</td>
</tr>
<tr>
<td>1944</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>17.310</td>
<td>7.450</td>
<td>4.990</td>
<td>5.230</td>
</tr>
<tr>
<td>1945</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>16.190</td>
<td>7.080</td>
<td>4.970</td>
<td>5.144</td>
</tr>
<tr>
<td>1946</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>10.640</td>
<td>5.850</td>
<td>1.750</td>
<td>2.680</td>
</tr>
<tr>
<td>1947</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>11.342</td>
<td>5.764</td>
<td>2.318</td>
<td>2.523</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div><strong>Fonte:</strong> Harrison (1998, p. 108), tabela 3.11.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h3 style="margin:2em 0;">População</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País</th>
<th>1939</th>
<th>1940</th>
<th>1941</th>
<th>1942</th>
<th>1943</th>
<th>1944</th>
<th>1945</th>
<th>1946</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td>69.286</td>
<td>69.835</td>
<td>70.244</td>
<td>70.834</td>
<td>70.411</td>
<td>69.865</td>
<td>67.000</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>47.991</td>
<td>48.226</td>
<td>48.216</td>
<td>48.400</td>
<td>48.789</td>
<td>49.016</td>
<td>49.182</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>EUA</td>
<td>131.539</td>
<td>132.637</td>
<td>133.922</td>
<td>135.386</td>
<td>137.272</td>
<td>138.937</td>
<td>140.474</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>192.379</td>
<td>195.970</td>
<td>195.400*</td>
<td>190.167</td>
<td>185.074</td>
<td>180.118</td>
<td>175.294</td>
<td>170.600*</td>
</tr>
<tr>
<td>China</td>
<td>516.046</td>
<td>518.770</td>
<td>521.508</td>
<td>524.261</td>
<td>527.028</td>
<td>529.810</td>
<td>532.607</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td>72.364</td>
<td>72.967</td>
<td>74.005</td>
<td>75.029</td>
<td>76.005</td>
<td>77.178</td>
<td>76.224</td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div><strong>Fontes:</strong> Maddison (2010); URSS 1941 e 1946 de Statista (2025); 1942–1945 são estimativas. Ver seção 2 para metodologia completa.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h3 style="margin:2em 0;">Dados usados para criar Gráfico 3. Cálculos ocidentais sobre o valor relativo de uma vida: distribuição Lend-Lease (1941-1945)</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 2</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Auxílio do programa Lend-Lease por país (mar. 1941- out. 1945)</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País</th>
<th>Valor ($)</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Império britânico</td>
<td>30.269.210.000</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>10.801.131.000</td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td>1.406.600.000</td>
</tr>
<tr>
<td>China</td>
<td>631.509.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Repúblicas americanas</td>
<td>421.467.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Países Baixos</td>
<td>162.157.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Grécia</td>
<td>75.416.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Bélgica</td>
<td>52.443.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Noruega</td>
<td>34.640.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Turquia</td>
<td>28.063.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Iugoslávia</td>
<td>25.885.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Outros países</td>
<td>43.284.000</td>
</tr>
<tr>
<td>Ajuda não cobrada de governos estrangeiros</td>
<td>2.088.249.000</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Total dos auxílios do Lend-Lease</strong></td>
<td><strong>46.040.054.000</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="2">
<div><strong>Fonte:</strong> Departamento de Estado dos EUA (1945, p. 14), tabela 2.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 25</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Exportações do programa Lend-Lease (em milhares de dólares)</h3>
<p>As exportações são classificadas pelo país para o qual as mercadorias são enviadas, não pelo país por conta do qual são enviadas. A maior parte dos suprimentos exportados para o Egito, por exemplo, destinava-se ao uso das tropas britânicas no Norte da África e no Oriente Médio e eram debitados na conta do Reino Unido.</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País</th>
<th>Jan–Jun 1945</th>
<th>Jul–Set 1945</th>
<th>Acumulado até out. 1945</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="single-post--table--row--red-bg">
<td><strong>Europa</strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>1.507.140</td>
<td>339.077</td>
<td>13.842.043</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>1.392.427</td>
<td>314.936</td>
<td>9.477.866</td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td>117.598</td>
<td>109.190</td>
<td>243.900</td>
</tr>
<tr>
<td>Países Baixos</td>
<td>1.550</td>
<td>15.706</td>
<td>17.256</td>
</tr>
<tr>
<td>Bélgica e Luxemburgo</td>
<td>42.132</td>
<td>21.944</td>
<td>64.076</td>
</tr>
<tr>
<td>Islândia</td>
<td>1.087</td>
<td>82</td>
<td>6.840</td>
</tr>
<tr>
<td>Outros países</td>
<td>119.904</td>
<td>33.042</td>
<td>641.571</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Total Europa</strong></td>
<td><strong>3.181.834</strong></td>
<td><strong>833.977</strong></td>
<td><strong>24.293.352</strong></td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--red-bg">
<td><strong>África e Oriente Médio</strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos francês</td>
<td>13.274</td>
<td>7.178</td>
<td>106.843</td>
</tr>
<tr>
<td>Argélia</td>
<td>36.074</td>
<td>17.261</td>
<td>407.194</td>
</tr>
<tr>
<td>Tunísia</td>
<td>9.208</td>
<td>4.597</td>
<td>25.117</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbia</td>
<td>250</td>
<td>22</td>
<td>1.315</td>
</tr>
<tr>
<td>Egito</td>
<td>113.685</td>
<td>20.828</td>
<td>2.014.806</td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão Anglo-Egípcio</td>
<td>69</td>
<td>12</td>
<td>13.192</td>
</tr>
<tr>
<td>África Equatorial Francesa</td>
<td>681</td>
<td>108</td>
<td>6.203</td>
</tr>
<tr>
<td>África Ocidental francesa</td>
<td>8.296</td>
<td>2.530</td>
<td>35.066</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa do Ouro</td>
<td>143</td>
<td>117</td>
<td>42.299</td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td>131</td>
<td>72</td>
<td>21.971</td>
</tr>
<tr>
<td>África Ocidental Britânica</td>
<td>350</td>
<td>71</td>
<td>20.071</td>
</tr>
<tr>
<td>Congo Belga</td>
<td>368</td>
<td>118</td>
<td>20.144</td>
</tr>
<tr>
<td>África Oriental Britânica</td>
<td>1.653</td>
<td>330</td>
<td>66.617</td>
</tr>
<tr>
<td>União da África do Sul</td>
<td>9.553</td>
<td>1.037</td>
<td>234.067</td>
</tr>
<tr>
<td>Rodésia do Sul</td>
<td>72</td>
<td>12</td>
<td>12.631</td>
</tr>
<tr>
<td>Outros lugares da África</td>
<td>1.660</td>
<td>229</td>
<td>10.252</td>
</tr>
<tr>
<td>Turquia</td>
<td>27</td>
<td>142</td>
<td>104.012</td>
</tr>
<tr>
<td>Síria</td>
<td>182</td>
<td>21</td>
<td>1.863</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td>2.164</td>
<td>832</td>
<td>161.477</td>
</tr>
<tr>
<td>Irã</td>
<td>3.144</td>
<td>2.361</td>
<td>64.839</td>
</tr>
<tr>
<td>Palestina e Transjordânia</td>
<td>680</td>
<td>702</td>
<td>16.172</td>
</tr>
<tr>
<td>Outros lugares do Oriente Médio</td>
<td>2.976</td>
<td>256</td>
<td>6.574</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Total África e Oriente Médio</strong></td>
<td><strong>204.640</strong></td>
<td><strong>58.836</strong></td>
<td><strong>3.392.725</strong></td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--red-bg">
<td><strong>Extremo Oriente e Oceania</strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>China</td>
<td>32.129</td>
<td>15.827</td>
<td>223.904</td>
</tr>
<tr>
<td>Índia e Ceilão</td>
<td>369.438</td>
<td>102.351</td>
<td>2.116.135</td>
</tr>
<tr>
<td>Birmânia</td>
<td>—</td>
<td>451</td>
<td>3.878</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia britânica</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>8.790</td>
</tr>
<tr>
<td>Índias holandesas</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>23.550</td>
</tr>
<tr>
<td>Australia</td>
<td>189.272</td>
<td>72.515</td>
<td>1.226.216</td>
</tr>
<tr>
<td>Nova Guiné</td>
<td>192</td>
<td>49</td>
<td>13.826</td>
</tr>
<tr>
<td>Nova Zelândia</td>
<td>11.944</td>
<td>7.488</td>
<td>216.925</td>
</tr>
<tr>
<td>Oceania Britânica</td>
<td>299</td>
<td>114</td>
<td>1.953</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas francesas no Pacífico</td>
<td>84</td>
<td>36</td>
<td>1.431</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Total extremo oriente e Oceania</strong></td>
<td><strong>603.358</strong></td>
<td><strong>198.831</strong></td>
<td><strong>3.836.608</strong></td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--red-bg">
<td><strong>Américas do Norte, Central e Sul</strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Canadá</td>
<td>44.243</td>
<td>10.278</td>
<td>628.013</td>
</tr>
<tr>
<td>Terra Nova e Labrador</td>
<td>112</td>
<td>57</td>
<td>2.197</td>
</tr>
<tr>
<td>México</td>
<td>2.644</td>
<td>355</td>
<td>18.832</td>
</tr>
<tr>
<td>Guatemala</td>
<td>2</td>
<td>—</td>
<td>1.089</td>
</tr>
<tr>
<td>El Salvador</td>
<td>—</td>
<td>1</td>
<td>851</td>
</tr>
<tr>
<td>Honduras</td>
<td>7</td>
<td>11</td>
<td>324</td>
</tr>
<tr>
<td>Nicarágua</td>
<td>31</td>
<td>—</td>
<td>628</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa Rica</td>
<td>1</td>
<td>6</td>
<td>145</td>
</tr>
<tr>
<td>Bermuda</td>
<td>92</td>
<td>36</td>
<td>2.500</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahamas</td>
<td>5.685</td>
<td>1.297</td>
<td>58.641</td>
</tr>
<tr>
<td>Cuba</td>
<td>605</td>
<td>138</td>
<td>3.777</td>
</tr>
<tr>
<td>Jamaica</td>
<td>123</td>
<td>75</td>
<td>6.969</td>
</tr>
<tr>
<td>Haiti</td>
<td>7</td>
<td>—</td>
<td>713</td>
</tr>
<tr>
<td>República Dominicana</td>
<td>123</td>
<td>—</td>
<td>1.140</td>
</tr>
<tr>
<td>Trinidad e Tobago</td>
<td>1.093</td>
<td>115</td>
<td>27.494</td>
</tr>
<tr>
<td>Curaçao</td>
<td>66</td>
<td>151</td>
<td>8.237</td>
</tr>
<tr>
<td>Índias Ocidentais Francesas</td>
<td>1.355</td>
<td>794</td>
<td>5.565</td>
</tr>
<tr>
<td>Colômbia</td>
<td>391</td>
<td>68</td>
<td>5.352</td>
</tr>
<tr>
<td>Venezuela</td>
<td>232</td>
<td>35</td>
<td>2.751</td>
</tr>
<tr>
<td>Suriname</td>
<td>70</td>
<td>5</td>
<td>3.131</td>
</tr>
<tr>
<td>Equador</td>
<td>181</td>
<td>21</td>
<td>4.868</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td>1.832</td>
<td>186</td>
<td>14.184</td>
</tr>
<tr>
<td>Bolívia</td>
<td>2.201</td>
<td>44</td>
<td>4.436</td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td>1.678</td>
<td>325</td>
<td>20.988</td>
</tr>
<tr>
<td>Brasil</td>
<td>15.103</td>
<td>4.842</td>
<td>159.128</td>
</tr>
<tr>
<td>Paraguai</td>
<td>162</td>
<td>—</td>
<td>1.387</td>
</tr>
<tr>
<td>Uruguai</td>
<td>1.511</td>
<td>9</td>
<td>5.627</td>
</tr>
<tr>
<td>Outros países</td>
<td>391</td>
<td>143</td>
<td>3.688</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Total Américas do Norte, Central e do Sul</strong></td>
<td><strong>79.941</strong></td>
<td><strong>18.992</strong></td>
<td><strong>992.655</strong></td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--red-bg">
<td><strong>Total, todos países</strong></td>
<td><strong>4.069.773</strong></td>
<td><strong>1.110.636</strong></td>
<td><strong>32.515.340</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="4">
<div><strong>Fonte:</strong> Departamento de Estado dos EUA (1945, p. 42-43), tabela 25.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h3 style="margin:2em 0;">Dados usados para criar Gráfico 4. A economia do atraso: compromissos de gastos militares</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h5>Tabela 1.8</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">O fardo militar (1939-1944) (despesas militares, percentagem do rendimento nacional)</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th></th>
<th>1939</th>
<th>1940</th>
<th>1941</th>
<th>1942</th>
<th>1943</th>
<th>1944</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="single-post--table--row--red-bg">
<td><strong>Em valores atuais</strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Potências aliadas</strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
<td><strong> </strong></td>
</tr>
<tr>
<td>EUA</td>
<td>1</td>
<td>2</td>
<td>11</td>
<td>31</td>
<td>42</td>
<td>42</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>15</td>
<td>44</td>
<td>53</td>
<td>52</td>
<td>55</td>
<td>53</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Potências do Eixo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td>23</td>
<td>40</td>
<td>52</td>
<td>64</td>
<td>70</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td>8</td>
<td>12</td>
<td>23</td>
<td>22</td>
<td>21</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td>22</td>
<td>22</td>
<td>27</td>
<td>33</td>
<td>43</td>
<td>76</td>
</tr>
<tr>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--red-bg">
<td><strong>A preços constantes</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Potências aliadas</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>EUA</td>
<td>1</td>
<td>2</td>
<td>11</td>
<td>32</td>
<td>43</td>
<td>45</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>—</td>
<td>17</td>
<td>28</td>
<td>61</td>
<td>61</td>
<td>53</td>
</tr>
<tr class="single-post--table--row--gray-bg">
<td><strong>Potências do Eixo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td>23</td>
<td>40</td>
<td>52</td>
<td>63</td>
<td>70</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
<td>—</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="7">
<div><strong>Fonte:</strong> Harrison (1998, p. 21), tabela 1.8.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled single-post--table-bordered">
<caption>
<h3 style="margin:2em 0;">Números finais de mortes usados ​​pelo autor</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País</th>
<th>Grupo 1</th>
<th>Grupo 2</th>
<th>Pesquisa final de mortes</th>
<th>% das mortes no mundo</th>
<th>Ano da população pré-guerra</th>
<th>População pré-guerra (Maddison)</th>
<th> % de mortes e a população  pré-guerra</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Albânia</td>
<td>Europa do Leste/Sul</td>
<td></td>
<td>30.000</td>
<td>0.0%</td>
<td>1938</td>
<td>1.040.000</td>
<td>2.9%</td>
</tr>
<tr>
<td>Austrália</td>
<td>Aliados ocidentais imperialistas</td>
<td></td>
<td>42.000</td>
<td>0.0%</td>
<td>1939</td>
<td>6.971.000</td>
<td>0.6%</td>
</tr>
<tr>
<td>Áustria</td>
<td>Aliados ocidentais imperialistas</td>
<td></td>
<td>384.700</td>
<td>0.5%</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bélgica</td>
<td>Aliados ocidentais imperialistas</td>
<td></td>
<td>100.000</td>
<td>0.1%</td>
<td>1939</td>
<td>8.392.000</td>
<td>1.2%</td>
</tr>
<tr>
<td>Bulgária</td>
<td>Europa do Leste/Sul</td>
<td></td>
<td>110.000</td>
<td>0.1%</td>
<td>1940</td>
<td>6.666.000</td>
<td>1.7%</td>
</tr>
<tr>
<td>Birmânia</td>
<td>colônias</td>
<td>Colônias-Ásia</td>
<td>270.000</td>
<td>0.3%</td>
<td>1939</td>
<td>16.368.000</td>
<td>1.6%</td>
</tr>
<tr>
<td>Canadá</td>
<td>Aliados ocidentais imperialistas</td>
<td></td>
<td>47.000</td>
<td>0.1%</td>
<td>1939</td>
<td>11.570.000</td>
<td>0.4%</td>
</tr>
<tr>
<td>China</td>
<td>URSS + China</td>
<td></td>
<td>24.050.000</td>
<td>28.2%</td>
<td>1930</td>
<td>489.000.000</td>
<td>4.9%</td>
</tr>
<tr>
<td>Checoslováquia</td>
<td>Europa do Leste/Sul</td>
<td></td>
<td>278.000</td>
<td>0.3%</td>
<td>1937</td>
<td>14.429.000</td>
<td>1.9%</td>
</tr>
<tr>
<td>Índias Orientais Holandesas</td>
<td>colônias</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>3.400.000</td>
<td>4.0%</td>
<td>1939</td>
<td>72.903.000</td>
<td>4.7%</td>
</tr>
<tr>
<td>Estônia</td>
<td>Europa do Leste/Sul</td>
<td></td>
<td>81.000</td>
<td>0.1%</td>
<td>1939</td>
<td>1.134.000</td>
<td>7.1%</td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td>colônias</td>
<td>colônias-África</td>
<td>100.000</td>
<td>0.1%</td>
<td>1934</td>
<td>12.000.000</td>
<td>0.8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Finlândia</td>
<td>Aliados ocidentais imperialistas</td>
<td></td>
<td>97.000</td>
<td>0.1%</td>
<td>1938</td>
<td>3.656.000</td>
<td>2.7%</td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td>Aliados ocidentais imperialistas</td>
<td></td>
<td>600.000</td>
<td>0.7%</td>
<td>1938</td>
<td>41.960.000</td>
<td>1.4%</td>
</tr>
<tr>
<td>Indochina Francesa</td>
<td>colônias</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>1.500.000</td>
<td>1.8%</td>
<td>1939</td>
<td>23.000.000</td>
<td>6.5%</td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td>Axis</td>
<td>Axis</td>
<td>7.619.000</td>
<td>8.9%</td>
<td>1938</td>
<td>68.558.000</td>
<td>11.1%</td>
</tr>
<tr>
<td>Grécia</td>
<td>Europa do Leste/Sul</td>
<td></td>
<td>807.000</td>
<td>0.9%</td>
<td>1939</td>
<td>7.156.000</td>
<td>11.3%</td>
</tr>
<tr>
<td>Hungria</td>
<td>Europa do Leste/Sul</td>
<td></td>
<td>634.000</td>
<td>0.7%</td>
<td>1939</td>
<td>9.227.000</td>
<td>6.9%</td>
</tr>
<tr>
<td>Índia (Índias britânicas)</td>
<td>colônias</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>3.000.000</td>
<td>3.5%</td>
<td>1939</td>
<td>381.400.000</td>
<td>0.8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td>Axis</td>
<td>Axis</td>
<td>486.000</td>
<td>0.6%</td>
<td>1939</td>
<td>43.865.000</td>
<td>1.1%</td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td>Axis</td>
<td>Axis</td>
<td>2.902.000</td>
<td>3.4%</td>
<td>1936</td>
<td>70.171.000</td>
<td>4.1%</td>
</tr>
<tr>
<td>Coreia</td>
<td>colônias</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>483.000</td>
<td>0.6%</td>
<td>1936</td>
<td>21.374.000</td>
<td>2.3%</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia e Singapore</td>
<td>colônias</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>150.000</td>
<td>0.2%</td>
<td>1939</td>
<td>5.317.000</td>
<td>2.8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Países Baixos</td>
<td>Aliados ocidentais imperialistas</td>
<td></td>
<td>301.000</td>
<td>0.4%</td>
<td>1939</td>
<td>8.782.000</td>
<td>3.4%</td>
</tr>
<tr>
<td>Nova Zelândia</td>
<td>Aliados ocidentais imperialistas</td>
<td></td>
<td>13.000</td>
<td>0.0%</td>
<td>1939</td>
<td>1.627.000</td>
<td>0.8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Noruega</td>
<td>Aliados ocidentais imperialistas</td>
<td></td>
<td>11.000</td>
<td>0.0%</td>
<td>1939</td>
<td>2.954.000</td>
<td>0.4%</td>
</tr>
<tr>
<td>Papua e Nova Guiné</td>
<td>outros</td>
<td></td>
<td>20.000</td>
<td>0.0%</td>
<td>1939</td>
<td>1.292.000</td>
<td>1.5%</td>
</tr>
<tr>
<td>Filipinas</td>
<td>colônias</td>
<td>colônias-Ásia</td>
<td>765.000</td>
<td>0.9%</td>
<td>1939</td>
<td>16.275.000</td>
<td>4.7%</td>
</tr>
<tr>
<td>Polônia</td>
<td>Europa do Leste/Sul</td>
<td></td>
<td>5.720.000</td>
<td>6.7%</td>
<td>1938</td>
<td>31.062.000</td>
<td>18.4%</td>
</tr>
<tr>
<td>Timor português</td>
<td>outros</td>
<td></td>
<td>70.000</td>
<td>0.1%</td>
<td>1939</td>
<td>480.000</td>
<td>14.6%</td>
</tr>
<tr>
<td>Romênia</td>
<td>Europa do Leste/Sul</td>
<td></td>
<td>833.000</td>
<td>1.0%</td>
<td>1939</td>
<td>15.751.000</td>
<td>5.3%</td>
</tr>
<tr>
<td>Ruanda-Urundi</td>
<td>colônias</td>
<td>colônias-África</td>
<td>50.000</td>
<td>0.1%</td>
<td>1939</td>
<td>3.800.000</td>
<td>1.3%</td>
</tr>
<tr>
<td>África do Sul</td>
<td>outros</td>
<td></td>
<td>14.000</td>
<td>0.0%</td>
<td>1939</td>
<td>10.160.000</td>
<td>0.1%</td>
</tr>
<tr>
<td>URSS</td>
<td>URSS + China</td>
<td></td>
<td>27.000.000</td>
<td>31.6%</td>
<td>1940</td>
<td>195.970.000</td>
<td>13.8%</td>
</tr>
<tr>
<td>United Kingdom</td>
<td>Anglo América</td>
<td></td>
<td>432.000</td>
<td>0.5%</td>
<td>1938</td>
<td>47.494.000</td>
<td>0.9%</td>
</tr>
<tr>
<td>United States</td>
<td>Anglo América</td>
<td></td>
<td>415.000</td>
<td>0.5%</td>
<td>1940</td>
<td>132.637.000</td>
<td>0.3%</td>
</tr>
<tr>
<td>Iugoslávia</td>
<td>Europa do Leste/Sul</td>
<td></td>
<td>1.021.000</td>
<td>1.2%</td>
<td>1940</td>
<td>16.300.000</td>
<td>6.3%</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="8">
<div><strong>Observação:</strong> Todos os valores citados com fontes específicas representam dados documentados dos materiais referenciados; todos os outros dados apresentados neste anexo são elaborações do autor com base em estimativas disponíveis e cálculos metodológicos descritos na Seção 2.</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h1 class="fwafw--img-header fwafw--img-header--readers-guide"><span class="fwafw--img-header-text">Guia de leitura</span> <span class="fwafw--img-header-subtext">para as notas organizadas em quatro níveis</span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;">Parte I: Como ler as notas organizadas em quatro níveis</h2>
<div class="notes-diagram">
<div class="notes-diagram--container">
<div class="notes-diagram--block notes-diagram--block-1">
<div class="notes-diagram--heading">NÍVEL 1: CONTEXTO</div>
<div class="notes-diagram--explainer">Enquadramento interpretativo em itálico explicando porque a evidência é relevante para o argumento mais amplo</div>
<div class="notes-diagram--example">
<div class="notes-diagram--example-heading">Contexto para a afirmação X047</div>
<div class="notes-diagram--example-text"><em>Os exércitos alemães capturaram territórios com 40% de população soviética e 60% de capacidade industrial. A reação: : realocar fábricas inteiras sob fogo inimigo.</em></div>
</div>
</div>
<div class="notes-diagram--block notes-diagram--block-2">
<div class="notes-diagram--heading">NÍVEL 2: AFIRMAÇÃO VERIFICÁVEL</div>
<div class="notes-diagram--explainer">Fatos específicos que podem ser verificados de forma independente — sem interpretação</div>
<div class="notes-diagram--example">
<div class="notes-diagram--example-heading">Afirmação verificável</div>
<div class="notes-diagram--example-text"><em>Entre julho e dezembro de 1941, a União Soviética evacuou 1.523 empresas industriais completas para o leste em 1,5 milhão de vagões de trem.</em></div>
</div>
</div>
<div class="notes-diagram--block notes-diagram--block-3">
<div class="notes-diagram--heading">NÍVEL 3: FONTES</div>
<div class="notes-diagram--explainer">Citações completas com número exato da página para verificação</div>
<div class="notes-diagram--example">
<div class="notes-diagram--example-heading">Fontes:</div>
<div class="notes-diagram--example-text">David M. Glantz; Jonathan M. House, <em>When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler</em>. University Press of Kansas, 2015, p. 71.</div>
</div>
</div>
<div class="notes-diagram--block notes-diagram--block-4"><strong>NÍVEL 4: NOTAS DE TRABALHO NÃO PUBLICADAS –</strong> Pesquisa de documentação, revisão de fontes conflitantes, verificação de discussões, e seleção racional que existe no banco de dados, mas não está publicada nas notas de fim.</div>
<div class="notes-diagram--footer"><strong>Observação:</strong> códigos das afirmações (como X047) são números de rastreamento interno do processo de pesquisa — leitores podem simplesmente ignorar.</div>
</div>
</div>
<h3 style="margin:2em 0;">A estrutura em quatro níveis de cada nota</h3>
<p>Cada nota final contém vários níveis de informações, embora apenas três sejam visíveis para os leitores.</p>
<h4 style="margin:2em 0;">O que cada nível significa</h4>
<ul>
<li><strong>Nível 1: </strong>Contexto – estrutura interpretativa que explica por que essa evidência é importante</li>
<li><strong>Nível 2: </strong>Afirmação verificável – fatos específicos que podem ser verificados de forma independente</li>
<li><strong>Nível 3: </strong>Fontes – onde verificar os fatos com os números exatos das páginas</li>
<li><strong>Nível 4: </strong>Evidência – metodologia de pesquisa que existe no banco de dados, mas não está publicada</li>
</ul>
<p><strong>Observação sobre a numeração das afirmações:</strong> as afirmações estão numeradas como X001, N002 e assim por diante, mas a numeração não é sequencial (por exemplo: 1, 9, 47). Isso reflete uma abordagem de pesquisa iterativa com várias equipes, na qual algumas afirmações foram mescladas, movidas ou descartadas durante o processo de redação. As lacunas são normais.</p>
<h4 style="margin:2em 0;">Exemplo de nota:</h4>
<p><strong><em>Contexto da afirmação X047</em></strong><em><br>
Os exércitos alemães capturaram um território com 40% da população soviética e 60% da capacidade industrial. Reação: realocar fábricas inteiras sob fogo inimigo.</em></p>
<p><strong><em>Afirmação verificável</em></strong><em><br>
Entre julho e dezembro de 1941, a União Soviética evacuou 1.523 empresas industriais completas para o leste em 1,5 milhão de vagões de trem.</em></p>
<p><strong><em>Fontes:</em></strong><em><br>
David M. Glantz; Jonathan M. House, When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. University Press of Kansas, 2015, p. 71.</em></p>
<h3 style="margin:2em 0;">Seguindo a trilha dos dados – um exemplo simples</h3>
<p><strong>O texto principal afirma:</strong> <strong>Indochina Francesa sofreu 24,05 milhão de mortes</strong></p>
<p><strong>A nota traz:</strong> fontes básicas e contexto</p>
<p><strong>O apêndice explica:</strong></p>
<ul>
<li>Como os 24,05 milhões foram calculados</li>
<li>Por que difere das estimativas ocidentais</li>
<li>Quais fontes foram usadas e por quê</li>
</ul>
<p><em>A seção a seguir fornece o contexto metodológico para os leitores acadêmicos.</em></p>
<h2 style="margin:3em 0;">Parte II: Metodologia e princípios</h2>
<h3 style="margin:2em 0;">Entendendo a metodologia de pesquisa</h3>
<p>Este documento usa uma abordagem de historiografia forense, investigando lacunas e rasuras em registros históricos em vez de simplesmente aceitar narrativas estabelecidas. As notas finais refletem essa metodologia por meio de um sistema que separa a interpretação dos fatos e prioriza as evidências das nações que sofreram as perdas.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Principais inovações metodológicas</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">1. Investigando o apagamento, não apenas registrando eventos</h4>
<p>A pesquisa identifica dois tipos de apagamento:</p>
<ul>
<li><strong>Mortes não contabilizadas</strong>: milhões de pessoas que não constam dos registros convencionais</li>
<li><strong>Evidências ignoradas</strong>: fatos que existem em arquivos, mas que raramente aparecem nas histórias convencionais</li>
</ul>
<h4 style="margin:2em 0;">2. Reenquadramento temporal</h4>
<p>Ao iniciar a Guerra Mundial Antifascista em 1931 (invasão da China pelo Japão) e não em 1939, a metodologia revela oito anos de resistência apagados pela periodização ocidental.</p>
<h4 style="margin:2em 0;">3. Transparência por meio de níveis</h4>
<p>Ao contrário das notas de rodapé tradicionais que misturam tudo, esse sistema de notas:</p>
<ul>
<li>Separa o que é interpretação do que é fato</li>
<li>Metodologia de documentos (mesmo que não publicados)</li>
<li>Permite a verificação em vários níveis</li>
<li>Mostra quando as fontes entram em conflito e explica as escolhas</li>
</ul>
<h3 style="margin:2em 0;">Perguntas de leitura crítica</h3>
<p>Durante a leitura, considere:</p>
<ol>
<li><strong>De quem são as vozes centralizadas?</strong> Observe quando a documentação das nações vítimas têm precedência sobre a de observadores externos.</li>
<li><strong>O que está sendo recuperado?</strong> Muitos dos fatos apresentados existiam em arquivos, mas foram omitidos das narrativas convencionais.</li>
<li><strong>Por que os números são diferentes?</strong> Quando você vê estimativas conflitantes, o apêndice explica qual foi escolhida e por quê.</li>
<li><strong>O que permanece desconhecido?</strong> A metodologia reconhece quando os registros foram destruídos (como na Birmânia) e as evidências não podem ser recuperadas.</li>
</ol>
<h3 style="margin:2em 0;">Priorização de fontes e por que é importante</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">A hierarquia de fontes: uma abordagem holística</h4>
<p>Esta pesquisa considerou sistematicamente várias fontes:</p>
<ol>
<li><strong>Fontes primárias das nações vítimas</strong>: pesquisas do governo chinês, arquivos soviéticos, registros vietnamitas</li>
<li><strong>Bolsas de estudo de países afetados</strong>: historiadores com acesso a arquivos e idiomas locais</li>
<li><strong>Pesquisa internacionais</strong>: relatórios da ONU, tribunais de crimes de guerra</li>
<li><strong>Fontes ocidentais que citam evidências primárias</strong>: trabalhos acadêmicos que documentam adequadamente as fontes originais</li>
<li><strong>Fontes ocidentais para comparação</strong>: para estabelecer o que as narrativas hegemônicas afirmam</li>
</ol>
<h4 style="margin:2em 0;">Por que essa priorização?</h4>
<p>As nações vítimas tiveram melhor acesso direto às informações necessárias para documentar suas próprias perdas. O número de 24,05 milhões de mortes na China vem do historiador Bian Xiuyue, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, cujo livro de 2012 documenta aproximadamente 23,6 milhões de mortes de 1937 a 1945, além da estimativa do autor de 450 mil mortes de 1931 a 1937. Separadamente, a pesquisa de uma década do governo chinês documentou um total de 35 milhões de vítimas (incluindo mortos e feridos). Quando uma pesquisa abrangente sobre a nação-vítima mostra 24,05 milhões de mortes, enquanto as estimativas ocidentais mostram apenas de 14 a 20 milhões, a discrepância revela uma subestimação sistemática na historiografia convencional. A metodologia prioriza estudos rigorosos e pesquisas de países afetados em vez de estimativas externas.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Uso estratégico de admissões de autores de crimes</h3>
<p>Quando os agressores admitem fatos prejudiciais, eles servem como linhas de base conservadoras. Por exemplo, quando os registros do British Colonial Office admitem uma taxa de mortalidade de 10% nas minas de estanho da Nigéria, a taxa real provavelmente é maior. Até mesmo as admissões mínimas revelam uma exploração severa.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Entendendo as estimativas conservadoras</h3>
<p>Ao longo deste trabalho, a metodologia geralmente usa estimativas conservadoras da própria documentação das nações vítimas, embora a abordagem varie com base nas evidências disponíveis e nos desafios de atribuição. Isso significa que:</p>
<ul>
<li>O custo humano real provavelmente foi maior do que o declarado.</li>
<li>Mesmo esses números mínimos revelam um apagamento sistemático.</li>
<li>Os números conservadores normalmente fortalecem os argumentos, mas o processo de seleção reflete as complexidades das evidências.</li>
<li>Quando existem intervalos, a metodologia varia de acordo com o caso: para a África, o uso de 1,6 milhão (de um intervalo de 1,6 a 2 milhões) reflete o desafio de determinar quais mortes são atribuídas principalmente à guerra em comparação com outras causas – uma questão que permanece pouco estudada, apesar da probabilidade quase igual de números mais altos; para a Indochina, o uso de 1,5 milhão reflete a subnotificação documentada; para as Filipinas, o uso de 765 mil (um ponto médio) equilibra as fontes que sugerem números ainda mais altos.</li>
</ul>
<h3 style="margin:2em 0;">A inovação substantiva: conexão de evidências enterradas</h3>
<p>Além das inovações metodológicas, esta pesquisa reúne evidências dispersas e minimizadas em um padrão coerente que revela as estratégias do Ocidente.</p>
<h4 style="margin:2em 0;">Cumplicidade corporativa</h4>
<ul>
<li>Thomas Watson, da IBM, fez amizade com FDR enquanto recebia as medalhas de Hitler e automatizava o Holocausto com sistemas de cartões perfurados.</li>
<li>A General Motors solicitou a redução de impostos para as fábricas de caminhões da Wehrmacht enquanto produzia veículos que invadiram a União Soviética.</li>
<li>Duzentas e cinquenta empresas estadunidenses operavam na Alemanha nazista até 1941.</li>
</ul>
<h4 style="margin:2em 0;">Proteção de criminosos de guerra</h4>
<ul>
<li>Os memorandos secretos de Churchill ordenavam a proteção dos criminosos de guerra do mais alto escalão da Itália, inclusive Badoglio.</li>
<li>MacArthur libertou todos os 3.607 membros da Unidade 731 que torturaram prisioneiros até a morte, pagando-os por seus dados.</li>
<li>Nobusuke Kishi passou de criminoso de guerra a primeiro-ministro em nove anos com a orquestração da CIA.</li>
</ul>
<h4 style="margin:2em 0;">Cálculos estratégicos</h4>
<ul>
<li>Os bombardeios atômicos visaram mais à influência soviética e chinesa do que ao Japão, que já estava derrotado.</li>
<li>A Segunda Frente foi sistematicamente atrasada em 730 dias enquanto a União Soviética sangrava.</li>
<li>O auxílio Lend-Lease revela um cálculo racial: os brancos receberam 442 dólares por pessoa; os não brancos receberam 4,40 dólares por pessoa – uma proporção de 101:1.</li>
</ul>
<h4 style="margin:2em 0;">A aritmética da taxa de mortalidade</h4>
<ul>
<li>Forças socialistas: 59,8% de todas as mortes na Guerra Mundial Antifascista</li>
<li>Povos colonizados: 13,1% das mortes</li>
<li>Anglo-estadunidenses: 1% das mortes</li>
<li>Esse padrão continuou na Coreia (92% de mortes de coreanos/chineses) e no Vietnã (98% de mortes do sudeste asiático)</li>
</ul>
<p>Esses fatos documentados, geralmente dispersos em arquivos especializados e minimizados nas histórias tradicionais, são reunidos aqui com citações completas. As notas finais não fornecem apenas fontes, elas revelam um padrão sistemático de cumplicidade que as narrativas convencionais tentam obscurecer.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Entendendo a estrutura do anexo</h3>
<p>O apêndice oferece total transparência por meio de três seções:</p>
<h4 style="margin:2em 0;">Seção 1: Tabelas de dados e fontes dos números</h4>
<p>Apresentação limpa dos dados conforme aparecem no texto principal, com atribuição da fonte.</p>
<h4 style="margin:2em 0;">Seção 2: Notas metodológicas</h4>
<p>Explicações detalhadas sobre:</p>
<ul>
<li>Como os cálculos foram realizados</li>
<li>Por que determinadas fontes foram escolhidas em detrimento de outras</li>
<li>Como as estimativas conflitantes foram resolvidas</li>
<li>Que suposições foram feitas e por quê</li>
<li>Princípios de estimativa conservadora</li>
</ul>
<h4 style="margin:2em 0;">Seção 3: Excertos da fonte de dados</h4>
<p>Tabelas originais reproduzidas exatamente como aparecem nas fontes primárias, permitindo que os leitores verifiquem todos os cálculos por conta própria.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Parte III: Infraestrutura de pesquisa e infraestrutura técnica: gerenciamento de citações com força industrial</h2>
<p><em>Para pesquisadores interessados em replicar a metodologia ou compreender o escopo completo das descobertas</em>.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Resumo</h3>
<p>Esta seção documenta uma nova infraestrutura de pesquisa que combina o Zotero com <em>software </em>suplementar e práticas de desenvolvimento para gerenciar mais de 200 afirmações e mais de 400 citações em uma equipe de pesquisa distribuída globalmente. O sistema aplica a mesma separação de quatro níveis definida na Parte I (aqui apresentada a partir de uma perspectiva de fluxo de trabalho: interpretação, fatos, fontes, metodologia) e mantém trilhas de verificação completas.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Arquitetura do sistema</h3>
<p><strong>Componentes principais</strong></p>
<ol>
<li><strong>Zotero no nível dos dados</strong></li>
</ol>
<ul>
<li>Itens de caso: armazenar afirmações com notas estruturadas de quatro níveis</li>
<li>Somente itens da seção de livros: cada citação requer números de página específicos</li>
<li>Itens do mapa: relatórios de pesquisa compartilhados e documentação de metodologia</li>
<li>Estrutura plana de repositório: numeração sequencial (80WAFW-001 a 80WAFW-999)</li>
</ul>
<ol start="2">
<li><strong>Separação em quatro níveis</strong></li>
</ol>
<ul>
<li>Nível 1: Contexto (interpretativo) → publicado</li>
<li>Nível 2: Afirmação verificável (factual) → publicada</li>
<li>Nível 3: Fontes (citações) → publicadas</li>
<li>Nível 4: Evidências (metodologia e verificação) → arquivadas</li>
</ul>
<ol start="3">
<li><strong>Infraestrutura de verificação</strong></li>
</ol>
<ul>
<li>Verificação inicial assistida por <em>software </em>(detecção de padrões em escala)</li>
<li>Revisão humana pareada obrigatória (captura vieses sistemáticos)</li>
<li>Rastreamento com código de cores (marcadores nas cores verde, laranja, amarelo e vermelho)</li>
<li>Exigência de consenso antes da aprovação</li>
<li>Trilha de auditoria completa no nível 3</li>
</ul>
<h3 style="margin:2em 0;">Principais inovações técnicas</h3>
<p><strong>Arquitetura somente para seções de livros</strong></p>
<p>Cada citação de livro é uma seção de livro completa com metadados completos. Benefícios:</p>
<ul>
<li>Registros independentes (sem falhas de dependência)</li>
<li>O código do <em>software </em>de criação de bibliografia elimina automaticamente a duplicação</li>
<li>Caminhos de exportação/importação mais simples</li>
<li>Cada citação está vinculada a várias afirmações por meio do campo Extra</li>
</ul>
<p><strong>Modelos de notas estruturadas</strong></p>
<p>Cada item do caso requer uma nota com uma estrutura exata:</p>
<ul>
<li>ID da afirmação: X001</li>
<li>Nome da afirmação: [descritivo]</li>
<li>Contexto da afirmação: [Nível 1 — interpretativo]</li>
<li>Afirmação verificável: [Nível 2 — factual]</li>
<li>Fontes da afirmação: [Nível 3 — citações].</li>
<li>Evidência da afirmação: [Nível 4 — metodologia].</li>
<li>Nota de verificação: [documentação de revisão emparelhada]</li>
<li>Informações adicionais: [opcional]</li>
</ul>
<h3 style="margin:2em 0;">Canalização de <em>software</em></h3>
<p><strong>Infraestrutura de exportação</strong></p>
<ul>
<li>Zotero → CSV (v63 script): extrai a estrutura de quatro níveis e gera a formatação de notas no estilo Chicago</li>
<li>CSV → Word (VBA v64): manuseio de UTF-8, fallback DOCX, notas finais prontas para publicação</li>
</ul>
<p><strong>Estratégia de controle de versão</strong></p>
<ul>
<li>Máquina de <em>backup </em>dedicada com <em>snapshots</em></li>
<li>Exportações de RDF em nível de coleção</li>
<li>Coleções de itens descartados (nunca excluir)</li>
<li>Rastreamento de metadados externos em planilhas, arquivos json e markdown.</li>
</ul>
<p><strong>Processo de revisão</strong></p>
<ul>
<li>Os sistemas assistidos por <em>software </em>permitem quatro rodadas de revisão de afirmações e citações para abordar os diversos fatos e interpretações conflitantes. Cada rodada incluiu uma extensa revisão pelos pesquisadores.</li>
</ul>
<h3 style="margin:2em 0;">Requisitos de implementação</h3>
<p><strong>Grupo técnico</strong></p>
<ul>
<li>Zotero 6+ com Better BibTeX</li>
<li>js para scripts de exportação</li>
<li>Excel ou LibreOffice para manipulação de CSV</li>
<li>Word com suporte a VBA</li>
<li>Armazenamento em nuvem para repositório de PDF</li>
</ul>
<h3 style="margin:2em 0;">Conclusão</h3>
<p>Essa metodologia demonstra como a pesquisa histórica pode se beneficiar das práticas recomendadas de desenvolvimento de <em>software </em>e, ao mesmo tempo, manter o rigor acadêmico. A arquitetura de quatro níveis permite que as equipes desafiem as narrativas estabelecidas por meio de pesquisas sistemáticas, transparentes e reproduzíveis.</p>
<p><strong>Principais conclusões para os pesquisadores:</strong></p>
<ul>
<li>A separação das preocupações (interpretação, fatos, fontes, metodologia) melhora a clareza</li>
<li>Os dados estruturados permitem a verificação em escala</li>
<li>Múltiplos estágios de revisão capturam vieses sistemáticos</li>
<li>A avaliação abrangente da fonte fortalece as afirmações</li>
<li>Trilhas de auditoria completas embasam descobertas controversas</li>
</ul>
<p>O investimento em infraestrutura paga dividendos quando produzem pesquisas que desafiam a historiografia dominante.<a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>1</sup></a></p>
<h3 class="single-post--content--citations-title fwafw--img-header fwafw--img-header--endnotes" style="margin:2em 0;"><span class="fwafw--img-header-text">Notas</span></h3>
<div class="lcm-endnotes">
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref1" name="_edn1"><sup>1</sup></a> Contexto da afirmação X001</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A periodização ocidental (1939–1945) apaga oito anos de resistência chinesa. O Japão invadiu o Nordeste da China em 1931, com a guerra em grande escala começando em 1937. A China lutou sozinha, exceto pela ajuda soviética, enquanto o Ocidente negociava com o Japão.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A Guerra Mundial Antifascista começou em 18 de setembro de 1931 com a invasão do Nordeste da China pelo Japão, não em 1 de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Overy, Richard. Blood and Ruins: The Great Imperial War, 1931–1945. London: Penguin, 2023.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref2" name="_edn2"><sup>2</sup></a> Contexto da afirmação X003</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Doze anos após a intervenção imperialista não ter conseguido estrangular o poder soviético, a URSS reconheceu que o cerco capitalista inevitavelmente tentaria outra guerra de aniquilação contra o socialismo.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Stalin declarou em 4 de fevereiro de 1931: “Estamos cinquenta ou cem anos atrás dos países avançados. Devemos encurtar essa distância em dez anos. Ou fazemos isso, ou sucumbiremos”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Stalin, J. V. “The Tasks of Business Executives”. In J. V. Stalin Collected Works, v. 13. Foreign Languages Publishing House, 1954.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref3" name="_edn3"><sup>3</sup></a> Contexto da afirmação X009</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os EUA forneceram 90% da sucata de aço do Japão até 1940. O metal estadunidense se tornou caças, encouraçados e balas para matar chineses. O comércio continuou três anos após o início da invasão em grande escala.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os EUA forneceram 90% das importações de sucata de metal do Japão entre 1937 e 1940, milhões de toneladas se tornando armas usadas contra a China.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Feis, Herbert. The Road to Pearl Harbor: The Coming of the War Between the United States and Japan. Princeton University Press, 1950.</div>
<div class="citation">Cohen, Jerome B. Japan’s Economy War and Reconstruction. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1949.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X223</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Bancos ocidentais mantiveram suas operações no Japão por uma década inteira após a invasão da China em 1931. Apesar da agressão crescente do Japão – desde a ocupação da Manchúria (1931) até a guerra em grande escala contra a China (1937) – instituições como o Hongkong and Shanghai Banking Corporation continuaram operando filiais em Yokohama, Kobe e Nagasaki. Essas instituições financeiras ocidentais só cessaram operações em dezembro de 1941, quando as autoridades japonesas fecharam à força os escritórios de bancos britânicos, holandeses e estadunidenses após Pearl Harbor.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os principais bancos ocidentais operaram continuamente no Japão desde a invasão da China em 1931 até 1941 – uma década inteira mantendo operações financeiras durante a agressão militar japonesa contra a China.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Tschoegl, Adrian E. “Foreign Banks in Japan”. BOJ Monetary and Economic Studies 6, n. 1, 1988.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref4" name="_edn4"><sup>4</sup></a> Contexto da afirmação X008</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os EUA forneceram 80% do petróleo do Japão até 1941 – combustível para aviões que bombardeavam cidades chinesas. Mesmo após o Massacre de Nanjing (300 mil mortos) e o bombardeio terrorista de Chongqing, as vendas de petróleo continuaram sem interrupções.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os EUA forneceram 80% das importações de petróleo do Japão entre 1937 e agosto de 1941, incluindo gasolina de aviação essencial para bombardear cidades chinesas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Anderson, Irvine H. The Standard-Vacuum Oil Company and United States East Asian Policy, 1933–1941. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1975.</div>
<div class="citation">Qi, Shirong [齐世荣]. ‘绥靖政策研究 [Research on Appeasement Policy]’, in: 绥靖政策研究 [Research on Appeasement Policy]. Beijing Normal University Press [首都师范大学出版社], 1998.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref5" name="_edn5"><sup>5</sup></a> Contexto da afirmação N025.</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Em 1941, 250 corporações estadunidenses operavam na Alemanha nazista – após a Noite dos Cristais (1938) e após a Alemanha invadir a Polônia (1939). Eles sabiam sobre os campos de concentração e, mesmo assim, mantiveram as operações.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em 1941, 250 corporações estadunidenses mantiveram operações na Alemanha nazista, incluindo IBM (logística do Holocausto), GM (caminhões da Wehrmacht), Ford (veículos militares) e ITT (aviões Focke-Wulf).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Sampson, Anthony. The Sovereign State of ITT. Connecticut: Fawcett Publications, Inc., 1974.</div>
<div class="citation">Black, Edwin. IBM and the Holocaust: The Strategic Alliance Between Nazi Germany and America’s Most Powerful Corporation, Expanded edition. Washington, DC: Dialog Press, 2012.</div>
<div class="citation">Wallace, Max. The American Axis. New York: St. Martin’s, 2005.</div>
<div class="citation">“Business and industry the Nazi Germany”, in: Nicosia, Francis R. (ed.), Business and industry the Nazi Germany. New York: Berghahn Books, 2004.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref6" name="_edn6"><sup>6</sup></a> Contexto da afirmação N020.</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A subsidiária Dehomag da IBM era o único fornecedor de processamento de dados da Alemanha antes de 1933. Sob o Terceiro Reich, essa relação comercial tornou-se uma participação ativa no genocídio, com cada aspecto gerenciado detalhadamente da sede da IBM em Nova York.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A IBM forneceu sistemas de cartões perfurados Hollerith projetados sob medida usados para identificar judeus por meio de dados censitários, organizar transportes de trem e gerenciar prisioneiros de campos de concentração.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Black, Edwin. IBM and the Holocaust: The Strategic Alliance Between Nazi Germany and America’s Most Powerful Corporation, Expanded edition. Washington, DC: Dialog Press, 2012.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref7" name="_edn7"><sup>7</sup></a> Contexto da afirmação N022</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A subsidiária Opel da GM era o maior fabricante de veículos da Alemanha nazista. O caminhão Opel Blitz era o principal meio de transporte da Wehrmacht. A GM coletou lucros através da Suíça enquanto soldados estadunidenses morriam lutando.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A Opel da GM produziu o principal veículo de transporte da Wehrmacht, o caminhão Opel Blitz, fabricando 130 mil unidades enquanto utilizava trabalho forçado e escravo.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Bartels, Eckhart. Opel Military Vehicles, 1906–1956. Atglen: Schiffer Publishing, 1997.</div>
<div class="citation">Wallace, Max. The American Axis. New York: St. Martin’s, 2005.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref8" name="_edn8"><sup>8</sup></a> Contexto da afirmação N023</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Duas décadas antes do “isolacionismo” em relação a Hitler, os EUA enviaram pelo menos 11.500 soldados para a Rússia (1918-1920), lutando diretamente contra o Exército Vermelho com 424 mortes em combate, enquanto forneciam 50 milhões de dólares para os exércitos brancos.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os EUA enviaram 11.500 soldados para a Rússia (1918-1920): 4.500 para Arkhangelsk e 7 mil para Vladivostok. Mortes em combate: 424. Ajuda militar para os exércitos brancos: 50 milhões de dólares.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Foglesong, David S. America’s Secret War Against Bolshevism: US Intervention the Russian Civil War, 1917–1920. Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 1995.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref9" name="_edn9"><sup>9</sup></a> Contexto da afirmação N024</div>
<div class="claim-content context-content"><i>No mesmo ano em que Hitler assumiu o poder (1933), Roosevelt elogiou Mussolini por restaurar a Itália. Política dos EUA: preferir regimes fascistas a potenciais movimentos socialistas. Isso precedeu a colaboração corporativa com os nazistas.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Roosevelt afirmou em 1933: “Estou profundamente impressionado com o que [Mussolini] realizou e com seu evidente propósito honesto de restaurar a Itália”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Schmitz, David F. Thank God They’re on Our Side: The United States and Right-Wing Dictatorships, 1921–1965. Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 1999.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref10" name="_edn10"><sup>10</sup></a> Contexto da afirmação X011</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O eterno anticomunismo de Churchill definiu sua carreira. Em 1919, ele autorizou armas químicas contra o Exército Vermelho. Em 1945, ele planejou a Operação Impensável – usando forças da Wehrmacht contra a URSS. A aliança de guerra foi apenas tática.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Churchill afirmou em 28 de junho de 1954: “Se eu tivesse sido devidamente apoiado em 1919, acho que poderíamos ter estrangulado o bolchevismo em seu berço, mas todos levantaram as mãos e disseram: “Que chocante!”’</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Hillsdale College. “Bolshevism: “Foul Baboonery…Strangle at Birth””. The Churchill Project, 11 mar. 2016. <a href="https://winstonchurchill.hillsdale.edu/bolshevism/#_ftnref3">https://winstonchurchill.hillsdale.edu/bolshevism/#_ftnref3</a>.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X131</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Churchill autorizou dispositivos M contendo difenilamina clorarsina (gás DM) contra os bolcheviques em 1919; 50 mil foram enviados para Arkhangelsk. O mesmo homem que mais tarde condenou a barbárie nazista usou armas químicas primeiro.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Como secretário da guerra, Churchill autorizou armas químicas contra os bolcheviques em 1919; os britânicos implantaram 50 mil dispositivos M contendo gás DM em Arkhangelsk.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">National Churchill Museum. “Churchill’s 1919 War Office Memorandum”. America’s National Churchill Museum, 12 maio 1919. <a href="https://www.nationalchurchillmuseum.org/churchills-1919-war-office-memorandum.html">https://www.nationalchurchillmuseum.org/churchills-1919-war-office-memorandum.html</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref11" name="_edn10"><sup>11</sup></a> Contexto da afirmação X132</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Apenas oito dias após a morte de Hitler morto, Churchill planejou atacar a URSS com unidades da Wehrmacht – a Operação Impensável usaria soldados nazistas para lutar contra o aliado de ontem. O anticomunismo superou o antifascismo em uma semana.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em maio de 1945, Churchill ordenou o planejamento da Operação Impensável: um ataque surpresa às forças soviéticas usando tropas britânicas, estadunidenses e da Wehrmacht rearmadas programadas para 1 de julho de 1945.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">The National Archives. “Operation Unthinkable”. Text. The National Archives, 2 maio 2020, <a href="https://www.nationalarchives.gov.uk/education/resources/cold-war-on-file/operation-unthinkable/">https://www.nationalarchives.gov.uk/education/resources/cold-war-on-file/operation-unthinkable/</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref12" name="_edn12"><sup>12</sup></a> Contexto da afirmação N009</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A liderança de Churchill durante a guerra foi moldada por uma visão de mundo racista que retratava os indianos como biologicamente inferiores, influenciando diretamente sua recusa em fornecer ajuda durante a Fome de Bengala. Amery escreveu que não via muita diferença entre as ideias de Churchill e Hitler.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Churchill disse a Amery: “Eu odeio os indianos. Eles são um povo bestial com uma religião bestial”, e culpou os indianos que “se reproduzem como coelhos” pela fome que matou 3 milhões.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mukerjee, Madhusree. Churchill’s Secret War: The British Empire and the Ravaging of India During World War II. New York: Basic Books, 2010.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref13" name="_edn13"><sup>13</sup></a> Contexto da afirmação X014</div>
<div class="claim-content context-content"><i>As ideias de Churchill sobre raça chocavam seu próprio gabinete. Em discussões sobre a Fome de Bengala – na qual 3 milhões morreram – seu secretário de Estado para a Índia comparou a visão de Churchill à de Hitler em seu diário particular.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Após o ataque de Churchill à Índia, Leo Amery escreveu em seu diário: “Eu não pude deixar de dizer a ele que não via muita diferença entre sua visão e a de Hitler”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mukerjee, Madhusree Churchill’s Secret War: The British Empire and the Ravaging of India During World War II. New York: Basic Books, 2010.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref14" name="_edn14"><sup>14</sup></a> Contexto da afirmação X016</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Stalingrado (agosto de 1942–fevereiro de 1943) e Kursk (julho de 1943) quebraram permanentemente o poder ofensivo da Wehrmacht. O Dia D ocorreu em junho de 1944 – após a guerra já ter sido decidida. O Exército Vermelho engajou 165½ divisões em comparação com as 36 dos Aliados.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A capacidade ofensiva da Wehrmacht foi destruída em Stalingrado (2 de fevereiro de 1943) e Kursk (23 de agosto de 1943). O Dia D (6 de junho de 1944) ocorreu 11 meses após essas derrotas decisivas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X133</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Foi prometido a Stalin uma Segunda Frente em 1942; ela foi entregue em junho de 1944 – com um atraso de 730 dias. Neste período vieram Stalingrado e Kursk: 20 milhões de baixas soviéticas. O Dia D veio depois que a Wehrmacht já estava quebrada. Traição calculada.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os Aliados Ocidentais prometeram uma Segunda Frente para 1942, cumprida no Dia D (6 de junho de 1944) – com 730 dias de atraso; os soviéticos enfrentaram 80% da Wehrmacht sozinhos durante este período.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Kolko, Gabriel. The Politics of War: The World and United States Foreign Policy, 1943–1945. New York: Pantheon Books, 1990.</div>
<div class="citation">Stalin, J. V. “Memorandum in Russian from Joseph Stalin about Opening a Second Front in Europe during World War II, with English Translation of Same”. 13 ago. 1942. Library of Congress, Manuscript Division. <a href="https://www.loc.gov/item/mcc.077/">https://www.loc.gov/item/mcc.077/</a>.</div>
<div class="citation">Churchill, Winston S. “The Second World War: The Hinge of Fate”. In: The Second World War, v. 4. Cassell, 1951.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref15" name="_edn15"><sup>15</sup></a> Contexto da afirmação N039</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Logo após a Revolução de Outubro, as potências aliadas intervieram militarmente para derrubar os bolcheviques, com as forças britânicas apoiando o exército branco na guerra civil russa. Quando essa intervenção fracassou os estrategistas geopolíticos britânicos desenvolveram um arcabouço político de longo prazo que moldou a estratégia com relação à Alemanha e à URSS para as duas décadas seguintes.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O teórico da geopolítica Halford Mackinder, nomeado como alto comissário para o Sul da Rússia em 1919 para organizar o apoio ao exército branco, após o fracasso da intervenção recomendou que o rearmamento da Alemanha era essencial como baluarte contra o controle bolchevique da Europa oriental. O economista Thortstien Veblen notou que o Tratado de Versalhes era, fundamentalmente, “um pacto para a redução da Rússia soviética”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Blouet, Brian W. Halford Mackinder: A Biography. Texas A&amp;M University Press, 1987.</div>
<div class="citation">Foster, John Bellamy. ‘Revolution and Counterrevolution, 1917–2017’, Monthly Review 69, no. 03 (2017), <a href="https://monthlyreview.org/articles/revolution-and-counterrevolution-1917%E2%80%932017/">https://monthlyreview.org/articles/revolution-and-counterrevolution-1917–2017/</a>.</div>
<div class="citation">Veblen, Thorstein. Essays in Our Changing Order. New York: Viking Press, 1934.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref16" name="_edn16"><sup>16</sup></a> Contexto da afirmação X134</div>
<div class="claim-content context-content">A Grã-Bretanha enviou o Almirante Drax a Moscou por um navio mercante que demorava seis dias sem uma autorização por escrito para negociar; o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Ribbentrop, voou para Moscou. Depois, em 28 de setembro de 1939, uma segunda rodada de negociações foi conduzida novamente a Moscou. O ministro das Relações Exteriores soviético, Viatcheslav Molotov, só foi a Berlim de trem em novembro de 1940. O Pacto Molotov-Ribbentrop foi assinado enquanto Drax ainda estava conversando.</div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A Grã-Bretanha enviou o Almirante Drax a Moscou por um navio mercante (partiu em 5 de agosto, chegou em 11 de agosto de 1939) sem credenciais escritas ou autoridade de negociação.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Carley, Michael Jabara. 1939: The Alliance That Never Was and the Coming of World War II. Chicago, IL: Ivan R. Dee Publisher, 1999.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref17" name="_edn17"><sup>17</sup></a> Contexto da afirmação N037</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O secretário de relações exteriores Lord Halifax escreveu uma introdução a The British Case [O caso britânico], um panfleto de 1939 de autoria de Lord Lloyd de Dolobran, subscrito pelo governo. O panfleto revelou como a classe dominante britânica via o pacto de Stalin com Hitler como uma traição à causa anticomunista.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em uma reunião com Hitler em novembro de 1937, o ministro das Relações Exteriores Halifax elogiou a Alemanha nazista como um “baluarte do Ocidente contra o bolchevismo”. Em um panfleto posterior de 1939, endossado pelo governo, Lord Lloyd de Dolobran identificou a “apostasia final” de Hitler não como sua invasão da Polônia, mas como sua assinatura do pacto germano-soviético – “a traição da Europa”</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Leibovitz, C. et al., The Chamberlain-Hitler Collusion. New York: Monthly Review Press, 1997.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref18" name="_edn18"><sup>18</sup></a> Contexto da afirmação N043</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, em agosto de 1939, deu início a um período de 22 meses de uma intensa preparação soviética. O pacto permitiu à URSS expandir suas fronteiras 200 a 300 quilômetros para oeste, ocupando o leste da Polônia e partes da Finlândia, criando uma zona tampão territorial. Durante esse período, a URSS mais do que triplicou o número de soldados do seu exército, aumentou drasticamente a produção de tanques, incluindo o novo T-34, e começou a transferir indústrias essenciais para os Urais – uma manobra estratégica percebida pelos adidos militares dos EUA antes da invasão.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A escala e a natureza desse aumento indicam que a União Soviética estava envolvida em uma mobilização militar e industrial deliberada e pré-planejada, especificamente em preparação para uma grande guerra. Nos 22 meses seguintes (setembro de 1939 a meados de junho de 1941), a União Soviética mais do que triplicou seu exército, passando de 1,6 para 5,3 milhões, dobrou sua produção de tanques, passando de 2.794 unidades em 1940 para 6.590 em 1941 (incluindo 1.225 T-34s), e transferiu indústrias inteiras para o leste. Adidos dos EUA relataram transferências industriais em massa para os Urais no final de 1940, antes da invasão. A URSS expandiu suas fronteiras 200-300 quilômetros para oeste, trocando espaço por tempo. Stalin sabia que a guerra estava chegando.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Werth, Alexander. Russia at War, 1941–1945: A History. New York: Skyhorse Publishing Company, Incorporated, 2017.</div>
<div class="citation">Beevor, Antony. The Second World War. London: Weidenfeld &amp; Nicolson, 2012.</div>
<div class="citation">Glantz, David. Barbarossa Derailed: The Battle for Smolensk. Solihull: Helion &amp; Company, 2010.</div>
<div class="citation">Glantz, David M.; House, Jonathan M. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence: University Press of Kansas, 2015.</div>
<div class="citation">Glantz, David M. Stumbling Colossus: The Red Army on the Eve of World War. Lawrence: University Press of Kansas, 1998.</div>
<div class="citation">Pauwels, Jacques R. The Myth of the Good War: America in the Second World War. Toronto: Lorimer, 2017.</div>
<div class="citation">Harrison, Mark. Accounting for War: Soviet Production, Employment, and the Defence Burden, 1940–1945. Cambridge University Press, 1996.</div>
<div class="citation">Zaloga, Steven J. T-34/76 Medium Tank 1941–45. Oxford: Osprey Publishing, 1994.</div>
<div class="citation">Dunn, Walter S. The Soviet Economy and the Red Army, 1930–1945. Westport: Praeger Publishers, 1995.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref19" name="_edn19"><sup>19</sup></a> Contexto da afirmação X200</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Maio de 1940: O Secretário de Relações Exteriores Halifax queria um acordo com Hitler por meio de Mussolini. Os termos: A Grã-Bretanha mantém o império, a Alemanha obtém a Europa. Churchill quase não conseguiu impedir isso. Uma votação apertada quase deu aos nazistas o continente.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Lord Halifax propôs uma paz negociada com a Alemanha de 26 a 28 de maio de 1940, usando Mussolini como intermediário; Churchill derrotou a proposta no Gabinete de Guerra por uma margem estreita.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Dunton, Mark. “Vital Words of Hope, 26 May 1940”. UK Government. The National Archives, 26 maio 2020. <a href="https://webarchive.nationalarchives.gov.uk/ukgwa/20250613144333/https://blog.nationalarchives.gov.uk/vital-words-of-hope-26-may-1940/">https://webarchive.nationalarchives.gov.uk/ukgwa/20250613144333/https://blog.nationalarchives.gov.uk/vital-words-of-hope-26-may-1940/</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref20" name="_edn20"><sup>20</sup></a> Contexto da afirmação N012</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A invasão alemã visava não apenas centros políticos, mas também centros econômicos, com o petróleo como objetivo principal.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O Cáucaso produzia 25,4 milhões de toneladas de petróleo anualmente – 80% da produção soviética – enquanto a Alemanha operava com 3,1 meses de reservas no início da invasão.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Agayev, Vagif [Вагиф Агаев], Fuad Akhundov [Фуад Ахундов], Aliyev Fikrat T. [Фикрет Алиев], and Mikhail Agarunov [Михаил Агарунов]. “World War II and Azerbaijan”. Azerbaijan International Magazine, 1995.</div>
<div class="citation">Hayward, Joel. “Too Little, Too Late: An Analysis of Hitler’s Failure in August 1942 to Damage Soviet Oil Production”. Journal of Military History 64, n. 3, 2000.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação N017</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Alemanha invadiu a URSS com 3,1 meses de reservas de petróleo. O plano: capturar os campos de petróleo do Cáucaso até o outono de 1941. A realidade: a Wehrmacht ficou parada a 50 km de Grozny. O resultado: as tropas alemãs tiveram que abandonar seus veículos e recorrer a cavalos.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A Alemanha lançou a Operação Barbarossa com 3,1 meses de reservas de petróleo, exigindo a captura dos campos de petróleo soviéticos até o outono de 1941 para evitar uma catastrófica escassez de combustível.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Ericson, Edward E. Feeding the German Eagle: Soviet Economic Aid to Nazi Germany, 1933–1941 (Westport: Praeger Publishers, 1999), <a href="http://archive.org/details/edward-e.-ericson-feeding-the-german-eagle-soviet-economic-aid-to-nazi-germany-1">http://archive.org/details/edward-e.-ericson-feeding-the-german-eagle-soviet-economic-aid-to-nazi-germany-1</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref21" name="_edn21"><sup>21</sup></a> Contexto da afirmação X018</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Em 22 de junho de 1941, a Alemanha mobilizou 151 divisões (mais de 3 milhões de tropas) contra a URSS, mas manteve 49 divisões na Europa Ocidental e na Noruega. A resistência da Grã-Bretanha imobilizou de 20 a 24% da Wehrmacht – a URSS enfrentou de 72 a 80%.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em 22 de junho de 1941, a Alemanha estacionou 49 divisões na Europa Ocidental e na Noruega enquanto mobilizava 151 divisões (3 milhões de soldados) para a Operação Barbarossa.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mueller-Hillebrand, Burkhart. Das Heer 1933–1945: Entwicklung des organisatorischen Aufbaues. Band II: Die Blitzfeldzüge 1939–1941 [The Army 1933–1945: Development of the Organisational Structure. v. II: The Blitz Campaigns 1939–1941]. Frankfurt am Main: E.S. Mittler &amp; Sohn, 1956.</div>
<div class="citation">Glantz, David. Barbarossa Derailed: The Battle for Smolensk. Solihull: Helion &amp; Company, 2010.</div>
<div class="citation">Imperial War Museums. “Operation ‘Barbarossa’ And Germany’s Failure in the Soviet Union”. <a href="https://www.iwm.org.uk/history/operation-barbarossa-and-germanys-failure-in-the-soviet-union">https://www.iwm.org.uk/history/operation-barbarossa-and-germanys-failure-in-the-soviet-union</a>. Acesso em: 26 set. 2025</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref22" name="_edn22"><sup>22</sup></a> Contexto da afirmação X084</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O posicionamento das forças alemãs revela a Frente Oriental como o teatro decisivo da guerra. Hitler considerava a União Soviética o inimigo natural da Alemanha Nazista e sua conquista um objetivo estratégico chave. A invasão, a Operação Barbarossa, foi o principal local de agressão fascista, onde a Wehrmacht deslocou suas melhores unidades, os comandantes mais experientes e a força máxima. Para a invasão inicial em 1941, a Alemanha empenhou 80% de seu exército no Leste.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">No lançamento da Operação Barbarossa em junho de 1941, a Alemanha destacou aproximadamente 153 divisões na Frente Oriental, representando cerca de 80% da força total da Wehrmacht. Em contraste, 49 divisões – aproximadamente 24% de suas forças – foram mantidas para funções de guarnição e defesa na Europa Ocidental e na Noruega.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mueller-Hillebrand, Burkhart. Das Heer 1933–1945: Entwicklung des organisatorischen Aufbaues. Band II: Die Blitzfeldzüge 1939–1941 [The Army 1933–1945: Development of the Organisational Structure. v. II: The Blitz Campaigns 1939–1941]. Frankfurt am Main: E.S. Mittler &amp; Sohn, 1956.</div>
<div class="citation">Glantz, David. Barbarossa Derailed: The Battle for Smolensk., Solihull: Helion &amp; Company, 2010.</div>
<div class="citation">Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.</div>
<div class="citation">Glantz, David M. “The Soviet-German War 1941–1945: Myths and Realities: A Survey Essay”. Clemson University, 11 out. 2001.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref23" name="_edn23"><sup>23</sup></a> Contexto da afirmação N034</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Campanha do Norte da África (1940-1943): As ordens operacionais do Afrika Korps da Wehrmacht especificavam a captura do Canal de Suez e o controle do petróleo do Oriente Médio; as ordens do Oitavo Exército Britânico focavam na defesa das rotas de suprimento imperial e dos territórios coloniais. Nenhuma ordem operacional de nenhum dos lados mencionou a libertação das populações africanas.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Churchill disse ao Parlamento em 10 de novembro de 1942: “Eu não me tornei o Primeiro-Ministro do Rei para liquidar o Império Britânico”. Após a vitória dos Aliados no Norte da África, o domínio colonial continuou inalterado – a França manteve a Argélia até 1962 (1,5 milhão de mortos na guerra de independência), e a Grã-Bretanha manteve o controle do Egito até a Crise de Suez de 1956.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Jackson, Ashley. The British Empire and the Second World War. London: Hambledon Continuum, 2006.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref24" name="_edn24"><sup>24</sup></a> Contexto da afirmação X201</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Antecipando a guerra inevitável com a Alemanha fascista, a União Soviética empreendeu uma enorme expansão militar apesar das restrições econômicas. A preparação provou ser exatamente suficiente para sobreviver à catástrofe inicial e permitir a recuperação.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Entre janeiro de 1938 e junho de 1941, o Exército Vermelho aumentou seu efetivo de soldados de 1,5 milhão para mais de 5 milhões – uma expansão de 233% na força em tempos de paz.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref25" name="_edn25"><sup>25</sup></a> Contexto da afirmação X043</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O KMT alegou ter 6 milhões de soldados em 1941, mas muito menos estavam bem organizados e sob controle central. Chiang Kai-shek manteve as melhores divisões em reserva contra os comunistas, não contra os japoneses. Os senhores da guerra regionais e as forças do PCCh representavam cerca de metade do total das forças organizadas.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Uma pesquisa acadêmica de 2019 sobre história militar chinesa estimava que o KMT possuía 6 milhões de soldados no verão de 1941, sendo que apenas 300 a 400 mil estavam mobilizados e sob o comando direto de Chiang Kai-shek.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Chen, Mo [陈默], Wang Qisheng [王奇生], Bu Ping [步平], and Wang Jianlang [王建朗]. 中国抗日战争史 [A History of the Chinese War of Resistance Against Japanese Aggression]’, in: in 中国抗日战争史 [A History of the Chinese War of Resistance Against Japanese Aggression], ed. Bu Ping [步平] and Wang Jianlang [王建朗], v. 4. Beijing: Social Sciences Academic Press [社会科学文献出版社], 2019.</div>
<div class="citation">Sherry, Mark D. China Defensive: July 1942–4 May 1945. CMH Pub 72–38. US Army Campaigns of World War II. US Army Center of Military History, 1996.</div>
<div class="citation">Schaller, Michael. The U.S. crusade China: 1938–1945. New York: Columbia University Press, 1979.</div>
<div class="citation">Kraus, Theresa L. China Offensive May – 2 September 1945. CMH Pub 72–39. US Army Campaigns of World War II. US Army Center of Military History, 1996.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref26" name="_edn26"><sup>26</sup></a> Contexto da afirmação X228</div>
<div class="claim-content context-content"><i>As forças do PCCh cresceram 23 vezes através da estratégia de guerra popular, provando a superioridade da mobilização revolucionária sobre os exércitos convencionais. Esse crescimento – e não a ajuda dos EUA – determinou a libertação da China.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O exército do povo, dirigido pelo Partido Comunista da China (PCCh) aumentou seu efetivo de 56 mil soldados em 1937 para aproximadamente 440 mil em 1941 e 1,32 milhão em 1945.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mitter, Rana. Forgotten Ally: China’s World War II, 1937–1945. Boston, MA: Houghton Mifflin Harcourt, 2018.</div>
<div class="citation">Xinhua News Agency [新华社]. “永远做中华民族文明成果与人类和平事业的捍卫者 – 写在中国人民抗日战争暨世界反法西斯战争胜利80周年之际 [Always Be a Defender of the Achievements of Chinese Civilization and the Cause of Human Peace – Written on the Occasion of the 80th Anniversary of the Victory of the Chinese People’s War of Resistance Against Japanese Aggression and the World Anti-Fascist War]”. Government Website. The Supreme People’s Procuratorate of the People’s Republic of China [中华人民共和国最高人民检察院], 29 ago. 2025. <a href="https://www.spp.gov.cn/spp/tt/202508/t20250829_704946.shtml">https://www.spp.gov.cn/spp/tt/202508/t20250829_704946.shtml</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref27" name="_edn27"><sup>27</sup></a> Contexto da afirmação N001</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Enquanto as potências ocidentais forneciam ao Japão 80% de seu petróleo e 90% de seu aço após a invasão de 1937, a União Soviética era a única grande potência fornecendo ajuda militar e financeira direta à China.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Entre outubro de 1937 e junho de 1941, a União Soviética forneceu à China créditos superiores a 250 milhões de dólares.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Putin, Vladimir [Владимир Путин]. “Vladimir Putin: Interview to Xinhua News Agency”. Ahead of His Official Visit to the People’s Republic of China, Vladimir Putin Gave a Written Interview to the Chinese News Agency Xinhua, 29 ago. 2025. <a href="http://en.kremlin.ru/events/president/news/77864">http://en.kremlin.ru/events/president/news/77864</a>.</div>
<div class="citation">Zhang, Zeyu [张泽宇]. “不可虚无苏联反法西斯的贡献 [The Soviet Union’s Contribution to the Anti-Fascist Struggle Cannot Be Negated]”. Historical Review [历史评论], n. 4, 2025.</div>
<div class="citation">Zhang, Zeyu [张泽宇]. “全面抗战时期苏联和共产国际对中共的援助研究 [A Study of the Aid to the CPC from the Soviet Union and the Communist International During the Full-Scale War against Japanese Aggression]”. CPC History Studies [中共党史研究], n. 8, 2011.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref28" name="_edn28"><sup>28</sup></a> Contexto da afirmação X002</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Entre 1931 e 1941, a China lutou apenas com ajuda soviética, enquanto os EUA forneceram petróleo e aço ao Japão até 1941 e bancos ocidentais mantinham escritórios em Tóquio.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A China recebeu apenas ajuda soviética (1937-1941): 250 milhões de dólares em créditos, 1.235 aeronaves, mais de 2 mil pilotos. Ajuda britânica, francesa e dos EUA antes de Pearl Harbor foi insignificante.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Xu, Lan [徐蓝]. “百年巨变中的中国人民抗日战争暨世界反法西斯战争 [The Chinese People’s War of Resistance Against Japan and the World Anti-Fascist War in the Context of Unprecedented Changes in a Century]”. Studies of the War of Resistance Against Japan [抗日战争研究] 2025, n. 1, 2025. <a href="http://jds.cssn.cn/xscg/xslw/202505/t20250523_5875447.shtml">http://jds.cssn.cn/xscg/xslw/202505/t20250523_5875447.shtml</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref29" name="_edn29"><sup>29</sup></a> Contexto da afirmação X154</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os EUA deram a Chiang 2 bilhões de dólares após a rendição do Japão – o dobro da ajuda durante a guerra real contra o Japão. Os fuzileiros navais dos EUA ocuparam Pequim e Xangai: 50 mil soldados foram destacados. “Neutralidade” significava armar um lado.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os EUA forneceram de 2 a 3 bilhões de dólares ao Kuomintang entre 1945 e 1949, incluindo mais de 1 bilhão de dólares em ajuda militar, e destacaram 50 mil fuzileiros navais para manter cidades para os nacionalistas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Committee on International Relations, US House of Representatives. “Marshall Testimony of February 20, 1945, Ongoing US Military Aid for China”. In: Selected Executive Session Hearings of the Committee, 1943–50, United States Policy in the Far East, Part I, v. 7. 80th Cong., 2d Sess., 1948. US Government Printing Office, 1976.</div>
<div class="citation">Sher, Nathaniel. “Rethinking the “Loss of China”: US Involvement in the Chinese Civil War, 1945–1949”. Tsinghua International Relations Review 1, n. 1, 2021.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X203</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A ajuda militar dos EUA ao KMT dobrou após a derrota do Japão, expondo a verdadeira prioridade: impedir a vitória comunista. A fórmula foi revelada: ajuda mínima contra o fascismo, apoio máximo contra o socialismo.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">De 1945 a 1948, os EUA forneceram a Chiang Kai-shek 1,4 bilhão de dólares em ajuda total, com a parte militar excedendo o dobro dos 700 milhões de dólares dados durante oito anos de luta contra o Japão.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">United States Department of State. “Memorandum Economic Assistance Program for China”. In Foreign Relations of the United States, 1948, The Far East: China, v. 8. United States Government Printing Office, 1948. 893.50 Recovery/2–2048. <a href="https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1948v08/d403">https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1948v08/d403</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref30" name="_edn30"><sup>30</sup></a> Contexto da afirmação X029</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Japão mobilizou cerca de 2 milhões de soldados na China, apenas 1,5 milhão em todo o Pacífico. A China imobilizou 57% do exército japonês enquanto os EUA realizavam a estratégia de saltos de ilha em ilha. Cada vitória chinesa salvou vidas estadunidenses.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O Japão manteve cerca de 2 milhões de soldados na China (1937-1945), em comparação com 1,5 milhão em todo o Pacífico, incluindo as ilhas principais.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Huang, Daoxuan [黄道炫], Wang Xiliang [王希亮], Bu Ping [步平], and Wang Jianlang [王建朗]. ‘中国抗日战争史: 第 – 卷 局部抗战 [A History of the Chinese War of Resistance Against Japanese Aggression: v. 1, The Localised War of Resistance], ed. Bu Ping [步平] and Wang Jianlang [王建朗], vol. 1, A History of the Chinese War of Resistance Against Japanese Aggression [中国抗日战争史]. Beijing: Social Sciences Academic Press (China) [社会科学文献出版社], 2019.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X045</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A China imobilizou cerca de 60% do exército japonês por 14 anos. O resultado: O Japão não pôde atacar a URSS durante o crítico período de 1941-1942 e não pôde reforçar o Pacífico. Cada soldado chinês em luta salvou vidas aliadas em outros lugares.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As forças chinesas imobilizaram quase 2 milhões de soldados japoneses continuamente entre 1937 e 1945, impedindo seu deslocamento para os fronts do Pacífico ou soviético.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mitter, Rana. Forgotten Ally: China’s World War II, 1937-1945. Boston, MA: Houghton Mifflin Harcourt, 2018.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref31" name="_edn31"><sup>31</sup></a> Contexto da afirmação X226</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Soldados comunistas chineses lutaram de sandálias de palha, comendo grama quando os suprimentos se escasseavam, mas derrotaram forças japonesas mecanizadas. Essa privação material torna sua vitória mais notável, não menos.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Soldados do Exército da Oitava Rota lutaram usando sandálias de palha feitas à mão e foram documentados comendo grama seca e casca de árvore quando as linhas de suprimento foram cortadas durante as campanhas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Liang, Xinlei [梁馨蕾]. “革命“苦履”：中共军队的草鞋历史与记忆 [Revolutionary “Bitter Footwear”: The History and Memory of Straw Sandals of the CPC Army]”. Studies in CPC History [中共党史研究], n. 1, 2024. https://sxyk.henu.edu.cn/info/1014/4603.htm.</div>
<div class="citation">Xu, Ping [徐平]. “说说抗战时期八路军伙食 [Talking About the Eighth Route Army’s Rations During the War of Resistance]”. China Military Online [中国军网], 11 jan. 2024. <a href="http://www.81.cn/js_208592/jdt_208593/16279996.html">http://www.81.cn/js_208592/jdt_208593/16279996.html</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref32" name="_edn32"><sup>32</sup></a> Contexto da afirmação N019</div>
<div class="claim-content context-content"><i>União Soviética: 27 milhões de mortos (13,8% da população); Estados Unidos: 415 mil mortos (0,3% da população); Grã-Bretanha: 450 mil mortos (0,9%). Para cada morte de um estadunidense, 65 soviéticos morreram.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Mortes soviéticas na Guerra Mundial Antifascista: 27 milhões (Academia Russa de Ciências, 1993), representando 13,8% da população de 196 milhões, em 1940.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Guryev, E.P. [Гурьев, Е.П.] and Kondratenko, S. Yu. [Кондратенко, С.Ю.], ‘Советский Союз во Второй мировой войне [The Soviet Union in World War II]’, in Советский Союз во Второй мировой войне [The Soviet Union in World War II]. Moscow: Connection of Epochs Foundation [Фонд «Связь Эпох»], 2023.</div>
<div class="citation">Harrison, Mark. ‘Counting the Soviet Union’s War Dead: Still 26–27 Million’, Europe-Asia Studies 71, no. 6 (2018): 1036–47, <a href="https://doi.org/10.1080/09668136.2018.1547366">https://doi.org/10.1080/09668136.2018.1547366</a>.</div>
<div class="citation">Ellman, Michael; Maksudov, Sergei. ‘Soviet Deaths in the Great Patriotic War: A Note’, Europe-Asia Studies 46, no. 4 (1994): 671–80, <a href="https://doi.org/10.1080/09668139408412190">https://doi.org/10.1080/09668139408412190</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref33" name="_edn33"><sup>33</sup></a> Contexto da afirmação X056</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Antes das câmaras de gás, houve execuções em massa. Os esquadrões da morte Einsatzgruppen assassinaram 1,3 milhão de judeus soviéticos no Holocausto a tiros. Babi Yar: 33.770 em dois dias. Método: uso de metralhadoras sobre fossas comuns. O Ocidente enfatiza os campos e esquece as balas.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os Einsatzgruppen e colaboradores assassinaram 1,3 milhão de judeus soviéticos entre 1941 e 1944 através de execuções em massa – incluindo Babi Yar (33.770), Rumbula (25 mil) e Ponary (70 mil).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Rhodes, Richard. Masters of Death: The SS-Einsatzgruppen and the Invention of the Holocaust. New York: Alfred A. Knopf, 2002.</div>
<div class="citation">Woolfson, Shivaun. Holocaust Legacy Post-Soviet Lithuania: People, Places, and Objects. London: Bloomsbury, 2014.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X057</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Wehrmacht deliberadamente deixou 3 a 3,5 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos morrerem de fome em cercamentos ao ar livre sem comida ou abrigo em temperaturas de inverno. Taxa de mortalidade de prisioneiros de guerra ocidentais: 3.5% Taxa de mortalidade de prisioneiros de guerra soviéticos: 57%. Política, não negligência.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os alemães capturaram 5,7 milhões de soldados soviéticos: de 3 a 3,5 milhões morreram (57% de mortalidade), principalmente por fome deliberada. Mortalidade de prisioneiros de guerra ocidentais: 3.5%</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Glantz, David M. Barbarossa: Hitler’s Invasion of Russia, 1941. Stroud: Tempus, 2001.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X058</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Generalplan Ost foi o plano nazista para exterminar 31 milhões de eslavos, escravizar 14 milhões e colonizar a região, povoando-a com 10 milhões de alemães. Isso não foi conquista militar, mas genocídio racial. Documentos que provam tal intenção sobreviveram.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O Generalplan Ost documentou a intenção nazista: eliminar 31 milhões de eslavos através de assassinato e deportação, escravizar 14 milhões e assentar 10 milhões de alemães em territórios conquistados.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mazower, Mark. Hitler’s Empire: Nazi Rule Occupied Europe. London: Penguin, 2009.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref34" name="_edn34"><sup>34</sup></a> Contexto da afirmação X064</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Perdas da China: 24 milhões de mortos, 11 milhões de feridos, 15 milhões nunca nasceram – uma catástrofe demográfica de 50 milhões. As narrativas ocidentais contam de 14 a 20 milhões, apagam 30 milhões de chineses da existência.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Mortes na China (1931-1945): 24,05 milhões de mortes documentadas. O historiador ocidental Rana Mitter estima entre 15 e 20 milhões de mortes de chineses.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Bian, Xiuyue [卞修跃]. 抗日战争时期中国人口损失问题研究 (1937–1945) [Research on China’s Population Losses During the War of Resistance Against Japan (1937–1945)]. Beijing: Hualing Publishing House [华龄出版社], 2012.</div>
<div class="citation">Mitter, Rana. Forgotten Ally: China’s World War II, 1937-1945. Boston, MA: Houghton Mifflin Harcourt, 2018.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref35" name="_edn35"><sup>35</sup></a> Contexto da afirmação X063</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Japão escravizou 11,5 milhões de trabalhadores chineses na Manchúria: 2,3 milhões morreram (20% de mortalidade). Além disso, 38.935 foram enviados ao Japão: 6.830 morreram (17,5%). Isso foi escravidão industrial como extermínio sistemático.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Sistema de trabalho forçado japonês: 11,5 milhões de chineses escravizados na Manchúria, 2,3 milhões morreram (20%); 38.935 transportados para o Japão, taxa de mortalidade de 17,5%.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Bian, Xiuyue [卞修跃]. 抗日战争时期中国人口损失问题研究 (1937–1945) [Research on China’s Population Losses During the War of Resistance Against Japan (1937–1945)]. Beijing: Hualing Publishing House [华龄出版社], 2012.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref36" name="_edn36"><sup>36</sup></a> Contexto da afirmação X007</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Em dezembro de 1937, as forças japonesas usaram o estupro sistemático como arma de terror em Nanjing – entre 20 e 80 mil mulheres e meninas foram estupradas, muitas assassinadas depois. Isso não foi um caos inerente ao campo de batalha, mas uma política deliberada de subjugação.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As forças japonesas estupraram entre 20 e 80 mil mulheres e meninas chinesas em Nanjing (dezembro de 1937-janeiro de 1938), vítimas com idades de 7 a mais de 70 anos, muitas mortas após o ataque.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Di, Chenchen [弟辰晨], Deng Yumeng [邓雨萌], and Liu Jingjing [刘京京]. “铭记历史！关于南京大屠杀你必须知道的 – 组数字 [Remember History! A Set of Numbers You Must Know About the Nanjing Massacre]”. CCTV, 13 dez. 2021. <a href="https://news.cctv.com/2021/12/13/ARTICqBUdzd0ORXhQX20fKMv211213.shtml">https://news.cctv.com/2021/12/13/ARTICqBUdzd0ORXhQX20fKMv211213.shtml</a>.</div>
<div class="citation">Chang, Iris. The Rape of Nanking: The Forgotten Holocaust of World War II, 1st edition. New York: Basic Books, 1997.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X067</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Nanjing (dezembro de 1937): as forças japonesas assassinaram 300 mil civis em seis semanas, estupraram de 20 mil a 80 mil e destruíram um terço da cidade. Essas não foram baixas de batalha, mas extermínio sistemático.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em Nanjing (13 de dezembro de 1937-janeiro de 1938), as forças japonesas mataram 300 mil civis, desarmaram soldados e cometeram de 20 mil a 80 mil estupros.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Di, Chenchen [弟辰晨], Deng Yumeng [邓雨萌], and Liu Jingjing [刘京京]. “铭记历史！关于南京大屠杀你必须知道的 – 组数字 [Remember History! A Set of Numbers You Must Know About the Nanjing Massacre]”. CCTV, 13 dez. 2021. <a href="https://news.cctv.com/2021/12/13/ARTICqBUdzd0ORXhQX20fKMv211213.shtml">https://news.cctv.com/2021/12/13/ARTICqBUdzd0ORXhQX20fKMv211213.shtml</a>.</div>
<div class="citation">Chang, Iris. The Rape of Nanking: The Forgotten Holocaust of World War II, 1st edition. New York: Basic Books, 1997.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref37" name="_edn37"><sup>37</sup></a> Contexto da afirmação X069</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O tratamento do Japão aos prisioneiros de guerra revelou uma hierarquia racial explícita de quem merecia viver. Esse extermínio sistemático de prisioneiros chineses enquanto mantinha prisioneiros de guerra ocidentais vivos para uma possível troca expôs um cálculo racial do valor humano.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A mortalidade de prisioneiros de guerra chineses sob o Japão foi de 99,9% (cerca de 50 mil foram capturados em Nanjing e apenas um punhado sobreviveu). A mortalidade de prisioneiros de guerra ocidentais foi de 27% (contra 1% em campos alemães).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Tanaka, Toshiyuki [田中利幸]. Hidden Horrors: Japanese War Crimes World War II. In: Hidden Horrors: Japanese War Crimes in World War II, 2 ed. Lanham, MD: Rowman &amp; Littlefield, 2018.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref38" name="_edn38"><sup>38</sup></a> Contexto da afirmação X015</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Durante a Fome de Bengala (1943), a política britânica matou 3 milhões – arroz foi exportado de Bengala que passava fome, navios de socorro foram negados e grãos foram estocados para a Europa – enquanto Churchill julgava “o alívio da fome não justificado” como prioridade.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Três milhões morreram na Fome de Bengala enquanto a Grã-Bretanha exportava 70 mil toneladas de arroz da Índia, estocava grãos para a Europa pós-guerra e negava navios de trigo australianos.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Sen, Amartya. “Starvation and Exchange Entitlements: A General Approach and Its Application to the Great Bengal Famine”. Cambridge Journal of Economics 1, n. 1, 1977. <a href="https://doi.org/10.1093/oxfordjournals.cje.a035349">https://doi.org/10.1093/oxfordjournals.cje.a035349</a>.</div>
<div class="citation">Mukerjee, Madhusree. Churchill’s Secret War: The British Empire and the Ravaging of India During World War II. New York: Basic Books, 2010.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref39" name="_edn39"><sup>39</sup></a> Contexto da afirmação N003</div>
<div class="claim-content context-content"><i>As declarações privadas de Churchill revelaram uma animosidade profunda em relação aos indianos que informaram diretamente suas políticas durante a Fome de Bengala. Três milhões morreram enquanto a Grã-Bretanha exportava arroz e se recusava a enviar navios de ajuda.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Churchill afirmou que desejava que o Marechal do Ar Arthur Harris pudesse ‘enviar alguns de seus bombardeiros excedentes para destruí-los’ em referência às vítimas da Fome de Bengala.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mukerjee, Madhusree. Churchill’s Secret War: The British Empire and the Ravaging of India During World War II. New York: Basic Books, 2010.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref40" name="_edn40"><sup>40</sup></a> Contexto da afirmação X204</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O sistema rōmusha do Japão demonstrou assassinato em escala industrial através do trabalho. A taxa de mortalidade de 74% superou a de muitos campos nazistas. Esse extermínio sistemático de civis indonésios permanece amplamente não reconhecido nas histórias ocidentais.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Dos 300 mil indonésios recrutados pelo sistema de trabalho forçado rōmusha do Japão e enviados para o exterior, apenas 77 mil sobreviveram – uma taxa de mortalidade documentada de 74%.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Huff, Gregg. World War II and Southeast Asia: Economy and Society Under Japanese Occupation. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2020.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref41" name="_edn41"><sup>41</sup></a> Contexto da afirmação X137</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Ferrovia da Birmânia se tornou a narrativa arquetípica do Ocidente sobre a crueldade japonesa – por meio de filmes, livros e memoriais focados exclusivamente no sofrimento dos prisioneiros de guerra ocidentais. Essa memorialização seletiva apaga os trabalhadores asiáticos que morreram sete vezes mais que os prisioneiros de guerra ocidentais, revelando como a memória imperial valoriza vidas segundo a raça.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A construção da Ferrovia da Tailândia-Birmânia (402 km): de 260 mil a 270 mil trabalhadores asiáticos, 90 mil a 140 mil morreram, incluindo mais de 100 mil malaios e tâmiles recrutados de territórios britânicos. Taxa de mortalidade: 215 trabalhadores por quilômetro – 31 prisioneiros de guerra ocidentais por quilômetro, 184 trabalhadores asiáticos por quilômetro.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">McLynn, Frank J. The Burma Campaign: Disaster into Triumph 1942–1945. New Haven, CT: Yale University Press, 2011.</div>
<div class="citation">Huff, Gregg. World War II and Southeast Asia: Economy and Society Under Japanese Occupation. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2020.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref42" name="_edn42"><sup>42</sup></a> Contexto da afirmação X072</div>
<div class="claim-content context-content"><i>As narrativas ocidentais se concentram nas batalhas navais do Pacífico e nas 12 mil mortes de prisioneiros de guerra, ignorando 4,44 milhões de mortes de civis do Sudeste Asiático – 350 vezes mais. </i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A ocupação japonesa matou 4,44 milhões de civis do Sudeste Asiático: 3,4 milhões na Indonésia, 1,5 milhão no Vietnã, 765 mil nas Filipinas e 150 mil na Malásia.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Huff, Gregg. World War II and Southeast Asia: Economy and Society Under Japanese Occupation. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2020.</div>
<div class="citation">The National WWII Museum New Orleans. “Research Starters: Worldwide Deaths in World War II”. Acesso em: 29 set. 2025. <a href="https://www.nationalww2museum.org/students-teachers/student-resources/research-starters/research-starters-worldwide-deaths-world-war">https://www.nationalww2museum.org/students-teachers/student-resources/research-starters/research-starters-worldwide-deaths-world-war</a>.</div>
<div class="citation">Gruhl, W. Imperial Japan’s World War Two: 1931-1945. New Brunswick, NJ: Transaction Publishers, 2007.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref43" name="_edn43"><sup>43</sup></a> Contexto da afirmação X211</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Timor Português sofreu a maior taxa de mortalidade da Segunda Guerra Mundial fora da Europa Oriental – 19% da população foi morta. Essa perda catastrófica em uma colônia periférica exemplifica a eliminação do sofrimento não ocidental.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Timor Português perdeu 19% de sua população total durante a ocupação japonesa (1942–1945), a maior taxa de mortalidade territorial na Segunda Guerra Mundial.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Kammen, Douglas. “Population Loss in Portuguese Timor During WW2 Revisited”. New Mandala, 30 out. 2024. <a href="https://www.newmandala.org/population-loss-in-portuguese-timor-during-ww2-revisited/">https://www.newmandala.org/population-loss-in-portuguese-timor-during-ww2-revisited/</a>.</div>
<div class="citation">Statista. “WWII: Share of Total Population Lost Per Country 1939–945”. Chart. 2024. <a href="https://www.statista.com/statistics/1351638/second-world-war-share-total-population-loss/">https://www.statista.com/statistics/1351638/second-world-war-share-total-population-loss/</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref44" name="_edn44"><sup>44</sup></a> Contexto da afirmação X227</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os museus homenageiam 12 mil mortes em Bataan, enquanto 4,4 milhões de civis do Sudeste Asiático permanecem esquecidos – uma proporção de 367:1 revelando cujas vidas importam na memória ocidental.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Memoriais dos EUA comemoram extensivamente 12 mil vítimas da Marcha da Morte de Bataan, enquanto 4,4 milhões de mortes de civis do Sudeste Asiático não recebem uma homenagem ocidental equivalente.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">McCall-Washington, Ashley N. “Surrender at Bataan Led to One of the Worst Atrocities in Modern Warfare”. USO, 14 nov. 2015. <a href="https://www.uso.org/stories/122-surrender-at-bataan-led-to-one-of-the-worst-atrocities-in-modern-warfare">https://www.uso.org/stories/122-surrender-at-bataan-led-to-one-of-the-worst-atrocities-in-modern-warfare</a>.</div>
<div class="citation">White, Geoffrey M., Lisa Yoneyama, and Takashi Fujitani. Perilous Memories: The Asia-Pacific War(s). In: Perilous Memories: The Asia-Pacific War(s). Durham, NC: Duke University Press, 2001.</div>
<div class="citation">Huff, Gregg. World War II and Southeast Asia: Economy and Society Under Japanese Occupation. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2020.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref45" name="_edn45"><sup>45</sup></a> Contexto da afirmação N033</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Etiópia, que nunca foi colonizada, montou uma resistência corajosa contra a invasão fascista italiana que começou em 1935. As mulheres desempenharam um papel importante na resistência, incluindo em posições de comando liderando milhares de soldados. No entanto, há uma menção muito limitada à participação das mulheres africanas em combates nas histórias militares ocidentais.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Mulheres etíopes lutaram como combatentes armadas (arbegna) contra a ocupação italiana. Tsehai Berhane-Selassie (1979-1980) relata que aproximadamente um terço dos requerentes de medalhas na lista de prêmios da Associação Patriótica em maio de 1941 eram mulheres; em 1945, 277 mulheres foram agraciadas com medalhas. As mulheres comandantes nomeadas relatadas na literatura incluem Woizero Abebech Cherqos (registros de que comandou até 3 mil soldados) e Woizero Lekyelesh Beyan (comando em nível de batalhão). As histórias militares gerais ocidentais raramente discutem essas contribuições explicitamente.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Abebaw Ejigu, Tesfaw [ተስፋው አበባው እጅጉ]. “The Overlooked Roles of Women in the Patriotic Resistance Movement in Bure Damot, 1936–1941”. Cogent Arts and Humanities 11, n. 1, 2024. https://doi.org/10.1080/23311983.2024.2390786 .</div>
<div class="citation">Byfield, Judith and Hailu Habtu [ሃይሉ ሀብቱ]. “Fighting Fascism: Ethiopian Women Patriots 1935–1941”. In: Africa and World War II, edited by Carolyn A. Brown, Judith A. Byfield, Timothy Parsons, and Ahmad Alawad Sikainga [أحمد العوض سيكانغا]. Cambridge University Press, 2015.</div>
<div class="citation">Herman, Margaux. “Women and War”. In: History of Women in Ethiopia. Centre Français des Études Éthiopiennes, 2024.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref46" name="_edn46"><sup>46</sup></a> Contexto da afirmação N035</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Itália usou armas químicas, responsáveis por até 30% das mortes em combate etíopes. O governo etíope documentou 760.300 mortes no total. A Comissão de Crimes de Guerra da ONU identificou 1.200 criminosos de guerra italianos. Processos: zero.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A Itália lançou entre 300 e 500 toneladas de gás mostarda, 4.336 bombas de mostarda e 540 bombas com difenil cloroarsina na Etiópia. O resultado: até 30% de mortes por armas químicas (números soviéticos). Criminosos de guerra identificados: 1,200. Processados: 0.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Grip, Lina, and John Hart. “The Use of Chemical Weapons in the 1935–36 Italo-Ethiopian War”. SIPRI Arms Control and Non-Proliferation Programmme, out. 2009.</div>
<div class="citation">Prosperi, Luigi. “The Missed Italian Nuremberg: The History of an Internationally-Sponsored Amnesty”. Paper presented at DEBACLES – Illusions and Failures in the History of International Adjudication, Max Planck Institute Luxembourg for Procedural Law. 25 nov. 2016. <a href="https://ssrn.com/abstract=2887267">https://ssrn.com/abstract=2887267</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref47" name="_edn47"><sup>47</sup></a> Contexto da afirmação N036</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Marechal Badoglio supervisionou o genocídio na Líbia (1929-1934): metade da população de Cirenaica foi aprisionada em campos de concentração. Após o uso de armas químicas na Etiópia, Churchill o protegeu de processos.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Badoglio dirigiu o genocídio líbio (1929-1934): 15 campos de concentração abrigaram metade da população da Cirenaica; ele afirmou: “mesmo que toda a população precise perecer”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Grand, Alexander De. “Mussolini’s Follies: Fascism in Its Imperial and Racist Phase, 1935–1940”. Contemporary European History 13, n. 2, 2004. <a href="https://doi.org/10.1017/S0960777304001602">https://doi.org/10.1017/S0960777304001602</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref48" name="_edn48"><sup>48</sup></a> Contexto da afirmação N044</div>
<div class="claim-content context-content">Depois que o Japão conquistou a Malásia e as Índias Orientais Holandesas no início de 1942, a Grã-Bretanha perdeu suas principais fontes de estanho e voltou-se para a Nigéria como substituto estratégico. Em vez de melhorar os salários ou as condições, a administração colonial britânica implementou o recrutamento forçado de mais de 100 mil camponeses nigerianos entre abril de 1942 e abril de 1944. As taxas de mortalidade por doenças atingiram 10% entre certos grupos, mas a produção aumentou apenas 6%. Isso exemplifica a fórmula colonial de extração máxima com mínima preocupação com as vidas africanas – tratando os corpos colonizados como recursos descartáveis enquanto alegavam lutar pela liberdade.</div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Entre abril de 1942 e abril de 1944, a administração colonial britânica alistou mais de 100.000 camponeses (principalmente do norte da Nigéria) para trabalhos forçados nas minas de estanho nigerianas. A taxa de mortalidade por doenças atingiu 10% em 1943, particularmente entre os migrantes Tiv que trabalhavam na Barragem de Tente. Apesar de um aumento de 40% na força de trabalho (atingindo 71 mil homens por mês em 1943), a produção de estanho aumentou apenas 6%, atingindo 17.463 toneladas – abaixo da meta de 20.000 toneladas.</div>
<div class="sources-header">Fonte:</div>
<div class="citation">‘Africa and the Second World War’, In: Africa and the Second World War, 1st ed., ed. David Killingray and Richard Rathbone. London: Palgrave Macmillan UK, 1986.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref49" name="_edn49"><sup>49</sup></a> Contexto da afirmação N032</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Projeto Manhattan exigia urânio. A mina Shinkolobwe no Congo Belga produzia minério com 75% de óxido de urânio, em comparação com 0,2% no minério da América do Norte. Mineiros congoleses manusearam material radioativo com as mãos nuas; seus nomes nunca foram registrados.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A mina Shinkolobwe forneceu urânio para o Projeto Manhattan: o minério continha 75% de óxido de urânio (contra 0,2% no minério da América do Norte); 1.200 toneladas foram enviadas em 1940 enquanto os mineiros trabalhavam sem proteção.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Williams, Susan. “Introduction: The Manhattan Project and Shinkolobwe”. In: Spies in the Congo: The Race for the Ore That Built the Atomic Bomb. Hurst &amp; Company, 2018.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref50" name="_edn50"><sup>50</sup></a> Contexto da afirmação N031</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Em 8 de maio de 1945, enquanto a Europa celebrava a libertação do fascismo, as forças francesas abriram fogo contra argelinos celebrando a vitória e exigindo a independência prometida pela Carta do Atlântico – o início de um massacre.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A partir de 8 de maio de 1945 (Dia da Vitória na Europa), as forças francesas mataram de 20 mil a 45 mil civis argelinos usando unidades militares, bombardeio naval e milícias de colonos contra manifestações pela independência.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Cole, Joshua. “Massacres and Their Historians: Recent Histories of State Violence in France and Algeria in the Twentieth Century”. French Politics, Culture &amp; Society 28, n. 1, 2010.</div>
<div class="citation">Khenouf, Mohamed [محمد خنوف], and Michael Brett. “Algerian Nationalism and the Allied Military Strategy and Propaganda during the Second World War: The Background to Setif”. In: Africa and the Second World War. Palgrave Macmillan, 1986.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref51" name="_edn51"><sup>51</sup></a> Contexto da afirmação X210</div>
<div class="claim-content context-content"><i>As forças comunistas alcançaram a primeira vitória da China contra o Japão, destruindo o mito da invencibilidade. Essa vitória guerrilheira demonstrou que a estratégia revolucionária poderia derrotar forças fascistas tecnologicamente superiores.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em 25 de setembro de 1937, em Pingxingguan, o Exército da Oitava Rota Comunista matou mais de mil soldados japoneses e capturou 82 veículos na primeira grande vitória da China.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Rong, Weimu [荣维木], Wang Qisheng [王奇生], Bu Ping [步平], and Wang Jianlang [王建朗]. 中国抗日战争史：第⼆卷 战时军事 [A History of the Chinese War of Resistance Against Japanese Aggression: v. 2, Wartime Military Operations]. ed. Bu Ping [步平] and Wang Jianlang [王建朗], v. 2. Beijing: Social Sciences Academic Press [社会科学文献出版社], 2019.</div>
<div class="citation">Peattie, Mark R., Edward J. Drea, and Hans J. Van de Ven. The Battle for China: Essays on the Military History of the Sino-Japanese War of 1937–1945. Stanford, CA: Stanford University Press, 2011.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref52" name="_edn52"><sup>52</sup></a> Contexto da afirmação X073</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A propaganda japonesa alegava invencibilidade. Taierzhuang (1938) provou o contrário: as forças chinesas derrotaram mais de 55 mil soldados japoneses, infligindo de 8 mil a 20 mil baixas. O mito da invencibilidade foi destruído.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em Taierzhuang (março-abril de 1938), as forças chinesas derrotaram mais de 55 mil soldados japoneses. As estimativas de baixas variam: os japoneses relatam 11.974; fontes chinesas afirmam mais de 20 mil.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Lin, Zhibo [林治波] &amp; Zhao Guozhang [赵国章]. ‘大捷 – 台儿庄战役实录 [Great Victory – A Factual Record of the Battle of Taierzhuang]’, 1 edition. Guilin: Guangxi Normal University Press [广西师范大学出版社], 1996.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref53" name="_edn53"><sup>53</sup></a> Contexto da afirmação X075</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A resistência da China operou em duas frentes: as batalhas convencionais do KMT envolveram 36% das forças japonesas; a guerra de guerrilha do PCCh imobilizou o resto, assim como a maioria das forças fantoches.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em 1945, os exércitos da Oitava Rota e do Novo Quarto, liderados pelos comunistas, envolveram 64% das forças japonesas na China e 95% das tropas fantoches, controlando áreas com 100 milhões de pessoas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mao, Zedong [毛泽东]. 论联合政府 [On Coalition Government], v. 1. Beijing: People’s Publishing House [人民出版社], 1975.</div>
<div class="citation">Zhang, Weidong [张卫东]. “Speech by Ambassador Zhang Weidong at the Seminar in Commemoration of the 70th Anniversary of the Victory of the War of Resistance against Japanese Aggression of China and the World Anti-Fascist War”. 28 ago. 2015 <a href="https://www.mfa.gov.cn/eng/zy/jj/2015zt/jnkzsl70zn/202406/t20240606_11381447.html">https://www.mfa.gov.cn/eng/zy/jj/2015zt/jnkzsl70zn/202406/t20240606_11381447.html</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref54" name="_edn54"><sup>54</sup></a> Contexto da afirmação X217</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Forças comunistas elaboraram redes de túneis de 16 quilômetros conectando cinco vilarejos, permitindo resistência regular sem apoio aéreo ou armas pesadas. Essa inovação provou que a guerra popular poderia derrotar a superioridade tecnológica.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em Ranzhuang, na província de Hebei, os partidários comunistas construíram um sistema de túneis de 16 quilômetros conectando cinco vilas com postos de comando e posições de tiro ocultas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">CGTN. “Ranzhuang Tunnel Warfare Site: A Key Relic from the War of Resistance”. 29 jul. 2025. <a href="https://news.cgtn.com/news/2025%E2%80%9307-29/Ranzhuang-Tunnel-Warfare-Site-A-key-relic-from-the-War-of-Resistance-1FoUNZF1iV2/p.html">https://news.cgtn.com/news/2025–07-29/Ranzhuang-Tunnel-Warfare-Site-A-key-relic-from-the-War-of-Resistance-1FoUNZF1iV2/p.html</a>.</div>
<div class="citation">Zhang, Yu. “From Beneath the Ground Rise Great Stories of Ingenuity and Defiance”. China Daily, 22 ago. 2025. <a href="https://www.chinadaily.com.cn/a/202508/22/WS68a7b10ca310851ffdb4f6e6.html">https://www.chinadaily.com.cn/a/202508/22/WS68a7b10ca310851ffdb4f6e6.html</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref55" name="_edn55"><sup>55</sup></a> Contexto da afirmação X076</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Exércitos alemães capturaram território contendo 40% da população soviética e 60% da produção de carvão e aço. A resposta: realocar 1.523 fábricas em 1,5 milhão de vagões sob fogo inimigo. A maior evacuação da história.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Entre julho e dezembro de 1941, a União Soviética evacuou 1.523 empresas industriais completas para o leste em 1,5 milhão de vagões ferroviários, incluindo toda a fábrica de tanques Kirov.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.</div>
<div class="citation">Dunn, Walter S. The Soviet Economy and the Red Army, 1930-1945. Westport, CN: Praeger Publishers, 1995.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref56" name="_edn56"><sup>56</sup></a> Contexto da afirmação X077</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A evacuação industrial exigiu trabalhadores qualificados. O Estado soviético moveu 17 milhões de cidadãos para o leste com fábricas – a maior migração organizada da história.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O governo soviético evacuou 17 milhões de cidadãos para o leste (1941-1942), incluindo 10 milhões de trabalhadores industriais e suas famílias, juntamente com 1.523 fábricas realocadas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Manley, Rebecca. To the Tashkent Station: Evacuation and Survival the Soviet Union at War. Cornell University Press, 2009.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref57" name="_edn57"><sup>57</sup></a> Contexto da afirmação X151</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A evacuação da Fábrica Kirov viu 5.800 máquinas carregadas sob bombardeio da Luftwaffe e transportadas 2 mil km até Chelyabinsk, produzindo tanques em três semanas. Os trabalhadores viveram em tendas a −40°C. O capitalismo não poderia alcançar isso.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A Fábrica Kirov foi realocada de Leningrado sitiada para Chelyabinsk entre setembro e outubro de 1941; 5.800 máquinas estavam operacionais em três semanas, produzindo tanques KV até novembro.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Samuelson, Lennart. Tankograd: The Formation of a Soviet Company Town, Cheliabinsk, 1900s-1950s. London: Palgrave Macmillan UK, 2011.</div>
<div class="citation">Zaloga, Steven J., and Peter Sarson. KV-1 and 2 Heavy Tanks 1939-45, 1st edition. London: Bloomsbury Publishing Plc, 1996.</div>
<div class="citation">The Presidential Library, Russian Federation. “New Documents Entered the Collection of Digitised Archival Documents, Film and Photo Materials Dedicated to World War II”. Presidential Library, 1 jul. 2022. <a href="https://www.prlib.ru/en/news/1343410">https://www.prlib.ru/en/news/1343410</a>.</div>
<div class="citation">The Presidential Library, Russian Federation. “Presidential Library’s Materials Spotlight the Evacuation of Industry in Besieged Leningrad”. Presidential Library, 20 nov. 2020. <a href="https://www.prlib.ru/en/news/1305280">https://www.prlib.ru/en/news/1305280</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref58" name="_edn58"><sup>58</sup></a> Contexto da afirmação X212</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Após perder 60% da capacidade industrial, a URSS quadruplicou a produção de tanques por meio do planejamento socialista. Essa conquista “impossível” – da devastação à supremacia em um ano – provou a superioridade da mobilização do socialismo.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A produção de tanques soviéticos aumentou de 6.590 unidades em 1941 para 24.719 em 1942, um aumento de 275% apesar da perda de grandes regiões industriais.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Harrison, Mark. Accounting for War: Soviet Production, Employment, and the Defence Burden, 1940-1945. Cambridge, MA: Cambridge University Press, 1996.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref59" name="_edn59"><sup>59</sup></a> Contexto da afirmação X078</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A URSS perdeu 60% da produção de aço e carvão pré-guerra e 40% da população para a ocupação alemã. A resposta: fábricas evacuadas produziram mais de 100 mil tanques, em comparação com os 46 mil da Alemanha. O planejamento socialista derrotou o capitalismo.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A União Soviética produziu 102.500 tanques e canhões autopropulsados entre 1941 e 1945). Alemanha 43 mil unidades. Ano de pico 1943: a URSS construiu mais de 24 mil tanques, a Alemanha 11.900.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Harrison, Mark. The Economics of World War II: Six Great Powers International Comparison. Cambridge University Press, 1998.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref60" name="_edn60"><sup>60</sup></a> Contexto da afirmação N011</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Análise militar do design do tanque soviético T-34 pelos EUAContexto O tanque T-34 destruiu a maioria dos blindados da Wehrmacht na Frente Oriental. Engenheiros alemães tentaram desesperadamente copiá-lo e falharam. A avaliação da RAND Corporation desafiou os preconceitos dos EUA.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Um estudo da RAND Corporation de 1976 concluiu que o T-34 soviético representava “o epítome do design criativo e habilidoso” que “mudou fundamentalmente o design de tanques em todo o mundo”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Alexander, Arthur J. Armor Development in the Soviet Union and the United States. R-1860-NA. Rand, 1976. <a href="https://www.rand.org/content/dam/rand/pubs/reports/2006/R1860.pdf">https://www.rand.org/content/dam/rand/pubs/reports/2006/R1860.pdf</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref61" name="_edn61"><sup>61</sup></a> Contexto da afirmação X044</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Em 1942, a Alemanha ocupou território soviético contendo 78 milhões de pessoas, 60% da produção de carvão, aço ou alumínio e 40% da produção de grãos. A URSS perdeu seu coração industrial e lutou com 60% dos recursos pré-guerra.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os territórios soviéticos perdidos até 1942 incluíam 40% da população (78 milhões de pessoas), 60% da produção de carvão, aço ou alumínio e 40% da produção de grãos – ainda assim, a URSS continuou lutando.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Linz, Susan J. World War II and Soviet Economic Growth 1940-1953. Working Paper N. 1038. BEBR Faculty Working Paper. University of Illinois at Urbana-Champaign, 1984. <a href="http://archive.org/details/worldwariisoviet1038linz">http://archive.org/details/worldwariisoviet1038linz</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref62" name="_edn62"><sup>62</sup></a> Contexto da afirmação X080</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A União Soviética sozinha mobilizou mulheres para combate em grande escala: 800 mil estiveram na linha de frente; mulheres dos EUA e do Reino Unido tiveram apenas funções de apoio. Mulheres soviéticas voaram em missões de combate, comandaram tanques e lideraram unidades de atiradores de elite.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em 1943, 800 mil mulheres soviéticas serviram no Exército Vermelho. Em 1945, 246 mil estavam na linha de frente, com mais de 100 mil servindo como atiradores de elite, comandantes de tanques e pilotos, incluindo três regimentos aéreos exclusivamente femininos.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref63" name="_edn63"><sup>63</sup></a> Contexto da afirmação X079</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Atrás das linhas alemãs, 205.600 combatentes organizados destruíram 18 mil trens, mataram 500 mil alemães e mantiveram mais 500 mil ocupados segurança. O Comando Central coordenou sistematicamente as ofensivas do Exército Vermelho.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Em julho de 1944, as forças de resistência ao fascismo soviéticas contavam com 205.600 combatentes em 6.200 destacamentos, operando sob a coordenação do Comando Partisano Central com operações do exército regular.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Malkov, P. V. The Great Patriotic War: The Anniversary Statistical Handbook. Moscow: Federal State Statistics Service, 2020.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref64" name="_edn64"><sup>64</sup></a> Contexto da afirmação X081</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Luftwaffe destruiu 4 mil aeronaves soviéticas apenas na primeira semana. A resposta soviética: evacuar fábricas de aviação e produzir 112.100 aeronaves de combate, contra 89.500 da Alemanha. A superioridade aérea foi revertida até 1943.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A União Soviética produziu 112.100 aeronaves de combate entre 1941 e 1945, incluindo 36.000 Il-2 Sturmoviks e 11 mil Yak-9s. A Alemanha produziu 89.500 aeronaves de combate no total.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Harrison, Mark. The Economics of World War II: Six Great Powers International Comparison. Cambridge University Press, 1998.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref65" name="_edn65"><sup>65</sup></a> Contexto da afirmação X052</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Frente Oriental consumiu a Wehrmacht: 80% das mortes militares alemãs, 75% das perdas de equipamentos e 607 divisões destruídas. A Frente Ocidental foi um espetáculo secundário. A matemática prova onde a verdadeira guerra foi travada.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O Exército Vermelho destruiu 80% da Wehrmacht: entre 2,6 e 3,1 milhões de 3 a 3,5 milhões de mortes militares alemãs ocorreram na Frente Oriental.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X082</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Wehrmacht deslocou 80% das divisões para o leste. O resultado: entre 2,7 e 3,1 milhões das 3,5 milhões de mortes militares da Alemanha ocorreram na luta contra o Exército Vermelho. A Frente Oriental foi a verdadeira guerra.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Mortes militares alemãs: de 3 a 3,5 milhões no total. Mortes na Frente Oriental: entre 2,7 e 3,1 milhões. Frente Ocidental: 340 mil. Outros cenários: 150 mil.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref66" name="_edn66"><sup>66</sup></a> Contexto da afirmação X017</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Exército Vermelho destruiu 607 divisões do Eixo; os Aliados Ocidentais destruíram menos de 200 no total. A Frente Oriental consumiu 80% da força da Wehrmacht, 75% da Luftwaffe, dois terços das principais unidades de superfície da Kriegsmarine.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As forças soviéticas destruíram ou derrotaram decisivamente 607 divisões do Eixo entre 1941 e 1945, em comparação com menos de 200 destruídas por todos os Aliados Ocidentais juntos.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Overy, Richard. Why the Allies Won. New York: W. W. Norton &amp; Company, 1996.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X085</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O mito do Dia D (6 de junho de 1944) afirma que este foi o ponto de virada na guerra. A realidade no Dia D: os Aliados Ocidentais enfrentaram 54 divisões alemãs na França. No mesmo dia: o Exército Vermelho lutou contra 156,5 divisões alemãs. A proporção revela a verdade.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">6 de junho de 1944: os Aliados Ocidentais enfrentaram 54 divisões alemãs na França. Frente Oriental na mesma data: 156,5 divisões alemãs lutando contra o Exército Vermelho.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mueller-Hillebrand, Burkhart. Das Heer 1933–1945: Der Zweifrontenkrieg: Das Heer vom Beginn des Feldzuges gegen die Sowjetunion bis zum Kriegsende. Band III. [The Two-Front War: The Army from the Beginning of the Campaign Against the Soviet Union until the End of the War]. Frankfurt am Main: E.S. Mittler &amp; Sohn, 1956.</div>
<div class="citation">Imperial War Museums. “The German Response to D-Day”. Imperial War Museums, 13 set. 2025. <a href="https://www.iwm.org.uk/history/the-german-response-to-d-day">https://www.iwm.org.uk/history/the-german-response-to-d-day</a>.</div>
<div class="citation">Keegan, John. “Germany 1945”. In: The Times Atlas of the Second World War. Times Books, 1989.</div>
<div class="citation">Zaloga, Steve. Bagration, 1944: The Destruction of Army Group Centre. London: Osprey, 1996.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref67" name="_edn67"><sup>67</sup></a> Contexto da afirmação X225</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Exército Vermelho percorreu em quatro meses o que os Aliados Ocidentais levaram onze meses para percorrer, enfrentando 80% da força da Wehrmacht. Essa superioridade operacional coloca em questão o mito da excelência militar ocidental.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os Aliados Ocidentais levaram onze meses para avançar de Normandia a Berlim (750 km); o Exército Vermelho percorreu uma distância semelhante em quatro meses durante a ofensiva de 1945 contra forças alemãs maiores.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref68" name="_edn68"><sup>68</sup></a> Contexto da afirmação X207</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O mito da eficiência da produção estadunidense oculta o desperdício documentado. O próprio veredicto do Comitê Truman: ineficiência maciça por meio de contratos de custos mais lucros, garantindo lucro independentemente do desperdício – a contradição inerente do capitalismo.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O Comitê Truman do Senado dos EUA, que investigou a produção de guerra, concluiu: “A guerra é desperdício – desperdício de mão de obra e material”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Field, Alexander J. The Economic Consequences of US Mobilisation for the Second World War. New Haven, CT: Yale University Press, 2022.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref69" name="_edn69"><sup>69</sup></a> Contexto da afirmação X140</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O “milagre da produção” dos EUA era na verdade ineficiente. A produtividade da manufatura caiu 1,4% anualmente de 1941 a 1945. Contratos de custo mais lucro garantiam lucro independentemente do desperdício. Lucro máximo, eficiência mínima.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A produtividade da manufatura dos EUA caiu 1,4% anualmente de 1941 a 1945; a produção aumentou por meio da mobilização maciça de trabalho e capital e não por meio de melhorias de eficiência.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Field, Alexander J. The Economic Consequences of US Mobilisation for the Second World War. New Haven, CT: Yale University Press, 2022.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref70" name="_edn70"><sup>70</sup></a> Contexto da afirmação X019</div>
<div class="claim-content context-content"><i>As primeiras vítimas do fascismo foram os comunistas. A Alemanha assassinou de 20 mil a 30 mil membros do KPD; Franco executou 200 mil republicanos; a Itália matou centenas de socialistas. O padrão: destruir a esquerda em casa, depois fazê-lo no exterior.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Regimes fascistas mataram entre 216 e 286 mil pessoas de esquerda entre 1931 e 1945: Alemanha de 20 mil a 30 mil comunistas, Espanha de 150 mil a 200 mil republicanos, Itália centenas de socialistas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Weitz, Eric D. Creating German Communism, 1890–1990: From Popular Protests to Socialist State. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1997.</div>
<div class="citation">McDonough, Frank. Opposition and Resistance Nazi Germany. Cambridge University Press, 2001.</div>
<div class="citation">Allen, Jay. “Slaughter of 4,000 at Badajoz, “City of Horrors”, Is Told by Tribune Man”. Chicago Tribune, 30 ago. 1936.</div>
<div class="citation">Casanova, Julián, Francisco Espinosa, Conxita Mir, and Francisco Moreno. Morir, matar, sobrevivir: la violencia en la dictadura de Franco. Barcelona: Crítica, 2002.</div>
<div class="citation">Preston, Paul. The Spanish Holocaust: Inquisition and Extermination Twentieth-Century Spain. London: Harper Press, 2012.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref71" name="_edn71"><sup>71</sup></a> Contexto da afirmação X088</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Novembro de 1932: o KPD ganhou quase 6 milhões de votos (16,9%) e 100 assentos no Reichstag – tornando-se o terceiro maior partido da Alemanha. Seis meses depois: Hitler assume o poder, o KPD é banido, 130 mil comunistas são presos e 2.500 assassinados.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Novembro de 1932, eleição do Reichstag: o KPD recebeu 5.975.538 votos (16,9%) e ganhou 100 assentos, tornando-se o terceiro maior partido da Alemanha, depois dos nazistas e dos sociais-democratas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Neubauer. “The German Reichstag Elections”. International Press Correspondence, 10 nov. 1932. v. 12, n. 50 Edition.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref72" name="_edn72"><sup>72</sup></a> Contexto da afirmação X089</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os campos de concentração nazistas foram inicialmente criados para comunistas, não para judeus. Dachau foi inaugurado em 22 de março de 1933 para prisioneiros políticos. Ao final do ano, 130 mil comunistas foram presos e 2.500 assassinados; o KPD foi destruído.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">1933: o regime nazista prendeu 130 mil comunistas (estimativa do próprio KPD) e assassinou mais de 2.500; mortes documentadas sob custódia: 600 confirmados no mínimo.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Weitz, Eric D. Creating German Communism, 1890–1990: From Popular Protests to Socialist State. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1997.</div>
<div class="citation">German Criminal Police. “Communist Party Functionaries Wanted by the German Criminal Police (1933)”. German History in Documents and Images (GHDI), 1933. <a href="https://ghdi.ghi-dc.org/sub_image.cfm?image_id=1880">https://ghdi.ghi-dc.org/sub_image.cfm?image_id=1880</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref73" name="_edn73"><sup>73</sup></a> Contexto da afirmação X215</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Prisioneiros políticos, principalmente comunistas, foram os primeiros alvos do nazismo, estabelecendo o sistema de campos. Em 1937, o triângulo vermelho precedeu as estrelas amarelas, mostrando que o anticomunismo era a violência fundamental do fascismo.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os primeiros campos de concentração nazistas, como Dachau e Oranienburg, abriram em 1933, abrigando pelo menos 27 mil prisioneiros até o final do ano – 80% comunistas e 10% sociais-democratas. O controle passou da SA para a SS, que aperfeiçoou os métodos de desumanização e tortura. Em 1937, o triângulo vermelho que marcava prisioneiros políticos tornou-se o modelo para classificar todas as vítimas dos campos.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Arolsen Archives. “Prisoner Groups in the Concentration Camp: How the Nazis Stigmatised Their Victims”. Arolsen Archives, 23 nov. 2023. <a href="https://arolsen-archives.org/en/news/prisoner-groups-in-the-concentration-camp-how-the-nazis-stigmatized-their-victims/">https://arolsen-archives.org/en/news/prisoner-groups-in-the-concentration-camp-how-the-nazis-stigmatized-their-victims/</a>.</div>
<div class="citation">Berra, Peter. Photo of Identification Badge of a Political Prisoner in Nazi Camps. 17 jul. 2020. Montreal Holocaust Museum. https://museeholocauste.ca/en/objects/identification-badge-of-a-political-prisoner-nazi-camps/.</div>
<div class="citation">McDonough, Frank. Opposition and Resistance Nazi Germany. Cambridge University Press, 2001.</div>
<div class="citation">German Historical Institute Washington. “Table of Coloured Classification Symbols for Prisoners in Concentration Camps (c. 1938–1944)”. Acesso em: 3 set. 2025. <a href="https://germanhistorydocs.org/en/nazi-germany-1933%E2%80%931945/table-of-colored-classification-symbols-for-prisoners-in-concentration-camps-1939%E2%80%931942">https://germanhistorydocs.org/en/nazi-germany-1933–1945/table-of-colored-classification-symbols-for-prisoners-in-concentration-camps-1939–1942</a>.</div>
<div class="citation">Wachsmann, Nikolaus. KL: A History of the Nazi Concentration Camps, 1st edition. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2015.</div>
<div class="citation">KZ Gedenkstätte Dachau. “Dachau Concentration Camp Memorial Site”. 11 set. 2025. <a href="https://www.kz-gedenkstaette-dachau.de/en/">https://www.kz-gedenkstaette-dachau.de/en/</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref74" name="_edn74"><sup>74</sup></a> Contexto da afirmação X090</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Entre assumir o poder (1933) e invadir a Polônia (1939), os nazistas executaram 30 mil opositores políticos – principalmente comunistas e socialistas. Esse genocídio interno precedeu a guerra externa.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O regime nazista executou aproximadamente 30 mil opositores políticos entre 1933 e 1939 – a maioria comunistas e socialistas, junto com sindicalistas e sociais-democratas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">McDonough, Frank. Opposition and Resistance Nazi Germany. Cambridge University Press, 2001.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref75" name="_edn75"><sup>75</sup></a> Contexto da afirmação X092</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A estratégia de limpieza (limpeza) de Franco executou sistematicamente todos as pessoas de esquerda em território capturado. Civis assassinados atrás das linhas – incluindo professores, membros de sindicatos e qualquer um com simpatia republicana: 130 mil a 200 mil.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As forças nacionalistas de Franco executaram de 130 mil a 200 mil civis e prisioneiros em áreas controladas (1936-1939).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Casanova, Julián, Francisco Espinosa, Conxita Mir, and Francisco Moreno. Morir, matar, sobrevivir: la violencia en la dictadura de Franco. Barcelona: Crítica, 2002.</div>
<div class="citation">Preston, Paul. The Spanish Holocaust: Inquisition and Extermination Twentieth-Century Spain. London: Harper Press, 2012.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X093</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A vitória em 1º de abril de 1939 não trouxe paz, mas extermínio sistemático. A Lei de Responsabilidades Políticas de Franco criminalizou retroativamente o apoio à República. Ao menos de 50 mil foram executados após a guerra.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O regime de Franco executou 50 mil republicanos após o fim da guerra (abril de 1939-1943), com 15 mil mortos apenas no primeiro ano sob sentenças de morte retroativas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Casanova, Julián, Francisco Espinosa, Conxita Mir, and Francisco Moreno. Morir, matar, sobrevivir: la violencia en la dictadura de Franco. Barcelona: Crítica, 2002.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref76" name="_edn76"><sup>76</sup></a> Contexto da afirmação X125</div>
<div class="claim-content context-content"><i>As forças de Franco transformaram a cidade de Badajoz em um campo de morte em agosto de 1936, metralhando republicanos na arena da cidade; um repórter do Chicago Tribune testemunhou o massacre. Esse foi o padrão da vitória fascista.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Forças nacionalistas sob o comando do Coronel Juan Yagüe executaram de 2 a 4 mil republicanos em Badajoz nos dias 14 e 15 de agosto de 1936, alguns fuzilados na praça de touros da cidade.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Allen, Jay. “Slaughter of 4,000 at Badajoz, “City of Horrors”, Is Told by Tribune Man”. Chicago Tribune, 30 ago. 1936.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref77" name="_edn77"><sup>77</sup></a> Contexto da afirmação X152</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Mais de 35 mil voluntários de mais de 50 nações lutaram contra o fascismo espanhol – 30% de baixas. Os brigadistas capturados foram executados imediatamente. Os sobreviventes foram colocados na lista suja em seu país. Os primeiros combatentes antifascistas foram os primeiros a serem abandonados.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As Brigadas Internacionais sofreram 30% de baixas (mais de 10 mil de 35 mil voluntários); as forças nacionalistas geralmente executavam voluntários internacionais capturados imediatamente.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Beevor, Antony. The Battle for Spain: The Spanish Civil War 1936-1939. East Rutherford, NJ: Penguin Publishing Group, 2006.</div>
<div class="citation">Virtual Museum of the Spanish Civil War. “The International Brigades”. In: Virtual Museum of the Spanish Civil War. Virtual Museum of the Spanish Civil War. Acesso em: 1 set. 2025. <a href="https://www.vscw.ca/en/node/699">https://www.vscw.ca/en/node/699</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref78" name="_edn78"><sup>78</sup></a> Contexto da afirmação X094</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Lei de Preservação da Paz do Japão (1925) precedeu o poder nazista em oito anos. A Polícia Especial Superior (Tokkō) prendeu cerca de 65 mil pessoas por “crimes de pensamento” entre 1928 e 1943. A tortura era sistemática e as mortes rotineiras – não eram necessários julgamentos.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Tokkō prendeu quase 65 mil pessoas sob a Lei de Preservação da Paz entre 1928 e 1943.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Tipton, Elise K. The Japanese Police State: The Tokkô Interwar Japan, Facsim. ed. London: Bloomsbury Academic, 2012.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref79" name="_edn79"><sup>79</sup></a> Contexto da afirmação X126</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Kobayashi Takiji escreveu Kanikōsen, expondo a brutalidade capitalista. A Polícia Especial Superior (Tokkō) o torturou até a morte por três horas em 20 de fevereiro de 1933. A autópsia relatou todos os dedos quebrados e hemorragias internas.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Kobayashi Takiji, preso em 20 de fevereiro de 1933 pela polícia Tokkō, foi torturado até a morte no mesmo dia; a autópsia revelou tortura sistemática, incluindo dedos quebrados.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Tipton, Elise K. The Japanese Police State: The Tokkô Interwar Japan, Facsim. ed. London: Bloomsbury Academic, 2012.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref80" name="_edn80"><sup>80</sup></a> Contexto da afirmação X153</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os camisas-negras (squadristi) de Mussolini destruíram 119 câmaras de trabalho, 107 cooperativas e 83 ligas de camponeses entre 1920 e 1922. Os métodos: queimar edifícios, matar líderes e aterrorizar membros. A democracia morreu edifício por edifício.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os squadristi realizaram 2.120 ataques violentos documentados entre 1920 e 1922, matando 709 pessoas de esquerda enquanto destruíam 119 câmaras de trabalho e 107 cooperativas no norte da Itália.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Saluppo, Alessandro. “Paramilitary Violence and Fascism: Imaginaries and Practices of Squadrismo, 1919–1925”. Contemporary European History 29, n. 3, 2020. <a href="https://doi.org/10.1017/S0960777319000390">https://doi.org/10.1017/S0960777319000390</a>.</div>
<div class="citation">Acemoglu, Daron, Giuseppe De Feo, Giacomo De Luca, and Gianluca Russo. “War, Socialism, and the Rise of Fascism: An Empirical Exploration”. The Quarterly Journal of Economics 137, n. 2, 2022. <a href="https://doi.org/10.1093/qje/qjac001">https://doi.org/10.1093/qje/qjac001</a>.</div>
<div class="citation">Franzinelli, Mimmo. Squadristi: protagonisti e tecniche della violenza fascista 1919–1922. Milano: Feltrinelli, 2019.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref81" name="_edn81"><sup>81</sup></a> Contexto da afirmação X209</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A mídia dos EUA elogiou a violência anticomunista de Hitler como “limpeza necessária”, revelando a preferência do capitalismo pelo fascismo em vez do socialismo. Esse apoio editorial possibilitou a ação dos arquitetos do Holocausto.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Um editorial de 1933 do Seattle Times elogiou a violenta repressão de Hitler aos comunistas alemães como uma “limpeza política” necessária.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Associated Press. “Hitler Granted 4-Year Term as Supreme Ruler”. The Seattle Daily Times (Seattle, WA), 24 mar. 1933.</div>
<div class="citation">Branscum, Michael. “Nazism in the 1933 Seattle Times”. Civil Rights and Labor History Consortium/University of Washington, 2009. <a href="https://depts.washington.edu/depress/nazi_seattle_times.shtml">https://depts.washington.edu/depress/nazi_seattle_times.shtml</a>.</div>
<div class="citation">Washington Editors. “What the State Thinks – Hitler Appraised”. The Seattle Sunday Times (Seattle, WA), 24 March 1933.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref82" name="_edn82"><sup>82</sup></a> Contexto da afirmação X141</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Henry Ford recebeu a maior honra estrangeira da Alemanha nazista em julho de 1938 – após os planos para a Noite dos cristais estarem em andamento e após a Anschluss. Seu livro Judeu Internacional inspirou Hitler. Medalha foi mantida, os negócios continuaram.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Henry Ford recebeu a Grande Cruz da Águia Alemã – a mais alta honra nazista para estrangeiros – no seu 75º aniversário, 30 de julho de 1938, entregue por um cônsul alemão em Detroit.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Wallace, Max. The American Axis. New York: St. Martin’s, 2005.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref83" name="_edn83"><sup>83</sup></a> Contexto da afirmação N051</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Japão já estava derrotado em agosto de 1945. A União Soviética preparava-se para entrar na guerra. Os líderes militares dos EUA tinham vencido a Guerra do Pacífico e compreendiam a posição estratégica do Japão. No entanto, as bombas atômicas foram lançadas sobre Hiroshima (6 de agosto) e Nagasaki (9 de agosto).</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O oficial militar de mais alta patente dos EUA (Leahy) e o Comandante Supremo Aliado na Europa (Eisenhower) afirmaram que os bombardeios atômicos eram militarmente desnecessários, pois o Japão já estava derrotado. O historiador Gar Alperovitz documenta oposição semelhante por parte de outros cinco oficiais de cinco estrelas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Alperovitz, Gar. The Decision to Use the Atomic Bomb and the Architecture of an American Myth. New York: A.A.Knopf, 1995.</div>
<div class="citation">Eisenhower, Dwight D. Mandate for Change, 1953–1956. New York: Doubleday &amp; Company, Inc., 1963.</div>
<div class="citation">Leahy, William D. I Was There: The Personal Story of the Chief of Staff to Presidents Roosevelt and Truman Based on His Notes and Diaries Made at the Time. New York: Whittlesey House, McGraw-Hill Book Company, Inc., 1950.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação N052</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Imediatamente após a rendição do Japão, o governo dos EUA conduziu uma investigação oficial sobre a eficácia do bombardeio estratégico. A pesquisa, publicada em julho de 1946, teve acesso a todas as informações de inteligência militar, documentos do governo japonês e depoimentos dos líderes japoneses sobreviventes.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A pesquisa oficial sobre bombardeios estratégicos dos EUA concluiu que o Japão teria se rendido em novembro de 1945 mesmo sem as bombas atômicas, a entrada da União Soviética na guerra ou a invasão.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">The United States Strategic Bombing Surveys: European War, Pacific War. The United States Strategic Bombing Surveys, 1946.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref84" name="_edn84"><sup>84</sup></a> Contexto da afirmação N053</div>
<div class="claim-content context-content">Na Conferência de Yalta (4 a 11 de fevereiro de 1945), Stalin comprometeu-se a que a URSS entraria na guerra contra o Japão três meses após a rendição da Alemanha. A Alemanha rendeu-se em 8 de maio de 1945. Três meses estabeleciam o prazo limite de 8 de agosto. Os físicos do Projeto Manhattan trabalharam freneticamente para concluir a bomba.</div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os cientistas do Projeto Manhattan foram pressionados a cumprir um “prazo misterioso” próximo a 10 de agosto, correspondente ao compromisso da União Soviética de entrar na guerra em meados de agosto.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Foster, John Bellamy. ‘The US Quest for Nuclear Primacy: The Counterforce Doctrine and the Ideology of Moral Asymmetry’, Monthly Review 75, no. 9, 2024. <a href="https://monthlyreview.org/articles/the-u-s-quest-for-nuclear-primacy/">https://monthlyreview.org/articles/the-u-s-quest-for-nuclear-primacy/</a>.</div>
<div class="citation">Morrison, Philip. ‘Blackett’s Analysis of the Issues’, Bulletin of the Atomic Scientists 5, no. 2, 1949.</div>
<div class="citation">US Department of State, ‘Protocol of the Proceedings of the Crimea Conference’, in: Foreign Relations of the United States: Diplomatic Papers, The Conferences at Malta and Yalta, 1945 (Washington: US Government Printing Office, 1955, <a href="https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1945Malta/d503">https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1945Malta/d503</a>.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação N054</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Truman participou da Conferência de Potsdam (17 de julho a 2 de agosto de 1945), onde se encontrou com Stalin e Churchill. Em 16 de julho, enquanto estava em Potsdam, Truman recebeu a notícia de que o teste Trinity havia sido bem-sucedido. Truman mantinha um diário pessoal onde registrava seus pensamentos particulares.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O diário de Truman revela que ele via a bomba atômica como um “trunfo na manga” para lidar com os soviéticos e esperava que o Japão se rendesse antes da entrada da União Soviética, assim que “Manhattan aparecesse”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Alperovitz, Gar. The Decision to Use the Atomic Bomb and the Architecture of an American Myth. New York: A.A.Knopf, 1995.</div>
<div class="citation">Truman, Harry S. ‘Diary Note of President Harry S. Truman’, 1945, President’s Secretary’s Files (Truman Administration), 1945–1953; File: Truman, Harry S.: Diary, 1947–1952, Harry S. Truman Library, <a href="https://catalog.archives.gov/id/183568375">https://catalog.archives.gov/id/183568375</a>.</div>
<div class="citation">Truman, Harry S. ‘Diary Note of President Harry S. Truman’, 1945, President’s Secretary’s Files (Truman Administration), 1945–1953; File: Truman, Harry S.: Diary, 1947–1952, Harry S. Truman Library, <a href="https://catalog.archives.gov/id/183568377">https://catalog.archives.gov/id/183568377</a>.</div>
<div class="citation">Stimson, Henry L. ‘Stimson Diary Entries, May 14 and 15, 1945’, National Security Archive, accessed 10 October 2025, <a href="https://nsarchive.gwu.edu/document/28513-document-12-stimson-diary-entries-may-14-and-15%E2%80%931945">https://nsarchive.gwu.edu/document/28513-document-12-stimson-diary-entries-may-14-and-15–1945</a>.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação N055</div>
<div class="claim-content context-content"><i>James Byrnes era o secretário de Estado de Truman, o arquiteto da diplomacia atômica. Seu assessor Walter Brown manteve um diário detalhado das discussões em Potsdam. Byrnes havia dito ao físico Leo Szilard, em maio de 1945, que a Rússia poderia ser “mais controlável se fosse impressionada pelo poderio militar americano”.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O secretário de Estado Byrnes esperava explicitamente que “após a bomba atômica, o Japão se rendesse e a Rússia não se envolvesse tanto na destruição”.</div>
<div class="sources-header">Fonte:</div>
<div class="citation">Messer, Robert L. The End of an Alliance: James F. Byrnes, Roosevelt, Truman, and the Origins of the Cold War. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1982.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref85" name="_edn85"><sup>85</sup></a> Contexto da afirmação N056</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Hiroshima foi bombardeada em 6 de agosto de 1945. Não houve nenhuma reunião de emergência do Conselho Supremo de Guerra em 7 ou 8 de agosto. A URSS declarou guerra em 8 de agosto. A invasão soviética da Manchúria começou na madrugada de 9 de agosto. O Conselho Supremo de Guerra realizou sua primeira reunião de emergência sobre a rendição na manhã de 9 de agosto. Nagasaki foi bombardeada mais tarde naquele mesmo dia.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A invasão soviética, não a bomba atômica, motivou a decisão de rendição do Japão; o édito do Imperador Hirohito citou a entrada soviética como uma ameaça à existência do império, mas não mencionou as bombas atômicas.</div>
<div class="sources-header">Fonte:</div>
<div class="citation">Tsuyoshi Hasegawa, Racing the Enemy: Stalin, Truman, and the Surrender of Japan. Cambridge: The Belknap Press of Harvard University Press, 2005.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação N057</div>
<div class="claim-content context-content"><i>P. M. S. Blackett foi um físico britânico ganhador do Prêmio Nobel (Prêmio Nobel de 1948 pela pesquisa sobre raios cósmicos), membro da Royal Society e consultor científico do governo britânico durante a guerra. Ele publicou Fear, War, and the Bomb: Military and Political Consequences of Atomic Energy (Medo, guerra e a bomba: consequências militares e políticas da energia atômica) em 1949 — quatro anos após os bombardeios, quando as memórias ainda estavam frescas e as evidências eram acessíveis.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A análise do físico britânico P. M. S. Blackett, em 1948, identificou os bombardeios atômicos como “a primeira grande operação da guerra fria diplomática com a Rússia”, em vez do último ato militar da Segunda Guerra Mundial, uma tese posteriormente verificada por historiadores.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Alperovitz, Gar. Atomic Diplomacy: Hiroshima and Potsdam; The Use of the Atomic Bomb and the American Confrontation with Soviet Power. New York: Vintage Books (A Division of Random House), 1965.</div>
<div class="citation">Blackett, P. M. S. Fear, War, and the Bomb: Military and Political Consequences of Atomic Energy. New York: Whittlesey House, McGraw-Hill Book Company, Inc., 1949.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref86" name="_edn86"><sup>86</sup></a> Contexto da afirmação X208</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Semanas após a rendição do Japão, os EUA e o Reino Unido restauraram ativamente o domínio colonial no Vietnã, violando as promessas da Carta do Atlântico – uma traição imediata dos princípios de autodeterminação que expôs a verdadeira agenda imperial.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Após Ho Chi Minh declarar independência em 2 de setembro de 1945, as forças britânicas rearmaram as tropas francesas em 22–23 de setembro; os EUA forneceram oito navios de transporte em outubro para levar divisões francesas ao Vietnã.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Logevall, Fredrik. Embers of War: The Fall of an Empire and the Making of America’s Vietnam, 1st edition. New York: Random House, 2012.</div>
<div class="citation">Huff, Gregg. World War II and Southeast Asia: Economy and Society Under Japanese Occupation. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2020.</div>
<div class="citation">Springhall, John. “‘Kicking Out the Vietminh’: How Britain Allowed France to Reoccupy South Indochina, 1945–46”. Journal of Contemporary History 40, n. 1, 2005.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref87" name="_edn87"><sup>87</sup></a> Contexto da afirmação X142</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Membros da resistência gregos que lutaram contra os nazistas foram então mortos pela Grã-Bretanha e pelos EUA – a mesma resistência que imobilizou 300 mil soldados do Eixo foi esmagada para evitar o comunismo; 158 mil morreram. Democracia via massacre.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Guerra Civil da Grécia (1946-1949): 158 mil mortes; a Grã-Bretanha enviou 40 mil soldados e os EUA forneceram 300 milhões de dólares em ajuda militar para derrotar os partidários comunistas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Lengel, Edward G. “The Greek Civil War, 1944–1949”. The National WWII Museum, 22 maio 2020. <a href="https://www.nationalww2museum.org/war/articles/greek-civil-war-1944%E2%80%931949">https://www.nationalww2museum.org/war/articles/greek-civil-war-1944–1949</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref88" name="_edn88"><sup>88</sup></a> Contexto da afirmação N013</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Após a Guerra Mundial Antifascista, os EUA intervieram para suprimir movimentos de esquerda como parte da estratégia emergente da Guerra Fria. Na Ilha Jeju, o governo militar dos EUA supervisionou o massacre de 14 a 30 mil civis (1948-1949).</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As forças sul-coreanas sob o comando do governo militar dos EUA mataram de 14 a 30 mil civis na Ilha Jeju (1948-1949), com conselheiros dos EUA presentes e aeronaves dos EUA realizando reconhecimento.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">The National Committee for Investigation of the Truth About the Jeju April 3 Incident. The Jeju 4.3 Incident Investigation Report. Jeju 4.3 Peace Foundation, 2014. <a href="http://www.jeju43peace.or.kr">www.jeju43peace.or.kr</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref89" name="_edn89"><sup>89</sup></a> Contexto da afirmação X105</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A China entrou na Coreia para evitar que as forças dos EUA chegassem à sua fronteira. O custo: 197.653 soldados do exército voluntário mortos, incluindo o filho de Mao. A China chama isso de Guerra para Resistir à Agressão dos EUA e Ajudar a Coreia – o enquadramento revela a perspectiva.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O Exército Popular de Voluntários da China perdeu 197.653 soldados na Coreia (1950-1953), incluindo Mao Anying (filho de Mao Zedong), morto em um ataque aéreo dos EUA em novembro de 1950.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Li, Xia. “China Holds Burial Ceremony for Soldier Remains Returned from ROK”. Xinhua News Agency, 4 abr. 2019. <a href="https://www.xinhuanet.com/english/2019%E2%80%9304/04/c_137949939.htm">https://www.xinhuanet.com/english/2019–04/04/c_137949939.htm</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref90" name="_edn90"><sup>90</sup></a> Contexto da afirmação X103</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Coreia suportou mais bombas do que todo o teatro de guerra do Pacífico na Segunda Guerra Mundial: 635 mil toneladas de bombas convencionais e mais de 32.557 toneladas de napalm. Nenhum ferido por napalm – apenas mortos, apenas incineração instantânea. Cidades inteiras borradas do mapa.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As forças dos EUA lançaram 635 mil toneladas de bombas e 32.557 toneladas de napalm na Coreia entre 1950 e 1953, superando o total de toneladas do Teatro do Pacífico na Segunda Guerra Mundial em um país um septuagésimo do tamanho do Japão.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Cumings, Bruce. The Korean War: A History. New York: Random House Publishing Group, 2010.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref91" name="_edn91"><sup>91</sup></a> Contexto da afirmação X096</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Comando Aéreo Estratégico dos EUA lançou 635 mil toneladas de bombas e 32.557 toneladas de napalm na Coreia. A avaliação do General Curtis LeMay: genocídio alcançado – “Matamos – o quê? – 20% da população”.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O General Curtis LeMay declarou: “Ao longo de um período de três anos, matamos – o quê? – 20% da população da Coreia do Norte”.</div>
<div class="sources-header">Fonte:</div>
<div class="citation">Kohn, Richard H., and Joseph P. Harahan. Strategic Air Warfare: An Interview with Generals Curtis E. LeMay, Leon W. Johnson, David A. Burchinal, and Jack J. Catton. Office of Air Force History, US Air Force, 1988.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref92" name="_edn92"><sup>92</sup></a> Contexto da afirmação N014</div>
<div class="claim-content context-content"><i>As forças dos EUA lançaram 635 mil toneladas de bombas e 32.557 toneladas de napalm na Coreia – mais do que todo o Teatro do Pacífico na Guerra Mundial Antifascista. Toda cidade com uma população superior a 50 mil habitantes foi destruída. O próprio MacArthur disse que vomitou ao ver os resultados.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">MacArthur testemunhou ao Senado dos EUA em 1951: “A guerra na Coreia praticamente destruiu aquela nação de 20 milhões de pessoas. Nunca vi tamanha devastação. Eu vomitei’.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">United States Senate, Committee on Armed Services and Committee on Foreign Relations. Military Situation in the Far East: Hearings Before the Committee on Armed Services and the Committee on Foreign Relations, United States Senate, Eighty-Second Congress, First Session, to Conduct an Inquiry into the Military Situation in the Far East and the Facts Surrounding the Relief of General of the Army Macarthur from His Assignments in That Area. 82d Cong., 1st Sess. US Government Printing Office, 1951. <a href="https://catalog.hathitrust.org/Record/001606736">https://catalog.hathitrust.org/Record/001606736</a>.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação N015</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Comando de Bombardeio do Extremo Oriente lançou 635 mil toneladas de bombas, 32.557 toneladas de napalm. Os alvos incluíam represas, sistemas de irrigação, campos de arroz e cidades. A estratégia: destruir a produção de alimentos. O resultado: 20% da população morta.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O Major General Emmett O’Donnell Jr., chefe do Comando de Bombardeio da Força Aérea do Extremo Oriente, testemunhou: “Tudo está destruído. Não há nada que se possa considerar digno desse nome”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">United States Senate. Military Situation in the Far East: Hearings Before the Committee on Armed Services and the Committee on Foreign Relations, United States Senate, Eighty-Second Congress, First Session. Congressional Hearings n. 153797. 82d Cong., 1st Sess. US Government Printing Office, 1951. <a href="https://catalog.hathitrust.org/Record/001606736">https://catalog.hathitrust.org/Record/001606736</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref93" name="_edn93"><sup>93</sup></a> Contexto da afirmação X104</div>
<div class="claim-content context-content"><i>As listas de alvos da Força Aérea dos EUA evoluíram: alvos militares foram eliminados até 1950; locais industriais destruídos até 1951; cidades obliteradas até 1952; represas de irrigação até 1953. Política: destruir tudo. Resultado: 18 das 22 cidades foram apagadas do mapa.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os ataques aéreos dos EUA destruíram 18 das 22 principais cidades da Coreia do Norte – Sinanju 100%, Sariwon 95%, Pyongyang 75% – com a taxa média de destruição excedendo 50%.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Cumings, Bruce. The Korean War: A History. New York: Random House Publishing Group, 2010.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X202</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O bombardeio dos EUA alcançou níveis de destruição que superaram Dresden ou Tóquio. As cidades não foram apenas danificadas, mas apagadas do mapa. Essa obliteração sistemática da infraestrutura civil constituiu genocídio deliberado através da guerra aérea.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Avaliações de danos da Força Aérea dos EUA confirmam que Sinanju foi 100% destruída e Sariwon 95% destruída durante a campanha de bombardeio da Guerra da Coreia.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Cumings, Bruce. The Korean War: A History. New York: Random House Publishing Group, 2010.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref94" name="_edn94"><sup>94</sup></a> Contexto da afirmação X107</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A CIA financiou secretamente a guerra intelectual contra o comunismo. Por meio do Congresso pela Liberdade Cultural, centenas de intelectuais acabaram na folha de pagamento da agência. O objetivo: tornar o anticomunismo sinônimo de inteligência.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A CIA financiou o Congresso pela Liberdade Cultural (1950-1967) com dezenas de milhões de dólares, publicando mais de 20 revistas e organizando conferências globalmente.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Saunders, Frances Stonor. The Cultural Cold War: The CIA and the World of Arts and Letters. New York: The New Press, 2013.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref95" name="_edn95"><sup>95</sup></a> Contexto da afirmação X119</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Irving Kristol – o “padrinho do neoconservadorismo” – construiu uma carreira com dinheiro da CIA. Ele editou a revista Encounter, que foi secretamente financiada pela CIA através do Congresso pela Liberdade Cultural. Democracia através do engodo.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Irving Kristol editou a revista Encounter (1953-1958), recebendo fundos da CIA por meio do Congresso pela Liberdade Cultural; o financiamento foi revelado em 1967 – Kristol alegou desconhecimento.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Saunders, Frances Stonor. The Cultural Cold War: The CIA and the World of Arts and Letters. New York: The New Press, 2013.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X120</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Sidney Hook promoveu a tese dos “gêmeos totalitários” – equiparando Stalin a Hitler – em conferências financiadas pela CIA. A agência pagou intelectuais para disfarçar a propaganda estatal como filosofia independente.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Sidney Hook participou da conferência fundadora do Congresso pela Liberdade Cultural em Berlim (1950), que foi secretamente organizada e financiada pelo Escritório de Coordenação de Políticas da CIA.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Warner, Michael. “Origins of the Congress of Cultural Freedom, 1949–50 Cultural Cold War”. Studies in Intelligence 38, n. 5, 1995.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref96" name="_edn96"><sup>96</sup></a> Contexto da afirmação X144</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Um oficial da CIA se gabou publicamente sobre a imoralidade. Confissão de Thomas Braden em 1967: “Estou feliz que a CIA seja imoral”. Ele admitiu ter comprado intelectuais e aparelhado o setor cultural. Democracia por meio do engodo.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Thomas Braden, ex-chefe da Divisão de Organizações Internacionais da CIA, escreveu no Saturday Evening Post em 20 de maio de 1967: “Estou feliz que a CIA seja “imoral””.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Braden, Thomas W. “I’m Glad the CIA Is ‘Immoral’”. The Saturday Evening Post, 20 maio 1967.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref97" name="_edn97"><sup>97</sup></a> Contexto da afirmação X108</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A vigilância sistemática do FBI sobre a academia criou um clima intelectual no qual desafiar narrativas imperiais se tornou um suicídio profissional – uma infraestrutura de intimidação que garantiu que aqueles que documentavam lutas socialistas ou anticoloniais fossem silenciados enquanto aqueles que promoviam o excepcionalismo estadunidense prosperavam.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Pesquisa de 1955: 1.484 dos 2.434 professores de ciências sociais (61%) relataram contato com o FBI no último ano – 676 tiveram entre 1 e 2 contatos, 808 tiveram mais de 3 contatos.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Lazarsfeld, Paul F., and Wagner Thielens. The Academic Mind: Social Scientists a Time of Crisis. New York: Arno Press, 1958.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref98" name="_edn98"><sup>98</sup></a> Contexto da afirmação X109</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Departamento de Defesa (DOD) capturou as universidades estadunidenses através da dependência de financiamento – na década de 1950, controlava 83,8% dos recursos federais destinados à pesquisa; em Stanford em 1960, 40% do orçamento vinha de contratos militares.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O DOD controlava cerca de 83,8% dos gastos federais em pesquisa (pico da década de 1950). Na Universidade de Stanford em 1960 os contratos militares representavam 40% do orçamento total.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Myers, Andrew. “A Period of Transformation 1955–1964”. 100 Years of Stanford Engineering. Acesso em: 13 set. 2025. <a href="https://engineering100.stanford.edu/stories/a-period-of-transformation">https://engineering100.stanford.edu/stories/a-period-of-transformation</a>.</div>
<div class="citation">Rowberg, Richard. Federal R&amp;D Funding: A Concise History. Nos 95–1209 STM. Congressional Research Service, 1998. <a href="https://www.everycrsreport.com/reports/95%E2%80%931209.html">https://www.everycrsreport.com/reports/95–1209.html</a>.</div>
<div class="citation">Leslie, Stuart W. The Cold War and American Science: The Military-Industrial-Academic Complex at MIT and Stanford. New York: Columbia University Press, 1993.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref99" name="_edn99"><sup>99</sup></a> Contexto da afirmação X206</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Há uma discrepância significativa entre os números de baixas da Segunda Guerra Mundial na China citados por alguns historiadores ocidentais e os números oficiais, documentados, divulgados pelo governo chinês.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O historiador ocidental Rana Mitter estima entre 15 e 20 milhões de mortes chinesas, enquanto a pesquisa abrangente do governo chinês de 2015 documentou 24,07 milhões de mortes de 1931 a 1945.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Bian, Xiuyue [卞修跃]. 抗日战争时期中国人口损失问题研究 (1937–1945) [Research on China’s Population Losses During the War of Resistance Against Japan (1937–1945)]. Beijing: Hualing Publishing House [华龄出版社], 2012.</div>
<div class="citation">Mitter, Rana. Forgotten Ally: China’s World War II, 1937–1945. Boston, MA: Houghton Mifflin Harcourt, 2018.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref100" name="_edn100"><sup>100</sup></a> Contexto da afirmação X066</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os números de vítimas divulgados pelo governo chinês são confirmados por várias fontes oficiais: os anúncios nas comemorações do 50º (1995), 60º (2005) e 70º (2015) aniversários, verificados por meio de uma pesquisa nacional de uma década (2005-2015) envolvendo 600 mil participantes e formalmente apresentados em coletivas de imprensa do Conselho de Estado (2015). A investigação cobriu todo o período da guerra, de 1931 a 1945, coletando registros locais e depoimentos de sobreviventes publicados em uma série de pesquisas com quase 300 volumes.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A China sofreu 35 milhões de baixas militares e civis (mortos e feridos combinados) entre 1931 e 1945. As perdas econômicas diretas ultrapassaram US$ 100 bilhões e as perdas econômicas indiretas ultrapassaram US$ 500 bilhões, ambas calculadas usando as taxas de câmbio de 1937. O total de mortes documentadas na China entre 1931 e 1945 foi de 24,05 milhões, incluindo 20,6 milhões de mortes diretas, 3 milhões por fome induzida pela guerra e 450.000 entre 1931 e 1937 (estimativa do autor).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Bian, Xiuyue [卞修跃]. 抗日战争时期中国人口损失问题研究 (1937–1945) [Research on China’s Population Losses During the War of Resistance Against Japan (1937–1945)]. Beijing: Hualing Publishing House [华龄出版社], 2012.</div>
<div class="citation">State Council Information Office [国务院新闻办公室]. “新闻办吹风会介绍“抗日战争时期中国人口伤亡和财产损失”调研成果情况和二战中中国贡献的最新理论研究成果 [News Briefing on Research Findings on Chinese Casualties and Property Losses During the War of Resistance Against Japanese Aggression and the Latest Theoretical Research on China’s Contribution in World War II]”. Chinese Government Website [中国政府网], 14 jul. 2015. <a href="https://www.gov.cn/xinwen/zb_xwb77/">https://www.gov.cn/xinwen/zb_xwb77/</a>.</div>
<div class="citation">Xi, Jinping [习近平]. “习近平在纪念中国人民抗日战争暨世界反法西斯战争胜利70周年大会上的讲话_中华人民共和国外交部 [Speech at the Commemoration of the 70th Anniversary of Victory in the Chinese People’s War of Resistance Against Japanese Aggression and the World Anti-Fascist War]”. Speech. Beijing, 3 set. 2015. <a href="https://www.mfa.gov.cn/web/ziliao_674904/zyjh_674906/201509/t20150903_9869606.shtml">https://www.mfa.gov.cn/web/ziliao_674904/zyjh_674906/201509/t20150903_9869606.shtml</a>.</div>
<div class="citation">Li, Zhongjie [李忠杰], Li Rong [李蓉], Yao Jinguo [姚金果], Huo Haidan [霍海丹], and Jiang Jiannong [蒋建农]. 抗日战争时期中国人口伤亡和财产损失调研丛书 [Research Series on Chinese Casualties and Property Losses During the War of Resistance Against Japan]. Beijing: CPC Party History Publishing House [中共党史出版社], 2014.</div>
<div class="citation">State Council Information Office [国新办新闻发布会]. “国新办举行抗战时期中国伤亡、财产损失及贡献等研究成果吹风会 [The State Council Information Office held a press briefing on research findings regarding Chinese casualties, property losses, and contributions during the Anti-Japanese War period]”. State Council Information Office [国新办新闻发布会], 1 jul. 2015. <a href="http://www.scio.gov.cn/xwfb/gwyxwbgsxwfbh/wqfbh_2284/2015n_9477/2015n07y14r/">http://www.scio.gov.cn/xwfb/gwyxwbgsxwfbh/wqfbh_2284/2015n_9477/2015n07y14r/</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref101" name="_edn101"><sup>101</sup></a> Contexto da afirmação N002</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Principais obras de referência enciclopédicas compilam as baixas da Segunda Guerra Mundial com variada completude. A Enciclopédia Britânica lista 5,68 milhões de mortes civis polonesas, mas não computa as mortes civis da China, apesar de uma guerra de 14 anos.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As tabelas de baixas da Segunda Guerra Mundial da Enciclopédia Britânica trazem 1.310.224 de mortes militares chinesas, mas deixa os campos de mortes civis e totais em branco, enquanto fornece dados completos para todas as nações europeias.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Hughes, Thomas A, and John Graham Royde-Smith. “World War II: Facts, Summary, History, Dates, Combatants, and Causes”. In: Encyclopaedia Britannica. 9 set. 2025. <a href="https://www.britannica.com/event/World-War-II">https://www.britannica.com/event/World-War-II</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref102" name="_edn102"><sup>102</sup></a> Contexto da afirmação N040</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Em 13 de setembro de 1938, dois dias antes de seu primeiro encontro com Hitler em Berchtesgaden, o primeiro-ministro Neville Chamberlain escreveu uma carta privada ao rei George VI. Essa carta revela os verdadeiros objetivos estratégicos de Chamberlain, que diferiam fundamentalmente de suas declarações públicas sobre a preservação da paz e da soberania da Tchecoslováquia.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Chamberlain escreveu ao rei George VI em 13 de setembro de 1938 afirmando que seu objetivo era um “entendimento anglo-alemão” com a Alemanha e a Inglaterra como “os dois pilares da paz europeia e baluartes contra o comunismo”, reconhecendo que Hitler estava determinado a “avançar mais para o leste”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Hitchens, Christopher. ‘Chamberlain: Collusion, Not Appeasement’, Monthly Review 46, no. 8, 1995. <a href="https://doi.org/10.14452/MR-046%E2%80%9308-1995%E2%80%9301_3">https://doi.org/10.14452/MR-046–08-1995–01_3</a>.</div>
<div class="citation">Leibovitz, Clement; Finkel, Alvin. The Chamberlain-Hitler Collusion. New York: Monthly Review Press, 1997.</div>
<div class="citation">Wheeler-Bennett, John W. King George VI: His Life and Reign. New York: St.Martin’s Press, 1958.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref103" name="_edn103"><sup>103</sup></a> Contexto da afirmação N038</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Acordo de Munique de 1938 não foi um ato isolado de apaziguamento, mas o culminar de um acordo formal e secreto negociado entre Chamberlain e Hitler. Ao longo de três reuniões em setembro, Chamberlain procurou estabelecer a Alemanha como um “baluarte contra o comunismo”, oferecendo-lhe explicitamente o domínio sobre a Europa Oriental em troca da promessa de deixar o Império Britânico e a Europa Ocidental intocados.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Ao longo de três reuniões em setembro de 1938, Chamberlain e Hitler formalizaram um acordo, culminando na oferta explícita de Hitler em Godesberg, registrada pelo tradutor alemão Dr. Paul Schmidt: “você pode, sem prejuízo, nos dar carta branca no continente europeu, na Europa Central e no Sudeste”.</div>
<div class="sources-header">Fonte:</div>
<div class="citation">Leibovitz, Clement; Finkel, Alvin. The Chamberlain-Hitler Collusion. New York: Monthly Review Press, 1997.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref104" name="_edn104"><sup>104</sup></a> Contexto da afirmação N041</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Sir Nevile Henderson foi embaixador britânico na Alemanha de 1937 a 1939 e negociou pessoalmente com Hitler em nome do governo britânico. Após o início da guerra em setembro de 1939, Henderson escreveu sua avaliação da política britânica, revelando o que a liderança britânica consideraria resultados aceitáveis.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O embaixador britânico na Alemanha, Sir Nevile Henderson, escreveu em outubro de 1939 que o mundo teria “aclamado Hitler como um grande alemão se ele soubesse quando e onde parar: mesmo, por exemplo, após os decretos de Munique e Nuremberg para os judeus”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Hitchens, Christopher. ‘Chamberlain: Collusion, Not Appeasement’, Monthly Review 46, no. 8 (1995): 44–47, <a href="https://doi.org/10.14452/MR-046%E2%80%9308-1995%E2%80%9301_3">https://doi.org/10.14452/MR-046–08-1995–01_3</a>.</div>
<div class="citation">Leibovitz, Clement; Finkel, Alvin. The Chamberlain-Hitler Collusion. New York: Monthly Review Press, 1997.</div>
<div class="citation">Henderson, Neville Failure of a Mission: Berlin 1937–1939. New York: G.P.Putnam’s Sons, 1940.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref105" name="_edn105"><sup>105</sup></a> Contexto da afirmação N042</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A historiografia do pós-guerra construiu uma narrativa de “apaziguamento”, retratando Chamberlain como alguém que ingenuamente tentava evitar a guerra por meio de concessões a Hitler. Estudos históricos recentes, utilizando documentos desclassificados, contestaram fundamentalmente essa interpretação, argumentando que a política britânica representava uma conivência estratégica calculada.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O historiador e editor da Monthly Review, John Bellamy Foster, argumenta que o governo de Chamberlain procurou “não tanto ‘apaziguar’ a Alemanha nazista, mas sim conspirar com ela, na esperança de que a Alemanha voltasse suas armas para o leste, em direção à URSS”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Christopher Hitchens, ‘Chamberlain: Collusion, Not Appeasement’, Monthly Review 46, no. 8, 1995. <a href="https://doi.org/10.14452/MR-046%E2%80%9308-1995%E2%80%9301_3">https://doi.org/10.14452/MR-046–08-1995–01_3</a>.</div>
<div class="citation">John Bellamy Foster, ‘Revolution and Counterrevolution, 1917–2017’, Monthly Review 69, no. 03, 2017. <a href="https://monthlyreview.org/articles/revolution-and-counterrevolution-1917%E2%80%932017/">https://monthlyreview.org/articles/revolution-and-counterrevolution-1917–2017/</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref106" name="_edn106"><sup>106</sup></a> Contexto da afirmação X110</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Pentágono opera o maior programa de subsídio cinematográfico de Hollywood – fornecendo equipamentos, locações e pessoal gratuitamente em troca da aprovação do roteiro. Mais de 2.500 produções foram moldadas por esse processo. O povo dos EUA aprende história através das edições do Pentágono.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O Pentágono colaborou em mais de 2.500 produções de Hollywood, fornecendo equipamentos e locações em troca dos direitos de aprovação do roteiro e uma revisão para averiguar a “precisão”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mirrlees, Tanner. The Militarisation of Movies and Television. Research Report. Costs of War Project. Watson Institute for International &amp; Public Affairs, Brown University, 2025. <a href="https://watson.brown.edu/costsofwar/files/cow/imce/papers/2025/Militarization%20of%20Movies%20and%20TV_2.25.25_.pdf">https://watson.brown.edu/costsofwar/files/cow/imce/papers/2025/Militarization%20of%20Movies%20and%20TV_2.25.25_.pdf</a>.</div>
<div class="citation">Stahl, Roger, dir. Theaters of War: How the Pentagon and CIA Took Hollywood. Produced by Matthew Alford. Media Education Foundation, 2022. 87 min. <a href="https://go.mediaed.org/theaters-of-war">https://go.mediaed.org/theaters-of-war</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref107" name="_edn107"><sup>107</sup></a> Contexto da afirmação X219</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os filmes de guerra soviéticos alcançaram um máximo de 100 cinemas nos EUA, em comparação com milhares para Hollywood, garantindo que os estadunidenses nunca vissem a realidade da Frente Oriental. Esse bloqueio cultural manteve um monopólio de propaganda.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Durante a década de 1950, os melhores filmes soviéticos tiveram exibições garantidas em apenas 100 cinemas nos EUA, enquanto as importações soviéticas médias alcançaram apenas 20 a 40 locais.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Krukones, James H. “The Unspooling of Artkino: Soviet Film Distribution in America, 1940–1975”. History, n. 36, 2009.</div>
<div class="citation">Tsvetkova, Natalia [Наталья Цветкова], Ivan Tsvetkov [Иван Цветков], and Irina Barber. “Americanisation Versus Sovietisation: Film Exchanges Between the United States and the Soviet Union, 1948–1950”. Cogent Arts &amp; Humanities 5, n. 1, 2018. <a href="https://doi.org/10.1080/23311983.2018.1471771">https://doi.org/10.1080/23311983.2018.1471771</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref108" name="_edn108"><sup>108</sup></a> Contexto da afirmação X218</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Hollywood retrata o Exército Vermelho como uma horda primitiva, apesar da URSS ter produzido 30 milhões de armas pequenas. Esse mito transforma a superioridade tática soviética em barbarismo asiático, apagando a vitória científica.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O filme Círculo de fogo, de 2001, retrata soldados soviéticos compartilhando rifles, contradizendo a produção documentada da URSS de mais de 30 milhões de armas pequenas durante a Segunda Guerra Mundial.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Valerʹevich Isaev, Alekseĭ [Алексей Валерьевич Исаев]. Stalingrad: City on Fire. Barnsley, South Yorkshire, UK Havertown, PA, USA: Pen &amp; Sword Military, 2019.</div>
<div class="citation">Malkov, P. V. The Great Patriotic War: The Anniversary Statistical Handbook. Moscow: Federal State Statistics Service, 2020.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref109" name="_edn109"><sup>109</sup></a> Contexto da afirmação N026</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Após executar alguns criminosos de guerra em Nuremberg, o Ocidente ergueu monumentos a outros. A memorialização física de fascistas em países que supostamente derrotaram o fascismo revela prioridades.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Uma investigação documentou 1.500 monumentos homenageando colaboradores nazistas em 25 países – 110 a mais do que na Alemanha e Áustria juntas – e 36 nos EUA.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Golinkin, Lev. “Nazi Monuments Around the World”. The Forward, 27 jan. 2021. <a href="https://forward.com/news/462648/how-many-monuments-honor-fascists-nazis-and-murderers-of-jews-youll-be/">https://forward.com/news/462648/how-many-monuments-honor-fascists-nazis-and-murderers-of-jews-youll-be/</a>.</div>
<div class="citation">Fernandes, Marco. “Nobody Is Forgotten, Nothing Is Forgotten: The 80th Anniversary of a Victory Still Contested”. Peoples Dispatch, 21 maio 2025. <a href="https://peoplesdispatch.org/2025/05/21/nobody-is-forgotten-nothing-is-forgotten-the-80th-anniversary-of-a-victory-still-contested/">https://peoplesdispatch.org/2025/05/21/nobody-is-forgotten-nothing-is-forgotten-the-80th-anniversary-of-a-victory-still-contested/</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref110" name="_edn110"><sup>110</sup></a> Contexto da afirmação N021</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O presidente da ITT, Sosthenes Behn, encontrou-se com Hitler em 3 de agosto de 1933. A ITT detinha 29% do fabricante de aeronaves Focke-Wulf até 1943. O governo dos EUA pagou à ITT 27 milhões de dólares em compensação pelos bombardeios dos aliados em suas fábricas nazistas.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A ITT manteve 29% de propriedade do fabricante de aeronaves Focke-Wulf até 1943, quando recebeu 27 milhões de dólares em indenização do governo dos EUA pelos danos causados pelos bombardeios aliados em suas instalações nazistas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Sampson, Anthony. The Sovereign State of ITT. Connecticut: Fawcett Publications, Inc., 1974.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref111" name="_edn111"><sup>111</sup></a> Contexto da afirmação X115</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A desnazificação dos EUA foi revertida em seis anos – criminosos de guerra cuja mão de obra escrava construiu o arsenal da Wehrmacht usado para massacrar milhões ficaram livres e tiveram suas fortunas restauradas. O padrão: processar entre 1945 e 1948, libertar entre 1949 e 1951, enriquecer para a Guerra Fria.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Alfred Krupp, condenado em 1948 por usar mais de 100 mil trabalhadores escravizados, foi perdoado em 31 de janeiro de 1951 pelo Alto Comissário dos EUA McCloy; todo o império industrial de Krupp foi restaurado.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Raymond, Jack. “21 Nazi Criminals Saved from Death; McCloy, Gen. Handy Commute Sentences as Clemency – 7 to Die – Krupp to Go Free”. Archives. The New York Times, 1 fev. 1951. <a href="https://www.nytimes.com/1951/02/01/archives/21-nazi-criminals-saved-from-death-mccloy-gen-handy-commute.html">https://www.nytimes.com/1951/02/01/archives/21-nazi-criminals-saved-from-death-mccloy-gen-handy-commute.html</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref112" name="_edn112"><sup>112</sup></a> Contexto da afirmação X116</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A família Quandt – que lucrou com os campos de concentração – tornou-se bilionária com a BMW. Günther Quandt usou mão de obra escrava de Mauthausen e assumiu empresas judaicas. Hoje, eles são a família mais rica da Alemanha. Nunca processados.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A família Quandt adquiriu negócios judaicos através da “arianização”, usou trabalhadores escravos de Mauthausen e outros campos em fábricas de baterias, agora controlam 46,7% da BMW.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Jungbluth, Rüdiger. Die Quandts: Ihr Leiser Aufstieg zur mächtigsten Wirtschaftsdynastie Deutschlands [Os Quandts: a ascensão silenciosa à mais poderosa dinastia econômica da Alemanha]. Cologne: Bastei Lübbe, 2004.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref113" name="_edn113"><sup>113</sup></a> Contexto da afirmação X117</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Hermann Abs financiou a construção de Auschwitz através do Deutsche Bank e era membro do conselho da IG Farben durante o Holocausto. Após a guerra, ele foi conselheiro de chanceleres e nomeado arquiteto do “milagre econômico” da Alemanha – ele nunca foi julgado.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Hermann Abs, membro do conselho do Deutsche Bank que organizou o financiamento de Auschwitz e atuou em mais de 40 conselhos corporativos nazistas, tornou-se o principal conselheiro financeiro de Adenauer (1949-1966).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Wistrich, Robert S. Who’s Who Nazi Germany, 2nd edition. London: Routledge, 2001.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref114" name="_edn114"><sup>114</sup></a> Contexto da afirmação X118</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Porsche projetou o “carro do povo” de Hitler usando mão de obra escrava. A fábrica KdF-Wagen foi construída por prisioneiros de guerra italianos e operou com escravos da Europa Oriental. Após a guerra, tornou-se Volkswagen; a Porsche prosperou.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Ferdinand Porsche usou prisioneiros de Buchenwald para produzir os tanques Ferdinand (então chamados de Elefant) e as bombas voadoras V-1 na fábrica da Volkswagen; ele visitou pessoalmente campos para selecionar trabalhadores.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">De Jong, David. Nazi Billionaires: The Dark History of Germany’s Wealthiest Dynasties. London: William Collins, 2022.</div>
<div class="citation">Wistrich, Robert S. Who’s Who Nazi Germany, 2nd edition. London: Routledge, 2001.</div>
<div class="citation">Anderson, Thomas. Ferdinand and Elefant Tank Destroyer. London: Bloomsbury Publishing Plc, 2015.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref115" name="_edn115"><sup>115</sup></a> Contexto da afirmação X147</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os EUA recrutaram mais de 1.600 cientistas nazistas, incluindo membros da SS que usaram trabalho escravo. Sob a Operação Paperclip, criminosos de guerra ganharam laboratórios, sobreviventes de campos de concentração foram enviados para campos de refugiados.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A Operação Paperclip (1945-1959) trouxe mais de 1.500 cientistas nazistas para os EUA – incluindo Werner von Braun, major da SS que usou trabalho escravo do campo de Dora e que mais tarde desenvolveria o foguete Saturn V.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">US National Archives and Records Administration. “Records of the Secretary of Defense (RG 330)”. National Archives, 11 out. 2016. <a href="https://www.archives.gov/iwg/declassified-records/rg-330-defense-secretary">https://www.archives.gov/iwg/declassified-records/rg-330-defense-secretary</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref116" name="_edn116"><sup>116</sup></a> Contexto da afirmação X124</div>
<div class="claim-content context-content"><i>As potências aliadas executaram 920 japoneses e 500 criminosos de guerra alemães, mas protegeram toda a estrutura de comando japonesa. A Unidade 731 recebeu imunidade; médicos alemães foram executados. O cálculo racial determinou a justiça.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Tribunais aliados executaram 920 criminosos de guerra japoneses (principalmente de patentes inferiores) e aproximadamente 500 alemães, enquanto concediam imunidade à Unidade 731 e ao Imperador Hirohito.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Sharples, Caroline. “What Do You Do with a Dead Nazi? Allied Policy on the Execution and Disposal of War Criminals, 1945–55”. In: Transforming Occupation in the Western Zones of Germany: Politics, Everyday Life and Social Interactions, 1945–55, edited by Camilo Erlichmann and Christopher Knowles. Bloomsbury Academic, 2018.</div>
<div class="citation">Piccigallo, Philip R. The Japanese on Trial: Allied War Crimes Operations the East, 1945-1951. Austin, TX: University of Texas Press, 2021.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref117" name="_edn117"><sup>117</sup></a> Contexto da afirmação N028</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Alemanha foi forçada a investigar 90 mil indivíduos, estabelecer tribunais domésticos e seguir até hoje com os processos. No Japão, os EUA encerraram as acusações em 1949. Investigações domésticas japonesas: zero. Processos: zero.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Um memorando do Comitê Coordenador de Estado-Guerra-Marinha dos EUA de 1949 afirmava: “Nenhum novo julgamento deve ser iniciado”. Total de japoneses processados: 5,700. Alemães processados: mais de 90 mil.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Assistant Secretary of State for Occupied Areas (Saltzman) to the United States Member of the Far Eastern Commission (McCoy). Memorandum Trial of Japanese War Criminals. Washington, DC: United States Government Printing Office, 1976. <a href="https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1949v07p2/d8">https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1949v07p2/d8</a>.</div>
<div class="citation">Dower, John W. Embracing Defeat: Japan the Wake of World War II. New York: Norton New Press, 1999.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref118" name="_edn118"><sup>118</sup></a> Contexto da afirmação X070</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Unidade 731 se referia aos prisioneiros como maruta (troncos) e realizava vivissecção sem anestesia, congelava membros até ficarem sólidos e infectava deliberadamente prisioneiros com pestes. Mais de 3 mil foram assassinados em experimentos e mais de 200 mil por armas biológicas. Os EUA concederam-lhes imunidade.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O pessoal da Unidade 731 chamava seus sujeitos de experimentos humanos de maruta, realizando vivissecção sem anestesia em mais de 3.000 vítimas, principalmente chinesas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Nie, Jingbao [聂精保], Guo Nanyan [郭南燕], Mark Selden, and Arthur Kleinman. Japan’s Wartime Medical Atrocities. Comparative Inquiries Science, History, and Ethics. London: Routledge, 2010.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref119" name="_edn119"><sup>119</sup></a> Contexto da afirmação N027</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Ao contrário da desnazificação na Alemanha, onde o aparato estatal foi desmontado e reconstruído, os EUA preservaram estrategicamente as estruturas governamentais e militares do Japão. Os mesmos funcionários que conduziram a guerra gerenciaram a ocupação como aliados anticomunistas.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">MacArthur concedeu imunidade ao Imperador Hirohito e a todos os 3.607 membros da Unidade 731 que mataram 3 mil em experimentos e mais de 200 mil com armas biológicas.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">MacArthur, Douglas. “Telegram General of the Army Douglas MacArthur to the Chief of Staff, United States Army (Eisenhower)”. In: Foreign Relations of the United States, 1946, The Far East, v. 8. United States Government Printing Office, 1971.</div>
<div class="citation">Tanaka, Toshiyuki [田中利幸]. Hidden Horrors: Japanese War Crimes World War II. Lanham, MD: Rowman &amp; Littlefield, 2018.</div>
<div class="endnote-line context-header">Contexto da afirmação X071</div>
<div class="claim-content context-content"><i>MacArthur concedeu imunidade a 3.607 membros da Unidade 731 que assassinaram mais de 3 mil em experimentos e mais de 200 mil com armas biológicas – e pagou 150 mil ienes (556 dólares) pelos dados. Valor das vidas chinesas para os EUA: 19 centavos de dólar cada.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os EUA concederam imunidade a todos os 3.607 membros da Unidade 731 em troca de dados sobre guerra biológica, pagando de 150 mil a 200 mil ienes por pesquisas de experimentos humanos.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Nie, Jingbao [聂精保], Guo Nanyan [郭南燕], Mark Selden, and Arthur Kleinman. Japan’s Wartime Medical Atrocities. Comparative Inquiries Science, History, and Ethics. London: Routledge, 2010.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref120" name="_edn120"><sup>120</sup></a> Contexto da afirmação N029</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Em 1948, os EUA decidiram recrutar criminosos de guerra para governar o Japão e transformar o país em uma arma contra as forças socialistas em ascensão na China e em toda a Ásia.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Kishi escravizou 4 milhões de chineses em Manchukuo (40% de mortalidade), foi libertado da Prisão de Sugamo em 24 de dezembro de 1948 e se tornou primeiro-ministro em 1957 com o apoio da CIA.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Driscoll, Mark. Absolute Erotic, Absolute Grotesque: The Living, Dead, and Undead Japan’s Imperialism 1895–1945. Durham, NC: Duke University Press, 2010.</div>
<div class="citation">Tokumoto, Eiichiro [徳本栄一郎]. “Boiling Point”. Number 1 Shimbun, ago. 2023. https://www.fccj.or.jp/number-1-shimbun-article/boiling-point.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref121" name="_edn121"><sup>121</sup></a> Contexto da afirmação N016</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O Japão matou 24 milhões de chineses, 3,4 milhões de indonésios, 1,5 milhão de vietnamitas. Cinquenta anos depois, um primeiro-ministro pediu desculpas. Líderes subsequentes visitam o Santuário Yasukuni em homenagem a criminosos de guerra.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O Primeiro-Ministro Murayama declarou em 15 de agosto de 1995: O Japão “causou danos e sofrimentos enormes ao povo de muitos países, particularmente aos das nações asiáticas”.</div>
<div class="sources-header">Fonte:</div>
<div class="citation">Murayama, Tomiichi [村山富市], ‘Statement by Prime Minister Tomiichi Murayama “On the Occasion of the 50th Anniversary of the War’s End”’, Ministry of Foreign Affairs of Japan, 15 August 1995, <a href="https://www.mofa.go.jp/announce/press/pm/murayama/9508.html">https://www.mofa.go.jp/announce/press/pm/murayama/9508.html</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref122" name="_edn122"><sup>122</sup></a> Contexto da afirmação X128</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Declaração do Cairo prometeu que a Coreia seria “livre e independente”. A realidade: dois coronéis estadunidenses dividiram o país em um mapa e ele foi ocupado pelos EUA e pela URSS, e depois destruído em uma guerra que matou 20% da população.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A Declaração do Cairo (1 de dezembro de 1943): Roosevelt, Churchill e Chiang afirmaram que “no devido tempo a Coreia se tornará livre e independente”.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Early, Stephen. “Cairo Communiqué”. National Diet Library, 1 dez. 1943. <a href="https://www.ndl.go.jp/constitution/e/shiryo/01/002_46/002_46tx.html">https://www.ndl.go.jp/constitution/e/shiryo/01/002_46/002_46tx.html</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref123" name="_edn123"><sup>123</sup></a> Contexto da afirmação X129</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O artigo 2 da Carta do Atlântico garantiu que “nenhuma mudança territorial que não esteja em consonância com os desejos livremente expressos dos povos envolvidos”. No entanto, as fronteiras coloniais seriam redesenhadas sem consulta. O Artigo 3 da Carta do Atlântico prometeu o “direito de todos os povos de escolher seu governo”. Em setembro de 1941, Churchill esclareceu: apenas brancos. As colônias mobilizaram-se por uma liberdade que nunca receberiam.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O artigo 2 da Carta do Atlântico afirmavam: “nenhuma mudança territorial que não concorde com os desejos livremente expressos dos povos envolvidos”.</div>
<div class="sources-header">Fonte:</div>
<div class="citation">Franklin D. Roosevelt and Winston S. Churchill, ‘The Atlantic Charter’, 14 August 1941, Franklin D. Roosevelt Presidential Library and Museum.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref124" name="_edn124"><sup>124</sup></a> Contexto da afirmação N030</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A Carta do Atlântico prometeu autodeterminação (agosto de 1941). As colônias africanas mobilizaram-se, esperando liberdade. Churchill esclareceu em setembro de 1941 que a carta se aplicava apenas à Europa sob domínio nazista, não ao Império Britânico.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Churchill declarou no Parlamento em 9 de setembro de 1941 que a Carta do Atlântico se aplicava apenas a “Estados e nações da Europa agora sob o jugo nazista”, excluindo explicitamente os membros do Império Britânico.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Alawad Sikainga, Ahmad [أحمد العوض سيكانغا]. “Sudanese Popular Response to World War II”. In: Africa and World War II. Cambridge University Press, 2015.</div>
<div class="citation">Churchill, Winston S. “War Situation”. House of Commons Debate, 9 set. 1941. Cc67–156. v. 374. <a href="https://api.parliament.uk/historic-hansard/commons/1941/sep/09/war-situation">https://api.parliament.uk/historic-hansard/commons/1941/sep/09/war-situation</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref125" name="_edn125"><sup>125</sup></a> Contexto da afirmação X121</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Dois coronéis estadunidenses, em meia hora, dividiram a Coreia usando um mapa da National Geographic – nenhum coreano foi consultado. Dean Rusk admitiu, mais tarde, uma “perigosa escassez de conhecimento”. O resultado: entre 4 e 5 milhões de mortos e uma nação destruída.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os coronéis Dean Rusk e Charles Bonesteel selecionaram o paralelo 38 para dividir a Coreia em 10–11 de agosto de 1945 – após apenas 30 minutos – usando um mapa da National Geographic.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Cumings, Bruce. The Korean War: A History. New York: Random House Publishing Group, 2010.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref126" name="_edn126"><sup>126</sup></a> Contexto da afirmação X213</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os EUA mantêm a maior rede de bases estrangeiras da história – 902 instalações em 98 países e territórios. Essa infraestrutura de ocupação permanente – não de defesa – define a arquitetura militar do imperialismo moderno.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os Estados Unidos mantêm pelo menos 902 bases militares estrangeiras em 98 países e territórios, com grande concentração ao redor da China e da Rússia.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Cernadas, Gisela, Mikaela Nhondo Erskog, Tica Moreno, and Deborah Veneziale. Hiper-Imperialismo: um novo estágio decadente perigoso. Tricontinental: Institute for Social Research, 2024.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref127" name="_edn127"><sup>127</sup></a> Contexto da afirmação X214</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Okinawa abriga 70% das forças dos EUA no Japão em 0,6% do território japonês – uma ocupação colonial contínua. Essa concentração prova que a “aliança” mascara a subjugação de um território estratégico.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As bases militares dos EUA ocupam 18% da área terrestre de Okinawa enquanto abrigam 70% de todas as forças dos EUA estacionadas em todo o Japão.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Taira, Yoshitoshi [平良好利]. Okinawa’s Inconvenient Truths. The Tokyo Foundation, 2015. <a href="https://www.tokyofoundation.org/research/detail.php?id=617">https://www.tokyofoundation.org/research/detail.php?id=617</a>.</div>
<div class="citation">Kuhn, Anthony, dir. “Okinawa’s Peace Movement Struggles as Military Presence on the Islands Grows”. All Things Considered. NPR, 9 abr. 2024. <a href="https://www.npr.org/2024/04/09/1243752613/okinawas-peace-movement-struggles-as-military-presence-on-the-islands-grows">https://www.npr.org/2024/04/09/1243752613/okinawas-peace-movement-struggles-as-military-presence-on-the-islands-grows</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref128" name="_edn128"><sup>128</sup></a> Contexto da afirmação X112</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Os EUA convidaram 52 nações para a assinatura do Tratado de São Francisco (8 de setembro de 1951), mas excluíram a China (24 milhões de mortos na guerra); a União Soviética se recusou a assinar. O objetivo: transformar o Japão de inimigo derrotado em base militar anticomunista.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O Tratado de São Francisco (8 de setembro de 1951): a República Popular da China excluída apesar de 24 milhões de vítimas; a União Soviética compareceu, mas se recusou a assinar.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">National Guardian. “US Jams “Treaty” through; Gromyko Calls It War Threat”. National Guardian, 12 set. 1951.</div>
<div class="citation">Treaty of Peace with Japan (with Two Declarations), Signed at San Francisco, on 8 set. 1951, in United Nations Treaty Series, v. 136, n. 1832, 46, 1951. <a href="https://treaties.un.org/doc/publication/unts/volume%20136/volume-136-i-1832-english.pdf">https://treaties.un.org/doc/publication/unts/volume%20136/volume-136-i-1832-english.pdf</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref129" name="_edn129"><sup>129</sup></a> Contexto da afirmação X148</div>
<div class="claim-content context-content"><i>A URSS se recusou a assinar o Tratado de São Francisco. Gromyko advertiu que isso excluía a China – apesar de 24 milhões de mortos – e transformaria o Japão em uma base militar dos EUA. Previsão comprovada: 80 anos depois, 54 mil soldados dos EUA permanecem no Japão.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Andrei Gromyko em São Francisco (4 de setembro de 1951): o tratado transforma o Japão em “base militar estadunidense”, a exclusão da China – “uma das principais vítimas” – invalida o acordo.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">National Guardian. “US Jams “Treaty” through; Gromyko Calls It War Threat”. National Guardian, 12 set. 1951.</div>
<div class="citation">The New York Times. “Text of Gromyko’s Statement on the Peace Treaty”. Archives. The New York Times, 9 set. 1951. <a href="https://www.nytimes.com/1951/09/09/archives/text-of-gromykos-statement-on-the-peace-treaty-contrast-with-other.html">https://www.nytimes.com/1951/09/09/archives/text-of-gromykos-statement-on-the-peace-treaty-contrast-with-other.html</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref130" name="_edn130"><sup>130</sup></a> Contexto da afirmação X113</div>
<div class="claim-content context-content"><i>Indonésia 1965: um golpe militar apoiado pela CIA; a Embaixada dos EUA e o governo australiano forneceu ao exército uma lista de 5 mil comunistas condenados à morte. O resultado: 1 a 2 milhões de assassinados. O método: extermínio aldeia por aldeia usando listas fornecidas pelos EUA.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O exército indonésio matou de 1 a 2 milhões suspeitos de serem comunistas em 1965–1966 usando uma lista de 5 mil membros do Partido Comunista fornecida pela Embaixada dos EUA em Jacarta e pelo governo australiano.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Simpson, Brad. “US Embassy Tracked Indonesia Mass Murder 1965”. National Security Archive, 17 out. 2017. <a href="https://nsarchive.gwu.edu/briefing-book/indonesia/2017%E2%80%9310-17/indonesia-mass-murder-1965-us-embassy-files">https://nsarchive.gwu.edu/briefing-book/indonesia/2017–10-17/indonesia-mass-murder-1965-us-embassy-files</a>.</div>
<div class="citation">Human Rights Watch. “Indonesia: US Documents Released on 1965–66 Massacres”. Human Rights Watch, 18 out. 2017. <a href="https://www.hrw.org/news/2017/10/18/indonesia-us-documents-released-1965%E2%80%9366-massacres">https://www.hrw.org/news/2017/10/18/indonesia-us-documents-released-1965–66-massacres</a>.</div>
<div class="citation">Cribb, Robert B. “Unresolved Problems Indonesian Killings of 1965–1966”. Asian Survey 42, n. 4, 2002. <a href="https://doi.org/10.1525/as.2002.42.4.550">https://doi.org/10.1525/as.2002.42.4.550</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref131" name="_edn131"><sup>131</sup></a> Contexto da afirmação X149</div>
<div class="claim-content context-content"><i>O bloco militar liderado pelos EUA gasta mais de 1,5 trilhões de dólares anualmente – 75% do total global. A Otan sozinha gasta quatro vezes mais que a China – não é defesa, mas uma arquitetura de dominação. Mesma fórmula desde 1945: sobrepujar por meio da supremacia do dólar.</i></div>
<div class="endnote-line verifiable-claim">Afirmação verificável</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os blocos militares dos EUA e aliados (Otan, Aukus, Quad, tratados bilaterais) representam mais de 75% dos gastos militares globais; os EUA sozinhos são responsáveis por 39% com 877 bilhões de dólares.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Cernadas, Gisela, and John Bellamy Foster. “Actual US Military Spending Reached $1.537 Trillion in 2022 – More than Twice Acknowledged Level: New Estimates Based on U.S. National Accounts”. Monthly Review 75, n. 6, 2023. <a href="https://monthlyreview.org/articles/actual-u-s-military-spending-reached-1%E2%80%9353-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/">https://monthlyreview.org/articles/actual-u-s-military-spending-reached-1–53-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/</a>.</div>
<div class="citation">Cernadas, Gisela, Mikaela Nhondo Erskog, Tica Moreno, and Deborah Veneziale. Hiper-Imperialismo: um novo estágio decadente perigoso. Tricontinental: Institute for Social Research, 2024.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref132" name="_edn132"><sup>132</sup></a> Afirmação verificável D001</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O PIB mundial total de 1941 de 4.759 bilhões de dólares foi calculado usando a base de Maddison de 1940, de 4.547 bilhões, aplicando uma taxa de crescimento ponderada de 4,6%.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">‘Maddison Database 2010 | Releases | Groningen Growth and Development Centre | University of Groningen’, accessed 1 September 2025, <a href="https://www.rug.nl/ggdc/historicaldevelopment/maddison/releases/maddison-database-2010">https://www.rug.nl/ggdc/historicaldevelopment/maddison/releases/maddison-database-2010</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref133" name="_edn133"><sup>133</sup></a> Afirmação verificável D003</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A fonte primária para o PIB, gastos militares e contagem de soldados é Mark Harrison, The Economics of World War II [A Economia da Segunda Guerra Mundial] (1998).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Mark Harrison, The Economics of World War II: Six Great Powers in International Comparison. Cambridge University Press, 1998.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref134" name="_edn134"><sup>134</sup></a> Afirmação verificável D002</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Os dados populacionais da URSS para 1941 (195,4 milhões) e 1946 (170,6 milhões) são da Statista; os valores para 1942-1945 são derivados por meio de interpolação linear.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">‘Population of the Soviet Union 1941 and 1946’, Statista, 31 December 2015, <a href="https://www.statista.com/statistics/1260605/soviet-population-changes-wwii-gender-age/?srsltid=AfmBOoq1eA8m43U8D4YjIahdJvpxnzGjd6I3v6Oq63HCkC63yC46Y1qr">https://www.statista.com/statistics/1260605/soviet-population-changes-wwii-gender-age/?srsltid=AfmBOoq1eA8m43U8D4YjIahdJvpxnzGjd6I3v6Oq63HCkC63yC46Y1qr</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref135" name="_edn135"><sup>135</sup></a> Afirmação verificável D004</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A União Soviética sofreu 27 milhões de mortes – 13,8% de sua população de 196 milhões em 1940.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Andreev, Evgeny M. [Андреев, Евгений М.] et al., ‘Population of the Soviet Union: 1922–1991 [Население Советского Союза: 1922–1991]’, in Population of the Soviet Union: 1922–1991 [Население Советского Союза: 1922–1991], with Institute of National Economic Forecasting [Институт народнохозяйственного прогнозирования]. Moscow: Science [Наука], 1993.</div>
<div class="citation">Michael Haynes, ‘Counting Soviet Deaths in the Great Patriotic War: A Note’, Europe-Asia Studies 55, no. 2 (2003): 303–9, <a href="https://doi.org/10.1080/0966813032000055895">https://doi.org/10.1080/0966813032000055895</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref136" name="_edn136"><sup>136</sup></a> Afirmação verificável D005</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As mortes totais documentadas da China em 1931–1945 foram 24.050.000, compreendendo 20,6 milhões de mortes diretas, 3 milhões de mortes por fome induzida pela guerra e 450 mil de 1931-1937 (estimativa do autor).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Bian, Xiuyue [卞修跃], ‘抗日战争时期中国人口损失问题研究 (1937–1945) [Research on China’s Population Losses During the War of Resistance Against Japan (1937–1945)]’, (Beijing: Hualing Publishing House [华龄出版社], 2012), 402, 405.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref137" name="_edn137"><sup>137</sup></a> Afirmação verificável D006</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As mortes da Índia na Segunda Guerra Mundial incluem 3 milhões devido à fome em Bengala e aproximadamente 87 mil mortes militares. Utilizamos 3 milhões de mortos como o número consolidado</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Amartya Sen, ‘Starvation and Exchange Entitlements: A General Approach and Its Application to the Great Bengal Famine’, Cambridge Journal of Economics 1, no. 1 (1977): 36, <a href="https://doi.org/10.1093/oxfordjournals.cje.a035349">https://doi.org/10.1093/oxfordjournals.cje.a035349</a>.</div>
<div class="citation">The National WWII Museum New Orleans, ‘Research Starters: Worldwide Deaths in World War II’, accessed 29 September 2025, <a href="https://www.nationalww2museum.org/students-teachers/student-resources/research-starters/research-starters-worldwide-deaths-world-war">https://www.nationalww2museum.org/students-teachers/student-resources/research-starters/research-starters-worldwide-deaths-world-war</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref138" name="_edn138"><sup>138</sup></a> Afirmação verificável D009</div>
<div class="claim-content verifiable-content">As Índias Orientais Holandesas perderam 3,4 milhões de pessoas (4,7% da população), com 1,8 milhão de mortes em excesso apenas em Java entre 1944 e 1945.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Pierre van der Eng, ‘Missing Millions: Java’s 1944–45 Famine in Indonesia’s Historiography’, Modern Asian Studies 58, no. 2 (2024): 12.</div>
<div class="citation">Pierre van der Eng, ‘Mortality from the 1944–1945 Famine in Java, Indonesia’, Asia-Pacific Economic History Review, 5 2024 February 205.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref139" name="_edn139"><sup>139</sup></a> Afirmação verificável D010</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A Indochina Francesa sofreu 1,5 milhão de mortes (6,5% de uma população de 23 milhões).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Kent G. Budge, ‘French Indochina’, in The Pacific War Online Encyclopedia, 2014, <a href="http://www.pwencycl.kgbudge.com/F/r/French_Indochina.htm">http://www.pwencycl.kgbudge.com/F/r/French_Indochina.htm</a>.</div>
<div class="citation">The National WWII Museum New Orleans, ‘Research Starters: Worldwide Deaths in World War II’, accessed 29 September 2025, <a href="https://www.nationalww2museum.org/students-teachers/student-resources/research-starters/research-starters-worldwide-deaths-world-war">https://www.nationalww2museum.org/students-teachers/student-resources/research-starters/research-starters-worldwide-deaths-world-war</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref140" name="_edn140"><sup>140</sup></a> Afirmação verificável D021</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A população da Coreia como um todo em 1936 era de 21,37 milhões.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">United Nations Economic and Social Commission for Asia and the Pacific, Population of the Republic of Korea, E/CN.11/1241, ESCAP Country Monograph Series (United Nations.Economic and Social Commission for Asia and the Pacific, 1975), 273.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref141" name="_edn141"><sup>141</sup></a> Afirmação verificável D007</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O memorando de 1945 do governo etíope registrou 760.300 mortes durante a invasão e ocupação italiana (1935-1941).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Angelo Del Boca, The Ethiopian War 1935–1941 (University of Chicago Press, 1969), 275.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref142" name="_edn142"><sup>142</sup></a> Afirmação verificável D008</div>
<div class="claim-content verifiable-content">O total de mortes africanas na Segunda Guerra Mundial é estimado entre 1,60 e 2 milhões, com a estimativa conservadora de 1,6 milhão adotada para esta análise.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Joe Lunn, ‘Africans in World Wars I and II’, Oxford Research Encyclopedia of African History, ahead of print, March 2019, <a href="https://doi.org/10.1093/acrefore/9780190277734.013.42">https://doi.org/10.1093/acrefore/9780190277734.013.42</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref143" name="_edn143"><sup>143</sup></a> Afirmação verificável D011</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A Coreia do Norte perdeu de 1,5 a 2,5 milhões de pessoas (15,6 a 26% da população pré-guerra).</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Jon Halliday and Bruce Cumings, Korea: The Unknown War (New York: Pantheon, 1988), 200.</div>
<div class="citation">Shin, Eui Hang [신의항], ‘Effects of the Korean War on Social Structures of the Republic of Korea’, International Journal of Korean Studies, Spring/Summer 2001, 134.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref144" name="_edn144"><sup>144</sup></a> Afirmação verificável D013</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Registros do governo vietnamita documentam 3,1 milhões de mortes durante a guerra (1955-1975), com alguns estudos demográficos alcançando 5,1 milhões.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">Bộ, Quốc phòng, Viện Lịch sử Quân sự Việt Nam [Ministry of National Defence, Vietnam Military History Institute], ‘Lịch sử Kháng chiến Chống Mỹ, Cứu nước (1954–1975), Tập VIII: Toàn thắng [History of the Resistance War Against the Americans to Save the Nation (1954–1975), vol. VIII: Total Victory]’, in Lịch sử Kháng chiến Chống Mỹ, Cứu nước (1954–1975), Tập VIII: Toàn thắng [History of the Resistance War Against the Americans to Save the Nation (1954–1975), vol. VIII: Total Victory], VIII (Hanoi: Nhà xuất bản Chính trị Quốc gia [National Political Publishing House], 2008), 463.</div>
<div class="citation">Vietnam Veterans of America, ‘Vietnam War Statistics’, accessed 29 August 2025, <a href="https://www.vva310.org/vietnam-war-statistics#top">https://www.vva310.org/vietnam-war-statistics#top</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref145" name="_edn145"><sup>145</sup></a> Afirmação verificável D022</div>
<div class="claim-content verifiable-content">Mortes militares na Coreia (1950-1953): 54.246</div>
<div class="sources-header">Fonte:</div>
<div class="citation">Carol Highsmith, ‘Inscription Noting the Death Toll for the US and Its United Nations Allies at the Korean War Veterans Memorial in Washington, DC’, Library of Congress Prints and Photographs Division Washington, DC, 2006 1998, <a href="http://hdl.loc.gov/loc.pnp/highsm.14308">http://hdl.loc.gov/loc.pnp/highsm.14308</a>.</div>
</div>
<div class="note-block">
<div class="endnote-line context-header"><a class="endnote-number" href="#_ednref146" name="_edn146"><sup>146</sup></a> Afirmação verificável D014</div>
<div class="claim-content verifiable-content">A ajuda total do Lend-Lease ao Império Britânico foi de 30,26 bilhões de dólares, com a distribuição calculada usando proporções de exportação da tabela 25.</div>
<div class="sources-header">Fontes:</div>
<div class="citation">United States Office for Emergency Management et al., Twenty-First Report to Congress on Lend-Lease Operations, For the Period Ended 30 September 1945, Congressional Report H. Doc. 382, 79th Cong., 2d Sess. (Washington, DC: US Government Printing Office, 1946), 14, 42–43, <a href="https://fraser.stlouisfed.org/title/report-congress-lend-lease-operations-9400/twenty-first-report-congress-lend-lease-operations-687771">https://fraser.stlouisfed.org/title/report-congress-lend-lease-operations-9400/twenty-first-report-congress-lend-lease-operations-687771</a>.</div>
</div>
</div>
<h3 class="single-post--content--citations-title fwafw--img-header fwafw--img-header--bibliography" style="margin:2em 0;"><span class="fwafw--img-header-text">Referências bibliográficas</span></h3>
<div class="single-post--content--citations-block">
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<p>Acemoglu, Daron, Giuseppe De Feo, Giacomo De Luca, and Gianluca Russo. “War, Socialism, and the Rise of Fascism: An Empirical Exploration”. <em>The Quarterly Journal of Economics</em> 137, n. 2, 2022. <a href="https://doi.org/10.1093/qje/qjac001">https://doi.org/10.1093/qje/qjac001</a>.</p>
<p>Agayev, Vagif [Вагиф Агаев], Fuad Akhundov [Фуад Ахундов], Aliyev Fikrat T. [Фикрет Алиев], and Mikhail Agarunov [Михаил Агарунов]. “World War II and Azerbaijan”. <em>Azerbaijan International Magazine</em>, 1995.</p>
<p>Alawad Sikainga, Ahmad [أحمد العوض سيكانغا]. “Sudanese Popular Response to World War II”. In <em>Africa and World War II</em>. Cambridge University Press, 2015.</p>
<p>Alexander, Arthur J. <em>Armor Development in the Soviet Union and the United States</em>. R-1860-NA. Rand, 1976. <a href="https://www.rand.org/content/dam/rand/pubs/reports/2006/R1860.pdf">https://www.rand.org/content/dam/rand/pubs/reports/2006/R1860.pdf</a>.</p>
<p>Allen, Jay. “Slaughter of 4,000 at Badajoz, “City of Horrors”, Is Told by Tribune Man”. <em>Chicago Tribune</em>, 30 ago. 1936.</p>
<p>Alperovitz, Gar. <em>Atomic Diplomacy: Hiroshima and Potsdam; The Use of the Atomic Bomb and the American Confrontation with Soviet Power</em>. New York: Vintage Books (A Division of Random House), 1965.</p>
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</div>
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		<title>Hiperimperialismo: um novo estágio decadente perigoso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jan 2024 08:00:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ao comemorarmos oitenta anos da vitória dos povos na Guerra Mundial Antifascista, devemos lembrar quem verdadeiramente salvou a humanidade – e honrar seu sacrifício com a verdade.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="single-post--content--acknowledgments">
<p>A pesquisa realizada para a produção deste documento foi conduzida de forma coletiva durante mais de um ano e recebeu contribuições de diversos acadêmicos e ativistas socialistas. Foram compilados dados e gráficos fornecidos pela Sul Global Insights (GSI), com edição e coordenação de Gisela Cernadas, Mikaela Nhondo Erskog, Tica Moreno e Deborah Veneziale. Grande parte dos dados e gráficos da Parte IV se baseiam em pesquisas publicadas pelo economista John Ross.</p>
</div>
<h1>Introdução</h1>
<p>Faz apenas 30 anos que ideólogos burgueses declararam o “fim da história” em pantomimas de satisfação de desejos, por sentirem a inviolabilidade do imperialismo dos Estados Unidos.<a href="#_edn1" name="_ednref1"><sup>1</sup></a> Mas para as lutas e os movimentos populares que sentiam a bota do imperialismo no pescoço, esse fim não estava à vista.</p>
<p>Diante da violência da repressão, como a ocorrida no Massacre de Eldorado do Carajás em 1996 no Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra liderou a reivindicação de terras para a reforma agrária popular por meio da ocupação e da produção, desafiando gigantes do agronegócio, como a multinacional estadunidense Monsanto.<a href="#_edn2" name="_ednref2"><sup>2</sup></a> Hugo Chávez, um “soldado que abalou o continente”, venceu no voto popular em 1999, em uma forte guinada à esquerda que foi depois seguida por outros lugares da América Latina. Essa guinada incluiu uma onda de mobilizações em massa de milhões de pessoas trabalhadoras, camponesas, indígenas, mulheres e estudantes, que, em 2005, derrotaram a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) proposta pelos EUA, em um enfrentamento direto a quase 200 anos de Doutrina Monroe.<a href="#_edn3" name="_ednref3"><sup>3</sup></a></p>
<p>Em 2002, as mulheres nigerianas se reuniram em frente aos portões da Shell e da Chevron para protestar contra a destruição e a exploração ambiental no Delta do Níger. Os haitianos rejeitaram séculos de abuso em manifestações em massa após a destituição de Jean-Bertrand Aristide pelos EUA e a ocupação estadunidense em 2004. Milhões de nepaleses e nepalesas comemoraram a derrubada da monarquia por meio da resistência armada liderada por comunistas em 2006. Quando Mohamed Bouazizi ateou fogo em si mesmo em 2010, o povo tunisiano se rebelou contra o sistema neoliberal que levou o vendedor de frutas a tomar uma medida tão drástica.</p>
<p>Nos anos seguintes, ocorreram transformações, por vezes pequenas e imperceptíveis, por outras, voláteis e explosivas. Essas mudanças envolveram tanto movimentos populares quanto atores estatais, em alguns casos extremamente poderosos. Os EUA foram confrontados por uma potência econômica em ascensão, a China, por economias em crescimento no Sul Global (que ultrapassaram o PIB do Norte Global em termos de PPC em 2007), por anos de negligência no investimento de capital doméstico, pela financeirização da economia e a perda da superioridade na indústria.</p>
<p>A ascensão do Tea Party em 2009 sinalizou uma fratura na política interna dos EUA. No âmbito internacional, o país não conseguiu promover uma ruptura branda do regime na China nem uma desnuclearização ou mudança de regime na Rússia. Após uma redução temporária dos gastos militares com o fim da desastrosa guerra contra o Iraque (2003-2011), o uso efetivo do poder militar ou a ameaça de seu uso passou a ser um pilar central da resposta dos EUA a essas transformações.</p>
<p>Historicamente, a perda da hegemonia acontece em três estágios: produtivo, financeiro e militar.<a href="#_edn4" name="_ednref4"><sup>4</sup></a> Os Estados Unidos perderam a hegemonia na produção, embora ainda tenham algumas áreas remanescentes de hegemonia tecnológica, inclusive naquelas relacionadas às forças armadas. O país está vendo sua hegemonia financeira ser desafiada, mesmo que isso ainda esteja nos estágios iniciais e se relacione ao status do dólar estadunidense. Ainda que os aspectos econômicos e políticos de seu declínio possam estar se acelerando, os EUA ainda detêm poder militar, o que cria para o país a tentação de tentar superar as consequências de seu declínio econômico por meios militares ou afins.</p>
<p>Os EUA definiram a China como concorrente estratégica. Seu programa mínimo é a contenção e o enfraquecimento econômico do país asiático em medida suficiente para garantir a hegemonia econômica perpétua dos EUA no futuro.</p>
<p>De seu próprio ponto de vista, o capitalismo dos EUA é racional em suas tentativas de limitar a ascensão da China. Sem isso, haveria uma corrosão de sua vantagem relativa no controle dos níveis mais altos das forças produtivas e nos privilégios monopolistas resultantes desse controle. Há um alinhamento quase completo entre os atores estatais dos EUA para continuar conduzindo uma dissociação da China (apesar da quase impossibilidade de remodernizar totalmente as forças produtivas dentro dos EUA) e avançar nos preparativos militares contra o país asiático.</p>
<p>O movimento de tropas russas para a Ucrânia em fevereiro de 2022 – resultado das violações contínuas das garantias dos EUA sobre a não expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da guerra civil permanente entre Kiev e Donbas – marcou, para os EUA, uma nova fase explícita de alinhamento militar mundial. Em uma série de movimentos rápidos, os EUA subordinaram abertamente todos os países do Norte Global e, nesse processo, subordinaram ainda mais o aparato militar desses Estados. Estabeleceram-se como potência militar hegemônica óbvia daquilo que recebe o eufemismo de Otan+, que inclui todos os membros do antigo Bloco do Leste, com exceção de três. Aqueles que participaram como membros ou observadores da cúpula da Otan em 2023 em Vilnius, na Lituânia – incluindo Austrália, Nova Zelândia, Japão e República da Coreia<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup>5</sup></a> –, são membros <em>de facto </em>da Otan+. Apenas Israel (dispensado de comparecer por conveniência política) e alguns países menores do Norte Global não compareceram.</p>
<p>A partir de outubro de 2023, Israel iniciou uma campanha de expulsão, limpeza étnica, punição coletiva e genocídio da população palestina com o apoio total e descarado do governo dos Estados Unidos. Os acontecimentos na Ucrânia, seguidos pelas recentes escaladas em Gaza, são marcos significativos que refletem uma mudança qualitativa no sistema imperialista. Os EUA já concluíram sua subordinação econômica, política e militar de todos os outros países imperialistas. Isso consolidou um bloco imperialista integrado e militarmente focado. Seu objetivo é manter suas garras sobre o Sul Global como um todo e as atenções se voltaram para o domínio da Eurásia, última região do mundo que escapou de seu controle.</p>
<p>Não é exagero dizer que o Norte Global declarou um estado de guerra e hostilidade aberta contra qualquer parte do Sul Global que não esteja de acordo com suas políticas. Isso pode ser visto na <a href="https://www.nato.int/cps/en/natohq/official_texts_210549.htm">declaração conjunta</a> sobre a Cooperação UE-Otan publicada no dia 9 de janeiro de 2023:</p>
<blockquote><p>Mobilizaremos ainda mais o conjunto de instrumentos a nossa disposição, <em>sejam eles políticos, econômicos ou militares</em>, para alcançar nossos objetivos comuns em benefício do <em>nosso </em>bilhão de cidadãos.<a href="#_edn5" name="_ednref5"><sup>6</sup></a></p></blockquote>
<p>É certo que o povo palestino em Gaza está sentindo a barbárie palpável da Otan+ e o “consenso de massa” forçado que o Norte Global é capaz de promover. Como afirmou recentemente a liderança da luta pela libertação palestina Leila Khaled:</p>
<blockquote><p>Sabemos que eles falam em terrorismo, mas eles são os heróis do terrorismo. A força imperialista ao redor do mundo, no Iraque, na Síria, em diferentes países… está se preparando para atacar a China. Tudo o que dizem sobre terrorismo acaba sendo sobre eles mesmos. As pessoas têm o direito de resistir a isso com todos os meios, incluindo com a luta armada. Isso está na Carta das Nações Unidas. Então eles estão violando os direitos de resistência das pessoas, porque é direito delas recuperar sua liberdade. E essa é — como sempre digo — uma lei fundamental: onde há repressão, há resistência. As pessoas não querem viver sob ocupação e repressão. A história nos ensinou que, quando um povo resiste, ele consegue manter sua dignidade e sua terra.<a href="#_edn6" name="_ednref6"><sup>7</sup></a></p></blockquote>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>O imperialismo começou sua transformação para um novo estágio: o hiperimperialismo.<a href="#_edn7" name="_ednref7"><sup>8</sup></a> Trata-se de um imperialismo conduzido de forma exagerada e dinâmica, embora também sujeita às restrições que o império em declínio impôs a si mesmo. A qualidade espasmódica de seu esforço é sentida pelas milhões de pessoas congolesas, palestinas, somalis, sírias e iemenitas que vivem sob o militarismo dos EUA e têm a reação instintiva de proteger o corpo diante de sons repentinos.</p>
<p>No entanto, essa não é a marcha vigorosa que a Guerra Fria iniciou pelo mundo, travada em batalhas por procuração seguidas de um imperialismo econômico por meio do Banco Mundial e de outras instituições de desenvolvimento. Trata-se do imperialismo de um bilionário que está se afogando e tem a firme convicção de que deveria estar de volta ao seu iate. Um imperialismo que flexiona os músculos do poder que ainda estão fortes – os militares. Entretanto, na ausência de poder produtivo e sabendo que o poder financeiro está em um ponto de inflexão, o conjunto completo de tecnologias imperiais de controle que os EUA já tiveram não está mais à disposição. Desse modo, o país canaliza seus esforços por meio dos mecanismos de que mais dispõe: cultura (controle da verdade) e guerra.</p>
<p>As táticas do hiperimperialismo são moldadas, em parte, pela modernização da guerra híbrida, que inclui guerra jurídica (<em>lawfare</em>), hipersanções, tomada de reservas e ativos nacionais e outras formas de guerra não militar. Novas ferramentas tecnológicas de vigilância e comunicação direcionada que caracterizam a era digital são utilizadas para exercer o controle imperialista na batalha de ideias, incluindo a implementação de métodos mais perversos e secretos contra a verdade, como a prisão política do editor da WikiLeaks, Julian Assange, que expôs inúmeros crimes cometidos contra o Sul Global.<a href="#_edn8" name="_ednref8"><sup>9</sup></a></p>
<p>O Norte Global é um bloco militar, político e econômico integrado composto por 49 países. Entre eles estão os EUA, o Reino Unido, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, Israel, o Japão e países secundários da Europa Ocidental e Oriental. Na arena militar, a Turquia (como membro da Otan), as Filipinas e a República da Coreia (estas duas, efetivamente colônias militarizadas dos EUA) estão incluídas em nossa definição de “bloco militar liderado pelos EUA”, embora façam parte do Sul Global.</p>
<p>Nos últimos vinte anos, o Norte Global passou por um significativo declínio econômico <em>relativo</em>, juntamente com um declínio político, social e moral. Suas falsas reivindicações “morais” de direitos civis e “liberdade de imprensa” já se tornaram um completo escárnio, pois buscam tornar ilegal o apoio público (inclusive pela internet) aos direitos da população palestina. Esse apoio total à humilhação e à destruição dos povos de pele mais escura do mundo é reminiscência de séculos passados, expondo o que pode ser descrito como “fragilidade branca” coletiva.</p>
<p>Os países do Sul Global compreendem ex-colônias e semicolônias, alguns Estados independentes fora da Europa e projetos socialistas atuais e antigos. Na maior parte do Sul Global, as lutas por libertação nacional, independência, desenvolvimento e soberania econômica e política total ainda precisam ser concluídas.</p>
<p>Apesar das limitações da terminologia, falaremos em “Norte Global” e, ocasionalmente, em “Ocidente” (expressão vazia de uso frequente) de forma intercambiável com o termo mais preciso “campo imperialista liderado pelos EUA”. Analisaremos o Norte Global em quatro “anéis”. O restante do mundo é hoje conhecido como “Sul Global”, sendo que grande parte era chamada, no passado, de “Terceiro Mundo”. Analisaremos o Sul Global em seis “grupos”, determinados a partir da medida relativa com que um país é alvo de mudança de regime e pelo papel que seu governo desempenha na promoção pública de posições internacionais e anti-imperialistas (conforme Figura 1). O Norte Global está envolvido em níveis muito mais altos de conflito generalizado com o restante do mundo, o Sul Global.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95521 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-1-2-e1706551325492.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-1-4.png"></div>
<h1>PARTE I: A ascensão de um bloco militar do Norte Global totalmente liderado pelos EUA</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">Mudanças e consolidação</h2>
<p>O bloco militar liderado pelos EUA<br>
passou por duas transformações internas nas últimas três décadas:</p>
<ol>
<li>A maior expansão do bloco para incluir todos os países do Leste Europeu (faltando apenas Belarus).</li>
<li>O desafio de manter a total subordinação dos Estados capitalistas da Europa Ocidental, que abandonaram qualquer independência fundamental e, em muitos casos, até mesmo a falsa aparência de independência.</li>
</ol>
<p>Esta última transformação ficou evidente em 2018 pela genuflexão dos Estados da Europa Ocidental à retirada de Donald Trump do acordo nuclear com o Irã, de 2015 – um golpe significativo contra seus interesses econômicos. Mais adiante, discutiremos o histórico desse processo.<a href="#_edn9" name="_ednref9"><sup>10</sup></a></p>
<p>A Otan é o centro do “bloco militar liderado pelos EUA”, como o chamamos, que inclui também Japão, Austrália, Israel, Nova Zelândia, três países do Sul Global e alguns outros países europeus que não são membros da Otan.</p>
<p>O bloco militar liderado pelos EUA é o único bloco do mundo, uma aliança militar de fato e de direito com um comando central. Não existe nenhum outro bloco desse tipo. Sua clareza e unidade de propósito são evidentes. Nos últimos dez anos, os EUA abandonaram muitos tratados importantes de não proliferação de armas nucleares (Tratado sobre Mísseis Antibalísticos em 2002, Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário em 2019 e Tratado de Céus Abertos em 2020).<a href="#_edn10" name="_ednref10"><sup>11</sup></a> Isso permitiu que os responsáveis por planejamentos militares tivessem o potencial de se preparar para posicionar mísseis nucleares de alcance intermediário de modo que fossem capazes de obliterar Moscou em questão de minutos.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Gastos militares</h3>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95532 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-2-2-e1706552119618.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-2-4.png"></div>
<p>Em artigo publicado na edição de novembro de 2023 da <em>Monthly Review</em>, uma pesquisa bem conduzida por Gisela Cernadas e John Bellamy Foster, utilizando <em>apenas </em>estatísticas econômicas oficiais dos EUA consultadas junto ao Escritório de Análise Econômica (<em>Bureau of Economic Analysis</em>) e ao Escritório de Administração e Orçamento (<em>Office of Management and Budget – </em>OMB), revelou que o gasto militar real dos EUA é mais do que o <em>dobro </em>do que é reconhecido pelo governo estadunidense ou mesmo pelo Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz (Sipri na sigla em inglês).<a href="#_edn11" name="_ednref11"><sup>12</sup></a></p>
<p><em>O gasto militar real dos EUA em 2022 foi de US$ 1,537 trilhões.</em><a href="#_edn12" name="_ednref12"><sup>13</sup></a></p>
<p>Para calcular o gasto militar mundial total, selecionamos os números publicados pelo Sipri como nossa principal fonte de dados sobre todos os países, exceto para os EUA.<a href="#_edn13" name="_ednref13"><sup>14</sup></a> Apenas no caso dos EUA, utilizamos os números da <em>Monthly Review</em>. Em 2022, o Sipri ajustou a cifra do orçamento de defesa nacional divulgado pelo governo chinês, de US$ 229 bilhões para US$ 292 bilhões, um aumento de 27,5%.<a href="#_edn14" name="_ednref14"><sup>15</sup></a> A partir de 2021, o Sipri adotou uma nova metodologia para revisar os gastos militares da China.<a href="#_edn15" name="_ednref15"><sup>16</sup></a> O Sipri alterou, assim, os cálculos sobre os gastos militares da China, tanto para os anos anteriores quanto para os atuais.<a href="#_edn16" name="_ednref16"><sup>17</sup></a></p>
<p>O Sipri ajustou em 14,5% para mais o orçamento militar anual dos EUA informado pelo OMB a respeito do ano de 2022, passando de US$ 765,8 bilhões para US$ 876,9 bilhões.<a href="#_edn17" name="_ednref17"><sup>18</sup></a> Esse número corresponde a cerca de metade do aumento percentual adicionado à China.</p>
<p>O tratamento dado pelo Sipri aos gastos militares da China é bem diferente daquele dispensado aos EUA, pois o instituto adota uma abordagem muito mais cautelosa em relação aos cálculos dos EUA.</p>
<p>Mesmo que o Sipri dobrasse o número informado pela China a respeito de seu gasto militar, chegando a US$ 458 bilhões, essa soma representaria 2,6% do PIB do país. A cifra é significativamente inferior aos 6% realmente gastos pelos EUA em relação a seu PIB. Ainda assim, o gasto militar da China representaria apenas 29,8% do gasto dos EUA, com uma população quatro vezes maior que a estadunidense.<a href="#_edn18" name="_ednref18"><sup>19</sup></a></p>
<p>Além disso, ao contrário dos EUA, a China não tem 902 bases militares no exterior.<a href="#_edn19" name="_ednref19"><sup>20</sup></a> As bases e intervenções dos EUA criam um dreno não apenas no orçamento anual, mas também na dívida econômica de longo prazo. Mais detalhes podem ser encontrados na nota de fim.<a href="#_edn20" name="_ednref20"><sup>21</sup></a></p>
<p>Nossa análise encontrou uma série de descobertas patentes. A primeira é que os EUA controlam, pela Otan e por outros meios, surpreendentes 74,3% de todo o gasto militar do mundo (Figura 2). Isso equivale a mais de US$ 2 trilhões.<a href="#_edn21" name="_ednref21"><sup>22</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95543 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-3-3-e1706552772551.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-3-5.png"></div>
<p>A Figura 3 mostra que os países imperialistas são responsáveis por 12 dos 16 maiores orçamentos militares do mundo.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95553 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-4-2-e1706552832820.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-4-4.png"></div>
<p>A Figura 4 mostra os 16 países com maiores gastos militares per capita do Norte Global em comparação com os três países do Sul Global que mais gastam nessa área. Per capita, os Estados Unidos gastam 21 vezes mais nas forças armadas do que a China.<a href="#_edn22" name="_ednref22"><sup>23</sup></a> Não ficam dúvidas quanto à relevância desses números.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 5</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Países com gasto militar superior a US$ 20 bilhões</h3>
<p>Norte Global e Sul Global, 2022</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Nome do país (GSI)</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">dólares<br>
(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Porcentagem do PIB<br>
(TCC)</th>
<th style="text-align: right;">Per Capita<span class="single-post--table-heading--small">&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<th colspan="4">
<div>Bloco militar liderado pelos EUA</div>
</th>
</tr>
<tr>
<td>Estados Unidos</td>
<td style="text-align: right;">1.536.859</td>
<td style="text-align: right;">6,0%</td>
<td style="text-align: right;">12,6</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">68.463</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">2,8</td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td style="text-align: right;">55.760</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">1,9</td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td style="text-align: right;">53.639</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">2,3</td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td style="text-align: right;">46.365</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">2,5</td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td style="text-align: right;">45.992</td>
<td style="text-align: right;">1,1%</td>
<td style="text-align: right;">1,0</td>
</tr>
<tr>
<td>Ucrânia</td>
<td style="text-align: right;">43.998</td>
<td style="text-align: right;">27,4%</td>
<td style="text-align: right;">3,1</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td style="text-align: right;">33.490</td>
<td style="text-align: right;">1,7%</td>
<td style="text-align: right;">1,6</td>
</tr>
<tr>
<td>Austrália</td>
<td style="text-align: right;">32.299</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">3,4</td>
</tr>
<tr>
<td>Canadá</td>
<td style="text-align: right;">26.896</td>
<td style="text-align: right;">1,3%</td>
<td style="text-align: right;">1,9</td>
</tr>
<tr>
<td>Israel</td>
<td style="text-align: right;">23.406</td>
<td style="text-align: right;">4,5%</td>
<td style="text-align: right;">7,2</td>
</tr>
<tr>
<td>Espanha</td>
<td style="text-align: right;">20.307</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">1,2</td>
</tr>
<tr>
<th colspan="4">
<div>Sul Global</div>
</th>
</tr>
<tr>
<td>China</td>
<td style="text-align: right;">291.958</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">0,6</td>
</tr>
<tr>
<td>Rússia</td>
<td style="text-align: right;">86.373</td>
<td style="text-align: right;">3,8%</td>
<td style="text-align: right;">1,7</td>
</tr>
<tr>
<td>Índia</td>
<td style="text-align: right;">81.363</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
</tr>
<tr>
<td>Arábia Saudita</td>
<td style="text-align: right;">75.013</td>
<td style="text-align: right;">6,8%</td>
<td style="text-align: right;">5,7</td>
</tr>
<tr>
<td>Brasil</td>
<td style="text-align: right;">20.211</td>
<td style="text-align: right;">1,1%</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="4">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados do FMI, ONU, SIPRI e Monthly Review</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>A Figura 5 lista todos os países com orçamentos militares superiores a US$ 20 bilhões, sendo que 11 estão no Norte Global em comparação com seis (de 145) países no Sul Global. Nesta tabela, a República da Coreia foi incluída no bloco militar liderado pelos EUA.</p>
<p>É nítido que o Sul Global, ao contrário do Norte Global, não constitui um bloco nem, definitivamente, um bloco militar. O Sul Global enfrenta, desse modo, o monopólio extremo dos gastos militares do bloco militar liderado pelos EUA. Isso representa um perigo evidente e presente para todos os países do Sul Global – e um perigo iminente para a continuação da existência da humanidade e do planeta.</p>
<p>Por sua vez, o aspecto mais importante do poder do Estado – ou seja, o poder militar –, o perigo central absoluto para as classes trabalhadoras de <em>todos os </em>países, sobretudo das nações de pele mais escura do mundo, está no campo imperialista liderado pelos EUA. Objetivamente, não existe subimperialismo nem potências imperialistas não ocidentais (esses conceitos são enganações subjetivas que ofuscam as realidades factuais).</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Bases militares dos EUA e do Reino Unido</h3>
<p>Em março de 2002, a <em>Monthly Review </em>publicou um artigo com uma relação e um mapa de países onde é sabido haver bases militares dos EUA, argumentando que a extensão do império estunidense poderia ser descrita por suas bases.<a href="#_edn23" name="_ednref23"><sup>24</sup></a> Isso criou uma tempestade em alguns círculos militares dos EUA. Outros ampliaram esse trabalho nos anos seguintes, incluindo David Vine e a World <em>Beyond </em>War (que disponibilizou um mapa interativo ao público).<a href="#_edn24" name="_ednref24"><sup>25</sup></a></p>
<p>As informações sobre a localização dessas bases permitiu vislumbrar a natureza absolutamente alastrada da hegemonia militar dos EUA. A localização e o número de bases são elementos valiosos para se compreender a forma e a trajetória do imperialismo, evidenciando suas fronteiras e mostrando seu papel no patrulhamento delas.</p>
<p>Existem 902 bases militares dos EUA conhecidas e 145 bases militares do Reino Unido conhecidas, descritas abaixo.<a href="#_edn25" name="_ednref25"><sup>26</sup></a></p>
<p>Devido ao sigilo imposto pelas forças armadas e pelo governo dos EUA, faltam dados sobre o que ocorre dentro dessas bases e sobre as ações lançadas a partir das forças militares dos EUA localizadas nelas. Isso torna incompleta a análise qualitativa das atividades militares dos EUA no exterior. Entre as deficiências analíticas estão:</p>
<ul>
<li>As bases listadas não incluem as instalações e os locais das muitas operações militares privatizadas que os EUA criaram nos últimos 40 anos. Empresas como DynCorp International, Fluor Corporation, AECOM e KBR, Inc. realizam operações em todo o mundo, inclusive no Kuwait, na Arábia Saudita e na Indonésia.<a href="#_edn26" name="_ednref26"><sup>27</sup></a></li>
<li>Não estão incluídos projetos “não oficiais” das forças armadas dos EUA, como o controle do Terminal 1 do Aeroporto Internacional Kotoka, na capital de Gana, no qual os soldados dos EUA não precisam de passaporte nem visto para entrar (apenas a identificação militar) e as aeronaves militares estadunidenses têm “passe livre no embarque e na inspeção”.<a href="#_edn27" name="_ednref27"><sup>28</sup></a> Desse modo, o Terminal 1 é efetivamente uma base militar estadunidense. Gana cedeu a soberania nacional aos EUA.<a href="#_edn28" name="_ednref28"><sup>29</sup></a></li>
<li>Não estão incluídos projetos essenciais para o complexo militar-industrial-digital dos EUA. Muitos pontos terminais de cabos submarinos são controlados apenas por funcionários autorizados pela inteligência dos EUA. O controle da comunicação mundial por cabos submarinos é uma das principais prioridades da inteligência dos EUA.<a href="#_edn29" name="_ednref29"><sup>30</sup></a> Isso faz parte do programa da NSA de “coleta total” para reunir todas as comunicações do mundo e armazená-las em locais como o Centro de Processamento de Dados de Utah, em Bluffdale (codinome “Bumblehive”), primeiro centro desse tipo da Iniciativa Nacional de Segurança Cibernética Abrangente da Comunidade de Inteligência.<a href="#_edn30" name="_ednref30"><sup>31</sup></a></li>
<li>Excluem-se projetos e locais militares secretos (incluindo instalações da nação anfitriã conhecidas como “<em>lily pads</em>“), embora alguns tenham sido expostos e incluídos.<a href="#_edn31" name="_ednref31"><sup>32</sup></a></li>
<li>Há poucas informações sobre os movimentos militares dos EUA entre diferentes locais, a natureza das atividades realizadas (como movimentos de tropas ou assassinatos direcionados) e o volume de bens, aviões e embarcações.</li>
<li>Nem todas as bases são iguais em escala ou função, e é quase impossível avaliar a importância relativa de cada uma. Às vezes, um único edifício é classificado como uma base por estar desconectado de outros edifícios a um quilômetro de distância. Algumas bases são imensas e destroem tudo pelo caminho, como as instalações militares em Guam, que assolam o meio ambiente natural e a vida das pessoas que lá vivem. Outras são conhecidas como pequenas instalações de redes de espionagem.</li>
</ul>
<p>Essas limitações têm como resultado uma tendência a se relatar o que é mensurável, e não o que é desconhecido, mas estratégico.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95563 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-6-2-e1706552964915.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-6-4.png"></div>
<p>Primeiro, apresentamos um mapa com dados do World <em>Beyond </em>War que mostra quais países têm bases, sem detalhar o número exato em cada país. Isso ajuda a reduzir possíveis comparações incorretas. Mesmo a existência de uma única base dos EUA significa que o país já cedeu alguma soberania nacional. Em segundo lugar, para fins de completude, incluímos abaixo dois quadros (um para o Norte Global e outro para o Sul Global) com a relação de países com bases conhecidas de acordo com o World <em>Beyond </em>War.</p>
<p>A Figura 6 mostra que os EUA têm, pelo menos, 902 bases militares no exterior. São bases em grande medida concentradas em regiões de fronteira e zonas-tampão ao redor da China e que representam um grave abalo à soberania dos países do Sul Global.<a href="#_edn32" name="_ednref32"><sup>33</sup></a></p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 7</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Bases militares dos Estados Unidos em países e territórios do Norte Global</h3>
<p>2023</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Número de bases</th>
<th>País/território</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>50+</td>
<td>Alemanha (171), Japão (98)</td>
</tr>
<tr>
<td>20-49</td>
<td>Itália (45), Reino Unido (25)</td>
</tr>
<tr>
<td>5-19</td>
<td>Austrália (17), Bélgica (12), Portugal (9), Romênia (9), Noruega (8), Israel (7), Países Baixos (7), Grécia (5), Polônia (5)</td>
</tr>
<tr>
<td>1-4</td>
<td>Bulgária (4), Espanha (3), Islândia (3), Canadá (2), Geórgia (2), Hungria (2), Letônia (2), Eslovaquia (2), Dinamarca (1), Chipre (1), Irlanda (1), Luxemburgo (1), Estônia (1), Groenlândia (1), Kosovo (1)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td><strong>445</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="2">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>As bases militares dos EUA no exterior não existem apenas no Sul Global, mas também têm uma presença significativa no Norte Global (Figura 7). Mais de dois terços das bases conhecidas estão concentradas nos dois países derrotados na Segunda Guerra Mundial: Alemanha e Japão.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 8</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Bases militares dos Estados Unidos em países e territórios do Sul Global</h3>
<p>2023</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Número de bases</th>
<th>País/território</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td class="xl67">50+</td>
<td>Rep. da Coreia (62)</td>
</tr>
<tr>
<td>20-49</td>
<td>Guam (45), Porto Rico (34), Síria (28), Arábia Saudita (21)</td>
</tr>
<tr>
<td>5-19</td>
<td>Panamá (15), Turquia (12), Filipinas (11), Bahrein (10), Ilhas Marshall (10), Iraque (10), Bahamas (9), Belize (9), Honduras (9), Níger (9), Guatemala (8), Jordânia (8), Kuwait (8), Omã (8), Paquistão (8), Egito (7), Colômbia (6), El Salvador (6), Somália (6), Catar (5), Ilhas Marianas do Norte (5), Peru (5)</td>
</tr>
<tr>
<td>1-4</td>
<td>Camarões (4), Costa Rica (4), Ilhas Virgens (EUA) (4), Argentina (3), Chade (3), Emirados Árabes Unidos (3), Mauritânia (3), Nicarágua (3), Palau (3), Quênia (3), República Centro-Africana (3), Tailândia (3), Brasil (2), Diego Garcia (2), Djibuti (2), Gabão (2), Gana (2), Iêmen (2), Mali (2), República Dominicana (2), Samoa Americana (2), Singapura (2), Suriname (2), Tunísia (2), Uganda (2), Antártica (1), Antilhas Holandesas (1), Aruba (1), Botsuana (1), Burkina Faso (1), Burundi (1), Camboja (1), Chile (1), Cuba (1), Ilha de Ascensão (1), Ilha Wake (1), Indonésia (1), RD Congo (1), Samoa (1), Seicheles (1), Senegal (1), Sudão do Sul (1), Uruguai (1)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td><strong>457</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="2">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>A Figura 8 lista os locais das bases militares dos EUA nos países e territórios do Sul Global. A República da Coreia abriga 62 dessas bases permanentes.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 9</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Estruturas militares dos Estados Unidos no exterior</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Número de construções, área construída, área total e número de bases</h4>
<p>2023</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País/território</th>
<th style="text-align: right;">Área construída<span class="single-post--table-heading--small">m2</span></th>
<th style="text-align: right;">Construções<span class="single-post--table-heading--small">número total</span></th>
<th style="text-align: right;">Área<span class="single-post--table-heading--small">hectares</span></th>
<th style="text-align: right;">Bases militares<span class="single-post--table-heading--small">número total</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Japão</td>
<td style="text-align: right;">10.339.000</td>
<td style="text-align: right;">12.079</td>
<td style="text-align: right;">41.715</td>
<td style="text-align: right;">76</td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td style="text-align: right;">9.135.000</td>
<td style="text-align: right;">12.537</td>
<td style="text-align: right;">2.682</td>
<td style="text-align: right;">93</td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td style="text-align: right;">5.631.000</td>
<td style="text-align: right;">5.832</td>
<td style="text-align: right;">12.262</td>
<td style="text-align: right;">62</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td style="text-align: right;">2.011.000</td>
<td style="text-align: right;">2.032</td>
<td style="text-align: right;">945</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
</tr>
<tr>
<td>Guam</td>
<td style="text-align: right;">1.382.000</td>
<td style="text-align: right;">2.807</td>
<td style="text-align: right;">25.322</td>
<td style="text-align: right;">45</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1.364.000</td>
<td style="text-align: right;">2.883</td>
<td style="text-align: right;">3.253</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
</tr>
<tr>
<td>Kuwait</td>
<td style="text-align: right;">676.000</td>
<td style="text-align: right;">1.503</td>
<td style="text-align: right;">2.549</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">661.000</td>
<td style="text-align: right;">663</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Cuba</td>
<td style="text-align: right;">588.000</td>
<td style="text-align: right;">1.540</td>
<td style="text-align: right;">11.662</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Turquia</td>
<td style="text-align: right;">478.000</td>
<td style="text-align: right;">817</td>
<td style="text-align: right;">1.356</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Espanha</td>
<td style="text-align: right;">419.000</td>
<td style="text-align: right;">889</td>
<td style="text-align: right;">3.802</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Porto Rico</td>
<td style="text-align: right;">411.000</td>
<td style="text-align: right;">794</td>
<td style="text-align: right;">7.042</td>
<td style="text-align: right;">29</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahrein</td>
<td style="text-align: right;">390.000</td>
<td style="text-align: right;">468</td>
<td style="text-align: right;">83</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
</tr>
<tr>
<td>Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">362.000</td>
<td style="text-align: right;">479</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Marshall</td>
<td style="text-align: right;">286.000</td>
<td style="text-align: right;">633</td>
<td style="text-align: right;">551</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Groenlândia</td>
<td style="text-align: right;">220.000</td>
<td style="text-align: right;">197</td>
<td style="text-align: right;">94.306</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Djibuti</td>
<td style="text-align: right;">171.000</td>
<td style="text-align: right;">379</td>
<td style="text-align: right;">459</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Países Baixos</td>
<td style="text-align: right;">151.000</td>
<td style="text-align: right;">150</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;">128.000</td>
<td style="text-align: right;">400</td>
<td style="text-align: right;">5.059</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Portugal</td>
<td style="text-align: right;">114.000</td>
<td style="text-align: right;">170</td>
<td style="text-align: right;">532</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Honduras</td>
<td style="text-align: right;">92.000</td>
<td style="text-align: right;">336</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">86.000</td>
<td style="text-align: right;">120</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Romênia</td>
<td style="text-align: right;">70.000</td>
<td style="text-align: right;">179</td>
<td style="text-align: right;">177</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahamas</td>
<td style="text-align: right;">62.000</td>
<td style="text-align: right;">179</td>
<td style="text-align: right;">219</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Grécia</td>
<td style="text-align: right;">61.000</td>
<td style="text-align: right;">85</td>
<td style="text-align: right;">41</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
</tr>
<tr>
<td>Santa Helena</td>
<td style="text-align: right;">43.000</td>
<td style="text-align: right;">124</td>
<td style="text-align: right;">1.402</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Austrália</td>
<td style="text-align: right;">41.000</td>
<td style="text-align: right;">83</td>
<td style="text-align: right;">8.124</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Bulgária</td>
<td style="text-align: right;">39.000</td>
<td style="text-align: right;">93</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Virgens (EUA)</td>
<td style="text-align: right;">26.000</td>
<td style="text-align: right;">29</td>
<td style="text-align: right;">5.964</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Jordânia</td>
<td style="text-align: right;">17.000</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
<td style="text-align: right;">3.978</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Chipre</td>
<td style="text-align: right;">16.000</td>
<td style="text-align: right;">38</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Israel</td>
<td style="text-align: right;">13.000</td>
<td style="text-align: right;">19</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Samoa Americana</td>
<td style="text-align: right;">11.000</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Níger</td>
<td style="text-align: right;">11.000</td>
<td style="text-align: right;">45</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Polônia</td>
<td style="text-align: right;">11.000</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Curaçau</td>
<td style="text-align: right;">9.000</td>
<td style="text-align: right;">15</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>El Salvador</td>
<td style="text-align: right;">6.000</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Marianas do Norte</td>
<td style="text-align: right;">5.000</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">6.499</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;">5.000</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Noruega</td>
<td style="text-align: right;">3.000</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Islândia</td>
<td style="text-align: right;">2.000</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">425</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;">2.000</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Canadá</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">91</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>35.548.000</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>48.712</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>240.533</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>468</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="5">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados do Departamento de Defesa dos EUA</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>A Figura 9 mostra a escala da presença militar dos EUA: quase 36 milhões de metros quadrados em 49 mil construções que cobrem 245 mil hectares. Na classificação por número de construções, as três potências do Eixo estão entre as quatro primeiras.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95583 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-10-2-e1706553104748.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-10-4.png"></div>
<p>Embora hoje o sol se ponha sem se preocupar com o Império Britânico, a Figura 10 mostra o tamanho que a rede de bases do Reino Unido ainda tem, com foco na Ásia Ocidental e na África.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Invasões, intervenções e “destacamentos” militares dos EUA e do Reino Unido</h3>
<p>Os países da Otan conduzem amplos destacamentos e intervenções militares em todo o mundo, apoiados por uma vasta rede de bases.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95593 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-11-2-e1706553187169.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-11-4.png"></div>
<p>As figuras 11 e 12 referem-se apenas ao ano de 2022. As forças imperialistas realizaram 317 operações militares em países do Sul Global e 137 em nações aliadas do Norte Global, totalizando 454 (sendo que 45 ocorreram em nações que não são membros da ONU). Entre os países imperialistas que conduziram o maior número de destacamentos militares estão EUA (56), Reino Unido (32), França (31), Itália (20), Alemanha (17), Espanha (15), Canadá (13) e Países Baixos (13) (Figura 11).<a href="#_edn33" name="_ednref33"><sup>34</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95603 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-12-2-e1706553434961.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-12-4.png"></div>
<p>A Figura 12 mostra como África e Ásia Ocidental continuam a ser os pontos focais dos esquemas ocidentais, tendo as cinco nações a seguir sofrido o maior número de destacamentos militares somente em 2022: Mali (31), Iraque (30), Líbano (18), República Centro-Africana (13) e Sudão do Sul (13).<a href="#_edn34" name="_ednref34"><sup>35</sup></a></p>
<p>Observando a geografia das bases dos EUA e do Reino Unido e os destacamentos do Norte Global, é nítido onde se encontram as fronteiras do patrulhamento dos EUA e como os campos de batalha do nosso tempo são a Eurásia e as regiões que funcionam como zona tampão.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95613 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-13-2-e1706553545362.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-13-4.png"></div>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95623 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-14-2-e1706553595327.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-14-4.png"></div>
<p>Durante séculos os EUA e seus aliados do Norte Global, sobretudo o Reino Unido, realizaram intervenções militares no mundo, conforme indicado nas Figuras 13 e 14. Por ser uma publicação oficial do governo dos EUA, o Serviço de Pesquisa do Congresso (Congressional Research Services – CRS) serve como fonte primária de dados sobre intervenções militares dos EUA e é utilizado para demonstrar sua magnitude e <em>longa duração </em>histórica. Entretanto, é preciso observar que o CRS não inclui missões secretas e não agrega dados para diferenciar os diferentes tipos de intervenções das forças armadas dos EUA no exterior. Os dados não são organizados com base na natureza qualitativa e quantitativa nem na escala de cada caso. Os casos relacionados (mais de 480) variam muito em tamanho, duração, autorização legal e relevância.<a href="#_edn35" name="_ednref35"><sup>36</sup></a></p>
<p>O Projeto sobre Intervenção Militar (Military Intervention Project – MIP) utiliza uma definição mais abrangente de intervenção militar que engloba “casos combinados de conflito internacional ou conflito potencial fora das atividades normais de tempos de paz em que a ameaça, demonstração ou uso intencional de força militar pelos canais oficiais do governo dos EUA são explicitamente direcionados ao governo, a representantes oficiais, a forças oficiais, a propriedades ou a territórios de outro ator estatal”.<a href="#_edn36" name="_ednref36"><sup>37</sup></a> O MIP não divulgou seu banco de dados na íntegra, portanto, os casos exatos de todas as intervenções militares identificadas ainda não estão disponíveis ao público. Dessa forma, este relatório acessou apenas dados resumidos da publicação “Introducing the Military Intervention Project” (2023) e não pôde produzir um mapa com base no MIP.</p>
<p>Como visto na Figura 13, em junho de 2023, os dados do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA mostram que as forças armadas dos EUA foram destacadas, assumidamente, para 101 países e territórios entre 1798 e 2023.<a href="#_edn37" name="_ednref37"><sup>38</sup></a> A Figura 14 expõe o Reino Unido, que invadiu militarmente mais de 170 países e territórios entre 1169 e 2012.</p>
<p>De acordo com o MIP, entre 1776 e 2019, os EUA realizaram mais de 392 intervenções militares em todo o mundo.<a href="#_edn38" name="_ednref38"><sup>39</sup></a> Metade dessas operações foi realizada entre 1950 e 2019, e 25% delas ocorreram no período pós-Guerra Fria.<a href="#_edn39" name="_ednref39"><sup>40</sup></a> O ritmo das intervenções militares dos EUA se acelerou nitidamente desde 1991.</p>
<p>Em 1950, no Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras, Claudia Jones, mulher negra comunista e imigrante, discursou em um ato de militantes nos EUA. Em circunstâncias diferentes, mas com o mesmo espírito, compartilhamos esse relato com o objetivo de – para Jones – “ampliar [nossa] consciência sobre a necessidade de se promover campanhas militantes de frente única em torno das demandas urgentes do dia, contra a opressão monopolista, contra a guerra e o fascismo”.<a href="#_edn40" name="_ednref40"><sup>41</sup></a></p>
<h1>PARTE II: Evolução do imperialismo</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">O novo estágio do imperialismo</h2>
<p>O monopólio do dólar estadunidense e a mudança de nação credora para devedora, iniciados na década de 1970, seguidos pela queda da União Soviética em 1991, deram início a um período em que os Estados Unidos tentaram criar sua própria ordem mundial unipolar. Não foi possível estabelecer uma unipolaridade total porque alguns Estados – que os EUA chamaram de “vilões” – recusaram a submissão a esse novo sistema.<a href="#_edn41" name="_ednref41"><sup>42</sup></a></p>
<p>Nos últimos quinze anos, o projeto de unipolaridade dos EUA se enfraqueceu consideravelmente. O período entre a “grande recessão financeira”, de 2008, e o conflito entre a Otan e a Rússia, de fevereiro de 2022, consolidou uma mudança quantitativa e qualitativa no imperialismo global.</p>
<p>Uma questão histórica fundamental decorrente disso foi a magnitude e as consequências das rivalidades interimperialistas, que acarretam profundas implicações estratégicas e políticas: outras potências imperialistas irão romper com os EUA em questões fundamentais ou subordinarão seus próprios interesses aos dos EUA?</p>
<p>Atualmente, os fatos mostram que essas diferenças não são mais estratégicas. O imperialismo consolidou um novo estágio de existência, melhor descrito como <strong>hiperimperialismo. </strong>Mais adiante, explicaremos por que escolhemos esse termo.</p>
<p>Entre as características desse novo estágio estão o seguinte:</p>
<ul>
<li>A China emergiu como maior e mais dinâmica economia do mundo. O crescimento do Sul Global excede o do Norte Global. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na Ásia é significativamente maior do que nos países do G7.</li>
<li>Apesar da força econômica que ainda mantêm, os EUA enfrentam um crescimento escasso e um declínio em relação à ascensão do Sul Global (que tem o crescimento da China como uma locomotiva importante). Isso é evidenciado por indicadores de PIB total, indústria, comércio, infraestrutura e comunicações 5G. Os EUA estão fazendo tentativas agressivas de restringir o crescimento econômico da China e seu papel em iniciativas globais como o Brics 10. Os EUA estão levando o mundo a um maior protecionismo.</li>
<li>Os EUA avançaram rapidamente na guerra híbrida, incluindo o uso de sanções (impostas a mais de um em cada quatro países do mundo).<a href="#_edn42" name="_ednref42"><sup>43</sup></a> O ataque a reservas nacionais (da Rússia, da Venezuela, do Irã e do Afeganistão) abriu os olhos de muitos no Sul Global.</li>
<li>Os EUA agora estão de olho na dominação da Eurásia, onde o Ocidente enfrenta a Rússia e a China, dois países poderosos com uma forte capacidade combinada: econômica, tecnológica, militar, energética e alimentar. A desmilitarização completa da longa fronteira entre a China e a Rússia e o anúncio da parceria “sem limites” entre as duas nações são prova de seus interesses comuns em termos de paz e segurança.</li>
<li>Há um perigo evidente e presente de que o imperialismo continue a trilhar um caminho militarista e dependa de seu domínio militar para compensar o crescente declínio econômico e político relativo que enfrenta. Os interesses políticos e militares dos imperialistas se tornam, agora, fundamentais. Perdas econômicas de curto prazo estão ocorrendo.<a href="#_edn43" name="_ednref43"><sup>44</sup></a> Os interesses de capitalistas individuais ou de grupos se tornam secundários.</li>
<li>A hegemonia do dólar estadunidense, a financeirização e a capacidade tecnológica permitem que o setor financeiro movimente trilhões de dólares em negociações em milissegundos, o que mudou a mecânica da acumulação capitalista e sua propriedade. Os capitalistas europeus e japoneses investem capital nas mesmas estruturas que seus pares de classe dos EUA, embora sob o controle destes últimos.</li>
<li>Os EUA aprimoraram sua já vasta infraestrutura de “<em>soft power</em>” sustentada pelo surgimento de uma nova geração de serviços avançados de redes sociais e <em>streaming</em> de vídeo, sob o controle total dos monopólios estadunidenses, todos explicitamente integrados ao complexo militar industrial digital dos EUA.</li>
<li>As contradições entre os países imperialistas deixaram de ser antagônicas e passaram a ser secundárias. A Alemanha, o Japão, a França e todas as outras potências imperialistas devem subordinar seus interesses de curto e médio prazo aos interesses fundamentais dos Estados Unidos. Seu trabalho é coordenado na Otan+. Os documentos oficiais de políticas afirmam que a estratégia em relação à China é reduzir o risco. No entanto, os parlamentares do <em>Bundestag </em>da Alemanha, por exemplo, estão liderando os pedidos de isolamento da China, mesmo que isso implique uma perda considerável de mercados para os fabricantes “alemães”.<a href="#_edn44" name="_ednref44"><sup>45</sup></a> Há também um ímpeto interno simultâneo de remilitarizar a Alemanha.</li>
<li>Novas instituições multilaterais e modelos alternativos de financiamento do desenvolvimento que vêm surgindo no Sul Global estão ganhando impulso. Isso fica evidente pela amplitude do apoio à Nova Rota da Seda (NRS) e pelo crescente interesse de participação no Brics, agora Brics 10. Quase 80% dos Estados-membros da ONU participam da NRS, compreendendo cerca de 64% da população global, enquanto suas economias combinadas representam 52% do PIB mundial (paridade do poder de compra – PPC) em 2022.<a href="#_edn45" name="_ednref45"><sup>46</sup></a> Os países do Brics 10 compreendem hoje 45,5% da população mundial e 35,6% do PIB global (PPC). Em comparação, embora os países do G7 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) representem apenas 10% da população mundial, sua participação no PIB global (PPC) é de 30,4%.<a href="#_edn46" name="_ednref46"><sup>47</sup></a></li>
<li>O Sul Global está perdendo a confiança na liderança econômica, política e moral dos EUA e da Europa. Foi China, e não os EUA, quem facilitou o acordo diplomático histórico entre a Arábia Saudita e o Irã. A Rússia e a China agora realizam a maior parte do comércio entre os dois países em suas próprias moedas. O Brics 10 está criando um grupo de trabalho para explorar alternativas ao uso do dólar estadunidense, incluindo sistemas de pagamentos internacionais e uma possível nova moeda de reserva. Na votação da resolução da ONU sobre um cessar-fogo em Gaza (A/ES-10/L.25), o Norte Global foi superado numericamente, com 14 votos contrários e 120 favoráveis à aprovação.</li>
<li>É a primeira vez em mais de 600 anos que existe uma alternativa econômica e política plausível ao domínio das relações mundiais pelos europeus e seus Estados coloniais de descendentes de colonizadores brancos. Em primeiro lugar, há o grupo socialista liderado pela China. Em segundo, as crescentes aspirações por soberania nacional, modernização econômica e multilateralismo que emergem do Sul Global.</li>
</ul>
<p>Diante dessas movimentações, os líderes da classe política dominante dos EUA no Centro para uma Nova Segurança Americana (<em>Center for a New American Security –CNAS</em>) – <em>think tank </em>com sede em Washington e núcleo intelectual do governo estadunidense – definiram como geoestratégia dos EUA a derrota dupla da Rússia e da China, o que significaria que o Norte Global ganharia o controle da Eurásia. As dimensões, a quantidade de recursos naturais, o poder militar, a proximidade geográfica e a independência da dominação imperialista da China e da Rússia são os principais fatores de suas respectivas perspectivas globais e parcerias estratégicas.</p>
<p>Esses fatores objetivos são muito mais dominantes do que os ideológicos. Os EUA querem terminar a missão inacabada de desnuclearizar a Rússia. Nas paredes de Washington, estão pendurados mapas que foram desenhados para mostrar os dois países divididos em pequenos pedaços, Estados vassalos do Ocidente, sem independência e, certamente, sem armas nucleares.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95633 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-15-3-e1706554470172.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-15-5.png"></div>
<p>Conforme ilustrado na Figura 15, China, Rússia, República Popular Democrática da Coreia e Irã são as quatro potências nucleares (ou potencialmente nucleares) que estão no centro da linha de frente de ataque do imperialismo. A China e a Rússia são os dois principais alvos, a primeira devido a sua força econômica e a segunda, ao seu arsenal nuclear. Síria, Venezuela, Cuba e Belarus também são alvos imediatos para uma mudança de regime.</p>
<p>O mundo está enfrentando um momento muito difícil e perigoso. Os países do Sul Global são extremamente diversos e heterogêneos, não formam um bloco e não têm um alinhamento ideológico. Certamente não têm alianças militares. Alguns – República da Coreia e Filipinas – se emaranharam na esfera militar dos EUA.</p>
<p>O que os países do Sul Global têm é uma história compartilhada. Sofreram durante centenas de anos o abuso colonial e semicolonial cometido pelo Norte Global. As nações mais brancas passaram os últimos cinquenta anos tentando apagar da história o terror que desencadearam sobre os povos de pele mais escura do mundo, inclusive aqueles que vivem dentro de suas próprias fronteiras.</p>
<p>A mídia ocidental se refestela com as grandes diferenças dentro do Sul Global. O Grupo dos 77 e o Movimento dos Não Alinhados, apesar de mais fracos, continuam existindo. Não é possível desconsiderar os avanços senso mais forte de identidade compartilhada entre os países do Sul Global. A demanda por soberania nacional é profundamente democrática e continua sendo uma questão crucial para melhorar a vida das classes populares no Sul Global, além de ser também uma etapa necessária no caminho para o socialismo.</p>
<p>A Primeira Guerra Mundial marcou o início da Revolução Russa (1917), seguida pela criação da União Soviética, primeiro Estado operário plenamente funcional do mundo, e por uma onda de lutas revolucionárias de libertação nacional. A Segunda Guerra Mundial terminou com a criação da República Popular Democrática da Coreia, em 1948, e da República Popular da China, em 1949, seguidas por mais uma onda de lutas de libertação nacional que incluiu importantes vitórias socialistas, como no Vietnã, em 1945 e 1975, e em Cuba, em 1959.</p>
<p>Hoje, não estamos vivendo um período comparável de revoluções. No entanto, é nítido que há novo ânimo e um despertar do espírito para levar adiante os projetos incompletos de libertação nacional que começaram nos dois períodos anteriores. A dominação do sistema neocolonial ocidental está sendo questionada. Estamos testemunhando “mudanças não vistas em 100 anos” e entrando em um novo período da história.</p>
<p>Em resumo, pode-se dizer que <strong>oito contradições principais </strong>são evidentes no mundo:<a href="#_edn47" name="_ednref47"><sup>48</sup></a></p>
<ul>
<li>Imperialismo moribundo liderado pelos EUA <em>x</em> socialismo emergente liderado pela China.</li>
<li>Capital parasitário em busca de renda <em>x</em> exigências das sociedades por desenvolvimento ambientalmente sustentável, indústria, agricultura e emprego.</li>
<li>Imperialismo liderado pelos EUA <em>x </em>necessidade urgente de soberania nacional dos países socialistas e capitalistas do Sul Global.</li>
<li>Classes dominantes do Norte Global <em>x</em> burguesia dos países capitalistas do Sul Global.</li>
<li>Classe dominante supremacista branca do G7 (e do restante do Norte Global) <em>x</em> classes populares (pessoas trabalhadoras, camponesas e da baixa pequena burguesia) nas nações de pele mais escura do Sul Global</li>
<li>Burguesia e estratos superiores dos países capitalistas do Sul Global <em>x</em> classes populares do Sul Global.</li>
<li>Imperialismo ocidental <em>x</em> futuro do planeta e da vida humana.</li>
<li>Contradição interna entre a burguesia do Norte Global <em>x</em> milhões da classe trabalhadora (pobres e parcelas cada vez mais numerosas das pessoas com trabalho qualificado e semiqualificada) no Norte Global.</li>
</ul>
<p>Assim como já começamos a fazer com o setor militar, buscamos aqui analisar esse novo estágio do imperialismo, o funcionamento interno do campo imperialista, e examinar a composição e as conotações do Sul Global para compreender as principais contradições do mundo atual.<a name="_Toc150359652"></a></p>
<h2 style="margin:3em 0;">Conquista, racismo e genocídio: A história comum do campo imperialista</h2>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95643 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-16-4-e1706554564584.png" alt="" width="442" height="950" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-16-6.png"></div>
<p>A riqueza do Norte Global teve origem no roubo histórico por meio de expropriações violentas promovidas ao longo de séculos (Figura 16). <a href="#_edn48" name="_ednref48"><sup>49</sup></a> A estagnação econômica e as demandas por crescimento estimularam o saque de recursos de outras regiões. Isso começou já nas invasões militares das Cruzadas contra as regiões árabes e muçulmanas da Ásia Ocidental (1050-1291).</p>
<p>O fim do Período Quente Medieval na Europa (que durou entre cerca de 950 e 1250 d.C.) e a catástrofe da Peste Negra (1346-1353) fizeram com que a situação pendesse a favor do campesinato, afastando-o da aristocracia. Em toda a Europa, as rebeliões camponesas e as cartas da floresta (<em>charters of the forest</em>) sinalizaram que o futuro do capitalismo estava longe de ser garantido.</p>
<p>A Europa iniciou, então, uma trajetória como poder hegemônico mundial por meio de suas potências marítimas militarizadas, começando com a invasão e captura de Ceuta, porto marroquino fortificado, por Portugal já em 1415 – data que utilizamos para marcar os mais de 600 anos de dominação ocidental. A primeira potência colonial europeia, Portugal, usou o capital genovês para financiar suas expedições, e o resto da Europa seguiu o exemplo nos anos 1400.</p>
<p>As conquistas das nações de pele mais escura do mundo, a subsequente expropriação de povos de suas terras e a subordinação de sua mão de obra fizeram surgir ideologias raciais. Essa camada ideológica se infiltrou na base e na superestrutura tanto das sociedades europeias quanto dos povos conquistados, e é mais pronunciada nos Estados coloniais de ocupação branca, que se estabeleceram como projetos raciais desde o início de sua existência. Dentro desses Estados coloniais de ocupação branca, os EUA e Israel representam agora a história mais aguda, permanente e profundamente arraigada de projetos raciais e religiosos.</p>
<p>A análise econômica mostra que o aumento real do investimento capitalista no Reino Unido começou quando os lucros da escravização e a pilhagem de países como a Índia possibilitaram o aumento histórico do investimento em capital fixo, sendo decisivos para a chamada acumulação primitiva capitalista e o financiamento da “revolução industrial”. Em um estudo de 2022, Utsa Patnaik indicou que o Reino Unido extraiu da Índia, entre 1765 e 1939, US$ 45 trilhões (a economista usou uma fórmula de taxa de juros composta, uma vez que ainda não foram reembolsados).<a href="#_edn49" name="_ednref49"><sup>50</sup></a> A maior parte das principais instituições britânicas lucrou com o comércio transatlântico de pessoas escravizadas. A base ideológica racial, por sua vez, moldou o desenvolvimento posterior do capitalismo e do imperialismo.</p>
<p>Ao longo dos séculos, a Europa criou diversos outros projetos coloniais de ocupação branca fora de seu centro histórico nas Américas e na Australásia, inclusive no Quênia, na África do Sul e no Zimbábue. Os “bem-sucedidos” não se estabeleceram em terras desabitadas – o mito da <em>terra nullius</em> –, mas sim promovendo genocídio e conquista militar, criando populações e Estados de população majoritariamente branca. A Alemanha foi o primeiro país a promover um genocídio colonial, assassinando aproximadamente 80 mil pessoas dos povos Herero e Nama, na Namíbia, entre 1904 e 1908.</p>
<p>Cinco desses projetos coloniais permanecem até hoje: Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Israel, todos projetos britânicos. O Reino Unido iniciou suas conquistas coloniais em meados no século XV, na Irlanda, e, nas Américas, seu papel resultou na criação dos Estados Unidos da América. A infame Declaração Balfour (1917) foi fundamental para a formação de Israel às custas da Palestina, então colônia britânica. A missão sionista precisava criar em Israel uma barreira para as “hordas bárbaras” da Ásia. Nenhuma outra nação é tão influente nos EUA quanto Israel. Os EUA, graças a seu tamanho e papel, continuam a ser a força dominante do terrorismo mundial, mas Israel tem um papel desproporcional em termos de violência e gastos militares, com armas nucleares que a mídia ocidental convenientemente minimiza.</p>
<p>Desde sua criação até os tempos modernos, os EUA têm sido definidos como um projeto racial. Em <em>American Holocaust: The Conquest of the New World </em>(1992), David E. Stannard estimou que, nos primeiros 150 anos da conquista europeia das Américas, cerca de 100 milhões de pessoas indígenas podem ter morrido devido à conquista e suas consequências, incluindo doenças, guerras e escravização.</p>
<p>Em 1860, quase quatro milhões de pessoas negras eram escravizadas somente nos EUA.<a href="#_edn50" name="_ednref50"><sup>51</sup></a> Em 2022, mais de 720 mil pessoas negras estavam encarceradas em presídios e cadeias dos EUA, representando 38% da população carcerária, apesar de corresponderem a apenas 12% da população dos EUA. Os EUA têm quase 20% de todos os prisioneiros do mundo, apesar de terem apenas 5% da população mundial.<a href="#_edn51" name="_ednref51"><sup>52</sup></a> Mais de 500 anos após o início da escravização (com a primeira chegada registrada de um navio negreiro em 1519), os EUA ainda colocam dezenas de milhares de pessoas negras em confinamento solitário, apesar da prática ser considerada uma forma de tortura pelas Nações Unidas.<a href="#_edn52" name="_ednref52"><sup>53</sup></a> Foi somente em 2013 que o estado do Mississippi ratificou oficialmente a 13.ª emenda que aboliu a escravidão no país – registrada oficialmente pela primeira vez na Constituição em 6 de dezembro de 1865.<a href="#_edn53" name="_ednref53"><sup>54</sup></a> Só é possível entender a ideologia da classe dominante dos EUA reconhecendo o caráter racializado de sua estrutura de classes.</p>
<p>A declaração de 2023 da Otan e o apoio unificado ao genocídio israelense contra o povo palestino são prova cabal de que o imperialismo não pode ser separado de aspectos raciais históricos. Durante mais de 600 anos, os Estados europeus e de ocupação branca buscaram e conseguiram dominar o mundo inteiro.</p>
<p>Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA têm buscado estender essa regra por pelo menos um milênio. Inicialmente, todos os Estados do campo imperialista eram brancos. Com a derrota absoluta na Segunda Guerra Mundial, inclusive com o uso de bombas atômicas, o Japão foi assimilado ao campo imperialista, acabando por alcançar o que os sul-africanos chamaram de status de “branco honorário”. Esse movimento foi possível sobretudo porque o Japão havia sido uma potência fascista que também vinculava sua expansão imperialista a práticas racializadas.</p>
<p>O imperialismo também tem bases patriarcais racializadas, que remontam à forma como a divisão sexual do trabalho, o controle das capacidades reprodutivas das mulheres e a exploração do trabalho não remunerado das mulheres foram reformulados na colonização ocidental, como pré-condições para a expansão internacional da acumulação de capital.<a href="#_edn54" name="_ednref54"><sup>55</sup></a> Desde então, a subordinação e a violência de gênero têm sido amplamente utilizadas na guerra e na conquista, desde a escravização sexual de dezenas de milhares de “mulheres de conforto” durante a ocupação militar do Japão na China e na Indonésia, até a atual exploração sexual que ocorre no entorno das bases militares dos EUA nas Filipinas.<a href="#_edn55" name="_ednref55"><sup>56</sup></a></p>
<p>Não é por acaso que os Estados Unidos aparecem em sete das oito categorias de violência histórica na Figura 16. Esse processo não começou na década de 1890 com o desenvolvimento do imperialismo moderno: é possível identificá-lo desde<a name="_Toc150359654"></a> 1492, com a primeira invasão europeia das Américas.</p>
<p>Em outubro de 2023, dos 193 membros da ONU, apenas os Estados Unidos e Israel votaram contra o fim do embargo e do bloqueio ilegais contra a heroica Cuba. Quando um projeto de resolução que pedia um cessar-fogo em Gaza foi redigido, em 16 de outubro de 2023, nenhum membro branco da Câmara dos Representantes dos EUA o assinou inicialmente.<a href="#_edn56" name="_ednref56"><sup>57</sup></a> Há uma linha direta entre os comerciantes portugueses de pessoas escravizadas na África Ocidental e os genocidas israelenses e estadunidenses na Palestina.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">História e definição de “hiperimperialismo”</h2>
<h3 style="margin:2em 0;">Antecedentes</h3>
<p>A pré-história do imperialismo moderno começou em 1415 com o advento da expansão marítima europeia. A África foi a primeira vítima, seguida da colonização das Américas e do genocídio de milhões de povos indígenas. Em seguida, a Europa (e seus Estados colonizadores) passaram rapidamente a depender do capital ensanguentado da escravização humana, que durou 400 anos.</p>
<p>A existência do Reino Unido como potência moderna começou com a dependência vampírica do sangue de pessoas escravizadas e trabalhadoras coloniais. Os britânicos foram responsáveis por milhões de mortes no comércio atlântico de escravizados e em suas conquistas coloniais. A mão de obra escravizada nas Américas – bem como a captura britânica de boa parte do excedente das colônias espanholas e portuguesas – forneceu o ingrediente “especial” da chamada acumulação primitiva ou originária (“ursprüngliche Akkumulation”, termo utilizado por Marx em <em>O capital</em>).<a href="#_edn57" name="_ednref57"><sup>58</sup></a></p>
<p>Além de começar como um projeto racial, o imperialismo dos EUA tem uma trajetória singular de desenvolvimento capitalista, que inclui o seguinte:</p>
<ul>
<li>Uma forma de escravização capitalista altamente lucrativa.</li>
<li>Um Estado em expansão desenfreada em um grande território, sem nenhum resquício do feudalismo.</li>
<li>O único grande país imperialista cujo território não foi atacado militarmente por outros imperialistas.</li>
<li>Uma potência imperial que começou depois que a Europa já havia dividido o mundo.</li>
<li>Um poder ilimitado autodefinido por meio da Doutrina Monroe (1823), além de conceitos como o Destino Manifesto e o excepcionalismo estadunidense.</li>
</ul>
<p>Desde o advento da indústria moderna, o sistema-mundo capitalista consistiu em dois períodos sucessivos com o domínio de uma única potência capitalista: primeiro o Reino Unido, depois os EUA. Do final do século XVIII até a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido foi considerado a força dominante no setor financeiro internacional. No entanto, houve um franco colapso dessa dominação quando os britânicos abandonaram a conversibilidade da libra em ouro e encerraram o padrão ouro-libra em 1931. Na realidade, o domínio dos EUA ficou evidente a partir da Primeira Guerra Mundial e a hegemonia reconhecida do país começou em 1945, quando a Europa estava em frangalhos. No centro do sistema imperialista, portanto, está o que se pode chamar de projeto anglo-americano.</p>
<p>A economia dos EUA ultrapassou a britânica em tamanho na década de 1870, mas o PIB per capita (PPC) dos EUA só se igualou ao do Reino Unido no século XX. Em 1913, a economia estadunidense já tinha o dobro do tamanho do PIB (PPC) britânico.<a href="#_edn58" name="_ednref58"><sup>59</sup></a> Entretanto, foi somente em 1945 (com a economia dos EUA sendo cinco vezes maior que a do Reino Unido) que a hegemonia estadunidense foi completa e formalmente estabelecida. Naquele momento, os EUA estavam fabricando mais da metade dos produtos do mundo.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Histórico</h3>
<p>A obra de Vladimir Lênin <em>Imperialismo, estágio superior do capitalismo </em>(1916), que se valeu muito do livro <em>O </em>c<em>apital financeiro</em>, de 1910, escrito por Rudolf Hilferding, explicou a ascensão do capital financeiro durante o último período do século XIX, marcando a transição do capitalismo liberal clássico para o imperialismo de orientação financeira.<a href="#_edn59" name="_ednref59"><sup>60</sup></a> Com o aumento da composição orgânica do capital, eram necessários desembolsos cada vez maiores de capital para expandir a produção. Isso foi além da capacidade da maioria dos capitalistas individuais envolvidos na concorrência clássica, levando à dominação por oligopólios e monopólios, com a reorganização do sistema financeiro para atender às suas exigências.</p>
<p>Paralelamente a isso, ocorreram transformações tecnológicas. A transição da energia a vapor para a energia elétrica na década de 1890 provocou um salto nas forças produtivas e na produção fabril: maior eficiência energética, menor manutenção, descentralização, reconfiguração do desenho do chão de fábrica, produção em massa e um aumento maciço na divisão e socialização do trabalho. Esse tipo de transformação rápida das forças produtivas ocorreu novamente, mais tarde, com a invenção do transistor e o surgimento dos computadores.</p>
<p>Lênin observou cinco características desse novo estágio: o surgimento do capital financeiro e da oligarquia financeira; a concentração da produção e dos monopólios; a exportação de capital; o surgimento de <strong>cartéis monopolistas, que “dividiram” o mundo entre si; </strong>e a conclusão da <strong>divisão territorial do mundo inteiro entre as maiores potências capitalistas, </strong>juntamente com o crescente conflito entre os Estados imperialistas.</p>
<p>Com esses desdobramentos, começava um novo e último estágio superior do capitalismo, ou seja, o estágio do imperialismo moderno. Não é possível haver outro novo estágio do capitalismo (pois um sistema sem concorrência não seria capitalismo).</p>
<p>O livro de Lênin foi escrito às vésperas da Revolução Soviética. Após a formação da União Soviética, o conflito entre trabalho e capital mudou qualitativamente, deixando de ser apenas uma contradição interna dos países e passando a incluir contradições entre Estados com diferentes bases de classe.</p>
<p>O imperialismo moderno herda totalmente a história de dominação e exploração do mundo pelo projeto europeu. Lênin define os superlucros, resultado do imperialismo moderno, como “um excedente de lucros além dos lucros capitalistas que são normais e costumeiros em todo o mundo”.<a href="#_edn60" name="_ednref60"><sup>61</sup></a></p>
<p>Após a Segunda Guerra Mundial, as divisões capitalistas internacionais se intensificaram mais uma vez durante a Grande Depressão (1929-1939), quando várias potências imperialistas trancaram suas economias com tarifas e outras barreiras. Antes do final da Segunda Guerra Mundial, a reorganização do sistema financeiro global, liderada pelos EUA, foi acordada em Bretton Woods em julho de 1944. A conversibilidade das principais moedas em dólar estadunidense e do dólar estadunidense em ouro estabeleceu a supremacia do novo “ouro verde”. Para garantir que suas normas fossem implementadas e seguidas, foram criados o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), que mais tarde se tornaria o Banco Mundial. Desde então, essas duas instituições têm sido os principais pilares da dominação dos EUA sobre o Sul Global.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Pós-Segunda Guerra Mundial</h3>
<p>Em 1945, os Estados Unidos obtiveram uma vitória decisiva entre as potências capitalistas, e deu-se início à dominação do dólar estadunidense. Entre 1945 e 1971, houve uma fase de expansão de seu imperialismo. Com efeito, o país sofreu perdas significativas nesse período, inclusive com uma série de novos projetos socialistas. No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, confiantes em sua própria supremacia produtiva, os EUA iniciaram uma reorganização radical do sistema capitalista global e desmantelaram as tarifas e outras medidas protecionistas que consideravam desnecessárias para seu próprio avanço (mas mantiveram medidas de subsídio que favoreciam suas próprias empresas capitalistas). A nova organização “globalizada” do capitalismo mundial pós-Segunda Guerra Mundial diferia significativamente, em sua estrutura internacional, do sistema capitalista anterior a 1945. O desenvolvimento das forças produtivas se acelerou em relação à era dos impérios coloniais anteriores. Ao longo dos séculos XIX e XX, por trás do verniz do livre comércio, sempre houve monopólios, como afirmou Karl Marx com relação ao Reino Unido. Os EUA avançaram ainda mais nessa dominação por meio de monopólios imperialistas protegidos por um aparato militar internacional.</p>
<p>Criada em 1949, a Otan tinha inicialmente três objetivos: primeiro, impedir a disseminação do espectro comunista na Europa Ocidental; segundo, garantir a subordinação militar de todos os outros países imperialistas aos EUA; e terceiro, criar um bloco militar para conter e, por fim, derrotar os países do bloco socialista. Os EUA também iniciaram a domesticação da elite europeia e angariaram apoio para o projeto do Atlântico Norte por meio da <em>integração e da dependência econômica (simbolizada pelo Plano Marshall, iniciado em 1948) e da </em>subordinação política (por meio de instituições como o Clube <em>de Bilderberg, a partir de 1954)</em>.<a href="#_edn61" name="_ednref61"><sup>62</sup></a></p>
<p>Os EUA tinham três objetivos no mundo colonial. Primeiro, finalizar a derrota do controle europeu e remover as barreiras a seus interesses econômicos. Segundo, proibir o alinhamento da Europa com o bloco socialista. Terceiro, derrotar qualquer projeto revolucionário de inspiração ou liderança comunista.</p>
<p>Com algumas exceções, como Cuba e Filipinas na virada do século XX, os EUA nunca tiveram o objetivo ou o desejo de governar ou administrar todo o escopo das relações políticas, econômicas e sociais locais do que era, então, chamado de Terceiro Mundo. Utilizando poder militar, operações secretas, incentivos econômicos e “<em>soft power</em>“, os EUA desenvolveram uma estratégia de neocolonialismo: independência política nominal e subordinação econômica quase total. O Bird, primeira instituição responsável pelo alistamento de europeus para o projeto hegemônico dos EUA após a Segunda Guerra Mundial, voltou-se para seu trabalho no Sul Global assim que o Plano Marshall entrou em vigor.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Neoliberalismo</h3>
<p>A próxima fase do imperialismo é geralmente chamada de neoliberalismo. Surgiu como uma resposta à estagnação econômica iniciada na década de 1960 (que se agravou com a crise de 1974) e à ameaça política dos projetos de esquerda do Terceiro Mundo.<a href="#_edn62" name="_ednref62"><sup>63</sup></a> O neoliberalismo foi experimentado pela primeira vez no Chile (1973) e na Argentina (1976) pelos “<em>Chicago Boys</em>” de Milton Friedman. Nos dois casos, sua implementação se deu por meio de golpes de Estado sangrentos que mataram dezenas de milhares de pessoas para erradicar o apoio a projetos de esquerda, com o apoio dos EUA. As eleições de Margaret Thatcher (1979), no Reino Unido, e Ronald Reagan (1980), nos EUA, abriram caminho para sua ascensão global.</p>
<p>Em 1981, os EUA se tornaram, em termos correntes, uma nação devedora. A queda da União Soviética, em 1991, permitiu que os EUA se engajassem em uma projeção imperialista mais despojada, sobretudo no âmbito militar. As principais características do neoliberalismo incluem o seguinte:</p>
<ul>
<li>O mundo vivenciou a globalização econômica e a financeirização do capitalismo monopolista, com privilégios de monopólio financeiro “superimperialista” criados pelos EUA para sustentar a retirada do dólar estadunidense do padrão ouro.</li>
<li>Os EUA ampliaram de forma agressiva seus direitos de propriedade intelectual em todo o mundo e obtiveram monopólios globais quase perpétuos. A economia de bens tangíveis foi subordinada à economia virtualizada. Grandes áreas de pequena produção foram impiedosamente destruídas.</li>
<li>O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial adotaram consistentemente políticas de austeridade que empobreceram e sobrecarregaram o Sul Global com grandes níveis de endividamento. Essa dívida só poderia ser paga por meio da exportação de produtos que o Norte Global pagaria em dólares estadunidenses. Diferentemente de qualquer outro banco, o Banco Mundial pode formular a política econômica de seus credores, encolhendo o Estado e esvaziando a moeda local para garantir a primazia do dólar estadunidense. A privatização, o cercamento do setor público, a redução do papel do Estado na economia e na sociedade (sobretudo no Sul Global) e o aumento da precarização do trabalho foram as principais demandas de suas políticas, o que resultou no aumento da pobreza e da desigualdade, assim como a intensificação do trabalho reprodutivo não remunerado das mulheres.<a href="#_edn63" name="_ednref63"><sup>64</sup></a></li>
<li>A desarticulação da produção fabril e das cadeias de suprimentos (auxiliada por enormes transformações tecnológicas e pelos preços do petróleo subsidiados pelos EUA) criou não apenas aumentos maciços na produtividade, mas também enormes vantagens para o capital global e suas corporações multinacionais às custas da classe trabalhadora. O capital conseguiu transferir, com facilidade, partes da produção entre diversos países pequenos e fracos do Sul Global, e os países de industrialização tardia do Sul Global, como o Brasil e a África do Sul, sofreram desindustrialização. O socialismo e o tamanho da China a protegeram desse destino.</li>
<li>Houve uma mudança da produção para a especulação financeira e o capital monopolista e rentista. Em todo o mundo, uma forte desregulamentação dos mercados financeiros e uma revolução nas tecnologias de comunicação possibilitaram enormes fluxos de capital financeiro especulativo em tempo real.</li>
<li>Uma nova forma avançada de produção e circulação monopolista tornou-se evidente em vários setores da economia. Notadamente, com a ascensão do capital digital monopolista, alguns monopólios e oligopólios, como o Google, dominam o mundo inteiro (com exceção de China, Rússia, Irã, República Popular Democrática da Coreia, Cuba e alguns outros).</li>
<li>Houve um crescimento do Estado coercitivo, níveis cada vez mais altos de desigualdade e um aumento do populismo neofascista.</li>
<li>A ascensão da hegemonia cultural, política e de política externa do Ocidente foi possível devido à onipresença e ao status de monopólio econômico das tecnologias estadunidenses, incluindo Google, Facebook, WhatsApp, Instagram e Twitter.<a href="#_edn64" name="_ednref64"><sup>65</sup></a></li>
</ul>
<p>A obra de Michael Hudson <em>Super Imperialism </em>(1972) descreve a grande derrota enfrentada pelo resto do mundo quando os EUA abandonaram o padrão ouro.<a href="#_edn65" name="_ednref65"><sup>66</sup></a> Em vez de comprar ouro para manter suas moedas, os EUA obrigaram outros bancos centrais a reciclar seus excedentes de dólares para comprar títulos do Tesouro dos EUA. Isso permitiu que os EUA forçassem o resto do mundo a pagar suas dívidas, inclusive aquelas contraídas com a guerra contra o povo do Vietnã. Os EUA se tornaram uma nação devedora, mas conseguiram terceirizar sua dívida por meio do instrumento do complexo dólar-Wall Street.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Tecnologia e soft power</h3>
<p>Imensas transformações na tecnologia e no desenvolvimento das forças produtivas acompanharam esse processo. Os semicondutores, por exemplo, tiveram um aumento de 100 bilhões de vezes na densidade de transistores entre 1954, quando foi criado o primeiro dispositivo de silício funcional, e junho de 2023, com o lançamento do chip Apple M2 Ultra, com 134 bilhões de transistores.<a href="#_edn66" name="_ednref66"><sup>67</sup></a></p>
<p>O poder do setor de tecnologia dos EUA surgiu, em primeiro lugar, devido à importância do avanço tecnológico para o complexo militar-industrial e, em segundo lugar, porque o domínio do comércio mundial pelos EUA lhes permitiu mover seus braços comerciais para reforçar a centralidade do Vale do Silício. Assim, o Vale do Silício é, ao mesmo tempo, um facilitador das principais funções de inteligência militar dos EUA e um dos beneficiários delas.</p>
<p>A natureza por trás do que é chamado de “efeito de rede” permitiu o rápido estabelecimento de monopólios e oligopólios “naturais” em muitas áreas da tecnologia. Assim como as centrais telefônicas de cem anos atrás, quando uma empresa como o Google ultrapassa um limite de participação de mercado em operações de busca e o monetizou, ela se torna um oligopólio. Tecnologias como a computação em nuvem permitiram que a Amazon deixasse de ser apenas um monopólio do setor de varejo e passasse a desafiar Google e Microsoft em novos mercados.</p>
<p>O termo “<em>soft power</em>” foi desenvolvido por Joseph Nye no final da década de 1980, mas é apenas um novo nome para a extensão adquirida pelos conceitos de hegemonia de Gramsci quando se trata do imperialismo dos EUA. Os seguintes “setores” fazem parte da hegemonia global dos EUA: cultura, informação, entretenimento, organizações sem fins lucrativos (ONGs), academia e<em> think tanks</em>. Todos dependem de um setor de comunicação centralizado comum, que abrange cabos submarinos de fibra óptica, satélites, redes de telecomunicações, imensos centros de dados e empresas de comunicação digital como Twitter (X), Facebook e Google.</p>
<p>No último século, foram aproximadamente cinco os estágios das tecnologias da comunicação:</p>
<ol>
<li>Rádio como meio de comunicação de massa, telefone e cinema “falado” (1920-1950).</li>
<li>Televisão e a ascensão da publicidade da Madison Avenue (1950-1970).</li>
<li>Revolução digital, crescimento em larga escala da internet (que, na verdade, começou como um projeto militar dos EUA em 1969) (1980-2000).</li>
<li>Celular e redes sociais de primeira geração (2000-2005).</li>
<li>Dispositivos móveis e inteligentes onipresentes e monopólios de serviços OTT de <em>streaming </em>de vídeo, como Netflix, Amazon Prime, Disney+, CGI, realidade aumentada e virtual e, em breve, mídia influenciada pela IA (2005 até o presente).</li>
</ol>
<p>Cada uma dessas cinco gerações de tecnologias foi comercializada e depois “transformada em arma” sob o olhar atento das agências militares e de inteligência dos EUA. Hollywood é famosa por esses vínculos. A quinta geração de tecnologias representa um salto quantitativo e qualitativo de capacidade. As empresas de tecnologia e mídia dos EUA, representantes da hegemonia norte-americana, hoje controlam efetivamente a maior parte das vozes que os jovens do Sul Global ouvem. Ainda que o X possa estar em declínio e tenha sido principalmente um espaço para as classes médias ilustradas e engajadas dos centros urbanos, o Facebook, o Instagram e serviços de <em>streaming, </em>como Netflix, penetram na vida de bilhões de pessoas da classe trabalhadora.</p>
<p>Vejamos o caso da Índia. Nos primeiros dez meses de 2023, 510 milhões de usuários únicos de internet no país passaram um total de 371 bilhões de horas online, registrando 2,9 trilhões de visualizações. Dessas horas, 105 bi foram gastas em redes sociais, 74 bi em entretenimento, 10,5 bi em notícias, 10 bi em varejo e 12,8 bi em outras atividades (principalmente relacionadas ao setor financeiro). Durante o mês de outubro de 2023, as pessoas com idade entre 18 e 24 anos passaram, em média, 940 minutos no Instagram, 708 no YouTube, 387 no Facebook e 117 no X. Entre todas as idades, o tempo gasto no Facebook, Instagram e X mais do que dobrou desde janeiro de 2020. Em outubro de 2023, os seguintes serviços OTT de <em>streaming </em>de vídeo lideraram em milhões de espectadores: 170 mi na Disney, 99 mi na MX Player (empresa indiana supostamente em negociações com a Amazon), 92 mi na JioCinema (Reliance, Paramount e James Murdoch) e outros como ZEE5, Netflix e Sony. Apesar da ascensão de Bollywood, Hollywood continua presente na Índia.<a href="#_edn67" name="_ednref67"><sup>68</sup></a></p>
<p>Globalmente, a mídia ocidental tem utilizado quatro tipos de censura nas redes sociais: <em>Shadow banning </em>ou <em>ghosting </em>(supressão secreta de usuários), listas de nomes favorecidos e desfavorecidos (priorização de conteúdo desejável; depreciação ou eliminação de conteúdo indesejado), manipulação algorítmica privada não visível e, agora, até mesmo remoção direta e supressão de conteúdo e/ou usuários.</p>
<p>Estima-se que 73% do tráfego da internet seja conduzido pelos chamados “<em>bad bots</em>“, incluindo contas falsas controladas pelo Estado, sobretudo pelos Estados Unidos e Israel.<a href="#_edn68" name="_ednref68"><sup>69</sup></a> Mais da metade desse tráfego utiliza técnicas de evasão para imitar o comportamento humano. Essas técnicas são mobilizadas sistematicamente em uma série de campanhas de <em>soft power </em>dos EUA, inclusive em eleições e para influenciar a opinião pública.</p>
<p>Observando a “supremacia cultural dos Estados Unidos”, o jornal <em>The Financial Times</em> demonstra preocupação com o império da seguinte forma: “Manter um imenso alcance cultural é uma excelente salvaguarda para uma superpotência após um pico. O truque é não se acomodar e relaxar demais”.<a href="#_edn69" name="_ednref69"><sup>70</sup></a></p>
<p>No entanto, o nível de detalhe do controle exercido pela inteligência dos EUA sobre cada chamada telefônica, mensagem e toque de tecla resulta em riscos muito altos para o Sul Global. É necessário dar muita atenção e não menosprezar a soberania digital.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Capital fictício</h3>
<p>Karl Marx analisou criticamente o aumento do capital fictício no Volume III de <em>O Capital</em>.<a href="#_edn70" name="_ednref70"><sup>71</sup></a> O último relatório do Banco de Compensações Internacionais apontou que o valor nocional total dos derivativos em circulação (sendo os três tipos taxa de juros, câmbio e ações) atingiu US$ 715 trilhões no final de junho de 2023, um aumento de 16% em seis meses, mais de quatro vezes o PIB mundial (PPC) e mais de sete vezes o PIB mundial em termos de taxa de câmbio corrente (TCC).<a href="#_edn71" name="_ednref71"><sup>72</sup></a> O valor bruto de mercado desses derivativos estava em quase US$ 20 trilhões.</p>
<p>Os fundos de <em>hedge</em>, como a Bridgewater Associates, e as empresas de participações privadas, como a BlackRock, participam dessa hiperespeculação. Uma analogia utilizada para ajudar a explicar os derivativos é que, se você se colocar entre dois espelhos posicionados com um ligeiro ângulo entre si, verá uma longa série de imagens suas. Você continua sendo de verdade, mas as imagens são efêmeras.</p>
<p>Embora o capital seja fictício, os resultados não são. A expropriação dos bens naturais e das empresas do Sul Global acontece agora em uma escala de trilhões de dólares estadunidenses a uma velocidade de milissegundos.<a href="#_edn72" name="_ednref72"><sup>73</sup></a></p>
<h3 style="margin:2em 0;">2008-2022: Uma transição</h3>
<p>A derrota da União Soviética, em 1991, levou o capital estadunidense a um novo sentimento de confiança eterna no imperialismo. Agora seria possível expropriar os mercados da antiga União Soviética e ter a sensação de ter alcançado o destino manifesto. A ideia de “fim da história” e o surgimento do sentimento de unilateralismo dominaram o pensamento do Conselho de Relações Exteriores (<em>Council on Foreign Relations</em>) e de outras instituições estratégicas dos EUA.</p>
<p>Diante de um declínio na taxa de criação de capital em suas economias, e como a financeirização e os direitos de propriedade intelectual aumentaram a prevalência de monopólios, uma proporção maior de capital evitou investimentos produtivos e passou a buscar cada vez mais ganhos de curto prazo, tornando-se ainda mais especulativa.</p>
<p>Com a crise financeira de 2007-2008 – no que chamamos de início da Terceira Grande Depressão –, as ferramentas anteriores de combate à estagnação se mostraram cada vez mais ineficazes. A impermeabilidade da China a essa crise aumentou o sinal de alerta do Norte Global. Nos 14 anos seguintes, um período de transição marcou o fim da fase do neoliberalismo. Do início dos anos 2000 até 2022, começaram a ocorrer grandes transformações. Algumas aceleraram a consolidação do capital, enquanto outras sinalizaram o início de uma crise existencial do capital:</p>
<ol>
<li>A mudança mais importante foi a ascensão da China como maior economia do mundo quando medida pela paridade do poder de compra (PPC).</li>
<li>O Sul Global passou de 40% do PIB mundial para 60% quando medido em PPC.</li>
<li>A Terceira Grande Depressão levou a uma queda ainda maior nas taxas de crescimento do PIB. Em 2022, as taxas de crescimento per capita médias em 10 anos registravam patamares inferiores a 1% na Europa e de 1,5% nos EUA.</li>
<li>O processo de “desnacionalização” do capital europeu e japonês foi acelerado pelas rápidas transformações nos mercados de capitais. Agora estão totalmente integrados, dependentes e subordinados aos EUA em questões fundamentais.</li>
<li>A China se consolidou como um projeto socialista e a esperança ocidental de um novo “Gorbatchov chinês” fracassou completamente.</li>
<li>Os países da Otan aumentaram o número de intervenções militares globais, mas foram confrontados com uma série de derrotas, como no Afeganistão, no Iraque e até mesmo, em certa medida, na Síria.</li>
<li>A decisão dos EUA de expandir a Otan para a Europa Oriental e usar a Ucrânia em uma batalha por procuração no centro da movimentação para controlar a Rússia resultou em um importante conflito militar entre potências nucleares.</li>
<li>Os EUA, diante de uma relativa hegemonia econômica e política, começaram a expandir maciçamente o uso de sanções, batalhas juríricas (<em>lawfare</em>), tarifas e apreensão de reservas em moeda estrangeira.</li>
<li>Para tentar impedir o avanço tecnológico da China, os EUA começaram a adotar tarifas e medidas protecionistas. Iniciaram um imenso ataque de <em>soft power</em> contra a China e começaram uma nova Guerra Fria.</li>
<li>As principais vozes da classe dominante dos EUA falam abertamente sobre a possibilidade de usar sua hegemonia militar para bloquear a China. Como também “perderam” a Rússia, pelo menos com Vladimir Putin no poder, os EUA estão concentrados em planejar a forma de concluir sua missão histórica de subordinar a Eurásia de uma vez por todas. Em última análise, isso implicaria a desnuclearização e o possível desmembramento da Rússia e da China.</li>
</ol>
<h3 style="margin:2em 0;">Periodização do imperialismo</h3>
<p>O imperialismo mudou nos últimos 100 anos. Grosso modo, podemos descrever alguns de seus principais períodos da seguinte forma:</p>
<ul>
<li><strong>1890 – 1916:</strong> A ascensão do imperialismo moderno.</li>
<li><strong>1917–1939:</strong> Nascimento da União Soviética, declínio da hegemonia britânica, continuação da extrema rivalidade interimperialista, ascensão do fascismo, disseminação de ideias socialistas pelo mundo e Grande Depressão.</li>
<li><strong>1940–1945: </strong>Batalha do mundo contra o fascismo, agressão alemã e japonesa.</li>
<li><strong>1945–2008</strong>: Estabelecimento da República Popular da China, era da hegemonia dos EUA dentro do campo imperialista, avanço das lutas de libertação nacional no Sul Global e fim do colonialismo direto, aumento da importância de projetos socialistas como Cuba e Vietnã, mudanças drásticas nas forças produtivas e inúmeras guerras nas quais os EUA assassinaram dezenas de milhões de pessoas. Esse período pode ser subdividido em duas partes: a chamada era de ouro do imperialismo estadunidense durante as décadas de 1950 e 1960, seguida pela década de 1970 e a virada para a estagnação e o neoliberalismo.</li>
<li><strong>2008–2023:</strong> A falsa esperança do unilateralismo dos EUA foi substituída pela consciência de que um poderoso projeto socialista não branco poderia, em pouco tempo, superar os EUA economicamente. Em 1918, no 73.<sup>o</sup> dia da República Socialista Federativa Soviética Russa, Vladimir Lênin deixou seu escritório no Instituto Smolny (Petrogrado) e dançou na neve. Ele comemorou o fato de que a experiência soviética havia superado a duração da Comuna de Paris. Em 18 de novembro de 2023, a República Popular da China completou 27.077 dias de existência, superando a duração do projeto socialista soviético. Conforme observado pelo Presidente Xi Jinping, estamos entrando em um período que não se viu em 100 anos.</li>
</ul>
<p>Em suma, essas mudanças configuram uma transição para o que seria melhor descrito como um novo estágio do imperialismo: o hiperimperialismo.</p>
<h1>PARTE III: Definindo o mundo</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">Definindo o Norte Global</h2>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-95653 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-17-2-e1706554944620.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-17-4.png"></div>
<p>O Norte Global é um bloco militar, político e econômico integrado, atualmente composto por 49 países, conforme ilustrado na Figura 17. Entre eles estão os EUA, o Reino Unido, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, Israel, o Japão e países secundários da Europa Ocidental e Oriental. Esse bloco liderado pelos EUA é o campo imperialista no mundo atual.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95663 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-18-2-e1706555052330.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-18-4.png"></div>
<p>Conforme ilustrado na Figura 18, o Norte Global é fundamentalmente um projeto do Atlântico Norte, com três países periféricos, Austrália, Japão e Nova Zelândia.</p>
<p>Inspirada no conceito de tríade de Samir Amin, mas expandindo-o e modificando-o para se adequar às realidades atuais, a organização do bloco do Norte Global pode ser melhor compreendida em camadas de quatro anéis concêntricos.<a href="#_edn73" name="_ednref73"><sup>74</sup></a> A posição de cada país dentro de cada anel depende de sua ligação com os Estados Unidos e da proximidade entre seus serviços de inteligência e os dos EUA, conforme explicado abaixo.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 1 do Norte Global: Seis países imperialistas no núcleo anglo-americano liderado pelos EUA</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 19</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 1: Núcleo anglo-americano liderado pelos EUA</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Relação com Inteligência dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">5 olhos</th>
<th style="text-align: center;">9 olhos</th>
<th style="text-align: center;">14 olhos</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Estados Unidos</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">338</td>
<td style="text-align: right;">25.463</td>
<td style="text-align: right;">2,1%</td>
<td style="text-align: right;">76.343</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">68</td>
<td style="text-align: right;">3.717</td>
<td style="text-align: right;">1,5%</td>
<td style="text-align: right;">54.824</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Canadá</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">38</td>
<td style="text-align: right;">2.265</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">58.316</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Austrália</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: right;">1.629</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">62.026</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Israel</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">502</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">51.990</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Nova Zelândia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">266</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">51.962</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6 países</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>485</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>33.843</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>70.326</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>20,7%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 19</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 1: Núcleo anglo-americano liderado pelos EUA</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="8">Militar</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">OTAN<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th>OTAN+</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: right;">Bases EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">excl. EUA</span></th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
Intra-imperialistas</th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
militares<br>
no Sul Global</th>
<th>Potência<br>
nuclear</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Estados Unidos</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">1.536.859</td>
<td style="text-align: right;">12,6</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">22</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">68.463</td>
<td style="text-align: right;">2,8</td>
<td style="text-align: right;">25</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td style="text-align: right;">24</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Canadá</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">26.896</td>
<td style="text-align: right;">1,9</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Austrália</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">32.299</td>
<td style="text-align: right;">3,4</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Israel</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">23.406</td>
<td style="text-align: right;">7,2</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Nova Zelândia</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">2.829</td>
<td style="text-align: right;">1,5</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1.690.752</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>51</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>36</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>77</strong></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>58,9%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração do Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, World Beyond War, IISS</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>O Anel 1 (apresentado na Figura 19) representa o núcleo interno do imperialismo. Os vencedores brancos anglófonos da Segunda Guerra Mundial, que integram os Cinco Olhos (EUA, Reino Unido em 1946, Canadá em 1948, Austrália e Nova Zelândia em 1956), se estabeleceram como guarda pretoriana do que pode ser chamado de projeto anglo-americano, composto pelo Reino Unido e pelos Estados colonizadores de ocupação branca derivados dele. Israel, tratado pelos EUA como o sexto olho, não oficialmente, faz parte do núcleo interno. A coesão dos países nesse anel permanece; um exemplo é a aliança de segurança trilateral Aukus, criada em setembro de 2021.</p>
<p>A relação especial entre os Estados Unidos e Israel é uma chave fundamental para entender o Norte Global. São Estados colonizadores de ocupação branca, fundados e justificados nas bases da supremacia branca e do fanatismo religioso, e constituem o núcleo do Anel 1 do Norte Global. Os EUA foram fundados por extremistas religiosos brancos que, em 1690, conceberam e estabeleceram seus assentamentos coloniais como “<em>plantations</em> de religião”.<a href="#_edn74" name="_ednref74"><sup>75</sup></a> Eles acreditavam que somente eles, puritanos brancos, poderiam realizar o plano divino na “vastidão selvagem americana”. O genocídio promovido contra as populações indígenas americanas e a escravização de povos africanos eram vistos como resultado óbvio e inevitável de sua superioridade racial e religiosa.</p>
<p>Israel foi uma criação do imperialismo britânico e estadunidense, organizada pelos líderes do movimento sionista. Foi descrito pelo especialista militar do jornal <em>The Guardian</em>, Herbert Sidebotham, durante a Primeira Guerra Mundial, da seguinte forma: Os únicos colonizadores possíveis da Palestina são os judeus… representam, ao mesmo tempo, uma proteção contra o Oriente exótico e uma mediação entre ele e nós, uma civilização distinta da nossa, mas imbuída de nossas ideias políticas”.<a href="#_edn75" name="_ednref75"><sup>76</sup></a> Para os imperialistas, a “liberdade contra a discriminação” foi apenas o pretexto para a formação do Estado judaico e supremacista branco de Israel.</p>
<p>Conforme indicado anteriormente, entre 1776, ano da independência dos britânicos, e 2019, os EUA passaram 228 dos 245 anos desse período em guerra/conflito e apenas 17 anos em “paz”.</p>
<p>Durante sua história, as forças do Reino Unido (ou forças com mandato britânico) invadiram, tiveram algum controle ou travaram conflitos em 171 dos 193 países do mundo que são hoje membros da ONU – ou seja, nove em cada dez países.<a href="#_edn76" name="_ednref76"><sup>77</sup></a></p>
<p>Em seus 72 anos de existência, Israel iniciou “oficialmente” 16 conflitos militares com a população palestina e outras nações árabes. Um quarto deles ocorreu sob o comando de Benjamin Netanyahu (1996-1999; 2009-2023). Obviamente, não estão incluídas nessas estatísticas “oficiais” as diversas incursões dos colonos sionistas e de seus pares militares contra o povo palestino.</p>
<p>O racismo branco israelense e a demagogia religiosa passaram de justificativas ideológicas para forças materiais que contribuíram para a transformação qualitativa do imperialismo na atualidade. Um exemplo disso, entre outras coisas, é o gasto militar per capita dos EUA, que é 12,6 vezes maior do que a média mundial, e de Israel, que é 7,2 vezes maior. São os dois maiores gastos militares per capita no Norte Global. Apenas no primeiro mês após 7 de outubro de 2023, o número de civis mortos por Israel na Palestina superou aquele registrado na Ucrânia desde 2022. Além disso, Israel detonou mais toneladas de explosivos do que o peso combinado das duas bombas nucleares lançadas em Hiroshima e Nagasaki.<a href="#_edn77" name="_ednref77"><sup>78</sup></a></p>
<p>Segundo o Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA, “Israel é o maior beneficiário cumulativo de assistência externa dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial… Israel é o primeiro operador internacional do F-35 Joint Strike Fighter, aeronave furtiva de quinta geração do Departamento de Defesa, considerada o caça mais avançado tecnologicamente já fabricado”.<a href="#_edn78" name="_ednref78"><sup>79</sup></a> Ajustando os valores pela inflação, a ajuda dos EUA a Israel entre 1951 e 2022 totalizou US$ 317,9 bilhões.<a href="#_edn79" name="_ednref79"><sup>80</sup></a></p>
<p>No entanto, são os Estados Unidos que estão dirigindo a agenda na região após 7 de outubro de 2023, e não Israel. A “diplomacia de vaivém” de Blinken estabelece as regras e os tons das operações militares de Israel e as ações “proporcionais” contra a resistência palestina e as potências regionais. Os EUA fornecem o apoio político e militar necessário para que Israel elimine “permanentemente” a resistência palestina e promova a normalização com os países árabes vizinhos.</p>
<p>Todas essas intervenções dos EUA buscam preparar o terreno para a construção do planejado Corredor Econômico Índia-Oriente Médio-Europa (IMEC), que não se trata apenas de um mero corredor econômico, mas, essencialmente, de um plano ideológico e político para bloquear a crescente influência chinesa na região. Portanto, Israel constitui um “entroncamento central” para o IMEC, planejado pelos EUA e desenhado dentro da estrutura da Parceria do G7 para o Investimento em Infraestrutura Global, um plano do Norte Global que visa, essencialmente, combater a Nova Rota da Seda da China e qualquer forma de cooperação duradoura do Sul Global.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 2 do Norte Global: Nove principais potências imperialistas europeias</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 20</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 2: Núcleo europeu</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Relação com Inteligência dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">5 olhos</th>
<th style="text-align: center;">9 olhos</th>
<th style="text-align: center;">14 olhos</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td style="text-align: right;">1973</td>
<td style="text-align: right;">83</td>
<td style="text-align: right;">5.370</td>
<td style="text-align: right;">1,2%</td>
<td style="text-align: right;">64.086</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">65</td>
<td style="text-align: right;">3.696</td>
<td style="text-align: right;">1,1%</td>
<td style="text-align: right;">56.305</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">59</td>
<td style="text-align: right;">3.059</td>
<td style="text-align: right;">0,4%</td>
<td style="text-align: right;">51.827</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">2.272</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">47.711</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Países Baixos</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">18</td>
<td style="text-align: right;">1.244</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">70.728</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td style="text-align: right;">735</td>
<td style="text-align: right;">1,5%</td>
<td style="text-align: right;">63.268</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Suécia</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">695</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">66.091</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Noruega</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">427</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">78.014</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Dinamarca</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">419</td>
<td style="text-align: right;">2,1%</td>
<td style="text-align: right;">71.332</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>9 países</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>306</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>17.918</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>58.334</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3,8%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>10,9%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 20</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 2: Núcleo europeu</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="8">Militar</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">OTAN<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: center;">OTAN+</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: right;">Bases EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">excl. EUA</span></th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
Intra-imperialistas</th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
militares<br>
no Sul Global</th>
<th style="text-align: center;">Potência<br>
nuclear</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">55.760</td>
<td style="text-align: right;">1,9</td>
<td style="text-align: right;">171</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">53.639</td>
<td style="text-align: right;">2,3</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">33.490</td>
<td style="text-align: right;">1,6</td>
<td style="text-align: right;">45</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">15</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1982</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">20.307</td>
<td style="text-align: right;">1,2</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Países Baixos</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">15.607</td>
<td style="text-align: right;">2,5</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">6.867</td>
<td style="text-align: right;">1,6</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Suécia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">7.722</td>
<td style="text-align: right;">2,0</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Noruega</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">8.388</td>
<td style="text-align: right;">4,3</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Dinamarca</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">5.468</td>
<td style="text-align: right;">2,6</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong> 207.247</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>247</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>37</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>93</strong></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>7,2%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração do Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, World Beyond War, IISS</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Conforme apresentado na Figura 20, os países do Anel 2 são os mais próximos do núcleo interno liderado pelos EUA, a saber, Alemanha, França, Itália, Espanha, Países Baixos, Bélgica, Suécia, Noruega e Dinamarca. O Anel 2 é definido pela proximidade e afinidade de cada país e pela confiabilidade de suas atividades de inteligência em relação às dos Estados Unidos.</p>
<p>“A política é uma expressão concentrada da economia”, explicou Lênin.<a href="#_edn80" name="_ednref80"><sup>81</sup></a> A atividade militar é a expressão essencial dessa concentração política. Após a Segunda Guerra Mundial, e com o advento da internet e das redes sociais, o controle das comunicações e de todas as suas atividades relacionadas se tornou um ativo estratégico de inteligência do Estado, qualitativamente novo, e fez avançar ainda mais o controle hegemônico dominante dos EUA sobre vastas partes do mundo.</p>
<p>Graças ao trabalho do Wikileaks e à coragem de Julian Assange e Edward Snowden, pela primeira vez, o mundo secreto das relações de inteligência entre as forças imperialistas foi exposto mundialmente.<a href="#_edn81" name="_ednref81"><sup>82</sup></a></p>
<p>De forma pedagógica, os EUA priorizaram seu nível de confiança além dos Cinco Olhos e do relacionamento especial oculto com Israel. Posteriormente, de forma secreta, mas formal, os EUA criaram a aliança Nove Olhos, que incluiu a Dinamarca, a Noruega, a França e os Países Baixos. Os europeus não queriam que se soubesse, mesmo em particular, que Israel era um membro formal. Além disso, Israel não confiava totalmente na inteligência de muitas potências europeias. Portanto, todas as partes permitiram que os EUA continuassem a ter seu relacionamento especial com Israel.</p>
<p>Cinquenta anos após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos continuaram a excluir as antigas potências fascistas europeias (Alemanha, Itália e Espanha) das alianças Cinco e Nove Olhos. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA construíram um sistema internacional que tinha como premissa a subordinação e a integração das antigas potências fascistas e do restante da Europa. Esse processo de subordinação e integração ficou evidente no aparato militar construído pelos Estados Unidos, tendo a Otan como um de seus pilares. O estabelecimento de um sistema de bases militares estadunidenses nas potências derrotadas – Alemanha, Itália e Japão – permitiu que Washington deixasse de lado qualquer conversa sobre um projeto militar ou diplomático soberano para os derrotados.</p>
<p>Em 2011, outros cinco países (Alemanha, Bélgica, Itália, Espanha e Suécia) foram incluídos aos nove anteriores e se tornaram os Quatorze Olhos.<a href="#_edn82" name="_ednref82"><sup>83</sup></a> Entre 2005 e 2009, os EUA ficaram cada vez mais alarmados com a Rússia e a China. Começava, de forma não oficial, a “reorientação para a Ásia” (<em>Pivot to Asia</em>), cujo lançamento oficial foi adiado até a posse de Obama em 2012.<a href="#_edn83" name="_ednref83"><sup>84</sup></a></p>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 3 do Norte Global: Japão e quatorze potências imperialistas europeias menores</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 21</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 3: Japão + potências européias secundárias</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Relação com Inteligência dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">5 olhos</th>
<th style="text-align: center;">9 olhos</th>
<th style="text-align: center;">14 olhos</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Japão</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
<td style="text-align: right;">124</td>
<td style="text-align: right;">6.145</td>
<td style="text-align: right;">0,5%</td>
<td style="text-align: right;">49.090</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Suíça</td>
<td style="text-align: right;">2002</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">754</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">86.262</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Irlanda</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">684</td>
<td style="text-align: right;">8,9%</td>
<td style="text-align: right;">132.359</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Áustria</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">604</td>
<td style="text-align: right;">1,2%</td>
<td style="text-align: right;">66.889</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">439</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">42.692</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Grécia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">393</td>
<td style="text-align: right;">0,6%</td>
<td style="text-align: right;">37.526</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Finlândia</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">324</td>
<td style="text-align: right;">1,0%</td>
<td style="text-align: right;">58.445</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Luxemburgo</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">91</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">141.333</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Chipre</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">47</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">51.774</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Malta</td>
<td style="text-align: right;">1964</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
<td style="text-align: right;">6,1%</td>
<td style="text-align: right;">59.408</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Islândia</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">25</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">67.176</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Andorra</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">1,3%</td>
<td style="text-align: right;">66.155</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>San Marino</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">79.633</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Liechtenstein</td>
<td style="text-align: right;">1990</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Mônaco</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>15 países</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>176</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong> 9.543</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong> 53.935</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,2%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5,8%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 21</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 3: Japão + potências européias secundárias</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="8">Militar</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">OTAN<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: center;">OTAN+</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: right;">Bases EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">excl. EUA</span></th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
Intra-imperialistas</th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
militares<br>
no Sul Global</th>
<th style="text-align: center;">Potência<br>
nuclear</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Japão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">45.992</td>
<td style="text-align: right;">1,0</td>
<td style="text-align: right;">98</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Suíça</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">6.145</td>
<td style="text-align: right;">2,0</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Irlanda</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">1.164</td>
<td style="text-align: right;">0,6</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Áustria</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">3.626</td>
<td style="text-align: right;">1,1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">3.500</td>
<td style="text-align: right;">0,9</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Grécia</td>
<td style="text-align: right;">1952</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">8.105</td>
<td style="text-align: right;">2,2</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Finlândia</td>
<td style="text-align: right;">2023</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">4.823</td>
<td style="text-align: right;">2,4</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Luxemburgo</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">565</td>
<td style="text-align: right;">2,4</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Chipre</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">494</td>
<td style="text-align: right;">1,1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Malta</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">87</td>
<td style="text-align: right;">0,5</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Islândia</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Andorra</td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>San Marino</td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Liechtenstein</td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Mônaco</td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong> 74.501</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>118</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>15</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>40</strong></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,6%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração do Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, World Beyond War, IISS</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Embora seja composto por 15 países, o Anel 3 (apresentado na Figura 21) se concentra especialmente no Japão, que se tornou um ativo decisivo na linha de frente do esforço para limitar e suprimir a China e a Rússia. Entretanto, acrescentamos no Anel 3 outras potências secundárias da Europa Ocidental, que, embora leais aos Estados Unidos, são menos estratégicas do que outras. Algumas, como Portugal, Finlândia e Islândia, fazem parte da Otan. Portugal é a única ex-potência colonial fascista não incluída no Anel 2, em função de sua pouca relevância para a inteligência militar dos EUA (o país não faz parte dos Quatorze Olhos) e de seu PIB menor.</p>
<p>Portanto, o terceiro anel do campo imperialista inclui o Japão e outros 14 países europeus (Suíça, Irlanda, Áustria, Portugal, Grécia, Finlândia, Luxemburgo, Chipre, Malta, Islândia, Andorra, San Marino, Liechtenstein e Mônaco).</p>
<p>Nos últimos séculos, os países dos três primeiros anéis do campo imperialista, com exceção da Irlanda, provocaram enormes desastres humanos (Figura 16). O Reino Unido, os EUA e os Países Baixos se apropriaram de riquezas por meio do comércio de pessoas africanas escravizadas. Os europeus implementaram o colonialismo em todo o mundo; a totalidade do continente americano, quase toda a África e mais da metade da Ásia foram dominados por colonizadores. Os imigrantes brancos anglo-saxões expulsaram e assassinaram à força os povos indígenas das Américas, da Austrália e da Nova Zelândia. Diversas foram as tentativas imperialistas de desmembrar a China, inclusive a Primeira Guerra do Ópio, quando Hong Kong foi cedida, em 1842, e depois Taiwan, no final da Primeira Guerra Sino-Japonesa, em 1895. Em 1884-1885, os colonizadores europeus dividiram arbitrariamente a África na Conferência de Berlim. Essa metodologia violenta de divisão continua inabalável até hoje, como evidenciado pela divisão do Sudão em 2011 e pela destruição que continua afetando o país e seu povo. Em 1919, os impérios austro-húngaro e alemão foram desmantelados por meio do Tratado de Versalhes, os direitos de algumas áreas da China (Shandong) foram transferidos para o Japão, as colônias alemãs na África foram entregues às potências europeias vitoriosas e uma ordem mundial liderada pelas forças anglo-americanas foi restabelecida. Como resultado de crises internas e rivalidades imperialistas, surgiram Estados fascistas dentro desse campo, desencadeando a Segunda Guerra Mundial e provocando a morte de pelo menos 50 milhões de pessoas soviéticas e chinesas. Nos estágios finais da Segunda Guerra Mundial, os EUA lançaram bombas atômicas contra civis. Até hoje, o país se recusa a renunciar ao primeiro uso de armas nucleares e se retirou unilateralmente dos principais tratados sobre armas nucleares e mísseis.</p>
<p>Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão se tornou um aliado estratégico dos EUA. Em 1951, com a assinatura do tratado de segurança entre os dois países, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Yoshida, aceitou o domínio das forças armadas estadunidenses sobre seu país. Durante a Guerra Fria, o Japão desempenhou um papel significativo na contenção da União Soviética e da China na frente oriental, e esse papel continua sendo desempenhado até hoje. Em julho de 2023, o Japão era o segundo país com o maior número de bases militares dos EUA (98), atrás apenas da Alemanha (171). Até hoje, nenhuma dessas bases está localizada na antiga República Democrática Alemã<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup>85</sup></a>.</p>
<p>Embora não seja oficialmente membro da Otan, o Japão tem cooperado com a organização de modo individual desde 2014. Mais recentemente, em julho de 2023, aceitou aderir ao Programa de Parceria Individual Sob Medida e participou das duas últimas cúpulas da Otan. O país também participa regularmente de reuniões realizadas na sede da organização, em Bruxelas, envolvendo seus aliados e os quatro parceiros da região do Indo-Pacífico no nível de embaixadores. Essa incorporação prática pode ser explicada pelo Conceito Estratégico da Otan 2022, que afirma que “a cooperação com os parceiros dessa região é fundamental para enfrentar o ambiente de segurança global cada vez mais complexo, incluindo a guerra da Rússia contra a Ucrânia, a mudança no equilíbrio de poder global e a ascensão da China, além da situação de segurança na península da Coreia”.</p>
<p>Além disso, o Japão é o único membro do G7 que não faz parte da Otan. Em 2022, a China foi <a href="https://www.bbc.com/news/world-asia-64001554">rotulada</a> pelo governo japonês como “o maior desafio estratégico de todos os tempos para a garantia da paz e da estabilidade do Japão”, que anunciou, ainda, planos para dobrar os gastos militares oficiais para 2% do PIB (mesmo nível dos países da Otan) até 2027. O governo japonês derruba, assim, o limite de 1% do PIB para os gastos militares do país, que havia sido estabelecido após a Segunda Guerra Mundial.<a href="#_edn84" name="_ednref84"><sup>86</sup></a></p>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 4 do Norte Global: Dezenove países europeus do antigo Bloco do Leste integrados à Otan</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 22</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 4: Antigo Bloco do Leste Europeu</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Relação com Inteligência dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">5 olhos</th>
<th style="text-align: center;">9 olhos</th>
<th style="text-align: center;">14 olhos</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Polônia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">40</td>
<td style="text-align: right;">1.643</td>
<td style="text-align: right;">3,7%</td>
<td style="text-align: right;">43.624</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Romênia</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">737</td>
<td style="text-align: right;">3,5%</td>
<td style="text-align: right;">38.703</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Chéquia</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">519</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">47.955</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Ucrânia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">40</td>
<td style="text-align: right;">449</td>
<td style="text-align: right;">-4,0%</td>
<td style="text-align: right;">12.886</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Hungria</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">408</td>
<td style="text-align: right;">3,3%</td>
<td style="text-align: right;">42.121</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Eslovaquia</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">219</td>
<td style="text-align: right;">2,3%</td>
<td style="text-align: right;">40.211</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bulgária</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">205</td>
<td style="text-align: right;">2,3%</td>
<td style="text-align: right;">31.857</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Sérvia</td>
<td style="text-align: right;">2000</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">164</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">24.564</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Croácia</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">155</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">40.128</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Lituânia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">133</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">47.107</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Eslovênia</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">103</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">48.757</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Geórgia</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">75</td>
<td style="text-align: right;">4,2%</td>
<td style="text-align: right;">20.243</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Letônia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">73</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">39.167</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bósnia e Herzegovina</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">64</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">18.518</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Estônia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">60</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">44.630</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Albânia</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">52</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">18.164</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Macedônia do Norte</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">41</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">20.129</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Moldova</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">40</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">15.710</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Montenegro</td>
<td style="text-align: right;">2006</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">16</td>
<td style="text-align: right;">2,7%</td>
<td style="text-align: right;">25.862</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>19 países</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>167</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5.156</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>32.662</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 22</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 4: Antigo Bloco do Leste Europeu</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="8">Militar</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">OTAN<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: center;">OTAN+</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: right;">Bases EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">excl. EUA</span></th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
Intra-imperialistas</th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
militares<br>
no Sul Global</th>
<th>Potência<br>
nuclear</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Polônia</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">16.573</td>
<td style="text-align: right;">1,2</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Romênia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">5.187</td>
<td style="text-align: right;">0,7</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Chéquia</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">4.005</td>
<td style="text-align: right;">1,1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Ucrânia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">43.998</td>
<td style="text-align: right;">3,1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Hungria</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">2.572</td>
<td style="text-align: right;">0,7</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Eslovaquia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">1.994</td>
<td style="text-align: right;">1,0</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bulgária</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">1.336</td>
<td style="text-align: right;">0,5</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Sérvia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">1.426</td>
<td style="text-align: right;">0,5</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Croácia</td>
<td style="text-align: right;">2009</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">1.309</td>
<td style="text-align: right;">0,9</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Lituânia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">1.732</td>
<td style="text-align: right;">1,8</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Eslovênia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">735</td>
<td style="text-align: right;">1,0</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Geórgia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">360</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Letônia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">849</td>
<td style="text-align: right;">1,3</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bósnia e Herzegovina</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">184</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Estônia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">811</td>
<td style="text-align: right;">1,7</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Albânia</td>
<td style="text-align: right;">2009</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">289</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Macedônia do Norte</td>
<td style="text-align: right;">2020</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">225</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Moldova</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Montenegro</td>
<td style="text-align: right;">2017</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">98</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>83.732</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>27</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>42</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>69</strong></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,9%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração do Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, World Beyond War, IISS</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>O Anel 4 (apresentado na Figura 22) é composto pelos membros europeus do antigo Bloco do Leste e pelos membros da Europa Oriental do antigo Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comecon, que existiu entre 1949 e 1991). Trata-se de uma nova categoria dentro do campo imperialista e, portanto, não foi incluído por Samir Amin em seu influente trabalho sobre a tríade.</p>
<p>O Anel 4 do campo imperialista inclui Polônia, Romênia, Chéquia, Ucrânia, Hungria, Eslováquia, Bulgária, Sérvia, Croácia, Lituânia, Eslovênia, Letônia, Bósnia e Herzegovina, Estônia, Albânia, Macedônia do Norte, Moldávia e Montenegro (exceto Belarus). Cinco países eram repúblicas formais da União Soviética.</p>
<p>Esses países não faziam parte do campo imperialista anteriormente. Para expandir sua hegemonia, os EUA têm visado essa região militar, política e culturalmente. A Sérvia, parte da antiga Iugoslávia, foi submetida a um bombardeio de 78 dias pela Otan em 1999. Apesar de não ser membro da organização até hoje, o país foi obrigado a participar de exercícios militares conjuntos com países da Otan em junho de 2023.</p>
<p>A entrada da Romênia na Otan não envolveu a realização de um referendo. Em vez disso, o governo no poder modificou a Constituição, permitindo que os senadores tomassem a decisão sem consultar o povo romeno.</p>
<p>A expansão dos EUA e da Europa Ocidental aconteceu principalmente por meio da subordinação econômica e da expansão oriental da Otan. Quatorze são membros da Otan, enquanto quatro (Bósnia e Herzegovina, Geórgia, Moldávia e Ucrânia) participaram da reunião da Otan em Vilnius em junho de 2023. Alguns desses países são governados por regimes de direita pró-Otan (entre os exemplos estão Polônia, Ucrânia e Estônia) e desempenham um papel ativo como tropas de linha de frente contra a Rússia.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Definindo o Sul Global</h2>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95674 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-23-3-e1706556499567.png" alt="" width="793" height="950" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-23-5.png"></div>
<p>Para além dos 49 países do campo imperialista do Norte Global, há 145 países que constituem o Sul Global e compõem a grande maioria da população mundial (Figura 23).</p>
<p>O termo “Sul Global” tem sido comumente utilizado como uma referência vaga e imprecisa. No entanto, as ações promovidas nos últimos quatro anos pelo bloco militar liderado pelos EUA, agora totalmente alinhado e integrado, criaram um grande grupo de países que são o “resto do mundo”. O “resto do mundo” está, portanto, alinhado inicialmente pela “unidade negativa”, ou seja, todos os seus membros são excluídos. Consequentemente, eles se tornaram uma negação do campo imperialista. Esses países incluem a Rússia e a Belarus, que não são países em desenvolvimento, mas são em grande medida alvos para a promoção de mudanças de regime e subjugação.</p>
<p>O Sul Global inclui sobretudo os chamados países “menos desenvolvidos” ou “em desenvolvimento”, geograficamente associados a países da América Latina, Ásia, África e Oceania. Trata-se de uma referência implícita a países que foram historicamente marginalizados no sistema econômico global e que estão lutando contra os legados do colonialismo e do imperialismo. Era comum chamar esses países de Terceiro Mundo.</p>
<p>O Sul Global carece de coesão, de uma identidade coletiva consensual e de organização e ação unificadas. Ao contrário do bloco integrado do Norte Global, o Sul Global não é um bloco unificado. Cada um desses 145 países tem ideologias e agendas políticas distintas, com diferenças de proximidade e orientação entre si e com os países do Norte Global. São diversas as disputas entre alguns deles, que vão desde disputas territoriais (como o caso da Eritreia e da Etiópia) até lutas pelo poder político intrarregional (como o caso histórico da Arábia Saudita e do Irã).</p>
<p>Grande parte do Sul Global busca a soberania, a paz e o desenvolvimento, mas esses países raramente chegam a um consenso global sobre qualquer questão. Muitas vezes, isso aponta para diferenças no grau de proximidade de um determinado país com o núcleo interno do Norte Global. Dessa forma, organizamos esses países em “grupos” com base em alguns atributos comuns, em vez de colocá-los em camadas de anéis integrados ou blocos distintos.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95684 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-24-3-e1706556570469.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-24-5.png"></div>
<p>No entanto, isso não significa que o Sul Global seja – como algumas perspectivas ocidentais gostariam – um conceito fabricado e desprovido de substância. O Sul Global (Figura 24) são ex-colônias ou semicolônias do campo imperialista do Norte Global, que sofreram séculos de opressão e humilhação sob o imperialismo. Alguns desses países compartilham, em graus variados de compromisso e percepção, uma orientação política socialista. Objetivamente, com a renda per capita atual registrada em 2022 (US$ 12.850), a China é um país em desenvolvimento.<a href="#_edn85" name="_ednref85"><sup>87</sup></a> Foi também por causa desse contexto histórico comum que Xi Jinping declarou, em seu discurso no Fórum Empresarial do Brics de 2023 (lido por Wang Wentao): “Como país em desenvolvimento e membro do Sul Global, a China respira o mesmo fôlego que outros países em desenvolvimento e busca um futuro compartilhado com eles”.<a href="#_edn86" name="_ednref86"><sup>88</sup></a></p>
<p>É possível encontrar as raízes genealógicas do Sul Global no projeto do Terceiro Mundo, que tentou alterar o equilíbrio internacional de forças em favor dos interesses dos países que haviam conquistado independência política em meados do século XX, mas mantinham uma relação de servidão econômica com o Norte Global. Isso incluiu os esforços da Conferência de Bandung (1955), o Movimento dos Não Alinhados (1961), a Organização de Solidariedade com os Povos da Ásia, África e América Latina – OSPAAL (1966) e a busca por uma nova ordem econômica internacional (1974) por meio da formação da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (1964) por parte dos países em desenvolvimento.<a href="#_edn87" name="_ednref87"><sup>89</sup></a></p>
<p>Em comum, esses países têm a marginalização histórica e contemporânea na ordem econômica e política global. Um dos exemplos mais pungentes e devastadores desse aspecto é o dano ambiental e ecológico que o Norte Global vem causando a países do Sul Global. A extração de recursos e a especulação financeira sobre a terra e as plantações levaram ao desmatamento, à destruição de habitats, à degradação do solo e à poluição da água. Isso vem resultando em fome generalizada e tem provocado uma perda significativa de biodiversidade e grandes extensões de terras agrícolas não cultiváveis, destruindo ecossistemas e espécies locais.</p>
<p>Além disso, as empresas multinacionais do Norte Global são responsáveis pela poluição do ar, da água e do solo com seus métodos perversos, enquanto o neoliberalismo garante que não haja regulamentações para evitar essas práticas. Proibidos no Norte Global, mas amplamente utilizados no Sul Global, os agrotóxicos e a geração de materiais perigosos e outros resíduos aumentaram os riscos à saúde, especialmente para povos indígenas, mulheres, crianças e pessoas idosas.<a href="#_edn88" name="_ednref88"><sup>90</sup></a> Empresas de manufatura, mineração, energia e transporte seguem emitindo gases do efeito estufa, o que mais contribui para as mudanças climáticas, colocando o Sul Global no perigo iminente de sofrer uma catástrofe. O investimento estrangeiro direto das corporações multinacionais do Norte Global devasta o meio ambiente, destrói terras agrícolas e aumenta a precariedade de todos os povos trabalhadores. Ao mesmo tempo, o Norte Global usa a crise climática para promover mais acaparamento de terras e privatização da biodiversidade por meio da financeirização da natureza.<a href="#_edn89" name="_ednref89"><sup>91</sup></a></p>
<p>Todos esses 145 países estão agora sofrendo a imensa pressão da superexpansão imperialista. Entre os desafios comuns que continuam enfrentando estão o subdesenvolvimento histórico, a dependência do setor primário, a industrialização limitada, a dívida externa, os desequilíbrios comerciais, as lacunas tecnológicas, o déficit de infraestrutura e a crise ambiental desproporcional.</p>
<p>Desiludidos com os desafios mencionados acima, setores cada vez maiores da nova burguesia dos países do Sul Global – que surgiram com o rápido crescimento econômico registrado nas últimas duas décadas, sobretudo na Ásia – estão aos poucos perdendo a confiança na liderança política, econômica e moral dos Estados Unidos e da Europa. Novos centros de poder econômico, como a China, oferecem modelos alternativos de desenvolvimento e investimento (por exemplo, por meio de iniciativas como a Nova Rota da Seda) e se tornam mais atraentes para a burguesia do Sul Global.</p>
<p>Entre os 145 países do Sul Global, identificamos seis grupos. Ainda que haja traços comuns entre cada um deles, o número atribuído a cada grupo está correlacionado à ordem decrescente de países considerados uma ameaça ao bloco imperialista anglo-americano liderado pelos EUA. O pertencimento dos países aos grupos é dinâmico e pode mudar de acordo com a conjuntura política e econômica.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 1 do Sul Global: Seis países socialistas independentes</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 25</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 1: Socialistas independentes</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>China</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">1.426</td>
<td style="text-align: right;">30.217</td>
<td style="text-align: right;">6,2%</td>
<td style="text-align: right;">21.404</td>
<td style="text-align: center;">Semi-colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, Japão, EUA</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
</tr>
<tr>
<td>Vietnã</td>
<td style="text-align: right;">1977</td>
<td style="text-align: right;">98</td>
<td style="text-align: right;">1.321</td>
<td style="text-align: right;">6,1%</td>
<td style="text-align: right;">13.284</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França, Japão</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
</tr>
<tr>
<td>Venezuela</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">28</td>
<td style="text-align: right;">197</td>
<td style="text-align: right;">-11,8%</td>
<td style="text-align: right;">7.302</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1811</td>
</tr>
<tr>
<td>Laos</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td style="text-align: right;">69</td>
<td style="text-align: right;">5,1%</td>
<td style="text-align: right;">9.207</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1953</td>
</tr>
<tr>
<td>RPD Coreia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Japão</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
</tr>
<tr>
<td>Cuba</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1959</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1.597</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>31.804</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>20.577</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>6 Col+SemiCol</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>20,0%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>19,4%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 25</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 1: Socialistas independentes</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>China</td>
<td style="text-align: right;">291.958</td>
<td style="text-align: right;">0,6</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Vietnã</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Venezuela</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Laos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>RPD Coreia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Cuba</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>291.963</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>5</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>6</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>1</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>10,2%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 25</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 1: Socialistas independentes</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>China</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;">Original</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Vietnã</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Venezuela</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Laos</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>RPD Coreia</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Cuba</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>5 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>5 Contra+abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Os seis países do Grupo 1 (Figura 25) promovem o socialismo em graus variados e, muitas vezes, adotam posições internacionais progressistas. Cinco dos seis fazem parte do Grupo de Amigos em Defesa da Carta da ONU.</p>
<p>A China é o membro mais importante desse grupo. Seu PIB, medido em paridade do poder de compra, está em primeiro lugar no mundo, representando quase o triplo do PIB (PPC) da Índia. Também corresponde a 119% do PIB (PPC) dos Estados Unidos.<a href="#_edn90" name="_ednref90"><sup>92</sup></a> A China alcançou o avanço mais significativo no desenvolvimento humano, tirando 850 milhões de pessoas da pobreza extrema nas últimas quatro décadas.<a href="#_edn91" name="_ednref91"><sup>93</sup></a> Embora não busque a hegemonia sobre o sistema-mundo, o país é visto pelos EUA e seus aliados como a principal ameaça à sua hegemonia, e foi rotulado nos últimos anos como um concorrente “quase rival” nos documentos de estratégia dos departamentos de Estado e Defesa dos EUA. A China representa não apenas uma ameaça econômica, mas, com o ressurgimento de um partido comunista mais forte sob o comando do presidente Xi Jinping, também uma grande ameaça política com sua revitalização manifesta das tradições socialistas e comunistas. A China é impelida por seus interesses nacionais e sociais e por seu apoio histórico ao Sul Global para o papel de apoio a processos e projetos contra-hegemônicos. O país continua a declarar publicamente o compromisso de “reduzir a desigualdade entre Norte e Sul”.<a href="#_edn92" name="_ednref92"><sup>94</sup></a></p>
<p>Enquanto a China representa, hoje, o maior desafio econômico e político à hegemonia do Norte Global, Cuba e Venezuela representam a linha de frente da resistência socialista histórica. Cuba segue resistindo ao sofrimento causado por mais de seis décadas de embargo e bloqueio econômico liderados pelos EUA. A Venezuela enfrenta sanções pesadas. Esses dois países não tentam esconder sua aposta em uma agenda socialista. A República Popular Democrática da Coreia continua sendo o “bicho-papão” que o Ocidente teme no Leste, enquanto o Laos e o Vietnã têm partidos comunistas de longa data no comando de seus governos e estão passando por um rápido desenvolvimento econômico.</p>
<p>Desde a fundação da União Soviética, as forças de esquerda do mundo têm enfrentado uma contradição entre as necessidades do Estado e do povo dos projetos socialistas e as necessidades da classe trabalhadora em países e regiões específicas. É necessário que as lideranças da classe trabalhadora em todos os países tenham pensamento estratégico para evitar o antagonismo nas “contradições entre os povos” e garantir que o golpe decisivo seja direcionado ao centro do imperialismo. Seguir a máxima de que comunistas “não têm interesses separados daqueles do proletariado como um todo” exige uma investigação do concreto.<a href="#_edn93" name="_ednref93"><sup>95</sup></a> Por exemplo, derrotas como a queda da União Soviética são catastróficas para todas as pessoas trabalhadoras. São necessárias diversas decisões táticas para tirar proveito das rachaduras no campo imperialista para proteger os projetos e movimentos socialistas, estejam eles no poder ou não.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 2 do Sul Global: Dez países em forte busca por soberania</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 26</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 2: Em forte busca de soberania</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rússia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">145</td>
<td style="text-align: right;">4.770</td>
<td style="text-align: right;">0,8%</td>
<td style="text-align: right;">33.253</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Irã</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">89</td>
<td style="text-align: right;">1.617</td>
<td style="text-align: right;">2,0%</td>
<td style="text-align: right;">18.865</td>
<td style="text-align: center;">Semi-colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1979</td>
</tr>
<tr>
<td>Belarus</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">210</td>
<td style="text-align: right;">0,1%</td>
<td style="text-align: right;">22.679</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Burkina Faso</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">23</td>
<td style="text-align: right;">58</td>
<td style="text-align: right;">4,9%</td>
<td style="text-align: right;">2.549</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Mali</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">23</td>
<td style="text-align: right;">57</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">2.514</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné</td>
<td style="text-align: right;">1958</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
<td style="text-align: right;">44</td>
<td style="text-align: right;">5,8%</td>
<td style="text-align: right;">3.025</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1958</td>
</tr>
<tr>
<td>Níger</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: right;">40</td>
<td style="text-align: right;">5,7%</td>
<td style="text-align: right;">1.518</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Síria</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">22</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
</tr>
<tr>
<td>Afeganistão</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
<td style="text-align: right;">41</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Semi-colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, EUA</td>
<td style="text-align: right;">2021</td>
</tr>
<tr>
<td>Eritreia</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Itália</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>395</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6.795</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>20.938</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>8 Col+SemiCol</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5,0%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>4,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 26</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 2: Em forte busca de soberania</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rússia</td>
<td style="text-align: right;">86.373</td>
<td style="text-align: right;">1,7</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Irã</td>
<td style="text-align: right;">6.847</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Belarus</td>
<td style="text-align: right;">821</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Burkina Faso</td>
<td style="text-align: right;">563</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Mali</td>
<td style="text-align: right;">515</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné</td>
<td style="text-align: right;">441</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Níger</td>
<td style="text-align: right;">243</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">9</td>
</tr>
<tr>
<td>Síria</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Afeganistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Eritreia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">28</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>95.802</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>8</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>6</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>40</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3,3%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 26</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 2: Em forte busca de soberania</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rússia</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;">Original</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Irã</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Belarus</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;">Observador</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Burkina Faso</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Mali</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Níger</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Síria</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Afeganistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Observador</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Eritreia</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>4</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>9 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>7 Contra+abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Os países do grupo 2 (Figura 26) não são Estados socialistas, mas são os principais alvos de mudanças de regime lideradas pelos EUA. São países que estão defendendo aguerridamente sua soberania e a de outros (como visto por sete dos nove países do grupo que votaram contra a resolução apoiada pelos EUA para a retirada da Rússia em fevereiro de 2023 e seu total apoio ao cessar-fogo em Gaza).</p>
<p>Essas nações enfrentam algumas das situações mais agudas da luta por soberania nacional, embora tenham motivos diferentes para isso. Elas estão na linha de frente da luta do Sul Global contra o imperialismo. Ainda que todas tenham total ou parcial dependência econômica do Ocidente, buscam ativamente a independência política e, portanto, estão sujeitas a uma guerra híbrida extrema travada pelo imperialismo. Simplificando, esses países, em sua maioria, estão incluídos nos alvos críticos da inteligência dos EUA para a promoção de mudanças de regime.</p>
<p>Sobretudo desde o golpe de direita apoiado pelos EUA na Ucrânia em fevereiro de 2014, seguido pela anexação da Crimeia para a unificação, a Rússia tem sido o principal alvo de uma mudança de regime empreendida pelo campo imperialista. Os EUA e seus aliados vêm dedicando recursos consideráveis para enfraquecer, desmantelar e desnuclearizar a Rússia; os EUA forneceram mais de US$ 90 bilhões em assistência militar à Ucrânia para a campanha contra a Rússia entre fevereiro de 2014 e fevereiro de 2022.<a href="#_edn94" name="_ednref94"><sup>96</sup></a> Belarus tem alinhamento geopolítico e econômico com a Rússia (por exemplo, por meio da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, formada em 1992, e da União de Bielorrússia e Rússia, formada em 1996) e, portanto, permanece na mira da inteligência dos EUA.</p>
<p>Desde as revoluções de 1978 e 1979, que depuseram líderes alinhados aos EUA, o Afeganistão e o Irã têm sido alvos de intervenção militar e interferência política estadunidense. O Irã tem sido um obstáculo para os avanços ocidentais na região, com seu programa de energia nuclear, forte influência regional em conflitos por procuração e postura consistente contra o Ocidente (e Israel). O Afeganistão foi invadido em 2001, e os EUA gastaram duas décadas e mais de US$ 2 trilhões (US$ 300 milhões por dia) para conquistar um ponto de apoio na Ásia Central – acabando por se retirar em 2021.<a href="#_edn95" name="_ednref95"><sup>97</sup></a> Desde 2011, a Síria tem sido um campo de batalha para as tentativas dos EUA de garantir o controle de toda a Ásia Ocidental, uma guerra que comprova a definição sobre a Síria dada em 1965 pelo jornalista Patrick Seale: “o espelho dos interesses rivais”.<a href="#_edn96" name="_ednref96"><sup>98</sup></a></p>
<p>Esse grupo está crescendo, e países como Eritreia, Mali, Burkina Faso e Níger estão tomando medidas mais ousadas para proteger a própria soberania nacional. A Eritreia nutre uma hostilidade histórica contra os EUA e é alvo de intervenção dos EUA por meio da Etiópia. Burkina Faso, Mali e Níger rejeitaram a presença neocolonial da França no Sahel e depuseram seus líderes políticos alinhados ao Ocidente. Esses países criaram a Aliança Econômica do Sahel e a Aliança dos Estados do Sahel, com o intuito de promover a cooperação econômica e militar. Entretanto, a situação política ainda é instável e eles lutam para alcançar, de fato, a independência das potências imperialistas.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 3 do Sul Global: Onze países atual ou historicamente progressistas</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 27</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 3: Atual ou historicamente progressistas</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Brasil</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">215</td>
<td style="text-align: right;">3.837</td>
<td style="text-align: right;">0,5%</td>
<td style="text-align: right;">18.897</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1822</td>
</tr>
<tr>
<td>Colômbia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">52</td>
<td style="text-align: right;">966</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">18.720</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1819</td>
</tr>
<tr>
<td>África do Sul</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">60</td>
<td style="text-align: right;">953</td>
<td style="text-align: right;">0,9%</td>
<td style="text-align: right;">15.728</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1931</td>
</tr>
<tr>
<td>Argélia</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">45</td>
<td style="text-align: right;">584</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">12.900</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Nepal</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
<td style="text-align: right;">144</td>
<td style="text-align: right;">4,5%</td>
<td style="text-align: right;">4.787</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Bolivia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td style="text-align: right;">119</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">9.936</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1825</td>
</tr>
<tr>
<td>Honduras</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">70</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">6.832</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Nicarágua</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">7.229</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Zimbábue</td>
<td style="text-align: right;">1980</td>
<td style="text-align: right;">16</td>
<td style="text-align: right;">41</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">2.603</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1980</td>
</tr>
<tr>
<td>Palestina</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">6.364</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Israel, Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Namíbia</td>
<td style="text-align: right;">1990</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">29</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">11.080</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Alemanha, África do Sul</td>
<td style="text-align: right;">1990</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>456</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6.826</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>15.397</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>10 Col</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5,7%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>4,2%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 27</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 3: Atual ou historicamente progressistas</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Brasil</td>
<td style="text-align: right;">20.211</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Colômbia</td>
<td style="text-align: right;">9.938</td>
<td style="text-align: right;">0,5</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>África do Sul</td>
<td style="text-align: right;">2.995</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Argélia</td>
<td style="text-align: right;">9.146</td>
<td style="text-align: right;">0,6</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Nepal</td>
<td style="text-align: right;">428</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Bolivia</td>
<td style="text-align: right;">640</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Honduras</td>
<td style="text-align: right;">478</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">9</td>
</tr>
<tr>
<td>Nicarágua</td>
<td style="text-align: right;">84</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Zimbábue</td>
<td style="text-align: right;">182</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Palestina</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Namíbia</td>
<td style="text-align: right;">369</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>44.471</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>7</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>20</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1,6%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 27</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 3: Atual ou historicamente progressistas</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Brasil</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Original</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Colômbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>África do Sul</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Original</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Argélia</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Nepal</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Bolivia</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Honduras</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Nicarágua</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Zimbábue</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Palestina</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Namíbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>10 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>6 Contra+abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Os países relacionados na Figura 27 estão alocados no grupo 3 com base em duas preocupações essenciais: o grau relativo em que são alvos de mudança de regime e seu papel na promoção de posições anti-imperialistas, de forma pública, no âmbito internacional. Os países deste grupo ou são os próximos da fila nas tentativas de promover mudanças de regime (logo atrás do Grupo 2) ou estão desempenhando um papel nítido e aberto de enfrentar os interesses do campo imperialista.</p>
<p>Entre os exemplos de países que buscam promover agendas progressistas estão o Brasil sob o governo do Partido dos Trabalhadores (PT) e a África do Sul sob a aliança tripartite (que inclui o Congresso Nacional Africano, o Partido Comunista Sul-Africano e o Congresso dos Sindicatos Sul-Africanos). O primeiro demonstra liderança na construção de instituições intergovernamentais alternativas, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) em 2008, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em 2011 e o Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas), que foi complementado pelo Brics em 2009. Já a África do Sul desempenha um papel importante na construção da União Africana. Por vezes, esses países defendem posições internacionais progressistas, como o apoio a Cuba contra as sanções dos EUA em organizações internacionais. O Nepal aboliu a monarquia em 2008, estabeleceu uma república liderada pela esquerda e alcançou avanços significativos na emancipação legal e política de comunidades historicamente marginalizadas.</p>
<p>A Palestina está sob ocupação e cerco há mais de sete décadas. A Argélia tem dedicado apoio firme à autodeterminação e independência palestina e, dentro da União Africana, tem sido influente na promoção de posições progressistas sobre o desenvolvimento econômico e a unidade africana. Depois do golpe popular no Níger, a Argélia foi o único Estado africano a defender, de imediato, soluções não militares para as crises políticas.</p>
<p>Esses países estão buscando um caminho de desenvolvimento soberano em um sistema capitalista global, mas enfrentam graves contradições internas. Por exemplo, a África do Sul foi obrigada a fazer concessões econômicas significativas na década de 1990, inclusive com desindustrialização e privatização, o que levou a consequências catastróficas. Hoje, 57% da população do país vive abaixo da linha da pobreza, 46% está desempregada, e a participação da indústria manufatureira no PIB caiu de 25% em 1981 – durante o regime do <em>apartheid </em>– para 12% em 2022.<a href="#_edn97" name="_ednref97"><sup>99</sup></a></p>
<p>Ao contrário da China, por exemplo, essas nações tiveram seu potencial revolucionário reduzido – ou suas revoluções não culminaram no socialismo –, mas buscaram apostar em agendas progressistas nas esferas doméstica, regional e/ou internacional. São países que os EUA consideram ter posições políticas hostis à hegemonia do Norte Global. Muitos sofreram intervenções dos EUA, guerras híbridas, sanções e quedas de governos. Entre os exemplos recentes dessas intervenções estão os golpes em Honduras (2009), no Brasil (2016) e na Bolívia (2019). O Zimbábue continua sofrendo sanções dos EUA.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 4 do Sul Global: Cinco países recentemente não alinhados</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 28</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 4: Recém não alinhados</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Índia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">1.417</td>
<td style="text-align: right;">11.901</td>
<td style="text-align: right;">5,7%</td>
<td style="text-align: right;">8.398</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
</tr>
<tr>
<td>Indonésia</td>
<td style="text-align: right;">1950</td>
<td style="text-align: right;">276</td>
<td style="text-align: right;">4.037</td>
<td style="text-align: right;">4,2%</td>
<td style="text-align: right;">14.687</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Países Baixos</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
</tr>
<tr>
<td>Turquia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">85</td>
<td style="text-align: right;">3.353</td>
<td style="text-align: right;">5,3%</td>
<td style="text-align: right;">39.314</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>México</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">128</td>
<td style="text-align: right;">3.064</td>
<td style="text-align: right;">1,2%</td>
<td style="text-align: right;">23.548</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1810</td>
</tr>
<tr>
<td>Arábia Saudita</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">36</td>
<td style="text-align: right;">2.150</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">66.836</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1.942</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>24.505</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>12.634</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>3 Col</strong></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>24,3%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>15,0%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 28</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 4: Recém não alinhados</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Índia</td>
<td style="text-align: right;">81.363</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Indonésia</td>
<td style="text-align: right;">8.987</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Turquia</td>
<td style="text-align: right;">10.645</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">12</td>
</tr>
<tr>
<td>México</td>
<td style="text-align: right;">8.536</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Arábia Saudita</td>
<td style="text-align: right;">75.013</td>
<td style="text-align: right;">5,7</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">21</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>184.543</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>1</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>4</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>34</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6,4%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 28</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 4: Recém não alinhados</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Índia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;">Original</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Indonésia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Turquia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>México</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Arábia Saudita</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>4 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>1 Abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Com economias de escala consideráveis, o não alinhamento recente que caracteriza os países do grupo 4 é econômico, não político (Figura 28). Esses países não são socialistas e não estão reanimando o projeto político do Movimento dos Não Alinhados. A maioria teve 50 anos ou mais de independência dos antigos poderes coloniais e, hoje, tem relações muito diferentes com eles.</p>
<p>Economicamente, os cinco não alinhados têm PIBs significativos (estavam entre as 20 maiores economias em termos de PIB [PPC] em 2022) e estão tomando medidas econômicas cada vez mais independentes.</p>
<p>Esses países reconheceram que o acúmulo de reservas cambiais pelos EUA e as sanções contra países com 30% da população mundial representam graves ameaças globais. Atualmente, mais de um em cada quatro países está sofre sanções da ONU e de governos ocidentais, enquanto 29% do PIB global é produzido em países afetados por sanções. Na década de 1960, esse número ficava em 4%.<a href="#_edn98" name="_ednref98"><sup>100</sup></a></p>
<p>Politicamente, trata-se de um grupo ambivalente. Militarmente, a Indonésia, a Turquia e a Arábia Saudita mantêm relações muito próximas com os Estados Unidos. A Arábia Saudita é um dos maiores compradores de armas avançadas dos EUA. Recep Tayyip Erdoğan, da Turquia, é um parceiro menos confiável para o Ocidente, apesar de o país ser membro da Otan.</p>
<p>Esse grupo apresenta comportamentos bastante contraditórios no cenário internacional. Há algum grau de lenta redução da dependência econômica e do alinhamento com o Ocidente e/ou há algum preparo para se opor a ele em algumas questões importantes.</p>
<p>Apesar do alinhamento da Índia com os EUA em organizações como o Quad e de suas posições reacionárias em relação a Israel na guerra contra Gaza, desde o início da guerra na Ucrânia, o país tem se recusado a atender a algumas exigências importantes dos EUA, como a implementação de sanções contra a Rússia. O ministro das Relações Exteriores, S. Jaishankar, defendeu com veemência a recusa de seu governo em ceder à pressão de Washington, afirmando em uma coletiva de imprensa, em junho de 2023: “Muitos americanos ainda têm na cabeça a construção do tratado da Otan… Fica quase parecendo que esse é o único modelo ou ponto de vista com o qual eles olham para o mundo… Esse não é um modelo que se aplica à Índia”.<a href="#_edn99" name="_ednref99"><sup>101</sup></a> O conflito com o Canadá, e agora com os EUA, sobre supostas operações de inteligência indiana em seus países, está complicando o plano dos EUA de obter o apoio da Índia contra a China. A grande burguesia nacional indiana está começando a fazer valer seus interesses.</p>
<p>A Arábia Saudita discorda dos EUA quando seus interesses econômicos assim determinam, por exemplo, ao aumentar os investimentos entre o país e a China (incluindo acordos para a comercialização de petróleo em yuan chinês) e utilizar sua parceria com a Rússia na Opep+ para definir o preço global do petróleo. No entanto, ao mesmo tempo, durante os preparativos para a cúpula da Liga Árabe em novembro de 2023, a Arábia Saudita bloqueou os esforços da Argélia para fechar as bases dos EUA, bloqueou a ajuda militar proposta pelo Irã para a Palestina, impediu um boicote comercial proposto e se recusou a reduzir as remessas de petróleo para Israel. O Pentágono, a CIA e a Arábia Saudita foram aliados de primeira linha na recente guerra contra o Iêmen, que tirou dezenas de milhares de vidas. As Forças Especiais dos EUA forneceram aos pilotos sauditas as coordenadas para o bombardeio de alvos.<a href="#_edn100" name="_ednref100"><sup>102</sup></a></p>
<p>A Indonésia, que abriga a maior população islâmica do mundo, teve uma taxa de crescimento média composta do PIB (PPC) de 4,2% entre 2012 e 2022.<a href="#_edn101" name="_ednref101"><sup>103</sup></a> De acordo com as previsões do FMI, até 2030, o país poderá se tornar a quinta maior economia do mundo em termos de PIB (PPC). A participação dos ativos de suas empresas estatais no PIB aumentou de 43%, em 2014, para 54%, em 2018.<a href="#_edn102" name="_ednref102"><sup>104</sup></a> Em 2020, a Indonésia proibiu a exportação de níquel bruto, componente essencial das baterias de lítio. O país foi responsável por 39% da produção global de níquel em 2022. Em termos correntes, suas exportações totais dispararam de US$ 183 bilhões para US$ 323 bilhões, entre 2020 e 2022.<a href="#_edn103" name="_ednref103"><sup>105</sup></a> No dia 2 de fevereiro de 2023, durante o Mandiri Investment Forum em Jacarta, o presidente Joko Widodo advertiu: “Devemos nos lembrar das sanções impostas pelos EUA à Rússia. Visa e Mastercard podem ser um problema”, afirmando também que, “se usarmos nossas próprias plataformas e todos as usarem, desde ministérios e administrações locais até governos municipais, estaremos mais seguros”. No entanto, em novembro de 2023, os EUA (participantes ativos na tortura e no assassinato de mais de 500 mil pessoas comunistas indonésias) e a Indonésia assinaram um acordo que atualiza suas relações em uma parceria estratégica abrangente.<a href="#_edn104" name="_ednref104"><sup>106</sup></a> A Indonésia retirou seu pedido de adesão ao Brics em 2023 e expressou interesse público em se tornar membro da OCDE.</p>
<p>O projeto imperial emergente dos EUA no México se consolidou efetivamente em 1846. Confrontado com uma guerra de agressão sob a lei internacional, o México foi forçado a trocar terras por paz e ceder 50% de seu território. A nova fronteira entre os dois países se tornou uma linha histórica que, internamente, constitui uma determinação inexorável e preestabelecida. Por outro lado, o México tem uma história que retorna incessantemente a suas raízes anticoloniais, à cultura indígena e à história moderna anti-imperialista. Há pouquíssima análise sobre a complexa interdependência entre os dois países, por exemplo, em termos de população, cultura e economia, mas talvez haja uma análise mais significativa em termos de segurança geopolítica para a viabilidade da hegemonia dos EUA.<a href="#_edn105" name="_ednref105"><sup>107</sup></a> Em vários níveis, o governo de López Obrador é uma tentativa dos movimentos sociais mexicanos de lançar uma reforma contra-neoliberal de baixa intensidade. Concentra-se na recuperação da propriedade pública de todos os recursos estratégicos, no lançamento de uma nova reforma agrária e na reivindicação da terra como propriedade social. A atual reforma agrária do México garante por lei o registro de 50,6% do território como propriedade social comunitária nas mãos de comunidades camponesas e indígenas (29.803 comunas agrárias em 99,7 milhões de hectares). No entanto, o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, anteriormente denominado Acordo de Livre Comércio da América do Norte) de 2020 representa um impeditivo constante para a desconexão ou desvinculação da posição política do México, diante do Sul Global emergente. Em junho de 2023, os EUA iniciaram procedimentos preliminares (por meio da arbitragem do USMCA) para bloquear o decreto presidencial que tomaria uma série de medidas para proibir o milho geneticamente modificado, que representa 96% das exportações de milho dos EUA.<a href="#_edn106" name="_ednref106"><sup>108</sup></a> Os EUA estão exibindo políticas mais agressivas e intervencionistas para minar as conquistas históricas da soberania mexicana, que foram alcançadas após longas e duras batalhas. Em 2022, o presidente mexicano López Obrador se recusou a participar da VIII Cúpula das Américas em Los Angeles, depois que veio a público a notícia de que os Estados Unidos não convidariam lideranças cubanas, venezuelanas e nicaraguenses para a reunião.</p>
<p>Os cinco países deste grupo têm diferentes perspectivas políticas, econômicas e militares e diferentes níveis de proximidade, com nuances diversas, com o Norte Global. No entanto, suas novas e crescentes burguesias nacionais estão aos poucos buscando relações econômicas alternativas e divergências políticas ocasionais com os EUA, embora por interesse próprio e autopreservação. A questão da nova burguesia nacional que está surgindo no Sul Global está fora do escopo deste texto; ela será abordada em nossa pesquisa de 2024 sobre formação e propriedade de capital no Sul Global.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5 do Sul Global: Cento e onze países diversos do Sul Global</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 29</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, 20 países principais, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">111</td>
<td style="text-align: right;">1.676</td>
<td style="text-align: right;">4,3%</td>
<td style="text-align: right;">16.174</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1922</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
<td style="text-align: right;">236</td>
<td style="text-align: right;">1.520</td>
<td style="text-align: right;">4,0%</td>
<td style="text-align: right;">6.695</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
<td style="text-align: right;">72</td>
<td style="text-align: right;">1.482</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">21.154</td>
<td style="text-align: center;">Semi-colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, França</td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;">1974</td>
<td style="text-align: right;">171</td>
<td style="text-align: right;">1.343</td>
<td style="text-align: right;">6,5%</td>
<td style="text-align: right;">7.971</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">219</td>
<td style="text-align: right;">1.281</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">5.909</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">46</td>
<td style="text-align: right;">1.226</td>
<td style="text-align: right;">0,3%</td>
<td style="text-align: right;">26.484</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha, Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1816</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">1.137</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">34.834</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">835</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">84.657</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">719</td>
<td style="text-align: right;">3,3%</td>
<td style="text-align: right;">127.563</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">19</td>
<td style="text-align: right;">603</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">30.523</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">579</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">29.221</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1818</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">523</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">15.310</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">44</td>
<td style="text-align: right;">505</td>
<td style="text-align: right;">2,7%</td>
<td style="text-align: right;">11.948</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1932</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
<td style="text-align: right;">37</td>
<td style="text-align: right;">363</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">9.900</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França, Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">123</td>
<td style="text-align: right;">358</td>
<td style="text-align: right;">8,4%</td>
<td style="text-align: right;">3.435</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">35</td>
<td style="text-align: right;">340</td>
<td style="text-align: right;">5,9%</td>
<td style="text-align: right;">9.634</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">22</td>
<td style="text-align: right;">320</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">14.267</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;">1963</td>
<td style="text-align: right;">54</td>
<td style="text-align: right;">311</td>
<td style="text-align: right;">4,5%</td>
<td style="text-align: right;">6.151</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1963</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">309</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">109.160</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
<td style="text-align: right;">54</td>
<td style="text-align: right;">261</td>
<td style="text-align: right;">3,3%</td>
<td style="text-align: right;">4.847</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
</tr>
<tr>
<td>…</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2.242</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>21.171</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>9.687</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>103 Col+SemiCol</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>28,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>12,9%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI. Nota: os totais se referem aos 111 países do grupo 5, detalhados na figura 56</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 29</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, 20 países principais, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;">4.646</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">7</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;">10.337</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;">5.724</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;">4.806</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;">3.109</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;">2.578</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;">3.671</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">11.688</td>
<td style="text-align: right;">5,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;">1.133</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;">5.566</td>
<td style="text-align: right;">0,8</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;">2.845</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;">4.683</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;">4.995</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;">1.031</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;">1.053</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;">1.138</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">15.412</td>
<td style="text-align: right;">15,9</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;">1.857</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>…</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>131.182</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>17</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>63</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>192</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>4,6%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War. Nota: os totais se referem aos 111 países do grupo 5, detalhados na figura 56</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 29</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, 20 países principais, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>…</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>17</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>77 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>20 Abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights. Nota: os totais se referem aos 111 países do grupo 5, detalhados na figura 56</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Existem 111 países que não foram incluídos nos quatro grupos anteriores do Sul Global acima, em função de múltiplas diversidades. A Figura 29 apresenta uma relação das vinte maiores economias entre eles; a lista completa está no apêndice. Esses países não compartilham as mesmas visões políticas nem os mesmos sistemas governamentais. Essuatíni, Qatar e Butão ainda são governados por monarquias, enquanto Líbia, Síria e Somália não têm uma única autoridade governamental. Alguns países abandonaram as agendas socialistas depois de serem tolhidos pelo financiamento ocidental ao desenvolvimento, como no caso de Angola e Moçambique. Por causa da intervenção política e econômica imperialista, diversos países deste grupo sofrem grave disfuncionalidade governamental (colapso da governança, da autoridade e da lei) e são quase totalmente incapazes de prover o sustento de sua população.</p>
<p>O desempenho econômico desses países varia significativamente. Por exemplo, apesar de a Nigéria ser a segunda maior economia da África e ter um PIB (PPC) quatorze vezes maior que o do Camboja, a primeira teve uma taxa de crescimento médio anual negativa de 0,4% entre 2012 e 2022, enquanto a segunda cresceu 5,3%.</p>
<p>Entre esses países, há diferentes níveis de lealdade militar ao Norte Global. O Egito tem sido um parceiro estratégico de Israel e dos Estados Unidos desde 1979, enquanto Bangladesh, Comores e Djibuti participaram da apresentação de um caso ao Tribunal Penal Internacional sobre a situação no Estado da Palestina no dia 17 de novembro de 2023.</p>
<p>Há neste grupo uma série de conflitos internos e disputas territoriais, como no caso da ocupação colonial do Saara Ocidental pelo Marrocos, iniciada em 1975.<a href="#_edn107" name="_ednref107"><sup>109</sup></a> Outros, como a República Democrática do Congo e o Haiti, estão sujeitos a intervenções militares da ONU, das quais participam outros países do Sul Global.</p>
<p>Os países do Grupo 5 participam de diversas articulações multilaterais com nações do Sul Global e do Norte Global. O pertencimento a este grupo pode mudar caso um país desenvolva características mais distintivas. Por exemplo, embora a Argentina tenha desempenhado papéis historicamente progressistas na América Latina, a recente guinada à direita impede a inclusão do país no grupo 3 hoje. Portanto, a posição nos grupos não é estática ou permanente.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 6 do Sul Global: Duas efetivas colônias militares dos EUA</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 30</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 6: Altamente militarizados pelos EUA</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">52</td>
<td style="text-align: right;">2.780</td>
<td style="text-align: right;">2,7%</td>
<td style="text-align: right;">53.845</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Japão</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
</tr>
<tr>
<td>Filipinas</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">116</td>
<td style="text-align: right;">1.171</td>
<td style="text-align: right;">4,9%</td>
<td style="text-align: right;">10.495</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha, EUA</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>167</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3.951</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>24.210</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>2 Col</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,4%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 30</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 6: Altamente militarizados pelos EUA</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td style="text-align: right;">46.365</td>
<td style="text-align: right;">2,5</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">62</td>
</tr>
<tr>
<td>Filipinas</td>
<td style="text-align: right;">3.965</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">11</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>50.331</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"><strong>2</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>73</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1,8%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 30</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 6: Altamente militarizados pelos EUA</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Filipinas</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"><strong>0 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>0 Contra+abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Os povos dessas duas nações (Figura 30) estão em grande medida alinhados com o Sul Global. Ambos os países já tiveram tanto líderes pró-EUA quanto também líderes de inclinação mais independente. No entanto, são, do ponto de vista militar, totalmente controlados pelos EUA.</p>
<p>Historicamente, as duas nações foram subordinadas aos EUA por meio de conquistas militares: após a Segunda Guerra Mundial, quando os EUA ocuparam militarmente a península coreana e, mais tarde, no final da Guerra da Coreia, a República da Coreia manteve uma grande presença militar dos EUA. Sua reconstrução econômica foi financiada e dirigida quase na totalidade pelos EUA. Após a Guerra Hispano-Americana, as Filipinas passou quase cinco décadas como colônia dos EUA (1898-1946).</p>
<p>Essa vassalagem é evidente nos dias de hoje: após as eleições de Yoon Suk-yeol na República da Coreia e de Ferdinand Marcos Jr. nas Filipinas em 2022, ambos têm servido como posições de linha de frente na contenção da China. Em fevereiro de 2023, as Filipinas convidaram os EUA a expandir sua presença militar no país, acrescentando mais quatro bases às cinco já existentes e operadas pelos EUA – isso 30 anos depois de ter aprovado leis para encerrar permanentemente a presença militar estadunidense no país. A República da Coreia também aumentou essa expansão militar, <a href="https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2023/08/18/the-spirit-of-camp-david-joint-statement-of-japan-the-republic-of-korea-and-the-united-states/">participando</a>, ao lado do Japão, “da inauguração de uma nova era de parceria trilateral” com os EUA.<a href="#_edn108" name="_ednref108"><sup>110</sup></a> Além disso, o Acordo de Segurança Geral de Informações Militares entre o Japão e a República da Coreia, facilitado pelo alinhamento próximo dos EUA, expande o compartilhamento de inteligência entre os dois países para incluir “ameaças da China e da Rússia”.<a href="#_edn109" name="_ednref109"><sup>111</sup></a> Seus gastos militares devem ser atribuídos ao bloco militar liderado pelos EUA.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 31</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Países do Sul Global com gasto militar per capita superior a média mundial (excl. Rússia)</h3>
<p>2022</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Nome do país</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">dólares (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Percentual do PIB<br>
(TCC)</th>
<th style="text-align: right;">Per Capita<br>
<span class="single-post--table-heading--small">&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Arábia Saudita</td>
<td style="text-align: right;">75.013</td>
<td style="text-align: right;">6,8%</td>
<td style="text-align: right;">5,7</td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td style="text-align: right;">46.365</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">2,5</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">15.412</td>
<td style="text-align: right;">6,5%</td>
<td style="text-align: right;">15,9</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">11.688</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">5,4</td>
</tr>
<tr>
<td>Kuwait</td>
<td style="text-align: right;">8.244</td>
<td style="text-align: right;">4,7%</td>
<td style="text-align: right;">5,4</td>
</tr>
<tr>
<td>Omã</td>
<td style="text-align: right;">5.783</td>
<td style="text-align: right;">5,0%</td>
<td style="text-align: right;">3,5</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbano</td>
<td style="text-align: right;">4.739</td>
<td style="text-align: right;">21,8%</td>
<td style="text-align: right;">2,4</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahrein</td>
<td style="text-align: right;">1.381</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">2,6</td>
</tr>
<tr>
<td>Uruguai</td>
<td style="text-align: right;">1.376</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">1,1</td>
</tr>
<tr>
<td>Brunei</td>
<td style="text-align: right;">436</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">2,7</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="4">Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados do FMI, ONU, SIPRI e Monthly Review</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>A Figura 31 traz a relação de todos os países do Sul Global com gastos militares superiores à média mundial (exceto a Rússia, que foi apresentada anteriormente). Muitos desses países têm relações militares próximas com os Estados Unidos, mas não estão listados no Grupo 6.</p>
<h1>PARTE IV: Ocidente em declínio</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">A erosão da hegemonia econômica e política dos Estados Unidos</h2>
<p>A desaceleração do crescimento econômico dos EUA, medida pela desaceleração da taxa de crescimento do PIB, pela queda da fatia do investimento líquido no PIB, pelos níveis mais altos de capacidade produtiva não utilizada e pelo desemprego/subemprego, começou em meados da década de 1960 e se acelerou a partir da primeira metade da década de 1970. <a href="#_edn110" name="_ednref110"><sup>112</sup></a>transição para que os EUA se tornassem um importador líquido de capital exacerbou as contradições do capital monopolista.</p>
<p>A conta de capital dos EUA passou a depender da importação contínua de capital em larga escala a partir da década de 1980. Essa mudança é fundamental para um processo de geração de riqueza financeirizada e um mecanismo econômico crucial do imperialismo estadunidense. Os ativos de capital do mundo estão predominantemente em dólares estadunidenses e alimentam a posição geral do capital monopolista-financeiro dos EUA.</p>
<p>Em 2009, os EUA começaram a planejar sua reorientação para a Ásia para coibir o crescimento econômico da China. Durante o período de Obama, os EUA começaram movimentos contra a Organização Mundial do Comércio. Esse período também marcou o aumento da adoção de tarifas, sanções, medidas protecionistas e guerras híbridas.</p>
<p>Como agora dependem de importações líquidas de capital em larga escala, que em 2022 atingiram US$ 1 trilhão por ano, os EUA têm pouca capacidade econômica interna de oferecer vantagens econômicas aos seus aliados do Norte Global e do Sul Global.<a href="#_edn111" name="_ednref111"><sup>113</sup></a> Com efeito, o país precisa continuar tentando extrair ainda mais excedentes deles.</p>
<p>Sob o neoliberalismo, a autonomia relativa dos EUA diminuiu, e o capital privado passou a exercer um controle mais direto sobre grande parte do Estado. Hoje, no entanto, diante das crescentes ameaças econômicas internacionais à posição dos EUA e do fracasso do neoliberalismo em manter o domínio econômico do país, os interesses políticos coletivos da classe dominante estão sendo afirmados por um Estado cada vez mais autônomo (em vez de representar os interesses de grupos capitalistas individuais). Citando Lênin, “a política”, também para os capitalistas, “deve prevalecer sobre a economia”.<a href="#_edn112" name="_ednref112"><sup>114</sup></a></p>
<p>A financeirização ou acumulação sob a fase do capital monopolista-financeiro é realmente um desenvolvimento parasitário que visa tirar sangue de uma esponja e marcar a crise estrutural do capital. O capital estadunidense tem uma contradição interna. À medida que busca aumentar a extração de excedente de sua própria classe trabalhadora, o capital dos EUA corre o risco de perder o apoio para suas guerras militares externas, que têm como objetivo remover obstáculos internacionais aos interesses econômicos capitalistas do país.</p>
<p>A classe dominante dos EUA é, portanto, forçada a atacar simultaneamente o Sul Global e sua própria classe trabalhadora – e isso exigiu o surgimento de correntes cada vez mais à direita no capitalismo estadunidense. Na década de 1930, os EUA tinham reservas suficientes para enfrentar uma crise profunda do capitalismo com um programa doméstico reformista, ao contrário do ataque aberto à classe trabalhadora promovido na Alemanha e no Japão. Diferente do que se alega popularmente, os EUA não escaparam da depressão econômica devido ao <em>New Deal</em> keynesiano, mas foi preciso haver a Segunda Guerra Mundial para isso. Hoje, nessa nova situação, os EUA não têm outra alternativa a não ser combinar a agressão externa com uma agenda interna cada vez mais repressiva.</p>
<p>Os EUA utilizam a inflação para tentar aumentar os lucros, uma tendência exacerbada pelos gastos militares e pela dívida contraída. Os juros da dívida militar dos EUA representam mais de 70% do pagamento líquido de juros do governo federal dos EUA. Na década de 1970, os EUA conseguiram administrar as consequências de sua Bonança do Vietnã em gastos militares ao se retirar do padrão ouro para empurrar o custo dessa dívida para outros países. Esse ataque bem-sucedido contra os rivais imperialistas fortaleceu o poder econômico e financeiro dos EUA em relação a eles.</p>
<p>É necessário adotar uma perspectiva histórica precisa, bem como das mudanças de curto prazo, ao analisar o possível declínio de um império. Na Europa, a transição da escravização para o feudalismo levou vários séculos, assim como a transição do feudalismo para o capitalismo. A França ainda lutava contra os resquícios do feudalismo no século XIX, centenas de anos depois do início do capitalismo europeu em pequena escala nas cidades-Estado italianas.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95694 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-32-2-e1706557317241.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-32-5.png"></div>
<p>O declínio econômico relativo de um Estado imperialista pode ser identificado por sua necessidade crescente de extrair capital do exterior. O Reino Unido e os EUA seguem uma tendência histórica semelhante. O Reino Unido deixou de ser um exportador de capital no início da década de 1930 (Figura 32).</p>
<p>O balanço de pagamentos de um país equivale à diferença entre a criação de capital doméstico (poupança/excedente) e o investimento de capital doméstico. Se a criação de capital “doméstico” de um país for maior do que seu investimento doméstico, ele estará, portanto, exportando capital e terá um superávit no balanço de pagamentos. Se a criação de capital interno de um país for menor que seu investimento de capital “doméstico”, ele terá um déficit no balanço de pagamentos e estará importando capital, ou seja, terá um superávit em sua conta de capital.</p>
<p>Entre 1913 e o início da década de 1980, com raras exceções, os EUA geraram mais excedentes do que investiram “internamente”. O país tinha um excedente de capital que podia investir em outros países e estender sua hegemonia internacional não apenas por meio da violência. Após a Segunda Guerra Mundial, os beneficiários específicos desse cenário foram os países imperialistas que os EUA desejavam lograr, integrar e dominar, como visto no Plano Marshall na Europa. Outros beneficiários, como a República da Coreia, tornaram-se Estados da fronteira militar explorada para coibir Rússia e China e, por isso, receberam investimentos econômicos dos EUA.</p>
<p>No final da década de 1960, os EUA entenderam que a ameaça mais urgente era econômica, e não política, e não vinha do comunismo. A atenção começou a se concentrar em coibir o crescimento de outros rivais capitalistas. Algumas economias capitalistas – primeiro a Alemanha no período imediatamente após a guerra, depois o Japão até o final da década de 1970 – alcançaram taxas de investimento muito superiores às dos EUA, chegando a 30% do PIB ou mais. Isso permitiu que esses países alcançassem taxas de crescimento do PIB mais altas que as dos EUA. Esse foi um resultado histórico das imensas derrotas das classes trabalhadoras alemã e japonesa pelo fascismo, cujas consequências continuaram no período pós-guerra. Os capitalistas alemães e japoneses conseguiram aumentar as taxas de exploração, o que financiou altas taxas de investimento de capital. Ao mesmo tempo, sua “industrialização tardia” também lhes permitiu ter acesso a tecnologia de melhor qualidade, o que aumentou ainda mais a produtividade. Embora os EUA estivessem preparados para aceitar as consequências econômicas disso no período imediato do pós-guerra, a continuação desse processo começou a afetar seu crescimento econômico.</p>
<p>Para evitar a concorrência econômica efetiva desses países, os Estados Unidos usaram pressão política e militar para forçar a redução das taxas de investimento e, portanto, das taxas de crescimento. A desvinculação do dólar estadunidense do ouro em 1971 e, portanto, a eliminação das restrições do uso do controle dos EUA como arma contra o sistema monetário internacional, desempenhou um papel fundamental nesse processo.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95704 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-33-1-e1706557372879.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-33-4.png"></div>
<p>Os números na Figura 33, positivos e negativos, mostram o balanço entre a poupança/criação de capital doméstico e o investimento doméstico ao longo de 120 anos. Um número positivo, por exemplo, 0,8% em 1929, significa que os EUA estão poupando/criando mais capital do que investindo internamente, ou seja, estão emprestando/exportando capital para o exterior. Um número negativo, como, por exemplo, -3,9% do Produto Nacional Bruto (PNB) em 2022, significa que o investimento interno dos EUA é maior do que a criação/poupança de capital interno dos EUA. Portanto, há um influxo de capital de 3,9% do PNB do exterior. Um número positivo representa uma saída de capital, e um número negativo indica uma entrada de capital no país.<a href="#_edn113" name="_ednref113"><sup>115</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95714 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-34-2-e1706557441311.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-34-4.png"></div>
<p>Mas, apesar dessa capacidade de desacelerar os rivais imperialistas, os EUA se mostraram incapazes de aumentar sua própria taxa de crescimento econômico (para alcançar uma nova taxa mais alta de investimento e exploração). Isso se deu, em parte, por causa da retirada dos capitalistas dos EUA dos investimentos produtivos de longo prazo feitos no país. Na verdade, o crescimento econômico dos EUA desacelerou ainda mais – sua média anual de crescimento econômico hoje é de apenas 2,0%, menos da metade da taxa de crescimento registrada na década de 1960 e muito atrás da taxa de crescimento da China ou mesmo de uma série de Estados asiáticos. A Figura 34 mostra que, desde 1953, os EUA vêm enfrentando um declínio geral histórico na taxa média de crescimento.</p>
<p>Confrontados com essa situação, os EUA passaram então a recorrer à adoção de tarifas, sanções econômicas e proibições de tecnologia, o que levou a um ambiente cada vez mais protecionista. No entanto, apesar desse declínio econômico, conforme já analisado, os EUA ainda mantêm uma liderança militar sobre todos os outros Estados. Assim, o imperialismo estadunidense agora se volta para uma crescente dependência da força.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95724 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-35-2-e1706557482632.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-35-4.png"></div>
<p>Identificando os processos por trás disso e mostrando a incapacidade dos EUA de aumentar sua taxa de crescimento sem uma reestruturação completa da economia (algo que não está na pauta), a Linha 1 da Figura 35 mostra que, a partir de 1965, a poupança líquida/criação de capital dos EUA caiu progressivamente até atingir, em 2009, o patamar de -2,7% da RNB. A linha 2 mostra que, a partir da década de 1980, os empréstimos tomados pelos EUA do exterior – o uso de capital importado de outros países – começou a aumentar acentuadamente. Em 2002, pela primeira vez, esses empréstimos foram maiores do que a criação líquida de capital doméstico; ou seja, pela primeira vez, até mesmo o aumento imediato no estoque de capital dos EUA estava sendo financiado mais por capital de outros países do que dos próprios EUA. Isso se reverteu ligeiramente e depois flutuou até 2020, quando, novamente, uma parte maior do acréscimo ao estoque de capital dos EUA foi financiado por outros países.</p>
<p>Para resumir esse processo geral, os EUA estruturaram a economia mundial a seu favor. Suas corporações obtêm quantidades colossais de mais-valor por meio da arbitragem global no Sul Global, e todo o sistema imperial força a entrada de dólares estadunidenses em outros países, não só via processos econômicos, mas também por bases militares dos EUA e outros meios. O objetivo é criar um sistema em que os países não tenham escolha a não ser colocar seus dólares estadunisenses em títulos dos EUA, financiando o déficit e o investimento interno dos EUA. É assim que funciona o capital monopolista-financeiro global, que é uma forma avançada de imperialismo financeiro apoiado pelo poder militar e político.</p>
<p>O que está perturbando esse sistema é o fato de o capital monopolista estar relativamente estagnado em termos de produção (economia real), o que permitiu que a China e outros países do Sul Global dessem um salto na produção. O livro <em>Super Imperialism,</em> de Hudson, traz uma contribuição sobre quais seriam as consequências caso os EUA perdessem a hegemonia do dólar.<a href="#_edn114" name="_ednref114"><sup>116</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95734 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-36-2-e1706557568977.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-36-4.png"></div>
<p>A Figura 36 mostra que a China ultrapassou os EUA em formação líquida de capital fixo, enquanto os EUA registraram declínio gradual. Ainda que esta seção não abranja a ascensão da China, deve-se observar aqui que, em todos os 30 anos desde 1992, o país tem sido exportador líquido de capital. É esse excedente de capital que torna o financiamento de iniciativas internacionais, como a Nova Rota da Seda, economicamente possível.</p>
<p>Esse se torna um fator decisivo para entender que dois núcleos de processos internacionais estão se desenvolvendo:</p>
<ul>
<li>Os EUA têm se tornado um empecilho cada vez maior para o desenvolvimento das forças produtivas em nível nacional e global.</li>
<li>A China agora está concentrada no desenvolvimento de suas forças produtivas nacionais e no trabalho com as nações em desenvolvimento como um todo. Isso apresenta um novo caminho para a modernização por meio do desenvolvimento das forças produtivas do mundo como um todo (por meio da NRS, da Iniciativa de Desenvolvimento Global e de vários projetos de industrialização em escala continental).</li>
</ul>
<h3 style="margin:2em 0;">O ocaso da democracia liberal burguesa</h3>
<p>Algumas pessoas de fora dos EUA têm historicamente mantido a ilusão de que a democracia estadunidense existe há séculos e que só recentemente foi desfigurada. Em 1776, as duas alas do capital do país, uma liderada por Alexander Hamilton e outra por Thomas Jefferson (que era proprietário de pessoas escravizadas), garantiram que somente homens brancos com propriedades, como eles, tivessem o direito de votar. De 1776 em diante, os direitos de propriedade foram sacralizados e subordinaram todos os outros direitos.</p>
<p>A “liberdade de expressão” era efetivamente restrita a quem detinha os meios de produção material, que, como apontado por Karl Marx e Friedrich Engels em <em>A ideologia alemã </em>(1846), era em geral quem detinha os meios de produção mental, ou seja, a mídia, a começar pela imprensa. Em alguns casos, esse direito se estendia àqueles que sabidamente tinham pouco ou nenhum apoio, ou outros que não representavam ameaça ao sistema. Quem se opunha aos interesses da classe capitalista e tinha a chance de ter algum apoio significativo ficava sujeito não só a repressão, prisão e sanções, como também ao assassinato e à morte pelo uso criminoso da pena capital. A democracia burguesa sempre foi um veículo para proteger os direitos de propriedade. Foi apenas a pressão dos EUA para se defender de projetos socialistas internacionais no século XX e que ampliou temporariamente o direito ao voto para a população negra e aumentou a aparência de liberdade de expressão e outras liberdades civis.</p>
<p>Há um grande mal-entendido internacional sobre os partidos políticos dos EUA. Desde o início, nem os Democratas nem os Republicanos se constituíram como partidos de massa. Os dois são sobretudo associações hierárquicas das elites proprietárias e de aliados da classe média alta, estreitamente alinhados com o <em>status quo</em>. Não há praticamente influência de terceiros no sistema estadunidense, um duopólio de partidos políticos. O Comitê Nacional Democrata e o Comitê Nacional Republicano, que dirigem suas respectivas legendas, são formalmente organizados como empresas sem fins lucrativos e isentas de impostos. Trata-se, na essência, de máquinas de angariar votos baseadas no dinheiro, que em intervalos periódicos atraem eleitores no contexto de disputas eleitorais. Desse modo, são bastante distintos dos partidos políticos por filiação, como são muitas das legendas europeias. Ainda que existam democratas e republicanos filiados, isso afeta sobretudo o direito de votar nas primárias. Portanto, a vinculação partidária da grande maioria da população não vai além do voto que se deposita na urna de uma eleição. Assim, cerca de metade dos eleitores dos EUA se considera politicamente independente, sem vinculação com nenhum dos principais partidos. De fato, nenhum dos dois, quando no poder, reflete os interesses da maioria da população do país.</p>
<p>Uma das composições mais pungentes sobre a hipocrisia da autoproclamada grandeza dos Estados Unidos está em um poema de Langston Hughes:</p>
<blockquote><p>Que a América seja América outra vez.<br>
Que seja o sonho que já foi um dia.<br>
Que seja o pioneiro na planície<br>
Em busca de um lar onde seja livre.</p>
<p>(A América nunca foi América para mim).</p>
<p>Que a América seja o sonho que os sonhadores sonharam —<br>
Que seja aquela grande e forte terra de amor<br>
Onde nunca os reis conspiram nem os tiranos maquinam<br>
Para que se esmague um homem por um que está acima.</p>
<p>(Nunca foi América para mim.)</p>
<p>Ah, que minha terra seja terra onde a Liberdade<br>
se coroe sem falsa patriótica grinalda,<br>
Mas onde a oportunidade seja fato e a vida seja livre,<br>
A igualdade esteja no ar que se respira.</p>
<p>(Nunca houve igualdade para mim,<br>
nem liberdade nesta “pátria dos livres”).</p>
<p>…</p>
<p>Quem falou em livre? Não fui eu?<br>
Decerto não fui eu? Os milhões que estão sendo socorridos hoje?<br>
Os milhões que são abatidos quando fazemos greve?<br>
Os milhões que não têm nada em troca de nosso salário?<br>
Por todos os sonhos que sonhamos<br>
e todas as músicas que cantamos<br>
e todas as esperanças que tivemos<br>
e todas as bandeiras que penduramos,<br>
os milhões que não têm nada em troca de nosso salário —<br>
exceto o sonho que hoje está quase morto.<a href="#_edn115" name="_ednref115"><sup>117</sup></a></p></blockquote>
<p>Grande parte da classe capitalista no Norte Global e seus seguidores se entregaram a um período de euforia causado pelo fim da União Soviética em 1991. Eles se iludiram e acreditaram no “fim da história” com aspirações de um mundo unipolar perpétuo. A campanha da Guerra ao Terror defendida pelos EUA foi uma metodologia construída com brilhantismo para obter apoio ao militarismo.</p>
<p>Entre 2006 e 2009, novas realidades começaram a se estabelecer:</p>
<ul>
<li>O fim da União Soviética não resultou na promessa de Yeltsin de uma Rússia desnuclearizada, nem no estabelecimento permanente de um governo russo que seguisse totalmente as orientações dos EUA. Seguiram-se os gritos habituais de “quem fracassou na Rússia?”.</li>
<li>Os círculos estratégicos dos EUA começaram a anunciar a ideia (amoral e não científica) de que os EUA poderiam alcançar a capacidade de promover um ataque preventivo em uma guerra nuclear.</li>
<li>Diante da contínua expansão da Otan para o leste e das afirmações dos Estados Unidos de que o país estaria prestes a alcançar a primazia nuclear, Vladimir Putin fez um discurso em Munique em fevereiro de 2007, marcando o fim de qualquer ilusão de que a Rússia seria adotada pelo clube anglo-americano. Nesse discurso, Putin criticou o “hiperuso quase incontido da força – força militar – nas relações internacionais” e sugeriu que o mundo não deve ser governado por “um senhor, um soberano”.<a href="#_edn116" name="_ednref116"><sup>118</sup></a></li>
<li>Em 2007, a criação do Centro para uma Nova Segurança Americana (<em>Center for New American Security</em>) marcou um casamento histórico de dois grupos das elites da política externa, os neoconservadores, principalmente republicanos, e os intervencionistas liberais, em grande medida, democratas. Sua estratégia conjunta era atacar imediatamente a Rússia por meio da Ucrânia.</li>
<li>Liderado por neofascistas populistas, o Tea Party surgiu em 2009 e atraiu a pequena burguesia e uma parte dos estratos superiores (sobretudo brancos, ainda que não exclusivamente) da classe trabalhadora que havia feito pouco ou nenhum progresso econômico e temia a perda de privilégios. Isso sinalizou o fim do chamado consenso bipartidário que havia dominado o sistema dos EUA durante décadas.</li>
<li>A bolha causada pela financeirização transformou-se na Terceira Grande Depressão a partir de 2008, a mais relevante crise econômica desde a década de 1930.</li>
<li>Cresciam as evidências de que não haveria Gorbatchov na China para liderar a rendição da Revolução Chinesa.</li>
<li>Concebeu-se a “reorientação para a Ásia”, que é mais precisamente a reorientação para a China e uma estratégia para o controle da Eurásia pelos EUA.</li>
</ul>
<p>A economia da China continuou sua rápida expansão após o início da Terceira Grande Depressão, enquanto as economias ocidentais estavam anêmicas.<a href="#_edn117" name="_ednref117"><sup>119</sup></a> Em 2016, a China ultrapassou os EUA em termos de PIB (PPC), e havia um medo palpável de que, até 2030, também ultrapassasse o PIB em termos de taxa de câmbio corrente (TCC). A classe dominante estadunidense precisava de uma resposta.</p>
<p>O neofascismo e as forças de extrema direita cresceram em todo o mundo. Obama, o presidente democrata, adotou medidas internas regressivas que teriam causado inveja nos governos republicanos anteriores. A eleição de Trump enfraqueceu a identidade compartilhada dos interesses da burguesia e ampliou a consciência sobre as limitações do sistema político dos EUA.</p>
<p>No âmbito internacional, essa situação também marcou a retomada da consciência global de que o imperialismo é o maior perigo enfrentado pela humanidade. Diante do evidente fracasso do neoliberalismo, que culminou na Terceira Grande Depressão, iniciou-se um novo movimento para reverter alguns aspectos do esvaziamento do Estado que o neoliberalismo havia produzido.</p>
<p>Para compreender exatamente os eventos que se seguiram ao início da Terceira Grande Depressão, é preciso avaliar os 60 anos anteriores. Em 1964, o republicano Barry Goldwater, capitalista de extrema direita, perdeu a eleição geral, mas conseguiu trazer a extrema direita para a corrente principal do Partido Republicano e do país. Os democratas perderam a eleição de 1968 para Richard Nixon, republicano de centro, que conquistou o voto da população branca do sul do país e introduziu um novo sistema institucional de encarceramento de base racista, seguido por ambos os partidos desde então. O Partido Democrata iniciou um período de racha interno e começou a abandonar qualquer posicionamento à esquerda em nome da “elegibilidade” e da “triangulação”. Em vez disso, tentou capitalizar o embalo de direita dos republicanos.</p>
<p>A eleição de Ronald Reagan em 1980 marcou a efetiva tomada de controle do Partido Republicano pela extrema direita. Em 1985, a formação do Democratic Leadership Council (DLC), uma empresa privada, marcou o início de uma nova fase do Partido Democrata: a ascensão dos Novos Democratas.  Na lista de alguns ex-presidentes do DLC figuram nomes como Dick Gephardt, Chuck Robb, Sam Nunn e Joe Lieberman – todos defensores do intervencionismo militar, que favoreciam a transferência de gastos sociais para as forças armadas. O DLC conseguiu derrotar a esquerda, e sua maior vitória foi a conquista da presidência pelo candidato de sua escolha, Bill Clinton, em 1992.</p>
<p>Do ponto de vista do DLC, a virtude de Clinton era a possibilidade de trazer o sul branco de volta para o Partido Democrata, com um discurso à esquerda e uma prática à direita. Por exemplo, o então presidente adotou políticas contrárias ao bem-estar social e favoráveis ao encarceramento (duas posições com uma marca racial), ao mesmo tempo em que alegava ter uma agenda progressista. Menos antitrabalhista que Reagan, Clinton representou a estratégia democrata de tentar permanecer no “centro” em uma dinâmica política que havia se deslocado demais à direita, defendendo uma versão mais leve e gentil do neoliberalismo.</p>
<p>É útil pensar que os partidos Democrata e Republicano operam como empresas privadas, com receitas provenientes sobretudo de capitalistas diversos para atender aos interesses dos acionistas e dos principais executivos da corporação. No caso do Partido Democrata, isso inclui grupos como o Comitê Nacional Democrata (<em>Democratic National Committee </em>– DNC) e o Centro para o Progresso Americano (<em>Center for American Progress </em>– CAP).<a href="#_edn118" name="_ednref118"><sup>120</sup></a> O produto vendido são candidatos eleitos que implementam os interesses de seus financiadores. Entre as autoridades mais conhecidas estão John Podesta e Debbie Wasserman Schultz.</p>
<p>Uma vez eleitos, Tony Blair e Hillary Clinton se tornaram parasitas do Estado, ganharam dezenas de milhões de dólares e se juntaram aos escalões mais altos da classe capitalista. Pelo menos 85 das 154 pessoas de grupos de interesse privado que se reuniram ou tiveram conversas telefônicas agendadas com Hillary Clinton, enquanto ela liderava o Departamento de Estado sob o comando do presidente Obama, doaram um total de US$ 156 milhões para a Fundação Clinton.<a href="#_edn119" name="_ednref119"><sup>121</sup></a></p>
<p>O modelo de negócios do DNC exige a montagem de um conjunto díspar de blocos eleitorais e a necessidade de manipular inúmeros estratos, grupos e movimentos sociais. Atualmente, há uma divergência aguda entre os interesses das pessoas que votam no Partido Democrata e os interesses muito diversos dos tesoureiros do partido.</p>
<p>O escopo deste documento não inclui uma avaliação mais abrangente dessa questão. De todo modo, a ideia de uma democracia empresarial, na qual os conceitos de concorrência entre indivíduos e grupos capitalistas e a batalha para obter votos como em um mercado, vem desde Joseph Schumpeter.<a href="#_edn120" name="_ednref120"><sup>122</sup></a></p>
<p>Nos últimos vinte anos, o Partido Republicano se transformou ideologicamente. O surgimento do Tea Party em 2009 sinalizou tanto o crescimento de uma ideologia neofascista quanto a criação de um núcleo e uma base mais engajados. Embora o Partido Republicano também tenha rachas internos, o uso de grandes setores da classe média baixa como arma gerou uma direita radical que desestabiliza a democracia liberal burguesa.</p>
<p>Todas as contradições anteriores de raça, classe, gênero e identidade social foram transformadas em armas tanto pela extrema direita quanto pela corporação DNC para diferentes propósitos. A divisão social entre os diversos estratos dos EUA é aguda. No entanto, afirmações hiperbólicas de que os EUA estão caminhando para uma guerra civil são altamente enganosas. Não há base econômica para a Califórnia se separar dos EUA. Este não é o período pré-guerra civil nos EUA.</p>
<p>A partir de 1970, a classe trabalhadora estadunidense recebeu muito pouco dos vastos aumentos de riqueza criada pela dominação mundial dos EUA. Milhões de crianças sofrem com a insegurança alimentar, e o trabalho e a vida de seus pais estão precarizados. Os EUA estão passando por mudanças demográficas significativas. Algumas estimativas mostram que a população branca não hispânica se tornará minoria nos EUA até 2045, o que sugere que a trajetória do capitalismo racial do país se direciona a uma maior segregação e até mesmo ao <em>apartheid</em>.</p>
<p>O narcisismo, o pessimismo, o niilismo e o fatalismo são hoje características fundamentais de um capitalismo cada vez mais estagnado no Norte Global. As armadilhas tradicionais da democracia liberal burguesa estão se tornando grilhões para as necessidades do capital, que, ironicamente, está envolvido em um processo de autonegação.</p>
<p>Essas fissuras no sistema político dos EUA são importantes para a classe trabalhadora do país, que vive um desenvolvimento muito desigual de sua capacidade revolucionária. São grandes os perigos e as oportunidades. Não se pode ter a ilusão de que “quanto pior melhor”.</p>
<p>Simultaneamente a essa erosão da democracia liberal, milhões de jovens, de Jacarta a Istambul, de Joanesburgo a Des Moines, no estado de Iowa, passaram a participar da vida política com base em sua indignação moral, racial, religiosa e política. Isso foi recebido com severa repressão por Washington em seus papéis geopolíticos, econômicos e militares hegemônicos globais. Os Estados Unidos são uma potência hegemônica em declínio; uma potência ferida e, consequentemente, mais perigosa.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Europa e Japão derrotados e submissos</h2>
<p>Desde o final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos estão comprometidos com a integração militar, política e econômica dos países da Europa e do Japão em um bloco sob seu controle. Por meio da estrutura da Otan+, os EUA garantiram o domínio militar completo dentro do grupo imperialista, instalando diversas bases militares em países derrotados na Segunda Guerra Mundial, inclusive no Japão (120), na Alemanha (119) e na Itália (45). Esta última abriga mais de 12 mil militares estadunidenses.<a href="#_edn121" name="_ednref121"><sup>123</sup></a></p>
<p>A partir da década de 1950, os EUA colocaram as elites políticas europeias em sua órbita. Por meio do Plano Marshall, os interesses econômicos europeus foram subordinados aos dos EUA. Ao longo dos cinquenta anos seguintes, até mesmo os líderes imperialistas que ousaram se opor parcialmente aos interesses dos EUA – como Jacques Chirac (presidente da França entre 1995 e 2007) e Gerhard Schröder (chanceler da Alemanha de 1998 a 2005), ambos contrários à invasão do Iraque – foram alvo de substituição pelos EUA.</p>
<p>Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão, como Estado da linha de frente contra o comunismo soviético e chinês, foi autorizado a desenvolver rapidamente sua economia. No entanto, na década de 1980, a ascensão econômica do país começou a representar uma possível ameaça à hegemonia global dos Estados Unidos, levando ao aumento dos atritos comerciais bilaterais. Os Estados Unidos forçaram uma rápida valorização do iene japonês por meio do “Acordo de Plaza” de 1985, reduzindo as exportações e fazendo com que o Japão perdesse seu impulso econômico.<a href="#_edn122" name="_ednref122"><sup>124</sup></a> Em seguida, após o <em>crash </em>de Wall Street em 1987, os EUA obrigaram o Japão a adotar políticas monetárias e econômicas extremamente frouxas. O objetivo era aumentar o fluxo de capital para os EUA para ajudar a financiar a agressão internacional contra a URSS. Nesse processo, criou-se a “economia da bolha” no Japão, cujo estouro mergulhou o país em uma estagnação econômica que durou décadas.</p>
<p>Nos campos da tecnologia da informação e da nova energia, entre outras áreas de alta tecnologia, o Japão também enfrentou a repressão dos Estados Unidos, o que prejudicou sua modernização industrial. A Toshiba era líder mundial na fabricação de semicondutores em 1987, até sofrer sanções dos EUA sob o pretexto de que estaria fazendo acordos com a URSS (muito semelhante ao que os Estados Unidos fizeram com a chinesa Huawei). Os principais concorrentes da Toshiba, IBM e Intel, se beneficiaram dessa política de Estado dos EUA.</p>
<p>Após a queda da União Soviética e a subsequente reunificação da Alemanha, a burguesia alemã cobiçou os mercados e a energia de baixo custo da Rússia. Havia um desejo de estabelecer laços econômicos com a Rússia, mas somente enquanto, ao lado dos compatriotas franceses, fosse possível manter a dominação irrestrita do projeto europeu, que essa burguesia detinha desde a Segunda Guerra Mundial. Isso significava a construção de laços econômicos com a Rússia, mas a exclusão da liderança política russa de qualquer participação igualitária nos assuntos, nas decisões e nas estruturas políticas da Europa. A estratégia dos EUA, por sua vez, era evitar qualquer relacionamento estratégico entre Rússia e Alemanha, pois sua força combinada criaria um concorrente econômico formidável na Europa.</p>
<p>A propriedade do capital e dos meios de produção é sempre fundamental. Nos últimos 30 anos, a capacidade do capital de se movimentar com agilidade e facilidade entre as fronteiras dos países imperialistas aumentou exponencialmente. Os investimentos de capital têm um número definido de categorias primárias, incluindo ações, títulos, patrimônio privado, títulos da dívida pública, imóveis e muitas formas de derivativos. O mercado de ações é um dos veículos fundamentais para investimentos de longo prazo para a maioria dos capitalistas. Uma empresa alemã pode abrir seu capital nas bolsas de valores dos EUA ou da Alemanha. Grandes fundos, como o Vanguard, compram esses fundos, mas não são os proprietários efetivos, e sim agentes fiduciários efetivos do grande capital. Uma pequena porcentagem desse capital é de propriedade da pequena burguesia e de setores privilegiados da classe trabalhadora por meio de fundos de pensão e outros instrumentos.</p>
<p>Os acionistas originais dessa empresa podem em algum momento vender suas ações, agora abertas, e assim o fazem. Eles não dependem mais da administração de seu patrimônio por meio de seus investimentos em uma única empresa. Em vez disso, contratam gestores patrimoniais, seja por meio de empresas como a Goldman Sachs ou de seus próprios consultores, que, por sua vez, investem os recursos em dinheiro obtidos com a venda das ações. Os consultores de muitos capitalistas farão com que eles invistam bem mais de 50% de sua carteira nos mercados de ações dos EUA. Desse modo, a “riqueza familiar” do capitalista alemão não desaparece quando o valor da empresa alemã da qual ele era originalmente proprietário diminui.</p>
<p>São imensas as consequências econômicas, políticas e sociais dessa mudança nos mercados de capital e na propriedade. Esse novo capitalista global – que antes era “alemão” – se comporta de forma muito semelhante a seus pares franceses, ingleses, suecos e estadunidenses. Esse nível de integração e desnacionalização do capital resulta em uma lealdade aos EUA muito mais robusta em termos econômicos e, no limite, a reforça em termos políticos.</p>
<p>Tamanho nível de integração do mercado de ações e de capital raramente ocorre nos países do Sul Global, por muitas razões históricas. Um capitalista na Turquia tem muito mais dificuldade de abrir o capital de sua empresa nos EUA. O que o capitalista turco pode fazer é abrir o capital na Turquia, vender suas ações, transformar os lucros em dólares estadunidenses e depois investir esses dólares em ações nos EUA. Esse é o caminho mais comum de entrada dos capitalistas turcos na elite global. Esse processo, no entanto, é muito mais competitivo, menos frequente e mais longo, ocorrendo em menor quantidade.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95744 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-37-3-e1706557740726.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-37-5.png"></p>
</div>
<p>A Figura 37 mostra uma pesquisa da OCDE que indica a porcentagem de propriedade estrangeira efetiva de cada um dos principais mercados de ações do mundo.<a href="#_edn123" name="_ednref123"><sup>125</sup></a> Percebe-se que a Europa, de modo geral, tem uma alta porcentagem de propriedade estrangeira, enquanto os EUA, a China e a Arábia Saudita têm menos de 20% de propriedade estrangeira.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95754 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-38-2-e1706557775664.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-38-4.png"></div>
<p>Por exemplo, a situação atual da Alemanha ilustra nitidamente a eficácia desse processo de integração e consolidação econômica dos EUA, conforme mostrado na Figura 38. Segundo dados de 2020 da IHS Markit, apenas 13,3% do valor do mercado de ações alemão está nas mãos de alemães, enquanto investidores da América do Norte e do Reino Unido detêm 58,3%.<a href="#_edn124" name="_ednref124"><sup>126</sup></a> Um estudo de 2023 realizado pela Ernst &amp; Young revelou que, em 2022, pelo menos 52,1% do valor de mercado das 40 ações de maior liquidez que compõem o índice DAX da Alemanha eram de propriedade de fundos de fora do país. Das ações restantes, 16,5% eram de propriedade não identificada (muito provavelmente também de capital estrangeiro), e apenas 31,3% do valor de mercado estava nas mãos de alemães.<a href="#_edn125" name="_ednref125"><sup>127</sup></a> As principais empresas da economia alemã não são, em sua maioria, de propriedade de alemães.</p>
<p>Nos últimos 18 anos, o valor adicionado da indústria da Alemanha caiu de 9% do mundo para pouco mais de 6%.<a href="#_edn126" name="_ednref126"><sup>128</sup></a> É provável que a perda da energia barata russa e sua adaptação a essa dissociação, administrando-se os riscos, tenham efeitos desastrosos para a competitividade internacional do país. Além disso, o advento dos veículos elétricos (VE) levou a um enorme prejuízo com o fim da relevância do motor de combustão. Essa foi uma superioridade tecnológica centenária central desfrutada pela Alemanha.</p>
<p>Em 2022, o IED na Alemanha diminuiu 50,4% em relação ao ano anterior.<a href="#_edn127" name="_ednref127"><sup>129</sup></a> Ao longo de 15 trimestres, a partir do terceiro trimestre de 2019, o PIB da Alemanha aumentou apenas 0,6% no total, em preços constantes, enquanto a China cresceu 20,2% durante o mesmo período e os EUA, 8,1%.<a href="#_edn128" name="_ednref128"><sup>130</sup></a></p>
<p>Na mídia, os EUA dominam não só o Sul Global. O mercado europeu de televisão é, em grande parte, um negócio dos EUA: “Cerca de um em cada cinco (18%) canais de TV privados (excluindo a TV local) é de propriedade dos EUA e mais de um terço de todos os serviços SVOD (39%) e TVOD (33%) na Europa pertencem a alguma empresa dos EUA… Cerca de metade de todos os canais de TV infantil na Europa são de propriedade dos EUA (48%), assim como 59% dos serviços de entretenimento em vídeo sob demanda por assinatura”.<a href="#_edn129" name="_ednref129"><sup>131</sup></a></p>
<p>Conforme demonstrado pela Alemanha no contexto da guerra na Ucrânia, o colapso da “vontade nacional”, da disposição de seguir um caminho que corresponda aos interesses capitalistas nacionais, mostra que o país foi derrotado pela terceira vez desde o início do século XX (as duas primeiras derrotas foram nas guerras mundiais, conforme observado por Hudson).<a href="#_edn130" name="_ednref130"><sup>132</sup></a> Apesar do custo que representaria para si própria, a Alemanha apoiou as sanções contra a Rússia e a ajuda militar à Ucrânia. Quando a guerra de Israel contra Gaza entrou em seu centésimo dia, já tendo matado mais de 23.000 palestinos, a Alemanha – com sua violência histórica na Namíbia e o holocausto doméstico contra o povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial – apoiou Israel na ação apresentada pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça.<a href="#_edn131" name="_ednref131"><sup>133</sup></a></p>
<p>Nos últimos meses de 2023, os representantes políticos do capital alemão no Bundestag levantaram de forma privada e depois introduziram medidas para restringir o comércio com a China sob o pretexto de reduzir riscos. Trata-se de uma evidente contradição com os interesses de curto e médio prazo das empresas alemãs. Marx descreveu as relações entre os capitalistas como uma relação entre um bando de irmãos em guerra.<a href="#_edn132" name="_ednref132"><sup>134</sup></a> Em períodos de crise, o Estado, como órgão da classe dominante, exerce seu papel político, apesar da natureza fissípara das relações intracapitalistas. Hoje, os interesses de curto prazo dos executivos de empresas nominalmente alemãs estão subordinados aos interesses do hiperimperialismo.</p>
<p>Com a formação do Império Alemão (1871-1918), a expansão política e econômica para a Europa Oriental não era apenas uma expansão territorial, mas uma estratégia fundamental. Após a reunificação em 1990, a Alemanha adotou uma estratégia dupla: primeiro, apoiou de forma resoluta a estratégia dos EUA de expansão da Otan com relação à Rússia. Em segundo lugar, liderou uma estratégia simultânea de “penetração de capital” na Rússia com o objetivo de garantir o controle político dos grupos mais ligados aos interesses ocidentais e alemães naquele Estado, contra aqueles que buscavam uma política mais independente. O capital alemão apoiou representantes como o bilionário russo (à época) Mikhail Khodorkovsky. Em 2001, Khodorkovsky criou a Fundação Rússia Aberta, tendo Henry Kissinger no quadro de diretores.<a href="#_edn133" name="_ednref133"><sup>135</sup></a> Em 2004, o russo foi preso por fraude e apropriação indébita após tentar implementar políticas contra Putin.</p>
<p>A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, adotou estratégias duplas de apoio aos preparativos militares contra a Rússia e de organização da oposição interna a Putin. Também orquestrou a construção do gasoduto Nord Stream 2, apesar da enorme resistência dos EUA. No entanto, esta última medida tinha o intuito de atender ao próprio interesse da Alemanha, e não de apaziguar a Rússia ou impedir a expansão da Otan. Em 2014, Merkel organizou a libertação de Khodorkovsky e permitiu uma violação calculada dos acordos de Minsk. Mas a estratégia dupla terminou em fevereiro de 2022, quando a Alemanha, como parceira disposta ao lado dos EUA, e com a ajuda da Ucrânia, decidiu lutar e derrubar a Rússia.</p>
<p>No entanto, a realidade da Alemanha é que, a menos que esteja preparada para romper totalmente com a política estadunidense, o que nenhum setor significativo da burguesia alemã está disposto a considerar, qualquer estratégia que adote fracassará sem o apoio dos EUA. Isso dá aos EUA a vantagem nesse relacionamento. Surge então um paradoxo no qual os EUA queriam manter a inimizade entre Alemanha e Rússia, mas sem apoiar uma vitória total da Alemanha nessa briga. Isso explica, em parte, por que parece que os EUA estão ameaçando cortar o financiamento da Ucrânia. O objetivo estadunidense de destruir as relações entre Alemanha e Rússia já foi alcançado, assim como a vassalagem da Europa e da Alemanha sob pena de desindustrialização desta última.</p>
<p>Os EUA continuarão privando a burguesia alemã de todas as principais opções de afirmação de posições políticas independentes. Com a ajuda das relações de propriedade de capital que descrevemos, a burguesia alemã se deparará com a subsunção absoluta de opções de ação do capital alemão sob a égide dos EUA. A hostilidade em relação à Rússia atua como um impulsionador da subordinação da Europa aos EUA e como uma perda de qualquer possibilidade de desenvolvimento independente.</p>
<p>A situação de contradições antagônicas entre o capital estadunidense e o europeu em questões fundamentais acabou. Existem pequenas diferenças, mas estas não são estratégicas. Pode-se ver a profundidade da subordinação da Europa aos EUA no fato de que apenas 11 dos 49 países do Norte Global não fazem parte de uma conhecida rede de espionagem dos EUA nem participaram da reunião da Otan+ em Vilnius. São eles Andorra, Bósnia e Herzegovina, Chipre, Irlanda, Liechtenstein, Malta, Moldávia, Mônaco, San Marino, Sérvia e Suíça. Coletivamente, essas nações têm 28,3 milhões de habitantes (quase o equivalente à população de Délhi) e um PIB combinado de 1,8 trilhão de dólares (1% do PIB mundial), uma pequena parcela do Norte Global.</p>
<p>Embora fosse membro do grupo secreto Quatorze Olhos, a impotência da Alemanha ficou evidente quando foi revelado que seus líderes eram espionados pelos EUA, e o país foi incapaz de fazer uma mínima queixa. Hoje, a burguesia da Europa se tornou bajuladora das operações de inteligência dos EUA.</p>
<p>Há muito a Otan pressiona a Alemanha a gastar um mínimo de 2% do PIB com as forças armadas, seguindo o que foi chamado de princípio de Cachinhos Dourados (estabelecido na década de 1950), com o objetivo de:</p>
<blockquote><p>… incentivar as contribuições de defesa de aliados de médio porte – por exemplo, a [República da] Coreia durante a Guerra Fria e a Polônia atualmente – e, ao mesmo tempo, ter cautela com aliados maiores, como a Alemanha e o Japão. Dessa forma, busca-se maximizar as contribuições de aliados poderosos o suficiente para oferecer poder militar significativo à aliança, mas não tão poderosos que possam se dar ao luxo de rejeitar a aliança.<a href="#_edn134" name="_ednref134"><sup>136</sup></a></p></blockquote>
<p>Por ordem dos EUA, os governos do Japão apostaram em políticas de provocação contra a China, apesar das grandes vantagens que laços mais estreitos com a China trariam para a economia japonesa. No Reino Unido, a oposição dos EUA ao “período de ouro” das relações com a China promovidas durante o mandato de David Cameron como primeiro-ministro obrigou a reversão dessas relações nos mandatos posteriores, o que levou a consequências prejudiciais para o capital britânico.</p>
<p>Em 2020, o primeiro-ministro Fumio Kishida estabeleceu metas de gastos de 43 trilhões de ienes (US$ 316 bilhões) para os cinco anos seguintes.<a href="#_edn135" name="_ednref135"><sup>137</sup></a> O país já tem o segundo maior número de aeronaves avançadas F35 do mundo (depois dos EUA) e assinou um acordo naquele ano para comprar outros 105 caças – que podem ser equipados com armas nucleares. O país revisou sua estratégia de segurança nacional para permitir o desenvolvimento de uma capacidade de ataque preventivo e de utilização de mísseis de longo alcance.<a href="#_edn136" name="_ednref136"><sup>138</sup></a></p>
<p>O rearmamento das duas principais potências fascistas da Segunda Guerra Mundial deve ser considerado um crime. Um perigoso movimento revanchista está ressurgindo na Alemanha. A diferença é que, desta vez, eles fazem parte do bloco militar liderado pelos EUA.</p>
<h1>PARTE V: Mudanças na ordem mundial</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">Um deslocamento da base econômica para o Sul</h2>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95764 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-39-2-e1706557871471.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-39-4.png"></div>
<p>Enquanto os países do Norte Global vêm enfrentando um declínio prolongado do crescimento econômico, os países do Sul Global, sobretudo na Ásia, apresentam uma trajetória de crescimento econômico mais alta nos últimos trinta anos. Como pode-se observar na Figura 39, no final da Guerra Fria, em 1993, o Norte Global respondia por 57,2% do PIB global (PPC), enquanto o Sul Global respondia por apenas 42,8%. Trinta anos depois, essas proporções se inverteram definitivamente: a participação do Sul Global chegou a 59,4%, e o Norte Global detém 40,6%.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95852 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-40-2-e1706620004888.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-40-4.png"></div>
<p>O G7 (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão) é o núcleo econômico do bloco do Norte Global. Em 1993, esses sete países representavam 45,4% da economia global. Enquanto isso, as economias mais importantes do Sul Global, que mais tarde viriam a ser conhecidas como Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), representavam apenas 16,7% da economia global naquele ano. Entre eles, a Rússia tinha acabado de emergir após a dissolução da União Soviética, e a China estava aprofundando suas reformas econômicas e estabelecendo uma economia socialista de mercado. Na época, nem a Rússia nem a China eram concorrentes do G7. Trinta anos depois, os países do Brics já representavam 31,5% da economia global, tendo ultrapassado o G7 (30,3%), conforme mostrado na Figura 40.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95862 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-41-2-e1706620060744.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-41-4.png"></div>
<p>Em agosto de 2023, o Brics se expandiu com o convite para a inclusão de seis países: Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Irã e Argentina (embora a Argentina tenha temporariamente recusado o convite). O Brics 10 (sem a Argentina) acrescentou quase 4% à participação do Brics no PIB mundial (PPC), conforme mostrado na Figura 41.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95872 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-42-2-e1706620094729.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-42-4.png"></div>
<p>Nos últimos trinta anos, os Estados Unidos, líder absoluto do Norte Global, viu sua participação na economia mundial cair lentamente em termos de PPC, de 19,7% em 1993 para 15,5% em 2022. Enquanto isso, no Sul Global, a rápida ascensão da China tem sido a variável mais notável. Em 1993, a China representava apenas 5% da economia mundial (Figura 42); já em 2016, sua economia ultrapassou a dos Estados Unidos em termos de PPC e, em 2022, sua participação na economia mundial chegou a 18,4%. Isso marca a primeira vez, em mais de 600 anos, que um país não dominado por brancos rompeu economicamente a hegemonia dos países imperialistas brancos. Essa realidade econômica fez com que os EUA começassem a tentar suprimir com urgência a ascensão da China.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95882 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-43-2-e1706620169309.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-43-4.png"></div>
<p>Entretanto, seria um equívoco considerar a China como a única fonte de crescimento do Sul Global. Mesmo sem o país, as economias do Sul Global já haviam ultrapassado as do Norte Global em 2022, sendo suas respectivas participações na economia global de 41% e 40,6% (Figura 43). O desenvolvimento econômico geral do Sul Global proporcionou objetivamente a capacidade de buscar uma ordem internacional mais justa, o que é contrário aos desejos do bloco imperialista do Norte Global.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95892 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-44-2-e1706620219943.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-44-4.png"></div>
<p>Identificamos todos os 43 países cuja participação no PIB mundial (PPC) chega a 41,1% (Figura 44) e que fazem parte de uma ou mais das três novas organizações internacionais que não são controladas por imperialistas: Brics 10 (fundado em 2009, ampliado em 2010 e 2023), Organização para Cooperação de Xangai (fundada como “Cinco de Xangai” em 1996, ampliada em 2001, 2017 e 2023) e o Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas (fundado em 2021). A lista completa é apresentada em seção posterior.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95902 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-45-3-e1706620257488.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-45-5.png"></div>
<p>A Figura 45 mostra a taxa média de crescimento anual do PIB (PPC) per capita registrada na última década pelas 21 maiores economias do Sul Global e pelos países do G7. A taxa de crescimento da China (5,8%) continua a liderar entre os países selecionados. A taxa de crescimento da Ásia é geralmente mais alta do que a de outros países do Sul Global. Os cinco países seguintes com as maiores taxas de crescimento são Bangladesh (5,3%), Vietnã (4,9%), Índia (4,6%), Filipinas (3,3%) e Indonésia (3,1%). Com exceção dos Estados Unidos, o restante dos países do G7 tem uma taxa média de crescimento per capita inferior a 1%. Lamentavelmente, as maiores economias da África e da América Latina tiveram um crescimento per capita negativo: Nigéria e África do Sul, com -0,4%, e Brasil e Argentina, com 0% e -0,7%, respectivamente.</p>
<p>Obviamente, reconhecemos que as próprias taxas de crescimento podem mascarar as intensas lutas de classe travadas nos países, onde a parcela do crescimento não é de modo algum distribuída de forma equitativa entre capital e trabalho. Entretanto, seria um erro ignorar as taxas de crescimento e o que suas linhas de tendência descrevem.</p>
<p>Uma das mudanças mais significativas ocorrida nos últimos 20 anos na economia mundial foi uma guinada radical na geografia da produção industrial mundial.</p>
<p>O Banco Mundial divulga a porcentagem da indústria no PIB utilizando os preços correntes e as taxas de câmbio correntes, o que este estudo chama de método da Taxa de Câmbio Corrente (TCC). Atualmente, não temos conhecimento de nenhuma divulgação das porcentagens da indústria calculando-se o PIB (PPC).</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95912 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-46-2-e1706620450581.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-46-4.png"></div>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95922 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-47-2-e1706620488248.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-47-4.png"></div>
<p>As Figuras 46 e 47 mostram as mudanças na porcentagem do valor adicionado da indústria no PIB, tanto em termos de TCC quanto de PPC, nos últimos 18 anos. É provável que os números da participação do valor adicionado mundial da indústria estejam em algum ponto entre a TCC e a PPC. Os gráficos subsequentes desta série apresentam apenas o método PPC e têm as mesmas qualificações da primeira série.<a href="#_edn137" name="_ednref137"><sup>139</sup></a></p>
<p>O que vemos é que há, de fato, uma mudança na base da economia, na qual o Sul Global abriga a parcela majoritária. Apesar de muitas previsões acerca de uma nova sociedade pós-industrial, nenhum país importante alcançou a modernização sem industrialização.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95932 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-48-2-e1706620555986.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-48-5.png"></div>
<p>A participação do Brics 10 no valor adicionado da indústria mundial representa, em 2022, o dobro da participação do G7 (Figura 48).</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95942 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-49-2-e1706620808221.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-49-4.png"></div>
<p>Os resultados mostram o seguinte em relação ao valor adicionado da indústria como porcentagem do PIB mundial (PPC):</p>
<ul>
<li>A China é o principal país industrial do mundo, com uma participação de 25,7% no valor adicionado, enquanto os EUA detêm apenas 9,7%.</li>
<li>O Sul Global tem uma participação de 69,4%, enquanto o Norte Global tem uma participação de 30,6%.</li>
<li>O Brics 10 tem uma participação de 44% e supera o G7.</li>
<li>A participação de Japão, Alemanha, França e Reino Unido também está diminuindo, enquanto a da Índia está aumentando (Figura 49).</li>
</ul>
<p>Utilizamos a porcentagem do Banco Mundial para a indústria multiplicada pelo PIB anual (PPC) de cada país, em cada ano, para obter o valor adicionado da indústria com base em cada país. Em seguida, utilizamos esses números para calcular a porcentagem do valor adicionado total da indústria mundial, por país e categoria de grupo de países. Há algumas limitações e questões complexas relacionadas a essa metodologia.</p>
<p>Alguns economistas tentaram minimizar essa mudança. Há argumentos de que, com os monopólios do dólar estadunidense e a propriedade de grandes corporações multinacionais, os números do PIB exageram a mudança. No mínimo, não se pode dizer que a China tenha toda a sua produção sob o controle dos EUA. Mesmo na Índia, é um erro subestimar a importância de uma grande e crescente burguesia nacional (embora grande parte dela seja politicamente reacionária). A transferência da produção industrial para o Sul Global só poderia ter ocorrido com melhorias maciças em sua infraestrutura.</p>
<p>Ao se despedir do presidente russo Vladimir Putin durante sua visita de Estado em março de 2023, o presidente chinês Xi Jinping afirmou: “Neste momento, há mudanças – como não víamos há 100 anos – e somos nós que estamos conduzindo essas mudanças juntos”.<a href="#_edn138" name="_ednref138"><sup>140</sup></a> A Eurásia é agora o palco central para determinar o futuro do próximo período da existência humana.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Estratégia dos EUA para coibir o crescimento econômico e a influência da China</h2>
<p>Em 2007, Vladimir Putin proferiu um famoso discurso em Munique, criticando o domínio monopolista dos EUA e “o hiperuso quase incontido da força – força militar – nas relações internacionais, força que está mergulhando o mundo em um abismo de conflitos permanentes”.<a href="#_edn139" name="_ednref139"><sup>141</sup></a> No mesmo ano, foi criado o Centro para uma Nova Segurança Americana (<em>Center for New American Security</em> – CNAS). Em 2009, telegramas secretos dos EUA para Washington, revelados pelo Wikileaks, afirmavam:</p>
<p>Xi sabe o quanto a China é corrupta e sente repulsa pela ampla comercialização da sociedade chinesa e seus consequentes novos-ricos, pela corrupção entre funcionários do governo, pela perda de valores, dignidade e respeito próprio, além dos “males morais” como drogas e prostituição… Quando Xi assumir o comando do partido, ele poderá tentar resolver esses males de forma agressiva, talvez às custas da nova classe endinheirada.<a href="#_edn140" name="_ednref140"><sup>142</sup></a></p>
<p>Os alarmes estavam tocando em Langley e Foggy Bottom. O sonho do Ocidente de ver surgir um “Gorbatchov chinês” foi destruído em 2012 e ficou nítido que não havia derrota iminente à vista para uma China que ascendia economicamente. Assim, a estratégia de reorientação para a Ásia começou a integrar seus aliados para conter o país. A então secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, declarou publicamente que “o século XXI será o século do Pacífico dos Estados Unidos”.<a href="#_edn141" name="_ednref141"><sup>143</sup></a> Em contrapartida, Xi Jinping disse ao presidente dos EUA, Barack Obama, que “o Oceano Pacífico é grande o suficiente para acomodar o desenvolvimento tanto da China quanto dos Estados Unidos”.<a href="#_edn142" name="_ednref142"><sup>144</sup></a></p>
<p>Em 2016, o PIB da China, calculado pela paridade do poder de compra, já havia ultrapassado o dos Estados Unidos. Em 2020, o Centro de Pesquisa Econômica e Empresarial (<em>Centre for Economics and Business Research</em>) previu que, em 2028, o PIB da China, medido em dólares estadunidenses, ultrapassaria o dos EUA, uma previsão que se tornou uma “barreira demoníaca”.<a href="#_edn143" name="_ednref143"><sup>145</sup></a> As autoridades estadunidenses definiram a China reiteradamente como a ameaça estratégica mais significativa que o país e o Norte Global enfrentam.</p>
<p>O declínio relativo do poder dos EUA, a ascensão da China socialista e o crescimento econômico do Sul Global são os principais motivos por trás da subordinação ativa e da subsequente integração, pelos EUA, do restante dos países imperialistas. Isso levou a um bloco militar, político e econômico completamente sob o controle dos EUA. Em 1998, o ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA, Zbigniew Brzezinski, alertou: “O cenário mais perigoso seria uma grande coalizão entre China, Rússia e talvez Irã… não por um amor repentino entre eles, mas por uma oposição compartilhada à potência predominante (os EUA)”.<a href="#_edn144" name="_ednref144"><sup>146</sup></a></p>
<p>Formado por uma combinação de neoconservadores e liberais defensores do intervencionismo, o CNAS gerou um núcleo de quadros das elites políticas dos EUA – dos dois partidos – que se concentrou no desenvolvimento de uma nova estratégia geopolítica para os EUA. Em 2021, ignorando o aviso de Brzezinski, o Centro começou a promover publicamente a preparação para guerras simultâneas. Entre as figuras importantes do CNAS estão o secretário de Estado Antony Blinken, o vice-secretário de Estado Kurt Campbell e a ex-subsecretária de Políticas de Defesa Michèle Flournoy. Ex-funcionários e consultores do CNAS têm permeado os órgãos estratégicos do Estado, inclusive o Conselho de Segurança Nacional.</p>
<p>O Conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan, embora não seja membro do CNAS, agora desempenha um papel dominante na presidência e segue a mesma estratégia internacional. Em abril de 2023, Sullivan fez um discurso intitulado “Renovando a liderança econômica americana” no Brookings Institute.<a href="#_edn145" name="_ednref145"><sup>147</sup></a> Esse discurso foi relevante por três motivos. Primeiro, é muito incomum que um discurso tão importante sobre a economia dos EUA seja proferido por um Conselheiro de Segurança Nacional. Historicamente, esses conselheiros, como Henry Kissinger, restringem-se ao âmbito da segurança nacional, da geopolítica e dos assuntos militares. Em segundo lugar, o discurso de Sullivan buscou criar um “novo Consenso de Washington” para restabelecer a hegemonia econômica dos EUA. Terceiro, Sullivan reconheceu a profundidade da crise estrutural dos EUA, incluindo sua estagnação econômica.</p>
<p>Esse plano econômico é necessário para dar suporte à expansão militar. Em julho de 2023, os EUA propuseram um projeto de lei para acrescentar US$ 345 milhões em ajuda militar a Taiwan.<a href="#_edn146" name="_ednref146"><sup>148</sup></a> De Tel Aviv a Kiev e Taipei, os EUA estão intensificando operações militares até as portas da Eurásia.</p>
<p>As guerras frias, necessariamente associadas a conflitos entre potências nucleares, são sempre perigosas. Em 1988, Edward Herman e Noam Chomsky publicaram <em>A manipulação do público: Política e poder econômico no uso da mídia</em>, no qual criticavam o “modelo de propaganda” utilizado pela mídia corporativa dos EUA, muitas vezes em parceria com o Estado. Os autores já apontavam isso muito antes de esse sistema poder se valer das novas ferramentas tecnológicas de vigilância e comunicação direcionada que caracterizam a era digital. Graças às denúncias de Edward Snowden, o mundo pôde vislumbrar a vasta expansão do controle dos EUA sobre todas as comunicações e a forma como integraram todas as plataformas do monopólio tecnológico de TI dos EUA em adjuntos da infraestrutura de segurança nacional dos EUA.</p>
<p>“Colete tudo” foi como um ex-oficial sênior de inteligência descreveu a abordagem do ex-diretor da Agência de Segurança Nacional, Keith Alexander, com relação à coleta de dados. Todos os e-mails, todas as chamadas telefônicas e mensagens de texto de todos os tipos (incluindo os do WhatsApp, Telegram e Signal), cada toque de tecla e cada URL, tudo da grande maioria da população mundial é capturado (fora da China, da Rússia e de alguns outros países). Esses dados são armazenados em imensas redes de discos rígidos em locais como Bluffdale, no estado de Utah. Os EUA criaram uma rede global capaz de captar e administrar quase todos os pacotes de dados de todos os cabos submarinos de fibra óptica, todo o tráfego de celulares e o tráfego de dados via satélite.</p>
<p>Apesar da hegemonia militar, o capital ainda precisa de algo próximo do consentimento. Com o tempo, novas técnicas, como o aprendizado de máquina, proporcionaram um salto qualitativo na capacidade dos EUA de conduzir uma guerra psicológica secreta contra o povo, o Sul Global e suas populações.<a href="#_edn147" name="_ednref147"><sup>149</sup></a> Os modelos econômicos de todas as empresas de mídia entraram em colapso com o advento da internet e a criação de monopólios econômicos de tecnologia, que desintermediaram todos os lucros da mídia. Começou uma nova era de total transformação de meios de comunicação em arma – um desdobramento que faz parte da estratégia geral de guerra híbrida (incluindo sanções econômicas e isolamento diplomático), utilizada pelo <em>establishment </em>dos EUA em todo o mundo.</p>
<p>A reorientação para a Ásia, que na realidade volta-se para a China, começou formalmente em 2012, sob o comando de Obama. Os EUA combinaram estratégias diplomáticas, econômicas, políticas e de propaganda para tentar conter, a princípio, o desenvolvimento econômico da China e, posteriormente, sua crescente influência em instituições como o Brics. A partir de 2016, Trump tentou evitar o conflito com a Rússia e começou a concentrar todas as energias dos EUA contra a China.</p>
<p>Nos últimos oito anos, os EUA utilizaram um conjunto de temas selecionados com curadoria para definir a narrativa da mídia ocidental sobre a China. Apesar dos milhões de pessoas muçulmanas mortas pelas mãos das forças da Otan no Iêmen, na Síria, no Iraque e no Afeganistão, o Ocidente conseguiu integrar seu formidável conjunto de recursos de <em>soft power </em>para travar uma guerra fria virulenta contra a China. Até o principal agente de propaganda nazista, Joseph Goebbels, teria se espantado com a arrogância do Ocidente ao reivindicar o manto dos direitos humanos e tentar usar Xinjiang como ponto de ataque contra a China.</p>
<p>Lawrence Wilkerson, ex-chefe de gabinete do secretário de Estado Colin Powell e ex-coronel do exército, observou que um importante objetivo estratégico da invasão militar dos EUA e de sua longa presença no Afeganistão era conter a Nova Rota da Seda da China (2013-atual) e criar divisões étnicas e agitação social em Xinjiang.<a href="#_edn148" name="_ednref148"><sup>150</sup></a> Os veículos <em>The New York Times</em>, <em>The Guardian </em>e <em>BBC </em>se tornaram os principais apoios em uma campanha de operação psicológica característica dos EUA.</p>
<p>Como explicamos na análise das economias ocidentais, não é irracional que o Ocidente procure retardar o crescimento da China. O ponto central do próximo estágio de desenvolvimento chinês é a promoção de uma economia de dupla circulação, ou seja, aumentar o peso do mercado interno e, ao mesmo tempo, continuar a aumentar seu comércio internacional, passar a um desenvolvimento de alta qualidade e promover o desenvolvimento econômico das províncias do oeste do país. O ataque a Xinjiang atende simultaneamente a muitos interesses ocidentais: enfraquece as estratégias de crescimento interno da China, isola o país internacionalmente, mascara a violência dos EUA contra os países muçulmanos e mantém o apoio a grupos extremistas para desestabilizar seus adversários.</p>
<p>As alegações forjadas de genocídio entre a população uigur em Xinjiang, sem nenhuma comprovação pelo Departamento de Estado dos EUA, permitiram que o governo dos EUA impusesse sanções à China, com o objetivo de atingir toda a cadeia do setor têxtil chinês, que exporta mais de US$ 300 bilhões e responde por mais de um terço das exportações têxteis do mundo, ocupando o primeiro lugar no ranking global.<a href="#_edn149" name="_ednref149"><sup>151</sup></a> Mas, apesar dessas sanções, o comércio exterior de Xinjiang aumentou 51,25% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 30 bilhões nos três primeiros trimestres de 2023, e o comércio com cinco nações da Ásia Central cresceu 59,1%.<a href="#_edn150" name="_ednref150"><sup>152</sup></a> A China acaba de anunciar uma zona de livre comércio em Xinjiang para promover a conectividade com os países da região da Nova Rota da Seda.</p>
<p>Além da guerra de “<em>soft power</em>“, os EUA não pouparam esforços para conter o desenvolvimento da China em setores de alta tecnologia, sobretudo para enfraquecer a capacidade chinesa de produzir ou mesmo comprar chips semicondutores de ponta. Ao impor uma competência de longo alcance sobre tecnologias como as máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) fabricadas pela empresa holandesa ASML, os EUA buscam impedir que a China entre no futuro da tecnologia dos chips. O governo Biden acredita que o impacto disso vai muito além de enfraquecer os avanços militares da China, mas também ameaçará o crescimento econômico e a liderança científica do país.</p>
<p>Gregory C. Allen, diretor do Projeto de Governança de Inteligência Artificial e membro sênior do Programa de Tecnologia Emergente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, acredita que a mensagem transmitida pelos controles de exportação contra a China, emitidos pelo Escritório de Indústria e Segurança (<em>Bureau of Industry and Security – </em>BIS) dos EUA, em outubro de 2022, faz parte de “uma nova política dos EUA de estrangular ativamente grandes segmentos do setor de tecnologia chinês – estrangular com a intenção de matar”.<a href="#_edn151" name="_ednref151"><sup>153</sup></a> C.J. Muse, analista da indústria nos EUA, declarou: “Se você me falasse sobre essas regras cinco anos atrás, eu teria dito que trata-se de um ato de guerra – seria necessário estar em guerra”.<a href="#_edn152" name="_ednref152"><sup>154</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95952 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-50-2-e1706621019673.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-50-5.png"></div>
<p>Apesar das severas restrições impostas pelos EUA, a China continua crescendo mais do que o Norte Global (Figura 50).</p>
<p>Por meio da Nova Rota da Seda, a China fortalece suas conexões econômicas com o Sul Global. De 2013 a 2022, o volume total de comércio da China com os países participantes da Nova Rota da Seda atingiu US$ 19,1 trilhões, com um aumento médio anual de 6,4%. O investimento bilateral acumulado ultrapassou US$ 380 bilhões, e o investimento estrangeiro direto da China ultrapassou US$ 240 bilhões. Os novos projetos contratados pelo país atingiram US$ 2 trilhões, concluindo um volume de negócios acumulado de US$ 1,3 trilhão.<a href="#_edn153" name="_ednref153"><sup>155</sup></a></p>
<p>Ironicamente, a contenção dos EUA nos campos de alta tecnologia apenas fortaleceu a determinação da China de ser autossuficiente em inovação. Nos últimos anos, o país asiático fez avanços significativos em inovação independente em chips de ponta, veículos elétricos e tecnologia digital, tornando o bloqueio e a contenção dos EUA em campos da alta tecnologia cada vez mais impraticáveis.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">O Norte Global empurrando o mundo para a guerra</h2>
<p>A ascensão pacífica dos países do Sul Global, liderada pela Ásia e sobretudo pela China, representa um desafio econômico abrangente ao domínio mundial imperialista. É a primeira vez em 600 anos que as potências imperialistas do Atlântico se deparam com uma força econômica não branca capaz de se contrapor a elas.</p>
<p>Para conter a ascensão da China, os EUA estão intensificando a integração interna dentro do campo imperialista, permitindo e exigindo o rearmamento de dois países fascistas derrotados na Segunda Guerra Mundial, Japão e Alemanha. De forma unânime, os líderes políticos dos EUA consideram essencial conter e derrotar a China, como um inimigo estratégico central, e deram início a uma nova guerra fria. Os líderes militares estadunidenses fazem declarações alarmantes sobre a China. O objetivo geopolítico dos EUA é derrubar os regimes da China e da Rússia, desnuclearizar e, se possível, desmembrar os dois países, dividi-los em vários países pequenos e garantir que nunca mais possam desafiar sua hegemonia militar e econômica.</p>
<p>Na fronteira ocidental da Rússia, a expansão da Otan para o leste levou a questão da segurança da Ucrânia a um ponto crítico de ebulição. Antes da dissolução da União Soviética, os Estados Unidos haviam prometido a Gorbatchov que a Otan não se expandiria para o leste, já que sua missão original – combater a União Soviética e conter o comunismo europeu – havia terminado com o fim da Guerra Fria. No entanto, a Otan não cumpriu esse “acordo de cavalheiros” e incorporou 14 novos Estados-membros, incluindo diversas antigas repúblicas soviéticas. Em 2018, a Ucrânia alterou sua Constituição para priorizar a entrada na Otan e na União Europeia como estratégia nacional, o que representa uma ameaça significativa à segurança nacional da Rússia. Como Kiev está localizada a apenas 760 km de distância de Moscou, permitir que a Otan implante armas nucleares na Ucrânia constituiria uma ameaça militar incontrolável para a Rússia.</p>
<p>Ao mesmo tempo, as forças neonazistas no oeste da Ucrânia estavam em ascensão. Em janeiro de 2022, foram realizadas procissões com tochas em cidades como Kiev e Lviv, comemorando o aniversário do colaborador nazista Stepan Bandera. Em conflitos anteriores, extremistas nacionalistas da mesma região hasteavam bandeiras nazistas e ameaçavam aniquilar ucranianos do leste do país e pessoas favoráveis à Rússia. A população russa étnica do leste da Ucrânia teve que organizar a resistência e buscar ajuda russa. Nessas circunstâncias, a Rússia lançou uma “operação militar especial” na Ucrânia, essencialmente enfrentando um confronto direto com a força militar da Otan.</p>
<p>No Pacífico Ocidental, os Estados Unidos fazem tentativas contínuas de alimentar as tensões em torno do Mar do Sul da China e de Taiwan. Em agosto de 2022, apesar da forte oposição e das demonstrações diplomáticas de descontentamento da China, a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, visitou Taiwan, cometendo uma grave violação do princípio de “Uma só China” e das disposições dos três comunicados conjuntos EUA-China, afetando seriamente a base política das relações sino-estadunidenses. É importante lembrar que, em 1972, no comunicado de Xangai, os Estados Unidos aceitaram a política de “Uma só China”, que reconhece que existe apenas uma China e que Taiwan não é um Estado soberano separado. Em agosto de 2023, a Marinha dos EUA, juntamente com as forças do Canadá e da República da Coreia, realizou exercícios militares conjuntos no Mar do Japão e no Mar Amarelo.<a href="#_edn154" name="_ednref154"><sup>156</sup></a> No entanto, os exercícios terminaram abruptamente após, apenas cinco horas, devido às mobilizações militares direcionadas da China.<a href="#_edn155" name="_ednref155"><sup>157</sup></a> Desde que Ferdinand Marcos Jr. assumiu a presidência das Filipinas, em junho de 2022, o país abriu diversas bases militares para os EUA, fortaleceu os laços de segurança com a Austrália e o Japão e desencadeou disputas com a China sobre questões de soberania no Mar do Sul da China. Navios de guerra dos EUA, do Canadá, da Austrália e de outros países também patrulham e fazem exercícios com frequência no Mar do Sul da China, provocando diversos contatos imediatos e atritos com a Marinha chinesa.</p>
<p>Até o momento, diante das contínuas provocações dos Estados Unidos e de seus aliados, a China tem mantido uma postura contida, esforçando-se para evitar conflitos militares com esses países, pois um confronto desse tipo poderia se transformar em uma guerra nuclear global. No entanto, Taiwan tem uma importância especial. Como parte da China historicamente e segundo a lei internacional, a continuação da separação de Taiwan significa que não houve fim para a guerra civil da China e até mesmo para o “século de humilhação”, que começou com as Guerras do Ópio em 1840. A divisão de Taiwan é inaceitável para a China, mesmo que isso signifique o risco de uma guerra direta contra os Estados Unidos.</p>
<p>Com o apoio direto de Biden e Blinken, Israel está promovendo uma limpeza étnica e o genocídio da população civil palestina em Gaza. A situação deixa evidente a verdadeira face do campo imperialista do Norte Global como um coletivo de colonizadores brancos: quando surgem conflitos entre colonos brancos e pessoas não brancas colonizadas, o campo imperialista apoia em uníssono o lado dos colonos.</p>
<p>As fraturas na Ucrânia e na Palestina exacerbaram a polarização dos social-democratas, sendo que alguns de seus setores se mostraram incapazes de superar o desejo de aceitabilidade e de se unir a um movimento robusto pela paz.</p>
<p>Voltemos à citação da Otan e da UE de que estariam “protegendo nosso bilhão de cidadãos, preservando nossa liberdade e democracia… contra todas as ameaças”. Essa frase, que aparece no primeiro parágrafo do comunicado da Otan-UE de 2023, descreve nitidamente a estrutura do mundo atual: o campo imperialista, centrado nos EUA e baseado na infraestrutura da Otan, está totalmente unido e mobilizado militar, política e economicamente, pronto para sufocar quaisquer forças emergentes que possam representar uma ameaça ao seu status hegemônico. Essa inédita e imensa pressão imperialista obrigou muitos no “resto do mundo” (aqueles que estão fora do campo imperialista) a identificar estruturas e identidades alternativas de autopreservação.</p>
<h1>EPÍLOGO: Uma alternativa política e econômica plausível para a ordem mundial</h1>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95962 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-51-3-e1706621129234.png" alt="" width="793" height="950" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-51-5.png"></div>
<p>Vinte e cinco anos após a publicação do livro <em>O grande tabuleiro de xadrez </em>(1997), de Zbigniew Brzezinski, identificando este como o maior perigo geopolítico para os EUA, a China, a Rússia e o Irã realmente se aproximaram em diversos campos, incluindo economia, política e segurança. Não por coincidência, são os únicos três países que fazem parte do Brics 10, da Organização de Cooperação de Xangai e do Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas (Figura 51). A força motriz por trás dessa convergência – exatamente como Brzezinski previu – é a crescente pressão hegemônica do grupo imperialista liderado pelos Estados Unidos. Em comparação com a Otan, que é altamente unificada em termos de ideologia, comando militar e compartilhamento de inteligência, não há nenhuma organização internacional anti-imperialista comparável. Ainda assim, três organizações internacionais influentes surgiram no Sul Global:</p>
<ul>
<li>O Brics, iniciado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é um mecanismo de cooperação econômica que se expandiu para 17 parceiros de cooperação oficiais e não oficiais após a cúpula do Brics realizada em agosto de 2023. O Brics 10 representa 45,5% da população mundial, 35,6% do PIB (PPC) e 44% da produção industrial global. O Novo Banco de Desenvolvimento do Brics começou com US$ 100 bilhões em investimento de capital e sua estrutura de reserva de contingência também detém US$ 100 bilhões.<a href="#_edn156" name="_ednref156"><sup>158</sup></a></li>
<li>A Organização de Cooperação de Xangai (OCX) começou com foco em questões de segurança. Reúne países do continente eurasiano – desde países com grande desempenho econômico, como China, Índia e Turquia, até os principais países da Opep, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, além de membros da Liga dos Estados Árabes – para enfrentar os desafios de segurança por meio de abordagens multifacetadas de desenvolvimento. A OCX representa 60% do território eurasiano, um quarto do PIB mundial e 40% da população global.<a href="#_edn157" name="_ednref157"><sup>159</sup></a> Em julho de 2023, Xi Jinping propôs a criação de um banco de desenvolvimento da OCX.</li>
<li>O recém-criado Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas (ACNU) busca defender o multilateralismo e se opor à hegemonia e ao unilateralismo dentro do marco da Carta das Nações Unidas. Atualmente, esse grupo tem 20 países-membros e foi iniciado pela Venezuela. Sobre a questão da Palestina, o grupo apoia a justa demanda pela independência nacional do povo palestino, apoia a candidatura da Palestina para se tornar um membro formal das Nações Unidas e defende o estabelecimento de um Estado palestino independente, tendo Jerusalém Oriental como capital.</li>
</ul>
<p>Ao atingir seu marco de 10 anos, a Nova Rota da Seda também teve um impacto significativo no Sul Global. Até o momento, com um investimento que ultrapassa US$ 1 trilhão, a NRS tem sido uma força fundamental no desenvolvimento de infraestrutura no Sul Global.<a href="#_edn158" name="_ednref158"><sup>160</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95972 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-52-3-e1706621189434.png" alt="" width="793" height="950" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-52-5.png"></div>
<p>Ao contrário do campo imperialista, as principais aspirações dos países do Sul Global são a soberania, o desenvolvimento e a conquista da paz. Especificamente, eles compartilham pelo menos oito desafios e oportunidades (Figura 52), descritos a seguir:</p>
<ul>
<li><strong>Multilateralismo:</strong> Engajamento em diálogos multilaterais profundos e cooperação entre os países do Sul Global sem depender de articulações oferecidas pelos países do Norte Global.</li>
<li><strong>Nova modernização: </strong>Construção da integração econômica regional por meio de corredores e eixos econômicos dentro do Sul Global para concretizar economias de escala em nível continental.</li>
<li><strong>Desdolarização: </strong>Redução da dependência do dólar estadunidense (sobretudo para os países que enfrentam sanções) no comércio internacional por meio de mecanismos como transações em moeda local, <em>swaps </em>cambiais e moedas regionais comuns.</li>
<li><strong>Inovação liderada pelo Sul Global:</strong> Promoção da inovação tecnológica democrática e aberta entre os países do Sul Global. Isso inclui a redução do ágio econômico proporcionado pelos monopólios de propriedade intelectual em áreas como medicina, novas energias e tecnologia da informação.</li>
<li><strong>Reparações e resolução da dívida:</strong> Enfrentamento à armadilha do endividamento centenário imposto pelos países imperialistas, por meio de negociações coletivas para reduções e compensações.</li>
<li><strong>Soberania alimentar: </strong>Garantia do direito dos povos e dos Estados de definir sua política agrícola e alimentar, sem qualquer <em>dumping </em>em relação a outros países, corporações transnacionais e acordos de livre comércio.</li>
<li><strong>Soberania digital: </strong>Aumento da capacidade dos países do Sul Global de controlar os espaços digitais em termos de hardware, software, dados, conteúdo, padrões e regulamentações, e construção de alternativas às plataformas digitais monopolizadas pelos EUA.</li>
<li><strong>Justiça ambiental:</strong> Formulação de planos justos de alocação de direitos de emissão e exigências aos países imperialistas para que compensem sua poluição cumulativa de longo prazo. A financeirização da natureza é um beco sem saída para o Sul Global.</li>
</ul>
<p>A humanidade enfrenta uma potência militar perigosa e implacável. Os EUA estão em uma marcha para rearmar as duas principais potências fascistas da Segunda Guerra Mundial, enquanto se voltam mais para uma política de extrema direita e neofascismo.</p>
<p>Infelizmente, é bem verdade que as forças de esquerda fora do campo socialista são de fato fracas e que o aspecto subjetivo da revolução na maioria dos países não está pronto para conduzir a revolução. Mas estamos testemunhando mudanças e rupturas significativas na consciência, embora não seja uma consciência de classe plena. Milhões de pessoas estão nas ruas em revolta com a insanidade não só dos regimes genocidas dos EUA e de Israel, mas também da França e do Reino Unido. As quatro potências nucleares do imperialismo se uniram, demonstrando sua força. O custo provável disso será a criação de uma futura geração de jovens no mundo árabe e muçulmano que nunca esquecerá nem perdoará essa ostentação de brutalidade e humilhação. Mao Tsé-Tung descreveu essa dialética histórica:</p>
<p>O imperialismo e todos os reacionários, analisados em sua essência, de um ponto de vista de longo prazo, de um ponto de vista estratégico, devem ser vistos pelo que são: tigres de papel. Com base nisso, devemos construir nosso pensamento estratégico. Por outro lado, eles também são tigres vivos, tigres de ferro, tigres de verdade que podem devorar pessoas. Com base nisso, devemos desenvolver nosso pensamento tático.<a href="#_edn159" name="_ednref159"><sup>161</sup></a></p>
<p>Sob a liderança do Presidente Xi Jinping, a China propôs recomendações visionárias para a humanidade. O modelo de modernização da China, resultado do socialismo com características chinesas, indica um caminho para os países do Sul Global que não se baseia na exploração e na opressão de outras nações. Ele equilibra a civilização material e espiritual, o desenvolvimento econômico e o meio ambiente ecológico, oferecendo uma referência essencial para o desenvolvimento do Sul Global.</p>
<p>Como resultado de mais de 600 anos de humilhação, violência racial e exploração econômica pelo Norte Global, chegamos a esse estágio de hiperimperialismo. No entanto, um Sul Global emergente, mesmo com suas contradições, nos lembra que os seres humanos não são obrigados a continuar sendo vítimas da história. Apesar do contexto diferente de fatores subjetivos, o apelo final do <em>Manifesto comunista </em>(1848) segue eloquente nos dias de hoje:</p>
<p>Temos um mundo a ganhar.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: right;"><strong>“Mulher Negra”</strong></p>
<p style="text-align: right;">Pela poeta cubana<br>
Nancy Morejón</p>
<p style="text-align: right;">Ainda sinto o cheiro da espuma do mar que me fizeram atravessar.<br>
Da noite, não consigo me lembrar.<br>
Nem mesmo o oceano poderia se lembrar.<br>
Mas nunca me esqueci da primeira gaivota que vi.<br>
No alto, as nuvens, como inocentes testemunhas oculares.<br>
Talvez eu não tenha esquecido minha costa perdida nem minha língua ancestral.<br>
Me deixaram aqui e aqui tenho vivido.<br>
E porque trabalhei feito cão,<br>
Foi aqui que renasci.<br>
A quanta epopeia mandinga tentei recorrer.</p>
<p style="text-align: right;">Me rebelei.</p>
<p style="text-align: right;">Sua Graça me comprou em praça pública.<br>
Bordei o manto de Sua Graça e um filho homem seu pari.<br>
Meu filho não recebeu nome.<br>
E Sua Graça morreu nas mãos de um impecável lord inglês.</p>
<p style="text-align: right;">Andei.</p>
<p style="text-align: right;">Esta é a terra onde sofri açoites de cabeça para baixo.<br>
Remei por todos os seus rios.<br>
Sob seu sol, plantei, colhi e as colheitas não comi.<br>
Por casa tive uma senzala.<br>
Eu mesma carreguei as pedras para construí-la,<br>
mas cantei no compasso natural dos pássaros nacionais.</p>
<p style="text-align: right;">Me amotinei.</p>
<p style="text-align: right;">Nesta mesma terra toquei o sangue quente<br>
e os ossos podres de muitos outros,<br>
trazidos a ela, ou não, como eu fui.<br>
Nunca mais imaginei o caminho para Guiné.<br>
Era Guiné? Benin? Era Madagascar? Ou Cabo Verde?</p>
<p style="text-align: right;">Trabalhei muito mais.</p>
<p style="text-align: right;">Fundei melhor meu canto milenar e minha esperança.<br>
Aqui construí meu mundo.<br>
Fui para o monte.<br>
Minha verdadeira independência foi o palenque<br>
e cavalguei entre as tropas de Maceo.</p>
<p style="text-align: right;">Só um século depois, junto de meus descendentes,<br>
do alto de uma montanha azul,</p>
<p style="text-align: right;">Desci da Sierra</p>
<p style="text-align: right;">para acabar com os capitalistas e usurários,<br>
e os generais e burgueses.<br>
Agora sou: somente agora temos e criamos.<br>
Nada está além de nosso alcance.<br>
Nossa a terra.<br>
Nosso o mar e o céu.<br>
Nossa a magia e a quimera.<br>
Meus iguais, aqui os vejo dançar<br>
ao redor da árvore que plantamos para o comunismo.<br>
Sua madeira pródiga é retumbante.</p>
<h1>APÊNDICE</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">Metodologia</h2>
<p>Este relatório foi produzido com dados e gráficos da Sul Global Insights (GSI pela sigla em inglês), com base em diversas fontes, incluindo o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a Organização das Nações Unidas, a OCDE, o Conference Board, o Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa pela Paz, a <em>Monthly Review </em>e o World <em>Beyond </em>War, entre outros (veja a Figura 55). Nesta seção, apresentamos as definições e os critérios metodológicos que orientaram a elaboração do documento.</p>
<p>Todos os 193 Estados-membros da ONU e a Palestina como Estado observador estão incluídos nos anéis do Norte Global ou nos grupos do Sul Global.</p>
<p>Ao analisar o Norte Global, concluímos que, entre os fatores incluídos em nossa pesquisa – relações históricas, militares e de inteligência –, um elemento fundamental foi o relacionamento de cada país com a inteligência dos EUA. Consequentemente, dividimos o Norte Global em quatro anéis, compreendendo 49 países no campo imperialista liderado pelos EUA. Nossa análise do Sul Global indicou fatores como a independência econômica e política do país em relação ao imperialismo e as relações estratégicas entre os países do Sul Global. No entanto, um fator fundamental foi o grau relativo com que foram alvos da promoção de mudança de regime e seu papel na defesa pública e internacional de posições anti-imperialistas. Portanto, os 145 países do Sul Global estão divididos em seis grupos.</p>
<p>Além dos países-membros da ONU, incluímos o número de bases militares localizadas em países que não membros da ONU e nos territórios – às vezes disputados– onde as bases estrangeiras estão localizadas.</p>
<p>Outros cálculos comparativos deste relatório incluem todos os países e territórios de seus respectivos bancos de dados de origem.</p>
<p>Embora de valor inestimável, os bancos de dados internacionais, como os do FMI e do Banco Mundial, enfrentam limitações decorrentes de disparidades nos processos nacionais de produção de estatísticas, em especial nas metodologias de medição de variáveis. Isso leva à não harmonização dos dados nacionais compilados pelos bancos de dados internacionais em suas fontes. Da mesma forma, os bancos de dados internacionais podem ter limitações com relação à integralidade. A governança de dados e os rigorosos procedimentos de auditoria conduzidos pela GSI buscaram garantir a máxima consistência dos dados.</p>
<p>Com relação aos dados relacionados ao PIB, este relatório utiliza principalmente dados do FMI. É importante notar que esse banco de dados não inclui informações sobre quatro países: Cuba e a República Popular Democrática da Coreia, devido à decisão soberana dessas nações de não se submeter aos ditames do FMI, e também Mônaco e Liechtenstein. O campo PIB (PPC) nas tabelas que apresentam esses quatro países é deixado em branco.</p>
<p>Utilizamos dados econômicos do Banco Mundial somente para calcular o valor adicionado da indústria mundial. O Banco Mundial divulga a porcentagem do valor adicionado da indústria no PIB usando preços e taxas de câmbio correntes, denominados neste estudo como método da Taxa de Câmbio Corrente (TCC). Somente nesse caso são apresentados tanto valores do PIB em termos de TCC como de PPC.</p>
<p>Neste documento, o padrão adotado é o PIB (PPC). Essa não é uma escolha livre de controvérsias e, devido ao escopo do relatório, não nos aprofundaremos em nossas reflexões metodológicas sobre tais controvérsias. Os fatores de conversão da PPC são estimativas estatísticas baseadas em cestas de bens e serviços para anos de referência, aplicadas posteriormente ao PIB para estimativas do PIB (PPC). Embora haja argumentos de que os dados do PIB (PPC) possam superestimar os países do Sul Global, essa é uma medida mais precisa de comparação do desempenho econômico e dos padrões de vida de diferentes países, pois ajusta as diferenças nos níveis de preços e fornece uma métrica mais estável para comparações internacionais. Ao mesmo tempo, o PIB (PPC) oferece uma base mais significativa para classificar os países em relação ao seu tamanho econômico e à sua contribuição para a economia global, em comparação com as classificações do PIB que utilizam a TCC. Nestas classificações, os países com moedas fortes podem ter uma classificação mais alta, mesmo que sua produção econômica real não seja tão significativa.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95982 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-53-2-e1706621432365.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-53-4.png"></div>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95992 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-54-2-e1706621469836.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-54-4.png"></div>
<p>As Figuras 53 e 54 mostram as comparações dos cálculos de TCC versus PPC da porcentagem do PIB total mundial para 1) China <em>versus </em>Estados Unidos e 2) Sul Global <em>versus </em>Norte Global. Tanto a TCC quanto a PPC mostram um aumento expressivo nas porcentagens relativas da China e do Sul Global.</p>
<p>Entretanto, os fatores de conversão da PPC para medir os gastos militares são necessariamente menos confiáveis do que a TCC, pois não são coletados dados de preços relativos aos gastos militares. Desse modo, a natureza dos gastos militares carece dessas informações para que seja possível estabelecer comparações internacionais. O Sipri reconhece que o uso do ajuste de PPC para gastos militares é impreciso e, portanto, menos confiável do que o uso de taxas de câmbio. Com relação aos gastos militares, combinamos os dados da <em>Monthly Review </em>relativos aos gastos militares reais dos EUA, juntamente com os dados do Sipri, para calcular os gastos militares mundiais reais utilizando a TCC.</p>
<p>Quanto a outros dados militares, foram usadas diversas fontes para abordar de forma abrangente esse fenômeno central na análise do hiperimperialismo; no entanto, as limitações persistem devido a diferentes metodologias, variáveis de medição, escassez de dados e sigilo. Usamos dados do Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS) dos EUA combinados com os dados do Projeto sobre Intervenção Militar (<em>Military Intervention Project – </em>MIP) relativos à quantidade de intervenções. Ainda que seja uma publicação oficial dos EUA que serve como fonte primária de dados sobre as intervenções militares dos EUA, o primeiro não inclui algumas missões secretas e não agrega dados para diferenciar os diversos tipos de intervenções realizadas pelas forças armadas dos EUA no exterior. Já o segundo adota uma definição mais abrangente de intervenção militar, embora publique apenas um resumo dos dados. Por fim, utilizamos as listas publicadas pelo World <em>Beyond </em>War, informações da Declassified UK e o relatório de estruturas de bases do Departamento de Defesa dos EUA para obter dados sobre bases militares.</p>
<p>Além das fontes de dados mencionadas acima, a elaboração da GSI neste relatório baseia-se em um conjunto mais amplo de fontes de dados listadas abaixo. A GSI criou novas categorias com muito cuidado e construiu plataformas complexas de integração de dados para oferecer a análise do ponto de vista do Sul Global. Os processos de classificação são inerentemente desafiadores e sujeitos a modificações, uma vez que as políticas nacionais e regionais podem mudar rapidamente. A extensa coleta e integração de dados em diversos países permitiu o teste de hipóteses. Por exemplo, para determinar quem eram os aliados mais próximos dos EUA, avaliamos a proximidade com a inteligência dos EUA. Os dados para essa análise foram expostos por Edward Snowden, quando mostrou-se que, além do “Cinco Olhos” – mais antiga parceria de inteligência do mundo entre cinco Estados ocidentais anglófonos, que começou com o Acordo de Inteligência de Comunicação entre a Grã-Bretanha e os EUA em 1946 –, havia dois outros grupos ocultos, o “Nove Olhos” e o “Quatorze Olhos” (SIGINT Seniors Europe, formado em 1982).</p>
<p>Este relatório se fundamenta na integração de bancos de dados, análise de dados e elaboração da GSI.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 55</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Fontes e descrição dos dados usados na pesquisa</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th style="min-width: 10em;">Fonte</th>
<th style="min-width: 14em;">Base de dados</th>
<th style="min-width: 14em;">Descrição do GSI</th>
<th style="min-width: 20em;">URLs</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA)</td>
<td>Renewable energy statistics 2023</td>
<td></td>
<td><a href="https://www.irena.org/Publications/2023/Jul/Renewable-energy-statistics-2023">https://www.irena.org/Publications/2023/Jul/Renewable-energy-statistics-2023</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Agência Nacional de Estatísticas da China (NBS, pela sigla em inglês)</td>
<td></td>
<td>PIB trimestral da China de T3/2019 a 3T/2023</td>
<td><a href="https://data.stats.gov.cn/english/easyquery.htm?cn=B01">https://data.stats.gov.cn/english/easyquery.htm?cn=B01</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Banco Mundial (BM)</td>
<td>World Development Indicators (WDI)</td>
<td>Poupança ajustada: consumo de capital fixo (US$ corrente)</td>
<td><a href="https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/">https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Banco Mundial (BM)</td>
<td>World Development Indicators (WDI)</td>
<td>PIB em termos de taxa de câmbio corrente (TCC) usando US$ corrente</td>
<td><a href="https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/">https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Banco Mundial (BM)</td>
<td>World Development Indicators (WDI)</td>
<td>PIB em termos de Paridade do Poder de Compra (PPC) usando dólar internacional corrente</td>
<td><a href="https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/">https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Banco Mundial (BM)</td>
<td>World Development Indicators (WDI)</td>
<td>Formação bruta de capital fixo (US$ corrente)</td>
<td><a href="https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/">https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Banco Mundial (BM)</td>
<td>World Development Indicators (WDI)</td>
<td>Indústria (incluindo construção), valor adicionado (% do PIB)</td>
<td><a href="https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/">https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Conference Board (CB)</td>
<td>Growth Accounting and Total Factor Productivity</td>
<td>Contribuição do trabalho qualificado para o crescimento real do PIB</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://data-central.conference-board.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Conference Board (CB)</td>
<td>Growth Accounting and Total Factor Productivity</td>
<td>Contribuição da quantidade de trabalho para o crescimento real do PIB</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://data-central.conference-board.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Conference Board (CB)</td>
<td>Growth Accounting and Total Factor Productivity</td>
<td>Contribuição do total de serviços do capital para o crescimento real do PIB</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://data-central.conference-board.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Conference Board (CB)</td>
<td>Growth Accounting and Total Factor Productivity</td>
<td>Contribuição do total dos fatores de produtividade para o crescimento real do PIB</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://data-central.conference-board.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Conference Board (CB)</td>
<td>Growth Accounting and Total Factor Productivity</td>
<td>Crescimento real do PIB</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://data-central.conference-board.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Congressional Research Service (CRS)</td>
<td></td>
<td>Uso reconhecido das forças armadas dos EUA no exterior, 1798 a abril de 2023</td>
<td><a href="https://crsreports.congress.gov/product/pdf/R/R42738/41">https://crsreports.congress.gov/product/pdf/R/R42738/41</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Declassified UK</td>
<td></td>
<td>Bases do Reino Unido tornadas públicas, 2020</td>
<td><a href="https://www.declassifieduk.org/revealed-the-uk-militarys-overseas-base-network-involves-145-sites-in-42-countries/">https://www.declassifieduk.org/revealed-the-uk-militarys-overseas-base-network-involves-145-sites-in-42-countries/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Departmento de Defesa dos Estados Unidos</td>
<td>Base Structure Reports FY2023</td>
<td>Construções sob controle militar dos EUA em países no exterior</td>
<td><a href="https://www.acq.osd.mil/eie/Downloads/BSI/Base%20Structure%20Report%20FY23.xlsx">https://www.acq.osd.mil/eie/Downloads/BSI/Base%20Structure%20Report%20FY23.xlsx</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Enciclopédia Britânica</td>
<td></td>
<td>Membros da comunidade britânica</td>
<td><u> </u></td>
</tr>
<tr>
<td>Enerdata</td>
<td>Global Energy &amp; CO2 Data</td>
<td>Dados de energia global e CO2</td>
<td><a href="https://www.enerdata.net/">https://www.enerdata.net/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Enerdata</td>
<td>World Energy Efficiency &amp; Demand</td>
<td>Demanda e eficiência energética mundial</td>
<td><a href="https://www.enerdata.net/">https://www.enerdata.net/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Energy Information Administration (EIA)</td>
<td>Natural Gas</td>
<td>Reservas de gás natural</td>
<td><a href="https://www.eia.gov/naturalgas/">https://www.eia.gov/naturalgas/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Ernst &amp; Young</td>
<td>Who owns the DAX? Analysis of the shareholder structure of DAX companies in 2018 – abridged version</td>
<td>Estrutura acionária das empresas DAX 2018</td>
<td><a href="https://assets.ey.com/content/dam/ey-sites/ey-com/de_de/news/2019/06/ey-wem-gehoert-der-dax-2019.pdf?download=.">https://assets.ey.com/content/dam/ey-sites/ey-com/de_de/news/2019/06/ey-wem-gehoert-der-dax-2019.pdf?download=.</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Federação de Cientistas Americanos</td>
<td></td>
<td>Compartilhamento nuclear, 2023</td>
<td><a href="https://fas.org/wp-content/uploads/2023/11/Nuclear-weapons-sharing-2023.pdf">https://fas.org/wp-content/uploads/2023/11/Nuclear-weapons-sharing-2023.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Federação de Cientistas Americanos</td>
<td></td>
<td>Situação das forças nucleares mundiais</td>
<td><a href="https://fas.org/initiative/status-world-nuclear-forces/">https://fas.org/initiative/status-world-nuclear-forces/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB medido em termos de Taxa de Câmbio Corrente (TCC) usando preços constantes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB medido em termos de Taxa de Câmbio Corrente (TCC) usando preços correntes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB medido em termos de Paridade de Poder de Compra (PPC) usando preços constantes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB medido em termos de Paridade de Poder de Compra (PPC) usando preços correntes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB per capita em termos de Taxa de Câmbio Corrente (TCC) usando preços correntes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB per capita em termos de Paridade de Poder de Compra (PPC) usando preços constantes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB per capita em termos de Paridade de Poder de Compra (PPC) usando preços correntes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>População</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>G-77</td>
<td></td>
<td>Grupo dos 77 na Organização das Nações Unidas</td>
<td><a href="https://www.g77.org/doc/">https://www.g77.org/doc/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Green Finance &amp; Development Center</td>
<td></td>
<td>Países signatários de memorando de entendimento da Nova Rota da Seda</td>
<td><u> </u></td>
</tr>
<tr>
<td>Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas</td>
<td></td>
<td>Amigos da Carta das Nações Unidas</td>
<td><u> </u></td>
</tr>
<tr>
<td>IHS Markit</td>
<td></td>
<td>Estrutura acionária por região, 2020</td>
<td><u> </u></td>
</tr>
<tr>
<td>International Institute for Strategic Studies (IISS)</td>
<td></td>
<td>Informação de envios de tropas</td>
<td><u> </u></td>
</tr>
<tr>
<td>Maddison</td>
<td>Historical Statistics of the World Economy</td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Monthly Review</td>
<td></td>
<td>Gasto militar real dos EUA, 2022</td>
<td><a href="https://greenfdc.org/countries-of-the-belt-and-road-initiative-bri/">https://greenfdc.org/countries-of-the-belt-and-road-initiative-bri/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td>World Population Prospects (WPP)</td>
<td>Estimativas de expectativa de vida por região, sub-região e país, anual, 1950–2021</td>
<td><a href="https://www.gof-uncharter.org/">https://www.gof-uncharter.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td>World Population Prospects (WPP)</td>
<td>Estimativas de expectativa de vida por região, sub-região e país, anual, 2022–2100</td>
<td><a href="https://cdn.ihsmarkit.com/www/pdf/0621/DAX-Study-2020---DIRK-Conference-June-2021_IHS-Markit.pdf">https://cdn.ihsmarkit.com/www/pdf/0621/DAX-Study-2020—DIRK-Conference-June-2021_IHS-Markit.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td>World Population Prospects (WPP)</td>
<td>Regiões, sub-regiões e zonas intermediárias conforme definição da ONU</td>
<td><a href="https://www.iiss.org/publications/the-military-balance/">https://www.iiss.org/publications/the-military-balance/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td>World Population Prospects (WPP)</td>
<td>Estimativas de população por região, sub-região e país, anual, 1950–2021</td>
<td><a href="https://www.rug.nl/ggdc/historicaldevelopment/maddison/releases/maddison-database-2010">https://www.rug.nl/ggdc/historicaldevelopment/maddison/releases/maddison-database-2010</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td>World Population Prospects (WPP)</td>
<td>Estimativas de população por região, sub-região e país, anual, 2022–2100</td>
<td><a href="https://monthlyreview.org/2023/11/01/actual-u-s-military-spending-reached-1-53-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/">https://monthlyreview.org/2023/11/01/actual-u-s-military-spending-reached-1-53-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td></td>
<td>Membros da ONU</td>
<td><a href="https://population.un.org/wpp/">https://population.un.org/wpp/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td></td>
<td>Dados sobre votos na ONU</td>
<td><a href="https://population.un.org/wpp/">https://population.un.org/wpp/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização de Cooperação de Xangai (OCX)</td>
<td></td>
<td>Membros da OCX</td>
<td><a href="https://population.un.org/wpp/Download/Documentation/Documentation/">https://population.un.org/wpp/Download/Documentation/Documentation/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP)</td>
<td>The Annual Statistical Bulletin (ASB)</td>
<td>Reservas comprovadas de petróleo bruto por país</td>
<td><a href="https://population.un.org/wpp/">https://population.un.org/wpp/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP)</td>
<td></td>
<td>Membros da OPEP</td>
<td><a href="https://population.un.org/wpp/">https://population.un.org/wpp/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)</td>
<td></td>
<td>Participantes da Cúpula da OTAN em Vilnius, 2023</td>
<td><a href="https://www.un.org/en/about-us/member-states">https://www.un.org/en/about-us/member-states</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)</td>
<td></td>
<td>Países membros da OTAN</td>
<td><a href="https://digitallibrary.un.org/search?cc=Voting+Data&amp;ln=en&amp;c=Voting+Data">https://digitallibrary.un.org/search?cc=Voting+Data&amp;ln=en&amp;c=Voting+Data</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização Internacional de Padronização (ISO)</td>
<td></td>
<td>Países e territórios ISO</td>
<td><a href="https://eng.sectsco.org/">https://eng.sectsco.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)</td>
<td>Capital Market Series</td>
<td>Capital controlado por investidores não domésticos, 10.000 maiores empresas da OCDE</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://asb.opec.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)</td>
<td>Capital Market Series</td>
<td>Propriedade doméstica e estrangeira das ações nas principais bolsas de valores</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://www.opec.org/opec_web/en/about_us/25.htm</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)</td>
<td></td>
<td>PIB trimestral da Zona do Euro de T3/2019 a T3/2023</td>
<td><a href="https://www.nato.int/cps/en/natohq/events_216418.htm?selectedLocale=en">https://www.nato.int/cps/en/natohq/events_216418.htm?selectedLocale=en</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Relatório Nuclear Mundial</td>
<td></td>
<td>elatório de Situação da Indústria Nuclear Mundial, 2022</td>
<td><a href="https://www.nato.int/cps/en/natohq/topics_52044.htm">https://www.nato.int/cps/en/natohq/topics_52044.htm</a></td>
</tr>
<tr>
<td>SanctionsKill Campaign</td>
<td></td>
<td>Países sancionados pelos EUA</td>
<td><a href="https://www.iso.org/iso-3166-country-codes.html">https://www.iso.org/iso-3166-country-codes.html</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI)</td>
<td>SIPRI Military Expenditure</td>
<td>Despesas militares mundiais (dólar constante)</td>
<td><a href="https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.pdf">https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI)</td>
<td>SIPRI Military Expenditure</td>
<td>Despesas militares mundiais (dólar corrente)</td>
<td><a href="https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.pdf">https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Stuart Laycock (2012)</td>
<td></td>
<td>Invasões do Reino Unido 927–2012</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://data.oecd.org/gdp/quarterly-gdp.htm</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Sul Global Insights (GSI)</td>
<td></td>
<td>Status colonial</td>
<td><a href="https://www.worldnuclearreport.org/IMG/pdf/wnisr2022-v3-hr.pdf">https://www.worldnuclearreport.org/IMG/pdf/wnisr2022-v3-hr.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Sul Global Insights (GSI)</td>
<td></td>
<td>História comum dos países imperialistas</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://sanctionskill.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Sul Global Insights (GSI)</td>
<td></td>
<td>Norte Global ou Sul Global</td>
<td><a href="https://www.sipri.org/databases/milex">https://www.sipri.org/databases/milex</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Sul Global Insights (GSI)</td>
<td></td>
<td>Anéis do Norte Global ou Agrupamentos do Sul Global</td>
<td><a href="https://www.sipri.org/databases/milex">https://www.sipri.org/databases/milex</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Sul Global Insights (GSI)</td>
<td></td>
<td>Bloco militar dos EUA</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>The Economist</td>
<td>One Hundred Years of Economic Statistics</td>
<td>Balanço de conta corrente do Reino Unido</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>The Economist</td>
<td>One Hundred Years of Economic Statistics</td>
<td>PIB do Reino Unido em termos de preços de mercado</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>The Economist</td>
<td>One Hundred Years of Economic Statistics</td>
<td>Balanço de conta corrente dos Estados Unidos 1885–1987</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>The Economist</td>
<td>One Hundred Years of Economic Statistics</td>
<td>Produto nacional bruto dos EUA (PNB) 1889–1987</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>US Bureau of Economic Analysis (BEA)</td>
<td>International Transactions, International Services, and International Investment Position Tables</td>
<td>Balanço em conta corrente</td>
<td><a href="https://apps.bea.gov/itable/?reqid=62&amp;step=1&amp;_gl=1*xxlwzz*_ga*Mjk5NDQ2MTIxLjE2OTA0NjEwMzA.*_ga_J4698JNNFT*MTcwMjMxNjAyMC4xNS4xLjE3MDIzMTYwMjkuMC4wLjA.#eyJhcHBpZCI6NjIsInN0ZXBzIjpbMSwyLDYsNl0sImRhdGEiOltbIlByb2R1Y3QiLCIxIl0sWyJUYWJsZUxpc3QiLCIxIl0sWyJGaWx0ZXJfIzEiLFsiMCJdXSxbIkZpbHRlcl8jMiIsWyIwIl1dLFsiRmlsdGVyXyMzIixbIjAiXV0sWyJGaWx0ZXJfIzQiLFsiMCJdXSxbIkZpbHRlcl8jNSIsWyIwIl1dXX0=">https://apps.bea.gov/itable/?reqid=62&amp;step=1&amp;_gl=1*xxlwzz*_ga*Mjk5NDQ2MTIxLjE2OTA0NjEwMzA.*_ga_J4698JNNFT*MTcwMjMxNjAyMC4xNS4xLjE3MDIzMTYwMjkuMC4wLjA.#eyJhcHBpZCI6NjIsInN0ZXBzIjpbMSwyLDYsNl0sImRhdGEiOltbIlByb2R1Y3QiLCIxIl0sWyJUYWJsZUxpc3QiLCIxIl0sWyJGaWx0ZXJfIzEiLFsiMCJdXSxbIkZpbHRlcl8jMiIsWyIwIl1dLFsiRmlsdGVyXyMzIixbIjAiXV0sWyJGaWx0ZXJfIzQiLFsiMCJdXSxbIkZpbHRlcl8jNSIsWyIwIl1dXX0=</a></td>
</tr>
<tr>
<td>US Bureau of Economic Analysis (BEA)</td>
<td>National Income and Product Accounts</td>
<td>Produto Interno Bruto (PIB), índices de quantidade</td>
<td><a href="https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey">https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey#eyJhcHBpZCI6MTksInN0ZXBzIjpbMSwyLDMsM10sImRhdGEiOltbImNhdGVnb3JpZXMiLCJTdXJ2ZXkiXSxbIk5JUEFfVGFibGVfTGlzdCIsIjMiXSxbIkZpcnN0X1llYXIiLCIyMDIxIl0sWyJMYXN0X1llYXIiLCIyMDIzIl0sWyJTY2FsZSIsIjAiXSxbIlNlcmllcyIsIkEiXSxbIlNlbGVjdF9hbGxfeWVhcnMiLCIxIl1dfQ==</a></td>
</tr>
<tr>
<td>US Bureau of Economic Analysis (BEA)</td>
<td>National Income and Product Accounts</td>
<td>Produto Nacional Bruto</td>
<td><a href="https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey&amp;_gl=1*es60tl*_ga*Mjk5NDQ2MTIxLjE2OTA0NjEwMzA.*_ga_J4698JNNFT*MTcwMjMxNjAyMC4xNS4xLjE3MDIzMTYyODEuMC4wLjA.#eyJhcHBpZCI6MTksInN0ZXBzIjpbMSwyLDMsM10sImRhdGEiOltbImNhdGVnb3JpZXMiLCJTdXJ2ZXkiXSxbIk5JUEFfVGFibGVfTGlzdCIsIjMxNyJdLFsiRmlyc3RfWWVhciIsIjIwMjEiXSxbIkxhc3RfWWVhciIsIjIwMjMiXSxbIlNjYWxlIiwiLTkiXSxbIlNlcmllcyIsIkEiXSxbIlNlbGVjdF9hbGxfeWVhcnMiLCIxIl1dfQ==">https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey&amp;_gl=1*es60tl*_ga*Mjk5NDQ2MTIxLjE2OTA0NjEwMzA.*_ga_J4698JNNFT*MTcwMjMxNjAyMC4xNS4xLjE3MDIzMTYyODEuMC4wLjA.#eyJhcHBpZCI6MTksInN0ZXBzIjpbMSwyLDMsM10sImRhdGEiOltbImNhdGVnb3JpZXMiLCJTdXJ2ZXkiXSxbIk5JUEFfVGFibGVfTGlzdCIsIjMxNyJdLFsiRmlyc3RfWWVhciIsIjIwMjEiXSxbIkxhc3RfWWVhciIsIjIwMjMiXSxbIlNjYWxlIiwiLTkiXSxbIlNlcmllcyIsIkEiXSxbIlNlbGVjdF9hbGxfeWVhcnMiLCIxIl1dfQ==</a></td>
</tr>
<tr>
<td>US Bureau of Economic Analysis (BEA)</td>
<td>National Income and Product Accounts</td>
<td>Poupança e investimento por setor</td>
<td><a href="https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey#eyJhcHBpZCI6MTksInN0ZXBzIjpbMSwyLDNdLCJkYXRhIjpbWyJjYXRlZ29yaWVzIiwiU3VydmV5Il0sWyJOSVBBX1RhYmxlX0xpc3QiLCIxMzciXV19">https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey#eyJhcHBpZCI6MTksInN0ZXBzIjpbMSwyLDNdLCJkYXRhIjpbWyJjYXRlZ29yaWVzIiwiU3VydmV5Il0sWyJOSVBBX1RhYmxlX0xpc3QiLCIxMzciXV19</a></td>
</tr>
<tr>
<td>World Beyond War</td>
<td>USA’s Military Empire: A Visual Database</td>
<td>902 bases militares atuais dos EUA</td>
<td><a href="https://worldbeyondwar.org/no-bases/">https://worldbeyondwar.org/no-bases/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>World Resources Institute (WRI)</td>
<td></td>
<td>Shapefiles dos limites e fronteiras nacionais, Perspectiva da Índia, última atualização em 4 de maio de 2017</td>
<td><a href="https://github.com/wri/wri-bounds">https://github.com/wri/wri-bounds</a></td>
</tr>
<tr>
<td>XV Cúpula do BRICS 2023</td>
<td>Johannesburg II Declaration BRICS and Africa: Partnership for Mutually Accelerated Growth, Sustainable Development and Inclusive Multilateralism</td>
<td>Membros do BRICS</td>
<td><a href="https://brics2023.gov.za/wp-content/uploads/2023/08/Jhb-II-Declaration-24-August-2023-1.pdf">https://brics2023.gov.za/wp-content/uploads/2023/08/Jhb-II-Declaration-24-August-2023-1.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="4">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h2 style="margin:3em 0;">Sul Global Insights</h2>
<p>Sul Global Insights (GSI, pela sigla em inglês) é uma rede de pesquisadores comprometidos com o avanço da pesquisa quantitativa e orientada por dados no campo das ciências humanas e sociais. É parceira do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.</p>
<p>A GSI adota tecnologias avançadas com foco em bancos de dados estatísticos de diversas instituições fidedignas, incorporando mecanismos abrangentes de governança e auditoria de dados.</p>
<p>Entre as questões comuns enfrentadas pelas pesquisadoras e pelos pesquisadores estão:</p>
<ul>
<li><strong>Fontes de dados complexas, dificuldade na integração de dados. </strong>No caso de dados de uso comum, como estatísticas sobre populações e o PIB, organizações como as Nações Unidas, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional têm abordagens estatísticas distintas. Não há padronização entre os dados divulgados por essas instituições, o que leva a diversos problemas de compatibilidade e interoperabilidade durante a integração de dados.</li>
<li><strong>Qualidade de dados baixa, dificuldade na auditoria dos dados</strong>. Dados faltantes e errôneos são frequentes nos conjuntos de dados publicados por várias organizações. A auditoria dos dados originais e dos integrados/analisados depende muito de operações manuais, que exigem um trabalho intensivo e são ineficientes e propensas a erros, carecendo de repetibilidade.</li>
<li><strong>Ferramentas básicas de processamento, dificuldade na análise avançada. </strong>A integração e a análise de dados dependem muito de ferramentas básicas como o Excel, ineficientes e complicadas de se utilizar em operações como a obtenção de médias móveis de 10 anos e regressão linear. Esses desafios dificultam a realização de análises abstratas de mais alto nível.</li>
<li><strong>Visualização limitada, dificuldade na apresentação de <em>insights</em>. </strong>Contar com os formatos limitados dos gráficos fornecidos pelo Excel dificulta a criação de apresentações de dados mais expressivas, como gráficos compostos, mapas, mapas de calor etc. Não é possível atualizar automaticamente os gráficos criados com ferramentas de design após alterações de dados.</li>
<li><strong>Falta de gestão de ativos de dados, dificuldade de colaboração em equipe</strong>. Os processos de pesquisa quantitativa baseados em arquivos de Excel carecem de acúmulo e gestão de ativos de dados, como dados de origem, resultados de auditoria de dados, fluxos de trabalho de processamento de dados, dados de processos e resultados provisórios, o que dificulta o apoio à pesquisa colaborativa de longo prazo entre diversas pessoas e diversos temas. <a name="_Toc150359664"></a></li>
</ul>
<h2 style="margin:3em 0;">Lista completa de “Cento e onze países diversos do Sul Global”</h2>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 56</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, todos os países, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">111</td>
<td style="text-align: right;">1.676</td>
<td style="text-align: right;">4,3%</td>
<td style="text-align: right;">16.174</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1922</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
<td style="text-align: right;">236</td>
<td style="text-align: right;">1.520</td>
<td style="text-align: right;">4,0%</td>
<td style="text-align: right;">6.695</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
<td style="text-align: right;">72</td>
<td style="text-align: right;">1.482</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">21.154</td>
<td style="text-align: center;">Semi-colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, França</td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;">1974</td>
<td style="text-align: right;">171</td>
<td style="text-align: right;">1.343</td>
<td style="text-align: right;">6,5%</td>
<td style="text-align: right;">7.971</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">219</td>
<td style="text-align: right;">1.281</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">5.909</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">46</td>
<td style="text-align: right;">1.226</td>
<td style="text-align: right;">0,3%</td>
<td style="text-align: right;">26.484</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha, Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1816</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">1.137</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">34.834</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">835</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">84.657</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">719</td>
<td style="text-align: right;">3,3%</td>
<td style="text-align: right;">127.563</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">19</td>
<td style="text-align: right;">603</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">30.523</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">579</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">29.221</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1818</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">523</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">15.310</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">44</td>
<td style="text-align: right;">505</td>
<td style="text-align: right;">2,7%</td>
<td style="text-align: right;">11.948</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1932</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
<td style="text-align: right;">37</td>
<td style="text-align: right;">363</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">9.900</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França, Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">123</td>
<td style="text-align: right;">358</td>
<td style="text-align: right;">8,4%</td>
<td style="text-align: right;">3.435</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">35</td>
<td style="text-align: right;">340</td>
<td style="text-align: right;">5,9%</td>
<td style="text-align: right;">9.634</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">22</td>
<td style="text-align: right;">320</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">14.267</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;">1963</td>
<td style="text-align: right;">54</td>
<td style="text-align: right;">311</td>
<td style="text-align: right;">4,5%</td>
<td style="text-align: right;">6.151</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1963</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">309</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">109.160</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
<td style="text-align: right;">54</td>
<td style="text-align: right;">261</td>
<td style="text-align: right;">3,3%</td>
<td style="text-align: right;">4.847</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
</tr>
<tr>
<td>República Dominicana</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">256</td>
<td style="text-align: right;">5,2%</td>
<td style="text-align: right;">24.117</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1844</td>
</tr>
<tr>
<td>Kuwait</td>
<td style="text-align: right;">1963</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">249</td>
<td style="text-align: right;">0,3%</td>
<td style="text-align: right;">51.238</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
</tr>
<tr>
<td>Angola</td>
<td style="text-align: right;">1976</td>
<td style="text-align: right;">36</td>
<td style="text-align: right;">248</td>
<td style="text-align: right;">0,4%</td>
<td style="text-align: right;">6.944</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Equador</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">18</td>
<td style="text-align: right;">231</td>
<td style="text-align: right;">1,0%</td>
<td style="text-align: right;">12.818</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1822</td>
</tr>
<tr>
<td>Gana</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
<td style="text-align: right;">33</td>
<td style="text-align: right;">217</td>
<td style="text-align: right;">4,5%</td>
<td style="text-align: right;">6.752</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
</tr>
<tr>
<td>Tanzânia</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
<td style="text-align: right;">65</td>
<td style="text-align: right;">209</td>
<td style="text-align: right;">6,2%</td>
<td style="text-align: right;">3.394</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
<td style="text-align: right;">47</td>
<td style="text-align: right;">204</td>
<td style="text-align: right;">0,6%</td>
<td style="text-align: right;">4.366</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
</tr>
<tr>
<td>Omã</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">191</td>
<td style="text-align: right;">2,1%</td>
<td style="text-align: right;">38.699</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1650</td>
</tr>
<tr>
<td>Guatemala</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">18</td>
<td style="text-align: right;">188</td>
<td style="text-align: right;">3,5%</td>
<td style="text-align: right;">10.076</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa do Marfim</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">28</td>
<td style="text-align: right;">184</td>
<td style="text-align: right;">6,8%</td>
<td style="text-align: right;">6.486</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Azerbaijão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">181</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">17.800</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Panamá</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">173</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">39.397</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1903</td>
</tr>
<tr>
<td>Tunísia</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td style="text-align: right;">154</td>
<td style="text-align: right;">1,2%</td>
<td style="text-align: right;">12.723</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbia</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">143</td>
<td style="text-align: right;">-4,4%</td>
<td style="text-align: right;">21.104</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Itália</td>
<td style="text-align: right;">1951</td>
</tr>
<tr>
<td>RD Congo</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">99</td>
<td style="text-align: right;">136</td>
<td style="text-align: right;">5,3%</td>
<td style="text-align: right;">1.409</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Uganda</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">47</td>
<td style="text-align: right;">134</td>
<td style="text-align: right;">4,8%</td>
<td style="text-align: right;">3.062</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa Rica</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">131</td>
<td style="text-align: right;">3,0%</td>
<td style="text-align: right;">25.000</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Jordânia</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">124</td>
<td style="text-align: right;">2,0%</td>
<td style="text-align: right;">12.055</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
</tr>
<tr>
<td>Camarões</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">28</td>
<td style="text-align: right;">124</td>
<td style="text-align: right;">4,0%</td>
<td style="text-align: right;">4.431</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França, Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Turcomenistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">119</td>
<td style="text-align: right;">1,1%</td>
<td style="text-align: right;">19.028</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Paraguai</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">108</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">14.535</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1811</td>
</tr>
<tr>
<td>Uruguai</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">99</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">27.770</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1825</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahrein</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">90</td>
<td style="text-align: right;">2,7%</td>
<td style="text-align: right;">58.426</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Camboja</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">90</td>
<td style="text-align: right;">5,5%</td>
<td style="text-align: right;">5.613</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1953</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbano</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">78</td>
<td style="text-align: right;">-4,0%</td>
<td style="text-align: right;">11.794</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1943</td>
</tr>
<tr>
<td>Zâmbia</td>
<td style="text-align: right;">1964</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">78</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">3.894</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1964</td>
</tr>
<tr>
<td>Senegal</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">73</td>
<td style="text-align: right;">5,1%</td>
<td style="text-align: right;">4.117</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>El Salvador</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">70</td>
<td style="text-align: right;">2,1%</td>
<td style="text-align: right;">11.097</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Iêmen</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">68</td>
<td style="text-align: right;">-4,8%</td>
<td style="text-align: right;">2.035</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1967</td>
</tr>
<tr>
<td>Benim</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">13</td>
<td style="text-align: right;">54</td>
<td style="text-align: right;">5,5%</td>
<td style="text-align: right;">4.048</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Armênia</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">53</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">17.795</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Madagascar</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">30</td>
<td style="text-align: right;">53</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">1.817</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Tajiquistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">49</td>
<td style="text-align: right;">7,1%</td>
<td style="text-align: right;">4.943</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Mongólia</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">4,4%</td>
<td style="text-align: right;">13.996</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1911</td>
</tr>
<tr>
<td>Moçambique</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">33</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">3,9%</td>
<td style="text-align: right;">1.469</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Botsuana</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">3,8%</td>
<td style="text-align: right;">18.323</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
</tr>
<tr>
<td>Quirguistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">42</td>
<td style="text-align: right;">4,0%</td>
<td style="text-align: right;">6.127</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Trindade e Tobago</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">41</td>
<td style="text-align: right;">-1,4%</td>
<td style="text-align: right;">29.050</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Gabão</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">39</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">18.207</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Papua Nova Guiné</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">39</td>
<td style="text-align: right;">3,8%</td>
<td style="text-align: right;">3.252</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Austrália</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Ruanda</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
<td style="text-align: right;">38</td>
<td style="text-align: right;">6,3%</td>
<td style="text-align: right;">2.904</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Haiti</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td style="text-align: right;">38</td>
<td style="text-align: right;">0,6%</td>
<td style="text-align: right;">3.161</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1804</td>
</tr>
<tr>
<td>Malawi</td>
<td style="text-align: right;">1964</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">36</td>
<td style="text-align: right;">3,6%</td>
<td style="text-align: right;">1.628</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1964</td>
</tr>
<tr>
<td>Maurícia</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">2,1%</td>
<td style="text-align: right;">26.934</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiana</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">13,4%</td>
<td style="text-align: right;">42.699</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
</tr>
<tr>
<td>Jamaica</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">0,6%</td>
<td style="text-align: right;">12.302</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Brunei</td>
<td style="text-align: right;">1984</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
<td style="text-align: right;">-0,5%</td>
<td style="text-align: right;">70.576</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1984</td>
</tr>
<tr>
<td>Mauritânia</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
<td style="text-align: right;">3,9%</td>
<td style="text-align: right;">7.113</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Somália</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">18</td>
<td style="text-align: right;">30</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">1.928</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, Itália</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Chade</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">18</td>
<td style="text-align: right;">30</td>
<td style="text-align: right;">1,2%</td>
<td style="text-align: right;">1.724</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné Equatorial</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">29</td>
<td style="text-align: right;">-4,2%</td>
<td style="text-align: right;">19.465</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. Congo</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: right;">-1,4%</td>
<td style="text-align: right;">5.277</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Togo</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">23</td>
<td style="text-align: right;">5,0%</td>
<td style="text-align: right;">2.594</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahamas</td>
<td style="text-align: right;">1973</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">0,6%</td>
<td style="text-align: right;">42.023</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1973</td>
</tr>
<tr>
<td>Serra Leoa</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">2.009</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
</tr>
<tr>
<td>Fiji</td>
<td style="text-align: right;">1970</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
<td style="text-align: right;">2,0%</td>
<td style="text-align: right;">14.950</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1970</td>
</tr>
<tr>
<td>Maldivas</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">13</td>
<td style="text-align: right;">5,3%</td>
<td style="text-align: right;">33.663</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
</tr>
<tr>
<td>Essuatini</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">13</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">11.217</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
</tr>
<tr>
<td>Suriname</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">-1,7%</td>
<td style="text-align: right;">17.498</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Países Baixos</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Burundi</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">13</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">856</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Butão</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">3,4%</td>
<td style="text-align: right;">13.219</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
</tr>
<tr>
<td>Timor Leste</td>
<td style="text-align: right;">2002</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">8,5%</td>
<td style="text-align: right;">7.064</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">2002</td>
</tr>
<tr>
<td>Libéria</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">1,5%</td>
<td style="text-align: right;">1.690</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">EUA</td>
<td style="text-align: right;">1847</td>
</tr>
<tr>
<td>Gâmbia</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">3,6%</td>
<td style="text-align: right;">2.670</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão do Sul</td>
<td style="text-align: right;">2011</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">0,3%</td>
<td style="text-align: right;">456</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">2011</td>
</tr>
<tr>
<td>Djibuti</td>
<td style="text-align: right;">1977</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">5,1%</td>
<td style="text-align: right;">6.502</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1977</td>
</tr>
<tr>
<td>Lesoto</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">0,3%</td>
<td style="text-align: right;">3.092</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné-Bisáu</td>
<td style="text-align: right;">1974</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">2.911</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1973</td>
</tr>
<tr>
<td>República Centro-Africana</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">-2,3%</td>
<td style="text-align: right;">1.081</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Cabo Verde</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">9.263</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Barbados</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">-0,3%</td>
<td style="text-align: right;">17.339</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
</tr>
<tr>
<td>Belize</td>
<td style="text-align: right;">1981</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">10.564</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1981</td>
</tr>
<tr>
<td>Seicheles</td>
<td style="text-align: right;">1976</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">5,3%</td>
<td style="text-align: right;">39.079</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1976</td>
</tr>
<tr>
<td>Santa Lúcia</td>
<td style="text-align: right;">1979</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">0,7%</td>
<td style="text-align: right;">17.840</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1979</td>
</tr>
<tr>
<td>Comores</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">3.363</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Antígua e Barbuda</td>
<td style="text-align: right;">1981</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">23.575</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1981</td>
</tr>
<tr>
<td>Granada</td>
<td style="text-align: right;">1974</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">18.843</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1974</td>
</tr>
<tr>
<td>São Vicente e Granadinas</td>
<td style="text-align: right;">1980</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">16.216</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1979</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Salomão</td>
<td style="text-align: right;">1978</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1,3%</td>
<td style="text-align: right;">2.325</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1978</td>
</tr>
<tr>
<td>São Cristóvão e Neves</td>
<td style="text-align: right;">1983</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">27.767</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1983</td>
</tr>
<tr>
<td>Samoa</td>
<td style="text-align: right;">1976</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">0,1%</td>
<td style="text-align: right;">5.883</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Nova Zelândia</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Dominica</td>
<td style="text-align: right;">1978</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">0,0%</td>
<td style="text-align: right;">13.293</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1978</td>
</tr>
<tr>
<td>Vanuatu</td>
<td style="text-align: right;">1981</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">2.890</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, França</td>
<td style="text-align: right;">1980</td>
</tr>
<tr>
<td>São Tomé e Príncipe</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">4.067</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Tonga</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">1,0%</td>
<td style="text-align: right;">6.686</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1970</td>
</tr>
<tr>
<td>Micronésia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">-0,2%</td>
<td style="text-align: right;">3.693</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Imp. Alemão, Japão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Quiribati</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">2,3%</td>
<td style="text-align: right;">2.271</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1979</td>
</tr>
<tr>
<td>Palau</td>
<td style="text-align: right;">1994</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">-1,2%</td>
<td style="text-align: right;">14.515</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Imp. Alemão, Japão, EUA</td>
<td style="text-align: right;">1994</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Marshall</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">5.497</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha, Imp. Alemão, Japão, EUA</td>
<td style="text-align: right;">1986</td>
</tr>
<tr>
<td>Nauru</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">4,4%</td>
<td style="text-align: right;">10.930</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
</tr>
<tr>
<td>Tuvalu</td>
<td style="text-align: right;">2000</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">3,5%</td>
<td style="text-align: right;">5.376</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1978</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2.242</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>21.171</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>9.687</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>103 Col+SemiCol</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>28,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>12,9%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 56</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, todos os países, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Military spend<br>
<span class="single-post--table-heading--small">adj. per capita<br>
&gt; world avg. (times)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;">4.646</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">7</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;">10.337</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;">5.724</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;">4.806</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;">3.109</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;">2.578</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;">3.671</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">11.688</td>
<td style="text-align: right;">5,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;">1.133</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;">5.566</td>
<td style="text-align: right;">0,8</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;">2.845</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;">4.683</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;">4.995</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;">1.031</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;">1.053</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;">1.138</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">15.412</td>
<td style="text-align: right;">15,9</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;">1.857</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>República Dominicana</td>
<td style="text-align: right;">761</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Kuwait</td>
<td style="text-align: right;">8.244</td>
<td style="text-align: right;">5,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Angola</td>
<td style="text-align: right;">1.623</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Equador</td>
<td style="text-align: right;">2.489</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Gana</td>
<td style="text-align: right;">229</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Tanzânia</td>
<td style="text-align: right;">832</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Omã</td>
<td style="text-align: right;">5.783</td>
<td style="text-align: right;">3,5</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Guatemala</td>
<td style="text-align: right;">431</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa do Marfim</td>
<td style="text-align: right;">607</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Azerbaijão</td>
<td style="text-align: right;">2.991</td>
<td style="text-align: right;">0,8</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Panamá</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">15</td>
</tr>
<tr>
<td>Tunísia</td>
<td style="text-align: right;">1.156</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>RD Congo</td>
<td style="text-align: right;">371</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Uganda</td>
<td style="text-align: right;">923</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa Rica</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">4</td>
</tr>
<tr>
<td>Jordânia</td>
<td style="text-align: right;">2.323</td>
<td style="text-align: right;">0,6</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Camarões</td>
<td style="text-align: right;">417</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">4</td>
</tr>
<tr>
<td>Turcomenistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Paraguai</td>
<td style="text-align: right;">366</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Uruguai</td>
<td style="text-align: right;">1.376</td>
<td style="text-align: right;">1,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahrein</td>
<td style="text-align: right;">1.381</td>
<td style="text-align: right;">2,6</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Camboja</td>
<td style="text-align: right;">611</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbano</td>
<td style="text-align: right;">4.739</td>
<td style="text-align: right;">2,4</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Zâmbia</td>
<td style="text-align: right;">326</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Senegal</td>
<td style="text-align: right;">433</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>El Salvador</td>
<td style="text-align: right;">422</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Iêmen</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Benim</td>
<td style="text-align: right;">97</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Armênia</td>
<td style="text-align: right;">795</td>
<td style="text-align: right;">0,8</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Madagascar</td>
<td style="text-align: right;">98</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Tajiquistão</td>
<td style="text-align: right;">103</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Mongólia</td>
<td style="text-align: right;">118</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Moçambique</td>
<td style="text-align: right;">282</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Botsuana</td>
<td style="text-align: right;">489</td>
<td style="text-align: right;">0,5</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Quirguistão</td>
<td style="text-align: right;">150</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Trindade e Tobago</td>
<td style="text-align: right;">201</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Gabão</td>
<td style="text-align: right;">278</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Papua Nova Guiné</td>
<td style="text-align: right;">97</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Ruanda</td>
<td style="text-align: right;">177</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Haiti</td>
<td style="text-align: right;">13</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Malawi</td>
<td style="text-align: right;">76</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Maurícia</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Guiana</td>
<td style="text-align: right;">84</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Jamaica</td>
<td style="text-align: right;">215</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Brunei</td>
<td style="text-align: right;">436</td>
<td style="text-align: right;">2,7</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Mauritânia</td>
<td style="text-align: right;">225</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Somália</td>
<td style="text-align: right;">115</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Chade</td>
<td style="text-align: right;">357</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné Equatorial</td>
<td style="text-align: right;">157</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. Congo</td>
<td style="text-align: right;">266</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Togo</td>
<td style="text-align: right;">337</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Bahamas</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">9</td>
</tr>
<tr>
<td>Serra Leoa</td>
<td style="text-align: right;">24</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Fiji</td>
<td style="text-align: right;">67</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Maldivas</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Essuatini</td>
<td style="text-align: right;">74</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Suriname</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Burundi</td>
<td style="text-align: right;">101</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Butão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Timor Leste</td>
<td style="text-align: right;">44</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Libéria</td>
<td style="text-align: right;">19</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Gâmbia</td>
<td style="text-align: right;">15</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão do Sul</td>
<td style="text-align: right;">379</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Djibuti</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Lesoto</td>
<td style="text-align: right;">35</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné-Bisáu</td>
<td style="text-align: right;">25</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>República Centro-Africana</td>
<td style="text-align: right;">42</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Cabo Verde</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Barbados</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Belize</td>
<td style="text-align: right;">24</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">9</td>
</tr>
<tr>
<td>Seicheles</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: right;">0,7</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Santa Lúcia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Comores</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Antígua e Barbuda</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Granada</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>São Vicente e Granadinas</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Salomão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>São Cristóvão e Neves</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Samoa</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Dominica</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Vanuatu</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>São Tomé e Príncipe</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Tonga</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Micronésia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Quiribati</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Palau</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Marshall</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Nauru</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Tuvalu</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>131.182</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>17</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>63</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>192</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>4,6%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 56</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, todos os países, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3"><strong>Afiliações internacionais</strong></th>
<th style="text-align: center;" colspan="2"><strong>Votos na ONU</strong></th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>República Dominicana</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Kuwait</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Angola</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Equador</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Gana</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Tanzânia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Omã</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Guatemala</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa do Marfim</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Azerbaijão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Panamá</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Tunísia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>RD Congo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Uganda</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa Rica</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Jordânia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Camarões</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Turcomenistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Paraguai</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Uruguai</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahrein</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Camboja</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbano</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Zâmbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Senegal</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>El Salvador</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Iêmen</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Benim</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Armênia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Madagascar</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Tajiquistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Mongólia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Observador</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Moçambique</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Botsuana</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Quirguistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Trindade e Tobago</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Gabão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Papua Nova Guiné</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Ruanda</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Haiti</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Malawi</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Maurícia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiana</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Jamaica</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Brunei</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Mauritânia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Somália</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Chade</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné Equatorial</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. Congo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Togo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahamas</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Serra Leoa</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Fiji</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Maldivas</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Essuatini</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Suriname</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Burundi</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Butão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Timor Leste</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Libéria</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Gâmbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão do Sul</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Djibuti</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Lesoto</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné-Bisáu</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>República Centro-Africana</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Cabo Verde</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Barbados</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Belize</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Seicheles</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Santa Lúcia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Comores</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Antígua e Barbuda</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Granada</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>São Vicente e Granadinas</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Salomão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>São Cristóvão e Neves</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Samoa</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Dominica</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Vanuatu</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>São Tomé e Príncipe</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Tonga</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Micronésia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Quiribati</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Palau</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Marshall</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Nauru</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Tuvalu</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>17</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>77 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>20 Abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h3 class="single-post--content--citations-title" style="margin:2em 0;">Notas de fim</h3>
<div class="single-post--content--citations-block">
<p><a href="#_ednref1" name="_edn1"><sup>1</sup></a> Vijay Prashad, <em>Struggle Makes Us Human: Learning from Movements for Socialism </em>(Nova York: Haymarket Books, 2022); Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Dez teses sobre marxismo e descolonização</em>, dossiê no. 56, 20 de setembro de 2022, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-dez-teses-sobre-marxismo-e-descolonizacao/.">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-dez-teses-sobre-marxismo-e-descolonizacao/.</a></p>
<p><a href="#_ednref2" name="_edn2"><sup>2</sup></a> Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Reforma agrária popular e a luta pela terra no Brasil</em>, dossiê no. 27, 6 de abril de 2020, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-27-terra/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-27-terra/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref3" name="_edn3"><sup>3</sup></a> Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Um legado estratégico: o pensamento revolucionário do comandante Chávez 10 anos após sua partida</em>, dossiê no. 61, 28 de fevereiro de 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossierchavez-pensamento-estrategico/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossierchavez-pensamento-estrategico/</a>; Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Um mapa do presente da América Latina: uma entrevista com Héctor Béjar</em>, dossiê no. 49, 7 de fevereiro de 2022, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-49-bejar-america-latin/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-49-bejar-america-latin/</a>; Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>O Ministério das Colônias dos EUA e sua cúpula</em>, alerta vermelho nº 14, 25 de maio de 2022, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-14-cupula-americas/.">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-14-cupula-americas/.</a></p>
<p><a href="#_ednref4" name="_edn4"><sup>4</sup></a> Immanuel Wallerstein, “The Three Instances of Hegemony in the History of the Capitalist World-Economy”, ed. Lenski, <em>Current Issues and Research in Macrosociology</em>, 1 de janeiro de 1984, 100-108, <a href="https://doi.org/10.1163/9789004477995_008">https://doi.org/10.1163/9789004477995_008</a>.</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>5</sup></a> NT: O documento adota os nomes oficiais da República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte) e República da Coreia (Coreia do Sul).</p>
<p><a href="#_ednref5" name="_edn5"><sup>6</sup></a> Jens Stoltenberg, Ursula von der Leyen e Charles Michel, “Joint Declaration on EU-NATO Cooperation”, Organização do Tratado do Atlântico Norte, 10 de janeiro de 2023, <a href="https://www.nato.int/cps/en/natohq/official_texts_210549.htm.">https://www.nato.int/cps/en/natohq/official_texts_210549.htm.</a></p>
<p><a href="#_ednref6" name="_edn6"><sup>7</sup></a> Leila Khaled: “Onde há repressão, há resistência”, <em>Capire, </em>27 de outubro de 2023, <a href="https://capiremov.org/entrevista/leila-khaled-onde-ha-repressao-ha-resistencia/">https://capiremov.org/entrevista/leila-khaled-onde-ha-repressao-ha-resistencia/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref7" name="_edn7"><sup>8</sup></a> Vladimir I. Lênin, <em>Imperialism, the Highest Stage of Capitalism: A Popular Outline </em>(Nova York: International Publishers, 1939); Walter Rodney, <em>How Europe</em> <em>Underdeveloped Africa </em>(Londres: Bogle-L’Ouverture Publications, 1972); Kwame Nkrumah, <em>Neo-Colonialism: The Last Stage of Imperialism</em>, reimpresso (Londres: Panaf, 2004).</p>
<p><a href="#_ednref8" name="_edn8"><sup>9</sup></a> Julian Assange, <em>When Google Met WikiLeaks </em>(Nova York: OR Books, 2014).</p>
<p><a href="#_ednref9" name="_edn9"><sup>10</sup></a> Donald Trump, “President Donald J. Trump Is Ending United States Participation in an Unacceptable Iran Deal”, Casa Branca, 8 de maio de 2018, <a href="https://trumpwhitehouse.archives.gov/briefings-statements/president-donald-j-trump-ending-united-states-participation-unacceptable-iran-deal/">https://trumpwhitehouse.archives.gov/briefings-statements/president-donald-j-trump-ending-united-states-participation-unacceptable-iran-deal/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref10" name="_edn10"><sup>11</sup></a> “US Completes Open Skies Treaty Withdrawal”, Arms Control Association, dezembro de 2020, <a href="https://www.armscontrol.org/act/2020-12/news/us-completes-open-skies-treaty-withdrawal">https://www.armscontrol.org/act/2020-12/news/us-completes-open-skies-treaty-withdrawal</a>; C. Todd Lopez, “US Withdraws From Intermediate-Range Nuclear Forces Treaty”, Departamento de Defesa dos EUA, 2 de agosto de 2019, <a href="https://www.defense.gov/News/News-Stories/article/article/1924779/us-withdraws-from-intermediate-range-nuclear-forces-treaty/https%3A%2F%2Fwww.defense.gov%2FNews%2FNews-Stories%2FArticle%2FArticle%2F1924779%2Fus-withdraws-from-intermediate-range-nuclear-f">https://www.defense.gov/News/News-Stories/article/article/1924779/us-withdraws-from-intermediate-range-nuclear-forces-treaty/</a>; George W. Bush, “Statement by the President”, Casa Branca, 13 de junho de 2002, <a href="https://www.defense.gov/News/News-Stories/article/article/1924779/us-withdraws-from-intermediate-range-nuclear-forces-treaty/https%3A%2F%2Fwww.defense.gov%2FNews%2FNews-Stories%2FArticle%2FArticle%2F1924779%2Fus-withdraws-from-intermediate-range-nuclear-f">https://georgewbush-whitehouse.archives.gov/news/releases/2002/06/20020613-9.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref11" name="_edn11"><sup>12</sup></a> Gisela Cernadas e John Bellamy Foster, “Actual US Military Spending Reached US$ 1,53 trillion in 2022 – More than Twice Acknowled Level: New Estimates Based on US National Accounts”, <em>Monthly Review</em>, 1 de novembro de 2023, <a href="https://monthlyreview.org/2023/11/01/actual-u-s-military-spending-reached-1-53-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/.">https://monthlyreview.org/2023/11/01/actual-u-s-military-spending-reached-1-53-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/.</a></p>
<p><a href="#_ednref12" name="_edn12"><sup>13</sup></a> O Quincy Institute e outros autores também publicaram estimativas de gastos militares dos EUA significativamente mais altas. Andrew Cockburn, “Getting the Defense Budget Right: A (Real) Grand Total, over $1.4 Trillion”, <em>Responsible Statecraft</em>, 7 de maio de 2023, <a href="https://responsiblestatecraft.org/2023/05/07/getting-the-defense-budget-right-a-real-grand-total-over-1-4-trillion/">https://responsiblestatecraft.org/2023/05/07/getting-the-defense-budget-right-a-real-grand-total-over-1-4-trillion/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref13" name="_edn13"><sup>14</sup></a> “SIPRI Military Expenditure Database”, Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://www.sipri.org/databases/milex">https://www.sipri.org/databases/milex</a>.</p>
<p><a href="#_ednref14" name="_edn14"><sup>15</sup></a> Chen Zhuo, “Explainer: Prudent Chinese Defense Budget Growth Ensures Broad Public Security”, Ministério da Defesa Nacional, República Popular da China, 6 de março de 2022, <a href="http://eng.mod.gov.cn/xb/News_213114/TopStories/4906180.html">http://eng.mod.gov.cn/xb/News_213114/TopStories/4906180.html</a>; Escritório Nacional de Estatísticas da China, acessado em 20 de dezembro de 2023,<br>
<a href="https://data.stats.gov.cn/english/adv.htm?m=advquery&amp;cnC01">https://data.stats.gov.cn/english/adv.htm?m=advquery&amp;cnC01</a>.</p>
<p><a href="#_ednref15" name="_edn15"><sup>16</sup></a> O ajuste de 2022 do Sipri inclui despesas relacionadas a (a) gastos com a força paramilitar da Polícia Armada do Povo (PAP); (b) pagamentos de desmobilização e aposentadoria de soldados do Ministério de Assuntos Civis; (c) financiamento adicional de pesquisa, desenvolvimento, testes e avaliação militares (PDT&amp;A) fora do orçamento de defesa nacional; (d) despesas adicionais de construção militar; (e) ganhos comerciais do Exército de Libertação Popular (zero a partir de 2015); (f) subsídios à indústria armamentista (zero a partir de 2010); (e) importações de armas chinesas (zero a partir de 2020); e (g) a Guarda Costeira chinesa (desde 2013). A nova série continua consistente internamente ao longo do período entre 1989 e 2019. <em>Ver </em>Nan Tian e Fei Su, “A New Estimate Of China’s Military Expenditure”, Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz, janeiro de 2021, <a href="https://www.sipri.org/sites/default/files/2021-01/2101_sipri_report_a_new_estimate_of_chinas_military_expenditure.pdf">https://www.sipri.org/sites/default/files/2021-01/2101_sipri_report_a_new_estimate_of_chinas_military_expenditure.pdf</a>; “Sources and Methods”, Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://www.sipri.org/databases/milex/sources-and-methods#sipri-estimates-for-chin">https://www.sipri.org/databases/milex/sources-and-methods#sipri-estimates-for-chin</a>a.</p>
<p><a href="#_ednref16" name="_edn16"><sup>17</sup></a> Os números do SIPRI sobre a China em 2021 são, em média, cerca de 1,36 vez maior do que o orçamento oficial da defesa nacional do país, embora reduzindo as estimativas feitas no passado. Por exemplo, para o ano de 2019, a nova estimativa do Sipri é de 1.660 bilhões de yuans ou US$ 240 bilhões, um pouco abaixo da antiga estimativa de 1.803 bilhões de yuans ou US$ 261 bilhões. De acordo com as estimativas anteriores, o Sipri aumentou em 48,6% o orçamento oficial de defesa da China correspondente a 2021. Com as novas estimativas, o orçamento da China para 2021 foi aumentado em 36,8% pelo Sipri. Com os novos ajustes, os gastos militares da China correspondem a 1,6% do PIB, comparado a 1,3% representado no orçamento oficial. Os cálculos do PIB se baseiam nos dados do PIB TCC do Panorama Econômico Mundial do FMI.</p>
<p><a href="#_ednref17" name="_edn17"><sup>18</sup></a> Escritório de Administração e Orçamento, “Historical Tables. Tabela 3.2. Outlays by Function and Subfunction: 1962-2028”, Casa Branca, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://www.whitehouse.gov/omb/budget/historical-tables/">https://www.whitehouse.gov/omb/budget/historical-tables/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref18" name="_edn18"><sup>19</sup></a> Cálculos baseados nas estimativas de gasto militar real dos EUA para o ano de 2022 por Gisela Cernadas e John Bellamy Foster. <em>Ver </em>nota 11.</p>
<p><a href="#_ednref19" name="_edn19"><sup>20</sup></a> “USA’s Military Empire: A Visual Database”, <em>World Beyond War</em>, acessado em 27 de novembro de 2023, <a href="https://worldbeyondwar.org/no-bases/">https://worldbeyondwar.org/no-bases/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref20" name="_edn20"><sup>21</sup></a> Há décadas, pesquisadoras e pesquisadores independentes reconhecem que os gasto militar real dos EUA representa, aproximadamente, o dobro do nível oficialmente reconhecido. As pesquisas independentes não se restringem aos círculos de esquerda, mas incluem o Quincy Institute for Responsible Statecraft, financiado pelo bilionário de direita George Soros, o Project on Government Oversight (POGO) e o “liberal” Center for American Progress. <em>Ver </em>Lawrence J. Krob e Kaveh Toofan, “A Trillion-Dollar Defense Budget? – Center for American Progress”, <em>Center for American Progress</em>, 12 de julho de 2022, <a href="https://www.americanprogress.org/article/a-trillion-dollar-defense-budget/">https://www.americanprogress.org/article/a-trillion-dollar-defense-budget/</a>; Cockburn, “Getting the Defense Budget Right: A (Real) Grand Total, over $1.4 Trillion”; William Hartung e Mandy Smithberger, “Making Sense of the $1.25 Trillion National Security State Budget”, <em>Project on Government Oversight</em>, 7 de maio de 2019, <a href="https://www.pogo.org/analysis/making-sense-of-the-1-25-trillion-national-security-state-budget">https://www.pogo.org/analysis/making-sense-of-the-1-25-trillion-national-security-state-budget</a>.</p>
<p><a href="#_ednref21" name="_edn21"><sup>22</sup></a> Nossos <em>números sobre Gasto Militar Mundial utilizam taxas de câmbio corrente (TCC). </em>Os fatores de conversão de PPC para medir os gastos militares são necessariamente menos confiáveis do que as taxas de câmbio. As taxas PPC são estimativas estatísticas, calculadas com base em dados de preços coletados para cestas de bens e serviços relativos a anos de referência. Dados de preços desse tipo não são coletados referentes aos gastos militares. Portanto, a natureza dos gastos militares carece dessas informações para que seja possível realizar comparações internacionais. Assim, o cálculo dos gastos militares aplicando-se as taxas de PPC por meio de fatores de conversão do PIB é metodologicamente inválido, pois se baseia na suposição implícita de que a proporção dos preços militares equivale à proporção dos preços relativos do PIB, o que não é comprovado. O Sipri reconhece que o uso do ajuste de PPC para gastos militares é impreciso e, portanto, menos confiável do que o uso de taxas de câmbio. <em>Ver </em>Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa pela Paz, “Frequently Asked Questions”, Banco de dados do Sipri sobre gastos militares, acessado em 25 de dezembro de 2023,<a href="https://www.sipri.org/databases/milex/frequently-asked-questions#PPP"> https://www.sipri.org/databases/milex/frequently-asked-questions#PPP</a>.</p>
<p><a href="#_ednref22" name="_edn22"><sup>23</sup></a> Como os gastos militares da China se concentram apenas no território chinês, a expansão militar da China encontra limites evidentes. O país não tem bases militares significativas no exterior, ao contrário dos EUA, que tinha 902 em 2022. Essa ideia é sustentada pelo Quincy Institute for Responsible Statecraft: “Até o momento, a China estabeleceu apenas uma base militar real e operacional no exterior, no chifre da África, em Djibuti, e provavelmente está estabelecendo uma instalação naval no Camboja. Mas há limites reais até onde a China pode ir para duplicar esses locais. Como apontou Isaac Kardon, do Carnegie Endowment, a China não tem alianças militares formais (além do caso duvidoso da República Popular Democrática da Coreia) e é improvável que construa alguma em um futuro próximo, fato que impõe grandes restrições à sua capacidade de estabelecer bases militares sérias. Poucos países, se é que há algum, desejam se comprometer a abrigar instalações militares completas e de grande porte que poderiam projetar o poder militar chinês em sua região e, no processo, convidar uma resposta dos EUA”. <em>Ver </em>Michael D. Swaine, “Actually, China’s Military Isn’t Going Global”, <em>Responsible Statecraft</em>, 8 de setembro de 2023, <a href="https://responsiblestatecraft.org/china-military/">https://responsiblestatecraft.org/china-military/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref23" name="_edn23"><sup>24</sup></a> Editores, “US Military Bases and Empire”, <em>Monthly Review</em>, 1º de março de 2002, <a href="https://monthlyreview.org/2002/03/01/u-s-military-bases-and-empire">https://monthlyreview.org/2002/03/01/u-s-military-bases-and-empire</a>.</p>
<p><a href="#_ednref24" name="_edn24"><sup>25</sup></a> Editores, “US Military Bases and Empire”, <em>Monthly Review</em>, 1º de março de 2002, <a href="https://monthlyreview.org/2002/03/01/u-s-military-bases-and-empire">https://monthlyreview.org/2002/03/01/u-s-military-bases-and-empire</a>.</p>
<p><a href="#_ednref25" name="_edn25"><sup>26</sup></a> <em>The Military Balance 2023</em>, Instituto Internacional de Estudos de Segurança, 15 de fevereiro de 2023, <a href="https://www.iiss.org/en/publications/the-military-balance/">https://www.iiss.org/en/publications/the-military-balance/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref26" name="_edn26"><sup>27</sup></a> Sally Williamson, “Logistics Contractors and Strategic Logistics Advantage in US Military Operations”, <em>Logistics In War</em>, 4 de junho de 2023,<a href="https://logisticsinwar.com/2023/06/04/logistics-contractors-and-strategic-logistics-advantage-in-us-military-operations/"> https://logisticsinwar.com/2023/06/04/logistics-contractors-and-strategic-logistics-advantage-in-us-military-operations/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref27" name="_edn27"><sup>28</sup></a> “Agreement Between the United States of America and Ghana”, Tratados e outras leis internacionais, série 18-531, Departamento de Estado dos EUA, <a href="https://www.state.gov/wp-content/uploads/2019/02/18-531-Ghana-Defense-Status-of-Forces.pdf">https://www.state.gov/wp-content/uploads/2019/02/18-531-Ghana-Defense-Status-of-Forces.pdf</a>.</p>
<p><a href="#_ednref28" name="_edn28"><sup>29</sup></a> Vijay Prashad, “Why Does the United States Have a Military Base in Ghana?”, <em>Peoples Dispatch</em>, 15 de junho de 2022, <a href="https://peoplesdispatch.org/2022/06/15/why-does-the-united-states-have-a-military-base-in-ghana">https://peoplesdispatch.org/2022/06/15/why-does-the-united-states-have-a-military-base-in-ghana</a>/.</p>
<p><a href="#_ednref29" name="_edn29"><sup>30</sup></a> Matthew P. Goodman e Matthew Wayland, “Securing Asia’s Subsea Network: US Interests and Strategic Options”, <em>Centro de Estudos Estratégicos Internacionais</em>, 4 de abril de 2022,<a href="https://www.csis.org/analysis/securing-asias-subsea-network-us-interests-and-strategic-options"> https://www.csis.org/analysis/securing-asias-subsea-network-us-interests-and-strategic-options</a>.</p>
<p><a href="#_ednref30" name="_edn30"><sup>31</sup></a> Centro de Dados de Utah, <em>Diretório de vigilância doméstica</em>, acessado em 27 de novembro de 2023, <a href="https://nsa.gov1.info/utah-data-center/">https://nsa.gov1.info/utah-data-center/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref31" name="_edn31"><sup>32</sup></a> Nick Turse, “Pentagon Misled Congress About US Bases in Africa”, <em>The Intercept</em>, 8 de setembro de 2023, <a href="https://theintercept.com/2023/09/08/africa-air-base-us-military/">https://theintercept.com/2023/09/08/africa-air-base-us-military/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref32" name="_edn32"><sup>33</sup></a> “USA’s Military Empire: A Visual Database”, <em>World Beyond War</em>, acessado em 27 de novembro de 2023, <a href="https://worldbeyondwar.org/no-bases/">https://worldbeyondwar.org/no-bases/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref33" name="_edn33"><sup>34</sup></a> <em>The Military Balance </em><em>2023</em>.</p>
<p><a href="#_ednref34" name="_edn34"><sup>35</sup></a> <em>The Military Balance </em><em>2023</em>.</p>
<p><a href="#_ednref35" name="_edn35"><sup>36</sup></a> Barbara Salazar Torreon e Sofia Plagakis, <em>Instances of Use of United States Armed Forces Abroad, 1798-2023</em>, Serviço de Pesquisa do Congresso, 7 de junho de 2023,<a href="https://crsreports.congress.gov/product/pdf/R/R42738"> https://crsreports.congress.gov/product/pdf/R/R42738</a>.</p>
<p><a href="#_ednref36" name="_edn36"><sup>37</sup></a> Kushi e Toft, “Introducing the Military Intervention Project”, 4.</p>
<p><a href="#_ednref37" name="_edn37"><sup>38</sup></a> Salazar Torreon e Plagakis, <em>Instances of Use of United States Armed Forces Abroad, –1798-2023</em>.</p>
<p><a href="#_ednref38" name="_edn38"><sup>39</sup></a> Sidita Kushi e Monica Duffy Toft, “Introducing the Military Intervention Project: A New Dataset on US Military Interventions, 1776-2019”, <em>Journal of Conflict Resolution </em>67, no. 4 (2023): 752–779. <a href="https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/00220027221117546?icid=int.sj-full-text.citing-articles.1">https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/00220027221117546?icid=int.sj-full-text.citing-articles.1</a>.</p>
<p><a href="#_ednref39" name="_edn39"><sup>40</sup></a> O Projeto sobre Intervenção Militar (<em>Military Intervention Project – </em>MIP) tem uma estimativa um pouco menor do que as listas maiores de fontes como o Serviço de Pesquisa do Congresso (<em>Congressional Research Service </em>– CRS), cujos números são citados com mais frequência pelos pesquisadores. O MIP usa uma variedade de bancos de dados publicados conhecidos. No entanto, por ter uma definição mais abrangente, seu processo de agregação resulta em um número total ligeiramente menor devido à reclassificação. O MIP e o CRS, portanto, têm conjuntos de dados e números brutos que não podem ser comparados, por terem maneiras diferentes de tratar datas, a escala, a duração, a legalidade e a intenção das operações. O MIP e o CRS têm abordagens metodológicas incomparáveis. Utilizamos o CRS porque são os maiores dados publicados disponíveis. <em>Ver </em>Kushi e Toft, “Introducing the Military Intervention Project”.</p>
<p><a href="#_ednref40" name="_edn40"><sup>41</sup></a> Claudia Jones, “International Women’s Day and the Struggle for Peace”, discurso proferido em um ato do 8 de março de 1950,  <em>Liberation School</em>, 29 de março de 2023, <a href="https://www.liberationschool.org/claudia-jones-1950-iwd-speech/">https://www.liberationschool.org/claudia-jones-1950-iwd-speech/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref41" name="_edn41"><sup>42</sup></a> Anthony Lake, “Confronting Backlash States”, <em>Foreign Affairs</em>, 1º de março de 1994,<a href="https://www.foreignaffairs.com/articles/iran/1994-03-01/confronting-backlash-states"> https://www.foreignaffairs.com/articles/iran/1994-03-01/confronting-backlash-states</a>.</p>
<p><a href="#_ednref42" name="_edn42"><sup>43</sup></a> Francisco R. Rodríguez, ‘The Human Consequences of Economic Sanctions”, Centro de Pesquisa em Política Econômica, 4 de maio de 2023, <a href="https://cepr.net/press-release/new-report-finds-that-economic-sanctions-are-often-deadly-and-harm-peoples-living-standards-in-target-countries/">https://cepr.net/press-release/new-report-finds-that-economic-sanctions-are-often-deadly-and-harm-peoples-living-standards-in-target-countries/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref43" name="_edn43"><sup>44</sup></a> Agence France-Presse, “US Commerce Chief Warns against China ‘Threat'”, <em>South China Morning Post</em>, 3 de dezembro de 2023, <a href="https://www.scmp.com/news/world/united-states-canada/article/3243657/us-commerce-chief-warns-against-china-threat">https://www.scmp.com/news/world/united-states-canada/article/3243657/us-commerce-chief-warns-against-china-threat</a>.</p>
<p><a href="#_ednref44" name="_edn44"><sup>45</sup></a> Deutscher Bundestag, <em>China-Strategie der Bundesregierung </em>[Estratégia do Governo Federal para a China], 20/7770, 13 de julho de 2023, <a href="https://dserver.bundestag.de/btd/20/077/2007770.pdf.">https://dserver.bundestag.de/btd/20/077/2007770.pdf.</a></p>
<p><a href="#_ednref45" name="_edn45"><sup>46</sup></a> Elaboração própria com base em dados de Christoph Nedopil Wang, “Countries of the Belt and Road Initiative (BRI) – Green Finance &amp; Development Center”, acessado em 2 de dezembro de 2023, <a href="https://greenfdc.org/countries-of-the-belt-and-road-initiative-bri/">https://greenfdc.org/countries-of-the-belt-and-road-initiative-bri/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref46" name="_edn46"><sup>47</sup></a> Elaboração própria da Sul Global Insights com base nos Indicadores de Desenvolvimento Mundial do Banco Mundial e na Perspectiva Econômica Mundial do FMI.</p>
<p><a href="#_ednref47" name="_edn47"><sup>48</sup></a>  Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Oito contradições da “ordem baseada em regras” imperialista</em>, Estudos sobre os dilemas contemporâneos, 13 de março de 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/oito-contradicoes-da-ordem-baseada-em-regras-imperialista/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/oito-contradicoes-da-ordem-baseada-em-regras-imperialista/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref48" name="_edn48"><sup>49</sup></a> Todas as imagens em “História comum dos países imperialistas” estão em domínio público ou em licença por Creative Commons. Ver atribuição, em relação cronológica: Joseph Swain, <em>A bordo de um navio negreiro</em>, c.1835, <a href="https://commons.m.wikimedia.org/wiki/File:On_Board_a_Slave-Ship,_engraving_by_Swain_c._1835_Colorized.jpg">https://commons.m.wikimedia.org/wiki/File:On_Board_a_Slave-Ship,_engraving_by_Swain_c._1835_Colorized.jpg</a>; Desconhecido,<em> Destruição dos Pequots</em>, c. século 19, <a href="https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:Mystic_Massacre_1637_Destruction_Of_The_Pequots_in_Connecticut.png">https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:Mystic_Massacre_1637_Destruction_Of_The_Pequots_in_Connecticut.png</a>; Desconhecido, <em>Conferência de Berlim sobre a divisão da África</em>, c. 1884, <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Afrikakonferenz.jpg">https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Afrikakonferenz.jpg</a>; William Heysham Overend, <em>Soldados chineses destroem bandeira britânica</em>, 8 de outubro de 1856, <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Chinese_officers_tear_down_the_British_flag_on_the_arrow.JPG">https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Chinese_officers_tear_down_the_British_flag_on_the_arrow.JPG</a>; Edward N. Jackson, Conselho de Quatro na conferência de paz de Paris na Primeira Guerra Mundial, 27 de maio de 1919,  <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/File:Big-Four-Paris_1919.jpg">https://en.wikipedia.org/wiki/File:Big-Four-Paris_1919.jpg</a>; Charles Levy, Nuvem atômica sobre <em>Nagasaki, Japão</em>, 9 de agosto de 1945, <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nagasakibomb.jpg">https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nagasakibomb.jpg</a></p>
<p><a href="#_ednref49" name="_edn49"><sup>50</sup></a> Utsa Patnaik, “Revisiting the ‘Drain’, or Transfer from India to Britain in the Context of Global Diffusion of Capitalism”, em <em>Agrarian and Other Histories: Essays for Binay Bhushan Chaudhuri</em>, editado por Shubhra Chakrabarti e Utsa Patnaik (Nova Délhi: Tulika, 2017).</p>
<p><a href="#_ednref50" name="_edn50"><sup>51</sup></a> Michael Johnson, “Teaching about Slavery”, Instituto de Pesquisa em Política Externa, agosto de 2008, <a href="https://www.fpri.org/article/2008/08/teaching-about-slavery/">https://www.fpri.org/article/2008/08/teaching-about-slavery/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref51" name="_edn51"><sup>52</sup></a> Wendy Sawyer e Peter Wagner, “Mass Incarceration: The Whole Pie 2023”, Iniciativa sobre Política Carcerária, 14 de março de 2023, <a href="https://www.prisonpolicy.org/reports/pie2023.html">https://www.prisonpolicy.org/reports/pie2023.html.</a></p>
<p><a href="#_ednref52" name="_edn52"><sup>53</sup></a> Comércio transatlântico de pessoas escravizadas – banco de dados, <em>SlaveVoyage</em>, 2019, <a href="https://www.slavevoyages.org/voyage/database">https://www.slavevoyages.org/voyage/database</a>.</p>
<p><a href="#_ednref53" name="_edn53"><sup>54</sup></a> Rachel Nuwer, “Mississippi Officially Ratifies Amendment to Ban Slavery, 148 Years Late”, <em>Smithsonian Magazine</em>, 20 de fevereiro de 2013, <a href="https://www.smithsonianmag.com/smart-news/mississippi-officially-ratifies-amendment-to-ban-slavery-148-years-late-21328041/">https://www.smithsonianmag.com/smart-news/mississippi-officially-ratifies-amendment-to-ban-slavery-148-years-late-21328041/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref54" name="_edn54"><sup>55</sup></a> Maria Mies, <em>Patriarchy and Accumulation on a World Scale: Women in the International Division of Labour </em>(Londres: Zed Books, 2001).</p>
<p><a href="#_ednref55" name="_edn55"><sup>56</sup></a> Jean Enriquez, “Das ‘mulheres de conforto’ à prostituição nas bases militares”, <em>Capire</em>, 18 de julho de 2023, <a href="https://capiremov.org/entrevista/das-mulheres-de-conforto-a-prostituicao-nas-bases-militares/">https://capiremov.org/entrevista/das-mulheres-de-conforto-a-prostituicao-nas-bases-militares/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref56" name="_edn56"><sup>57</sup></a> Cori Bush et. al., “Calling for an Immediate De-escalation and Cease-Fire in Israel and Occupied Palestine”, Pub. L. No. H.Res.786, 118º Congresso (2023-2024) (2023), <a href="https://www.congress.gov/bill/118th-congress/house-resolution/786/cosponsors">https://www.congress.gov/bill/118th-congress/house-resolution/786/cosponsors.</a></p>
<p><a href="#_ednref57" name="_edn57"><sup>58</sup></a> Rosalind C. Morris, “<em>Ursprüngliche Akkumulation</em>: The Secret of an Originary Mistranslation”, <em>boundary 2</em> 43, no. 3 (1 de agosto de 2016), p. 29–77, <a href="https://doi.org/10.1215/01903659-3572418">https://doi.org/10.1215/01903659-3572418</a>.</p>
<p><a href="#_ednref58" name="_edn58"><sup>59</sup></a> Daniel Larsen, <em>Plotting for Peace: American Peacemakers, British Codebreakers, and Britain at War, 1914-1917</em>, (Cambridge: Cambridge University Press, 2021), <a href="https://doi.org/10.1017/9781108761833">https://doi.org/10.1017/9781108761833</a>.</p>
<p><a href="#_ednref59" name="_edn59"><sup>60</sup></a> Lênin, <em>Imperialism</em>; Rudolf Hilferding, <em>Finance Capital: A Study of the Latest Phase of Capitalist Development </em>(Londres: Routledge &amp; Kegan Paul, 1985).</p>
<p><a href="#_ednref60" name="_edn60"><sup>61</sup></a> Vladimir Lenin, “Imperialism and the Split in Socialism”, em <em>V. I. Lenin Collected Works</em>, vol. 23 (Moscou: Progress Publishers, 1964), 114, <a href="https://www.marxists.org/archive/lenin/works/1916/oct/x01.htm.">https://www.marxists.org/archive/lenin/works/1916/oct/x01.htm.</a></p>
<p><a href="#_ednref61" name="_edn61"><sup>62</sup></a> “Lista de participantes da Reunião de Bilderberg de 2023”, <em>Public Intelligence</em>, 19 de maio de 2023, <a href="https://publicintelligence.net/2023-bilderberg-participant-list/">https://publicintelligence.net/2023-bilderberg-participant-list/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref62" name="_edn62"><sup>63</sup></a> Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>O golpe contra o Terceiro Mundo: Chile, 1973</em>, dossiê no. 68, 5 de setembro de 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-68-golpe-contra-terceiro-mundo-chile-1973/.">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-68-golpe-contra-terceiro-mundo-chile-1973/.</a></p>
<p><a href="#_ednref63" name="_edn63"><sup>64</sup></a> Nalu Faria, “O Feminismo Latino-Americano e Caribenho: Perspectivas Diante Do Neoliberalismo”, em <em>Desafios Do Livre Mercado Para O Feminismo</em>, Cadernos Sempreviva 9 (São Paulo: SOF, 2005).</p>
<p><a href="#_ednref64" name="_edn64"><sup>65</sup></a> Assange, <em>When Google Met WikiLeaks</em>.</p>
<p><a href="#_ednref65" name="_edn65"><sup>66</sup></a> Michael Hudson, <em>Super Imperialism: The Origin and Fundamentals of US World Dominance </em>(Londres: Pluto Press, 2003).</p>
<p><a href="#_ednref66" name="_edn66"><sup>67</sup></a> “The Transistor Revolution: How Transistors Changed the World”, <em>Arrow</em>, 22 de dezembro de 2022, <a href="https://www.arrow.com/en/research-and-events/articles/the-transistor-revolution-how-transistors-changed-the-world">https://www.arrow.com/en/research-and-events/articles/the-transistor-revolution-how-transistors-changed-the-world</a>; Omar Sohail, “Apple’s M3 Max Has the Highest Generational Leap in Transistor Count with a 37 Percent Difference Compared to the M2 Max”, <em>WCCF Tech</em>, 3 de novembro de 2023, <a href="https://wccftech.com/apple-m3-max-highest-transistor-count-for-any-m-series-chip/">https://wccftech.com/apple-m3-max-highest-transistor-count-for-any-m-series-chip/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref67" name="_edn67"><sup>68</sup></a><em> 2023 Year in Review – India Review</em>, Comscore, dezembro de 2023,<a href="https://www.comscore.com/Insights/Events-and-Webinars/Webinar/2023/2023-Year-in-Review-India-Edition"> https://www.comscore.com/Insights/Events-and-Webinars/Webinar/2023/2023-Year-in-Review-India-Edition</a>.</p>
<p><a href="#_ednref68" name="_edn68"><sup>69</sup></a> Kevin Townsend, “Bad Bots Account for 73% of Internet Traffic: Analysis”, <em>Security Week</em>, 16 de novembro de 2023, <a href="https://www.securityweek.com/bad-bots-account-for-73-of-internet-traffic-analysis/">https://www.securityweek.com/bad-bots-account-for-73-of-internet-traffic-analysis/</a>; <em>Unheard Voices: Evaluating Five Years of pro-Western Covert Influence Operations</em>, Graphika e Stanford Internet Observatory, 24 de agosto de 2022, <a href="https://public-assets.graphika.com/reports/graphika_stanford_internet_observatory_report_unheard_voice.pdf.">https://public-assets.graphika.com/reports/graphika_stanford_internet_observatory_report_unheard_voice.pdf.</a></p>
<p><a href="#_ednref69" name="_edn69"><sup>70</sup></a> Janan Ganesh, “America’s Cultural Supremacy and Geopolitical Weakness”, <em>Financial Times</em>, 19 de dezembro de 2023, <a href="https://www.ft.com/content/dce07860-f39e-432b-a0f6-1a2124e4e1a3">https://www.ft.com/content/dce07860-f39e-432b-a0f6-1a2124e4e1a3</a>.</p>
<p><a href="#_ednref70" name="_edn70"><sup>71</sup></a><em> Ver </em>Karl Marx, “Component Parts of Bank Capital”, em <em>Capital</em>, vol. III (Nova York: International Publishers, 1995), <a href="https://www.marxists.org/archive/marx/works/1894-c3/ch15.htm">https://www.marxists.org/archive/marx/works/1894-c3/ch15.htm</a>, p. 336-337.</p>
<p><a href="#_ednref71" name="_edn71"><sup>72</sup></a> “OTC Derivatives Statistics at End-June 2023”, Banco de Pagamentos Internacionais, 16 de novembro de 2023, <a href="https://www.bis.org/publ/otc_hy2311.pdf">https://www.bis.org/publ/otc_hy2311.pdf</a>.</p>
<p><a href="#_ednref72" name="_edn72"><sup>73</sup></a> Estatísticas de Derivativos OTC no final de junho de 2023.</p>
<p><a href="#_ednref73" name="_edn73"><sup>74</sup></a> Samir Amin, “How to Defeat the Collective Imperialism of the Triad”, <em>Monthly Review</em>, 5 de dezembro de 2022, <a href="https://mronline.org/2022/12/05/samir-amin-how-to-defeat-the-collective-imperialism-of-the-triad/">https://mronline.org/2022/12/05/samir-amin-how-to-defeat-the-collective-imperialism-of-the-triad/</a>; Samir Amin, <em>Globalisation and Its Alternative</em>, entrevista por Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, 30 de outubro de 2018, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/globalizacao-e-sua-alternativa/">https://dev.thetricontinental.org/globalisation-and-its-alternative/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref74" name="_edn74"><sup>75</sup></a>“Religion and the Founding of the American Republic”, Exposições, Biblioteca do Congresso, <a href="https://www.loc.gov/exhibits/religion/rel01.html">https://www.loc.gov/exhibits/religion/rel01.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref75" name="_edn75"><sup>76</sup></a> Mohammad Shahid Alam, <em>Israeli Exceptionalism: The Destabilising Logic of Zionism </em>(Nova York: Palgrave Macmillan, 2009), p. 109.</p>
<p><a href="#_ednref76" name="_edn76"><sup>77</sup></a> Stuart Laycock, <em>All the Countries We’ve Ever Invaded: And the Few We Never Got Round To </em>(Londres: The History Press, 2012).</p>
<p><a href="#_ednref77" name="_edn77"><sup>78</sup></a> ‘Israel Hits Gaza Strip with the Equivalent of Two Nuclear Bombs’, <em>Euro-Mediterranean Human Rights Monitor</em>, 2 de novembro de 2023,<a href="https://euromedmonitor.org/en/article/5908/Israel-hit-Gaza-Strip-with-the-equivalent-of-two-nuclear-bombs"> https://euromedmonitor.org/en/article/5908/Israel-hit-Gaza-Strip-with-the-equivalent-of-two-nuclear-bombs</a>.</p>
<p><a href="#_ednref78" name="_edn78"><sup>79</sup></a> Jeremy M. Sharp, <em>US Foreign Aid to Israel</em>, Congressional Research Service, 1 de março de 2023, <a href="https://crsreports.congress.gov/product/pdf/RL/RL33222">https://crsreports.congress.gov/product/pdf/RL/RL33222</a>/, i.</p>
<p><a href="#_ednref79" name="_edn79"><sup>80</sup></a> “How Much Aid Does the US Give to Israel?”, <em>USA FACTS</em>, 12 de outubro de 2023, <a href="https://usafacts.org/articles/how-much-military-aid-does-the-us-give-to-israel/">https://usafacts.org/articles/how-much-military-aid-does-the-us-give-to-israel/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref80" name="_edn80"><sup>81</sup></a> Vladimir Lênin, “Once Again on the Trade Unions: The Current Situation and the Mistakes of Trotsky and Bukharin”, em <em>V. I. Lenin Collected Works</em>, vol. 32 (Moscou: Progress Publishers, 1965), p. 70-107.</p>
<p><a href="#_ednref81" name="_edn81"><sup>82</sup></a> Justin Cremer, “Denmark Is One of the NSA’s ‘9-Eyes'”, <em>The Copenhagen Post</em>, 4 de novembro de 2013, <a href="https://web.archive.org/web/20131219010450/http:/cphpost.dk/news/denmark-is-one-of-the-nsas-9-eyes.7611.html">https://web.archive.org/web/20131219010450/http:/cphpost.dk/news/denmark-is-one-of-the-nsas-9-eyes.7611.html</a></p>
<p><a href="#_ednref82" name="_edn82"><sup>83</sup></a> Ryan Gallagher, “The Powerful Global Spy Alliance You Never Knew Existed”, <em>The Intercept</em>, 1<sup>o</sup> de março de 2018, <a href="https://theintercept.com/2018/03/01/nsa-global-surveillance-sigint-seniors/">https://theintercept.com/2018/03/01/nsa-global-surveillance-sigint-seniors/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref83" name="_edn83"><sup>84</sup></a> Office of Press Secretary, ‘Remarks By President Obama to the Australian Parliament’, The White House, 17 November 2011, <a href="https://obamawhitehouse.archives.gov/the-press-office/2011/11/17/remarks-president-obama-australian-parliament">https://obamawhitehouse.archives.gov/the-press-office/2011/11/17/remarks-president-obama-australian-parliament</a>.</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2"><sup>85</sup></a> NT: Alemanha Oriental.</p>
<p><a href="#_ednref84" name="_edn84"><sup>86</sup></a> “Japan Defence: China Threat Prompts Plan to Double Military Spending”, <em>BBC</em>, 16 de dezembro de 2022, <a href="https://www.bbc.com/news/world-asia-64001554">https://www.bbc.com/news/world-asia-64001554</a>.</p>
<p><a href="#_ednref85" name="_edn85"><sup>87</sup></a> De acordo com o Banco Mundial, “economias de alta renda são aquelas com um RNB per capita de US$ 13.846 ou mais”. <em>Ver </em>“World Bank Country and Lending Groups”, Banco Mundial, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://datahelpdesk.worldbank.org/knowledgebase/articles/906519#High_income;">https://datahelpdesk.worldbank.org/knowledgebase/articles/906519#High_income;</a> “GNI per Capita, Atlas Method (Current US$) – China”, Dados do Banco Mundial, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://data.worldbank.org/indicator/NY.GNP.PCAP.CD?end=2022&amp;locations=CN&amp;start=2005">https://data.worldbank.org/indicator/NY.GNP.PCAP.CD?end=2022&amp;locations=CN&amp;start=2005</a>.</p>
<p><a href="#_ednref86" name="_edn86"><sup>88</sup></a> Xi Jinping, discurso na Cerimônia de Encerramento do Fórum Empresarial do Brics 2023. Texto completo: <a href="https://newsaf.cgtn.com/news/2023-08-23/Full-text-Xi-Jinping-s-speech-at-the-Closing-Ceremony-of-the-BRICS-Business-Forum-2023-1mulkZSzuso/index.html">https://newsaf.cgtn.com/news/2023-08-23/Full-text-Xi-Jinping-s-speech-at-the-Closing-Ceremony-of-the-Brics-Business-Forum-2023-1mulkZSzuso/index.html</a></p>
<p><a href="#_ednref87" name="_edn87"><sup>89</sup></a> Para saber mais, <em>ver </em>Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>O mundo precisa de uma nova teoria socialista do desenvolvimento</em>, dossiê no. 66, 4 de julho de 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-66-teoria-do-desenvolvimento/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-66-teoria-do-desenvolvimento/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref88" name="_edn88"><sup>90</sup></a> Larissa Mies Bombardi, <em>Agrotóxicos e Colonialismo Químico </em>(São Paulo, SP: Elefante, 2023).</p>
<p><a href="#_ednref89" name="_edn89"><sup>91</sup></a> Larissa Packer e Camila Moreno, ed., O Brasil Na Retomada Verde: Integrar Para Entregar (Brasília: Grupo Carta de Belém, 2021).</p>
<p><a href="#_ednref90" name="_edn90"><sup>92</sup></a> Elaboração própria com base em dados do Banco Mundial.</p>
<p><a href="#_ednref91" name="_edn91"><sup>93</sup></a> Instituto Tricontinental de Pesquisa Social,<em> Servir ao povo: a erradicação da pobreza extrema na China</em>, Estudos Socialismo em Construção no. 1, 23 de julho de 2021, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-1-socialismo-em-construcao/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-1-socialismo-em-construcao/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref92" name="_edn92"><sup>94</sup></a> Xi Jinping, Hold High the Great Banner of Socialism with Chinese Characteristics and Strive in Unity to Build a Modern Socialist Country in All Respects, relatório para o 20º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, 16 de outubro de 2022, <a href="http://my.china-embassy.gov.cn/eng/zgxw/202210/t20221026_10792358.htm.">http://my.china-embassy.gov.cn/eng/zgxw/202210/t20221026_10792358.htm.</a></p>
<p><a href="#_ednref93" name="_edn93"><sup>95</sup></a> Karl Marx e Friedrich Engels, <em>The Communist Manifesto</em>, 22ª impressão da edição do 100º aniversário (Nova York: International Publishers, 1979).</p>
<p><a href="#_ednref94" name="_edn94"><sup>96</sup></a> Bureau of Political-Military Affairs, “US Security Cooperation with Ukraine”, Departamento de Estado dos EUA, 12 de dezembro de 2023, <a href="https://www.state.gov/u-s-security-cooperation-with-ukraine">https://www.state.gov/u-s-security-cooperation-with-ukraine</a>/.</p>
<p><a href="#_ednref95" name="_edn95"><sup>97</sup></a> Joe Biden, “Remarks by President Biden on the End of the War in Afghanistan”, Casa Branca, 31 de agosto de 2021, <a href="https://www.whitehouse.gov/briefing-room/speeches-remarks/2021/08/31/remarks-by-president-biden-on-the-end-of-the-war-in-afghanistan/">https://www.whitehouse.gov/briefing-room/speeches-remarks/2021/08/31/remarks-by-president-biden-on-the-end-of-the-war-in-afghanistan/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref96" name="_edn96"><sup>98</sup></a> Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Dossiê 3: A guerra sangrenta e implacável da Síria</em>, dossiê no. 3, 5 de abril de 2018, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-3-a-guerra-sangrenta-e-implacavel-da-siria/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-3-a-guerra-sangrenta-e-implacavel-da-siria/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref97" name="_edn97"><sup>99</sup></a> “Manufacturing, Value Added (% Of GDP) – South Africa”, Dados do Banco Mundial, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://data.worldbank.org/indicator/NV.IND.MANF.ZS?locations=ZA">https://data.worldbank.org/indicator/NV.IND.MANF.ZS?locations=ZA</a>.</p>
<p><a href="#_ednref98" name="_edn98"><sup>100</sup></a> Rodríguez, “The Human Consequences of Economic Sanctions”.</p>
<p><a href="#_ednref99" name="_edn99"><sup>101</sup></a> Tricontinental: Institute for Social Research, ‘The Emergence of a New Non-Alignment’, newsletter no. 24, 15 June 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-novo-nao-alinhamento/">https://dev.thetricontinental.org/newsletterissue/new-non-alignment/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref100" name="_edn100"><sup>102</sup></a> Patrick Wintour, “Gulf States Fend off Call From Iran to Arm Palestinians at Riyadh Summit”, <em>The Guardian</em>, 12 de novembro de 2023, <a href="https://www.theguardian.com/world/2023/nov/12/gulf-states-fend-off-call-from-iran-to-arm-palestinians-at-riyadh-summit">https://www.theguardian.com/world/2023/nov/12/gulf-states-fend-off-call-from-iran-to-arm-palestinians-at-riyadh-summit</a>.</p>
<p><a href="#_ednref101" name="_edn101"><sup>103</sup></a> Elaboração própria com base em dados do Banco Mundial.</p>
<p><a href="#_ednref102" name="_edn102"><sup>104</sup></a> Patrick Wintour, “Gulf States Fend off Call From Iran to Arm Palestinians at Riyadh Summit”, <em>The Guardian</em>, 12 de novembro de 2023, <a href="https://www.theguardian.com/world/2023/nov/12/gulf-states-fend-off-call-from-iran-to-arm-palestinians-at-riyadh-summit">https://www.theguardian.com/world/2023/nov/12/gulf-states-fend-off-call-from-iran-to-arm-palestinians-at-riyadh-summit</a>.</p>
<p><a href="#_ednref103" name="_edn103"><sup>105</sup></a> “Exports of Goods and Services (Current US$) – Indonesia”, Dados do Banco Mundial, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://data.worldbank.org/indicator/NE.EXP.GNFS.CN?locations=ID">https://data.worldbank.org/indicator/NE.EXP.GNFS.CN?locations=ID</a>.</p>
<p><a href="#_ednref104" name="_edn104"><sup>106</sup></a> Daniel Kritenbrink et al., “Joint Statement on the United States-Indonesia Senior Officials’ 2+2 Foreign Policy and Defense Dialogue”, Departamento de Defesa dos EUA, 23 de outubro de 2023, <a href="https://www.defense.gov/News/Releases/Release/Article/3566363/joint-statement-on-the-united-states-indonesia-senior-officials-22-foreign-poli/">https://www.defense.gov/News/Releases/Release/Article/3566363/joint-statement-on-the-united-states-indonesia-senior-officials-22-foreign-poli/</a>; “US Embassy Tracked Indonesia Mass Murder 1965”, <em>Arquivo de Segurança Nacional</em>, 17 de outubro de 2017, <a href="https://nsarchive.gwu.edu/briefing-book/indonesia/2017-10-17/indonesia-mass-murder-1965-us-embassy-files">https://nsarchive.gwu.edu/briefing-book/indonesia/2017-10-17/indonesia-mass-murder-1965-us-embassy-files</a>.</p>
<p><a href="#_ednref105" name="_edn105"><sup>107</sup></a> Ana Esther Ceceña e David Rodriguez, “La Guerra Contra El Narco En México Como Política de Reordenamiento Social”, OLAG, no 157 (2022), <a href="https://geopolitica.iiec.unam.mx/index.php/node/1294">https://geopolitica.iiec.unam.mx/index.php/node/1294</a>.</p>
<p><a href="#_ednref106" name="_edn106"><sup>108</sup></a> Timothy A. Wise, “The US Assault on Mexico’s Food Sovereignty”, <em>Global Issues</em>, 6 de junho de 2023, <a href="https://www.globalissues.org/news/2023/06/06/33954">https://www.globalissues.org/news/2023/06/06/33954</a>.</p>
<p><a href="#_ednref107" name="_edn107"><sup>109</sup></a> Chaba Brahim, “‘Até que nossos territórios sejam livres’: mulheres do Saara Ocidental em luta permanente”, <em>Capire</em>, 18 de fevereiro de 2021, <a href="https://capiremov.org/entrevista/ate-que-nossos-territorios-sejam-livres/">https://capiremov.org/entrevista/ate-que-nossos-territorios-sejam-livres/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref108" name="_edn108"><sup>110</sup></a> “The Spirit of Camp David: Joint Statement of Japan, the Republic of Korea, and the United States”, declaração à imprensa, Casa Branca, <a href="https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2023/08/18/the-spirit-of-camp-david-joint-statement-of-japan-the-republic-of-korea-and-the-united-states/">https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2023/08/18/the-spirit-of-camp-david-joint-statement-of-japan-the-republic-of-korea-and-the-united-states/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref109" name="_edn109"><sup>111</sup></a> Shanna Khayat, “GSOMIA vs. TISA: What Is the Big Deal?”, <em>Fórum do Pacífico</em>, 10 de fevereiro de 2020, <a href="https://pacforum.org/publication/yl-blog-19-gsomia-vs-tisa-what-is-the-big-deal">https://pacforum.org/publication/yl-blog-19-gsomia-vs-tisa-what-is-the-big-deal</a>.</p>
<p><a href="#_ednref110" name="_edn110"><sup>112</sup></a> Os dados e gráficos desta seção do documento baseiam-se em grande parte na pesquisa publicada pelo economista John Ross.</p>
<p><a href="#_ednref111" name="_edn111"><sup>113</sup></a> Calculado por John Ross a partir de <em>One Hundred Years of Economic Statistics: </em>United Kingdom, United States of America, Australia, Canada, France, Germany, Italy, Japan, <em>and </em>Sweden, compilado por T. Liesner (The Economist, 1989) e “International Transactions”, Tabela 1, Escritório de Dados de Análise Econômica, acessado em 13 de novembro de 2022, <a href="https://www.bea.gov/data/intl-trade-investment/international-transactions">https://www.bea.gov/data/intl-trade-investment/international-transactions</a>.</p>
<p><a href="#_ednref112" name="_edn112"><sup>114</sup></a> Lênin, “Once Again on the Trade Unions”.</p>
<p><a href="#_ednref113" name="_edn113"><sup>115</sup></a> Atish Rex Ghosh e Uma Ramakrishnan, “Current Account Deficits”, Fundo Monetário Internacional, acessado em 7 de dezembro de 2023, <a href="https://www.imf.org/en/Publications/fandd/issues/Series/Back-to-Basics/Current-Account-Deficits">https://www.imf.org/en/Publications/fandd/issues/Series/Back-to-Basics/Current-Account-Deficits</a>.</p>
<p><a href="#_ednref114" name="_edn114"><sup>116</sup></a> Hudson, <em>Super Imperialism</em>, 77.</p>
<p><a href="#_ednref115" name="_edn115"><sup>117</sup></a> Langston Hughes, <em>The Collected Poems of Langston Hughes</em>, 1ª edição (Nova York: Knopf, distribuído pela Random House, 1994).</p>
<p><a href="#_ednref116" name="_edn116"><sup>118</sup></a> Vladimir Putin, discurso proferido no Conselho de Segurança de Munique, Munique, Alemanha, 10 de fevereiro de 2007, <a href="https://is.muni.cz/th/xlghl/DP_Fillinger_Speeches.pdf">https://is.muni.cz/th/xlghl/DP_Fillinger_Speeches.pdf</a>.</p>
<p><a href="#_ednref117" name="_edn117"><sup>119</sup></a> Para entender por que evitamos usar os termos “grande recessão” ou “grande crise financeira”, <em>ver </em>estudo: <em>O mundo em depressão econômica: uma análise marxista da crise</em>, caderno no. 4, 10 de outubro de 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-caderno-4-crise-economica/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-caderno-4-crise-economica/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref118" name="_edn118"><sup>120</sup></a> Independent Voter Project, “DNC to Court: We Are a Private Corporation With No Obligation to Follow Our Rules”, <em>Independent Voter News</em>, 14 de agosto de 2022, <a href="https://ivn.us/posts/dnc-to-court-we-are-a-private-corporation-with-no-obligation-to-follow-our-rules">https://ivn.us/posts/dnc-to-court-we-are-a-private-corporation-with-no-obligation-to-follow-our-rules</a>.</p>
<p><a href="#_ednref119" name="_edn119"><sup>121</sup></a> Associated Press, “Many Who Met with Clinton as Secretary of State Donated to Foundation”, CNBC, 23 de agosto de 2016, <a href="https://www.cnbc.com/2016/08/23/most-of-those-who-met-with-clinton-as-secretary-of-state-donated-to-foundation.html">https://www.cnbc.com/2016/08/23/most-of-those-who-met-with-clinton-as-secretary-of-state-donated-to-foundation.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref120" name="_edn120"><sup>122</sup></a> Joseph A. Schumpeter, <em>Capitalism, Socialism, and Democracy </em>(Nova York: Harper Perennial Modern Thought, 2008).</p>
<p><a href="#_ednref121" name="_edn121"><sup>123</sup></a><em> The Military Balance 2022</em>, Instituto Internacional de Estudos de Segurança, 15 de fevereiro de 2023, <a href="https://www.iiss.org/en/publications/the-military-balance/">https://www.iiss.org/en/publications/the-military-balance/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref122" name="_edn122"><sup>124</sup></a> Vijay Prashad, <em>The Poorer Nations: A Possible History of the Global South </em>(Londres  e Nova York: Verso, 2014).</p>
<p><a href="#_ednref123" name="_edn123"><sup>125</sup></a> A. De La Cruz, A. Medina e Y. Tang, “Owners of the World’s Listed Companies”, Série de Mercado de Capitais da OCDEOECD Capital Market Series, 17 de outubro de 2019, <a href="https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.htm">https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.htm</a>.</p>
<p><a href="#_ednref124" name="_edn124"><sup>126</sup></a> <em>Who Owns the German DAX? The Ownership Structure of the German DAX 30 in 2020 – A Joint Study of IHS Markit and DIRK</em>, IHS Markit, junho de 2021, <a href="https://cdn.ihsmarkit.com/www/pdf/0621/DAX-Study-2020---DIRK-Conference-June-2021_IHS-Markit.pdf">https://cdn.ihsmarkit.com/www/pdf/0621/DAX-Study-2020—DIRK-Conference-June-2021_IHS-Markit.pdf</a>.</p>
<p><a href="#_ednref125" name="_edn125"><sup>127</sup></a> Henrik Ahlers, <em>Wem gehört der DAX? </em><em>Analyse der Aktionärsstruktur der im Deutschen Aktienindex vertretenen Unternehmen</em> [Quem é o dono do DAX? Análise da estrutura de acionistas das empresas no DAXem 2018 – versão resumida] (Ernst &amp; Young, julho de 2023), <a href="https://www.ey.com/de_de/forms/download-forms/2023/07/wem-gehoert-der-dax-2023">https://www.ey.com/de_de/forms/download-forms/2023/07/wem-gehoert-der-dax-2023</a>.</p>
<p><a href="#_ednref126" name="_edn126"><sup>128</sup></a>  <em> Quem é o dono do DAX alemão? </em></p>
<p><a href="#_ednref127" name="_edn127"><sup>129</sup></a> “Foreign Direct Investment, Net Inflows (BoP, Current US$) – Germany”, Dados do Banco Mundial, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://data.worldbank.org/indicator/BX.KLT.DINV.CD.WD?end=2022&amp;locations=DE&amp;start=1971">https://data.worldbank.org/indicator/BX.KLT.DINV.CD.WD?end=2022&amp;locations=DE&amp;start=1971</a>.</p>
<p><a href="#_ednref128" name="_edn128"><sup>130</sup></a> John Ross, 事实表明，中国经济表现继续远优于G7’事实表明，中国经济表现继续远优于G7国家 [Fatos mostram que a economia da China continua a superar com folga as economias do G7]”, <em>Weibo </em>(blog), 12 de abril de 2023, <a href="https://weibo.com/ttarticle/p/show?id=2309404975244548113063">https://weibo.com/ttarticle/p/show?id=2309404975244548113063</a>.</p>
<p><a href="#_ednref129" name="_edn129"><sup>131</sup></a> “US Companies Dominating European TV Market”, <em>Moonshot News </em>(blog), 20 de janeiro de 2022, <a href="https://moonshot.news/news/media-news/us-companies-dominating-european-tv-market/">https://moonshot.news/news/media-news/us-companies-dominating-european-tv-market/</a>; Agnes Schneeberger, “Audiovisual Media Services in Europe – 2023 edition”, junho de 2023, Observatório Audiovisual Europeu e Conselho da Europa, <a href="https://rm.coe.int/audiovisual-media-services-in-europe-2023-edition-a-schneeberger/1680abc9bc#:~:text=Around%20one%20in%20five%20(18,in%20documentary%20and%20children's%20programming">https://rm.coe.int/audiovisual-media-services-in-europe-2023-edition-a-schneeberger/1680abc9bc#:~:text=Around%20one%20in%20five%20(18,in%20documentary%20and%20children’s%20programming</a><u>, 7.</u></p>
<p><a href="#_ednref130" name="_edn130"><sup>132</sup></a> Hudson, <em>Super Imperialism</em>.</p>
<p><a href="#_ednref131" name="_edn131"><sup>133</sup></a> ‘Namibia Condemns Germany for Defending Israel in ICJ Genocide Case’, <em>Al Jazeera</em>, 14 January 2024, <a href="https://www.aljazeera.com/news/2024/1/14/namibia-condemns-germany-for-defending-israel-in-icj-genocide-case">https://www.aljazeera.com/news/2024/1/14/namibia-condemns-germany-for-defending-israel-in-icj-genocide-case</a>.</p>
<p><a href="#_ednref132" name="_edn132"><sup>134</sup></a> Marx, “Exposition of the Internal Contradictions of the Law”.</p>
<p><a href="#_ednref133" name="_edn133"><sup>135</sup></a> David Hoffman, “Russia’s Billionaire Matchmaker To the West”, <em>Washington Post</em>, 24 de setembro de 2002, <a href="https://www.washingtonpost.com/archive/lifestyle/2002/09/24/russias-billionaire-matchmaker-to-the-west/e6c98740-ac21-4933-a445-674ea6149102">https://www.washingtonpost.com/archive/lifestyle/2002/09/24/russias-billionaire-matchmaker-to-the-west/e6c98740-ac21-4933-a445-674ea6149102</a>.</p>
<p><a href="#_ednref134" name="_edn134"><sup>136</sup></a> Brian D. Blankenship, “NATO and the Persistent Problem of German Defense Spending”, Cornell University Press (blog), 1 de novembro de 2023, <a href="https://www.cornellpress.cornell.edu/burden-sharing-dilemma-coercive-diplomacy-brian-blankenship-11-01-2023/">https://www.cornellpress.cornell.edu/burden-sharing-dilemma-coercive-diplomacy-brian-blankenship-11-01-2023/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref135" name="_edn135"><sup>137</sup></a> Mari Yamguchi, “Japan to Jointly Develop New Fighter Jet with UK, Italy’, <em>Associated Press</em>, 9 de dezembro de 2022, <a href="https://apnews.com/article/business-japan-united-kingdom-government-states-219e0adadd5f14b115766141cd0c5f6f">https://apnews.com/article/business-japan-united-kingdom-government-states-219e0adadd5f14b115766141cd0c5f6f</a>.</p>
<p><a href="#_ednref136" name="_edn136"><sup>138</sup></a> Valerie Insinna, “US Gives the Green Light to Japan’s $23B F-35 Buy”, 10 de julho de 2020, <a href="https://www.defensenews.com/smr/2020/07/09/us-gives-the-green-light-to-japans-massive-23b-f-35-buy/">https://www.defensenews.com/smr/2020/07/09/us-gives-the-green-light-to-japans-massive-23b-f-35-buy/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref137" name="_edn137"><sup>139</sup></a> Se houver evidências de que a indústria tem uma conversão significativamente menor do que outros elementos do PIB, os números da PPC que apresentamos superestimariam as porcentagens do Sul Global. Acreditamos que, apesar desse possível erro, a direção dessa abordagem oferece contribuições úteis. A composição percentual do PIB por setor depende dos dados de preço usados para medir o valor agregado de cada um deles. Os fatores de conversão de PPC são estimativas estatísticas baseadas em cestas de bens e serviços relativos a anos de referência que são posteriormente aplicadas ao PIB relativas às estimativas de PIB (PPC).</p>
<p><a href="#_ednref138" name="_edn138"><sup>140</sup></a> Barbara Kollmeyer, “‘Right Now There Are Changes, the Likes of Which We Haven’t Seen in 100 Years.’ Here’s What China’s Xi Said to Putin before Leaving Russia”, <em>Market Watch</em>, 22 de março de 2023, <a href="https://www.marketwatch.com/story/right-now-there-are-changes-the-likes-of-which-we-havent-seen-in-100-years-what-china-president-xi-said-to-putin-before-leaving-russia-d15150ce">https://www.marketwatch.com/story/right-now-there-are-changes-the-likes-of-which-we-havent-seen-in-100-years-what-china-president-xi-said-to-putin-before-leaving-russia-d15150ce</a>.</p>
<p><a href="#_ednref139" name="_edn139"><sup>141</sup></a> Agnieszka Bryc, “The Russian Federation and Reshaping a Post-Cold War Order”, <em>Politeja </em>5, no. 62 (31 de outubro de 2019), p. 161–74, <a href="https://doi.org/10.12797/Politeja.16.2019.62.09">https://doi.org/10.12797/Politeja.16.2019.62.09</a>;  Vladimir Putin, discurso proferido no Conselho de Segurança de Munique, Munique, Alemanha, 10 de fevereiro de 2007, <a href="https://is.muni.cz/th/xlghl/DP_Fillinger_Speeches.pdf">https://is.muni.cz/th/xlghl/DP_Fillinger_Speeches.pdf</a>.</p>
<p><a href="#_ednref140" name="_edn140"><sup>142</sup></a> “Special Report: Cables Show US Sizing up China’s Next Leader”, <em>Reuters</em>, 17 de fevereiro de 2011, <a href="https://www.reuters.comarticle/idUSTRE71G5WH/">https://www.reuters.comarticle/idUSTRE71G5WH/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref141" name="_edn141"><sup>143</sup></a> Luke Hunt, ‘The World’s Gaze Turns to the South Pacific”, <em>The Diplomat</em>, 4 de setembro de 2012, <a href="https://thediplomat.com/2012/09/the-worlds-gaze-turns-to-the-south-pacific/">https://thediplomat.com/2012/09/the-worlds-gaze-turns-to-the-south-pacific/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref142" name="_edn142"><sup>144</sup></a> Xi Jinping, “Remarks by President Obama and President Xi Jinping in Joint Press Conference”, 12 de novembro de 2014, Casa Branca, <a href="https://obamawhitehouse.archives.gov/the-press-office/2014/11/12/remarks-president-obama-and-president-xi-jinping-joint-press-conference#:~:text=At%20the%20same%20time%2C%20I,instead%20of%20mutually%20exclusive%20ones">https://obamawhitehouse.archives.gov/the-press-office/2014/11/12/remarks-president-obama-and-president-xi-jinping-joint-press-conference#:~:text=At%20the%20same%20time%2C%20I,instead%20of%20mutually%20exclusive%20ones</a>.</p>
<p><a href="#_ednref143" name="_edn143"><sup>145</sup></a> “China to Leapfrog US as World’s Biggest Economy by 2028 – Think Tank”, <em>Reuters</em>, 26 de dezembro de 2020, <a href="https://www.reuters.com/article/idUSKBN290003/">https://www.reuters.com/article/idUSKBN290003/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref144" name="_edn144"><sup>146</sup></a> Zbigniew Brzezinski, <em>The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives</em> (New York: Basic Books, 1997), 55; 30–31.</p>
<p><a href="#_ednref145" name="_edn145"><sup>147</sup></a> Editores, “Notes from the Editors”, <em>Monthly Review </em>75, no. 4 (1 de setembro de 2023), <a href="https://monthlyreview.org/2023/09/01/mr-075-04-2023-08_0/">https://monthlyreview.org/2023/09/01/mr-075-04-2023-08_0/</a>;  Jake Sullivan, “Remarks by National Security Advisor Jake Sullivan on Renewing American Economic Leadership at the Brookings Institution”, Casa Branca, 27 de abril de 2023, <a href="https://www.whitehouse.gov/briefing-room/speeches-remarks/2023/04/27/remarks-by-national-security-advisor-jake-sullivan-on-renewing-american-economic-leadership-at-the-brookings-institution/">https://www.whitehouse.gov/briefing-room/speeches-remarks/2023/04/27/remarks-by-national-security-advisor-jake-sullivan-on-renewing-american-economic-leadership-at-the-brookings-institution/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref146" name="_edn146"><sup>148</sup></a> Nomaan Merchant et al., “US Announces $345 Million Military Aid Package for Taiwan”, TIME, 29 de julho de 2023, <a href="https://time.com/6299419/us-military-aid-taiwan/">https://time.com/6299419/us-military-aid-taiwan/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref147" name="_edn147"><sup>149</sup></a> Apesar das recentes denúncias de práticas fraudulentas, a economia comportamental foi utilizada com sucesso como arma pela inteligência dos EUA em campanhas de mídia on-line.</p>
<p><a href="#_ednref148" name="_edn148"><sup>150</sup></a> Daniel McAdams, “‘What Is The Empire’s Strategy?” – Col Lawrence Wilkerson Speech At RPI Media &amp; War Conference”, Instituto Ron Paul pela Paz e a Prosperidade, 22 de agosto de 2018, <a href="https://ronpaulinstitute.org/what-is-the-empires-strategy-col-lawrence-wilkerson-speech-at-rpi-media-war-conference/">https://ronpaulinstitute.org/what-is-the-empires-strategy-col-lawrence-wilkerson-speech-at-rpi-media-war-conference/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref149" name="_edn149"><sup>151</sup></a> Colum Lynch, “State Department Lawyers Concluded Insufficient Evidence to Prove Genocide in China”, <em>Foreign Policy</em>, 19 de fevereiro de 2021, <a href="https://foreignpolicy.com/2021/02/19/china-uighurs-genocide-us-pompeo-blinken/">https://foreignpolicy.com/2021/02/19/china-uighurs-genocide-us-pompeo-blinken/</a>; ‘Textile Exports by Country 2023’, <em>World Population Review</em>, acessado em 26 de dezembro de 2023, <a href="https://worldpopulationreview.com/country-rankings/textile-exports-by-country">https://worldpopulationreview.com/country-rankings/textile-exports-by-country</a>; “China’s Major Exports by Quantity and Value, December 2022 (in USD)”, Administração Geral de Alfândegas, República Popular da China, 8 de janeiro de 2023, <a href="http://english.customs.gov.cn/Statics/aeb5aefa-b537-4ef3-8e13-59244228cb0e.html">http://english.customs.gov.cn/Statics/aeb5aefa-b537-4ef3-8e13-59244228cb0e.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref150" name="_edn150"><sup>152</sup></a> Li Xuanmin, “A Decade of BRI Development Transforms China’s Xinjiang Region into a Core Area of the Silk Road Economic Belt – Global Times”, <em>Global Times</em>, 1 de outubro de 2023, <a href="https://www.globaltimes.cn/page/202310/1299158.shtml">https://www.globaltimes.cn/page/202310/1299158.shtml</a>.</p>
<p><a href="#_ednref151" name="_edn151"><sup>153</sup></a>  Gregory C. Allen, “Choking off China’s Access to the Future of AI”, Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, 11 de outubro de 2023, <a href="https://www.csis.org/analysis/choking-chinas-access-future-ai">https://www.csis.org/analysis/choking-chinas-access-future-ai</a>.</p>
<p><a href="#_ednref152" name="_edn152"><sup>154</sup></a> Alex W. Palmer, ” ‘An Act of War’: Inside America’s Silicon Blockade Against China”, <em>The New York Times</em>, 12 de julho de 2023, <a href="https://www.nytimes.com/2023/07/12/magazine/semiconductor-chips-us-china.html">https://www.nytimes.com/2023/07/12/magazine/semiconductor-chips-us-china.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref153" name="_edn153"><sup>155</sup></a> Xinhua, “The Belt and Road Initiative: A Key Pillar of the Global Community of Shared Future”, Escritório de Informações do Conselho de Estado, República Popular da China, 10 de outubro de 2023, <a href="http://english.scio.gov.cn/whitepapers/2023-10/10/content_116735061_5.htm">http://english.scio.gov.cn/whitepapers/2023-10/10/content_116735061_5.htm</a>.</p>
<p><a href="#_ednref154" name="_edn154"><sup>156</sup></a> David Choi, “US, South Korean, Canadian Warships Train in Yellow Sea Ahead of Incheon Anniversary”, <em>Stars and Stripes</em>, 15 de setembro de 2023, <a href="https://www.stripes.com/branches/navy/2023-09-15/trilateral-naval-drill-yellow-sea-incheon-11383145.html">https://www.stripes.com/branches/navy/2023-09-15/trilateral-naval-drill-yellow-sea-incheon-11383145.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref155" name="_edn155"><sup>157</sup></a> An Dong, ‘黄海军演仅5小时，美准航母跑路，舰载机坠毁，美军被迫发帖寻找 [Apenas cinco horas depois de inicar exercício naval no Mar Amarelo, pseudo-porta-aviões dos EUA foge, carregador se acidenta e exército é forçado a mandar buscas para encontrá-lo]”, <em>IFENG</em>, 18 de setembro de 2023, <a href="https://i.ifeng.com/c/8TBMF5tH2bY">https://i.ifeng.com/c/8TBMF5tH2bY</a>.</p>
<p><a href="#_ednref156" name="_edn156"><sup>158</sup></a> “Investor FAQs”, Novo Banco de Desenvolvimento, acessado em 26 de novembro de 2023, <a href="https://www.ndb.int/investor-relations/inverstor-faqs/">https://www.ndb.int/investor-relations/inverstor-faqs/</a>; Centro de Informaçeõs do Brics, ‘Treaty for the Establishment of a Brics Contingent Reserve Arrangement’, Universidade de Toronto, acessado em 26 de novembro de 2023, <a href="http://www.brics.utoronto.ca/docs/140715-treaty.html">http://www.brics.utoronto.ca/docs/140715-treaty.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref157" name="_edn157"><sup>159</sup></a> “Answers to the Questions of the Video Conference ‘SCO – Shaping Eurasia'”, Organização de Cooperação de Xangai, 27 de outubro de 2020, <a href="https://eng.sectsco.org/20201027/686658.html">https://eng.sectsco.org/20201027/686658.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref158" name="_edn158"><sup>160</sup></a> Christoph Nedopil Wang, “China Belt and Road Initiative (BRI) Investment Report 2023 H1”, Centro de Desenvolvimento e Finanças Verdes, 1 de agosto de 2023, <a href="https://greenfdc.org/china-belt-and-road-initiative-bri-investment-report-2023-h1/">https://greenfdc.org/china-belt-and-road-initiative-bri-investment-report-2023-h1/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref159" name="_edn159"><sup>161</sup></a> Mao Tsé-Tung, “Speech at the Wuchang Meeting of the Political Bureau of the Central Committee of the Communist Party of China”, em <em>Selected Works of Mao Tse-Tung</em>, vol. IV (Pequim: Foreign Languages Press, 1958), p. 98-99, <a href="https://www.marxists.org/reference/archive/mao/works/red-book/ch06.htm.">https://www.marxists.org/reference/archive/mao/works/red-book/ch06.htm.</a></p>
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		<title>Oito contradições da “ordem baseada em regras” imperialista</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Mar 2023 08:00:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nosso último estudo analisa como o declínio da hegemonia do Norte Global mudou o cenário geopolítico e abriu novas possibilidades para o Sul Global.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-74901 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2023/03/20230310_Eight-contradictions_SM_PT.png" alt="" width="950" height="499" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2023/03/20230310_Eight-contradictions_SM_PT.png 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2023/03/20230310_Eight-contradictions_SM_PT-300x158.png 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2023/03/20230310_Eight-contradictions_SM_PT-768x403.png 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<p> </p>
<p>Estamos agora entrando em uma fase qualitativamente nova da história mundial. Mudanças globais significativas surgiram nos anos que se seguiram à Grande Crise Financeira de 2008. Isso pode ser visto em uma nova fase do imperialismo e em mudanças explicitadas nessas oito contradições.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><b><span style="color: #ba2025;">1. A contradição entre o imperialismo moribundo e um socialismo emergente bem sucedido liderado pela China</span>.</b></h3>
<p>Essa contradição se intensificou com a ascensão pacífica do socialismo com características chinesas. Pela primeira vez em 500 anos, as potências imperialistas atlânticas são confrontadas por uma grande potência econômica não-branca que pode competir com elas. Isso ficou claro em 2013, quando o PIB da China, na busca por paridade de poder de compra (PPP), ultrapassou o dos Estados Unidos. A China conseguiu isso em um período muito mais curto que o Ocidente, com uma população muito maior e sem colônias, sem escravizar trabalhadores ou promover conquistas militares. Enquanto a China defende relações pacíficas, os EUA tornaram-se cada vez mais belicosos.</p>
<p>Os EUA lideram o campo imperialista desde a Segunda Guerra Mundial. Pós-Angela Merkel e com o advento da operação militar na Ucrânia, os EUA subordinaram estrategicamente setores dominantes da burguesia européia e japonesa. Isso resultou no enfraquecimento das contradições intra-imperialistas. Os EUA primeiro permitiram e depois exigiram que tanto o Japão (a terceira maior economia do mundo) quanto a Alemanha (a quarta maior economia) – duas potências fascistas durante a Segunda Guerra Mundial – aumentassem consideravelmente seus gastos militares. O resultado foi o fim do relacionamento econômico da Europa com a Rússia, danos à economia europeia e benefícios econômicos e políticos para os EUA. Apesar da capitulação da maior parte da elite política da Europa à total subordinação dos Estados Unidos, alguns grandes setores do capital alemão dependem fortemente do comércio com a China, muito mais do que de suas contrapartes estadunidenses. Os EUA, no entanto, agora estão pressionando a Europa para reduzir seus laços com a China.</p>
<p>Mais importante, a China e o campo socialista agora enfrentam uma entidade ainda mais perigosa: a estrutura consolidada da Tríade (Estados Unidos, Europa e Japão). A crescente decadência social interna dos EUA não deve mascarar a unidade quase absoluta de sua elite política na política externa. Assistimos à burguesia colocando seus interesses políticos e militares acima de seus interesses econômicos de curto prazo.</p>
<p>O centro da economia mundial está mudando, com a Rússia e o Sul Global (incluindo a China) representando agora 65% do PIB mundial (medido em PPP). De 1950 até o presente, a participação dos EUA no PIB global (em PPP) caiu de 27% para 15%. O crescimento do PIB dos EUA também vem caindo há mais de cinco décadas e agora caiu para apenas cerca de 2% ao ano. Não há grandes novos mercados para onde expandir. O Ocidente sofre uma crise geral contínua do capitalismo, bem como das consequências da tendência de longo prazo da queda da taxa de lucro.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b>2.A contradição entre as classes dominantes do pequeno grupo de países imperialistas do G7 e a elite política e econômica dos países capitalistas do Sul Global. </b></span></h3>
<p>Essa relação passou por uma grande mudança desde o auge da década de 1990 e o auge do poder unilateral e da arrogância dos EUA. Hoje, há rachaduras crescentes na aliança entre o G7 e as elites do poder do Sul Global. Mukesh Ambani e Gautam Adani, os maiores bilionários da Índia, precisam de petróleo e carvão da Rússia. O governo de extrema-direita liderado por Modi representa a burguesia monopolista da Índia. Assim, o ministro das Relações Exteriores indiano agora faz declarações ocasionais contra a hegemonia dos EUA nas finanças, sanções e outras áreas. O Ocidente não tem capacidade econômica e política para fornecer sempre o que as elites do poder na Índia, Arábia Saudita e Turquia precisam. Essa contradição, no entanto, não se agudizou a ponto de ser um ponto focal de outras contradições, ao contrário da contradição entre a China socialista e o bloco G7 liderado pelos EUA.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b>3. A contradição entre a ampla classe trabalhadora urbana e rural e setores da pequena burguesia (conhecidas coletivamente como as classes populares) do Sul Global </b><b><i>versus </i></b></span><b><span style="color: #ba2025;">a elite do poder imperial liderada pelos EUA.</span> </b></h3>
<p>Essa contradição está lentamente se tornando mais nítida. O Ocidente tem uma grande vantagem no <i>soft power</i> no Sul Global em meio a todas as classes. No entanto, pela primeira vez em décadas, jovens africanos saíram para apoiar a expulsão das tropas francesas do Mali e Burkina Faso, na África Ocidental. Pela primeira vez, as classes populares na Colômbia puderam eleger um novo governo que rejeitou a função de posto avançado e vassalo das forças militares e de inteligência dos EUA. As mulheres da classe trabalhadora estão na vanguarda de muitas batalhas críticas tanto da classe trabalhadora quanto da sociedade em geral. Os jovens estão se levantando contra os crimes ambientais do capitalismo. Um número crescente da classe trabalhadora está identificando suas lutas pela paz, desenvolvimento e justiça como explicitamente anti-imperialistas. Eles agora são capazes de ver por meio das mentiras da<a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-17-venezuela-e-as-guerras-hibridas-na-america-latina/"> ideologia dos “direitos humanos”</a> dos EUA, a destruição do meio ambiente pelas empresas ocidentais de energia e mineração e a violência da<a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-35-crepusculo/"> guerra híbrida</a> e das sanções dos EUA.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b> 4. A contradição entre o capital financeiro rentista avançado </b><b><i>versus </i></b></span><b><span style="color: #ba2025;">as necessidades das classes populares, e até mesmo de alguns setores do capital em países não socialistas, no que diz respeito à organização dos requisitos das sociedades para investimento na indústria, agricultura ambientalmente sustentável, emprego e desenvolvimento.</span> </b></h3>
<p>Essa contradição é resultado da queda da taxa de lucro e da dificuldade do capital em aumentar a taxa de exploração da classe trabalhadora a um patamar suficiente para financiar as crescentes necessidades de investimento e manter a competitividade. Fora do campo socialista, em quase todos os países capitalistas avançados e na maior parte do Sul Global – com algumas exceções, especialmente na Ásia – há uma crise de investimento. Surgiram novos tipos de empresas que incluem fundos de cobertura [<i>hedge</i>], como a Bridgewater Associates, e firmas de patrimônio privado [<i>private equity</i>], como a BlackRock. Os “mercados privados” controlaram 9,8 trilhões de dólares em ativos em 2022. Os derivativos, uma forma de capital fictício e especulativo, valem agora 18,3 trilhões de dólares em valor de “mercado”, mas têm um valor nocional de 632 trilhões – cinco vezes maior que o PIB real total do mundo.</p>
<p>Uma nova classe de monopólios de efeito de rede baseados em tecnologia da informação, incluindo Google, Facebook/Meta e Amazon – todos sob controle total dos EUA – surgiu para atrair rendas de monopólio. Os monopólios digitais dos EUA, sob a supervisão direta de suas agências de inteligência, controlam a arquitetura da informação de todo o mundo, exceto alguns países socialistas e nacionalistas. Esses monopólios são a base para a rápida expansão do <i>soft power</i> dos EUA nos últimos 20 anos. O complexo militar-industrial, mercador da morte, também atrai investimentos crescentes.</p>
<p>Essa intensificada fase de acumulação rentista especulativa e monopolista do capital está aprofundando uma greve do capital contra os investimentos sociais necessários. A África do Sul e o Brasil têm registrado níveis dramáticos de desindustrialização sob o neoliberalismo. Mesmo os países imperialistas avançados ignoraram sua própria infraestrutura, como rede elétrica, pontes e ferrovias. A elite global engendrou uma greve fiscal ao fornecer enormes reduções nas alíquotas e impostos, bem como paraísos fiscais legais para capitalistas e suas corporações aumentarem sua parcela de mais-valia.</p>
<p>A evasão fiscal do capital e a privatização de grandes áreas do setor público dizimaram a disponibilidade de serviços públicos básicos como educação, saúde e transporte para bilhões de pessoas. Isso contribuiu para a capacidade do capital ocidental de manipular e obter altas receitas advindas dos juros da crise “fabricada” da dívida enfrentada pelo Sul Global. Em seu nível mais alto, investidores de fundos de cobertura [<i>hedge</i>] como George Soros especulam e destroem as finanças de países inteiros.</p>
<p>O impacto sobre a classe trabalhadora é severo, pois seu trabalho se tornou cada vez mais precário e o desemprego permanente está destruindo grandes setores da juventude mundial. Uma parte crescente da população é supérflua sob o capitalismo. Desigualdade social, miséria e desespero são abundantes.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><b><span style="color: #ba2025;">5. A contradição entre as classes populares do Sul Global e suas elites internas políticas e econômicas.</span> </b></h3>
<p>Isso se manifesta de maneira bastante diferente por país e região. Nos países socialistas e progressistas, as contradições entre os povos são resolvidas de formas pacíficas e diversas. No entanto, em vários países do Sul Global, onde a elite capitalista está totalmente ligada ao capital ocidental, a riqueza é mantida por uma pequena porcentagem da população. A miséria é generalizada entre os mais pobres e o modelo de desenvolvimento capitalista não atende aos interesses da maioria. Devido à história do neocolonialismo e do <i>soft power</i> ocidental, há um consenso decididamente pró-Ocidente da classe média na maioria dos grandes países do Sul Global. Essa hegemonia de classe da burguesia local e do estrato superior da pequena burguesia é usada para impedir que as classes populares (que constituem a maior parte da população) tenham acesso ao poder e à influência.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b>6. A contradição entre o imperialismo liderado pelos EUA </b><b><i>versus </i></b><b>nações que defendem fortemente a soberania nacional.</b> </span></h3>
<p>Essas nações se enquadram em quatro categorias principais: países socialistas, países progressistas, outros países que rejeitam o controle dos EUA e o caso especial da Rússia. Os EUA criaram essa contradição antagônica por meio de métodos de guerra híbrida, como assassinatos, invasões, agressão militar liderada pela Otan, sanções, leis, guerra comercial e uma agora incessante guerra de propaganda baseada em mentiras absolutas. A Rússia está em uma categoria especial, pois sofreu mais de 25 milhões de mortes nas mãos dos invasores fascistas europeus quando era um país socialista. Hoje, a Rússia – que possui notavelmente imensos recursos naturais – é mais uma vez alvo de aniquilação completa pela Otan. Alguns elementos de seu passado socialista ainda estão presentes no país, e ainda persiste um alto grau de patriotismo. O objetivo dos EUA é terminar o que começou em 1992: no mínimo, destruir permanentemente a capacidade militar nuclear da Rússia e instalar um regime fantoche em Moscou para desmembrar a Rússia a longo prazo e substituí-la por muitos estados do Ocidente que são vassalos menores e permanentemente enfraquecidos.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b>7. A contradição entre os milhões de pobres da classe trabalhadora descartados no Norte Global </b><b><i>versus </i></b><b>a burguesia que domina esses países.</b> </span></h3>
<p>Esses trabalhadores estão mostrando alguns sinais de rebelião contra suas condições econômicas e sociais. No entanto, a burguesia imperialista está jogando a carta da supremacia branca para impedir uma maior unidade dos trabalhadores nesses países. Nesse momento, os trabalhadores não são consistentemente capazes de evitar de serem vítimas da propaganda de guerra racista. O número de pessoas presentes em eventos públicos contra o imperialismo diminuiu vertiginosamente nos últimos trinta anos.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b>8. A contradição entre o capitalismo ocidental </b><b><i>versus </i></b></span><b><span style="color: #ba2025;">o planeta e a vida humana.</span> </b></h3>
<p>O caminho inexorável desse sistema é destruir o planeta e a vida humana, ameaçar a aniquilação nuclear e trabalhar contra as necessidades da humanidade de recuperar coletivamente o ar, a água e a terra do planeta e impedir a loucura militar nuclear dos Estados Unidos. O capitalismo rejeita o planejamento e a paz. O Sul Global (incluindo a China) pode ajudar o mundo a construir e expandir uma “zona de paz” e comprometer-se a viver em harmonia com a natureza.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Nota sobre os autores:</strong> </span></h3>
<p><strong>Kyeretwie Opoku</strong> é organizador do Movimento Socialista de Gana<br>
<strong>Manuel Bertoldi</strong> é da Patria Grande/Federación Rural para la Producción y el Arraigo<br>
<strong>Deby Veneziale</strong> é pesquisadora sênior do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social<br>
<strong>Vijay Prashad</strong> é diretor-executivo do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social</p>
<div class="cc-by-nc-40">Esta publicação está sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0). O resumo legível da licença está disponível em<br>
<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/">https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/</a></div>
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		<title>Em direção ao horizonte da paz e do não alinhamento</title>
		<link>https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-sobre-dilemas-contemporaneos-2-paz-e-nao-alinhamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 07:00:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mudanças globais significativas surgiram desde a Grande Crise Financeira de 2008. Isso pode ser visto em uma nova fase do imperialismo e nas particularidades de oito contradições, resumidas em nosso último texto: thetricontinental.org/pt-pt]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>Catástrofes de um tipo ou de outro irradiaram da Ucrânia, incluindo uma inflação galopante e fora de controle. As áreas do mundo diretamente envolvidas no conflito estão sendo duramente atingidas pelo aumento dos preços, com a agitação política como consequência inevitável. Nesse contexto, o <a href="https://thecorbynproject.com/">Projeto Paz e Justiça</a>, instituto de pesquisa liderado por Jeremy Corbyn, uniu-se ao <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/">Instituto Tricontinental de Pesquisa Social</a> e a dois parceiros de mídia, <a href="https://globetrotter.media/">Globetrotter</a> e <a href="https://www.morningstaronline.co.uk/">Morning Star</a>, para produzir uma série de reflexões sobre os conceitos de não alinhamento e paz. O primeiro relatório, de Roger McKenzie e Vijay Prashad, apresenta as questões que são mais exploradas pelo restante dos artigos desta série.</p>
<p>Estes textos foram originalmente produzidos e distribuídos em inglês, espanhol e português pela Globetrotter e pela Morning Star entre abril e julho de 2022. Eles foram atualizados pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social para publicação em setembro de 2022. A equipe da <a href="https://revistaopera.com.br/">Revista Ópera</a> contribuiu com a tradução dos artigos para o português.</p>
<p> </p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-66978 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/Logos-Post-66056.png" alt="" width="626" height="70"></p>
<p> </p>
<hr class="line">
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Sumário</strong></span></h3>
<ol>
<li><a href="#section_1">Agora é hora de não-alinhamento e paz</a> – Roger Mackenzie y Vijay Prashad</li>
<li><a href="#section_2">Agora, falemos de paz</a> – Jeremy Corbyn</li>
<li><a href="#section_3">Por que o não alinhamento é um imperativo urgente para o Sul Global</a> – Nontobeko Hlela</li>
<li><a href="#section_4">A América Latina entre o não alinhamento e a multipolaridade</a> – Marco Fernandes</li>
<li><a href="#section_5">A Índia tem um papel fundamental a desempenhar em uma possível nova ordem mundial</a> – Prasanth Radhakrishnan</li>
<li><a href="#section_6">Europa na encruzilhada: entre o neoliberalismo e o desejo popular</a> – Nora García Nieves</li>
<li><a href="#section_7">O não-alinhamento de Cuba: uma política internacional por paz e socialismo</a> – Manolo De Los Santos</li>
<li><a href="#section_8">Não basta rechaçar a guerra: o racismo impossibilita a paz</a> – Claudia Webbe</li>
<li><a href="#section_9">Por que a paz e o desarmamento estão no coração do não-alinhamento?</a> – Kate Hudson</li>
<li><a href="#section_10">2 trilhões de dólares para a guerra, 100 bilhões para salvar o Planeta</a> – Murad Qureshi</li>
</ol>
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<p> </p>
<p><a name="section_1"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Agora é hora de não-alinhamento e paz </strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Roger McKenzie e Vijay Prashad</span></h2>
<p> </p>
<p>A guerra é uma parte feia da experiência humana. Tudo nela é horrível. A guerra é, obviamente, o ato de invasão e a brutalidade que acompanha suas operações. Nenhuma guerra é cirúrgica; toda guerra fere civis. Cada ato de bombardeio provoca um estremecimento neurológico na sociedade.</p>
<p>A Segunda Guerra Mundial demonstrou essa feiúra no Holocausto e no bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki. De Hiroshima e do Holocausto surgiram dois movimentos poderosos, um pela paz e contra os perigos de novos ataques nucleares, e o outro pelo fim das divisões da humanidade e pelo não alinhamento com essas segmentações. O Apelo de Estocolmo, de 1950, assinado por quase 300 milhões de pessoas, pedia a proibição absoluta das armas nucleares. Cinco anos depois, 29 países da África e da Ásia, representando 54% da população mundial, reuniram-se em Bandung, na Indonésia, para assinar um compromisso de 10 pontos contra a guerra e pela “promoção de interesses mútuos e cooperação”. O Espírito Bandung se posicionava pela paz e pelo não alinhamento, para que os povos do mundo se esforçassem na construção de um processo para erradicar as mazelas da história (analfabetismo, doenças, fome) usando sua riqueza social. Por que gastar dinheiro em armas nucleares se ele pode ser gasto em salas de aula e hospitais?</p>
<p>Apesar dos grandes ganhos de muitas das novas nações que emergiram do colonialismo, a força esmagadora das antigas potências coloniais impediu o Espírito de Bandung de definir a história humana. Em vez disso, a civilização da guerra prevaleceu. Essa civilização da guerra se revela no enorme desperdício da riqueza humana na produção de forças armadas – suficientes para destruir centenas de planetas – e no uso dessas forças como o primeiro recurso na resolução de disputas. Desde a década de 1950, o campo de batalha dessas ambições não tem sido a Europa ou a América do Norte, mas sim a África, Ásia e América Latina – áreas do mundo onde velhas sensibilidades coloniais acreditam que a vida humana é menos importante. Essa divisão internacional da humanidade – que diz que uma guerra no Iêmen é normal, enquanto uma guerra na Ucrânia é horrível – define nosso tempo. Há 40 guerras ocorrendo em todo o mundo; é preciso haver vontade política para lutar para acabar com cada uma delas, não apenas aquelas que estão ocorrendo na Europa. A bandeira ucraniana está onipresente no Ocidente; quais são as cores da bandeira iemenita, da bandeira saharaui e da bandeira somali?</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Retorno à paz, retorno ao não-alinhamento</strong></span></h3>
<p>Estamos aturdidos nos dias de hoje com certezas que parecem cada vez menos reais. À medida que a guerra da Rússia na Ucrânia continua, há uma visão desconcertante de que as negociações são fúteis. Essa visão circula mesmo quando pessoas razoáveis concordam que todas as guerras devem terminar em negociações. Se for esse o caso, por que não pedir um cessar-fogo imediato e construir a confiança necessária para as negociações? As negociações só são viáveis se houver respeito de todos os lados e se houver uma tentativa de entender que todos os lados em um conflito militar têm exigências razoáveis. Ou seja, pintar esta guerra como fruto dos caprichos do presidente russo Vladimir Putin faz parte do exercício da guerra permanente. São necessárias garantias de segurança para a Ucrânia; mas também para a Rússia, o que inclui o regresso a um regime internacional sério de controle de armas.</p>
<p>A paz não vem meramente porque a desejamos. Requer uma luta nas trincheiras das ideias e das instituições. As forças políticas no poder lucram com a guerra, e assim se vestem de “machos” para melhor representar os traficantes de armas que querem mais guerra, não menos. Não se deve confiar a esses burocratas de ternos azuis o futuro do mundo. Eles falham quando se trata da catástrofe climática; falham quando se trata da pandemia; falham quando se trata de pacificação. Precisamos convocar os velhos espíritos de paz e não-alinhamento e trazê-los à vida dentro de movimentos de massa, que são a única esperança deste planeta.</p>
<p>Não é meramente nostalgia fazer uma volta ao passado para dar vida ao Movimento dos Não-Alinhados de hoje. As contradições do presente já levantaram o espectro do não alinhamento em partes da África, Ásia e América Latina. A maioria desses países votou contra a condenação da Rússia não porque eles apoiam a guerra na Ucrânia, mas porque reconhecem que a polarização é um erro fatal. O que é necessário é uma alternativa ao mundo de dois campos da Guerra Fria. Essa é a razão pela qual muitos dos líderes desses países – de Xi Jinping (China) a Narendra Modi (Índia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul) – pediram, apesar de suas orientações políticas muito diferentes, um afastamento da “mentalidade da Guerra Fria”. Eles já estão caminhando em direção a uma nova plataforma não alinhada. É esse movimento real da história que nos provoca a refletir sobre um retorno aos conceitos de não-alinhamento e paz.</p>
<p>Ninguém quer imaginar todas as implicações do cerco da China e da Rússia pelos Estados Unidos e seus aliados. Mesmo países que estão intimamente aliados aos Estados Unidos – como Alemanha e Japão – reconhecem que, se uma nova cortina de ferro descer ao redor da China e da Rússia, isso será fatal para seus próprios países. A guerra e as sanções já criaram sérias crises políticas em Honduras, Paquistão, Peru e Sri Lanka, e outras surgem à medida que os preços dos alimentos e dos combustíveis aumentam astronomicamente. A guerra é muito cara para as nações mais pobres. Gastar com a guerra está consumindo o espírito humano, e a própria guerra aumenta o sentimento geral de desespero das pessoas.</p>
<p>Os belicistas são idealistas. Suas guerras não resolvem os principais dilemas da humanidade. As ideias de não-alinhamento e paz, por outro lado, são realistas; seu enquadre tem respostas para as crianças que querem comer, aprender, brincar e sonhar.</p>
<hr class="separator">
<p><a name="section_2"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Agora, falemos de paz</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Jeremy Corbyn</span></h2>
<p> </p>
<p>Com bombas russas caindo sobre cidades ucranianas, um cessar-fogo inquieto no Iêmen, o ataque aos palestinos em oração em Jerusalém e muitos outros conflitos ao redor do mundo, pode parecer inadequado para alguns falarem de paz.</p>
<p>Quando uma guerra está acontecendo, porém, é definitivamente o momento de falar de paz. De que outra forma podemos evitar a perda de mais vidas ou ainda que milhões sejam forçados a se refugiar em algum outro lugar do mundo? É positivo que, finalmente, as Nações Unidas tenham tomado a iniciativa de colocar em prática o pedido do secretário-geral, António Guterres, de que se façam reuniões presenciais com o presidente russo Vladimir Putin e o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy.</p>
<p>Deve haver um cessar-fogo imediato na Ucrânia, seguido de uma retirada das tropas russas e um acordo entre ambos os países sobre futuros acordos de segurança.</p>
<p>Todas as guerras terminam com algum tipo de negociação — então por que não agora?</p>
<p>Todos sabem que isso é o que acontecerá em algum momento. Não há razão em adiá-lo para que ocorram mais bombardeios e assassinatos, mais refugiados, mais mortos e mais famílias em luto na Ucrânia e na Rússia. Mas, em vez de pedir a paz, a maioria das nações europeias aproveitou a oportunidade para aumentar o fornecimento de armas, alimentar a máquina de guerra e aumentar os preços das ações dos fabricantes de armas.</p>
<p>É também a hora de falar sobre nossa humanidade, ou falta dela, para pessoas em profunda angústia como resultado de conflitos armados, violação de seus direitos ou a pobreza opressiva que muitos enfrentam como resultado do sistema econômico global.</p>
<p>Quase 10% da população da Ucrânia está agora no exílio, sofrendo traumas, perdas e medo. A maioria dos países da Europa tem apoiado os refugiados ucranianos. O governo britânico finge fazê-lo também, mas depois afoga os ucranianos em burocracias governamentais deliberadamente labirínticas e dignas de um pesadelo para desencorajá-los. Em vez disso, os refugiados ucranianos devem ser apoiados e bem-vindos. Isso é o que o povo britânico em geral quer; a enorme generosidade das pessoas comuns está mostrando o melhor da nossa humanidade.</p>
<p>No entanto, com relação ao tratamento de refugiados em desespero, vindos de guerras em que a Grã-Bretanha tem responsabilidade direta, como Afeganistão, Iraque, Líbia e Iêmen, a história é dolorosamente diferente.</p>
<p>Se alguém está tão desesperado a ponto de arriscar tudo para tentar cruzar o Canal da Mancha em um bote perigoso e frágil, merece simpatia e apoio. Em vez disso, o plano do governo é removê-los para Ruanda. Se acreditamos na humanidade e nos direitos dos refugiados, todos devem ser tratados de forma igual e decente e deve ser permitido que eles possam dar sua contribuição à nossa sociedade, e não sofrerem criminalização e encarceramento. Se o Partido Conservador se safar com essa “terceirização”, outros países europeus farão o mesmo. O governo dinamarquês já falou animadamente sobre essa proposta cruel e impraticável.</p>
<p>Os efeitos dessa guerra na política e nas esperanças de nossa sociedade serão enormes, principalmente para as instituições do mundo. As Nações Unidas foram estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial para “salvar gerações sucessivas do flagelo da guerra”. Desde então, podemos desenrolar a longa e extensa lista de conflitos e guerras por procuração que o mundo enfrentou e que tirou a vida de milhões. Coréia, Vietnã, Irã-Iraque, Iugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Índia-Paquistão, República Democrática do Congo e muitos outros conflitos foram pouco noticiados pela grande mídia, talvez por serem conflitos contra a ocupação colonial, como ocorre no Quênia.</p>
<p>Uma grande questão deve ser feita à ONU sobre o conflito na Ucrânia. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia de forma brutal e ilegal, não era esse o momento para a ONU enviar seu secretário-geral a Moscou para exigir um cessar-fogo? A ONU tem sido muito lenta para agir, e boa parte do sistema inter Estados pressionou pela escalada, não pela negociação.</p>
<p>O apelo por instituições internacionais mais eficazes e proativas para apoiar a paz foi feito com força em abril de 2022, em Madri, em uma conferência organizada pelo partido de esquerda Podemos, da Espanha, após um diálogo iniciado pela organização ativista de esquerda Internacional Progressista. Cada um dos 17 oradores condenou a guerra e a ocupação e pediu um cessar-fogo e um futuro de paz para o povo da Ucrânia e da Rússia. Os participantes sabiam dos perigos da escalada desse conflito e das novas guerras quentes e violência que uma nova Guerra Fria traria. Existem 1.800 ogivas nucleares no mundo preparadas e prontas para uso. Uma arma “tática” mataria centenas de milhares; uma bomba nuclear mataria milhões. Não pode ser contida, tampouco seus efeitos podem ser controlados.</p>
<p>Em junho de 2022, Viena sediou uma grande série de eventos de paz em torno do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares. Esse tratado, apoiado pela Assembleia Geral da ONU e contestado pelos Estados declarados com armas nucleares, oferece a melhor esperança e oportunidade para um futuro sem armas nucleares. A oportunidade deve ser agarrada com as duas mãos.</p>
<p>Alguns dizem que discutir a paz em tempos de guerra é sinal de algum tipo de fraqueza; a verdade é justamente o oposto. É a bravura dos manifestantes pela paz em todo o mundo que impediu alguns governos de se envolverem no Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Iêmen ou qualquer uma das dezenas de outros conflitos em andamento.</p>
<p>A paz não é apenas a ausência de guerra; é a verdadeira segurança. A segurança de saber que você poderá comer, seus filhos serão educados e cuidados e que um serviço de saúde estará lá quando você precisar. Para milhões, isso não é uma realidade agora; os efeitos posteriores da guerra na Ucrânia tirarão isso de outros milhões de pessoas.</p>
<p>Enquanto isso, muitos países estão aumentando os gastos com armas e investindo recursos em armamentos cada vez mais perigosos. Os Estados Unidos acabam de aprovar seu maior orçamento de defesa de todos os tempos. Esses recursos usados para armas são todos os recursos não usados para saúde, educação, habitação ou proteção ambiental.</p>
<p>Este é um momento perigoso. Observar o horror se desenrolar e se preparar para mais conflitos no futuro não garantirá que a crise climática, a crise da pobreza ou o suprimento de alimentos sejam resolvidos. Cabe a todos nós construir e apoiar movimentos que possam traçar outro rumo para a paz, segurança e justiça para todos.</p>
<hr class="separator">
<p><a name="section_3"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Por que o não alinhamento é um imperativo urgente para o Sul Global</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Nontobeko Hlela</span></h2>
<p> </p>
<p>A África do Sul e outros <a href="https://news.un.org/en/story/2022/04/1115782">países que se abstiveram de votar contra a Rússia</a> na Assembleia Geral das Nações Unidas em resposta à guerra na Ucrânia enfrentam intensas críticas internacionalmente. Na África do Sul, as críticas domésticas foram extraordinariamente estridentes e muitas vezes claramente racializadas. Supõe-se frequentemente que a abstenção significa que a África do Sul apoia a invasão russa, e que isso se deva a relações corruptas entre as elites russas e sul-africanas, ou à nostalgia em relação ao apoio soviético à luta anti-apartheid, ou ambas.</p>
<p>Raramente há qualquer reconhecimento de que o não alinhamento, neste caso a recusa em se alinhar com os Estados Unidos e seus aliados ou com a Rússia, pode ser uma posição de princípios, bem como um compromisso tático sagaz com as realidades geopolíticas. Como duas figuras fundadoras do Movimento dos Não-Alinhados (MNA), o então presidente da Iugoslávia, Josip Broz Tito, e o então primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, disseram em uma <a href="https://www.jstor.org/stable/26924448">declaração conjunta</a> de 22 de dezembro de 1954: “a política de não-alinhamento com blocos (…) não representa ‘neutralidade’ ou ‘neutralismo’; nem representa passividade, como às vezes é alegado. Representa a política positiva, ativa e construtiva que tem, como objetivo, a paz coletiva como fundamento da segurança coletiva”.</p>
<p>O Sul Global abriga <a href="https://www.un.org/en/global-issues/population">mais de 80% da população mundial</a>, mas seus países são sistematicamente excluídos de qualquer tomada de decisão nas organizações internacionais que determinam como a “comunidade internacional” opera. Por décadas, os países do Sul Global têm defendido que as Nações Unidas sejam reformadas para que se distanciem do jogo de soma zero da mentalidade da Guerra Fria que continua a conduzi-la. Gabriel Valdés, então Ministro das Relações Exteriores do Chile, conta que em junho de 1969, Henry Kissinger lhe disse: “nada importante pode vir do Sul. A história nunca foi produzida no Sul. O eixo da história começa em Moscou, vai para Bonn, cruza para Washington e depois vai para Tóquio. O que acontece no Sul não tem importância”.</p>
<p>Poucos anos antes, em 30 de setembro de 1963, Jaja Wachuku, então ministro das Relações Exteriores da Nigéria, <a href="https://www.jstor.org/stable/1035325">fez uma pergunta</a> urgente à 18ª Sessão da ONU: “essa organização quer (…) que os Estados africanos sejam apenas membros vocais, sem qualquer direito de expressar sua visão sobre qualquer assunto em particular em órgãos importantes das Nações Unidas…? Vamos continuar apenas assistindo?” Os países do Sul Global ainda são como “crianças assistindo o debate”, observando os adultos fazerem as regras e decidirem o caminho que o mundo deve tomar. Eles continuam a ser repreendidos e a levar sermões quando não fazem o que é deles esperado.</p>
<p>É hora de um Movimento dos Não-Alinhados (MNA) revitalizado. O MNA só terá sucesso se os líderes dos países do Sul Global colocarem seus egos de lado, pensarem estrategicamente em escala global e usarem melhor seu considerável capital humano, recursos naturais e engenhosidade tecnológica. O Sul Global inclui uma China ascendente, a segunda maior economia do mundo. Inclui também a Índia, um dos países líderes em assistência médica e inovação tecnológica. E ainda a África, um continente com uma população crescente e os recursos naturais necessários para a multiplicação das indústrias de Inteligência Artificial (IA) e energia mais limpa. No entanto, esses recursos ainda são extraídos para que o lucro seja acumulado em capitais distantes, enquanto a África e grande parte do Sul Global permanecem subdesenvolvidos, com milhões ainda presos no desespero do empobrecimento.</p>
<p>Um MNA renovado tem um potencial real e é necessário tempo para edificar novas instituições e construir amortecedores contra a guerra econômica que os Estados Unidos vêm travando contra países, como Cuba e Venezuela, e agora contra a Rússia. A autonomia financeira é fundamental.</p>
<p>O BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) desenvolveu um <a href="https://www.prnewswire.com/news-releases/new-development-bank-updates-ndb-enters-2022-in-expansion-mode-301460273.html">banco</a> para seus membros, e para as 16 nações da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (<a href="https://www.sadc.int/">SADC</a>, na sigla em inglês) existe o Banco de Desenvolvimento da África Austral; no entanto, as reservas dos países vinculados a esses projetos ainda são mantidas nos Estados Unidos ou em capitais europeias. Esse é o momento de os líderes do Sul Global acordarem e perceberem que, dado o tipo de guerra econômica que está sendo desencadeada atualmente contra um país como a Rússia, os países mais fracos do Sul Global não têm autonomia significativa.</p>
<p>Esse é o momento de repensar como conduzimos a política, a economia e a política externa quando estiver claro que o Ocidente pode decidir dizimar países inteiros. As armas econômicas que estão sendo construídas contra a Rússia estarão disponíveis para serem usadas contra outros países que tenham a temeridade de não seguir a linha de Washington.</p>
<p>O BRICS foi decepcionante em muitos aspectos, mas abriu espaço para os países do Sul Global – com suas muitas diferenças de credo, cultura, sistemas políticos e econômicos – encontrarem uma maneira de trabalhar juntos. O rechaço à pressão intensa para que se curvassem coletivamente no Conselho de Segurança das Nações Unidas é um exemplo encorajador do Sul Global rejeitando a suposição de que seus países deveriam permanecer como espectadores.</p>
<p>À medida que os Estados Unidos intensificam rapidamente sua nova Guerra Fria contra a Rússia e a China, e esperam que outros países fiquem na linha, há agora um imperativo urgente de rejeitar essa mentalidade de guerra fria que divide o mundo em velhas linhas. O Sul Global deve rejeitar essa visão e exigir o respeito ao direito internacional por todos os países. Quando os direitos humanos e o direito internacional são evocados apenas quando os países de quem o Ocidente não gosta ou discorda os violam, eles zombam desses conceitos.</p>
<p>Somente unindo-se e falando a uma só voz, os países do Sul Global podem esperar ter alguma influência nos assuntos internacionais e não continuar a ser apenas carimbadores das posições do Ocidente.</p>
<p>O Movimento dos Não-Alinhados precisa ser confiante e corajoso e não buscar permissão do Ocidente. Os líderes do MNA precisam entender que estão lá para servir e proteger os interesses de seu povo e não permitir que a tentação de ser incluído no “clube dos meninos grandes” influencie sua posição sobre as questões. Eles precisam ter em mente que foram mantidos como “café com leite” por muito tempo e, a menos que realmente tomem seu destino em suas mãos, estarão para sempre aos pés da mesa, com seu povo se alimentando apenas dos restos da riqueza acumulada pela economia global, grande parte obtida com a exploração do Sul.</p>
<hr class="separator">
<p><a name="section_4"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>A América Latina entre o não alinhamento e a multipolaridade</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Marco Fernandes</span></h2>
<p> </p>
<p>O mundo urge pelo fim da guerra na Ucrânia. No entanto, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) parece apostar no prolongamento do conflito, aumentando o envio de armas à Ucrânia e declarando que seu objetivo é “<a href="https://www.wsj.com/articles/u-s-to-return-embassy-to-ukraine-boost-military-aid-blinken-and-austin-tell-zelensky-in-visit-to-kyiv-11650859391">enfraquecer a Rússia</a>”. Até 3 de março de 2022, somente os EUA já haviam aprovado 13,6 bilhões de dólares em orçamentos de emergência, a maior parte em armas. Em abril, o presidente dos EUA, Joe Biden, solicitou outros 33 bilhões ao Congresso. Para efeito de comparação, seriam necessários 45 bilhões de dólares por ano <a href="https://ceres2030.org/wp-content/uploads/2020/10/ceres2030-what-would-it-cost_.pdf">para acabar com a fome no mundo</a> até 2030.</p>
<p>Mesmo que as negociações avancem e a guerra acabe, uma solução pacífica talvez não seja possível. Nada leva a crer que as tensões geopolíticas diminuam de fato e que cessem as tentativas do Norte Global de frear o desenvolvimento da China, de quebrar seus laços com a Rússia e de conter as parcerias estratégicas chinesas com o Sul Global.</p>
<p>Por exemplo, em depoimento dado em março de 2022 ao Senado estadunidense, os comandantes do <a href="https://www.washingtonexaminer.com/policy/defense-national-security/southcom-commander-warns-about-russian-and-chinese-influence-in-latin-america">Comando do Sul</a> (General Laura Richardson) e do <a href="https://www.news24.com/news24/africa/news/us-army-general-concerned-about-china-and-russias-growing-influence-in-africa-20220323">Comando da África</a> (General Stephen J. Townsend) alertaram para os “perigos” do aumento da influência da Rússia e da China na África e na América Latina e Caribe. Reafirmando a nova doutrina de segurança nacional lançada em 2018 pelo governo de Donald Trump – que elegeu Rússia e China como os “<a href="https://www.cnn.com/2018/01/19/politics/trump-defense-strategy-china-russia/index.html">desafios centrais</a>” aos EUA – os generais recomendam ações para enfraquecer a influência de Moscou e Pequim. Com suas ações e retórica cada vez mais agressivas, os EUA e seus aliados parecem dispostos a levar o mundo a uma nova guerra fria.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Basta de Guerra Fria</strong></span></h3>
<p>A América Latina não quer uma nova guerra fria. Nossa região já sofreu uma experiência traumática com a polarização do mundo pós II Guerra. A propaganda da “ameaça comunista” serviu de pretexto para a derrubada de inúmeros governos democraticamente eleitos. Buscavam alternativas, nos marcos do capitalismo, para superar o subdesenvolvimento e a histórica desigualdade social. Mesmo assim, sofreram golpes operados pelas elites locais com <a href="https://www.theguardian.com/news/2020/sep/03/operation-condor-the-illegal-state-network-that-terrorised-south-america">apoio da Casa Branca</a>. Dezenas de milhares de pessoas foram torturadas, assassinadas e exiladas, inúmeros países da região viveram muitos anos sob ditaduras militares e as condições de vida do povo pioraram.</p>
<p>A América Latina quer paz. Mas somente a unidade regional será capaz de nos defender das pressões internacionais que devem crescer. Esse processo já foi iniciado há mais de 20 anos, após uma série de revoltas populares em inúmeros países e do sucesso eleitoral de governos progressistas na região, como reação ao esgotamento do tsunami de políticas neoliberais de austeridade. Venezuela (1999), Brasil (2002), Argentina (2003), Uruguai (2004), Bolívia (2005), Nicarágua (2006), Equador (2007) e Paraguai (2008) se juntaram a Cuba e impulsionaram pela primeira vez uma tentativa de integração regional por meio de organismos como a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), em 2004, a União das Nações Sul-americanas (Unasul), em 2008, e a Comunidade de Estados da América Latina e Caribe (Celac), em 2011. Estas plataformas visavam aumentar o comércio regional e a integração política. Seus avanços foram respondidos por crescentes agressões de Washington, que buscou <a href="https://therealnews.com/the-role-the-us-played-in-reversing-latin-americas-pink-tide">enfraquecer o processo</a>, ao tentar derrubar governos dos países-membros e dividir os blocos conforme os interesses da Casa Branca.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>O tropeço do Brasil</strong></span></h3>
<p>Por seu tamanho e relevância, o Brasil foi um dos protagonistas destas articulações. Em 2009, voou ainda mais alto ao compor os BRICS, junto a Rússia, Índia, China e África do Sul, uma nova aliança com potencial para rearranjar as relações de forças do comércio e da política globais.</p>
<p>Mas o protagonismo brasileiro não agradou a Casa Branca, que sofisticou seus métodos de intervenção. Em vez de um golpe militar, o Brasil foi palco de uma bem-sucedida operação de “guerra híbrida”, combinando o uso do Judiciário, do Legislativo e da mídia (tradicional e redes sociais). Baseados em investigações sobre corrupção na Petrobras (estatal petroleira), criaram as condições políticas para o <em>impeachment</em> da presidenta Dilma Rousseff em 2016 e a prisão do ex-presidente Lula em 2018, quando liderava as pesquisas da eleição presidencial.</p>
<p>Graças ao <a href="https://theintercept.com/2019/06/09/brazil-archive-operation-car-wash/">vazamento</a> da conta de <a href="https://thewire.in/world/lula-de-silva-brazil-cia">Telegram</a> de <a href="https://www.conjur.com.br/2021-fev-08/deltan-disse-prisao-lula-presente-cia">um dos promotores</a>, temos provas sobre a ilegalidade do processo e sobre o papel do Departamento de Justiça dos EUA e do <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-publica/2020/07/01/o-fbi-e-a-lava-jato.htm">FBI</a> na operação que acusou injustamente os ex-presidentes. Algum tempo depois, a Suprema Corte anulou todos os processos. Mas o afastamento de Lula e Dilma já havia semeado o solo para a ascensão da extrema direita. Com a eleição de Jair Bolsonaro (2018), o Brasil abandonou a <a href="https://www.radiohc.cu/en/noticias/internacionales/188489-brazil-quits-unasur-after-receiving-pro-tempore-presidency">Unasul</a> e a <a href="https://www.reuters.com/article/us-brazil-diplomacy-celac-idUSKBN1ZF2U9">Celac</a>, e se mantém no BRICS apenas formalmente – como é também o caso da Índia –, enfraquecendo a perspectiva de alianças estratégicas do Sul Global contra a hegemonia estadunidense.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>A maré está virando</strong></span></h3>
<p>Nos últimos anos, o continente latino-americano vive uma nova onda de governos progressistas e a ideia de integração regional volta a ter força. Após quatro anos sem uma reunião de cúpula, a <a href="https://elpais.com/mexico/2021-09-18/lopez-obrador-pide-la-integracion-comercial-y-el-fin-de-los-bloqueos-en-america-latina.html#?rel=mas">Celac se reuni</a><u>u novamente</u> em setembro de 2021, graças à liderança do presidente mexicano, López Obrador, e do argentino, Alberto Fernández. Com a vitória de <a href="https://www.reuters.com/world/americas/colombian-leftist-petro-leads-presidential-election-poll-2022-04-29/">Gustavo Petro</a> na Colômbia, em maio, e a provável vitória de <a href="https://www.theguardian.com/world/2022/apr/30/is-brazil-ready-for-the-next-incarnation-of-president-lula">Lula </a>em outubro, pela primeira vez em décadas, teremos as <a href="https://es.statista.com/grafico/26372/paises-latinoamericanos-con-el-mayor-pib-a-traves-del-tiempo/">quatro maiores economias</a> da região (<a href="https://www.statista.com/statistics/802640/gross-domestic-product-gdp-latin-america-caribbean-country/">Brasil, México, Argentina e Colômbia</a>) governadas pela centro-esquerda, notadamente apoiadores da integração latino-americana e caribenha. Em inúmeras entrevistas, Lula já defendeu o <a href="https://lula.com.br/integra-do-discurso-de-lula-na-camara-dos-deputados-do-mexico/">retorno do Brasil à Celac</a> e a retomada de uma postura ativa nos <a href="https://www.brasil247.com/blog/vitoria-de-lula-na-onu-incomoda-washington-porque-fortalece-geopolitica-dos-brics-x-eua-otan">BRICS</a>.</p>
<p>O Sul Global pode estar criando as condições para a retomada de um novo lugar na ordem mundial até o fim de 2022. A tentativa da Otan de criar uma grande aliança global contra a Rússia despertou reações contrárias em várias partes do <a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2022/mar/10/russia-ukraine-west-global-south-sanctions-war">Sul Global</a>. Mesmo governos que condenam a guerra (como Brasil, México, Argentina, África do Sul e Índia) não concordam em sancionar a Rússia unilateralmente, e preferem apoiar as negociações por uma solução pacífica. A ideia da retomada de um “<a href="https://www.nytimes.com/2022/04/24/world/asia/cold-war-ukraine.html">movimento dos não alinhados</a>”, inspirado pela histórica iniciativa lançada na Conferência de Bandung (Indonésia), em 1955, tem encontrado ressonância em inúmeros círculos.</p>
<p>Sua intenção é correta, pois buscam conter a escalada de tensões políticas globais, que são uma ameaça à soberania dos países e tendem a impactar negativamente a economia global. Na pior das hipóteses, elas podem nos arrastar para uma nova guerra mundial. O espírito de não confrontação, e de paz, de Bandung é urgente hoje.</p>
<p>Mas o “movimento dos não alinhados” surgiu como uma recusa dos países do “terceiro mundo” em escolher um dos lados na polarização entre EUA e URSS. Eles lutavam por sua soberania e pelo direito a ter relações com os países de ambos sistemas, sem que sua política externa fosse decidida em Washington ou Moscou.</p>
<p>Este não é o cenário atual. É somente o Eixo Washington-Bruxelas (e aliados) que exige alinhamento à sua chamada “<a href="https://mronline.org/2022/01/12/the-u-s-makes-a-mockery-of-treaties-and-international-law/">ordem internacional baseada em regras</a>”. Aqueles que não se alinham, sofrem com as sanções, aplicadas contra dezenas de países (devastando economias inteiras, como <a href="https://www.wola.org/2020/10/new-report-us-sanctions-aggravated-venezuelas-economic-crisis/">Venezuela</a> e <a href="https://www.jacobinmag.com/2021/07/us-policy-cuba-blockade-embargo-protests-rubio-history-war-covid-food-medicine-shortages">Cuba</a>), o confisco ilegal de centenas de bilhões de dólares em ativos (Venezuela, Irã, <a href="https://www.nytimes.com/2022/02/13/world/asia/afghanistan-funds-biden.html">Afeganistão</a>, <a href="https://www.globaltimes.cn/page/202203/1255112.shtml">Rússia</a>) as invasões militares que resultam em genocídios (Iraque, Síria, Líbia e Afeganistão) e o apoio a “<a href="https://www.scmp.com/news/china/diplomacy/article/3124567/china-and-russia-should-work-together-combat-colour">revoluções coloridas</a>” (da <a href="https://www.wsws.org/en/topics/event/2014-coup-ukraine">Ucrânia em 2014</a> ao Brasil em 2016). A exigência de “alinhamento” só vem do Norte Global, não da China, nem da Rússia.</p>
<p>A humanidade se defronta com desafios urgentes, como a desigualdade, a fome, a crise climática e a ameaça de novas pandemias. Para superá-los, alianças regionais no Sul Global precisam ser capazes de instituir uma nova multipolaridade na política global. Mas os suspeitos de sempre podem ter outros planos para a humanidade.</p>
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<p><a name="section_5"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>A Índia tem um papel fundamental a desempenhar em uma possível nova ordem mundial</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Prasanth Radhakrishnan</span></h2>
<p> </p>
<p>Na primeira quinzena de abril de 2022, o ministro de Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, <a href="https://www.businesstoday.in/latest/economy/story/indias-monthly-oil-purchase-from-russia-less-than-europes-in-an-afternoon-jaishankar-329481-2022-04-12">fez algumas observações reveladoras</a> durante uma coletiva de imprensa em Washington, D.C. Ele estava ao lado do secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e do secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin. Quando perguntado sobre a compra de petróleo russo pela Índia, Jaishankar respondeu: “Se você estiver analisando as compras de energia da Rússia, sugiro que sua atenção se concentre na Europa. Nós compramos alguma energia, que é necessária para a nossa segurança energética. Mas suspeito, olhando para os números, que nossas compras totais para o mês seriam menores do que a Europa compra em uma tarde”.</p>
<p>A declaração de Jaishankar não foi incomum. Ele e seus colegas <a href="https://www.business-standard.com/article/international/don-t-patronize-us-indian-envoy-at-un-to-dutch-ambassador-on-unga-voting-122050600161_1.html">têm pressionado contra as “preocupações” e “conselhos” do Ocidente</a> sobre a posição da Índia em relação à Rússia no conflito na Ucrânia, incluindo a <a href="https://www.ndtv.com/india-news/india-abstains-on-resolution-to-call-for-un-general-assembly-session-on-ukraine-2793567">recusa indiana</a> de <a href="https://thewire.in/diplomacy/un-general-assembly-india-abstain-resolution-criticise-russia-ukraine-invasion">votar contra o país nas Nações Unidas</a>, bem como as discussões da Índia com a Rússia para estabelecer um <a href="https://www.livemint.com/politics/policy/russia-india-explore-opening-alternative-payment-channels-amid-sanctions-11647371750761.html">mecanismo de pagamento</a> que contornaria as sanções impostas pelo Ocidente. <a href="https://indianexpress.com/article/world/india-united-states-daleep-singh-russia-ukraine-war-7847094/">As visitas</a> de <a href="https://www.gov.uk/government/news/foreign-secretary-in-india-as-part-of-diplomatic-push-on-ukraine">diplomatas ocidentais</a> à Índia não ajudaram a alterar as ações do governo indiano.</p>
<p>Sob o comando do primeiro-ministro Narendra Modi, a Índia tem se mantido firmemente no campo pró-EUA, <a href="https://thediplomat.com/2017/11/us-japan-india-and-australia-hold-working-level-quadrilateral-meeting-on-regional-cooperation/">tendo tomado parte na revitalização da aliança Quad</a> (Austrália, Índia, Japão e EUA) e assinado <a href="https://theprint.in/defence/the-3-foundational-agreements-with-us-and-what-they-mean-for-indias-military-growth/531795/">três acordos de defesa fundamentais com os Estados Unidos</a>. Esses movimentos sugerem que a Índia teve uma forte concordância com o foco estadunidense na contenção da China. Mas teria a Índia deixado de lado seu alinhamento com os Estados Unidos em função das suas relações com a Rússia? O não-alinhamento está de volta à mesa? As respostas a estas perguntas são muito mais complicadas do que parece na superfície.</p>
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<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Economia</strong></span></h3>
<p>A recente resposta da Índia pode ser explicada, em parte, simplesmente por razões econômicas. Para um governo lidando com uma inflação galopante, a <a href="https://www.livemint.com/news/india/russia-offers-oil-to-india-at-35-bbl-discount-from-pre-war-price-11648704105136.html">possibilidade de obter petróleo com descontos da Rússia</a> era <a href="https://www.financialexpress.com/economy/indias-russian-oil-purchases-since-ukraine-invasion-more-than-double-2021-total/2502873/">muito boa para ser negada</a>. Além disso, <a href="https://www.business-standard.com/article/economy-policy/russia-accounted-for-half-of-india-s-arms-imports-during-2016-20-122022600072_1.html">a Rússia continua sendo a maior fornecedora de armas da Índia</a>, apesar desta dependência aparentemente <a href="https://www.business-standard.com/article/economy-policy/russia-accounted-for-half-of-india-s-arms-imports-during-2016-20-122022600072_1.html">estar diminuindo</a> (importações de Israel e dos Estados Unidos <a href="https://warontherocks.com/2022/04/after-ukraine-where-will-india-buy-its-weapons/">aumentaram</a> nos últimos 30 anos). Um fato ainda menos notado é que a Índia <a href="https://www.thehindubusinessline.com/opinion/russia-ukraine-war-choking-fertiliser-supply/article65210842.ece">também depende da Rússia para obter fertilizantes vitais para seu setor agrícola</a>. Esses laços econômicos são muito lucrativos para serem cortados. Há precedentes para isso também. Afinal, a Índia não cedeu às pressões dos EUA, <a href="https://www.hindustantimes.com/india-news/s400-missile-system-deal-us-may-still-sanction-india-says-top-diplomat-101646281899828.html">nem sob ameaça de sanções</a>, quando esta tratava de adquirir o sistema de mísseis S-400 da Rússia. Geopoliticamente, a Rússia continua sendo fundamental se a Índia quiser se envolver com sua vizinhança imediata, onde anteriormente perdeu a janela em momentos-chave, como durante a crise no Afeganistão.</p>
<p>No entanto, atualmente, perspectivas puramente econômicas e geopolíticas talvez sejam inadequadas.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Autonomia estratégica</strong></span></h3>
<p>A abordagem da Índia no pós-Guerra Fria muitas vezes foi definida como autonomia estratégica, conceito que abrangeu agrupamentos tão diversos quanto a aliança BRICS de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul; a Organização de Cooperação de Xangai; e o Quad, composto pelos Estados Unidos, Índia, Japão e Austrália. No entanto, a política externa da Índia nas últimas décadas tem se caracterizado por uma abordagem mais transacional, buscando mais aproveitar o que faz sentido financeiro e estratégico em um determinado momento do que qualquer perspectiva de longo prazo.</p>
<p>As respostas do Ocidente e seus aliados à guerra na Ucrânia indicam que tal abordagem tem uma utilidade limitada. <a href="https://economictimes.indiatimes.com/news/international/world-news/russia-becomes-worlds-most-sanctioned-country/articleshow/90070310.cms">O regime de sanções</a>, a apreensão de bens, o <a href="https://qz.com/2135316/the-g-7-froze-all-of-russias-reserve-assets-in-their-countries/">congelamento de reservas</a> e o ataque à moeda russa não são meras respostas a um conflito armado. São métodos que foram usados como armas e <a href="https://inthesetimes.com/article/sanctions-war-economic-punishment-afghanistan-iran-cuba-venezuela">implementados, em um determinado momento, contra países</a> como Cuba, Venezuela e Irã, e constituem como um aviso para qualquer um que busque desafiar a hegemonia dos Estados Unidos e seus aliados. São um sinal de que qualquer contestação à atual ordem global será recebida com uma dura resposta. Hoje o alvo é a Rússia. Poderia ser a China amanhã? A Índia no dia seguinte?</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><strong>Um robusto não-alinhamento</strong></h3>
<p>O momento atual exige uma nova abordagem, e é aqui que a proposta de não-alinhamento surge. Embora não se trate de uma nova ideia, ela pode ter encontrado agora o seu momento de urgência.</p>
<p>A gênese do Movimento dos Não-Alinhados (NAM) está na tradição das <a href="https://www.telesurenglish.net/multimedia/The-Non-Aligned-Movement-was-Heart-of-Anti-Colonial-Struggle-20160711-0017.html">lutas anticoloniais</a>. Um emergente MNA, por exemplo, interviu criticamente nos movimentos de libertação nacional na África. Em contraste com o colonialismo, que se desenvolveu e continuou com suas atividades predatórias, o MNA foi reduzido a uma voz moral, e seus membros foram isolados e perseguidos pela ordem global neoliberal que surgiu a partir dos anos 1970.</p>
<p>Então, o que significa o não-alinhamento hoje, quando alguns homens e mulheres, com um golpe de caneta, podem apreender bilhões em reservas estrangeiras e barrar o comércio entre dois países soberanos? Está claro que para o não-alinhamento ser efetivo, ele não pode se restringir a relacionamentos transacionais ou meras posturas morais.</p>
<p>Também está claro que o não-alinhamento hoje precisa se basear na exigência da <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/texto-um-plano-para-salvar-o-mundo/">transformação da ordem mundial</a>, o que implica a rejeição da ditadura do Banco Mundial e do FMI e o impacto duradouro do endividamento, a abolição das sanções como ferramentas de guerra, e uma Organização das Nações Unidas mais igualitária. Isso requer a construção de estruturas para as quais já existem precedentes. As nações do BRICS tiveram a <a href="https://peoplesdispatch.org/2022/05/02/why-nonalignment-is-an-urgent-imperative-for-the-global-south/">ideia certa</a> com o Novo Banco de Desenvolvimento, anteriormente chamado de Banco de Desenvolvimento dos BRICS, que pode ser um modelo para futuros blocos. Organizações como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) na <a href="https://peoplesdispatch.org/2022/05/10/why-latin-america-needs-a-new-world-order/">América Latina</a> deram exemplos de tais agrupamentos em ação.</p>
<p>Tais estruturas, no entanto, não são construídas isoladamente ou simplesmente porque alguns líderes o decretam. Sua fundação deve basear-se em uma estratégia de duas frentes em cada país. Uma frente deve ser uma ênfase renovada na autodeterminação no desenvolvimento econômico e na pesquisa científica e tecnológica. Isso talvez seja o que a Índia perdeu quando abandonou o planejamento central e acabou sendo uma fornecedora de recursos humanos qualificados e uma mera receptora de tecnologia e bens.</p>
<p>A outra frente há de ser o desenvolvimento de relações econômicas que beneficiam os pontos fortes de cada um dos países, e que possa ser alcançado apesar das diferenças políticas e diplomáticas entre eles. Blocos comerciais no Sudeste Asiático, África e América Latina nos forneceram sugestões do que isso poderia significar e quão profundamente isso pode afetar a ordem global.</p>
<p>Para a Índia e outros países do Sul Global, esse momento oferece enormes desafios e fornece vislumbres de um possível novo mundo. A Índia transcenderá sua abordagem de transição e abraçará essa possibilidade? Há poucas razões para esperar qualquer desejo de mudança da classe dominante – mas essa possibilidade é parte integrante da agenda dos movimentos populares.</p>
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<p><a name="section_6"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Europa na encruzilhada: entre o neoliberalismo e o desejo popular</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Nora García Nieves</span></h2>
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<p>“Nem guerra que nos destrua, nem paz que nos oprima”: este lema histórico do movimento feminista espanhol contra a guerra detém uma das chaves fundamentais para a construção de um horizonte de paz. Ele proclama que a paz não é apenas um cessar-fogo ou a rendição e o silêncio diante daqueles que nos impõem suas guerras. Mas sim que a paz é a construção das bases para relações baseadas no respeito mútuo e na cooperação.</p>
<p>Não se trata de uma ideia ingênua, nem algo impossível, porque se há vontade, há um caminho.</p>
<p>A construção deste caminho é a única alternativa possível para a sustentabilidade da vida das pessoas e do planeta. O contrário é a paz dos cemitérios, a perda de vidas humanas, um mundo partido em dois, em guerra permanente, armas nucleares e miséria para os povos.</p>
<p>Os que dizem defender a liberdade não querem que aqueles que não são como eles a desfrutem. O que se coloca é um “comigo ou contra mim”, ou, <a href="https://mobile.twitter.com/dw_espanol/status/1498829189482356739">nas palavras de Josep Borrell</a>, Alto Representante da União Europeia para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, “lembraremos daqueles que não estão do nosso lado”.</p>
<p>A liberdade, portanto, não é simplesmente escolher entre duas opções, mas sim a possibilidade de criar opções próprias. Por isso é fundamental que frente a esta visão <em>mainstream</em> do mundo, que nos retira a capacidade de construir novos imaginários, articulemos um em que possamos entrar todas juntas. A guerra não é inevitável.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>“A Europa é indefensável”</strong></span></h3>
<p>No contexto em que vivemos, com a invasão russa na Ucrânia, nos vemos cercados por uma amnésia e a sensação de estar de volta ao século 20. De novo a guerra, de novo o ódio, de novo o “nós” e os “outros”. É chocante que, diante da guerra na Ucrânia, a <a href="https://www.amnesty.org/en/documents/eur05/001/2014/en/">Fortress Europe</a> agora ache que é tão fácil fazer mudanças nas políticas e abrir suas portas para os brancos de olhos azuis. Essa é a mesma abordagem que, na resposta da Europa aos refugiados e migrantes de países pobres e devastados pela guerra no Sul Global, transformou o Mar Mediterrâneo em uma <a href="https://www.clarin.com/mundo/mediterraneo-gran-fosa-comun-inmigrantes-europa_0_FhU7-2XHT.html">vala comum</a>; que desrespeita <a href="https://www.theguardian.com/global-development/2021/may/05/revealed-2000-refugee-deaths-linked-to-eu-pushbacks">ilegalmente</a> os migrantes; e que <a href="https://www.nbcnews.com/news/world/frontex-europes-border-agency-fire-aiding-libyas-brutal-migrant-detent-rcna6778">prende</a> os requerentes de asilo em centros de detenção, sem acesso a advogados. No entanto, a guerra na Ucrânia mostrou que a UE é perfeitamente capaz de receber refugiados, mas para aqueles presos na Líbia – aquele país que destruímos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – não há rotas seguras, nem trens, nem ônibus gratuitos. Isso nos diz novamente que <em>se há vontade, há um caminho</em>.</p>
<p>Todas as pessoas têm direito de fugir da guerra e de refazer suas vidas, como os afegãos, curdos e sírios vivendo sob superlotação em Moria, o campo de refugiados na ilha de Lesbos, na Grécia, que pegou fogo durante a pandemia com <a href="https://www.bbc.com/news/world-europe-54082201">quase 13 mil pessoas dentro</a> e onde crianças de 10 anos <a href="https://tdh-europe.org/news/lesbos-prisoners-of-the-horror-camp-story-in-lillustre-magazine/7402">tentaram suicídio</a> por conta da violência, fome e superlotação. Parece que a História da Europa colonial persiste, com vidas que importam e vidas que não importam.</p>
<p>Mas há poucos anos, milhares de famílias espanholas fugiam de um fascismo que também perseguia “os outros”, como o povo cigano, pessoas da comunidade LGTBI ou defensores da República Espanhola. Como escreveu Aimé Césaire em seu <em>Discurso sobre o colonialismo</em>, “a Europa é indefensável”. O nível de contradições é tão alto que seria suicídio continuar nesse caminho em que falamos de paz e mandamos armas, falamos de democracia e apoiamos a censura, falamos de direitos humanos e desmantelamos a ONU, falamos de liberdade e fechamos os olhos ao fascismo. E no centro de tudo isso: a OTAN. Como se não bastasse entregar nossa soberania aos mercados, também a entregamos às guerras dos EUA.</p>
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<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>“Não se come dignidade, mas um povo sem dignidade se ajoelha e acaba sem comer”</strong></span></h3>
<p>A famosa frase do dirigente <a href="https://elpais.com/opinion/2020-05-16/julio-y-el-hilo-rojo.html">Julio Anguita González</a>, ex-prefeito de Córdoba e influente líder político da esquerda espanhola, “não se come dignidade, mas um povo sem dignidade se ajoelha e acaba sem comer” ressoa na minha cabeça enquanto tento discernir o que está ocorrendo na Europa, ou, mais importante: o que é a Europa e como podemos torná-la o contrário do que é. Mas para entender o que é a Europa hoje, devemos recordar que os debates que construíram os consensos no sentido da criação desta União Europeia se deram em termos abstratos e aspiracionais, associando a modernidade ao neoliberalismo. Enquanto os povos absorviam uma identidade europeia vazia, se construíam os andaimes para uma economia independente do poder político e democrático.</p>
<p>Como a pequena sereia do conto popular de Hans Christian Andersen, vendemos nossas vozes por uma ideia de amor romântico. Sem a nossa voz, os construtores da UE preencheram o abismo entre o econômico e o social com instituições geradoras de desigualdades e um projeto europeu de segurança a serviço de Washington. As decisões da UE face à crise de 2008, à pandemia de Covid-19 ou à guerra na Ucrânia não poderiam estar mais longe das reais e cotidianas necessidades de segurança das pessoas. Com a pequena sereia, aprendemos que sem a nossa voz não pode haver amor verdadeiro.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>A luta contra a amnésia</strong></span></h3>
<p>Aqueles de nós que lutam contra a amnésia sabem que não precisamos de alianças militares, porque a guerra é um sintoma terrível, mas não é a doença do mundo. Para erradicá-la, a Europa precisa urgentemente de um transplante de coração, de um coração antifascista e anticolonial, que seja responsável pelo mundo que constrói e pelas pessoas que vivem e chegam a ele. Então, como podemos tornar a Europa o oposto do que é? Em primeiro lugar, partindo do princípio de que não podemos adiar o abrir dos olhos, olhar para a Europa como ela é e enfrentar a tarefa mais difícil: construir o nosso próprio caminho. Com a memória, seremos capazes de enfrentar esse caminho, porque ele já foi tentado antes. Escutemos o passado e tornemos ele melhor. Esse caminho passa por Rosa Luxemburgo, o Movimento dos Países Não Alinhados, os BRICS, o pan-africanismo ou a luta das Mães da Praça de Maio. Toda essa história nos lembra que a luta para construir outro caminho de paz é cheia de coragem, e que quem lutou aprendeu que sua vontade também contava.</p>
<p>Porque <em>se há vontade, há um caminho.</em></p>
<p>Mais armas não nos salvarão. Nós mesmas o faremos.</p>
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<p><a name="section_7"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>O não-alinhamento de Cuba: uma política internacional por paz e socialismo</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Manolo De Los Santos</span></h2>
<p> </p>
<p>Apesar do fato de que as cidades de Bandung, na Indonésia, e Havana, em Cuba, não poderiam estar mais distantes geograficamente – com cada uma delas localizadas em distantes ilhas em seus respectivos países e separadas por mais de 17 mil quilômetros – as duas cidades estiveram bastante próximas ideologicamente na imaginação de muitas pessoas no Sul Global. O <a href="https://www.globallearning-cuba.com/blog-umlthe-view-from-the-southuml/the-third-world-project-1948-79">Projeto do Terceiro Mundo</a>, nascido da colaboração contínua dos novos Estados recém independentes e suas lutas por libertação nacional, definiu e continua a definir a história dos movimentos por paz e não-alinhamento ainda hoje.</p>
<p>Quando a Conferência de Bandung começou, em 18 de abril de 1955, Fidel Castro ainda era um preso político na então chamada Ilha de Pinhos, ao sul de Havana. Ele cumpria uma sentença de 15 anos de prisão por ter organizado um ataque fracassado contra o Quartel Moncada, dois anos antes. Naqueles anos de prisão, durante os quais o jovem Fidel leu ferozmente, ele começou a solidificar suas ideias sobre os conceitos de soberania e independência, e como eles precisavam ser redefinidos no contexto da Guerra Fria, no qual o imperialismo desenvolvia novas abordagens no sentido de manter a subjugação de continentes inteiros.</p>
<p>À medida que Fidel e seus camaradas na prisão traçavam um novo caminho para Cuba, ficava claro que sua causa de libertação nacional precisaria estar intimamente conectada a um projeto mais amplo, visando o desenvolvimento e o trabalho por um não-alinhamento ativo para os povos do Terceiro Mundo.</p>
<p>Numa mesa redonda em Bandung, na Indonésia, os líderes do Terceiro Mundo lançavam uma luta global para <a href="https://www.globallearning-cuba.com/blog-umlthe-view-from-the-southuml/the-third-world-project-1948-79">reestruturar</a> o sistema mundial prevalecente naqueles tempos. A conferência foi lugar de convergência dos países socialistas e do Terceiro Mundo, e testemunhou uma crescente unidade entre essas nações nas lutas para aprofundar o processo de descolonização.</p>
<p>Na Conferência de Bandung, os governos independentes da Ásia e África levantaram a urgência de reviver a luta anticolonial e anti-imperialista e a necessidade de unir e solidificar cada vez mais os interesses e aspirações de seus povos. Enquanto isso, a vasta maioria dos governos da América Latina estavam contra os interesses e aspirações de seus povos, e profundamente submetidos ao imperialismo estadunidense sob o disfarce da Organização dos Estados Americanos (OEA), que já funcionava como o Ministério das Colônias do Departamento de Estado dos EUA, <a href="https://mondediplo.com/2020/05/13oas">como Fidel depois a apelidaria</a>.</p>
<p>Em 1959, a Revolução Cubana triunfou. Ela marcou um ponto transformador sem volta para a América Latina e suas relações com os Estados Unidos. O governo estadunidense decidiria não reconhecer o processo revolucionário na ilha. Em 1961, Cuba se tornou o foco da agressão norte-americana na região, levando a um bloqueio que hoje <a href="https://www.midwesternmarx.com/articles/the-blockade-against-cuba-turns-60-by-rosa-miriam-elizalde">já tem seis décadas</a>. Pela primeira vez na história, um movimento guerrilheiro tinha levado adiante uma revolução e confrontado o imperialismo dos Estados Unidos bem debaixo de seu nariz, desencadeando profundas transformações em sua estrutura socioeconômica, que se opunham aos interesses neocoloniais de dominação estadunidense.</p>
<p>Pouco tempo depois, Cuba se tornou o único país da América Latina a fazer parte do Movimento dos Não-Alinhados (MNA), criado na Iugoslávia em 1961. Fidel Castro e a Revolução Cubana começariam a ter <a href="https://www.e-ir.info/2020/12/19/cuban-cold-war-internationalism-and-the-nonaligned-movement/">um papel estratégico</a> na solidariedade internacionalista com as lutas de libertação anticoloniais e anti-imperialistas dos povos do Terceiro Mundo.</p>
<p>A Revolução Cubana estava plenamente consciente de que seu destino estava ligado ao dos povos da América Latina, Ásia e África. Como Fidel <a href="https://tinyurl.com/yu36wvwa">declarou</a> em 1962, “qual é a história de Cuba senão a história da América Latina? E qual é a história da América Latina senão a história da Ásia, África e Oceania? E qual é a história de todos esses povos senão a história da exploração mais implacável e cruel do imperialismo em todo mundo?”</p>
<p>Quando Cuba ingressou no MNA, em 1961, sua política externa estava em um estágio de definição estratégica. O compromisso de Cuba com o Terceiro Mundo tornou-se um pilar de sua estratégia internacionalista, seja por meio do Movimento dos Não-Alinhados ou da <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/nossa-historia/">Conferência Tricontinental</a>, ou ainda da posterior <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/carta-semanal-31-2019-homenagem-a-ospaaal-a-organizacao-de-solidariedade-dos-povos-da-asia-africa-e-america-latina/">Organização de Solidariedade com os Povos de Ásia, África e América Latina</a> (OSPAAAL). Nas décadas seguintes, muitos dos movimentos de libertação nacional que se encontraram em Havana em janeiro de 1966, durante a primeira conferência da OSPAAAL, estariam no governo de novos estados que passaram a participar no Movimento dos Não-Alinhados, tornando-se este o novo paradigma do Terceiro Mundo.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Comprometidos com nossos próprios princípios de não-alinhamento</strong></span></h3>
<p>Na reunião de fundação do Movimento dos Não-Alinhados na Belgrado socialista (então capital da Iugoslávia) em 1961, Osvaldo Dorticós Torrado, então presidente de Cuba, afirmou que o não-alinhamento “não significa que não somos países comprometidos. Estamos comprometidos com nossos próprios princípios. E aqueles de nós que são amantes da paz, que lutam para afirmar sua soberania e alcançar a plenitude do desenvolvimento nacional, estão, finalmente, comprometidos em responder a essas aspirações transcendentes e não trair esses princípios”. Numa época em que muitos criticavam o aparente “alinhamento” de Cuba com a União Soviética e atacavam a premissa de que a libertação nacional estava vinculada a um projeto socialista, Dorticós, em seu discurso de abertura, durante a reunião de fundação do MNA, procurou definir melhor o não-alinhamento, afirmando que o momento exigia “mais do que formulações gerais, [e que] problemas concretos devem ser considerados”.</p>
<p>Essa definição ativa do não-alinhamento tem sido importante para a política externa de Cuba em sua relação com as forças mais progressistas do Terceiro Mundo. O pensamento do Movimento dos Não Alinhados, a partir de 1973, parece ter abandonado as ideias de “neutralidade” que permeavam o movimento desde sua criação e expandido suas atividades para as relações econômicas internacionais com muito mais força do que em seu período anterior, em defesa da necessidade de uma nova ordem econômica internacional.</p>
<p>Desde a queda da URSS e a ascensão dos Estados Unidos a uma posição de quase primazia, o MNA teve problemas para se adaptar às novas realidades e ficou à deriva. Nos últimos anos, no entanto, com o ressurgimento do regionalismo na América Latina e com o surgimento da integração eurasiana, a importância do não-alinhamento e do MNA está gradualmente sendo reconsiderada. Povos de todo o mundo resistem às táticas de coerção adotadas pelos Estados Unidos, que vêm tentando isolar os países que não se submetem à vontade de Washington. Isso ficou especialmente claro com a Cúpula das Américas da Organização dos Estados Americanos de junho de 2022, onde países como Bolívia e México ameaçaram <a href="https://www.usnews.com/news/politics/articles/2022-05-21/biden-risks-troubled-americas-summit-in-los-angeles">boicotar</a> a cúpula em Los Angeles se Cuba, Nicarágua e Venezuela fossem proibidas de participar. Como alternativa, a <a href="https://www.usnews.com/news/politics/articles/2022-05-21/biden-risks-troubled-americas-summit-in-los-angeles">Cúpula dos Povos pela Democracia</a> leva adiante o legado de Bandung e Havana, reunindo as vozes dos excluídos.</p>
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<p><a name="section_8"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Não basta rechaçar a guerra: o racismo impossibilita a paz</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Claudia Webbe</span></h2>
<p> </p>
<p>A guerra e o racismo sempre foram violenta e tragicamente inseparáveis. Durante séculos, os conflitos mais devastadores e brutais do mundo foram impulsionados pelas destrutivas ideias de superioridade racial e afirmações assassinas sobre diferenças étnicas.</p>
<p>A invasão russa na Ucrânia é abominável e profundamente preocupante: trata-se de um atropelo não provocado e injustificável, e uma terrível violação do direito internacional que terá consequências duradouras e trágicas. A agressão russa, o bombardeio militar e o envio de tropas à Ucrânia devem terminar imediatamente.</p>
<p>A guerra e a escalada militar não podem trazer nada de bom. Como <a href="https://peoplesdispatch.org/2022/02/26/vijay-prashad-war-itself-is-a-crime/">disse</a> o jornalista da <a href="https://globetrotter.media/author/vijayprashad/">Globetrotter</a>, Vijay Prashad, durante o <a href="https://peoplesforum.org/">Fórum dos Povos</a>, em fevereiro de 2022: “A guerra nunca é boa para os pobres. A guerra nunca é boa para os trabalhadores. A guerra é em si mesma um crime”. A comunidade internacional deve redobrar seus esforços para encontrar uma solução diplomática que garanta a paz e proteja a vida dos habitantes da Ucrânia e de outros países assolados pela guerra.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Racismo e guerras</strong></span></h3>
<p>A onipresença do apoio à Ucrânia – especialmente por parte dos Estados ocidentais – é um espelho que mostra como, pelo prisma do racismo, alguns conflitos, guerras e incidentes de sofrimento massivo são considerados mais importantes e merecedores de simpatia do que outros. Houve inúmeros casos de jornalistas que expressaram sua comoção pelo fato de que as espantosas imagens de sofrimento na Ucrânia vinham de um país europeu com uma população majoritariamente branca. Assim se expressou a correspondente da <em>NBC News</em> em Londres, Kelly Cobiella, que <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CBWuDajHdCo">disse</a>: “Para dizer claramente, estes não são refugiados da Síria, são refugiados da vizinha Ucrânia… São cristãos, são brancos. São muitos similares [a nós]”. Ecoando essa referência explícita à raça, o ex-procurador-chefe adjunto da Ucrânia, David Sakvarelidze, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=pU-8gKaUO_Y">declarou</a> à <em>BBC</em>: “É muito emocionante para mim, porque vejo que matam pessoas europeias com olhos azuis e cabelos loiros”.</p>
<p>Se contrastamos isso com a linguagem desumanizada que se utiliza para descrever os refugiados não-brancos, os solicitantes de asilo e vítimas de guerra (como a <a href="https://www.bbc.com/news/av/uk-politics-33714282">descrição</a> feita pelo primeiro-ministro britânico David Cameron dos refugiados e refugiadas como um “enxame”), evidencia-se o muito preocupante racismo, inerente à forma como a mídia, os líderes e o público de todo o mundo informam, discutem e respondem à crise. Essa omissão em relação aos não-brancos e não-europeus serve para descartar seu sofrimento. Deveríamos nos opor ao trauma injustificável das pessoas na Ucrânia com a mesma veemência com a qual nos opomos ao sofrimento das vítimas dos conflitos na Palestina, Síria, Iraque, Afeganistão e outros países que sofrem dos males da guerra.</p>
<p>Os meios de comunicação e o governo do Reino Unido devem reconhecer que todos os cenários de conflito merecem tanto nossa solidariedade quanto nossa compaixão. Portanto, o governo do Reino Unido deve garantir o ingresso e o refúgio para as pessoas deslocadas, refugiadas e solicitantes de asilo que chegam da Ucrânia, bem como de todos os demais cenários de conflito ao redor do mundo. A contínua hipocrisia do governo do Reino Unido fica evidente com o abominável <a href="https://news.un.org/en/story/2022/04/1116342">plano de processamento no exterior de Ruanda</a> e a <a href="https://bills.parliament.uk/bills/3023">Lei de Nacionalidade e Fronteiras de 2022</a>, uma lei “anti-refugiados” que prevê mudanças drásticas no sistema de asilo da Grã Bretanha. Estas políticas devem ser descartadas imediatamente.</p>
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<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>A l</strong><strong>onga tradição de não-alinhamento</strong></span></h3>
<p>No dia 2 de março de 2022, as Nações Unidas <a href="https://news.un.org/en/story/2022/03/1113152">votaram</a> uma moção que condenava a invasão russa na Ucrânia. Esta foi apoiada por 141 dos 193 estados membros, e só <a href="https://theweek.com/russo-ukrainian-war/1010836/only-5-countries-including-north-korea-vote-against-un-resolution">cinco Estados</a> (Rússia, Bielorrússia, Coreia do Norte, Eritréia e Síria) votaram contra. Para entender por que 35 Estados – em sua imensa maioria antigas colônias no Sul Global – se abstiveram de votar, temos de tomar em conta a larga tradição do não-alinhamento sobre a qual se sustentam.</p>
<p>A <a href="https://www.globallearning-cuba.com/blog-umlthe-view-from-the-southuml/the-third-world-project-1948-79">Conferência de Bandung</a> de 1955 é considerada, justificadamente, uma das reuniões mais importantes da história da humanidade, por ser enormemente inspiradora para os povos anteriormente colonizados e representar uma forte afirmação do pan-africanismo e da solidariedade anti-imperialista. A conferência também contribuiu para popularizar o Movimento dos Não-Alinhados, um esforço para responder à rápida polarização do mundo durante a Guerra Fria, na qual duas grandes potências formaram blocos e embarcaram em uma política para atrair o resto do mundo às suas órbitas. Um desses blocos era o bloco comunista pró-soviético, unido sob o Pacto de Varsóvia, e outro era o grupo de países capitalistas pró-estadunidenses, muitos dos quais eram membros da OTAN. Milhões de civis morreram durante as guerras por procuração entre Estados Unidos e União Soviética na segunda metade do século 20, e a ameaça sempre presente da aniquilação nuclear pendia como uma espada de Dâmocles sobre todo o planeta.</p>
<p>O não-alinhamento nos orienta a um futuro mais seguro e pacífico. Em 1961, baseando-se nos princípios acordados na Conferência de Bandung de 1955, se estabeleceu formalmente o Movimento dos Não-Alinhados em Belgrado, então parte da Iugoslávia. Na atualidade, o Movimento dos Não-Alinhados inclui 120 países, que representam <a href="https://espace-mondial-atlas.sciencespo.fr/en/topic-regulatory-efforts/focus-6F02-EN-contemporary-aspects-of-nonalignment.html">quase dois terços</a> dos membros das Nações Unidas, onde vive 55% da população mundial. Kwame Nkrumah, primeiro presidente de Gana e líder do Movimento dos Não-Alinhados, <a href="https://www.nytimes.com/1960/11/21/archives/ghana-tells-us-she-is-a-neutral-nkrumah-assures-envoy-in-accra-his.html">disse</a>: “não olhamos nem ao Leste nem ao Oeste; olhamos para a frente”.</p>
<p>Apesar do Movimento dos Não-Alinhados ter se desenvolvido durante a geopolítica da Guerra Fria, ele foi fundado e perdurou sobre o reconhecimento de que nada de bom pode sair da guerra e que os conflitos violentos, o colonialismo e o racismo sempre estiveram estreitamente vinculados. Por exemplo, dos 35 países que se abstiveram de votar no 2 de março, <a href="https://www.brookings.edu/blog/africa-in-focus/2022/03/09/figure-of-the-week-african-countries-votes-on-the-un-resolution-condemning-russias-invasion-of-ukraine/">17 eram nações africanas</a>, que durante séculos sofreram a extração violenta do colonialismo. A abstenção não foi, de forma alguma, um reflexo do apoio à invasão russa. Foi uma afirmação do pacifismo, feita por países que durante séculos viveram debaixo dos abomináveis resultados racistas da guerra colonial.</p>
<p>Em todo o mundo, os casos de assassinatos e atroz violência pelas mãos do Estado britânico foram apagados de nossa imperial “memória do presente”. É chegado o momento dos antigos Estados coloniais se desculparem e levarem a sério a dívida histórica que têm com os países, comunidades e pessoas que suportaram suas crueldades. Um Movimento dos Não-Alinhados revitalizado, guiado pelos princípios do pacifismo, da justiça e da cooperação internacional, poderia ajudar a equilibrar a balança da política mundial, distanciando-a das guerras racistas e a aproximando de um futuro de paz.</p>
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<p><a name="section_9"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Por que a paz e o desarmamento estão no coração do não-alinhamento?</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Kate Hudson</span></h2>
<p> </p>
<p>Nunca houve maior necessidade de um novo equilíbrio global, do rechaço à guerra, à exploração e à agressão das grandes potências do que agora que nosso mundo se aproxima da catástrofe da guerra nuclear. Hoje, mais do que nunca, é necessário rechaçar a brutal agenda unipolar dos Estados Unidos, a distribuição do mundo entre potências hostis e a supressão dos direitos de muitos em função do interesse de uns poucos. Isso se vê mais claramente quando tratamos da posse de armas nucleares: somente nove Estados possuem essas armas de destruição massiva por excelência, e, apesar de serem tão poucos, podem manter o resto do mundo em xeque com seu terror nuclear.</p>
<p>A luta por um mundo genuinamente multipolar, alinhado só com os povos do mundo e não com blocos militares, tem a paz e o desarmamento em seu centro: isso é tão verdadeiro agora como foi há 60 anos, quando foi fundado o Movimento dos Não-Alinhados (MNA). Além da oposição à colonização e à submissão econômica, os fundadores do Movimento defendiam a autodeterminação e a igualdade nas relações entre os Estados, e também coincidiam em sua oposição aos blocos militares, seu compromisso com a paz mundial e uma defesa muito firme do desarmamento nuclear mundial.</p>
<p>Praticamente todo o Sul Global está auto-organizado em zonas livres de armas nucleares reconhecidas internacionalmente, proposta que tem suas origens na década de 1960. Em 1968, 20 países da América Latina estabeleceram uma zona livre de armas nucleares, renunciando à aquisição e transferência delas em seus territórios. Os firmantes desse tratado, o Tratado de Tlatelolco, também aceitaram a jurisdição da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre suas instalações nucleares. Em troca, os Estados com armas nucleares concordaram em não utilizar – nem ameaçar utilizar – armas nucleares contra nenhum dos Estados firmantes. O Tratado de Rarotonga foi assinado em 1985 e proibiu os dispositivos explosivos nucleares no Pacífico Sul, assim como os testes e uso de tecnologias de explosivos nucleares. A zona livre de armas nucleares da África se formalizou em 1996, com a assinatura do Tratado de Pelindaba, após a renúncia, por parte da África do Sul, das armas nucleares que tinha desde a época do <em>apartheid</em>.</p>
<p>Tivemos um forte desenvolvimento regional em matéria de desarmamento, liderado pelo Sul Global, mas também houve – e segue havendo – tentativas de globalizar estas propostas. O Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), negociado durante a década de 1960, mas que entrou em vigor em 1970, foi impulsionado, em grande parte, pela Índia, para controlar a proliferação e a expansão dos arsenais. Depois, tanto a Índia quanto o Paquistão se negaram a aderir ao TNP, afirmando que ele consagrava em lei aqueles que tinham e aqueles que não tinham armas nucleares, um sistema de dois pesos e duas medidas. Lamentavelmente, ambos países testaram e desenvolveram seus próprios arsenais. Mas seu ponto era correto: os Estados com armas nucleares não cumpriram com suas obrigações de desarmamento segundo o TNP. De fato, posteriormente trataram de reinterpretar o TNP como se este lhes permitisse manter suas armas nucleares.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>O afastamento do Ocidente</strong></span></h3>
<p>Nos primeiros anos do século 21, no contexto da chamada “guerra contra o terror”, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, tentaram alterar o marco jurídico que trata das armas nucleares. Buscaram anular a exigência do desarmamento, centrando-se em evitar que mais países adquirissem armas nucleares. Seu objetivo era reinterpretar o TNP para legitimar a posse de armas por parte dos Estados nucleares existentes, ao mesmo tempo que o utilizavam como justificativa para a confrontação com os Estados acusados de proliferação. Afirmavam que era necessário um novo documento que refletisse as drásticas mudanças nas condições da segurança internacional, incluindo os atentados do 11 de setembro de 2001.</p>
<p>A realidade era que os Estados Unidos e o Reino Unido estavam fazendo pesquisas para novas armas (que estariam dispostos a usar inclusive contra Estados que não tivessem armas nucleares) ao mesmo tempo que desenvolviam armas para enfrentar Estados mais poderosos, como a Rússia e a China. Este foi o verdadeiro motor da proliferação nuclear, junto com a determinação dos Estados Unidos de converter Israel no único Estado com armas nucleares do Oriente Médio.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Um novo caminho</strong></span></h3>
<p>Foi a frustração com o NPT que levou à fundação, em 2013, da Iniciativa Humanitária sobre as consequências das armas nucleares. Essa iniciativa se materializou no Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPAN), que entrou em vigor em janeiro de 2021.</p>
<p>O tratado pela primeira vez torna as armas nucleares ilegais, proibindo o desenvolvimento, posse e uso de armas nucleares por parte dos Estados participantes. Atualmente, o tratado conta com 61 Estados, que estão legalmente obrigados a cumpri-lo, e muitos outros estão em processo de adesão. Os países do Sul Global estão na vanguarda da concretização deste tratado; entendem que qualquer uso de armas nucleares por parte dos estados do Norte Global afetará de forma desastrosa suas próprias populações, terras e produção de alimentos. Sustentam o que sempre foi sua postura: qualquer posse de armas nucleares é inaceitável; não há garantias quando se trata deste tipo de arma.</p>
<p>Sem dúvida, é notável que o tratado imponha aos firmantes a obrigação de ajudar as vítimas do uso e testes de armas nucleares. Ele exige a reparação de terrenos contaminados pelos testes nucleares. Também reconhece explicitamente o impacto desproporcional das atividades de armamento nuclear sobre os povos indígenas, dadas as escolhas feitas pelas potências nucleares para seus locais de teste. Por exemplo, muitos dos testes do Reino Unido foram feitos nos territórios dos Primeiros Povos Australianos em Emu Field e Maralinga, contaminando amplas zonas do sul da Austrália. A França também realizou testes nucleares em suas antigas colônias, incluindo 17 na Argélia e 193 na Polinésia Francesa. Estes erros históricos devem ser corrigidos.</p>
<p>As iniciativas da maior parte do mundo pela paz e o desarmamento demonstram que outro mundo é possível. A guerra é terrível. Em todas as guerras, os povos sofrem, e as consequências afetam várias gerações. O futuro de inúmeras pessoas é destruído, como vemos na Ucrânia, Afeganistão, Palestina, Iêmen, Líbia, Síria, Iraque e Sahel. As prioridades da humanidade são a luta contra a desigualdade e a pobreza, o enfrentamento à crise climática e a ampliação do acesso à saúde e às vacinas. O gasto maciço dos Estados na produção e destruição militar é um desperdício criminoso dos recursos. As alianças militares não resolvem nossos problemas, mas o diálogo, a desmilitarização e a cooperação internacional sim.</p>
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<p><a name="section_10"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>2 trilhões de dólares para a guerra, 100 bilhões para salvar o Planeta</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Murad Qureshi</span></h2>
<p> </p>
<p>Entre o fim de abril e o começo de maio, o sul da Ásia foi afetado pelos terríveis impactos do aquecimento global. As temperaturas <a href="https://www.npr.org/2022/05/03/1096085028/climate-scientists-say-south-asias-heat-wave-120f-is-a-sign-of-whats-to-come">alcançaram quase 50 graus celsius</a> em algumas cidades da região. Essa alta nas temperaturas veio junto de perigosas enchentes no nordeste da Índia e em Bangladesh, com rios transbordando em inundações repentinas que <a href="https://reliefweb.int/report/bangladesh/flash-flooding-northeast-bangladesh-sylhet-sunamganj-and-netrokona-district-briefing-note-19062022">atingiram lugares como Sunamganj</a>, em Sylhet, no Bangladesh.</p>
<p>O diretor do <a href="https://www.iied.org/users/saleemul-huq#:~:text=Saleemul%20Huq%20is%20the%20director,the%20perspective%20of%20developing%20countries.">Centro Internacional de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento</a>, Saleemul Huq, é de Bangladesh. Ele é um veterano das negociações sobre mudanças climáticas da ONU. Quando Huq leu um tuíte de Marianne Karlsen, co-presidente do Comitê de Adaptação da ONU, que <a href="https://twitter.com/LossandDamage/status/1537434616809725953">dizia</a> que “mais tempo é preciso para alcançarmos um acordo” sobre as negociações sobre o financiamento de perdas e danos, ele <a href="https://twitter.com/SaleemulHuq/status/1537437290263216128">respondeu</a>: “a única coisa que nos falta é o tempo! Os impactos das mudanças climáticas já estão acontecendo, e os pobres estão sofrendo perdas e danos devido às emissões dos ricos. Conversas não são mais substitutas aceitáveis para a ação (dinheiro!)”. O comentário de Karlsen se referia ao <a href="https://time.com/6188699/loss-damages-blocked-from-cop27-agenda/">lento processo de negociação</a> sobre a agenda de “perdas e danos” da 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2022, ou COP27, a ser realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito, em novembro desse ano.</p>
<p>Em 2009, durante a COP15, os países desenvolvidos acordaram colaborar com um fundo de assistência para a adaptação de <a href="https://www.unep.org/news-and-stories/story/what-does-cop26-mean-adaptation">100 bilhões de dólares</a>, que deveria ser pago até 2020. Esse fundo tinha o objetivo de ajudar países do Sul Global a mudar sua dependência em fontes de emissão de carbono para fontes de energia renováveis, e para adaptar suas realidades à catástrofe climática. Na altura da COP26, realizada em Glasgow em novembro de 2021, no entanto, os países desenvolvidos não tinham cumprido com esse compromisso. Os 100 bilhões de dólares podem parecer um financiamento modesto, mas são muito menos do que o “<a href="https://news.un.org/en/story/2021/06/1094762">Desafio de Financiamento Climático de um Trilhão de Dólares</a>” que será necessário para garantir uma ação climática abrangente.</p>
<p>Os estados mais ricos – liderados pelo Ocidente – não só se recusaram a financiar seriamente essa adaptação, como também renegaram os acordos originais, como o <a href="https://unfccc.int/kyoto_protocol">Protocolo de Kyoto</a> (1997), um importante passo para mitigar a crise climática que o Congresso dos EUA se <a href="https://edition.cnn.com/2013/07/26/world/kyoto-protocol-fast-facts/index.html">recusou</a> a ratificar. Os Estados Unidos mudaram as metas de redução de suas emissões de metano e se recusaram a contabilizar a <a href="https://watson.brown.edu/research/2019/pentagon-fuel-use-climate-change-and-costs-war">enorme produção</a> de emissões de carbono das Forças Armadas dos EUA.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>O dinheiro da Alemanha vai para a guerra, não para o clima</strong></span></h3>
<p>A Alemanha abriga o secretariado da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Em junho, como prelúdio da COP27, a ONU realizou uma <a href="https://unfccc.int/SB56">conferência</a> em Bonn sobre as mudanças climáticas. As conversas terminaram em choques sobre o financiamento do que se conhece como “perdas e danos”. A União Europeia bloqueou sistematicamente todos os debates sobre compensações. Eddy Pérez, da Rede de Ação pelo Clima do Canadá, <a href="https://climatenetwork.org/2022/06/16/eu-hypocrisy-as-a-climate-champion-exposed-at-bonn-climate-conference%EF%BF%BC/">declarou</a>: “consumidos por seus interesses estreitos, os países ricos e em particular blocos como a União Europeia vieram para a Conferência do Clima de Bonn para bloquear, atrasar e minar os esforços dos povos e comunidades nas linhas de frente no enfrentamento a perdas e danos causados por combustíveis fósseis”.</p>
<p>Sobre a mesa estava a hipocrisia de países como a Alemanha, que reivindica ser um líder nessas questões, mas vem de fato adquirindo combustíveis fósseis no exterior e gastando cada vez mais dinheiro em suas forças armadas. Ao mesmo tempo, esses países negaram o apoio a países em desenvolvimento que enfrentam a devastação do aumento do nível do mar e de supertempestades causadas pelas mudanças climáticas.</p>
<p>Após as eleições alemãs de setembro de 2021, havia esperança de que a nova coalizão dos social-democratas com o Partido Verde levantaria a agenda verde. No entanto, o chanceler alemão Olaf Scholz <a href="https://www.ft.com/content/a9045654-f378-4f42-a012-e35f9e43b135">prometeu</a> 100 bilhões de euros para as forças armadas, o que o repórter Guy Chazan do <em>Financial Times</em> descreveu como “o maior aumento nos gastos militares do país desde o fim da Guerra Fria”. O chanceler Scholz também se comprometeu a “[gastar] mais de 2% do PIB do país nas forças armadas”. Isso significa mais dinheiro para os militares e menos dinheiro para a mitigação dos problemas climáticos e para a transformação verde.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>As forças armadas e a catástrofe climática</strong></span></h3>
<p>O dinheiro que está sendo engolido pelos estabelecimentos militares ocidentais não só se afasta de qualquer gasto climático, mas também promove uma maior catástrofe climática. As Forças Armadas dos EUA são as maiores poluidoras institucionais do planeta. A manutenção de suas mais de 800 bases militares ao redor do mundo, por exemplo, <a href="https://worldbeyondwar.org/climate-collapse-and-the-responsibility-of-the-military/">consome</a> 395 mil barris de petróleo diariamente. Em 2021, os governos do mundo <a href="https://www.sipri.org/media/press-release/2022/world-military-expenditure-passes-2-trillion-first-time#:~:text=(Stockholm%2C%2025%20April%202022),2021%2C%20to%20reach%20%242113%20billion.">gastaram</a> 2 trilhões de dólares em armas, com os países líderes sendo os mais ricos (assim como os mais hipócritas no debate climático). O dinheiro está disponível para a guerra, mas não para lidar com a catástrofe climática.</p>
<p>A forma como as armas foram despejadas no conflito na Ucrânia faz muitos de nós refletir. O prolongamento dessa guerra <a href="https://www.washingtonpost.com/climate-environment/2022/06/13/climate-disasters-collide-with-ukraine-war-deepen-hunger-crisis/">colocou mais 49 milhões de pessoas</a> de 46 países em risco de fome, de acordo com o <a href="https://www.fao.org/documents/card/en/c/cc0364en/">relatório “Hunger Hotspots”</a> das agências das Nações Unidas, como resultado de condições climáticas extremas e devido aos conflitos. Os conflitos e a violência organizada foram as principais fontes de insegurança alimentar na África e no Oriente Médio, concretamente no norte da Nigéria, no centro do Sahel, no leste da República Democrática do Congo, Etiópia, Somália, Sudão do Sul, Iêmen e Síria. A guerra na Ucrânia agravou a crise alimentar ao fazer os preços de produtos agrícolas subirem. A Rússia e a Ucrânia representam conjuntamente cerca de 30% do comércio mundial de trigo. Portanto, quanto mais durar a guerra na Ucrânia, mais “focos de fome” crescerão, levando a maior concentração de insegurança alimentar para além da África e do Oriente Médio.</p>
<p>Embora já se tenha celebrado uma reunião da COP no continente africano, outra ocorrerá no final deste ano. Abidjã, na Costa do Marfim, sediou a Convenção das Nações Unidas de Luta contra a Desertificação em maio de 2022, e depois Sharm el-Sheikh, Egito, acolherá a Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, em novembro de 2022 (COP27). Se tratam de fóruns importantes para que os estados africanos ponham sobre a mesa os grandes danos causados pela catástrofe climática em algumas partes do continente.</p>
<p>Quando os representantes dos países de todo o mundo se reunirem em Sharm el-Sheikh, no Egito, em novembro de 2022, para participarem da COP27, escutarão os representantes ocidentais falando de mudanças climáticas, fazendo promessas, para logo depois seguirem fazendo todo o possível para seguir agravando a catástrofe. O que vimos em Bonn é um prelúdio do que será um fiasco em Sharm el-Sheikh.</p>
<hr class="separator">
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Notas sobre os colaboradores</strong></span></h1>
<p> </p>
<div class="footnotes">
<p><strong>Jeremy Corbyn</strong> é membro do parlamento britânico, ex-líder do Partido Trabalhista e fundador do <a href="https://thecorbynproject.com/">Peace and Justice Project</a>.</p>
<p><strong>Claudia Webbe</strong> representa Leicester East no parlamento do Reino Unido. Você pode segui-la no <a href="https://www.facebook.com/claudiaforLE/">Facebook</a> e no Twitter <a href="https://twitter.com/ClaudiaWebbe">@ClaudiaWebbe</a>.</p>
<p><strong>Vijay Prashad</strong> é historiador, editor e jornalista indiano, articulista e correspondente-chefe da Globetrotter e editor-chefe da LeftWord Books. É diretor do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social e membro sênior não residente do Instituto de Estudos Financeiros de Chongyang, Universidade Renmin (China). Escreveu mais de 20 livros, incluindo <em>The Darker Nations </em>e <em>The Poorer Nations</em>. Seus últimos livros são <em>Struggle Makes Us Human: Learning from Movements for Socialism</em> e <em>The Withdrawal: Iraq, Libya, Afghanistan, and the Fragility of U.S. Power</em>, com Noam Chomsky.</p>
<p><strong>Roger McKenzie</strong> é repórter do <a href="https://morningstaronline.co.uk/author/roger-mckenzie">Morning Star</a> e secretário-geral de <a href="https://liberationorg.co.uk/about-us/">Libe</a><a href="https://liberationorg.co.uk/about-us/">ration</a>, uma das mais antigas organizações de direitos humanos do Reino Unido.</p>
<p><strong>Nontobeko Hlela</strong> foi a primeira secretária (política) do Alto Comissariado da África do Sul em Nairobi, no Quênia. Ela atualmente trabalha como pesquisadora para o escritório sul-africano do <a href="https://dev.thetricontinental.org/south-africa/">Instituto Tricontinental de</a> <a href="https://dev.thetricontinental.org/south-africa/">Pesquisa Social</a></p>
<p><strong>Marco Fernandes</strong> é pesquisador do <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/">Instituto Tricontinental de Pesquisa</a> <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/">Social</a>. É membro da campanha <a href="https://nocoldwar.org/">No Cold War</a> e é co-fundador e co-editor do Notícias da China (<a href="https://dongshengnews.org/pt/">Dongsheng</a>). Mora em Xangai.</p>
<p><strong>Prasanth Radhakrishnan </strong>é jornalista da Newsclick e do Peoples Dispatch.</p>
<p><strong>Nora García Nieves</strong> é membro da organização <a href="https://nocoldwar.org/">No Cold War</a>, vive em Madrid, onde desenvolve o seu ativismo na luta feminista, internacionalista e cultural.</p>
<p><strong>Manolo De Los Santos</strong> é co-diretor executivo do <a href="https://peoplesforum.org/">People’s Forum</a> e pesquisador do <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/">Instituto Tricontinental de Pesquisa Social</a>. Coeditou, mais recentemente, <em>Viviremos: Venezuela vs. Guerra Híbrida</em> (<a href="https://mayday.leftword.com/catalog/product/view/id/22050">LeftWord Books</a><a href="https://mayday.leftword.com/catalog/product/view/id/22050">/</a><a href="https://1804books.com/products/viviremos-venezuela-vs-hybrid-war">1804</a> <a href="https://1804books.com/products/viviremos-venezuela-vs-hybrid-war">Books</a>, 2020) e <em>Comrade of the Revolution: Selected Speeches of Fidel Castro</em> <a href="https://mayday.leftword.com/catalog/product/view/id/22524">(</a><a href="https://mayday.leftword.com/catalog/product/view/id/22524">LeftWord Books</a><a href="https://mayday.leftword.com/catalog/product/view/id/22524">/</a><a href="https://1804books.com/products/comrade-of-the-revolution-selected-speeches-of-fidel-castro">1804 Books</a><a href="https://1804books.com/products/comrade-of-the-revolution-selected-speeches-of-fidel-castro">,</a> 2021). É co-coordenador da <a href="https://peoplessummit2022.org/">Cúpula dos</a> <a href="https://peoplessummit2022.org/">Povos pela Democracia</a>.</p>
<p><strong>Kate Hudson</strong> é secretária-geral da <a href="https://cnduk.org/">Campanha para o Desarmamento</a> <a href="https://cnduk.org/">Nuclear</a>. É uma destacada ativista antinuclear e antibélica tanto no Reino Unido como a nível internacional.</p>
<p><strong>Murad Qureshi</strong> é um antigo membro da Assembleia de Londres e ex-presidente da Stop the War Coalition.</p>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os Estados Unidos em busca de uma Nova Guerra Fria: uma perspectiva socialista</title>
		<link>https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-sobre-dilemas-contemporaneos-1-os-estados-unidos-em-busca-de-uma-nova-guerra-fria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Sep 2022 03:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dilemas contemporâneos]]></category>
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					<description><![CDATA[Em nossa colaboração com o Projeto Paz e Justiça, Globetrotter e Morning Star, exploramos as realidades da guerra e as possibilidades de não alinhamento e paz.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b>Sumário</b></span></h3>
<ol start="1">
<li><a href="#section_1">Introdução</a> Vijay Prashad</li>
<li><a href="#section_2">O que motiva os EUA a aumentarem a ofensiva militar internacional?</a> John Ross (Luo Siyi)</li>
<li><a href="#section_3">Quem está levando os Estados Unidos à guerra?</a> Deborah Veneziale</li>
<li><a href="#section_4">“Notas sobre exterminismo” para os movimentos de ecologia e paz do século 21</a> John Bellamy Foster</li>
</ol>
<p> </p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-64189 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/mrs_logos.png" alt="Tricontinental Institute, Monthly Review Press and " width="600" height="51" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/mrs_logos.png 600w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/mrs_logos-300x26.png 300w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px"></p>
<p> </p>
<p><a name="section_1"></a></p>
<h1 class="mrst_section_title mrst_section_title_1"><span style="color: #ba2025;"><strong>Introdução</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;">Vijay Prashad</span></h2>
<p> </p>
<p>Na reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), em 23 de maio de 2022, o ex-secretário de Estado estadunidense Henry Kissinger fez algumas observações sobre a Ucrânia que foram ao ponto. Em vez de ser pego “no clima do momento”, disse Kissinger, o Ocidente — liderado pelos Estados Unidos — precisa permitir um acordo de paz que satisfaça os russos. “Buscar a guerra além [deste] ponto não seria [algo] sobre a liberdade da Ucrânia, mas uma nova guerra contra a própria Rússia”, comentou Kissinger. A maioria das reações do <em>establishment</em> da política externa ocidental foi revirar os olhos e rejeitar os comentários de Kissinger. Kissinger, que não é nenhum pacifista, no entanto, apontou não só para o grande perigo da escalada em direção ao estabelecimento de uma nova cortina de ferro ao redor da Ásia, mas também para uma possível guerra aberta e letal entre o Ocidente e a Rússia e a China. Esse tipo de resultado impensável foi demais, mesmo para Henry Kissinger, cujo chefe, o presidente Richard Nixon, falava frequentemente da “Teoria do Louco” nas relações internacionais; Nixon disse a seu chefe de gabinete, Bob Haldeman, que ele tinha “a mão no botão nuclear” para assim amedrontar Ho Chi Minh e forçá-lo a ceder.</p>
<p>Durante a invasão ilegal do Iraque pelos EUA em 2003, falei com um membro sênior do Departamento de Estado estadunidense que me disse que a teoria predominante em Washington equivalia a um simples <em>slogan</em>: dor de curto prazo para ganho de longo prazo. Ele explicou que a visão geral era de que as elites do país estão dispostas a tolerar a dor de curto prazo para outros países – e talvez dos trabalhadores dos Estados Unidos, que poderiam passar por dificuldades econômicas devido às perturbações e carnificinas criadas pela guerra. Esse preço, no entanto, resultará, se tudo correr bem, em ganhos de longo prazo, pois os Estados Unidos conseguiriam manter o que tem procurado conservar desde o fim da Segunda Guerra Mundial: sua primazia. Se tudo correr bem foi a premissa que me fez tremer enquanto ele falava, mas o que me abalou igualmente foi a insensibilidade sobre quem deve suportar a dor e quem irá desfrutar do ganho. Foi também cinicamente repetido que valia a pena o preço que o povo iraquiano e os soldados da classe trabalhadora dos EUA pagariam (com a vida inclusive), desde que grandes empresas petrolíferas e financeiras pudessem desfrutar das conquistas de um Iraque derrotado. Essa atitude — dor a curto prazo, ganho a longo prazo — é a alucinação definitiva das elites dos Estados Unidos, que não estão dispostas a tolerar o projeto de construção da dignidade humana e da longevidade da natureza.</p>
<p>Dor a curto prazo, ganho a longo prazo define a perigosa escalada dos Estados Unidos e seus aliados ocidentais contra a Rússia e a China. O que é impressionante sobre a postura dos Estados Unidos é que busca evitar um elemento histórico que parece inevitável: o processo de integração eurasiano. Após o colapso do mercado imobiliário dos EUA e a maior crise de crédito no setor bancário ocidental, o governo chinês buscou, ao lado de outros países do Sul Global, construir plataformas que não dependessem dos mercados da América do Norte e da Europa. Essas plataformas incluíram a criação dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em 2009 e o anúncio do “Um Cinturão, Uma Rota” (posteriormente, “Iniciativa do Cinturão e Rota” – ICR -, ou a “Nova Rota da Seda”), em 2013. O fornecimento de energia russa e suas enormes explorações metálicas e minerais, ao lado da capacidade industrial e tecnológica chinesa, atraíram muitos países a se associarem à ICR (a exportação russa de energia está implícita nesse processo), independente de sua orientação política. Esses países incluíam Polônia, Itália, Bulgária e Portugal. A Alemanha é hoje o maior parceiro comercial da China no comércio de mercadorias.</p>
<p>O fato histórico da integração eurasiana ameaça a primazia dos Estados Unidos e das elites atlânticas. É essa ameaça que impulsiona a perigosa tentativa dos Estados Unidos de usar qualquer meio para “enfraquecer” tanto a Rússia quanto a China. Velhos hábitos continuam a dominar Washington, que há muito busca primazia nuclear para negar a teoria da distensão [<em>détente</em>]. Os Estados Unidos desenvolveram uma capacidade nuclear e uma postura que lhe permitiria destruir o planeta para manter sua hegemonia. As estratégias para enfraquecer a Rússia e a China incluem uma tentativa de isolar esses países por meio da escalada da guerra híbrida imposta pelos EUA (sanções e guerra de informações) e o desejo de desmembrá-los e dominá-los perpetuamente.</p>
<p>Os três ensaios neste volume analisam de perto e de forma racional as tendências de longo prazo que se manifestam agora na Ucrânia.</p>
<p>John Bellamy Foster, editor da revista Monthly Review, catalogou a teoria da “dominação por escalada” do <em>establishment</em> estadunidense, que está disposto a encarar os riscos de um inverno nuclear — ou seja, a aniquilação — para manter sua supremacia. Para além do número real de armas nucleares detidas pela Rússia e pelos Estados Unidos, este último desenvolveu toda uma arquitetura de contra-ataque que acredita poder destruir a Rússia e as armas nucleares chinesas e, em seguida, pulverizar esses países até a submissão. Essa fantasia emerge não apenas nos documentos empolados dos formuladores de políticas dos EUA, mas também aparece ocasionalmente na imprensa, na qual se argumenta sobre a importância de um ataque nuclear contra a Rússia.</p>
<p>Deborah Veneziale, uma jornalista que vive na Itália, escava o mundo social do militarismo nos Estados Unidos, olhando como as várias frações da elite política deste país se uniram para apoiar essa estratégia de confronto contra a Rússia e a China. O mundo íntimo dos <em>think tanks</em> e das empresas de produção de armas, dos políticos e seus escribas, negou as proteções constitucionais de pesos e contrapesos. Há uma corrida ao conflito para que as elites dos EUA possam proteger seu controle extraordinário sobre a riqueza social global (o patrimônio líquido combinado dos 400 cidadãos mais ricos dos EUA está agora perto de 3,5 trilhões de dólares, enquanto as elites globais, muitas delas dos Estados Unidos, acumulam quase 40 trilhões de dólares em paraísos fiscais ilícitos).</p>
<p>John Ross, membro do coletivo No Cold War, escreve que, com o conflito na Ucrânia, os Estados Unidos intensificaram qualitativamente seu ataque militar ao planeta. Esta guerra é perigosa porque mostra que eles estão dispostos a confrontar diretamente a Rússia, uma grande potência, e a intensificar seu conflito com a China “ucranizando” Taiwan. O que pode frear os Estados Unidos, argumenta Ross, é a resiliência da China e seu compromisso em defender sua soberania e seu projeto e o crescente descontentamento no Sul Global contra a imposição dos objetivos da política externa estadunidense. A maioria dos países do mundo não vê esse conflito como seu, uma vez que estão tomados pela necessidade de enfrentar dilemas mais amplos da humanidade. O chefe da União Africana, Moussa Faki Mahamat, disse em 25 de maio de 2022, que a África se tornou “a vítima colateral de um conflito distante entre a Rússia e a Ucrânia”. O conflito está distante não só em termos de espaço, mas também em termos dos objetivos políticos dos países da África, bem como na Ásia e na América Latina.</p>
<p>Este caderno é produzido conjuntamente pela Monthly Review, No Cold War e pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Nós convidamos você a lê-lo, compartilhá-lo com amigos/as e companheiros/as e discuti-lo onde quer que você tenha a oportunidade. A preciosa vida humana e a longevidade do planeta estão em jogo. É impossível ignorar esses fatos. A maioria das pessoas do mundo gostaria de lidar com nossos problemas reais. Não queremos ser arrastados para um conflito que é impulsionado por um desejo paroquial da elite ocidental de manter seu poder preponderante. Nós defendemos a vida.</p>
<p> </p>
<p><a name="section_2"></a></p>
<h1 class="mrst_section_title mrst_section_title_2"><span style="color: #ba2025;"><strong>O que motiva os Estados Unidos a aumentarem a ofensiva militar internacional?</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;">John Ross</span></h2>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Introdução</strong></span></h3>
<p>Os eventos que levaram à Guerra da Ucrânia representam uma aceleração qualitativa de uma tendência de mais de duas décadas, nas quais os Estados Unidos intensificaram sua ofensiva militar internacionalmente. Antes da Guerra da Ucrânia, os EUA haviam realizados confrontos militares apenas contra países em desenvolvimento, que tinham forças armadas muito mais fracas e não possuíam armas nucleares: o bombardeio da Sérvia em 1999, a invasão do Afeganistão em 2001, do Iraque em 2003, e o bombardeio da Líbia em 2011. No entanto, a ameaça dos EUA de estender a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à Ucrânia, que é a principal causa desta guerra, representa algo fundamentalmente diferente. Os Estados Unidos estavam cientes de que levar a Otan para a Ucrânia confrontaria diretamente os interesses nacionais da Rússia, um país com grandes forças militares e um enorme arsenal nuclear. Embora tal atitude cruze as linhas vermelhas russas, os Estados Unidos estavam prontos para correr esse risco.</p>
<p>Os Estados Unidos (ainda) não comprometeram seus próprios soldados neste recente conflito, afirmando que isso ameaçaria uma guerra mundial e arriscaria uma catástrofe nuclear. Mas está, de fato, envolvido em uma guerra por procuração contra a Rússia. Não só insistiram em deixar em aberto a possibilidade de que a Ucrânia pudesse se juntar à Otan, mas também treinaram o exército ucraniano na liderança da guerra, forneceram enormes quantidades de armas e passaram informações satelitais e de inteligência. Até agora, a ajuda de Washington a Kiev foi de cerca de 50 bilhões de dólares.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Como os Estados Unidos empurraram a Ucrânia para a guerra</strong></span></h3>
<p>Os Estados Unidos e seus aliados vêm preparando a Ucrânia para a guerra desde pelo menos 2014, com o envio de centenas de instrutores para treinar os militares ucranianos. A abordagem durante a Guerra do Golfo no Iraque em 1990 foi semelhante, refletindo um modelo que Washington parece estar usando para alcançar seus objetivos geopolíticos. A Rússia foi propositalmente atraída para a situação na Ucrânia a partir do golpe de 2014, quando as forças anti-russas tomaram o poder em Kiev, apoiadas por neonazistas ucranianos, bem como pelos Estados Unidos. Naquela época, o exército ucraniano não era uma poderosa força militar, pois havia sofrido consideravelmente com as “reformas” iniciadas em 1991 após o colapso da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Décadas de negligência e subfinanciamento levaram à deterioração da infraestrutura e dos equipamentos militares, juntamente com o esgotamento moral entre oficiais e soldados. Como diz Vyacheslav Tetekin, membro do Comitê Central do Partido Comunista da Federação Russa, “o exército ucraniano não queria e não podia lutar”.</p>
<p>Após o golpe de 2014, os gastos do Estado foram desviados dos investimentos em bem-estar social e direcionados para a construção de estrutura militar. De 2015 a 2019, o orçamento militar ucraniano aumentou de 1,7 bilhão para 8,9 bilhões de dólares, equivalente a 6% do PIB do país em 2019. Levando em conta a porcentagem em relação ao PIB, os gastos militares foram três vezes maiores comparado à maioria dos países desenvolvidos no Ocidente. Foram alocados fundos volumosos na restauração e modernização da estrutura militar do país, restabelecendo, assim, sua capacidade de combate.</p>
<p>Durante a guerra contra Donbass entre 2014 e 2015  (a região de língua russa no leste do país), a Ucrânia tinha pouco apoio de combate aéreo, já que quase todas as aeronaves de combate estavam precisando de reparos. No entanto, em fevereiro de 2022, a Força Aérea estava equipada com aproximadamente 150 caças, bombardeiros e aeronaves de ataque. O tamanho das Forças Armadas ucranianas também se expandiu enormemente. No final de 2021, a remuneração dos soldados aumentou três vezes, de acordo com os dados de Tetekin. Esse fortalecimento do poder militar, ao lado de poderosas fortificações erguidas perto de Donbass, indica a intenção dos EUA de iniciar conflitos na região.</p>
<p>No entanto, apesar desses preparativos para a guerra, o exército ucraniano não foi capaz de combater seriamente a Rússia. O equilíbrio de forças claramente não estava a favor de Kiev. Isso não importava para os Estados Unidos, que buscavam usar a Ucrânia como bala de canhão contra a Rússia. Segundo Tetekin, “os Estados Unidos planejaram duas opções para a nova e militarizada Ucrânia (…) A primeira foi conquistar Donbass e invadir a Crimeia. A segunda opção era provocar a intervenção armada da Rússia”.</p>
<p>Em dezembro de 2021, ciente do crescente perigo que enfrentava diante de uma Ucrânia sob influência dos EUA, a Rússia buscou um conjunto de garantias de segurança da Otan para desarmar a crise. Em particular, a Rússia exigiu que a Organização encerrasse sua expansão para o leste, incluindo a adesão da Ucrânia. “O Ocidente (…) ignorou essas exigências”, escreveu Tetekin, “sabendo que os preparativos para a invasão de Donbass estavam em pleno andamento. A maioria das unidades prontas para combate do Exército ucraniano, somando 150 mil pessoas, estavam concentradas perto de Donbass. Eles poderiam vencer a resistência das tropas locais em poucos dias, com a destruição completa de Donetsk e Lugansk e a morte de milhares” (Tetekin, 2022)<a href="#_section_2_ftn1" name="_section_2_ftnref1"><sup>1</sup></a>.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Ucrânia é uma escalada qualitativa da agressão militar estadunidense</strong></span></h3>
<p>É evidente tanto pelos fatos políticos fundamentais (a insistência dos EUA no “direito” da Ucrânia de entrar na Otan) quanto pelos fatos militares (o acúmulo de forças armadas da Ucrânia), que os Estados Unidos estavam preparando um confronto, embora isso inevitavelmente envolvesse um embate direto com a Rússia. Consequentemente, ao avaliar a crise da Ucrânia, é importante destacar que os EUA estavam preparados para intensificar suas ameaças militares, indo de ataques a países em desenvolvimento — sempre injustos, mas que não traziam risco direto de conflitos militares com grandes potências ou guerras mundiais — à agressão contra Estados muito fortes, como a Rússia, abrindo a possibilidade de conflitos militares globais. É crucial analisar o que funda essa escalada de ofensiva militar dos EUA. Seria algo temporário, retomando depois um curso mais conciliador, ou o aumento da escalada militar é uma tendência de longo prazo na política dos EUA?</p>
<p>Isso é, naturalmente, de extrema importância para todos os países, mas particularmente para a China, um Estado poderoso. Para tomar apenas um importante exemplo, paralelamente à escalada contra a Rússia, os Estados Unidos não apenas impuseram tarifas contra a economia chinesa e realizaram uma campanha internacional sistemática de mentiras sobre a situação em Xinjiang; como também tentaram minar a política conhecida como “Uma só China” em relação à província de Taiwan.</p>
<p>Entre as ações dos Estados Unidos em relação à província de Taiwan estão:</p>
<ul>
<li>Pela primeira vez desde o início das relações diplomáticas entre EUA e China, o presidente Biden convidou um representante de Taipei para a posse de um presidente estadunidense.</li>
<li>A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi – o terceiro cargo mais alto dos EUA na ordem de sucessão presidencial – visitou Taipei no dia 12 de agosto de 2022.</li>
<li>Os EUA pediram a participação de Taipei na ONU.</li>
<li>Os EUA intensificaram as vendas de armamentos e equipamentos militares para a ilha.</li>
<li>As delegações estadunidenses que visitam Taipei aumentaram.</li>
<li>Os EUA aumentaram sua presença militar no Mar do Sul da China e tem enviado regularmente navios de guerra através do Estreito de Taiwan.</li>
<li>As Forças de Operações Especiais treinaram tropas terrestres e marinhas</li>
</ul>
<p>Assim como na Ucrânia e Rússia, os Estados Unidos estão plenamente conscientes de que a política “Uma Só China” afeta os interesses nacionais mais fundamentais do país asiático, e tem sido a base das relações EUA-China durante os 50 anos desde a visita de Nixon a Pequim em 1972. Abandoná-la é cruzar as linhas vermelhas chinesas. É, portanto, evidente que os Estados Unidos estão tentando de forma confrontativa minar a política chinesa da mesma forma que deliberadamente decidiram cruzar as linhas vermelhas russas na Ucrânia.</p>
<p>Quanto à questão de saber se essas provocações dos EUA contra a China e a Rússia são temporárias, de longo prazo ou mesmo permanentes, minha conclusão clara é que a tendência de escalada militar dos EUA continuará. No entanto, dado que tal questão, potencialmente envolvendo guerras, é de extrema seriedade e tem consequências práticas extremamente importantes, exageros e meras propagandas são inaceitáveis. O objetivo aqui é, portanto, apresentar de forma factual, objetiva e ponderada as razões pelas quais os Estados Unidos tentarão aumentar ainda mais a sua ofensiva militar durante o próximo período. Além disso, verificarei quais tendências podem servir para neutralizar essa perigosa política dos EUA e quais podem exacerbá-la.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>A posição econômica e militar dos EUA durante a “Velha Guerra Fria” e a “Nova Guerra Fria”</strong></span></h3>
<p>Reduzidas aos fatos mais essenciais, as forças fundamentais que impulsionaram essa escalada da política estadunidense de agressão militar, que já dura mais de duas décadas, são claras. Em primeiro lugar está a perda permanente do peso esmagador da economia dos EUA na produção global, e, em segundo lugar, a preponderância do poder e dos gastos militares dos EUA. Essa assimetria cria um período muito perigoso para a humanidade, no qual os EUA podem tentar compensar seu relativo declínio econômico por meio do uso da força militar. Isso ajuda a explicar os ataques a países em desenvolvimento, bem como seu crescente confronto com a Rússia na Ucrânia. Uma questão importante é se a ofensiva dos EUA aumentará a ponto de incluir um confronto crescente com a China, chegando a cogitar uma guerra mundial. Para responder a essa pergunta, é necessário fazer uma análise precisa da situação econômica e militar dos Estados Unidos.</p>
<p>No aspecto econômico, em 1950, perto do início da primeira Guerra Fria, os Estados Unidos representavam 27,3% do PIB mundial. Em comparação, a URSS, a maior economia socialista do período, representava 9,6%. Em outras palavras, a economia dos EUA era quase três vezes maior que a economia soviética (Maddison, 2001)<a href="#_section_2_ftn2" name="_section_2_ftnref2"><sup>2</sup></a>. Durante todo o período pós-Segunda Guerra Mundial (a primeira Guerra Fria), a URSS nunca chegou perto do PIB dos EUA, pois representava apenas 44,4% dele em 1975. Ou seja, mesmo no auge do relativo desenvolvimento econômico soviético, a economia dos EUA ainda era duas vezes maior que a da URSS. Durante a “Velha Guerra Fria”, os Estados Unidos tiveram uma vantagem econômica significativa sobre a URSS, pelo menos em termos de medidas convencionais de produção.</p>
<p>Voltando para a situação atual, os Estados Unidos, em termos comparativos, possuem uma fatia do PIB global consideravelmente menor que em 1950, com uma variação de cerca de 15 a 25%, dependendo de como é medido. A China, principal rival econômica dos Estados Unidos hoje, está muito mais próxima da paridade com a economia estadunidense. Mesmo com as taxas de câmbio de mercado, que oscilam um pouco independentemente dos rendimentos reais com as flutuações cambiais, o PIB da China já representa 74% o PIB dos Estados Unidos, um nível muito superior ao que a URSS alcançou. Além disso, a taxa de crescimento econômico da China tem sido há algum tempo muito mais rápida que a dos Estados Unidos, o que significa que continuará a se aproximar do país americano.</p>
<p>Calculada em paridades de poder aquisitivo (que respondem pelos diferentes níveis de preços dos países), a medida usada por Angus Maddison e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em 2021, apontava que os EUA tinham apenas 16% da economia mundial — ou seja, os outros 84% estão fora dos EUA. Segundo essa mesma medida, a economia chinesa já é 18% maior que a estadunidense. Até 2026, de acordo com as projeções do FMI, a economia da China será pelo menos 35% maior que a dos Estados Unidos. A brecha econômica entre os dois países está muito mais estreita que qualquer distância que a URSS tenha alcançado.</p>
<p>Levando em conta outros fatores, não importa a medição, a China tornou-se de longe a maior potência fabril do mundo. Em 2019, os últimos dados disponíveis mostram que o país asiático foi responsável por 28,7% da produção mundial de manufaturas, contra 16,8% dos Estados Unidos. Em outras palavras, a participação global da China na produção manufatureira foi 70% maior que a dos Estados Unidos. A URSS, por outro lado, nunca esteve próxima de ultrapassar os EUA na produção manufatureira.</p>
<p>No tocante ao comércio de bens, a derrota dos Estados Unidos pela China na guerra comercial lançada por Donald Trump é até um pouco humilhante para ele e seu país. Em 2018, a China já comercializava mais mercadorias que qualquer outra nação, embora seu comércio de bens fosse apenas 10% maior que o dos Estados Unidos no mesmo período. Em 2021, o comércio de bens da China superou os EUA em 31%. A situação foi ainda pior em termos de exportação de mercadorias: em 2018, as da China foram 58% maiores que as dos EUA e, em 2021, 91% maiores. Em resumo, não só a China se tornou de longe a maior nação comercial do mundo, mas os EUA sofreram uma clara derrota na guerra comercial travada pelos governos Trump e Biden.</p>
<p>Ainda mais fundamental do ponto de vista macroeconômico é a liderança da China em reservas financeiras (familiar, empresarial e estatal), a fonte do investimento real de capital e a força motriz do crescimento econômico. De acordo com os dados mais recentes disponíveis em 2019, a economia bruta de capital da China foi, em termos absolutos, 56% maior que a dos Estados Unidos — o equivalente a 6,3 trilhões de dólares, em comparação com 4,03 trilhões. No entanto, esse número subestima muito a liderança da China: se a depreciação for levada em conta, a criação líquida de capital anual da China foi 635% maior que a dos Estados Unidos — o equivalente a 3,9 trilhões de dólares, ante 600 bilhões. Em resumo, a China está aumentando muito seu capital a cada ano, enquanto os Estados Unidos, em termos comparativos, aumenta pouco.</p>
<p>O resultado líquido dessas tendências é que a China superou esmagadoramente os Estados Unidos em termos de crescimento econômico, não apenas em todo o período de quatro décadas desde 1978, como é amplamente sabido, mas também no período recente. Nos preços ajustados pela inflação, desde 2007 (um ano antes da crise financeira internacional), a economia dos EUA cresceu 24%, enquanto a da China cresceu 177% — ou seja, a economia chinesa cresceu sete vezes mais rápida. No terreno da competição relativamente pacífica, a China está ganhando<a href="#_section_2_ftn3" name="_section_2_ftnref3"><sup>3</sup></a>.</p>
<p>A liderança dos EUA em produtividade, tecnologia e dimensão das empresas significa que, no geral, sua economia ainda é mais forte que a da China, mas a diferença entre os dois países é muito menor que aquela entre Estados Unidos e URSS em outro momento. Além disso, seja lá o que se possa dizer sobre a força desses dois gigantes, está claro que os EUA perderam sua predominância econômica global. Do ponto de vista puramente econômico, já estamos em uma era multipolar.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>As forças militares dos EUA em um momento de declínio econômico</strong></span></h3>
<p>Esses reveses econômicos para os Estados Unidos levaram alguns a acreditar, particularmente em alguns círculos do Ocidente, que a derrota da potência é inevitável ou já ocorreu. Uma visão semelhante foi expressa por um pequeno número de pessoas na China que têm a opinião de que a abrangente força chinesa já ultrapassou a estadunidense. Essas visões estão incorretas. Esquecem as famosas palavras de Lênin, de que “a política deve prevalecer sobre a economia, que é o ABC do marxismo”, e, em relação à política, que “o poder político cresce do cano de uma arma”, no famoso ditado do presidente Mao Zedong. O fato de os Estados Unidos estarem perdendo sua superioridade econômica não significa que simplesmente permitirão que essa tendência continue pacificamente: presumir isso seria cometer o erro de colocar a economia antes da política. Pelo contrário, o fato de que os Estados Unidos estão perdendo terreno economicamente tanto para a China quanto para outros países faz com que se lance a táticas militares e político-militares que visam superar as consequências de suas derrotas econômicas.</p>
<p>Mais precisamente, o perigoso para todos os países é que os Estados Unidos não perderam sua supremacia militar. Na verdade, os gastos militares dos EUA são maiores que os dos próximos nove países juntos – da lista dos dez que mais gastam. Apenas em uma área, armas nucleares, o poderio estadunidense só pode ser comparado com a Rússia, devido à herança de armas nucleares da URSS. O número exato de armas nucleares dos países em geral são segredos de Estado, mas, a partir de 2022, uma estimativa ocidental da Federação de Cientistas Americanos aponta que a Rússia possua 5977 armas nucleares, enquanto os Estados Unidos têm 5428. A Rússia e os Estados Unidos têm cada um cerca de 1600 ogivas nucleares estratégicas ativas implantadas (porém os Estados Unidos têm muito mais armas nucleares que a China). Enquanto isso, no campo das armas convencionais, os gastos estadunidenses são muito maiores que os de qualquer outro país.</p>
<p>Essa divergência na posição dos Estados Unidos está por trás de sua política agressiva e cria a distinção entre suas posições econômicas e militares na atual “Nova Guerra Fria”, em comparação com a “Velha Guerra Fria” travada contra a URSS. Na Velha Guerra Fria, as forças militares dos EUA e da URSS eram aproximadamente iguais, mas, como já foi observado, a economia dos EUA era muito maior. Portanto, na Velha Guerra Fria, a estratégia dos EUA era tentar levar as questões para um terreno econômico. Mesmo o acúmulo militar de Reagan na década de 1980 não tinha a intenção de ser usado para travar uma guerra contra a URSS, mas sim para enfrentá-la em uma corrida armamentista que prejudicaria a economia soviética. Consequentemente, apesar da tensão, a Guerra Fria nunca se transformou em uma guerra quente. A situação atual dos EUA é oposta: sua posição econômica relativa enfraqueceu tremendamente, mas seu poder militar é grande. Por isso, tenta mover as questões para o terreno militar, o que explica sua escalada de agressões e porque essa é uma tendência permanente.</p>
<p>Isso significa que a humanidade entrou em um período muito perigoso. Os Estados Unidos podem estar perdendo a competição econômica pacífica, mas ainda mantêm uma vantagem militar sobre a China. A tentação é, então, que usem meios militares “diretos” e “indiretos” para tentar deter o desenvolvimento chinês.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>O uso direto e indireto de força militar estadunidense</strong></span></h3>
<p>Os EUA empregam meios “diretos” e “indiretos” para mostrar sua força militar, que são muito mais expansivas que a possibilidade “direta” mais extrema de uma guerra frontal contra a China. Algumas dessas abordagens já estão em uso, enquanto outras estão sendo discutidas. A primeira inclui, por exemplo:</p>
<ul>
<li>Subordinar outros países às forças armadas dos EUA e tentar pressioná-los a adotar políticas econômicas mais hostis em relação à China, como é o caso em relação à Alemanha e à União Europeia.</li>
<li>Tentar superar o caráter econômico multipolar do mundo, que já foi estabelecido, criando alianças dominadas unilateralmente pelos Estados Unidos. É claramente o caso da Otan, do Quad (Estados Unidos, Japão, Austrália, Índia) e de sua relação com algumas outras nações.</li>
<li>Tentar forçar países que têm boas relações econômicas com a China a enfraquecer essas relações. Isso é particularmente evidente com a Austrália, mas está agora sendo aplicado em todo lugar.</li>
</ul>
<p>Enquanto isso, as abordagens que estão sendo discutidas incluem a possibilidade de travar guerras contra aliados da China e da Rússia e tentar levar a China a uma guerra “limitada” com os Estados Unidos em relação à província de Taiwan.</p>
<p>Um exemplo do uso integrado de pressão militar direta e indireta pelos EUA foi dado pelo comentarista político estadunidense do Financial Times, Janan Ganesh, após a eclosão da guerra na Ucrânia, ao dizer que “a América será a ‘vencedora’ final da crise ucraniana”. Três dias após a intervenção russa, escreve Ganesh, a Alemanha acelerou a construção dos dois primeiros terminais de gás natural liquefeito (GNL) do país. Em 2026, os EUA provavelmente se tornarão o principal fornecedor de GNL para a Alemanha, pois estão mais próximos geográfica e politicamente, eliminando assim a dependência alemã das importações de energia russas. Ganesh também argumenta que a promessa alemã de aumentar seu orçamento de defesa também beneficiará os EUA porque a Alemanha “compartilharia mais do fardo financeiro e logístico da Otan” que atualmente recai sobre os EUA. Por fim, aponta o que pode ser um enorme avanço para os EUA:</p>
<p style="padding-left: 40px;">Uma Europa mais ligada aos EUA e, ao mesmo tempo, menos dependente deles (…) Longe de acabar com a volta dos EUA para a Ásia, a guerra na Ucrânia pode ser o evento que a possibilite.</p>
<p style="padding-left: 40px;">Quanto a essa parte [do Pacífico] do mundo (…) o Japão dificilmente poderia estar se esforçando mais para ficar do lado de Kiev, e, portanto, com Washington (Ganesh, 2022).</p>
<p>Em suma, os Estados Unidos utilizaram sua pressão militar para aumentar a subordinação econômica da Alemanha e do Japão. Embora muitas outras variantes possam ser previstas, sua característica comum é que os Estados Unidos usam sua força militar para tentar compensar sua posição econômica enfraquecida. Compreendido dessa forma, é evidente que os EUA já embarcaram nessa política fundamental de uso direto e indireto de sua força militar.</p>
<p>Uma vez que a China está experimentando um desenvolvimento econômico mais rápido do que os Estados Unidos, é provável que sua força militar eventualmente se torne similar. Levaria anos para a China construir um arsenal nuclear equivalente ao dos Estados Unidos, mesmo que decidisse embarcar em tal política. Provavelmente levaria ainda mais tempo para criar armamentos convencionais equivalentes aos dos Estados Unidos, dado o enorme desenvolvimento tecnológico e treinamento de pessoal necessário para tais forças aéreas e navais avançadas. Portanto, os Estados Unidos terão forças armadas mais fortes do que a China por um número muito significativo de anos, criando a tentação permanente de usar meios militares para compensar sua posição econômica em declínio.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>O significado da guerra na Ucrânia</strong></span></h3>
<p>Duas lições fundamentais podem ser tiradas dos eventos que levaram à guerra na Ucrânia.</p>
<p>Primeiro, confirma a inutilidade de pedir compaixão aos Estados Unidos. Após a dissolução da URSS, em 1991, durante 17 anos a Rússia prosseguiu uma política de tentar ter relações amistosas com seu rival. Sob Boris Yeltsin, a Rússia era humilhantemente subordinada aos Estados Unidos. Durante o início da presidência de Putin, deu assistência direta aos Estados Unidos na chamada guerra contra o terror e na invasão dos EUA no Afeganistão. A resposta estadunidense foi violar todas as promessas que havia feito de que a Otan não avançaria “um centímetro” em relação à Rússia, tudo isso enquanto aumentava agressivamente a pressão militar sobre Moscou.</p>
<p>Em segundo lugar, essa dinâmica deixa claro que o resultado da guerra na Ucrânia é crucial não só para a Rússia, mas também para a China e todo o mundo. A Rússia é o único país que se iguala aos Estados Unidos em termos de armas nucleares, e as boas relações entre a China e a Rússia são um grande impedimento para os EUA adotar qualquer política de ataque direto à China. O objetivo estadunidense na Ucrânia é justamente tentar trazer uma mudança fundamental na política russa e instalar um governo em Moscou que não defenda mais seus próprios interesses nacionais — e que seja hostil à China e subordinado aos EUA. Se isso for alcançado, não só a China enfrentará uma ameaça militar muito maior dos EUA, mas sua longa fronteira norte com a Rússia se tornará uma ameaça estratégica; a China estaria cercada no norte. Em outras palavras, tanto os interesses nacionais russos como chineses seriam prejudicados. Nas palavras de Sergei Glazyev (2022), um comissário russo do corpo executivo da União Econômica Eurasiana: “Depois de não conseguirem enfraquecer a China frontalmente por meio de uma guerra comercial, os estadunidenses mudaram o golpe principal para a Rússia, que eles veem como um elo fraco na geopolítica e na economia global. Os anglo-saxões estão tentando implementar suas eternas ideias russofóbicas para destruir nosso país e, ao mesmo tempo, enfraquecer a China, porque a aliança estratégica da Federação Russa e da RPC é muito dura para os Estados Unidos”.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Ações militares estadunidenses e as restrições enfrentadas</strong></span></h3>
<p>Como os Estados Unidos estão sendo pressionados tanto por sua posição econômica em declínio quanto por sua força militar, não há limite para um nível “interno” (doméstico) à sua abordagem ofensiva. A história mostra claramente que os EUA estão preparados para realizar os mais violentos ataques militares a ponto de estarem dispostos a destruir países inteiros. Em um dos muitos exemplos, na Guerra da Coreia, os EUA destruíram quase todas as cidades e vilas do país,  incluindo cerca de 85% de seus edifícios.</p>
<p>O bombardeio dos EUA na Indochina durante a Guerra do Vietnã foi ainda maior em escala, usando dispositivos explosivos e armas químicas, como o notório Agente Laranja, que produz deformidades horripilantes. De 1964 a 15 de agosto de 1973, a Força Aérea estadunidense lançou mais de 6 milhões de toneladas de bombas e outras artilharias na Indochina, enquanto a Marinha e o Corpo de Fuzileiros Navais lançaram mais 1,5 milhões de toneladas no Sudeste Asiático. Como Micheal Clodfelter observa em <em>The Limits of Air Power:</em></p>
<p style="padding-left: 40px;">Essa proporção em toneladas excedeu em muito o gasto na Segunda Guerra Mundial e na Guerra da Coreia. A Força Aérea estadunidense consumiu 2,150 milhões de toneladas de munições na Segunda Guerra Mundial e na Guerra da Coreia — 1,613 milhões de toneladas no teatro europeu e 537 mil toneladas no teatro do Pacífico — e 454 mil toneladas na Guerra da Coreia (Clodfelter apud Miguel; Roland, 2011).</p>
<p>Edward Miguel e Gerard Roland discorrem sobre o mesmo ponto em seu estudo sobre o impacto a longo prazo do bombardeio no Vietnã, observando que:</p>
<p style="padding-left: 40px;">Os bombardeios da Guerra do Vietnã representaram, portanto, pelo menos três vezes mais (em peso) que os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, e cerca de quinze vezes a tonelagem total na Guerra da Coreia. Considerando a população vietnamita pré-guerra de aproximadamente 32 milhões, os bombardeios se traduzem em centenas de quilos de explosivos per capita durante o conflito. Para outra comparação, as bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki tinham o poder de cerca de 15 mil e 20 mil toneladas de TNT. (…) O bombardeio na Indochina representa 100 vezes o impacto combinado das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.</p>
<p>Na invasão do Iraque, os Estados Unidos estavam preparados para (e assim fizeram) devastar o país, usando armas hediondas como urânio empobrecido, que ainda produz terríveis defeitos congênitos muitos anos após o ataque. Em seu bombardeio à Líbia em 2011, reduziram o que havia sido um dos países com maior renda per capita da África, com um Estado de bem-estar desenvolvido a uma sociedade na qual existem conflitos tribais e em que pessoas escravizadas são vendidas abertamente. A lista continua.</p>
<p>Em suma, as evidências mostram que não há nenhum nível de crime ou atrocidade para o qual os EUA não estejam prontos para descer. Se afirmassem que poderiam eliminar a competição econômica da China lançando uma guerra atômica, não há evidências para acreditar que não fariam isso de fato. Além disso, embora haja certamente movimentos antiguerra nos Estados Unidos, eles não são suficientemente fortes para impedir que usem armas nucleares se assim decidirem. Não há restrições internas adequadas que os impeça de iniciar uma guerra contra a China.</p>
<p>Mas certamente há grandes restrições externas. A primeira é a posse de armas nucleares por outros países. É por isso que a explosão da primeira bomba nuclear da China em 1964 é justamente considerada uma grande conquista nacional. A posse de armas nucleares pela China é um impedimento fundamental para um ataque nuclear estadunidense. No entanto, ao contrário de seu adversário, a China tem uma política de “No First Use” [sem primeiro uso, isto é, só usar armas nucleares em resposta a um ataque nuclear em seu território], mostrando sua contenção e postura militar defensiva.</p>
<p>Uma guerra nuclear em larga escala envolvendo os Estados Unidos, a China e a Rússia seria uma catástrofe sem precedentes na história humana, na qual, no mínimo, centenas de milhões morreriam. Seria infinitamente preferível evitar a escalada militar estadunidense antes de chegar a esse ponto. Mas quais são as chances disso?</p>
<p>A tendência geral da política dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial mostra um padrão claro e lógico. Quando sentem que estão em uma posição forte, sua política é agressiva; quando se sentem enfraquecidos, tornam-se mais conciliadores. Isso ficou demonstrado mais claramente antes, durante e depois da Guerra do Vietnã, mas também em outros períodos.</p>
<p>Imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, consideraram-se — e de fato estavam — em uma posição forte e, portanto, preparados para realizar uma guerra contra a Coreia. Mesmo depois de não ter vencido essa guerra, ainda se sentia confiante o suficiente para tentar isolar diplomaticamente a China durante as décadas de 1950 e 1960, privando o país de um assento na ONU, bloqueando relações diplomáticas diretas, e assim por diante. No entanto, sofreram severas derrotas devido ao fracasso de sua guerra contra o Vietnã, na qual procurou derrotar a luta de libertação nacional do povo vietnamita e o apoio militar em larga escala que receberam da China e da URSS. O enfraquecimento da posição global dos Estados Unidos como resultado de sua derrota no Vietnã (começando antes mesmo do fim oficial da guerra em 1975) levou a nação a adotar uma política mais conciliatória, simbolizada pela visita de Nixon a Pequim em 1972 e seguida pelo estabelecimento de relações diplomáticas completas com a China. Logo após 1972, os Estados Unidos abriram uma política de <em>détente</em> com a URSS. No entanto, na década de 1980, tendo se reorganizado e recuperado da derrota no Vietnã, os Estados Unidos, sob o então presidente Ronald Reagan, voltaram a adotar uma política mais agressiva em relação à URSS.</p>
<p>Esse mesmo padrão ofensivo dos EUA em momentos de força ou uma atitude mais conciliadora em momentos de fraqueza pode ser visto em torno da crise financeira internacional que começou em 2007-2008. Essa crise causou um duro golpe na economia dos EUA, que começaram a dar mais peso à cooperação internacional. Embora o G20, que inclui as maiores economias do mundo e dois terços de sua população, tenha sido criado em 1999, ele só começou a realizar reuniões anuais após a crise econômica de 2007-2008. Em 2009, o G20 se configurou como a principal força para a cooperação econômica e financeira internacional, com os Estados Unidos desempenhando um papel importante. Em particular, como se sentiu enfraquecido, os Estados Unidos mostraram uma atitude mais cooperativa em relação à China nessas áreas.</p>
<p>À medida que se recuperava da crise financeira internacional, sua postura em relação à China tornou-se cada vez mais agressiva, culminando no lançamento da guerra comercial de Trump contra o país. Isto é, assim que os Estados Unidos se sentiram mais fortes, retomaram a postura mais agressiva.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Uma comparação da realidade de hoje e do período pré-Segunda Guerra Mundial</strong></span></h3>
<p>Em uma comparação histórica, podemos cotejar a situação atual com o período que antecede a Segunda Guerra Mundial. O caminho imediato para essa guerra começou com o fortalecimento do militarismo japonês e a consequente invasão do nordeste da China em 1931, seguido pela ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, em 1933. No entanto, apesar desses eventos sinistros, a guerra não era inevitável. As primeiras vitórias do militarismo japonês e do fascismo alemão escalaram para a guerra mundial como resultado de uma série de derrotas e capitulações das potências aliadas entre 1931 e 1939, bem como seu fracasso em confrontar os militares japoneses e nazistas alemães.</p>
<p>O partido político governante na China, o Kuomintang, concentrou seus esforços durante a maior parte da década de 1930 não em repelir o Japão, mas em lutar contra os comunistas. Enquanto isso, os EUA falharam em intervir para deter o Japão até ser atacado em Pearl Harbor em 1941. Na Europa, a Grã-Bretanha e a França não conseguiram impedir a remilitarização da Alemanha nazista, mesmo quando tinham o direito de fazê-lo sob o Tratado de Versalhes. Além disso, não apoiaram o governo legítimo da Espanha em 1936 contra o golpe fascista e a guerra civil iniciada por Francisco Franco, que teve o apoio de Hitler. Depois, capitularam diretamente ao desmembramento da Tchecoslováquia por Hitler sob o notório Pacto de Munique, em 1938.</p>
<p>Hoje, vemos um padrão semelhante ao de 1931, que marcou o início da preparação para a Segunda Guerra Mundial. Embora o apoio a uma guerra mundial certamente não conte com as maiorias nos Estados Unidos, tal apoio existe entre um elemento pequeno e, até agora, marginal dentro da política externa/estrutura militar do país. Se os Estados Unidos sofrerem derrotas políticas, não avançarão diretamente para a guerra frontal com a China ou a Rússia. No entanto, existe o perigo a médio prazo de que possam obter vitórias em conflitos menores, o que provavelmente encorajaria o avanço a um grande conflito militar global  — como ocorreu após a invasão japonesa na China, em 1931, e a chegada de Hitler ao poder em 1933.  A luta decisiva deve ser para evitar um conflito mundial desse tipo. Isso significa que é de extrema importância que os Estados Unidos não ganhem lutas imediatas, como a guerra que provocou na Ucrânia, sua tentativa de minar a política da China em relação a Taiwan e suas guerras econômicas contra muitos outros países.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>As principais forças que se opõem aos EUA</strong></span></h3>
<p>Há duas forças poderosas que se opõem à agressão militar dos EUA. A primeira, e mais poderosa, é a China, cujo desenvolvimento econômico não é somente crucial para melhorar os padrões de vida de sua população, mas também para eventualmente permitir que o país coloque suas forças militares no mesmo patamar da dos Estados Unidos. Esse provavelmente será o último impedimento à agressão militar dos EUA. A segunda força é a oposição de um grande número de países à agressão dos EUA — incluindo muitos do Sul Global, que compreende a maioria do povo do mundo — não apenas do ponto de vista moral, mas também do ponto de vista dos interesses diretos. A tentativa dos EUA de superar as consequências de seus fracassos econômicos por meios militares e políticos inevitavelmente o leva a tomar atitudes contra os interesses de vários outros países.</p>
<p>Um dos muitos exemplos dos impactos dessas ações é que a provocação dos EUA na guerra na Ucrânia ajudou a criar um aumento maciço nos preços mundiais dos alimentos, porque a Rússia e a Ucrânia são os maiores fornecedores internacionais de trigo e fertilizantes do mundo. Enquanto isso, impedir a empresa chinesa de telecomunicações Huawei de participar no desenvolvimento de telecomunicações 5G significa que os habitantes de todos os países que concordam com tal boicote dos EUA pagarão mais por serviços desse tipo. A pressão dos EUA para forçar a Alemanha a comprar seu gás natural liquefeito em vez de gás natural russo eleva os preços da energia no país. Na América Latina, os Estados Unidos tentam impedir que os países desenvolvam políticas de independência nacional. As tarifas estadunidenses sobre as exportações chinesas aumentam o custo de vida das famílias nos EUA. O fato de que, na prática, as populações de outros países estão sendo forçadas a financiar o militarismo dos EUA está destinado a gerar oposição a tais políticas e seus resultados.</p>
<p>Essas duas forças que se nutrem mutuamente — o próprio desenvolvimento da China e o fato de que a política dos EUA se posiciona contra os interesses da esmagadora maioria da população mundial — constituem os principais obstáculos à ofensiva estadunidense. Integrar o desenvolvimento chinês às forças internacionais que se opõem aos ataques dos EUA é, portanto, a tarefa mais crucial para a maioria da população global. Embora nós que estamos fora do país não consigamos compreender completamente as complexidades enfrentadas pelos líderes da China, é possível afirmar que eles assumem uma grande responsabilidade não apenas para empurrar o mundo em direção à paz e a um planeta sustentável, mas também para cumprir as promessas de sua revolução e justificar os grandes sacrifícios de camponeses e trabalhadores — os próprios sacrifícios que tornaram possível a posição atual da China no mundo.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>As escolhas que os Estados Unidos enfrentam</strong></span></h3>
<p>Os EUA recorrem à escalada da ofensiva militar ao lado de sua perda de supremacia econômica, que já começou. Na Ucrânia, os EUA desafiam direta e vigorosamente a Rússia, um Estado com poderosas armas atômicas, aumentando assim o risco potencial de uma guerra nuclear. Simultaneamente, exerce pressão máxima sobre seus aliados, como a Alemanha, em prejuízo dos próprios interesses alemães, subordinando-os à política dos EUA.</p>
<p>No entanto, ainda hesitam em utilizar força militar total, evidentemente pesando os ganhos e riscos de aumentar a ofensiva. Embora os Estados Unidos tenham provocado a guerra na Ucrânia, ameaçando estender a Otan para o país, dando-lhe acesso à inteligência e armas cada vez mais letais, ela ainda não se atreveu a comprometer diretamente suas forças militares  nessa guerra, mostrando que ainda há uma incerteza considerável nos níveis mais altos das máquinas estatais dos EUA.</p>
<p>Tudo isso afeta diretamente as relações entre a Rússia e a China, e torna o resultado da guerra na Ucrânia crucial para todo o mundo. Como as relações sino-russas amistosas representam um formidável obstáculo econômico e militar às ameaças de guerra dos EUA, o objetivo estratégico central da política dos EUA é separar a Rússia e a China. Se isso puder ser alcançado, então terão uma maior capacidade de atacar os dois países separadamente, inclusive através do uso de sua força militar.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Conclusão</strong></span></h3>
<p>Os Estados Unidos aumentarão suas ofensivas em relação à China, bem como a outros países, não apenas no campo econômico, mas em particular pelo uso direto e indireto do poder militar, hesitando apenas quando sofrer derrotas. Naturalmente, toda abertura para desenvolver uma abordagem conciliatória pelos Estados Unidos deve ser aproveitada, mas é essencial deixar claro que a política dos EUA durante tais períodos, quando sofreu derrotas, é a de reagrupar suas forças para lançar uma nova ofensiva.</p>
<p>Derrotar as agressões militares estadunidenses depende em grande parte do desenvolvimento interno global da China nos campos econômicos, militares e outros, o que também é do interesse de outros países que sofrem com a agressão estadunidense. Após o próprio desenvolvimento interno da China, a força mais importante que bloqueia a agressão dos EUA é a oposição da maioria da população mundial e países cuja posição é agravada pela política do país. O grau em que a agressão militar dos EUA, direta e indireta, se intensificará depende da proporção de suas derrotas em batalhas isoladas. Quanto mais forem bem sucedidos, mais agressivos se tornarão; quanto mais estiverem enfraquecidos, mais conciliadores se tornarão.</p>
<p>A curto prazo, o resultado da guerra na Ucrânia será, portanto, crucial para a realidade geopolítica mais ampla. Embora os detalhes da política externa dos EUA não possam ser vistos com uma bola de cristal, a escalada geral das agressões depende claramente da combinação de enfraquecimento econômico e força militar, a menos que sofram derrotas significativas.</p>
<p> </p>
<div class="footnotes">
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Referências bibliográficas</strong></span></h3>
<p>Angus Maddison, The World Economy: A Global Perspective. Paris: Organisation for Economic Cooperation and Development, 2001.</p>
<p>Edward Miguel; Gerard Roland, “The Long-run Impact of Bombing Vietnam,” Journal of Development Economics 96, v. 1, 2011, p. 1–15. Disponível em: <a class="footnote-link" href="https://eml.berkeley.edu/~groland/pubs/vietnam-bombs_19oct05.pdf">https://eml.berkeley.edu/~groland/pubs/vietnam-bombs_19oct05.pdf</a></p>
<p>Federation of American Scientists, “Status of World Nuclear Forces,” 2022. Disponível em: <a class="footnote-link" href="https://fas.org/issues/nuclear-weapons/status-world-nuclear-forces/">https://fas.org/issues/nuclear-weapons/status-world-nuclear-forces/</a></p>
<p>Janan Ganesh, “The US will be the ultimate winner of Ukraine’s crisis,” Financial Times, April 5, 2022, Disponível em: <a class="footnote-link" href="https://www.ft.com/content/cd7270a6-f72b-4b40-8195-1a796f748c23">https://www.ft.com/content/cd7270a6-f72b-4b40-8195-1a796f748c23</a></p>
<p>Micheal Clodfelter apud Edward Miguel; Gerard Roland, “The Long-run Impact of Bombing Vietnam”. Journal of Development Economics 96, v. 1. 2011, p. 1-15. Disponível em: <a class="footnote-link" href="https://eml.berkeley.edu/~groland/pubs/vietnam-bombs_19oct05.pdf">https://eml.berkeley.edu/~groland/pubs/vietnam-bombs_19oct05.pdf</a></p>
<p>Sergey Glazyev. <em>The Saker</em>, 28 mar. 2022. Disponível em: <a class="footnote-link" href="https://thesaker.is/events-like-this-happen-once-a-century-sergey-glazyev-on-the-breakdown-of-epochs-and-changing-ways-of-life/">https://thesaker.is/events-like-this-happen-once-a-century-sergey-glazyev-on-the-breakdown-of-epochs-and-changing-ways-of-life/</a></p>
<p>Vyacheslav Tetekin, “How the US Pushed Ukraine into the War”, Communist Party of the Russian Federation, 4 abr. 2022, Disponível em: <a class="footnote-link" href="https://cprf.ru/2022/04/how-the-us-pushed-ukraine-into-the-war/">https://cprf.ru/2022/04/how-the-us-pushed-ukraine-into-the-war/</a></p>
</div>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Notas</strong></span></h3>
<div class="footnotes">
<p><a href="#_section_2_ftnref1" name="_section_2_ftn1"><sup>1</sup></a> As citações e análises nesta seção são desta fonte.</p>
<p><a href="#_section_2_ftnref2" name="_section_2_ftn2"><sup>2</sup></a> Outras fontes dão à economia dos EUA uma parcela muito maior do PIB global em 1950, com estimativas superiores a 40%.</p>
<p><a href="#_section_2_ftnref3" name="_section_2_ftn3"><sup>3</sup></a> Os dados que comparam o desempenho econômico dos Estados Unidos e da China são retirados do banco de dados do FMI publicado no World Economic Outlook de abril de 2022, https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2022/April; U.S. Bureau of Economic Analysis, International Data, https://apps.bea.gov/iTable/iTable.cfm?ReqID=62&amp;step=1#reqid=62&amp;step=9&amp;isuri=1&amp;6210=4; Trading Economics, https://tradingeconomics.com/; World Bank, World Development Indicators, https://databank.worldbank.org/reports.aspx?source=world-development-indicators.</p>
</div>
<p> </p>
<p><a name="section_3"></a></p>
<h1 class="mrst_section_title mrst_section_title_3"><span style="color: #ba2025;"><strong>Quem está levando os Estados Unidos à guerra?</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;">Deborah Veneziale</span></h2>
<p> </p>
<p>O mundo está sentindo a crescente avidez dos Estados Unidos para a guerra.<a href="#_section_3_ftn1" name="_section_3_ftnref1"><sup>1</sup></a> Em meio ao desenvolvimento da crise na Ucrânia, os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) têm tentado intensificar sua guerra por procuração com a Rússia, enquanto continuam a aumentar seu cerco e provocações contra a China. Essa intenção foi exibida durante o programa de TV <em>Meet the Press</em>, da rede NBC<em>, </em>de 15 de maio de 2022, que simulou uma guerra dos EUA contra a China<em>.</em> Esse “jogo de guerra” foi organizado pelo Center for a New American Security (CNAS), um proeminente <em>think tank</em> de Washington financiado pelos EUA e seus aliados, incluindo o Escritório de Representantes Econômicos e Culturais de Taipei, a Fundação Open Society (de George Soros) e uma série de empresas militares e de tecnologia estadunidenses, como a Raytheon, Lockheed Martin, Northrop Grumman, General Dynamics, Boeing, Facebook, Google e Microsoft (Center for a New American Security, 2022).</p>
<p>Essa simulação está em linha com outros sinais alarmantes em direção à guerra tanto do Congresso quanto do Pentágono. Em 5 de abril, Charles Richard, chefe do Comando Estratégico dos EUA, defendeu diante do Congresso estadunidense que a Rússia e a China representavam ameaças nucleares aos Estados Unidos, alegando que a China provavelmente usará coerção nuclear para seu próprio benefício (Tiron, 2022). Pouco depois, em 14 de abril, uma delegação bipartidária de legisladores estadunidenses visitou Taiwan. Em 5 de maio, a Coreia do Sul anunciou que havia se unido a uma organização de defesa cibernética ligada à Otan. Em junho, em sua cúpula anual, a Otan nomeou a Rússia como sua “ameaça mais significativa e direta” e apontou a China como um “desafio [aos nossos interesses]”. Além disso, Coreia do Sul, Japão, Austrália e Nova Zelândia participaram da cúpula pela primeira vez, o que sugere a possibilidade de que uma filial asiática possa ser formada no futuro. Finalmente, em 2 de agosto, em uma provocação descarada a Pequim, a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi – a terceira mais alta autoridade do governo de Joe Biden – visitou Taiwan, escoltada pela força aérea dos EUA (Otan, 2022).</p>
<p>Diante da agressiva política externa do governo Biden, não se pode deixar de pensar: quem está defendendo a guerra no interior da classe dominante dos EUA? Existe um mecanismo para conter tal beligerância?</p>
<p>Este artigo chega a três conclusões. Primeiro, no governo Biden, dois grupos da elite da política externa que costumavam competir entre si – liberais belicistas e neoconservadores — fundiram-se estrategicamente, formando o mais importante consenso na política externa dentro do alto escalão do país desde 1948, levando a política de guerra dos EUA a um novo nível. Em segundo lugar, em consideração aos seus interesses de longo prazo, a grande burguesia estadunidense chegou a um consenso de que a China é um rival estratégico, e estabeleceu um sólido apoio a essa política externa. Em terceiro, as chamadas instituições democráticas de pesos e contrapesos são completamente incapazes de impedir que essa política beligerante se expanda devido ao desenho da Constituição estadunidense, à expansão das forças de extrema-direita e à monetização das eleições.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>A fusão das elites beligerantes na política externa</strong></span></h3>
<p>Os primeiros representantes do intervencionismo liberal dos EUA incluíram presidentes democratas como Harry Truman, John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson, cujas raízes ideológicas podem ser ligadas à ideia de Woodrow Wilson, de que a América deveria estar no cenário mundial lutando pela democracia. A invasão do Vietnã foi guiada por essa ideologia.</p>
<p>Após sua derrota, o Partido Democrata reduziu temporariamente os pedidos de intervenção como parte de sua política externa. No entanto, o senador democrata Henry “Scoop” Jackson (também conhecido na época como “o senador da Boeing”), um “falcão liberal”<a href="#_section_3_ftn2" name="_section_3_ftnref2"><sup>2</sup></a>, juntou-se a outros anticomunistas e intervencionistas, inspirando o movimento neoconservador. Estes, incluindo vários apoiadores e ex-funcionários de Jackson, deram aval ao republicano Ronald Reagan no final dos anos 1970 por seu compromisso em enfrentar o suposto expansionismo soviético.</p>
<p>Com a dissolução da União Soviética em 1991 e a ascensão do unilateralismo dos EUA, os neoconservadores entraram no <em>mainstream</em> da política externa dos EUA com seu líder intelectual, Paul Wolfowitz, que tinha sido ex-assessor de Henry Jackson. Em 1992, poucos meses após a desintegração da União Soviética, Wolfowitz, então subsecretário de Defesa, introduziu seu <em>Guia de política de defesa</em>, que defendia explicitamente que os Estados Unidos mantivessem uma posição unipolar permanente. Isso seria realizado, explicou ele, por meio da expansão do poder militar dos EUA na esfera de influência da antiga União Soviética e ao longo de todos os seus perímetros, com o objetivo de impedir o ressurgimento da Rússia como uma grande potência. A estratégia unipolar liderada pelos EUA, implementada por meio da projeção da força militar, guiou as políticas externas de George H. W. Bush e seu filho George W. Bush, bem como de Bill Clinton e Barack Obama. Os EUA foram capazes de lançar a primeira Guerra do Golfo em grande parte devido à fraqueza soviética. A essa guerra se seguiu o desmembramento militar da Iugoslávia pelos EUA e a Otan. Após o 11 de Setembro, a política externa do governo Bush Jr. foi completamente dominada pelos neoconservadores, incluindo o vice-presidente Dick Cheney e o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld.</p>
<p>Embora tanto os liberais belicistas quanto os neoconservadores tenham defendido arduamente intervenções militares estrangeiras, historicamente houve duas diferenças importantes entre eles. Em primeiro lugar, os liberais tendiam a acreditar que os Estados Unidos deveriam influenciar as Nações Unidas e outras instituições internacionais a realizar uma intervenção militar, enquanto os neoconservadores tendiam a ignorar instituições multilaterais. Em segundo lugar, os falcões liberais procuraram liderar intervenções militares ao lado de aliados ocidentais, enquanto os neoconservadores estavam mais dispostos a realizar operações militares unilaterais e violar flagrantemente o direito internacional. Como disse Niall Ferguson, historiador da Universidade de Harvard, os neoconservadores ficaram felizes em aceitar o título de Império Americano e decidir unilateralmente atacar qualquer país enquanto poder hegemônico do mundo (Ferguson, 2005);</p>
<p>Embora republicanos e democratas tenham historicamente desenvolvido suas próprias instituições políticas e de <em>advocacy</em>, é um equívoco pensar que eles têm abordagens distintas para a estratégia de política externa. É verdade que <em>think tanks</em> como a Heritage Foundation são grandes redutos neoconservadores que se aproximaram da política republicana, enquanto outros como a Brookings Institution e o posteriormente estabelecido CNAS têm sido o lar de falcões liberais pró-Democratas. No entanto, membros de ambos os partidos têm trabalhado em cada uma dessas organizações, com diferenças centradas em propostas políticas específicas, não em filiação partidária. Na realidade, por trás da Casa Branca e do Congresso, uma rede bipartidária de planejamento de políticas composta por fundações sem fins lucrativos, universidades, <em>think tanks</em>, grupos de pesquisa e outras instituições formatam coletivamente as agendas das corporações na forma de propostas e relatórios políticos.</p>
<p>Outro equívoco comum é achar que o chamado setor progressista do liberalismo pode promover o desenvolvimento social, fornecer assistência internacional e limitar gastos militares. No entanto, o período neoliberal, iniciado em meados da década de 1970, tem sido caracterizado pela subordinação do Estado às forças de mercado e à austeridade nos gastos sociais em áreas como saúde, assistência alimentar e educação, ao mesmo tempo que incentiva gastos militares ilimitados, prejudicando severamente a qualidade de vida da grande maioria da população. Tanto republicanos quanto democratas seguem os princípios do neoliberalismo, como exemplificado pelo orçamento anual de Biden para 2022, que inclui um aumento de 4% nos gastos militares, e o fato de que, durante a recente pandemia, 1,7 trilhão de dólares – dos 5 trilhões que o governo dos EUA forneceu em financiamento de estímulos – foram diretamente para os bolsos das corporações (Greve, 2022). O neoliberalismo teve um impacto particularmente devastador no Sul Global, onde arrastou os países em desenvolvimento para armadilhas de dívidas e os coagiu a fazer pagamentos intermináveis dessas dívidas ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial.</p>
<p>No campo da política externa, o mais influente <em>think tank</em> dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial foi o Council on Foreign Relations (CFR), financiado por uma série de fontes com origem na classe dominante. Os membros fundadores do conselho incluem líderes em energia (Chevron, ExxonMobil, Hess, Tellurian), finanças (Bank of America, BlackRock, Citi, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Morgan Stanley, Moody’s, Nasdaq), tecnologia (Accenture, Apple, AT&amp;T, Cisco), e internet (Google, Meta), entre outros setores, e o atual conselho do CFR inclui Richard Haass, o conselheiro de Bush pai para o Oriente Médio, e Ashton Carter, secretário de Defesa de Obama. A revista alemã <em>Der Spiegel</em> descreveu a CFR como “a instituição privada mais influente dos Estados Unidos e do mundo ocidental” e “o comitê central do capitalismo”, enquanto Richard Harwood (1993), ex-editor sênior e ouvidor do <em>The Washington Post</em>, chamou o conselho e seus membros de “a coisa mais próxima que temos de um <em>establishment</em> governante nos Estados Unidos” (Swiss Policy Research, 2022; Shoup, 2019). As propostas políticas da CFR refletem o pensamento estratégico de longo prazo da burguesia do país, como visto por sua proposta de “fortalecer a coordenação EUA-Japão em resposta à questão de Taiwan” em janeiro de 2022, antes da visita de Pelosi a Taiwan em agosto do mesmo ano.</p>
<p>Independentemente de qual partido os funcionários dessas várias instituições apoiam nas eleições, essa rede bipartidária e colaborativa de longa data tem mantido uma política externa consistente em Washington. Essa rede promove uma visão de mundo supremacista dos EUA que nega o direito de outros países de se envolverem em assuntos internacionais, uma ideologia que remonta à Doutrina Monroe de 1823, aquela que proclamou a dominação dos EUA sobre todo o hemisfério ocidental. A elite da política externa estadunidense de hoje estendeu a aplicação da Doutrina Monroe para o mundo inteiro. Sinergia entre partidos e troca de partidos são comuns para esse grupo de formuladores de política externa, que está intimamente ligado à classe capitalista dominante e seus substitutos dentro da elite do poder político que controlam a política externa dos EUA, bem como o Estado Profundo (os serviços de inteligência juntamente com os militares).</p>
<p> </p>
<p> </p>
<div id="attachment_64433" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-64433" class="wp-image-64433 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/Graph-1_PT.jpg" alt="" width="950" height="725" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/Graph-1_PT.jpg 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/Graph-1_PT-300x229.jpg 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/Graph-1_PT-768x586.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"><p id="caption-attachment-64433" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small>Processo de formação de políticas, de Who Rules America?, por William Domhoff.</small></p></div>
<p> </p>
<p>Na virada do século, os neoconservadores, reunidos no Partido Republicano, estavam mais preocupados com a desintegração e desnuclearização da Rússia do que com a China. Por volta de 2008, no entanto, as forças dentro da elite política dos EUA começaram a perceber que a economia chinesa continuaria sua forte ascensão e que seus futuros líderes não cederiam à influência dos EUA; não haveria um equivalente chinês de Gorbachev ou Yeltsin. A partir desse período, os neoconservadores começaram a adotar uma abordagem totalmente confrontativa com a China e buscar sua contenção. Ao mesmo tempo, alguns falcões liberais pró-democratas fundaram a CNAS, e Hillary Clinton, então secretária de Estado, liderou o desenvolvimento e a implementação do Pivô Asiático, uma mudança estratégica na política externa dos EUA que foi aplaudida pelos neoconservadores, que ainda estavam no campo republicano na época. Clinton foi saudado como uma “voz forte” por Max Boot, um comentarista político e membro sênior da CFR, que, em 2003, escreveu que, “dada a bagagem histórica que o ‘imperialismo’ carrega, não há necessidade de o governo dos EUA abraçar o termo. Mas deve definitivamente abraçar a prática” (Daalder, Lindsay, 2003). Hoje, estender a Otan à Ucrânia e confrontar a Rússia continua a ser uma prioridade para os neoconservadores e os falcões liberais. Ambos os grupos discordam dos realistas que propõem uma distensão com a Rússia, a fim de fortalecer o confronto com a China.</p>
<p>No entanto, a eleição de Donald Trump em 2016 criou uma breve turbulência no consenso dentro da CFR. Como John Bellamy Foster escreveu em seu livro de 2017 <em>Trump in the White House: Tragedy and Farce</em> [Trump na Casa Branca: Tragédia e Farsa], o ex-presidente chegou ao poder em parte pela mobilização de um movimento neofascista formado pela classe média-baixa branca. Apenas um pequeno número de pessoas do grande capital o apoiou inicialmente. Entre eles estavam Dick Uihlein, o dono da gigante de transporte Uline; Bernie Marcus, o fundador do varejista de materiais de construção Home Depot; Robert Mercer, um investidor na mídia de extrema-direita Breitbart News Network; e Timothy Mellon, neto do magnata bancário Andrew Mellon. A tendência de Trump de reduzir o engajamento nos assuntos globais — como visto com a retirada das tropas da Síria e o início da retirada do Afeganistão, bem como o contato diplomático com a Coreia do Norte — favoreceu os interesses de curto prazo da pequena burguesia e ganhou o apoio de realistas da política externa, incluindo Henry Kissinger, mas isso perturbou os neoconservadores. Um grupo da elite neoconservadora desempenhou um papel importante na campanha contra Trump, com cerca de 300 funcionários que apoiaram a administração Bush defendendo o Partido Democrata na eleição de 2020. Isso incluiu o já citado Boot, que se tornou um líder do pensamento na política externa e teve um forte impacto na administração Biden.</p>
<p>Sob Biden, o consenso da CFR foi retomado, e os neoconservadores e falcões liberais tornaram-se completamente alinhados na orientação estratégica do país. A consciência da ascensão da China promoveu uma unidade entre esses dois grupos nunca vista em décadas. Essa unidade se baseia na teoria dos assuntos internacionais que estipula que os Estados Unidos devem intervir ativamente na política de outros países, fazer todos os esforços para promover a “liberdade e a democracia”, reprimir os Estados que desafiam o domínio econômico e militar ocidental, remover governos indesejados e garantir a hegemonia global por todos os meios – com a Rússia e a China como seus principais alvos. Em maio de 2021, o secretário de Estado Antony Blinken (que anteriormente foi secretário-adjunto de Estado sob Obama) declarou que os EUA defendiam uma ambígua “ordem internacional baseada em regras”, um termo que se refere a organizações internacionais e de segurança dominadas pelos EUA, em vez de instituições mais amplas baseadas na ONU. A posição de Blinken sugere que, sob o governo Biden, os falcões liberais abandonaram oficialmente a pretensão de seguir a ONU ou outras organizações multilaterais internacionais, a menos que se curvem ao <em>diktat</em> dos EUA.</p>
<p>Em 2019, o proeminente neoconservador Robert Kagan foi coautor de um artigo com Antony Blinken, instando os Estados Unidos a abandonarem a política <em>America First,</em> de Donald Trump. Eles pediram a contenção (isto é, cerco e enfraquecimento) da Rússia e da China e propuseram uma política de “diplomacia preventiva e dissuasão” contra os adversários estadunidenses, ou seja, tropas e tanques onde for considerado necessário. Aliás, a esposa de Kagan, Victoria Nuland, serviu como secretária assistente de Estado para assuntos europeus e eurasianos no governo Obama. Nuland desempenhou um papel fundamental na organização e apoio à revolução colorida de 2014 na Ucrânia e se gabou dos bilhões de dólares que os Estados Unidos gastaram para “promover a democracia” no país (Nuland, 2013). Atualmente, ela está servindo como subsecretária de Estado para assuntos políticos no governo Biden, a terceira posição mais alta no Departamento de Estado depois do secretário Blinken e da secretária-adjunta Wendy Sherman. Ela também é uma herdeira espiritual de sua mentora, a líder liberal belicista Madeleine Albright.</p>
<p>A orientação dos liberais pró-guerra defendida por Kagan e Blinken foi levada um passo adiante pelo <em>think tank </em>da Otan, o Conselho Atlântico, que tem defendido a <em>Brinkmanship</em><a href="#_section_3_ftn3" name="_section_3_ftnref3"><sup>3</sup></a> nuclear. Em fevereiro, Matthew Kroenig, vice-diretor do Centro de Estratégia e Segurança do Conselho Atlântico, defendeu a possibilidade do uso preventivo de armas nucleares “táticas” pelos EUA (Kroenig, 2022).</p>
<p>A partir desse pequeno círculo de belicistas, pode-se facilmente detectar a profunda integração de dois grupos de elite das relações exteriores, ambos os quais são os verdadeiros impulsionadores da crise da Ucrânia. A evolução dessa crise revela o seguinte conjunto de táticas adotadas por esse grupo beligerante:</p>
<ul>
<li>fortalecer a liderança dos EUA sobre a Otan, usando a aliança militar (e não a ONU) como principal mecanismo de intervenção estrangeira;</li>
<li>provocar um suposto adversário para a guerra, recusando-se a reconhecer sua reivindicação por soberania e por segurança sobre regiões sensíveis;</li>
<li>planejar o uso de armas nucleares táticas e conduzir uma “guerra nuclear limitada” dentro ou ao redor do chamado território adversário; e</li>
<li>impor uma guerra híbrida a fim de enfraquecer e subverter o adversário por meio de medidas coercitivas unilaterais e combinar sanções econômicas com medidas financeiras, informacionais, propagandísticas e culturais, juntamente com uma revolução colorida, guerra cibernética, <em>lawfare</em> e outras táticas.</li>
</ul>
<p>Se os resultados desejados forem alcançados na Ucrânia, a mesma estratégia será, sem dúvida, replicada no Pacífico Ocidental.</p>
<p>O alinhamento estratégico não significa que as elites políticas não estejam divididas em outras questões que considerem de menor importância, como as mudanças climáticas. Mesmo sobre esse assunto, no entanto, os Estados Unidos exigem que a Europa pare de importar gás natural da Rússia. John Kerry, assessor de Biden para assuntos climáticos, não se compromete com os potenciais impactos ambientais negativos de tal movimento, em parte porque os Estados Unidos querem substituir as vendas de gás russo na Europa por seus próprios recursos.</p>
<p>Nos últimos anos, forças progressistas em todo o mundo lançaram várias campanhas internacionais para expressar suas preocupações sobre a estratégia global agressiva que está sendo buscada pelos EUA, muitas vezes usando o termo “Nova Guerra Fria”. No entanto, as narrativas apresentadas às vezes subestimam a depravação de alguns aspectos da atual política externa dos EUA. A “Velha Guerra Fria” com a União Soviética seguiu certas regras e pano de fundo: os Estados Unidos usaram uma variedade de meios políticos e econômicos para exercer pressão e procurar subverter o Estado soviético, e os dois lados reconheceram o escopo de interesses e necessidades de segurança um do outro. No entanto, os EUA não tentaram mudar as fronteiras nacionais dos adversários nucleares. Não é o caso de hoje, como visto pela declaração aberta do<em> The Wall Street Journal, </em>de que os Estados Unidos devem demonstrar sua capacidade de vencer uma guerra nuclear, uma posição que é subjugada pela alegação da elite da política externa de que a Ucrânia e Taiwan devem ser protegidos, pois ambos são locais estratégicos dentro do perímetro militar ocidental (Cropsey, 2022). Até mesmo o líder da Guerra Fria, Kissinger, expressou preocupação e oposição à atual política externa dos EUA, argumentando que a estratégia correta é dividir a China e a Rússia, e advertiu que haverá consequências perigosas se os EUA prosseguirem simultaneamente com a guerra direta contra esses dois Estados nucleares.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>A burguesia dos EUA se prepara para a guerra contra a China</strong></span></h3>
<p>Washington tem procurado economicamente desatrelar os Estados Unidos da China por meio de guerras comerciais e tecnológicas, um processo que foi iniciado pelo governo Trump e continuou sob a liderança de Biden. No entanto, essa política gerou consequências não intencionais. Por um lado, devido à formação de cadeias globais de suprimentos, as indústrias manufatureiras dos EUA e da Europa dependem fortemente das importações da China, e Biden enfrentou a oposição interna com apelos para reduzir as tarifas de guerra comercial, a fim de aliviar a enorme pressão da inflação nos Estados Unidos. Por outro lado, embora a China não tenha iniciado a dissociação econômica, a pressão das guerras comerciais e tecnológicas tem promovido o desenvolvimento da “grande circulação interna” no país (reduzindo a dependência das exportações e confiando mais no consumo interno). Desde a pandemia, houve um aumento superficial do comércio de mercadorias entre os EUA e a China.</p>
<p>Deve-se notar, no entanto, que há uma mudança em curso na lógica básica das relações dos EUA com a China: a burguesia estadunidense vem apertando sua aliança contra a China e apoiando a estratégia belicista de Washington. Essa situação decorre tanto de fatores econômicos quanto ideológicos. Por um lado, os números do PIB dos EUA e de outros países do Ocidente mascaram as contribuições feitas pelo trabalho em fábricas no Sul Global. Por exemplo, as vendas altamente rentáveis da Apple nos Estados Unidos aparecem no PIB estadunidense, mas a fonte real de seus altos retornos é o excedente criado pela força de trabalho qualificada e muito eficiente em Shenzhen, Chongqing e outras cidades da China, onde as fábricas da Foxconn estão localizadas (Smith, 2012).<a href="#_section_3_ftn4" name="_section_3_ftnref4"><sup>4</sup></a> A China percorreu um longo caminho desde a era das grandes fábricas com trabalhadores não qualificados com baixa remuneração e desenvolveu uma infraestrutura industrial, logística e social extremamente sofisticada que, a partir de 2019, representou 28,7% da manufatura global (Richter, 2021). Mudar toda a cadeia de suprimentos da China para a Índia ou México seria um processo de décadas e não pode ser baseado apenas em salários mais baixos.</p>
<p>Poucos setores da economia dos EUA dependem fortemente do mercado chinês local para vendas; os fabricantes de chips dos EUA são a exceção. Grandes empresas como Boeing, Caterpillar, General Motors, Starbucks, Nike, Ford e Apple obtêm menos de 25% de sua receita da China. A Apple, por exemplo, obtêm 17% (Yahoo! Finance, 2020). A receita total das empresas do S&amp;P 500 é de 14 trilhões de dólares, não mais que 5% dos quais estão relacionados às vendas dentro da China (Yardeni Research, Inc., 2022). É improvável que os CEOs estadunidenses se oponham aos rumos da política externa dos EUA sobre a China, uma vez que não está sendo apresentado a eles um caminho claro para aumentar seu acesso a longo prazo ao crescente mercado interno chinês. Essa atitude foi exibida durante a chamada de resultados de maio de 2022 da Disney, quando o CEO Bob Chapek expressou confiança no êxito da empresa, mesmo sem acesso ao mercado chinês (Hall, 2022). Essa abordagem em relação à China é visível nas principais indústrias dos EUA.</p>
<p><strong>Tecnologia/internet</strong>  Nove dos dez americanos mais ricos estão na indústria de tecnologia/internet, o <em>zeitgeist</em> de nosso tempo, com a exceção parcial de Elon Musk, o CEO da fabricante de automóveis elétricos Tesla, cujo primeiro pote de ouro também veio da indústria da internet. Em comparação com as listas dos estadunidenses mais ricos das últimas décadas, aqueles de setores tradicionais como manufatura, bancos e petróleo foram ultrapassados por uma elite tecnológica em ascensão, que está mergulhada em atitudes anti-China por conta das dificuldades que enfrentaram para penetrar no mercado chinês. Gigantes da tecnologia dos EUA, como Google, Amazon e Facebook, praticamente não têm mercado na China, enquanto empresas como Apple e Microsoft enfrentam dificuldades crescentes. Na última década, a empresa chinesa de tecnologia e telecomunicações Huawei ultrapassou a Apple em termos de participação de mercado na China, mas logo a Apple recuperou o primeiro lugar devido às sanções dos EUA, que proibiram a venda de chips semicondutores – um componente chave em smartphones – para Huawei. O governo chinês está supostamente adotando seus próprios sistemas de Produtividade Linux e Office para substituir os softwares Microsoft Windows e Office. Empresas tradicionais de Tecnologia da Informação (TI) como IBM, Oracle e EMC (coletivamente referida como IOE) têm sido marginalizadas no mercado chinês pela onda liderada pelo Alibaba, que busca substituir servidores IBM, bancos de dados Oracle e dispositivos de armazenamento EMC por soluções próprias e de código aberto. Gigantes da tecnologia dos EUA anseiam por uma mudança no sistema político chinês que abriria as portas para o enorme mercado do país, e os principais atores desse setor estão trabalhando ativamente para que a política externa hostil de Washington avance. Eric Schmidt, ex-CEO e presidente executivo do Google, liderou o estabelecimento da Unidade de Inovação em Defesa do governo dos EUA em 2016 e da Comissão Nacional de Segurança Sobre Inteligência Artificial em 2018. Sua fervorosa promoção da teoria da “Ameaça chinesa” reflete a opinião predominante da comunidade <em>tech</em> dos EUA, que também molda o discurso público. O Twitter e o Facebook fizeram parcerias com governos dos EUA e do Ocidente para censurar cada vez mais as críticas à sua política externa e influenciar a discussão em torno de questões-chave — como a pandemia, Hong Kong e Xinjiang — em nome do combate a campanhas de desinformação supostamente lançadas pela China e outros pseudos adversários.</p>
<p><strong>Manufaturas </strong>A indústria manufatureira dos EUA continua dependente da capacidade de produção chinesa. O investimento consistente e a inovação tecnológica no setor de manufaturas dos EUA foram efetivamente abandonados durante o período neoliberal e, apesar dos apelos de Obama e Trump para que o setor se aproximasse novamente ao território estadunidense, pouco foi realizado a esse respeito. No entanto, os investimentos no setor manufatureiro dos EUA na China diminuíram nos últimos anos, com a notável exceção da mega fábrica da Tesla em Xangai. Mesmo nesse caso, no entanto, é importante notar que Elon Musk ganhou inúmeros contratos de aquisição da área militar do governo dos EUA por meio de sua empresa de exploração espacial SpaceX, cujo sistema de satélites Starlink foi criticado pela China por sua “proximidade” com a estação espacial chinesa em duas ocasiões em 2021. O Exército Popular de Libertação Chinês alertou que os EUA podem tentar militarizar o sistema Starlink. A implantação dos serviços da Starlink na Ucrânia durante a guerra é uma evidência dessa dinâmica. A possível aquisição do Twitter por Musk dificilmente mudaria o relacionamento da empresa com os governos dos EUA e do Ocidente e a orientação em relação à China e à Rússia.</p>
<p><strong>Finanças </strong><em> </em>A indústria de serviços financeiros dos EUA há muito espera que os mercados de capitais chineses se abram ainda mais para eles. Sua esperança final é a mudança de regime no país que levaria a um caminho neoliberal. A atitude anti-chinesa do influente magnata financeiro e filantropo húngaro George Soros é bem conhecida. Em janeiro de 2022, Soros tuitou que “a China de Xi Jinping é a maior ameaça que as sociedades abertas enfrentam hoje”. Esses comentários vieram depois que Jamie Dimon, o CEO do JPMorgan Chase, declarou em novembro de 2021 que o banco multinacional sobreviveria ao Partido Comunista da China (embora mais tarde ele tenha se desculpado por esse comentário dizendo que estava brincando). Dimon também insinuou que a China sofreria um forte ataque militar se tentasse unificar Taiwan, uma ameaça pela qual não se desculpou (Henry; Daga, 2021). Essa atitude hostil é uma resposta ao fato de que os mercados de capitais da China não estão avançando na direção que Wall Street gostaria, como evidenciado pelo governo chinês com o fortalecimento dos controles de capital e desindexando uma série de ações chinesas da bolsa de valores dos EUA. Na reunião anual de acionistas do conglomerado de investimentos Berkshire Hathaway em 2022, Charlie Munger, vice-presidente da empresa, afirmou que a China ainda valia o investimento. Mesmo nesse caso, no entanto, Munger aceitou a premissa de seu entrevistador, que caracterizou o governo chinês como um “regime autoritário” que comete “violações dos direitos humanos”. Para Munger, a China só vale o risco extra porque se pode investir em negócios melhores a preços mais baixos.</p>
<p><strong>Setores de varejo e consumo </strong>As indústrias de varejo e consumo dos EUA têm sido espremidas por seus concorrentes chineses. Em março de 2021, a Nike e outras empresas boicotaram o algodão de Xinjiang por alegações falsas de trabalho forçado. Pouco depois, a Nike divulgou um anúncio que foi criticado por promover estereótipos racistas sobre os chineses, resultando em uma nova perda de sua participação de mercado, que já havia começado a ser flanqueada pela marca chinesa Anta.</p>
<p>Além disso, há uma desconexão significativa entre as indústrias cultural e de entretenimento dos dois países, com filmes produzidos internamente representando 85% das bilheterias chinesas em 2021. Os filmes de super-heróis da Marvel, outrora populares entre os cinéfilos chineses, não conseguiram entrar no mercado chinês devido a preocupações ideológicas, com zero bilheteria na China em 2021. A recente produção da Marvel,<em> Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, </em>apresenta mais uma vez cenas contrárias à China, incluindo uma referência ao jornal anti-governo de extrema direita<em> The Epoch Times</em>. O filme não foi exibido no gigante asiático. Esses casos refletem as trocas de empresas americanas entre interesses comerciais — atingindo o mercado consumidor chinês — e ideologia política — opondo-se ao sistema político chinês.</p>
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<h3 style="margin:2em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">O complexo militar-industrial dos EUA e o desejo pela guerra</span> </strong></h3>
<p>O complexo militar-industrial dos EUA desempenha um papel especial na galvanização da cooperação entre setores estratégicos econômicos, tecnológicos, políticos e militares em direção a interesses imperialistas. Em 2021, os seis maiores contratados militares do mundo — Lockheed Martin, Boeing, Raytheon Technologies, BAE Systems, Northrop Grumman e General Dynamics — tiveram vendas combinadas de mais de 128 bilhões de dólares para o governo dos EUA (Bloomberg, 2021). Grandes empresas de tecnologia, incluindo Amazon, Microsoft, Google, Oracle, IBM e Palantir (fundada pelo extremista Peter Thiel) formaram laços estreitos com os militares dos EUA, assinando milhares de contratos no valor de dezenas de bilhões de dólares nas últimas décadas (Glaser, 2020; Nograles, 2021; Konkel, 2021). A indústria tecnológica desempenha o papel estratégico de coletar dados no vasto império de inteligência dos EUA e está no centro da hegemonia <em>soft power</em> das mídias e redes sociais dos EUA, garantindo a dominação digital sobre a maioria do Sul Global. Como tal, esse setor se tornou imune a uma regulação significativa ou ameaças de desmonopolização.</p>
<p>O impulso estadunidense pela supremacia militar leva a gastos nas áreas de armas, tecnologia computacional (chips de silício, em particular), comunicações avançadas (incluindo guerra cibernética por satélite) e biotecnologia. O governo dos EUA solicitou oficialmente 813 bilhões de dólares para os militares como parte de seu orçamento de 2023 (o que não leva em conta gastos militares adicionais disfarçados em outros setores do orçamento global), e o Pentágono afirma que precisará de pelo menos 7 trilhões de dólares nos próximos dez anos (Stone, 2022; Cohen, 2021).</p>
<p>A privatização do Estado sob o neoliberalismo levou ao desenvolvimento de uma porta giratória entre o governo dos EUA e o setor privado nas últimas quatro décadas. O Estado tornou-se um veículo para altos funcionários do governo, incluindo congressistas, senadores, conselheiros políticos e de segurança, membros do gabinete, coronéis, generais e presidentes de ambos os partidos se tornarem multimilionários, aproveitando seu <em>status</em> e conhecimento de alguém de dentro do governo, a ser usado por grupos de interesse privado.<a href="#_section_3_ftn5" name="_section_3_ftnref5"><sup>5</sup></a> Dentro da burocracia governamental, a frase “segurança nacional” abre a torneira para a ganância pessoal e corporativa e a expansão militar radical ainda mais ampla. Sob essa forma predominante de Primeiro Mundo, corrupção legalizada, as empresas frequentemente fazem pagamentos aos funcionários depois de deixarem cargos públicos. Esses subornos legais são essencialmente pagamentos em atraso por serviços concedidos enquanto estão no cargo. Por exemplo, ao deixar o cargo, ex-funcionários públicos são frequentemente contratados como funcionários privados, membros do conselho ou conselheiros com as mesmas empresas que anteriormente haviam defendido, desde que votassem favoravelmente ou concedessem contratos governamentais como funcionários públicos (Freeman, 2012). Alguns exemplos proeminentes dessa dinâmica difundida incluem o seguinte:</p>
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<li>Bill Clinton alega ter uma dívida de 16 milhões de dólares quando deixou a Casa Branca em 2001, mas, em 2021, tinha uma fortuna estimada de cerca de 80 milhões de dólares (DiSalvo, 2021).</li>
<li>Com uma chocante impunidade, pelo menos 85 das 154 pessoas de grupos de interesse privado que se reuniram ou tiveram conversas telefônicas agendadas com Hillary Clinton – enquanto ela liderava o Departamento de Estado sob o presidente Obama – doaram um combinado de 156 milhões de dólares para a Fundação Clinton (CNBC, 2016).</li>
<li>James “Mad Dog” Mattis, um general quatro estrelas aposentado, ex-secretário de Defesa de Trump e ex-membro do conselho da CNAS, teve um patrimônio líquido de 7 milhões de dólares em 2018, cinco anos após sua “aposentadoria” militar. Isso foi obtido por meio de pagamentos significativos de uma ampla lista de empresários do setor militar e incluiu de 600 mil a 1,25 milhão de dólares em ações e opções na grande empresa de defesa General Dynamics (Herb, O’brien, 2017).</li>
<li>Lloyd Austin, secretário de Defesa do presidente Biden, anteriormente serviu no conselho de administração de várias empresas militares, como United Technologies e Raytheon Technologies. Austin ganhou a maior parte de seu patrimônio líquido de 7 milhões de dólares depois de “se aposentar” como general quatro estrelas (Alexander, 2021).</li>
</ul>
<p>Entre 2009 e 2011, mais de 70% dos principais generais dos EUA trabalharam para contratistas militares depois de se aposentarem de seu cargo. Os generais também dobram a remuneração ao receber simultaneamente compensações do Pentágono e pagamentos de contratistas militares privados (Johnson, 2012). Só em 2016, cerca de 100 oficiais militares americanos passaram pela porta giratória entre o governo e contratistas militares privados, incluindo 25 generais, 9 almirantes, 43 tenentes-generais e 23 vice-almirantes (Vanden Brook, Dilanian, Locker, 2009).</p>
<p>Durante o governo Trump, muitos funcionários da era Obama se mudaram para o setor privado, dando consultoria e aconselhando as maiores corporações do mundo, para logo na sequência retornarem à Casa Branca sob Biden. Em uma exibição impressionante desta porta giratória, o governo Biden nomeou mais de 15 altos funcionários da empresa de consultoria corporativa WestExec Advisors, fundada em 2017 por uma equipe de ex-funcionários do governo Obama que afirma fornecer “análises incomparáveis de risco geopolítico” para seus clientes – incluindo “Gerenciamento de Risco Relacionado à China em uma Era de Concorrência Estratégica” (Guyer, Grim, 2021; WestExec Advisors, 2022). A empresa facilita a cooperação entre o setor <em>Big Tech</em> e os militares dos EUA, com clientes como Boeing, Palantir, Google, Facebook, Uber, AT&amp;T, a empresa de vigilância de drones Shield AI e a empresa israelense de inteligência artificial Windward. Os ex-funcionários da WestExec que trabalham na administração Biden incluem o secretário de Estado Blinken, o diretor de Inteligência Nacional Avril Haines, o vice-diretor da CIA, David Cohen, o secretário assistente de Defesa para assuntos de segurança indo-pacífico Ely Ratner, e a ex-secretária de Imprensa da Casa Branca Jen Psaki (Guyer, Grim, 2021; Thompson, Meyer, 2021; Lipton, Vogel, 2020).</p>
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<div id="attachment_64443" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-64443" class="wp-image-64443 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/Graph-2_PT.jpg" alt="" width="950" height="990" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/Graph-2_PT.jpg 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/Graph-2_PT-288x300.jpg 288w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/Graph-2_PT-768x800.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"><p id="caption-attachment-64443" class="wp-caption-text" style="text-align:center;"><small><span style="color: #ba2025;">O fluxo da WestExec para a administração Biden, parte um. Gráfico: Soohee Cho/The Intercept</span><a href="#_section_3_ftn6" name="_section_3_ftnref6"> <sup><span style="color: #ba2025;">6</span></sup></a></small></p></div>
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<h3 style="margin:2em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">O enfraquecimento da resistência doméstica ao militarismo dos EUA</span> </strong></h3>
<p>Em 1973, os Estados Unidos aboliram a obrigatoriedade do serviço militar, ou o que era conhecido como o conscrição; depois, os militares dos EUA passaram a se referir inteligente e enganosamente ao seu exército como um exército de voluntários. Isso foi feito para reduzir a oposição interna às guerras dos EUA no exterior, especialmente dos filhos de famílias com propriedades e de classe média que se tornaram explicitamente contra a guerra no Vietnã. Embora a medida tenha se justificado em nome da escolha de soldados mais profissionais e dedicados, na realidade, a burguesia procurou aproveitar as vulnerabilidades econômicas das famílias mais pobres da classe trabalhadora, recrutadas para o serviço militar por meio de ofertas de treinamento técnico e ganhos estáveis. Os avanços tecnológicos permitiram que os Estados Unidos aumentassem simultaneamente sua capacidade de matar civis e combatentes inimigos nos países invadidos, reduzindo a taxa de morte de soldados americanos. Por exemplo, na guerra de 2,2 trilhões de dólares contra o Afeganistão entre 2001 e 2021, apenas 2.442 (1%) das 241 mil pessoas mortas (incluindo mais de 71 mil civis) eram militares dos EUA (Crawford, Lutz, 2021). A redução do número de mortes nos EUA e o aumento de contratistas privados enfraqueceu a conexão emocional doméstica com as campanhas de guerra dos EUA. Em meados da década de 2010, estima-se que quase metade das forças armadas dos EUA no Iraque e no Afeganistão eram empregados de contratistas privados (Stinchfield, 2017). Em 2016, a maior empresa militar privada do mundo, a ACADEMI (inicialmente fundada por Erik Prince como Blackwater) foi comprada pela maior empresa de <em>private equity</em> do mundo, Apollo, por cerca de 1 bilhão de dólares (Wilkers, 2016). Longe de um exército de voluntários, é cada vez mais adequado descrever o atual exército estadunidense como um exército de mercenários.</p>
<p>Os Estados Unidos estão ainda mais encorajados em seu belicismo pelo fato de que, embora tenham invadido ou participado de operações militares em mais de cem países, nunca foi invadido ou experimentou baixas civis em larga escala nas mãos de governos estrangeiros. A psicologia do excepcionalismo dos EUA é moldada pelo fato de que a atual geração de elites políticas cresceu em grande parte após o fim da Guerra Fria, um período definido como o chamado “fim da história”, quando seu país parecia ser invencível. Os Estados Unidos não tinham experimentado um desafiante sério no exterior ou em casa até a ascensão da China. Como resultado, essa elite é particularmente ahistórica em sua visão de mundo, tomada por ilusões de grandeza, e consequentemente se sente sem restrições — uma combinação extremamente perigosa.</p>
<p>O complexo militar-industrial, composto por generais, políticos, empresas de tecnologia e empresas militares privadas, está buscando uma expansão maciça da capacidade militar dos EUA. Hoje, quase todos em Washington usam a China, bem como a Rússia, como pretexto para este acúmulo. Enquanto isso, muitos deles cometeram ou apoiaram crimes de guerra no Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia e em outros lugares.</p>
<p>Poucos capitalistas influentes nos Estados Unidos estão dispostos individualmente a se posicionarem abertamente contra o coro que demoniza a China, e aqueles que o fazem são disciplinados ou ostracizados. Raramente se depara com opiniões dissidentes publicamente ou pedidos de contenção nas seções <em>op-ed</em> do <em>The New York Times</em> ou <em>The Wall Street Journal</em>. Durante a campanha presidencial de 2020, Michael Bloomberg foi fortemente criticado por ser “suave” com a China depois que afirmou que o Partido Comunista era responsivo ao povo e se recusou a rotular o presidente Xi Jinping como um ditador. Bloomberg parece ter sido disciplinado com sucesso; sob o governo Biden, juntou-se à histeria belicista e foi nomeado presidente do Conselho de Inovação em Defesa do Pentágono em fevereiro de 2022. A empresa global de consultoria de gestão McKinsey &amp; Company, que tem favorecido um maior engajamento econômico com a China, tem enfrentado crescentes críticas, sendo difamada pelo <em>The New York Times </em>por “ajudar a elevar a estatura de governos autoritários e corruptos em todo o mundo” (Bogdanich, Forsythe, 2018). Consequentemente, a influência de McKinsey nos círculos de negócios dos EUA foi muito enfraquecida. Embora um pequeno número de figuras – como Ray Dalio, investidor bilionário e fundador da Bridgewater Associates – continue a expressar otimismo sobre as relações EUA-China, eles são exceções.</p>
<p>Mais criticamente, aqueles no atual alto escalão da elite burguesa dos EUA diversificaram seus investimentos em uma série de indústrias, permitindo-lhes superar os estreitos interesses econômicos de curto prazo de qualquer setor e se alinhar com o “quadro geral” da estratégia dos EUA. Em contraste com milionários de gerações passadas que estavam focados em uma única indústria, os bilionários de hoje desenvolveram uma consciência mais compartilhada e podem vislumbrar os principais retornos a longo prazo de um mercado chinês totalmente liberalizado que ocorreria após a derrubada do Estado chinês. Consequentemente, esses bilionários são motivados a apoiar a contenção dos EUA em relação à China, apesar das perdas de curto prazo que podem sofrer como resultado. Como detalhado acima, essa grande burguesia financia um grande espectro de <em>think tanks</em> e grupos políticos por meio de fundações sem fins lucrativos, moldando discussões e propostas políticas dos EUA.</p>
<p>Entre a classe média alta, há um pequeno grupo de isolacionistas libertários de extrema-direita compostos principalmente por intelectuais e representados pelo Instituto Cato. Essa rede política se posiciona contra o Sistema da Reserva Federal dos EUA e intervenção estrangeira e se opõe ao papel dos EUA na Ucrânia. No entanto, é marginalizada na área de política externa dos EUA e não exerce muita influência.</p>
<p>Como Karl Marx observou uma vez, os capitalistas sempre foram um “bando de irmãos em guerra”. Esse bando mantém um Estado moderno que tem um corpo maciço e permanente de homens e mulheres armados, funcionários de inteligência e espiões. Em 2015, 4,3 milhões de pessoas nos Estados Unidos tinham autorização para acessar material governamental “confidencial”, “secreto” ou “ultrassecreto” (Congressional Research Service, 2016). Independentemente de qualquer resultado eleitoral, esse aparato estatal é finalmente capaz de exercer seu domínio e orientar a política externa dos EUA, como evidenciado durante a incapacidade do governo Trump de implementar sua própria política externa.</p>
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<h3 style="margin:2em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">A ascensão da extrema direita e a falsa natureza dos pesos e contrapesos no sistema político estadunidense</span> </strong></h3>
<p>A hostilidade da elite burguesa e das classes médias dos EUA em relação à China tem raízes profundas e racistas. Os quatro anos de Trump no cargo coincidiram com a formação de uma coalizão unida de movimentos populistas e supremacistas brancos de direita conhecidos como Alt-Right. Stephen Bannon, porta-voz deste movimento, é um ex-presidente do site supremacista branco<em> Breitbart News Network</em> e é, sem surpresa, um dos mais ativos ativistas anti-China nos Estados Unidos. A base de apoio da Alt-Right vem da classe média baixa: a maioria são pessoas brancas com renda familiar anual de cerca de 75 mil dólares. Enquanto Bannon e até o próprio Trump gostam de se gabar do apoio que recebem da “classe operária branca”, sua base de apoio principal é, na verdade, a classe média baixa — não o operariado.</p>
<p>O Partido Republicano beneficiou eleitoralmente a criação desse bloco de votação neofascista. A Alt-Right tende a idolatrar grandes personalidades capitalistas e deseja mobilidade ascendente para se juntar à elite. Esse bloco expressa ódio tanto aos líderes políticos e culturais da elite por bloquearem seu caminho para a riqueza, bem como para a classe trabalhadora. Em 1951, o proeminente sociólogo americano C. Wright Mills ofereceu a seguinte caracterização das classes médias dos EUA:</p>
<p style="padding-left: 40px;">Elas estão na retaguarda. No curto prazo, buscarão formas assustadoras de prestígio; a longo prazo, buscarão os caminhos do poder, pois, no final, o prestígio é determinado pelo poder. Enquanto isso, no mercado político (…) as novas classes médias estão à venda; quem parece respeitável o suficiente, forte o suficiente, provavelmente pode comprá-los. Até agora, ninguém fez uma oferta séria (Mills, 1951, p. 353).</p>
<p>O governo Trump deslocou o ressentimento da classe média baixa por sua deterioração econômica para a China. A economia dos EUA nunca se recuperou totalmente da crise hipotecária de 2008, quando a política monetária frouxa permitiu que os grandes capitalistas colhessem enormes lucros enquanto a classe trabalhadora e a classe média baixa sofreram grandes perdas. Esse último grupo, irritado e frustrado com sua situação e precisando de um porta-voz, foi mobilizado por Trump e se tornou sua principal fonte de votos com a ajuda dos supremacistas brancos, do capitalismo racial e de uma Nova Guerra Fria para suprimir totalmente a China como um oponente.</p>
<p>Hoje, a hostilidade contra a China se tornou generalizada em toda a população dos EUA. A impressão de que a China é o arqui-inimigo do mundo livre e a maior ameaça aos Estados Unidos tem sido enfaticamente reforçada pelos principais meios de comunicação e plataformas de internet, enquanto a liberdade de expressão para aqueles que se opõem a essa tendência perigosa tem sido cada vez mais restrita. Qualquer reconhecimento das perspectivas russas e chinesas ou críticas à política externa dos EUA em relação a esses países sofre fortes críticas. A opinião pública nos Estados Unidos se assemelha cada vez mais ao período macartista da década de 1950 e, de certa forma, o clima social tem semelhanças perturbadoras com o da Alemanha no início da década de 1930.</p>
<p>Os que estão alheios à política estadunidense não entendem a real natureza dos controles e equilíbrios e a separação de poderes no sistema político dos EUA. Ao contrário da história das reformas constitucionais europeias que foram geradas por movimentos revolucionários sociais, a Constituição dos EUA, originalmente fundada por um grupo de proprietários (incluindo escravistas), foi projetada desde o início para proteger os direitos dos donos de propriedades privadas contra o que temiam que poderia se tornar uma regra mafiosa. Até hoje, a Constituição permite o desmantelamento da maioria dos direitos sociais e legais burgueses tradicionais.</p>
<p>Medidas como o colégio eleitoral, originalmente implementada para proteger os interesses da exploração de escravos do sul e outros estados rurais menores, foram projetadas para impedir o voto direto do povo para presidente (uma pessoa, um voto). Esse sistema antidemocrático, que é protegido por um processo difícil e oneroso para alterar a Constituição, resultou tanto nas vitórias de Bush Jr. quanto na de Trump para a presidência, apesar de terem recebido menos votos que seus respectivos oponentes. Apesar da eventual extensão dos direitos de voto para negros, mulheres e pessoas sem propriedade, a desoneração dos eleitores continua até hoje. Desde 2021, 19 estados promulgaram um total de 34 leis de supressão de votantes que poderiam limitar os direitos de voto de até 55 milhões de eleitores nesses estados (Eskridge; Barnes, 2022). Enquanto isso, a Suprema Corte não eleita tem o poder de derrubar a legislação de direitos de voto, derrubar ações afirmativas e permitir que organizações religiosas apreciem os direitos civis.</p>
<p>Uma decisão da Suprema Corte de 2010 conhecida como <em>Citizens United</em> retirou os limites das contribuições privadas e corporativas para as eleições, tornando-as uma disputa de força financeira (Vandewalker, 2020). Nas eleições de 2020, os gastos totais para as corridas presidenciais e parlamentares foram de 14 bilhões de dólares (Schwartz, 2020). Há também a competição psicológica-tecnológica: as ferramentas persuasivas baseadas em mídias sociais, economia comportamental e Big Data desempenham um papel enorme na formação dos processos eleitorais. Ao mesmo tempo, essas ferramentas são extremamente caras, ajudando a garantir que a política seja um jogo quase exclusivo para os ricos. Em 2015, a riqueza mediana dos senadores dos EUA ultrapassou 3 milhões de dólares (Kopf, 2018). Este é um governo que dificilmente o povo pode fazer valer mecanismos de pesos e contrapesos.</p>
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<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Estamos condenados à guerra?</strong></span></h3>
<p>Em 2014, Xi Jinping, pouco depois de se tornar o principal líder da China, disse então ao presidente Obama que, “o amplo Oceano Pacífico é vasto o suficiente para abraçar tanto a China quanto os Estados Unidos” (Embaixada da República Popular China nos Estados Unidos, 2014). Rejeitando esse aceno diplomático, a então secretária de Estado Hillary Clinton se gabou em um discurso privado de que os Estados Unidos poderiam chamar o Pacífico de “Mar Americano” e ameaçaram “tocar a China com defesa antimísseis” (Gallo, 2016). Em 2020, o Centro de Pesquisa em Economia e Negócios do Reino Unido (CEBR) previu que a China ultrapassaria os Estados Unidos e se tornaria a maior economia do mundo até 2028, um limiar que assombra a elite estadunidense. A política externa dos EUA e a opinião pública nos últimos anos se fixaram nos preparativos para travar uma guerra quente para conter a China antes que isso possa acontecer. A guerra por procuração na Ucrânia pode ser vista como um prelúdio para essa guerra quente. A mobilização ideológica que prepara para a guerra já está em pleno vapor nos Estados Unidos. As rodas do neofascismo estão girando, e uma nova era do macartismo surgiu. As chamadas políticas democráticas são apenas um disfarce para o governo da elite burguesa; elas não servirão como um mecanismo de frenagem para a máquina de guerra.</p>
<p>Há 140 milhões de pessoas que trabalham e são pobres nos Estados Unidos, e 17 milhões  de crianças passando fome — seis milhões a mais que antes da pandemia (Barnes, 2019. Save the Children, 2021).<sup>.</sup> Embora uma parte dessa classe expresse apoio ideológico à política belicista dos EUA, esse apoio contradiz diretamente seus interesses: o orçamento militar de quase trilhões de dólares vem às custas de fundos para garantir saúde, educação, infraestrutura e outros direitos humanos, bem como combater as mudanças climáticas. Historicamente, grupos progressistas nos Estados Unidos, como os movimentos negros e feministas, têm um forte espírito de luta antiguerra, e líderes como Martin Luther King Jr. e Malcolm X lutaram corajosamente para construir uma onda de resistência à agressão dos EUA no sudeste da Ásia. Infelizmente, hoje, alguns (mas não todos) líderes progressistas nos Estados Unidos não estão dispostos a desafiar a campanha anti-China de Washington ou, pior, até se tornaram apoiadores dela.</p>
<p>Há vozes importantes nos Estados Unidos que se posicionam. No entanto, deve-se notar que os poucos grupos progressistas contrários a uma Nova Guerra Fria foram zombados por supostamente justificarem o genocídio em Xinjiang. O sistema político dos EUA trabalha impiedosamente para marginalizar vozes dessa parte da sociedade.</p>
<p>Embora os Estados Unidos e seus aliados estejam agressivamente buscando a expansão militar global por meio da Otan, a grande maioria do mundo não aceita a sua guerra. Em 2 de março de 2022, a Assembleia Geral da ONU realizou a 11ª sessão especial de emergência, e os países que, juntos, constituem mais da metade da população mundial, votaram contra ou se abstiveram de votar o projeto de resolução intitulado “Agressão contra a Ucrânia”. Enquanto isso, países que representam 85% da população mundial não endossaram as sanções lideradas pelos EUA contra a Rússia (No Cold War, 2022). As tentativas de Washington de intensificar e prolongar a guerra e forçar uma dissociação de Moscou e Pequim levarão a um enorme deslocamento econômico, o que trará reações negativas consideráveis ao governo dos EUA. Mesmo países como a Índia e a Arábia Saudita estão profundamente preocupados com os excessos estadunidenses no congelamento das reservas cambiais russas e no reforço da hegemonia do dólar. Da mesma forma, os presidentes do México, Bolívia, Honduras, El Salvador e Guatemala não compareceram à Cúpula das Américas organizada em Los Angeles em junho de 2022 por causa da exclusão de Cuba, Venezuela e Nicarágua. A resistência ao domínio estadunidense está crescendo na América Latina. Deve-se notar, no entanto, que plataformas internacionais como a ONU não são realmente capazes de impedir os Estados Unidos de travar guerras. Washington se recusa a ser obrigado por qualquer coisa, menos por sua própria ordem internacional baseada em regras.</p>
<p>Nos Estados Unidos, o governo Biden está fornecendo ajuda militar maciça à Ucrânia para criar uma guerra prolongada para enfraquecer a Rússia e, na medida do possível, provocar mudança de regime. Também está se desviando do espírito das três declarações conjuntas sino-americanos e desestabilizando o estreito de Taiwan de várias maneiras. Embora os Estados Unidos tenham grande poder militar, sua força econômica atual, embora imensa, está em um estado perpétuo de declínio e crise.</p>
<p>Como John Ross mostra neste estudo em outro artigo, a supremacia econômica dos EUA está diminuindo e pode ser encerrada pelo rolo compressor econômico chinês. Além disso, Washington, juntamente com seus aliados da Otan, enfrentam múltiplas e profundas dificuldades econômicas e ecológicas. A guerra dirigida pelos EUA vai exacerbar esses problemas e pode condenar a Europa a um crescimento do PIB menor e possivelmente negativo, juntamente com a inflação e o aumento dos gastos militares socialmente inúteis. Os Estados Unidos abandonaram efetivamente qualquer pretensão de uma estratégia séria para enfrentar as mudanças climáticas, sem mencionar que sua busca interminável pela guerra exacerba a catástrofe climática. E, ironicamente, apesar do consenso político interno para a dissociação econômica, as empresas estadunidenses continuam aumentando as encomendas para a China – a dissociação substantiva continua sendo um sonho.</p>
<p>Os Estados Unidos, porém, não entrarão em colapso econômico; o impulso de Washington para a guerra, as sanções e a dissociação econômica continuarão a prejudicar sua própria economia e a colocar em risco a cadeia mundial de fornecimento de alimentos. A consequente instabilidade social global, por sua vez, enfraquecerá ainda mais a economia dos EUA e gerará mais desafios ao seu governo, incluindo a crescente oposição à hegemonia do dólar.</p>
<p>A governança social relativamente estável da China, a forte defesa nacional, a estratégia diplomática de paz e a resistência à sucumbência ao poder dos EUA podem, como disse o conselheiro de Estado chinês Yang Jiechi, permitir que o país prossiga “de uma posição de força” e eventualmente force os Estados Unidos a desistir da ilusão de que poderia entrar em guerra com a China e vencer (BBC News, 2021). É do interesse do Sul Global que a China continue sendo um Estado socialista forte e soberano e que continue a promover políticas alternativas para a governança global, como o conceito de “construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade” e a Iniciativa de Desenvolvimento Global. Deve haver um compromisso imediato de revigorar projetos multilaterais viáveis do Sul Global, como os BRICS e o Movimento dos não-Alinhados, iniciativas em que grande parte do mundo compartilha um interesse comum. A população mundial, a grande maioria das quais está localizada no Sul Global, deve resistir à guerra e pedir a paz. Os Estados Unidos não são o primeiro império a exagerar com sua arrogância, e ele, também, eventualmente verá seu poder chegar ao fim.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Referências bibliográficas</strong></span></h3>
<div class="footnotes">
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</div>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Notas</strong></span></h3>
<div class="footnotes">
<p><a href="#_section_3_ftnref1" name="_section_3_ftn1"><sup>1</sup></a> Este artigo foi originalmente escrito para um público chinês e adaptado e publicado em <em>Guancha</em>, um site de notícias chinês.</p>
<p><a href="#_section_3_ftnref2" name="_section_3_ftn2"><sup>2</sup></a> Do inglês, “liberal hawk”. Termo utilizado para designar liberais que defendem políticas externas intervencionistas e belicistas.</p>
<p><a href="#_section_3_ftnref3" name="_section_3_ftn3"><sup>3</sup></a> Brinkmanship é uma estratégia na qual se força uma situação perigosa até à iminência de um desastre, de forma a alcançar o resultado mais vantajoso. Na política externa e nas estratégias militares pode envolver a ameaça do uso de armas nucleares.</p>
<p><a href="#_section_3_ftnref4" name="_section_3_ftn4"><sup>4</sup></a> Ver também o Caderno do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social “O iPhone e a taxa de exploração”, 22 set. 2019. Disponível em: <a class="footnote-link" href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/o-iphone-e-a-taxa-de-exploracao/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/o-iphone-e-a-taxa-de-exploracao/</a>  e a Carta Semanal 39 de 2019: “Quantos trabalhadores foram explorados para você ter seu celular?”, 29 set. 2019. Disponível em: <a class="footnote-link" href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/carta-semanal-39-2019-quantos-trabalhadores-foram-explorados-para-voce-ter-seu-celular/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/carta-semanal-39-2019-quantos-trabalhadores-foram-explorados-para-voce-ter-seu-celular/</a></p>
<p><a href="#_section_3_ftnref5" name="_section_3_ftn5"><sup>5</sup></a> Ver: Open Secrets: <a class="footnote-link" href="https://www.opensecrets.org/">https://www.opensecrets.org/</a>. Acesso em: 9 ago. 2022</p>
<p><a href="#_section_3_ftnref6" name="_section_3_ftn6"><sup>6</sup></a> Guyer, Jonathan; Grim, Ryan. “Meet the Consulting Firm That’s Staffing the Biden Administration”. <em>The Intercept</em>, 6 jul. 2021. Disponível em: <a class="footnote-link" href="https://theintercept.com/2021/07/06/westexec-biden-administration/">https://theintercept.com/2021/07/06/westexec-biden-administration/</a></p>
</div>
<p> </p>
<p><a name="section_4"></a></p>
<h1 class="mrst_section_title mrst_section_title_4"><span style="color: #ba2025;"><strong>“Notas sobre exterminismo” para os movimentos de ecologia e paz do século 21</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;">John Bellamy Foster</span></h2>
<p> </p>
<p>Em 1980, o grande historiador inglês e teórico marxista E. P. Thompson, autor de <em>A formação da classe operária inglesa</em> e líder do Movimento para o Desarmamento Nuclear Europeu, escreveu o ensaio inovador <em>Notes on Exterminism, the Last Stage of Civilization</em> [Notas sobre o exterminismo, a última etapa da civilização].<a href="#_section_4_ftn1" name="_section_4_ftnref1"><sup>1</sup></a> Embora o mundo tenha sofrido uma série de mudanças significativas desde então, o ensaio de Thompson continua sendo um ponto de partida útil para abordar as contradições centrais de nossos tempos, como a crise ecológica planetária,  a pandemia de Covid-19, a Nova Guerra Fria e o atual “império do caos” — todas decorrentes de características profundamente incorporadas na economia política capitalista contemporânea (Thompson, 1982; Amin, 1992).</p>
<p>Para Thompson, o termo <em>exterminismo</em> não se referia à extinção da vida, uma vez que alguma vida permaneceria mesmo diante de uma troca termonuclear global, mas sim à tendência ao “extermínio de nossa civilização [contemporânea]”, entendida em seu sentido mais universal. No entanto, o exterminismo apontou para a aniquilação em massa e foi definido nessas “características da sociedade — expressas em graus diferentes, dentro de sua economia, política e ideologia — que a impulsiona em uma direção cujo resultado é o extermínio de multidões” (Thompson, 1982, p. 64 e 73). <em>Notas sobre o exterminismo</em> foi escrito oito anos antes do famoso testemunho do climatologista James Hansen, em 1988, sobre o aquecimento global para o Congresso dos EUA e a formação, no mesmo ano, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU. Assim, o tratamento de Thompson ao exterminismo se concentrou diretamente na guerra nuclear e não abordou a outra tendência exterminista emergente da sociedade contemporânea: a crise ecológica planetária. No entanto, sua perspectiva era profundamente socioecológica. A tendência ao exterminismo na sociedade moderna era, portanto, vista como diretamente oposta aos “imperativos da sobrevivência ecológica humana”, exigindo uma luta mundial por um mundo socialmente igualitário e ecologicamente sustentável (Thompson, 1982, p. 75–76).</p>
<p>Com o fim da União Soviética e o fim da Guerra Fria em 1991, a ameaça nuclear que pairava sobre o planeta desde a Segunda Guerra Mundial pareceu diminuir. Como resultado, a maioria das considerações subsequentes à tese do exterminismo de Thompson foram mais aplicadas ao contexto da crise ecológica planetária, também uma fonte de “extermínio de multidões” (Bahro, 1994). No entanto, o advento da Nova Guerra Fria na última década trouxe a ameaça do holocausto nuclear de volta ao centro das preocupações mundiais. A Guerra da Ucrânia de 2022, que tem sua origem no golpe de Maidan projetado pelos EUA em 2014, e a consequente Guerra Civil Ucraniana travada entre Kiev e as repúblicas separatistas da região de Donbass, de língua russa, agora evoluiu para uma guerra em larga escala entre Moscou e Kiev. Isso assumiu um significado mundial sinistro em 27 de fevereiro de 2022, com a Rússia, três dias após sua ofensiva militar na Ucrânia, colocando suas forças nucleares em alerta máximo como um aviso contra uma intervenção direta da Otan na guerra, seja por meios não nucleares ou nucleares.<a href="#_section_4_ftn2" name="_section_4_ftnref2"><sup>2</sup></a> O potencial para uma guerra termonuclear global entre as principais potências é agora maior que em qualquer momento no mundo pós-Guerra Fria.</p>
<p>Portanto, é necessário abordar essas duas tendências exterministas duplas: tanto a crise ecológica planetária (incluindo não apenas a mudança climática, mas também o cruzamento das oito outras fronteiras planetárias chave que os cientistas definem como essenciais para a capacidade da Terra de ser um lar seguro para a humanidade) e a crescente ameaça da aniquilação nuclear global. Ao abordar as interconexões dialéticas entre essas duas ameaças existenciais globais, deve-se dar ênfase à atualização da compreensão histórica do impulso ao exterminismo nuclear na forma como se metamorfoseou durante as décadas de poder unipolar dos EUA, enquanto a atenção do mundo era direcionada para outros lugares. Como a ameaça da guerra termonuclear global está novamente pairando sobre o mundo, três décadas após o fim da Guerra Fria e em um momento em que o risco de mudanças climáticas irreversíveis paira no horizonte? Quais abordagens precisam ser adotadas dentro dos movimentos pacifistas e ambientalistas para combater essas ameaças existenciais globais inter-relacionadas? Para responder a essas perguntas, é importante abordar questões como a controvérsia acerca do inverno nuclear, a doutrina da contraforça e a busca dos EUA pela supremacia nuclear global. Só assim podemos perceber todas as dimensões das ameaças existenciais globais impostas pelo “capitalismo catástrofe” de hoje.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Inverno nuclear</strong></span></h3>
<p>Em 1983, equipes de cientistas atmosféricos dos Estados Unidos e da União Soviética produziram modelos que apareceram nas principais revistas científicas prevendo que uma guerra nuclear levaria ao chamado “inverno nuclear”. Isso ocorreu em meio ao acúmulo nuclear do governo Ronald Reagan, associado à Iniciativa Estratégica de Defesa (mais conhecida como Star Wars) e à crescente ameaça de um Armagedom nuclear. Descobriu-se que o resultado de uma ofensiva termonuclear global resultaria em mega incêndios em 100 ou mais cidades, reduzindo enormemente a temperatura média da Terra, uma vez que a fuligem e a fumaça seriam empurradas para a atmosfera, bloqueando a radiação solar. O clima seria alterado muito mais abruptamente e na direção oposta do aquecimento global, introduzindo um rápido resfriamento que faria as temperaturas caírem vários graus ou mesmo “várias dezenas de graus” Celsius em todo o mundo (ou pelo menos em todo o hemisfério) em questão de um mês, com consequências horríveis para a vida na Terra. Assim, embora centenas de milhões de pessoas – talvez um bilhão ou mais – fossem mortas pelos <em>efeitos diretos</em> de uma troca termonuclear global, os <em>efeitos indiretos</em> seriam muito piores, aniquilando a maioria das pessoas no planeta por fome – inclusive aquelas não atingidas pelos efeitos diretos das bombas nucleares. A tese do inverno nuclear teve um efeito poderoso sobre a corrida armamentista nuclear que ocorria na época e contribuiu para que os governos dos EUA e da União Soviética recuassem ao se depararem com o abismo (Schneider, 1988. Francis, 2017. Sagan, Turco, 1990).</p>
<p>No entanto, a elite do poder nos Estados Unidos viu a tese do inverno nuclear como um ataque direto à indústria de armamentos nucleares e ao Pentágono, visando o programa Star Wars em particular. Isso levou a uma das maiores controvérsias científicas de todos os tempos; apesar de que tal controvérsia era mais política, uma vez que cientificamente nunca tenha havido realmente dúvida. Embora tenham sido feitas alegações de que os modelos iniciais do inverno nuclear dos cientistas da NASA eram muito simples e que estudos foram produzidos apontando efeitos menos extremos do que o originalmente imaginado — um “outono nuclear” — a tese do inverno nuclear foi validada repetidamente por modelos científicos (Browne, 1990).</p>
<p>Todavia, se a resposta inicial dos líderes políticos aos estudos sobre o inverno nuclear ajudou a criar um forte movimento para desmantelar as armas nucleares, contribuindo para seu controle e o fim da Guerra Fria, isso foi logo combatido por poderosos interesses militares, políticos e econômicos por trás da máquina de guerra nuclear dos EUA. Assim, a mídia corporativa, juntamente com as forças políticas, lançou várias campanhas destinadas a desacreditar a tese do inverno nuclear (Starr, 2016-17). Em 2000, a popular revista científica <em>Discover</em> chegou ao ponto de listá-lo como um de seus “20 maiores erros científicos dos últimos 20 anos”. Entretanto, o máximo que a <em>Discover</em> poderia alegar era que os principais cientistas por trás do estudo mais influente sobre o tema na década de 1980 haviam recuado em 1990, alegando que a redução média da temperatura resultante de uma troca nuclear global foi estimada como um pouco menor do que originalmente concebida e constituiria no máximo uma queda de 20°C <em>na temperatura média no Hemisfério Norte. Essa estimativa atualizada, no entanto, permaneceu apocalíptica em um nível planetário. </em></p>
<p>Em um dos maiores casos de negacionismo na história da ciência, superando até mesmo aquele em relação às mudanças climáticas, a esfera pública e os militares rejeitaram amplamente essas descobertas científicas com base na acusação de que a estimativa original havia sido de forma “exagerada”. Tal acusação tem sido usada nos círculos dominantes há décadas para minimizar os efeitos de uma guerra nuclear. No caso do capitalismo do Pentágono, tal negação foi claramente motivada pela realidade de que, se os resultados científicos sobre o inverno nuclear fossem mantidos, o planejamento estratégico acerca de uma guerra nuclear “vencível” – ou pelo menos uma em que um lado “prevaleceria” – deixaria de ter sentido. Uma vez considerados os efeitos atmosféricos, a devastação não pode se limitar a um determinado teatro nuclear; efeitos inimagináveis dentro de vários anos destruiriam tudo, exceto uma pequena fração da população da Terra, indo além do que foi imaginado pela Destruição Mútua Assegurada (em inglês, Mutual Assured Destruction, cuja sigla, MAD, forma a palavra “louco”).</p>
<p>Os efeitos catastróficos da guerra nuclear sempre foram minimizados pelos planejadores nucleares. Como Daniel Ellsberg aponta em <em>The Doomsday Machine</em>, o número estimado de mortes em uma guerra nuclear total fornecido pelos analistas estratégicos estadunidenses foi “fantasticamente subestimado” desde o início, “mesmo antes da descoberta do inverno nuclear”, uma vez que eles deliberadamente omitiram os incêndios resultantes de explosões nucleares em cidades — o maior impacto sobre a população urbana global — sob a alegação questionável de que o nível de devastação era muito difícil de estimar.<a href="#_section_4_ftn3" name="_section_4_ftnref3"><sup>3</sup></a> Como Ellsberg (2017) escreve:</p>
<p style="padding-left: 40px;">No entanto, mesmo nos anos 1960 os incêndios causados por armas termonucleares eram conhecidos por presumivelmente causar a <em>maior</em> produção de fatalidades em uma guerra nuclear (…) Além disso, o que ninguém reconheceria… [até que os primeiros estudos sobre o inverno nuclear surgiram cerca de 21 anos após a Crise dos Mísseis Cubanos] eram os efeitos indiretos do nosso primeiro ataque planejado, que ameaçava gravemente os outros dois terços da humanidade. Esses efeitos surgiram de outra consequência negligenciada de nossos ataques às cidades: fumaça. Ao ignorar o fogo, os Chefes [do Estado Maior] e seus planejadores ignoraram o fato de que onde há fogo há fumaça. Mas o perigoso para a nossa sobrevivência não é a fumaça de incêndios comuns, mesmo os muito grandes – fumaça que permanece na atmosfera inferior e logo é dispersada pela chuva – mas a fumaça propagada para a atmosfera superior que os incêndios que nossas armas nucleares certamente produziriam nas cidades alvejadas.</p>
<p style="padding-left: 40px;">Correntes ferozes dessas múltiplas tempestades de fogo levantariam milhões de toneladas de fumaça e fuligem na estratosfera, que não seriam dispersas pela chuva e rapidamente cercariam o globo, formando um cobertor que bloquearia a maior parte da luz solar ao redor da Terra por uma década ou mais. Isso reduziria a luz solar e as temperaturas em todo o mundo a um ponto em que destruiria as plantações e mataria de fome — não todos, mas quase todos — seres humanos (e outros animais que dependem da vegetação para comer). A população do Hemisfério Sul — poupada de quase todos os efeitos diretos de explosões nucleares, inclusive de precipitações radioativas — seria quase aniquilada, assim como a da Eurásia (a partir de efeitos diretos, como previsto), África e América do Norte (Ellsberg, 2017, p. 141-42).</p>
<p>Pior do que a reação original contra a tese do inverno nuclear, de acordo com escritos de Ellsberg de 2017, foi o fato de que, ao longo das décadas seguintes, planejadores nucleares nos Estados Unidos e na Rússia “continuaram a incluir ‘opções’ para detonar centenas de explosões nucleares perto de cidades, o que levantaria fuligem e fumaça suficientes na estratosfera para levar [via inverno nuclear] à morte pela fome quase todos na Terra,  incluindo, afinal, nós mesmos” (Ellsberg, 2017, p.142).</p>
<p>O negacionismo embutido na máquina do fim do mundo (o impulso para o exterminismo entrincheirado no capitalismo do Pentágono) é ainda mais significativo dado que não apenas os estudos originais sobre o inverno nuclear nunca foram refutados, mas aqueles produzidos no século 21, baseados em modelos de computador mais sofisticados que os do início da década de 1980, passaram a mostrar que o inverno nuclear pode ser desencadeado em níveis mais baixos de troca nuclear do que os previstos nos modelos originais (Toon, Robrock, Turco, 2008. Robock, Toon, 2009). A importância desses novos estudos é simbolizada pelo fato de que a revista <em>Discover</em>, em 2007 — apenas sete anos depois de ter incluído o inverno nuclear em sua lista dos vinte “maiores erros científicos” das duas décadas anteriores – trazia um artigo intitulado “O retorno do inverno nuclear”, essencialmente repudiando seu artigo anterior (Saarman, 2007).</p>
<p>Os estudos mais recentes, motivados em parte pela proliferação nuclear, demonstraram que uma hipotética guerra nuclear entre a Índia e o Paquistão travada com 100 bombas atômicas do tamanho de Hiroshima poderia produzir mortes diretas comparáveis a todas as fatalidades da Segunda Guerra Mundial, além das resultantes da fome global a longo prazo. As explosões atômicas imediatamente provocariam incêndios de três a cinco milhas quadradas. Cidades em chamas liberariam cerca de cinco milhões de toneladas de fumaça na estratosfera, cercando a Terra em duas semanas, que não seriam dispersa por chuvas e permaneceriam por mais de uma década. Ao bloquear a luz solar, a produção global de alimentos se reduziria em 20 a 40%. A camada estratosférica de fumaça absorveria a luz solar aquecida, aquecendo a fumaça a temperaturas próximas ao ponto de ebulição da água, resultando em uma redução da camada de ozônio de 20 a 50% perto de áreas povoadas e gerando aumentos de raios UVB sem precedentes na história humana, de tal forma que indivíduos de pele clara poderiam ter queimaduras solares graves em cerca de seis minutos e os níveis de câncer de pele sairiam do controle. Enquanto isso, estima-se que até 2 bilhões de pessoas morreriam de fome (Starr, 2016-17. Robock, Oman, Stenchikov, 2007).</p>
<p>A nova série de estudos sobre o inverno nuclear, publicada nas principais revistas científicas e revisada por pares de 2007 até o presente, não para por aí. Esses estudos também analisaram o que aconteceria se houvesse uma troca termonuclear global envolvendo as cinco principais potências nucleares: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. Só os dois primeiros, que representam a maior parte do arsenal nuclear mundial, têm milhares de armas nucleares com um poder explosivo que varia de sete a oitenta vezes a bomba de Hiroshima (embora algumas delas desenvolvidas nos anos 1950-1960 e que foram descontinuadas chegaram a ser mil vezes mais poderosas que a bomba atômica). Uma única arma nuclear estratégica atingindo uma cidade provocaria um incêndio cobrindo uma área de 90 a 152 milhas quadradas. Os cientistas calcularam que os incêndios de uma troca termonuclear global em larga escala lançaria na estratosfera de 150 a 180 milhões de toneladas de fuligem de carbono negro e fumaça que permaneceriam por 20 a 30 anos e impediriam que até 70% da energia solar chegasse ao Hemisfério Norte e até 35% ao Hemisfério Sul. O sol do meio-dia acabaria parecendo uma lua cheia à meia-noite. As temperaturas médias globais ficariam abaixo de zero todos os dias por um ou dois anos, ou até mais nas principais regiões agrícolas do Hemisfério Norte. As temperaturas médias cairiam abaixo das experimentadas na última Era Glacial. A época de crescimento dos cultivos nas áreas agrícolas desapareceria por mais de uma década, enquanto as chuvas diminuiriam em até 90%. A maioria da população humana morreria de fome (Starr, 2016-17. Robock, Oman, Stenchikov, 2007. Coupe et al., 2019. Robock, Toon, 2012. Starr, 2015).</p>
<p>Em seu livro <em> Sobre a </em><em>guerra</em> <em>termonuclear</em>, o físico da RAND Corporation Herman Kahn apresentou a noção da “máquina do juízo final”, que mataria todos na Terra em caso de uma guerra nuclear (Kahn, 2007). Kahn não defendia a construção de tal máquina, nem afirmava que os Estados Unidos ou a União Soviética a haviam feito ou estavam procurando construí-la. Ele apenas sugeriu que um mecanismo que garantisse não haver nenhuma forma de sobreviver da guerra nuclear seria uma alternativa barata para alcançar uma dissuasão completa e irrevogável de todos os lados para tirar a guerra nuclear da mesa. Como Ellsberg, ele também um ex-estrategista nuclear, tem afirmado desde então — em linha com Carl Sagan e Richard Turco, que ajudaram a desenvolver o modelo de inverno nuclear — os arsenais estratégicos de hoje nas mãos das potências nucleares dominantes, se detonadas, constituem uma máquina real do juízo final. Uma vez posta em movimento, a máquina do juízo final quase certamente aniquilaria direta ou indiretamente a maior parte da população do planeta (Ellsberg, 2017. Sagan, Turco, 1990).<a href="#_section_4_ftn4" name="_section_4_ftnref4"><sup>4</sup></a></p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Contraforça e os EUA</strong><strong>: desejo pela primazia nuclear</strong></span></h3>
<p>Desde a década de 1960, quando Moscou alcançou uma dura paridade nuclear com Washington, até o fim da União Soviética, a estratégia nuclear dominante durante a Guerra Fria foi baseada na noção de Destruição Mútua Assegurada (MAD). Esse princípio, que se refere à possibilidade de devastação total de ambos os lados, incluindo a morte de centenas de milhões de pessoas, efetivamente se traduz em paridade nuclear. No entanto, como os estudos sobre o inverno nuclear indicam, as consequências de uma guerra nuclear seriam muito além disso, estendendo-se à destruição de quase toda a vida humana (assim como a maioria das outras espécies) em todo o planeta. Ainda assim, ignorando os alertas de inverno nuclear, os Estados Unidos, com muito mais recursos que a União Soviética, procuraram transcender a MAD na direção da “primazia nuclear”, de modo a restaurar o nível de preeminência nuclear dos EUA nos primeiros anos da Guerra Fria. <em>A primazia</em> nuclear, em oposição à <em>paridade</em> nuclear, significa “eliminar a possibilidade de um ataque retaliatório” e, portanto, também é referida como “capacidade de primeiro ataque” (Lieber, Press, 2006, p. 44). A esse respeito, é significativo que a postura oficial de defesa de Washington tenha consistentemente incluído a possibilidade de realizar um primeiro ataque nuclear contra Estados nucleares ou não nucleares.</p>
<p>Além de introduzir o conceito de máquina do juízo final, Kahn, como um dos principais planejadores estratégicos dos EUA, também cunhou os termos-chave <em>contravalor e</em>  <em>contraforça </em>(Sagan, Turco, 1990).<em> O contravalor </em>se refere a atingir cidades, população civil e economia de um inimigo e tem como objetivo a aniquilação completa, levando assim ao MAD. <em>A contraforça</em>, em contraste, se refere a atacar as instalações de armas nucleares do inimigo para evitar retaliações.</p>
<p>Quando a estratégia de contraforça foi originalmente introduzida por Robert McNamara, o secretário de defesa dos EUA na administração de John F. Kennedy, foi visto como uma estratégia “sem cidades” que atacaria as armas nucleares do oponente em vez de populações civis, e tem sido justificada falaciosamente nesses termos desde então. McNamara, no entanto, logo percebeu as falhas na estratégia de contraforça, nomeadamente, que ela provoca uma corrida armamentista nuclear direcionada a alcançar (ou negar) a primazia nuclear. Além disso, a ideia de que um ataque de contraforça “preventivo” não envolvia ataques às cidades estava incorreta desde o princípio, já que os alvos incluíam centros de comando nuclear nas cidades. Ele, portanto, abandonou o esforço pouco depois em favor de uma estratégia nuclear baseada no MAD, que ele via como a única abordagem verdadeira para a dissuasão nuclear (Correll, 2005; Ellsberg, 2017).</p>
<p>Essa estratégia nuclear dos EUA prevaleceu durante a maior parte das décadas de 1960 e 1970 e foi caracterizada pela aceitação da paridade nuclear áspera com a União Soviética e, portanto, da possível realidade do MAD. No entanto, isso se quebrou no último ano da administração Jimmy Carter. Em 1979, Washington armou fortemente a Otan para permitir que o cruzeiro nuclear e os mísseis Pershing II, ambos contraforças destinadas ao arsenal nuclear soviético, fossem colocados na Europa, uma decisão que incendiou o movimento antinuclear europeu (Magdoff, Sweezy, 1981. Barnet, 1984). Na subsequente administração dos EUA sob Ronald Reagan, Washington adotou em pleno vigor a estratégia de contraforça (Correll, 2005). A administração Reagan introduziu o Star Wars, com o objetivo de desenvolver um sistema abrangente de mísseis antibalísticos capazes de defender os EUA. Embora isso tenha sido posteriormente abandonado como impraticável, levou a outros sistemas de mísseis antibalísticos em administrações posteriores (Pifer, 2015). Além disso, sob a administração Reagan, os Estados Unidos empurraram o míssil MX (que mais tarde ficou conhecido como Pacificador), visto como uma arma de contraforça capaz de destruir mísseis soviéticos antes de serem lançados. Todas essas armas ameaçaram a “decapitação” das forças soviéticas em um primeiro ataque, bem como a capacidade de interceptação através de sistemas de mísseis antibalísticos ao qual poucos mísseis soviéticos sobreviveriam (Roberts, 2020. Correll, 2005). As armas de contraforça exigiam maior precisão, uma vez que não eram mais concebidas como destruidoras de cidades como em ataques de contravalor, mas sim como arma de precisão contra silos de mísseis endurecidos, mísseis terrestres móveis, submarinos nucleares e centros de comando e controle. Foi aqui, em armas de contraforça, que os Estados Unidos tinham uma vantagem tecnológica.</p>
<p>Esse grande acúmulo de armas nucleares, iniciado a partir de 1979 com a implantação planejada na Europa de sistemas de entrega de mísseis transportando ogivas nucleares, gerou grandes protestos contra a guerra nuclear dos anos 1980 na Europa e na América do Norte, bem como a crítica de Thompson ao exterminismo e à pesquisa científica sobre o inverno nuclear. No entanto, hoje, “a contraforça continua a ser o princípio sacrossanto da estratégia nuclear estadunidense”, voltado para a primazia nuclear, nas palavras de Janne Nolan, da Associação de Controle de Armas (Nolan apud Correll, 2005).</p>
<p>Com a dissolução da União Soviética em 1991 e o fim da Guerra Fria, Washington imediatamente iniciou o processo de traduzir sua nova posição unipolar em uma visão de supremacia permanente dos EUA em todo o mundo, começando com a <em>Orientação da Política de Defesa</em> de fevereiro de 1992, emitida pelo então subsecretário de Defesa Paul Wolfowitz. Isso deveria ser decretado através de uma expansão geopolítica das áreas de domínio ocidental para regiões anteriormente pertencentes à União Soviética ou em sua esfera de influência, a fim de impedir o ressurgimento da Rússia como uma grande potência. Ao mesmo tempo, em um clima de desarmamento nuclear e com a deterioração da força nuclear russa sob Boris Yeltsin, os Estados Unidos procuraram “modernizar” suas armas nucleares, substituindo-as por armamentos estratégicos tecnologicamente mais avançados com o objetivo não de aumentar a dissuasão, mas sim de alcançar a primazia nuclear.</p>
<p>A busca dos EUA pela primazia nuclear no mundo pós-Guerra Fria, continuando a promover armas de contraforça, era conhecida como a estratégia “maximalista” nos debates sobre política nuclear na época e foi contraposta por aqueles que defendiam uma estratégia “minimalista” que dependia do MAD. No final, os maximalistas venceram e a Nova Ordem Mundial passou a ser definida tanto pelo alargamento da Otan, com a Ucrânia vista como o pivô geopolítico e estratégico final, quanto pela busca dos EUA por um objetivo maximalista de domínio nuclear absoluto e capacidade de primeiro ataque (Paulsen, 1994. Mazarr, 1992. Brzezinski, 1997).</p>
<p>Em 2006, Keir A. Lieber e Daryl G. Press publicaram o artigo <em>The Rise of U.S. Nuclear Primacy</em> [A ascensão da primazia nuclear dos EUA], na <em>Foreign Affairs</em>, a principal revista de Relações Exteriores. Em seu artigo, Lieber e Press argumentaram que os Estados Unidos estavam “à beira de alcançar a primazia nuclear”, ou capacidade de primeiro ataque, e que este tinha sido seu objetivo desde pelo menos o fim da Guerra Fria. “O peso das evidências sugere que Washington está, de fato, deliberadamente buscando primazia nuclear”, afirmam (Lieber, Press, 2006, p. 43, 50).</p>
<p>O que colocou essa capacidade de primeiro ataque aparentemente ao alcance de Washington foram os novos armamentos nucleares associados à modernização nuclear que, aliás, acelerou após a Guerra Fria. Cruzeiros armados com mísseis nucleares, submarinos nucleares capazes de disparar seus mísseis perto da costa e bombardeiros B-52 furtivos, que carregam mísseis de cruzeiro com armas nucleares e bombas de gravidade nuclear, poderiam penetrar mais efetivamente nas defesas russas ou chinesas. Mísseis balísticos intercontinentais mais precisos poderiam eliminar totalmente silos de mísseis endurecidos. Uma melhor vigilância poderia permitir o rastreamento e destruição de mísseis terrestres móveis e submarinos nucleares. Enquanto isso, os mísseis Trident II D-5, mais precisos, que estavam sendo introduzidos em submarinos nucleares dos EUA, carregavam ogivas de maior rendimento para usar em silos endurecidos. Tecnologia de sensoriamento remoto mais avançada, a qual os Estados Unidos tiveram a liderança, aumentou consideravelmente sua capacidade de detectar mísseis terrestres móveis e submarinos nucleares. A capacidade de atingir os satélites de outras potências nucleares poderia enfraquecer ou eliminar a capacidade de usar mísseis nucleares (Lieber, Press, 2006, p. 45).</p>
<p>A localização de armas estratégicas em países recentemente admitidos na Otan e perto ou nas fronteiras russas serviria para aumentar a velocidade com que as armas nucleares poderiam atingir Moscou e outros alvos russos, não dando ao Kremlin tempo de reação. As instalações de defesa de mísseis balísticos Aegis, que os Estados Unidos estabeleceram na Polônia e na Romênia, também são potenciais armas ofensivas capazes de lançar mísseis de cruzeiro Tomahawk com armas nucleares (Detsch, 2022. Baud, 2022. Starr, 2016-17).<a href="#_section_4_ftn5" name="_section_4_ftnref5"><sup>5</sup></a> Instalações de defesa de mísseis nucleares, principalmente úteis no caso de combater uma retaliação a um primeiro ataque dos Estados Unidos, poderiam derrubar um número limitado de mísseis que sobreviveram e foram lançados do outro lado, mas esses sistemas de mísseis antibalísticos seriam ineficazes diante de um primeiro ataque, uma vez que seriam sobrecarregados pelo grande número de mísseis e iscas. Além disso, nas últimas décadas, os Estados Unidos desenvolveram um grande número de armas aeroespaciais não nucleares de alta precisão para<em> s</em>erem usadas em um ataque de contraforça direcionado a mísseis inimigos ou instalações de comando e controle que são comparáveis às armas nucleares em seus efeitos devido à precisão de alvos baseados em satélites.</p>
<p>De acordo com Lieber e Press, em 2006, “as chances de Pequim adquirir uma dissuasão nuclear sobrevivente na próxima década são pequenas”, e a sobrevivência da dissuasão russa estava em questão diante de um grande primeiro ataque dos EUA. “O que nossa análise sugere é profundo: os líderes da Rússia não podem mais contar com um sistema de dissuasão nuclear sobrevivente”. Como eles escreveram, os Estados Unidos estavam “buscando primazia em todas as dimensões da tecnologia militar moderna, tanto em seu arsenal convencional quanto em suas forças nucleares”, algo conhecido como “domínio da escalada” (Lieber, Press, 2006, 2017).<a href="#_section_4_ftn6" name="_section_4_ftnref6"><sup>6</sup></a></p>
<p>A assinatura do Novo Tratado Estratégico de Redução de Armas ou Novo START (na sigla em inglês) entre os Estados Unidos e a Rússia, em 2010, ao mesmo tempo que limitou as armas nucleares, não impediu uma corrida para a modernização das armas de contraforça que permitiriam que um lado destruísse os armamentos do outro. Limitar o número de armas nucleares permitidas tornou mais viável o fortalecimento de uma estratégia de contraforça; nessa área, os Estados Unidos tinham a vantagem, uma vez que uma das três bases primárias para a sobrevivência de um arsenal de retaliação nuclear (juntamente com o endurecimento de locais de mísseis terrestres e ocultação) é o número absoluto e, portanto, a redundância de tais armas (Lieber, Press, 2017). Com a primazia nuclear como meta estabelecida em Washington, os Estados Unidos começaram unilateralmente a se retirar de alguns dos principais tratados nucleares estabelecidos na Guerra Fria. Em 2002, sob a administração George W. Bush, os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do Tratado de Mísseis Antibalísticos. Em 2019, sob o governo Donald Trump, Washington retirou-se do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, alegando que a Rússia o havia violado. Em 2020, ainda sob Trump, os Estados Unidos se retiraram do Tratado de Céu Aberto (que impôs limites aos voos de reconhecimento sobre outros países); a isso se seguiu a retirada da Rússia em 2021. Há pouca dúvida de que a saída desses tratados foi favorável a Washington, permitindo ao país expandir suas opções de contraforça em sua busca pela primazia nuclear.</p>
<p>Dada a busca dos EUA pelo domínio nuclear global, a Rússia tentou modernizar seus sistemas de armas nucleares nas últimas duas décadas, embora esteja em uma desvantagem distinta em termos de capacidade de contraforça. Sua estratégia nuclear fundamental é, portanto, determinada por temores de um primeiro ataque dos EUA que poderia efetivamente eliminar seu sistema de dissuasão nuclear e sua capacidade de retaliação. Assim, tem se esforçado para restabelecer uma dissuasão plausível. Como Cynthia Roberts, do Instituto Saltzman de Guerra e Paz da Universidade de Columbia, escreveu em <em>Revelações sobre a </em><em>política de dissuasão nuclear da Rússia</em>, em 2020, os russos percebem mais melhorias dos EUA para as forças estratégicas convencionais e nucleares como parte de um esforço contínuo para “perseguir a dissuasão nuclear russa e negar a Moscou uma opção viável de segundo ataque”, eliminando efetivamente sua dissuasão por meio da “decapitação” (Roberts, 2020. Sankaran, 2022). Embora os Estados Unidos tenha adotado uma postura máxima de “defesa” nuclear de ameaçar o “primeiro uso nuclear e a escalada em fases”, em que mantém o domínio em todos os níveis da escalada, isso se compara à abordagem russa de “guerra total se a dissuasão falhar” enquanto continua a depender principalmente do MAD (Arbatov, 2016. Roberts, 2015).</p>
<p>No entanto, nos últimos anos, a Rússia e a China avançaram em tecnologia e sistemas estratégicos de armas. A fim de combater as tentativas de Washington de desenvolver a capacidade de primeiro ataque e neutralizar seus impedimentos nucleares, tanto Moscou quanto Pequim recorreram a sistemas de armas estratégicas assimétricas projetadas para combater a superioridade dos EUA na defesa antimísseis e na mira de alta precisão. Mísseis balísticos intercontinentais são vulneráveis porque, embora atinjam velocidades hipersônicas — geralmente definidas como Mach 5, ou cinco vezes a velocidade do som ou mais — quando entram novamente na atmosfera seguem um arco que constitui um caminho balístico previsível, como uma bala. Portanto, não há surpresa; seus alvos são previsíveis, e podem teoricamente ser interceptados por mísseis antibalísticos. Silos de mísseis endurecidos, que abrigam mísseis balísticos intercontinentais, também são alvos distintos e hoje são muito mais vulneráveis, tanto a mísseis nucleares como a não nucleares estadunidenses de alta precisão, guiados por satélite. Confrontadas com essas ameaças de contraforça aos seus impedimentos básicos, a Rússia e a China avançaram em relação aos Estados Unidos no desenvolvimento de mísseis hipersônicos com manobras aerodinâmicas, a fim de evitar mísseis de defesa e impedir que o adversário saiba o alvo final pretendido. A Rússia desenvolveu um míssil hipersônico chamado Kinzhal, que tem fama de alcançar Mach 10 ou mais por conta própria, e outra arma hipersônica, a Avangard, que, impulsionada por um foguete, pode atingir a velocidade surpreendente de Mach 27. A China tem um míssil de cruzeiro hipersônico “waverider” que atinge Mach 6. Emprestado do folclore chinês, seu nome se refere a uma “maçã assassina”, uma arma eficaz contra um adversário muito mais bem armado (Stone, 2020. Brito et al., 2002). A Rússia e a China, por sua vez, vêm desenvolvendo armas antisatélites “contraespaço” projetadas para remover a vantagem dos EUA de armas nucleares e não nucleares de alta precisão (Sankaran, 2022).<a href="#_section_4_ftn7" name="_section_4_ftnref7"><sup>7</sup></a></p>
<p>A chamada primazia nuclear permaneceu um pouco além do alcance de Washington, dada a proeza tecnológica das outras potências nucleares líderes. Além disso, uma corrida armamentista nuclear, estimulada por uma estratégia de contraforça, é fundamentalmente irracional, ameaçando uma conflagração termonuclear global com consequências muito maiores do que aquelas imaginadas pelo cenário MAD, com suas centenas de milhões de mortes de ambos os lados. O inverno nuclear significa que, em uma guerra nuclear global, <em>todo o planeta</em> seria engolido pela fumaça e fuligem, que engoliria a estratosfera, matando quase toda a humanidade.</p>
<p>Dada essa realidade, a postura nuclear dos EUA, que se baseia na noção de vencer em uma guerra nuclear total, é particularmente perigosa, uma vez que nega o papel dos incêndios nas cidades e, assim, os efeitos da fumaça que se levantaria na atmosfera superior e apagaria a maioria dos raios solares. A busca pela primazia nuclear, portanto, nos leva da MAD à loucura (Johnstone, 2017). Como Ellsberg (2017) escreve:</p>
<p style="padding-left: 40px;">A esperança de evitar com êxito a aniquilação mútua por um ataque decapitador sempre foi tão mal fundamentada quanto qualquer outra. A conclusão realista seria que uma troca nuclear entre os Estados Unidos e os soviéticos [russos] era — e é — virtualmente certa de ser uma catástrofe absoluta, não apenas para ambos, mas para o mundo. … [Os formuladores de políticas] optaram por agir como se acreditassem (e talvez realmente acreditassem) que tal ameaça não é o que é: uma prontidão para desencadear o onicídio global.<a href="#_section_4_ftn8" name="_section_4_ftnref8"><sup>8</sup></a></p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>A Nova Guerra Fria e o teatro europeu</strong></span></h3>
<p>Em <em>Notas sobre exterminismo</em> e sua posição geral como líder do Movimento para o Desarmamento Nuclear Europeu na década de 1980, Thompson argumentou que o acúmulo de armas nucleares na Europa ocorrido na época era um produto de máquinas militares e imperativos tecnológicos “tendo lugar independentemente da flutuação da diplomacia internacional, embora seja dado um impulso ascendente a cada crise ou a cada inovação por parte do ‘inimigo’” (Thompson, 1992). Seu argumento era parte de uma estratégia para unir os movimentos pacifistas do Ocidente e do Oriente contra os respectivos <em>establishments</em>, com base na premissa de que o acúmulo nuclear era igualmente um produto de ambos os lados. No entanto, a esse respeito, ele desmentiu suas próprias evidências, que apontavam para o agressivo acúmulo nuclear de armas de contraforça de Washington e a colocação de armas estratégicas na Europa visando a União Soviética. Em um artigo intitulado <em>Nuclear Chicken</em> na edição de setembro de 1982 da Monthly Review, Harry Magdoff e Paul M. Sweezy desafiaram essa parte do argumento de Thompson, apontando não apenas para as expansões estratégicas da Otan sob os Estados Unidos, mas também para o fato de que a ordem imperial dos EUA era fortemente dependente de ameaças críveis de primeiros ataques direcionados a outros países, tanto nucleares quanto não nucleares (Magdoff, Sweezy, 1981).</p>
<p>Em uma introdução de 1981 à edição americana de <em>Protest and Survive</em> editada por Thompson e Dan Smith, Ellsberg listou uma longa série de casos documentados, a partir de 1949, nos quais os Estados Unidos ameaçaram ataques nucleares para pressionar outros países (nucleares e não nucleares) a recuar para alcançar seus fins imperiais (Ellsberg, 1981). Somente entre 1945 e 1996, foram documentados 25 casos de ameaças nucleares, embora outros tenham ocorrido desde então (Ellsberg, 2017). Nesse sentido, o uso da guerra nuclear como ameaça é incorporado à estratégia dos EUA. O desenvolvimento da primazia nuclear através de armas de contraforça sustentou a possibilidade de que tais ameaças pudessem ser novamente dirigidas com credibilidade até mesmo para grandes potências nucleares, como a Rússia e a China. Magdoff e Sweezy chamaram toda essa abordagem de “frango nuclear”, no qual os Estados Unidos eram o jogador mais agressivo.</p>
<p>O “Frango nuclear” não pôs fim à Guerra Fria. O Estado de segurança nacional dos EUA, influenciado por figuras-chave como Zbigniew Brzezinski, conselheiro de segurança nacional de Carter e um dos principais arquitetos da expansão pós-Guerra Fria da Otan, continuou a buscar a hegemonia geopolítica final dos EUA sobre a Eurásia, que ele chamou de “grande tabuleiro de xadrez”. Xeque-mate, segundo Brzezinski, constituiria trazer a Ucrânia para a Otan como uma aliança nuclear estratégica (embora Brzezinski tenha cuidadosamente excluído o aspecto nuclear ao apresentar sua estratégia geopolítica), soletrando o fim da Rússia como uma grande potência e possivelmente levando ao seu rompimento em vários Estados, marcando assim a supremacia dos EUA sobre todo o mundo (Brzezinski, 1997). Essa tentativa de transformar o poder unipolar dos EUA após a Guerra Fria em um império global permanente exigiu a expansão da Otan para o leste, que começou em 1997 durante o governo Bill Clinton, gradualmente anexando à Aliança Atlântica praticamente todos os países entre a Europa Ocidental e a Ucrânia, com este último como o prêmio final e uma adaga no coração da Rússia (The Editors, 2022). Aqui, havia uma espécie de unidade exibida entre a estratégia dirigida pelos EUA de expandir a Otan e o desejo de Washington por primazia nuclear, que foi posta em prática quase à risca.</p>
<p>O fato de a Rússia ter sido obrigada a considerar a questão de sua própria segurança nacional diante da tentativa da Otan de expandir militarmente para a Ucrânia dificilmente deve surpreender alguém. Uma década após a expansão da Otan, que já englobava onze nações que antes estavam no Pacto de Varsóvia ou em parte da União Soviética, e apenas um ano depois da primazia nuclear dos EUA quase ter sido destacada na <em>Foreign Affairs</em>, o presidente russo Vladimir Putin assustou o mundo ao declarar inequivocamente na Conferência de Segurança de Munique de 2007 que “o modelo unipolar não é apenas inaceitável, mas impossível no mundo de hoje” (Johnstone, 2017). No entanto, consistente com sua estratégia de longo prazo para estender-se ao que Brzezinski havia chamado de “pivô geopolítico” da Eurásia, enfraquecendo fatalmente a Rússia, em 2008 a Otan declarou abertamente em sua Cúpula de Bucareste que pretendia trazer a Ucrânia para a aliança militar-estratégica (nuclear).</p>
<p>Em 2014, o golpe de Maidan, projetado pelos EUA na Ucrânia, depôs o presidente democraticamente eleito do país e impôs em seu lugar um líder escolhido pela Casa Branca, colocando a Ucrânia nas mãos de forças ultranacionalistas de direita. A resposta da Rússia foi incorporar a Crimeia em seu território após um referendo popular que deu à população, predominantemente russa, que se considerava independente e não parte da Ucrânia, uma escolha sobre permanecer na Ucrânia ou se juntar à Rússia. O golpe (ou “revolução colorida”) levou à violenta repressão de Kiev às populações da região de Donbass, de língua russa, na Ucrânia, resultando na Guerra Civil Ucraniana entre Kiev (apoiada por Washington) e as repúblicas separatistas de Donbass nas áreas de Donetsk e Luhansk (apoiadas por Moscou). A Guerra Civil Ucraniana, que resultou em mais de 14 mil mortes entre 2014 e início de 2022, continuou em baixa nos oito anos seguintes, apesar da assinatura dos acordos de paz de Minsk em 2014, destinados a acabar com o conflito e dar autonomia às repúblicas de Donbass dentro da Ucrânia. Em fevereiro de 2022, Kiev havia juntado 130 mil soldados nas fronteiras de Donbass, no leste da Ucrânia, atirando em Donetsk e Luhansk (The Editors, 2022. Johnstone, 2022. Mearsheimer, 2022).</p>
<p>À medida que a crise ucraniana piorou, Putin insistiu em várias linhas vermelhas da Rússia relacionadas às necessidades essenciais de segurança do país, consistindo em:</p>
<ol>
<li>adesão ao acordo anterior de Minsk (elaborado pela Rússia, Ucrânia, França e Alemanha e assinado pelas repúblicas do povo de Donbass e apoiado pelo Conselho de Segurança da ONU), garantindo assim a autonomia e a segurança de Donetsk e Luhansk,</li>
<li>o fim da militarização da Otan sobre a Ucrânia, e</li>
<li>um acordo de que a Ucrânia permaneceria fora da Otan (Episkopos, 2021. Associated Press, 2021).</li>
</ol>
<p>A Otan, instada pelos Estados Unidos, continuou a cruzar todas essas linhas vermelhas, fornecendo ajuda militar  crescente a Kiev em sua guerra contra as repúblicas de Donbass, no que a Rússia interpretou como uma tentativa de fato de incorporar a Ucrânia na Otan.</p>
<p>Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia interveio na Guerra Civil Ucraniana ao lado de Donbass, atacando as forças militares do governo de Kiev. Em 27 de fevereiro, Moscou colocou suas forças nucleares em alerta máximo pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, confrontando o mundo com a possibilidade de um holocausto nuclear global, dessa vez entre grandes potências capitalistas rivais. Figuras em Washington, como o senador Joe Manchin III (Democrata, Virgínia Ocidental), apoiaram a ideia de uma imposição dos EUA de uma zona de exclusão aérea na Ucrânia, o que significaria derrubar aviões russos, com toda a probabilidade de escalar para uma Terceira Guerra Mundial (Broadwater, Cameron, 2022).</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Exterminismo em duas direções</strong></span></h3>
<p>É comum hoje reconhecer que a mudança climática representa uma ameaça existencial global que coloca em risco a própria sobrevivência da humanidade. Estamos diante de uma situação em que a contínua expansão do capitalismo baseada na queima de quantidades cada vez maiores de combustíveis fósseis aponta para a possibilidade — mesmo a probabilidade, se o sistema de produção não for alterado radicalmente em questão de décadas — da queda da civilização industrial, colocando em questão a sobrevivência da humanidade. Esse é o significado do exterminismo ambiental em nosso tempo. De acordo com o Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as emissões líquidas de dióxido de carbono zero devem ser alcançadas até 2050 para que o mundo tenha uma esperança razoável de manter as mudanças das temperaturas médias globais abaixo de 1,5°C, ou bem abaixo de 2°C. Não conseguir isso é dar espaço à devastação da Terra tal como um lar seguro para a humanidade e inúmeras outras espécies.</p>
<p>A mudança climática faz parte de uma crise ecológica planetária mais geral associada ao cruzamento das nove fronteiras planetárias, incluindo aquelas – além da mudança climática em si – relacionadas à extinção de espécies, esgotamento estratosférico do ozônio, acidificação dos oceanos, interrupção dos ciclos de nitrogênio e fósforo, perda de cobertura/florestas terrestres, declínio das fontes de água doce associada à desertificação, carga atmosférica de aerossóis e introdução de novas entidades, como novos produtos químicos sintéticos e novas formas genéticas (Stephen, 2015). Para isso deve-se adicionar o surgimento de novas zoonoses, como mostra a pandemia de Covid-19, resultante principalmente da transformação da relação dos seres humanos com o meio ambiente, estimulada pelo agronegócio (Walace, 2020).</p>
<p>No entanto, não há dúvida de que a mudança climática está no centro da atual crise ecológica global. Assim como o inverno nuclear, representa uma ameaça à civilização e à continuação da espécie humana. O IPCC nos diz em seus relatórios de 2021-2022 sobre a ciência física das mudanças climáticas e seus impactos que o cenário mais otimista, embora afastando mudanças climáticas irreversíveis, ainda é uma das crescentes catástrofes globais nas próximas décadas. Ações imediatas são necessárias para proteger as condições de vida de centenas de milhões de pessoas, talvez bilhões, que serão expostas a eventos climáticos extremos de um tipo que a civilização global nunca viu antes (IPCC, 2022). Para combater isso é necessário o maior movimento de trabalhadores e povos que o mundo já viu para restaurar as condições que permitam sua existência, usurpadas pelo regime do capital, e restabelecer  um mundo ecologicamente sustentável enraizado na igualdade substancial.<a href="#_section_4_ftn9" name="_section_4_ftnref9"><sup>9</sup></a></p>
<p>Ironicamente, o relatório do IPCC de 2022, que deveria chamar a atenção do mundo para a natureza catastrófica da crise climática atual, foi publicado em 28 de fevereiro de 2022, quatro dias após a entrada russa na Guerra Civil Ucraniana em desafio à Otan, resultando em uma preocupação crescente sobre a possibilidade de uma troca termonuclear global. Assim, a atenção do mundo foi afastada em relação à ameaça existencial global que coloca em risco toda a humanidade, <em>o onicídio</em> de carbono, pelo súbito ressurgimento de outro <em>onicídio </em>nuclear.</p>
<p>À medida que o mundo voltava sua atenção para a possibilidade de guerra entre as principais potências nucleares e toda a escala planetária da ameaça nuclear, entendido pela ciência como inverno nuclear, o aquecimento global ficou ausente do quadro. O aquecimento global e o inverno nuclear, embora surgindo de diferentes formas, estão intimamente ligados em termos climáticos, demonstrando que o mundo está à beira de destruir a maioria dos habitantes da Terra de uma forma ou de outra: o aquecimento global levando a um ponto sem retorno para a humanidade, e/ou a morte de centenas de milhões por fogo nuclear,  seguido por dias e meses de resfriamento global (inverno nuclear) e o extermínio da maioria da população mundial através da fome. Assim como as implicações destrutivas da mudança climática que ameaçam a própria existência da humanidade são negadas em grande parte pelas potências, os efeitos planetários completos da guerra nuclear também são negados, ainda que as evidências científicas sobre o inverno nuclear demonstrem que ele efetivamente aniquilará a população de todos os continentes da Terra. Além disso, se o aquecimento global aumentar na medida em que a civilização global se desestabilizar, algo que os cientistas acreditam que pode acontecer se as temperaturas médias globais aumentarem em 4°C, a concorrência entre os Estados-nação capitalistas crescerá, aumentando assim o risco de uma conflagração nuclear e, portanto, do inverno nuclear (Ellsberg, 2017, p. 18).</p>
<p>Hoje, somos confrontados com uma escolha entre <em>exterminismo</em> e o <em>imperativo </em>ecológico humano (Thompson, 1982, p. 76). O agente causal nas duas crises existenciais globais que agora ameaçam a espécie humana é o mesmo: o capitalismo e sua busca irracional por aumentar exponencialmente a acumulação de capital e o poder imperial em um ambiente global limitado. A única resposta possível a essa ameaça ilimitada é um movimento revolucionário universal enraizado tanto na ecologia quanto na paz, que se afaste da destruição sistemática atual da Terra e seus habitantes e caminhe em direção a um mundo de igualdade substancial e sustentabilidade ecológica: ou seja, o socialismo.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Referências bibliográficas</strong></span></h3>
<div class="footnotes">
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</div>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Notas</strong></span></h3>
<div class="footnotes">
<p><a href="#_section_4_ftnref1" name="_section_4_ftn1"><sup>1</sup></a> As citações desse ensaio no presente artigo foram retiradas da versão ligeiramente revisada em E. P. Thompson, <em>Beyond the Cold War</em>. Nova York: Pantheon, 1982, p. 41–79. Ver também E. P. Thompson et al., <em>Exterminism and the Cold War</em>. London: Verso, 1982. E. P. Thompson; Dan Smith (ed.), <em>Protest and Survive</em>. New York: Monthly Review Press, 1981. As traduções para o português foram todas feitas livremente a partir do original.</p>
<p><a href="#_section_4_ftnref2" name="_section_4_ftn2"><sup>2</sup></a> Para uma breve discussão sobre os eventos que antecederam a atual Guerra da Ucrânia, consulte: The Editors, “Notes from the Editors”, <em>Monthly Review</em> 73, n. 11, abr. 2022.</p>
<p><a href="#_section_4_ftnref3" name="_section_4_ftn3"><sup>3</sup></a> O fracasso em incluir a principal causa de morte por armas termonucleares dirigidas a cidades sob a forma de incêndio está profundamente arraigada no Pentágono. O guia prático desclassificado sobre o estoque e o gerenciamento de armas nucleares publicado pelo Departamento de Defesa dos EUA em 2008 inclui mais de vinte páginas sobre os efeitos de uma explosão de armas nucleares em uma cidade sem uma única menção a incêndios. Ver também: U.S. Department of Defense. <em>Nuclear Matters: A Practical Guide</em>. Washington: Pentagon, 2008, p. 135–58.</p>
<p><a href="#_section_4_ftnref4" name="_section_4_ftn4"><sup>4</sup></a> Aqui, a máquina do juízo final não deve ser confundida com a versão da máquina do juízo final no filme <em>Dr. </em><em>Fantástico</em>. No entanto, o filme de Kubrick se baseou nas ideias de Kahn e mantém um significado concreto no contexto da realidade nuclear contemporânea. Ver Ellsberg (2017).</p>
<p><a href="#_section_4_ftnref5" name="_section_4_ftn5"><sup>5</sup></a> A Rússia também está preocupada com a possível reintrodução dos mísseis balísticos intermediários Pershing II na Europa.</p>
<p><a href="#_section_4_ftnref6" name="_section_4_ftn6"><sup>6</sup></a> Um elemento-chave do impedimento nuclear de Pequim é reduzir a hidroacústica ou o nível de ruído de seus submarinos nucleares. Em 2011, acreditava-se que a China levaria décadas para reduzir a hidroacústica de seus submarinos o suficiente para sobreviver a um primeiro ataque dos EUA. No entanto, em menos de uma década, a China fez avanços significativos em direção a esse objetivo. Ver: Lieber, Press, 2017, 2020. Ver também Riqiang, 2011. O artigo de Lieber e Press na Foreign Affairs em 2006 resultou em críticas tanto pela Rússia quanto pela China, e também serviu para gerar preocupações nesses Estados que levaram ao reavivamento e modernização de suas capacidades nucleares. No entanto, a ameaça representada pelos EUA e seu desejo pela primazia nuclear continua perseguindo os planejadores estratégicos russos e chineses. Ver Lieber, Press, 2016.</p>
<p><a href="#_section_4_ftnref7" name="_section_4_ftn7"><sup>7</sup></a> O desenvolvimento de estratégias e tecnologias de “contramedida” para iludir o ataque contraforça à dissuasão nuclear de uma nação é enfatizado pela Rússia e pela China, dada a liderança dos EUA na contraforça. Ver Lieber, Press, 2017.</p>
<p><a href="#_section_4_ftnref8" name="_section_4_ftn8"><sup>8</sup></a> Hoje, há mais uma vez uma discussão crescente nos círculos estratégicos dos EUA de uma capacidade de “de baixo risco” ou “decapitação” por parte dos Estados Unidos, o que parece tornar os incêndios nucleares menos prováveis. Ver Lieber, Press, 2017.</p>
<p><a href="#_section_4_ftnref9" name="_section_4_ftn9"><sup>9</sup></a> Essa conclusão é de fato consistente com a terceira parte do Sexto Relatório de Avaliação do IPCC na forma do relatório de mitigação a ser publicado em março, mas vazado antecipadamente pelos cientistas. Ver “Summary for Policymakers” of Part III of the UN Intergovernmental Panel on Climate Change’s <em>Sixth Assessment Report on Climate Change</em>.</p>
</div>
<p> </p>
<div class="creative-commons-license">Esta publicação está sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0). O resumo legível da licença está disponível em <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/">https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/</a>.</div>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2021 19:43:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os Estados Unidos se empenham em travar uma Nova Guerra Fria contra a Rússia e a China, mesmo correndo o risco de destruir o planeta.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-53468 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2021/11/20211124-Plan-to-save-the-planet-WF.jpg" alt="" width="950" height="713" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2021/11/20211124-Plan-to-save-the-planet-WF.jpg 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2021/11/20211124-Plan-to-save-the-planet-WF-300x225.jpg 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2021/11/20211124-Plan-to-save-the-planet-WF-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Prefácio</strong></span></h2>
<p style="text-align: center;"><em>Sacha Llorenti</em></p>
<p>Quatro milhões e meio de pessoas morreram infectadas pela covid-19. Essa tragédia global é a lente através da qual devemos analisar como e a favor de quem funciona o sistema que impera no planeta.</p>
<p>A pandemia conseguiu condensar, em poucos meses, fenômenos políticos, econômicos e sociais cujas consequências, em outras circunstâncias, se advertem há muitos anos.</p>
<p>A precariedade trabalhista, o déficit nos sistemas de saúde, a desigualdade, as relações Norte-Sul, a debilidade da Organização das Nações Unidas (ONU) para enfrentar de forma coordenada um esforço coletivo, o uso das medidas coercitivas unilaterais como uma arma de controle e castigo exemplar contra muitos povos, a vulnerabilidade da economia global e o papel do Estado constituem algumas das características claramente ampliadas sob a lente do fenômeno da pandemia.</p>
<p>O caráter multidimensional e existencial das crises que a humanidade e a vida no planeta enfrentam nos obriga a construir e fortalecer todos os espaços de encontro possíveis para que, de maneira coletiva, construamos um horizonte comum, interseccional e inclusivo, que nos permita recuperar a iniciativa social e política.</p>
<p>Nesse contexto, a Secretaria Executiva da ALBA-TCP junto com o Instituto Simón Bolívar para a Paz e a Solidariedade entre os Povos e o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social tomamos a iniciativa de realizar um encontro de centros de pensamento com o propósito de levar adiante a ambiciosa e urgente tarefa de elaborar <em>Um plano para salvar o planeta</em>.</p>
<p>Depois de várias semanas de trabalho, temos diante de nós um conjunto sistematizado de propostas, que nos permite fazer uma alteração de rota e assim mudar o rumo para o qual o sistema capitalista está levando a nossa espécie e a todos os seres vivos que habitam o nosso planeta.</p>
<p>Esse documento já tem vida própria e pertence a todas as pessoas e a todos os coletivos que queiram enriquecê-lo e convertê-lo em um instrumento de luta contra o imperialismo, o colonialismo e o capitalismo.</p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Introdução</strong></span></h2>
<p><em>Carlos Ron e Vijay Prashad</em></p>
<p>Ao longo desta pandemia, cresceu a consciência sobre a fragilidade da sociedade humana. Muitas partes do mundo ruíram diante da covid-19, enquanto a concretude das mudanças climáticas nos apresentou a realidade de que várias espécies de plantas e animais foram e estão sendo extintas. Entre a aniquilação e a extinção está o destino do planeta.</p>
<p>Sacha Llorenti, secretário-geral executivo da ALBA-TCP, reuniu um grupo de institutos de pesquisa para elaborar <em>Um plano para salvar o planeta</em>. Esse plano deveria ser escrito a partir de uma perspectiva centrada nos povos, contra a abordagem centrada no lucro de instituições internacionais, como a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Fórum Econômico Mundial. Este documento surge dessa demanda.</p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>O que é a ALBA-TCP?</strong></span></h3>
<p>A Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, ou ALBA, nasceu em 2004, em Havana, Cuba, quando uma declaração conjunta e um acordo de implementação foram assinados pelos comandantes Hugo Chávez Frías e Fidel Castro Ruz. Em abril de 2006, a Bolívia aderiu à Aliança, complementando seus princípios, e foi incorporado o Tratado de Comércio dos Povos (TCP), que propõe o comércio baseado na complementaridade, solidariedade e cooperação.</p>
<p>A ALBA-TCP é um órgão interestatal composto por nove Estados que promove o duplo objetivo de soberania em relação à dominação externa e de integração para o avanço interno. Alguns desses métodos de integração incluem o desenvolvimento de uma moeda regional comum para reconciliar o comércio inter-regional (o sucre), a criação de empresas regionais de energia para promover objetivos sociais (PetroCaribe e PetroSur) e o estabelecimento de uma rede de televisão para democratizar o sistema global de comunicações (TeleSur). A ALBA-TCP faz parte de um conjunto de dinâmicas regionais que promovem a soberania e a integração, incluindo a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>O que é a rede de institutos de pesquisa?</strong></span></h3>
<p>Para desenvolver <em>Um plano para salvar o planeta</em>, a ALBA-TCP trabalhou com dois institutos de pesquisa: o Instituto Simón Bolívar pela Paz e Solidariedade entre os Povos e o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Nossos dois institutos reuniram outros centros de pesquisa com os quais trabalhamos ao longo dos anos e estabeleceram uma rede para a construção deste documento. Essa rede é um encontro informal que foi fortalecido pelo nosso trabalho comum e que conduzirá a mais projetos coletivos no futuro. Se outros institutos de pesquisa estiverem interessados em ingressar nessa rede, escreva para <a href="mailto:plan@thetricontinental.org">plan@thetricontinental.org</a>.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>O que é Um plano para salvar o planeta?</strong></span></h3>
<p>Em 1974, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução chamada Nova Ordem Econômica Internacional (NOEI), desenvolvida pelo Movimento dos Não-Alinhados, o G-77 e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. Essa resolução foi baseada na “equidade, igualdade soberana, interdependência, interesse comum e cooperação entre todos os Estados, independentemente de seus sistemas econômicos e sociais, que devem corrigir as desigualdades e reparar as injustiças existentes, permitindo eliminar o fosso cada vez maior entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, e garantir uma aceleração constante do desenvolvimento econômico e social, paz e justiça para as gerações presentes e futuras”. Não há nada a ser atualizado em relação a esses sentimentos.</p>
<p>O enfraquecimento do Projeto do Terceiro Mundo, o fim da URSS e do sistema de Estado comunista na Europa Oriental e o colapso da social-democracia nos países capitalistas avançados significaram que a NOEI – e toda a sua agenda de desenvolvimento – foram deixados de lado. Em seu lugar, surgiu a agenda de austeridade e segurança (guerra) neoliberal. O estabelecimento da Comissão do Sul sob a liderança de Julius Nyerere, entre 1987 e 1990, foi uma tentativa de ressuscitar a NOEI, mas seu documento final, <em>O Desafio para o Sul</em>, não recebeu a atenção séria que exigia. <em>Um plano para salvar o planeta</em> é elaborado na tradição da NOEI (1974) e de <em>O Desafio do Sul</em> (1990).</p>
<p><em>Um plano para salvar o planeta</em> é um texto provisório, um rascunho construído a partir das análises e reivindicações dos movimentos e governos populares. Deve ser lido e discutido, para ser criticado e desenvolvido mais e mais. Este é o primeiro rascunho de muitos que virão. Entre em contato conosco pelo e-mail <a href="mailto:plan@thetricontinental.org">plan@thetricontinental.org</a> com suas críticas e sugestões, pois este é um documento vivo que acabará avançando por meio de nossos movimentos e nossas instituições, construindo uma resolução nas Nações Unidas para salvar o planeta.</p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Um plano para salvar o planeta</strong></span></h2>
<p>Inseguranças de vários tipos dominam o planeta. O impacto da pandemia de covid-19 produziu a maior retração econômica desde a Grande Depressão. Essa queda não se reflete nos preços das ações ou nos relatórios de lucros das principais empresas multinacionais, mas nos dados sobre desemprego e desigualdade, no aumento da fome e dos sentimentos de desolação e raiva. Estima-se que centenas de milhões de pessoas serão empurradas para a pobreza absoluta pelo impacto da pandemia de covid-19. Este é apenas um dos fatos em meio a uma avalanche de más notícias para aqueles que estão assistindo a queda de muitos países em dívida catastrófica e desespero. Um programa de emergência global deve ser realizado para prevenir esse resultado. É crucial que os países deixem de lado as estreitas preocupações nacionalistas e se engajem em uma resposta comum e cooperativa a esta crise.</p>
<p> </p>
<p><strong>Três apartheids – financeiro, sanitário e alimentar – governam a situação imediata no mundo:</strong></p>
<p><strong>Apartheid financeiro</strong>. A dívida externa dos países em desenvolvimento é superior a 11 trilhões de dólares, com projeções de que os pagamentos do serviço da dívida chegarão a quase 4 trilhões até o final de 2021. Em 2020, 64 países gastaram mais com o serviço da dívida do que com saúde. Houve uma conversa modesta sobre a suspensão do serviço da dívida, com uma pequena assistência de várias agências multilaterais. Essa conversa acompanha a política do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que os Estados peguem mais dinheiro emprestado, já que as taxas de juros estão baixas. Em vez de emprestar mais, por que não simplesmente cancelar a dívida externa total e, ao mesmo tempo, incorporar os pelo menos 37 trilhões de dólares em paraísos fiscais ilícitos? A palavra que costuma ser usada para definir o cancelamento da dívida é “perdão”. No entanto, não há nada a perdoar, já que essa dívida é consequência de uma longa história de roubo colonial, expropriação imperialista e pilhagem. Os países mais ricos podem tomar empréstimos com taxas de juros baixas, quase a zero, enquanto o mundo em desenvolvimento paga taxas abusivas e tem dívidas odiosas para pagar com fundos preciosos que deveriam ser destinados ao combate à pandemia de covid-19.</p>
<p><strong>Apartheid sanitário</strong>. O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o mundo está à beira de um “fracasso moral catastrófico”. Ele estava se referindo ao nacionalismo e à acumulação de vacinas. Os Estados do Atlântico Norte (Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e muitos Estados europeus) ignoraram o apelo da Índia e da África do Sul para suspender as regras de propriedade intelectual relacionadas à vacina. Esses Estados do Norte têm subfinanciado o projeto Covax, que, como resultado, corre um alto risco de fracassar, com expectativas crescentes de que muitas pessoas nos países em desenvolvimento não verão uma vacina antes de 2023. Enquanto isso, os Estados do Norte acumularam vacinas: só o Canadá acumulou reservas de cinco vacinas por habitante, tirando algumas dessas vacinas da Covax. Ghebreyesus chama isto de “apartheid vacinal”.</p>
<p><strong>Apartheid alimentar</strong>. A fome no mundo, que havia diminuído de 2005 a 2014, começou a aumentar desde então, com a China – que erradicou a pobreza extrema em 2020 – como uma grande exceção a essa tendência global. A fome mundial está agora nos níveis de 2010. O relatório de 2021 da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), <em>O Estado da Insegurança Alimentar e Nutrição no Mundo</em>, observa que “quase uma em cada três pessoas no mundo (2,37 bilhões) não tinha acesso a alimentos adequados em 2020 – um aumento de quase 320 milhões de pessoas em apenas um ano”. A fome é insuportável. O Programa Mundial de Alimentos da ONU projeta que o número de pessoas que passam fome pode dobrar antes que a pandemia seja contida por completo, “a menos que uma ação rápida seja tomada”.</p>
<p>Qual é a causa desses três apartheids? O controle que um punhado de empresas e governos exercem sobre a economia global:</p>
<ul>
<li>Controle sobre ciência e tecnologia</li>
<li>Controle sobre os sistemas financeiros</li>
<li>Controle sobre o acesso aos recursos</li>
<li>Controle sobre armamentos</li>
<li>Controle sobre as comunicações</li>
</ul>
<p> </p>
<hr>
<p>Nós, uma rede de instituições de pesquisa que tem observado de perto as crises de longo prazo da austeridade neoliberal, regimes de dívida induzida e mau desenvolvimento, produzimos um conjunto de políticas voltadas para uma nova ordem mundial. Nosso plano – baseado na linha da NOEI – apresenta uma visão para o presente e o futuro imediato centrada em doze temas principais: democracia e ordem mundial, meio ambiente, finanças, saúde, habitação, alimentação, educação, trabalho, trabalho de cuidado, mulheres, cultura e o mundo digital. Este é o esqueleto de um plano muito mais completo que produziremos no próximo ano.</p>
<p><strong> </strong></p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Democracia e a ordem mundial</strong></span></h3>
<ol>
<li>Afirmar a importância da Carta das Nações Unidas (1945).</li>
<li>Insistir para que os Estados membros das Nações Unidas cumpram a Carta, incluindo seus requisitos específicos sobre o uso de sanções e força (Capítulos VI e VII).</li>
<li>Reconsiderar o poder de monopólio exercido pelo Conselho de Segurança da ONU sobre as decisões que afetam uma grande parte do sistema multilateral; envolver a Assembleia Geral da ONU em um diálogo sério sobre a democracia dentro da ordem global.</li>
<li>Insistir para que os órgãos multilaterais – como a Organização Mundial do Comércio (OMC) – formulem políticas de acordo com a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948); proibir qualquer política que aumente a pobreza, a fome, a falta de moradia e o analfabetismo.</li>
<li>Afirmar a centralidade do sistema multilateral sobre as principais áreas de segurança, política comercial e regulamentos financeiros, reconhecendo que órgãos regionais como a OTAN e instituições limitadas como a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) suplantaram as Nações Unidas e suas agências (como a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) na formulação dessas políticas.</li>
<li>Formular políticas para fortalecer os mecanismos regionais e aprofundar a integração dos países em desenvolvimento.</li>
<li>Impedir o uso do paradigma de segurança – notadamente, contraterrorismo e antinarcóticos – para enfrentar os desafios sociais do mundo.</li>
<li>Limitar gastos com armas e militarismo; assegurar que o espaço seja desmilitarizado.</li>
<li>Converter os recursos gastos na produção de armas para financiar produções socialmente benéficas.</li>
<li>Garantir que todos os direitos estejam disponíveis para todas as pessoas, não apenas para aqueles que são cidadãos de um Estado; esses direitos devem se aplicar a todas as comunidades até então marginalizadas, como mulheres, povos indígenas, pessoas não brancas, migrantes, pessoas sem documentos, pessoas com deficiência, pessoas LGBTQ+, castas oprimidas e pobres.</li>
</ol>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>O meio ambiente</strong></span></h3>
<ol>
<li>Com base na formulação da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992 de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, obrigar os países desenvolvidos que carregam a responsabilidade histórica de ter causado a catástrofe climática a reduzirem rapidamente suas emissões de carbono para impedir que as temperaturas globais aumentem acima do limite crítico de 1,5 °C</li>
<li>Exigir que os países desenvolvidos reduzam as emissões médias de carbono per capita para um máximo de 2,3 toneladas até 2030, que é o que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas avalia ser a média global necessária para limitar o aquecimento global a 1,5 °C.</li>
<li>Garantir que os países desenvolvidos do Norte global forneçam compensação climática pelas perdas e danos causados ​​por suas emissões de carbono e financiem fortemente a infraestrutura pública para substituir a dependência de energia baseada em carbono.</li>
<li>Cumprir as promessas do Acordo de Paris sobre Mudança Climática de que os países desenvolvidos forneçam 100 bilhões de dólares por ano para atender às necessidades dos países em desenvolvimento. Essas necessidades incluem adaptação e resiliência ao impacto real e desastroso da mudança climática, que já está sendo suportado por países em desenvolvimento (particularmente países de baixa altitude e pequenos Estados insulares).</li>
<li>Transferir tecnologia e financiamento para países em desenvolvimento para mitigação e adaptação de sistemas de energia baseados em carbono.</li>
<li>Exigir que os países desenvolvidos responsáveis ​​por poluir as águas, o solo e o ar com resíduos tóxicos e perigosos – incluindo resíduos nucleares – arquem com os custos de despoluição e parem de produzir e usar resíduos tóxicos.</li>
<li>Sob uma definição coerente, revisada e ajustada às urgências imediatas dos países em desenvolvimento, elaborar um programa de transição rumo a um paradigma capaz de mitigar e adaptar os sistemas de energia baseados no carbono. Isso deve ser combinado com canais de financiamento racionais para os países em desenvolvimento, incluir o envolvimento direto destes e ser ajustado de acordo com a escala de necessidades e disposição para coordenar o financiamento. Esse roteiro para um paradigma combinado com os principais países, em qualquer caso, precisaria fornecer a matéria-prima para qualquer transição energética no futuro próximo.</li>
</ol>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Finanças</strong></span></h3>
<ol>
<li>Renegociar todas as dívidas externas odiosas dos países em desenvolvimento.</li>
<li>Iniciar discussões sobre reparações por pilhagem colonial, incluindo escravidão.</li>
<li>Apreender ativos mantidos em paraísos fiscais ilícitos.</li>
<li>Adotar limites para as taxas de juros que os credores comerciais e multilaterais cobram dos países em desenvolvimento.</li>
<li>Desestimular as atividades de transferência de lucros das corporações multinacionais e adotar uma abordagem unitária para tributar a parcela dos lucros globais gerados pelas subsidiárias das corporações multinacionais.</li>
<li>Implementar impostos sobre riqueza e herança.</li>
<li>Implementar taxas mais altas de tributação sobre a renda, como ganhos de capital, feitos por meio de especulação financeira por todas as entidades corporativas não bancárias.</li>
<li>Democratizar o sistema bancário, expandindo o papel e o tamanho dos bancos públicos e implementando mais regulamentação e transparência para os bancos privados.</li>
<li>Aplicar limites em porcentagens das responsabilidades sobre a atividade bancária especulativa dos bancos comerciais.</li>
<li>Regular as taxas de juros que os bancos cobram por bens específicos, como empréstimos para habitação.</li>
<li>Definir controles de capital para evitar a fuga de capitais.</li>
<li>Criar alternativas centradas nas pessoas ao financiamento do FMI e do Banco Mundial para programas de desenvolvimento.</li>
<li>Incentivar a criação de mecanismos de reconciliação comercial regional.</li>
<li>Implementar regulamentações rígidas para os fundos de pensão, de modo que as poupanças das pessoas não sejam usadas imprudentemente para especulação financeira; incentivar a criação de fundos de pensão do setor público.</li>
</ol>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Saúde</strong></span></h3>
<ol>
<li>Avançar na proposta de uma vacina popular para a covid-19 e para doenças futuras.</li>
<li>Remover os controles de patentes sobre medicamentos essenciais e facilitar a transferência tanto do conhecimento médico quanto da tecnologia para os países em desenvolvimento.</li>
<li>Desmercantilizar, desenvolver e aumentar o investimento em sistemas públicos de saúde robustos.</li>
<li>Desenvolver a produção farmacêutica do setor público, principalmente nos países em desenvolvimento.</li>
<li>Formar um Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Ameaças à Saúde.</li>
<li>Apoiar e fortalecer o papel que os sindicatos dos trabalhadores da saúde desempenham no local de trabalho e na economia.</li>
<li>Assegurar-se de que as pessoas de territórios desfavorecidos e de áreas rurais tenham acesso à formação para se tornarem médicas.</li>
<li>Ampliar a solidariedade médica, inclusive por meio da Organização Mundial da Saúde e de plataformas de saúde associadas, a órgãos regionais.</li>
<li>Mobilizar campanhas e ações que protejam e ampliem os direitos reprodutivos e sexuais.</li>
<li>Cobrar um imposto de saúde sobre grandes empresas que produzem bebidas e alimentos amplamente reconhecidos por organizações internacionais de saúde como prejudiciais às crianças e à saúde pública em geral (como aqueles que causam obesidade ou outras doenças crônicas).</li>
<li>Limitar as atividades promocionais e despesas de publicidade de empresas farmacêuticas.</li>
<li>Construir uma rede de centros de diagnóstico acessíveis e financiados com recursos públicos, e regular estritamente a prescrição e os preços dos testes de diagnóstico.</li>
<li>Fornecer atendimento psicológico como parte dos sistemas públicos de saúde.</li>
</ol>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Habitação</strong></span></h3>
<ol>
<li>Garantir a construção de moradias suficientes, com ênfase no desenvolvimento de diversos bairros com uma mistura de zonas residenciais e comerciais.</li>
<li>Determinar controles de aluguel em unidades habitacionais destinadas à locação.</li>
<li>Transformar propriedades ociosas em centros comunitários ou unidades habitacionais.</li>
<li>Construir e reaproveitar empreendimentos habitacionais ligados aos sistemas de transporte público, para reduzir a necessidade de transporte privado, como carros.</li>
<li>Exigir que todos os edifícios acima de 2 mil metros quadrados tenham telhados verdes ou painéis solares.</li>
<li>Desenvolver novas unidades habitacionais com materiais inovadores que demonstrem resistência térmica.</li>
</ol>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Alimentação</strong></span></h3>
<ol>
<li>Melhorar os sistemas alimentares nacionais e regionais.</li>
<li>Rever e revogar acordos bilaterais e multilaterais que proíbem ou penalizam os sistemas públicos de alimentos e as compras públicas de alimentos.</li>
<li>Garantir que os países desenvolvidos que usam mecanismos do comércio internacional para impedir que os países em desenvolvimento subsidiem sua agricultura sejam proibidos de seguir políticas hipócritas, como as que subsidiam seus próprios agronegócios; aplicar as regras da OMC para facilitar o desenvolvimento e não para subordinar os países em desenvolvimento.</li>
<li>Redistribuir a terra, reconhecendo-a como um recurso comum do povo; limitar o tamanho da propriedade da terra e colocar limites nas propriedades de famílias e empresas.</li>
<li>Desenvolver irrigação sustentável com financiamento público e infraestrutura relacionada, para ajudar os agricultores a cultivarem em condições climáticas cada vez mais extremas.</li>
<li>Construir sistemas de distribuição pública de alimentos, com foco especial na eliminação da fome.</li>
<li>Aumentar o apoio público aos agricultores nos países em desenvolvimento para garantir que o trabalho agrícola proporcione uma renda decente aos agricultores e trabalhadores agrícolas.</li>
<li>Desenvolver sistemas de crédito para os agricultores para sustentar a agricultura e evitar o esgotamento da receita das unidades rurais.</li>
<li>Aumentar a produção de alimentos do setor cooperativo e incentivar a participação popular nos sistemas de produção e distribuição de alimentos.</li>
<li>Fornecer crédito barato, insumos subsidiados, assistência técnica gratuita e terra para o estabelecimento de propriedades rurais e mercados cooperativos.</li>
<li>Desenvolver redes de transporte com financiamento público, incluindo instalações de armazenamento, para garantir que as pequenas propriedades possam levar seus produtos aos mercados.</li>
<li>Garantir que alimentos saudáveis ​​sejam colocados à disposição de escolas e creches públicas.</li>
<li>Construir capacidade técnica e científica para uma agricultura sustentável e ecológica.</li>
<li>Remover patentes de sementes e promover marcos jurídicos para proteger as sementes nativas contra a mercantilização do agronegócio.</li>
</ol>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Educação</strong></span></h3>
<ol>
<li>Desmercantilizar a educação, o que inclui o fortalecimento da educação pública e a prevenção da privatização da educação.</li>
<li>Promover o papel dos professores na gestão das instituições de ensino.</li>
<li>Garantir que setores menos privilegiados da sociedade tenham acesso à formação para se tornarem professores.</li>
<li>Garantir acesso à eletricidade e diminuir as desigualdades digitais.</li>
<li>Construir sistemas de internet de banda larga de alta velocidade com financiamento e controle públicos.</li>
<li>Garantir que todas as crianças em idade escolar tenham acesso a todos os elementos do processo educacional, incluindo atividades extracurriculares.</li>
<li>Desenvolver canais por meio dos quais os alunos participem dos processos de tomada de decisão em todas as modalidades de ensino superior.</li>
<li>Fazer da educação uma experiência para a vida toda, permitindo que pessoas em todas as fases da vida possam desfrutar da prática de aprendizagem em vários tipos de instituições. Isso reforçará a ideia de que a educação não é apenas construir carreiras, mas construir uma sociedade que apoie o crescimento e o desenvolvimento contínuos das pessoas e da comunidade.</li>
<li>Subsidiar a educação superior e cursos profissionalizantes para trabalhadores de todas as idades nas áreas relacionadas à sua ocupação.</li>
<li>Tornar a educação, inclusive o ensino superior, disponível a todos em suas línguas nativas; garantir que os governos assumam a responsabilidade de fornecer materiais educacionais nas línguas nativas em seus países, por meio de traduções e outros meios.</li>
<li>Estabelecer institutos de educação em gestão que atendam às necessidades das cooperativas nos setores industrial, agrícola e de serviços.</li>
</ol>
<p><strong> </strong></p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Trabalho</strong></span></h3>
<ol>
<li>Exigir que os governos assumam a responsabilidade de garantir que suas leis trabalhistas cumpram as convenções fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT), especialmente as convenções 87 e 98 sobre os direitos de organização e negociação coletiva.</li>
<li>Aumentar o nível dos bens sociais – como saúde pública, educação pública e lazer público – para diminuir a pressão sobre os salários.</li>
<li>Incentivar o princípio de salários iguais para trabalho igual.</li>
<li>Fortalecer a cultura sindical e promover a negociação coletiva para conter o desequilíbrio inerente de poder no local de trabalho; dar aos trabalhadores uma voz democrática e evitar que os indivíduos se sintam isolados e sobrecarregados com a tarefa de melhorar seus locais de trabalho por conta própria.</li>
<li>Certificar-se de que todos os que trabalham – incluindo aqueles na economia informal e sazonal – estejam cobertos por proteções básicas no local de trabalho.</li>
<li>Focar na redistribuição do tempo de trabalho por meio do processo de negociação coletiva, proporcionando jornada de trabalho suficiente para todos com um salário mínimo.</li>
<li>Garantir que todo trabalhador tenha direito a condições de trabalho saudáveis ​​e seguras; tornar os governos responsáveis ​​por garantir que os padrões de segurança sejam devidamente monitorados e aplicados.</li>
<li>Criar centros de emprego com financiamento público para ajudar os desempregados na procura de emprego; esses centros podem estar enraizados, por exemplo, em uma rede de sindicatos de desempregados.</li>
<li>Fornecer sistemas robustos de bem-estar social com financiamento público, sem provas de recursos ou requisitos de trabalho.</li>
<li>Garantir pensões adequadas a todos os cidadãos em idade para se aposentar.</li>
<li>Garantir que o Estado forneça indenizações e pensões adequadas para os feridos ou incapacitados durante o trabalho, especialmente para os trabalhadores desorganizados, precários e autônomos.</li>
<li>Garantir que os governos promovam cooperativas de trabalhadores, contribuam para o capital inicial de tais cooperativas e garantam crédito e preços razoáveis.</li>
<li>Desenvolver as infraestruturas dos países em desenvolvimento em colaboração com essas cooperativas, institutos públicos de pesquisa e tecnologia e bancos; garantir que uma parte significativa dos gastos do governo em infraestrutura seja alocada a essas cooperativas.</li>
<li>Construir uma rede de transporte público barata e adequada (ônibus, trem e metrô) nas cidades para economizar o tempo dos trabalhadores e os recursos gastos em transporte.</li>
<li>Construir uma rede de lojas de alimentos cooperativas apoiadas pelo governo nas cidades e atender aos trabalhadores migrantes, precários e desorganizados.</li>
</ol>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Trabalho de cuidado</strong></span></h3>
<ol>
<li>Melhorar os sistemas de proteção social, incluindo programas de atendimento a crianças e idosos.</li>
<li>Construir um sistema de creches para crianças com financiamento público e administrado por bairros; criar instalações para creches depois da escola que forneçam refeições, com financiamento público e administradas pela vizinhança.</li>
<li>Construir um sistema de instalações administradas por bairros com financiamento público para a vida social e o cuidado dos idosos.</li>
<li>Garantir que os trabalhadores em creches e instituições para idosos recebam salários decentes, treinamento e controle sobre seu local de trabalho.</li>
</ol>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Mulheres e população LGBTQ+</strong></span></h3>
<ol>
<li>Nomear lideranças de organizações de mulheres da classe trabalhadora para órgãos influentes que moldam as políticas públicas.</li>
<li>Apoiar organizações e redes de mulheres, incluindo organizações de trabalhadoras, organizações comunitárias e grupos de apoio mútuo.</li>
<li>Reconhecer e contabilizar as trabalhadoras informais, bem como o trabalho doméstico não remunerado nas contas nacionais. Isso deve incluir mulheres trabalhadoras em setores ocultos ou invisíveis.</li>
<li>Estabelecer políticas de licença parental remunerada.</li>
<li>Diminuir a carga crescente de trabalho de cuidados sobre as mulheres; garantir que os pacotes de apoio financeiro considerem o trabalho de cuidado não reconhecido e não remunerado mais frequentemente realizado por mulheres, como o serviço de cuidados infantis.</li>
<li>Fornecer ajuda imediata em dinheiro, ajuda alimentar e medidas de proteção social para mulheres trabalhadoras; garantir que as famílias chefiadas por mulheres recebam tanta ajuda quanto as famílias chefiadas por homens; e garantir que as pessoas LGBTQ+ tenham igual acesso a programas sociais e subsídios.</li>
<li>Reconhecer as necessidades específicas das trabalhadoras de saúde, muitas das quais não são tratadas como trabalhadoras, mas como voluntárias; garantir que elas recebam compensação adequada e equipamento adequado.</li>
<li>Fornecer crédito para cooperativas de mulheres.</li>
<li>Criar programas para encorajar o compartilhamento do trabalho reprodutivo social no lar.</li>
<li>Estabelecer sistemas que eliminem a violência contra mulheres e pessoas LGBTQ+; implementar planos para erradicar a violência patriarcal e garantir que as políticas econômicas não ignorem inadvertidamente o problema da violência patriarcal.</li>
<li>Garantir que todas as pessoas tenham acesso igual a programas e serviços sociais – como o direito à moradia segura e alimentação saudável – independentemente de gênero, identidade de gênero, orientação sexual ou outras identidades excluídas.</li>
</ol>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Cultura</strong></span></h3>
<ol>
<li>Promover as ideias da Constituição da Unesco de 1945, particularmente a ideia de que a ampla difusão da cultura e da educação é indispensável para a dignidade humana e para a paz mundial.</li>
<li>Estender o apoio público às instituições culturais que defendem os valores da dignidade, igualdade e respeitabilidade.</li>
<li>Incentivar atividades culturais que não sejam reduzidas ao consumismo irracional.</li>
<li>Fomentar iniciativas culturais e artísticas contra a discriminação de todas as formas (como racismo, castismo, misoginia, transfobia, etc.).</li>
<li>Endossar atividades culturais que retratam a harmonia ecológica e lutam contra a devastação dos recursos da terra para lucro privado.</li>
<li>Estimular as artes tradicionais populares e evitar sua mercantilização e distorção por um nacionalismo cultural cruel.</li>
<li>Defender o direito dos artistas e intelectuais à liberdade de expressão.</li>
</ol>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Mundo digital</strong></span></h3>
<ol>
<li>Lutar para estender os bens comuns globais digitais, criando acesso público a espaços controlados e regulamentados publicamente na Internet.</li>
<li>Seguir a Resolução da ONU de 2016, que define o acesso à internet como um direito humano.</li>
<li>Nacionalizar a infraestrutura de telecomunicações e garantir o acesso à Internet e a alfabetização digital a todos os setores da sociedade.</li>
<li>Proteger todos os dados públicos e pessoais de exploração por corporações transnacionais; construir sistemas participativos para análise computacional e para o controle e uso de big data para fins públicos.</li>
<li>Promover e financiar o desenvolvimento de hardware e software gratuito com foco no fornecimento de soluções para problemas públicos.</li>
</ol>
<p> </p>
<hr>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Rede de institutos de pesquisa</strong>:</span></h2>
<p>A Rede de Institutos de Pesquisa é um coletivo formado pela ALBA-TCP, Instituto Tricontinental de Pesquisa Social e Instituto Simón Bolívar pela Paz e Solidariedade entre os Povos. O texto acima faz parte de um processo iniciado por este grupo.</p>
<ul>
<li>América Latina en movimiento, ALAI (Quito, Equador)</li>
<li>Centre for Research on the Congo (Kinshasa, DR Congo)</li>
<li>Centro de Investigaciones de la Economía Mundial (CIEM) (Cuba)</li>
<li>Centro de Investigaciones de Política Internacional (CIPI) (Cuba)</li>
<li>Centro per la Riforma dello Stato (Roma, Itália)</li>
<li>Chris Hani Institute (África do Sul)</li>
<li>Consultation and Research Institute (Beirute, Líbano)</li>
<li>Dominica Association of Industry &amp; Commerce (Roseau, Dominica)</li>
<li>Dominica State College (Roseau, Dominica)</li>
<li>Foundation for Education in Social Transformation and Progress (Quênia)</li>
<li>The Centre for International Gramscian Studies (GramsciLab), University of Cagliari (Itália)</li>
<li>Instituto Simón Bolívar para la Paz y la Solidaridad entre los Pueblos (Venezuela)</li>
<li>Internationale Forschungsstelle DDR (Berlim, Alemanha)</li>
<li>Institute of Employment Rights (Londres, Reino Unido)</li>
<li>Marx Memorial Library (Londres, Reino Unido)</li>
<li>Instituto Internacional de Investigación ‘Andrés Bello’ (Bolívia)</li>
<li>Instituto Patria (Argentina)</li>
<li>Instituto Patria Grande (Bolívia)</li>
<li>Instituto Samuel Robinson (Venezuela)</li>
<li>Observatorio del Sur Global (Argentina)</li>
<li>Research Group of the Popular Education Initiative (Acra, Gana)</li>
<li>Sam Moyo African Institute of Agrarian Studies (Harare, Zimbábue)</li>
<li>Society for Social and Economic Research (Delhi, Índia)</li>
<li>Tricontinental: Institute for Social Research
<ul>
<li>Instituto Tricontinental de Investigación Social (Argentina)</li>
<li>Instituto Tricontinental de Pesquisa Social (Brasil)</li>
<li>Tricontinental Research Services (Índia)</li>
<li>Tricontinental South Africa</li>
</ul>
</li>
<li>University of the West Indies Open Campus (Roseau, Dominica)</li>
<li>Uralungal Labour Contract Cooperative Society Research Institute (Vadakara, Kerala, Índia)</li>
</ul>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O destino de Xolobeni será o destino de todos nós</title>
		<link>https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/o-destino-de-xolobeni-sera-o-destino-de-todos-nos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[celina]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Aug 2019 14:56:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dilemas contemporâneos]]></category>
		<category><![CDATA[mineração]]></category>
		<category><![CDATA[aquecimento global]]></category>
		<category><![CDATA[África do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Revolta de Pondo]]></category>
		<category><![CDATA[Xolobeni]]></category>
		<category><![CDATA[titanio]]></category>
		<category><![CDATA[south africa]]></category>
		<category><![CDATA[Land struggle]]></category>
		<category><![CDATA[Climate change]]></category>
		<category><![CDATA[mudança climática]]></category>
		<category><![CDATA[Mining]]></category>
		<category><![CDATA[luta por terra]]></category>
		<category><![CDATA[global warming]]></category>
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					<description><![CDATA[Desde 1996, ativistas em Xolobeni, uma região costeira na África do Sul, lutam contra um conglomerado minerador estrangeiro que descobriram que suas terras ancestrais são ricas em titânio. Os ativistas antimineração de Xolobeni, que já perderam diversos companheiros nas mãos de esquadrões da morte, continuam lutando contra essas empresas e seus parceiros no governo sul-africano. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10483 img-responsive" src="https://www.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2019/10/Working-Document-2_Twitter_PT-e1570467784891.jpg" alt="" width="700" height="367"></p>
<p class="p1">Desde 1996, ativistas em Xolobeni, uma região costeira na África do Sul, lutam contra um conglomerado minerador estrangeiro que descobriram que suas terras ancestrais são ricas em titânio. Os ativistas antimineração de Xolobeni, que já perderam diversos companheiros nas mãos de esquadrões da morte, continuam lutando contra essas empresas e seus parceiros no governo sul-africano. Como suas terras estão localizadas em uma área com alta concentração de biodiversidade, a luta deles é de todos nós: e a luta por água, terra, alimento e ar.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Nas Ruínas do Presente</title>
		<link>https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/nas-ruinas-do-presente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[celina]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Mar 2018 06:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dilemas contemporâneos]]></category>
		<category><![CDATA[BRICS]]></category>
		<category><![CDATA[NATO]]></category>
		<category><![CDATA[Trump]]></category>
		<category><![CDATA[World Bank]]></category>
		<category><![CDATA[Colonialism]]></category>
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		<category><![CDATA[Neoliberalism]]></category>
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					<description><![CDATA[Ağaca balta vurmuşlar ‘sapı bendendir’ demiş. Quando o machado entrou na floresta, as árvores disseram: “o cabo é uma de nós”. (Provérbio turco) Raoul Peck, cineasta haitiano, começa seu filme – O jovem Karl Marx (2017) – nas florestas da Prússia, onde camponeses recolhem madeira caída. Eles parecem sentir frio e fome. Ouvimos cavalos ao [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15197 img-responsive" src="https://www.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/01_Globalisation.png" alt="" width="950" height="712" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/01_Globalisation.png 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/01_Globalisation-300x225.png 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/01_Globalisation-768x576.png 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<blockquote><p><em>Ağaca balta vurmuşlar ‘sapı bendendir’ demiş.</em></p>
<p><em>Quando o machado entrou na floresta, as árvores disseram:</em></p>
<p><em>“o cabo é uma de nós”.</em></p>
<p>(Provérbio turco)</p></blockquote>
<p>Raoul Peck, cineasta haitiano, começa seu filme – O jovem Karl Marx (2017) – nas florestas da Prússia, onde camponeses recolhem madeira caída. Eles parecem sentir frio e fome. Ouvimos cavalos ao longe. Os guardas e os aristocratas estão perto. Vieram reivindicar o direito sobre tudo na floresta. Os camponeses correm. Sem energia, caem. Os açoites e as lanças dos aristocratas e dos guardas os atingem, alguns fatalmente. Eles não têm direito nem mesmo sobre a madeira caída.</p>
<p>O jovem Karl Marx, sentado em Colônia, em 1842, está consternado com a violência contra os camponeses alemães, que conhecem o castigo, escreveu. Estão sendo espancados, até mesmo mortos. Mas o que desconhecem é o crime pelo qual estão sendo punidos.</p>
<p>Peck foi engenhoso ao abrir o filme com esse dilema, que traz a pergunta que toda pessoa sensível deve fazer hoje. Por qual crime estão sendo punidos os pobres do mundo? Pobreza e guerra produzem refugiados da fome e dos bombardeios, mas lhes é negada a mobilidade e qualquer outra saída para sua situação. Eles conhecem o castigo: abjeção, fome e morte. O que não sabem é o crime. O que fizeram para merecer isso?</p>
<p>O escritor dominicano-americano Junot Diaz visitou o Haiti após o terremoto devastador de 2010. Em um memorável ensaio intitulado Apocalipse”, Junot Diaz observou que o Haiti nos alertava sobre o novo “estágio zumbi do capitalismo, em que nações inteiras estão sendo transformadas através da alquimia econômica em zumbis. Antigamente, um zumbi era uma figura cuja vida e trabalho haviam sido capturados por magia. Esperava-se que trabalhassem 24 por dia sem descanso. O novo zumbi não pode esperar por um trabalho de qualquer natureza – ele espera apenas a própria morte”.</p>
<p>O novo zumbi não tem permissão para procurar comida, abrigo ou remédios. O novo zumbi, de fato, deve esperar apenas a morte. Esse é o castigo. Mas qual é o crime?</p>
<p> </p>
<p> </p>
<hr>
<h2 style="margin:3em 0;">Parte 1: Estrutura</h2>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;">Divisão Internacional da Humanidade</span></h3>
<blockquote><p><em>Aadmi tha, bari mushqil se insaan hua.</em></p>
<p><em>Nós éramos gente. Com muita dificuldade nos tornamos humanos.</em></p>
<p>—Akbar Illahabadi, poeta indo-europeu</p></blockquote>
<p> </p>
<p>O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça aniquilar a Coreia do Norte, o Irã e a Venezuela. Este é o novo Eixo do Mal, um conceito que seu predecessor, George W. Bush, usou em 2002, mas que não incluía a Venezuela. Mas sim o Iraque, que os EUA bombardearam em 2003 como parte de</p>
<p>sua invasão. Desde então, os EUA também destruíram a Líbia e outros países, dentre os quais está o Haiti, hoje substancialmente ocupado pelos EUA e pela ONU. Como um dragão ferido, os EUA chicoteiam sua cauda pelo planeta e ateiam fogo nas pessoas – destruindo países, derrotando seus inimigos. Suas feridas não são fatais, mas estratégicas. Os Estados Unidos ainda possui o exército mais poderoso do mundo e é capaz de destruir qualquer país com bombardeios aéreos e armas de destruição em massa. Mas esse uso do poder nem sempre satisfaz suas ambições. Não é porque os Estados Unidos são o país mais poderoso do mundo que são o próprio deus; cometem erros, que devem ser cuidadosamente apontados por aqueles que defendem a humanidade contra a submissão.</p>
<p>Há ferro na alma do imperialismo. Ele usa seu imenso poder militar contra os seres humanos e então – convenientemente – esquece o custo humano do sofrimento que cria. Nunca houve qualquer prestação de contas pelo uso de armas nucleares no Japão em 1945, nem pelos bombardeios repugnantes na Coreia na década de 1950, tampouco pelos ataques massivos no Vietnã das décadas de 1960 e 1970, e certamente nem pela interminável guerra no Afeganistão e a destruição do Iraque e da Líbia. O ferro está tão fundido na alma que quase não há comoção quando os Estados Unidos lançam bombas sobre o Afeganistão. As autoridades locais – pressionadas pelos EUA e pelo governo afegão se recusaram a permitir que jornalistas entrassem no local de um bombardeio por razões de segurança. Quando as pessoas ao redor falaram, o que tinham a dizer era assustador. “A terra parecia como um barco em tempestade”, disse Mohammed Shahzad. “Parecia que o céu estava caindo”. O prefeito de Achin, na província de Nangarhar – Naveed Shinwari – refletiu: “Não há dúvidas de que o ISIS era brutal, que eles cometeram atrocidades contra nosso povo. Mas não entendo por que as bombas foram lançadas. Isso aterrorizou nosso povo. Meus parentes acharam que era o fim do mundo”.</p>
<p>Parece a era da aniquilação, quando o mundo parece estar à beira do caos climático planetário induzido pelo capitalismo e pela guerra nuclear.</p>
<p>É apropriado, portanto, parar e registrar as palavras graves daqueles que já experimentaram a aniquilação – os sobreviventes do uso de armas de destruição em massa dos EUA contra o Japão. Torako Hironaka, que sobreviveu à bomba atômica de Hiroshima, fez uma lista em seu diário daquilo que ela se lembrava,</p>
<p>1. Algumas roupas de trabalho queimadas.</p>
<p>2. Uma mulher nua.</p>
<p>3. Garotas nuas gritando ‘América estúpida’.</p>
<p>4. Uma plantação de melancias.</p>
<p>5. Gatos, porcos e pessoas mortas, era apenas o inferno na terra.</p>
<p>Em seu livro, Diário de Hiroshima (1955, sem tradução para o português), escrito logo após o ataque nuclear, Dr. Michihiko Hachiya escreveu,</p>
<p>“Aqueles que foram capazes caminharam silenciosamente em direção aos subúrbios nas colinas distantes, com seus espíritos quebrados, sem forças. Quando questionados de onde estavam vindo, apontavam para a cidade e diziam: “De lá”, e quando questionados para onde iam, apontavam para longe da cidade e diziam: “Para lá”. Estavam tão despedaçados e confusos que se moviam e se comportavam como autômatos. Suas reações assustaram estrangeiros, que contavam com espanto o espetáculo de longas filas de pessoas se agarrando impassivelmente a caminhos estreitos e perigosos mesmo quando estavam próximas de estradas fáceis e suaves que iam na mesma direção. Os estrangeiros não conseguiram entender o fato de que testemunhavam o êxodo de pessoas que caminhavam no reino dos sonhos.”</p>
<p>As palavras dos hibakusha, os sobreviventes do ataque nuclear, são essenciais para o nosso tempo, em que o horizonte parece ser a aniquilação. São alertas contra a complacência. Eles fornecem o calor da sobrevivência humana contra a dureza do ferro e do ódio.</p>
<p>Catástrofes naturais – furacões e o aumento do nível do mar – dominam a nossa imaginação, enquanto as ilhas do Caribe são arruinadas pelo vento e por inundações e as ilhas do sul do Pacífico desaparecem no oceano. A água afoga a terra assim como o capital afoga os sonhos de sobrevivência humana. Dados de agências internacionais mostram que o trabalho formal é um sonho impossível para milhões de nossos companheiros no planeta. Há sempre, entretanto, uma vaga no exército. As guerras continuam indefinidamente. Futuros impiedosos estão diante da juventude. Sua confiança na humanidade é frágil.</p>
<p>Existe uma divisão internacional da humanidade. É como se houvesse um muro que separa aqueles que vivem em grandes zonas de guerra e tragédia e aqueles que vivem com a ilusão da paz, em países que produzem as condições para a guerra, mas negam sua participação nela.</p>
<p>Como entender um mundo de desemprego e aniquilação, de pobreza, catástrofe climática e guerra? Que conceitos temos para entender essas realidades complexas? Os modos de pensamento que vieram do positivismo norte-americano – teoria dos jogos, análise regressiva, modelos multiníveis, estatísticas inferenciais – não são capazes de oferecer uma teoria geral da nossa condição. Penetrados pelo senso comum sobre o poder e a ingenuidade em relação ao papel das elites nesse mundo, essas abordagens servem para explicar este ou aquele aspecto do nosso mundo.</p>
<p>Mas eles poderiam explicar a relação entre a crise endêmica produzida pela globalização,o fracasso do neoliberalismo em administrar essa crise e a ascensão do neofascismo como seu atual consenso? Eles têm os conceitos – como imperialismo – que são essenciais para uma investigação do mundo real em que vivemos e não o mundo ilusório idealizado pelos primeiros princípios da ciência social burguesa? Podemos entender por que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) quer bombardear um país ou por que o Fundo Monetário Internacional (FMI) quer extrair suas riquezas de outro? Eles têm uma explicação do porquê os países do mundo investem mais dinheiro no arsenal repressivo do que na produção de bens sociais, por que há mais policiais nas ruas do que assistentes sociais e artistas?</p>
<p> </p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;">Globalização</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15206 img-responsive" src="https://www.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/02_Globalisation.png" alt="" width="950" height="712" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/02_Globalisation.png 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/02_Globalisation-300x225.png 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/02_Globalisation-768x576.png 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<blockquote><p><em>Onde se cobra a renda per capita? Mais de uma pessoa faminta gostaria de saber.</em></p>
<p>­—Eduardo Galeano</p></blockquote>
<p> </p>
<p>O conceito usado para explicar o definhamento da vida social por todo o planeta é o neoliberalismo, em sua essência, uma plataforma política criada por agências multinacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial e os intelectuais em torno dessas instituições que absorveram a lógica burguesa de que é a engenhosidade corporativa que faz a História, não o trabalho social dos seres humanos. São as corporações, eles afirmam, que criam empregos, portanto, para alcançar uma economia estável, é necessário atender às necessidades dessas corporações. O Capital é visto como o motor da história – corporações e empreendedores. Não é o trabalho social que é visto como motor – os trabalhadores que projetam nosso futuro e cujo trabalho duro produz as mercadorias que tornam o presente melhor.</p>
<p>Os críticos da política neoliberal se voltam aos projetos da Primeira Ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, e do Presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, para explicar como o neoliberalismo mudou o mundo. Foram líderes que condenaram políticas públicas, orientaram suas agendas segundo o desejo das instituições financeiras globais, privatizaram bens do povo e canibalizaram recursos sociais. Mas por quê? Por que foram em direção à privatização e à canibalização?</p>
<p>Uma abordagem idealista da História é inadequada. O neoliberalismo não surgiu do nada. Foi posto em prática por esses governos para resolver problemas práticos produzidos por mudanças estruturais no modo de produção global. O capitalismo sempre buscou um mercado global, ansioso para libertar-se dos limites impostos pelos governos nacionais, ansioso pela busca de novos recursos e novas técnicas para produzir bens a menores custos e encontrar novos mercados para os quais venderia esses bens a preços elevados. Mas as grandes ambições globais do Capital foram postas em xeque pelos limites da tecnologia como a impossibilidade de acessar informação em tempo real do planeta todo – e por movimentos da classe trabalhadora que exigiram que os Estados-nacionais restringissem o Capital em benefício do Trabalho. Mas, na década de 1970, algumas barreiras tecnológicas foram superadas e o poder da classe trabalhadora foi relativamente reduzido. O Capital estava apto então a subir em sua carruagem e observar o mundo de cima, por meio de seus satélites, acumulando informação em seus computadores e em busca dos trabalhadores mais baratos e dos mercados mais amistosos. A era da globalização é inaugurada pela posição divina do Capital.</p>
<p>Uma época mágica se abriu ao Capital. O desenvolvimento tecnológico veio rapidamente e as massas trabalhadoras se enfileiravam nas fábricas globalizadas, ao mesmo tempo que novos regimes de propriedade intelectual protegiam os ganhos do Capital, apesar das objeções políticas de Estados fragilizados pelo mundo. O poder que trabalhadores e camponeses tinham sobre o Estado havia sido completamente entregue aos capitalistas. Agora, alguém poderia dizer que a função do Estado era de fato ser o comitê administrativo dos interesses em comum da burguesia.</p>
<p>As condições políticas para a globalização foram definidas pela crise da dívida imposta pelo sistema financeiro aos países do Terceiro Mundo. Um aumento acentuado nas taxas de juros norte-americanas em 1979 – o Choque de Volcker (em homenagem ao presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Paul Volcker) – agitou as economias do Terceiro Mundo. O que essa política monetária fez foi exportar a inflação dos Estados Unidos para o resto do mundo. As altas taxas de juros do dólar fizeram com que a taxa de oferta interbancária de Londres (London Inter-Bank Offer Rate, ou LIBOR) disparasse. Sem que tivessem qualquer culpa, os países do Terceiro Mundo se encontravam em níveis catastróficos de vívidas com bancos comerciais e países ocidentais. A situação dos quinze países mais endividados (com base na avaliação do Banco Mundial) é ilustrativa. Em 1970, esses quinze países tinham uma dívida externa pública de $17,9 bilhões (9,8% do seu Produto Interno Bruto, PIB). Em 1987 – no auge da crise da dívida – o valor subiu para $402,2 bilhões (47,5% do PIB).</p>
<p>O pagamento do serviço da dívida ou dos juros sobre o empréstimo era monumental, passando de um já alto pagamento de $2,8 bilhões em 1970 à incontrolável quantia de $36,3 bilhões em 1987. Em 1991, os números atingiram um patamar inaceitável. O total da dívida externa dos países do Terceiro Mundo era de $1,4 trilhões, o equivalente a 126,5% do total das exportações desses países, ou seja, o montante devido era maior do que o total adquirido com a exportação de bens e serviços.</p>
<p>A crise da dívida do Terceiro Mundo esmagou a capacidade desses países de fornecerem bens sociais às suas populações. A UNICEF – Agência das Nações Unidas para a Infância – observou que a crise da dívida resultou numa queda de 25% na renda média na década de 1980, uma década perdida. Os 37 países mais pobres do mundo reduziram o investimento per capita em Saúde em 25%, e 50% em Educação Ela estimou que em 1988, meio milhão de crianças morreram de doenças evitáveis, resultado da crise da dívida. Observou ainda que 40 mil crianças morriam todos os dias por causa do sistema financeiro. Na época, o Presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, colocou claramente: “Devemos deixar nossas crianças com fome para pagar nossas dívidas?”.</p>
<p>A crise da dívida no Terceiro Mundo havia destruído a confiança política de muitos países na África, Ásia e América Latina – o que significa que eles tinham muito pouco para barganhar quando multinacionais chegavam para negociar “zonas de livre comércio”. Foi a crise da dívida que enfraqueceu o poder de barganha dos países pós-coloniais, enfraquecendo a determinação de seus líderes e a confiança cultural nas elites nacionais. “Quem te alimenta”, alertou Thomas Sankara, Presidente de Burkina Faso, “te controla”. E foi assim que aconteceu.</p>
<p>Foi sobre os túmulos dessas crianças e da fraqueza dos países do Terceiro Mundo que a nova arquitetura da globalização pôde ser construída. Havia três elementos para essa nova dinâmica: o desenvolvimento de novas tecnologias, a entrega de milhões de novos trabalhadores às estratégias de acumulação de empresas monopolistas e a criação de um novo regime de propriedade intelectual.</p>
<p>Primeiro, novas tecnologias – como comunicação via satélite, computadorização e os porta-contâineres – possibilitaram que empresas tivessem a capacidade de administrar bases de dados globais em tempo real e de transportar mercadorias o mais rápido possível. Empresas poderiam dissolver fábricas e instalá-las em vários países ao mesmo tempo um processo conhecido como desarticulação da produção. Cada fábrica produz uma parte da mercadoria final, sendo a empresa capaz – graças às informações detalhadas mantidas na base de dados dos proprietários de julgar qual país seria capaz de fornecer o lugar mais barato para as necessidades de produção. O Capital não precisa construir fábricas perto dos mercados ou construir uma fábrica gigante. Esses tempos acabaram. Agora, o Capital pode tirar vantagem de pequenas mudanças no preço de custo para construir fábricas menores em mais lugares. Por causa dos avanços no transporte – a conteinerização, por exemplo – o Capital pode movimentar partes da mercadoria rapidamente, e relativamente a baixo custo, bem como movimentar mercadorias de um mercado para outro com relativa facilidade. Os meios tecnológicos para retirar a produção de um território e transportá-la para todo o planeta agora estão disponíveis.</p>
<p>Segundo, as barreiras erguidas pela Revolução de Outubro, pela Revolução Chinesa e pelo Projeto Terceiro Mundo começaram a tombar na década de 1980, por conta da crise da dívida, a queda da União Soviética e a abertura do mercado de trabalho chinês ao Capital estrangeiro. Milhões de trabalhadores, anteriormente protegidos das demandas capitalistas em larga escala, tornaram-se presas do mercado. Restava a eles esperar que algum ramo das fábricas lhe oferecessem um posto de trabalho.</p>
<p>Em terceiro lugar, o Capital foi para a mesa final da Rodada do Uruguai do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), de 1986 a 1994, para garantir que os direitos sobre a propriedade intelectual pudesse estar sob seu controle ao invés de estarem sob controle social. Anteriormente, a propriedade intelectual estava envolvida no processo pelo qual um bem era produzido, não no bem em si. Isso permitiu que as pessoas encontrassem novos caminhos para produzir bens e, portanto, aprimorar a ciência e a tecnologia. Engenharia reversa de bens era possível, o que foi crucial para o setor farmacêutico dos países mais pobres, em que pôde desenvolver remédios que salvam as vidas dos mais pobres. Depois da última rodada do GATT, que criou a Organização Mundial do Comércio (OMC) em 1994, a ideia de propriedade intelectual mudou. Agora, o bem em si deveria ser patenteado, o que significa que o próprio Capital pode arrecadar aluguel de qualquer um que produza esse bem – independentemente de suas inovações. Também significa que o valor dos bens produzidos fora do território central do Capital – América do Norte e Europa Ocidental – estarão protegidos pelo novo regime de propriedade intelectual.</p>
<p>Além disso, a nova estrutura de propriedade intelectual – através do patenteamento de nanotecnologia, genômica e transgênicos – propiciou um novo poder às maiores indústrias alimentícias sobre a agricultura, que transcende o controle sobre a terra. Também propiciou às “empresas da informação” as bases para o novo impulso da “colonização digital” – nomeadamente, o roubo de dados por grandes “empresas da informação” rumo à consolidação de novos desejos através de novos meios de vigilância do consumidor e a entrega de conteúdo principalmente Ocidental para as pessoas ao redor do mundo (a morte lenta da “neutralidade da rede” como um princípio de uma Internet social é outro indicador de colonização digital). Esse foi o novo marco legal da arquitetura da produção desarticulada.</p>
<p>A Organização Mundial do Comércio surgiu como resultado da chamada ‘Grande Barganha’, como foi colocado pelo economista Omar Dahi. Grande parte do Sul global, prejudicada pela crise da dívida, abriu mão de sua política industrial, da proteção de seus trabalhadores e do mercado interno, em troca da exportação agrícola e da extração de matéria-prima. Na realidade, perderam sua soberania econômica tanto na indústria quanto na agricultura.</p>
<p>Foram esses três elementos que permitiram que as empresas operassem em escala global. Elas usaram duas estratégias diferentes em toda a cadeia global de mercadorias para a produção de bens e serviços. Primeiro, elas mudaram todo o processo produtivo no exterior para um único país, o que é conhecido como terceirização do Investimento Estrangeiro Direto (IED). Com isso, a multinacional ainda deve investir em algum outro país para construir a estrutura física necessária para a produção. Em segundo</p>
<p>lugar, essas multinacionais simplesmente contrataram empresas nacionais para produzir suas mercadorias, que por sua vez lutariam umas contra as outras numa corrida até o fundo. Essa “terceirização remota” – como colocou o economista político John Smith – permite que as multinacionais economizassem capital e não arcassem com quase nenhum risco do processo produtivo. De qualquer maneira – através de IED ou de terceirização – o Capital encontrou sua vantagem na arbitragem trabalhista, usando força de trabalho mais barata e enfraquecida para produzir mercadoria, enquanto provoca a quebra de sociedades econômicas no Norte e no Sul.</p>
<p>Essa nova geografia da produção enfraquece o poder dos trabalhadores removendo duas estruturas institucionais que constróem o poder operário – os sindicatos e a nacionalização. Como os trabalhadores podem construir sindicatos nessas empresas terceirizadas que sobrevivem com pequenas margens nas mãos de proprietários que usam os meios mais brutais de extrair trabalho de força de trabalho substituível? Como podem os Estados, mesmo os que são geridos por trabalhadores, nacionalizar parte do processo de produção se eles não controlam todo o processo produtivo de uma mercadoria? Nenhum desses meios está disponível aos trabalhadores, cujas propostas de mudança foram sufocadas pelos traços de campo de concentração das Zonas de Processamento de Exportação e das fábricas maquiladoras.</p>
<p>A terceirização remota permite que as multinacionais do Norte não mais invistam seu capital no processo de produção. Nike, Apple e outras como elas não investem dinheiro em fábricas, são empresas de marca. Os lucros oriundos dos aluguéis arrecadados de suas marcas são astronômicos – e eles não são necessariamente reinvestidos em iniciativas produtivas. Não é de se surpreender que multinacionais estejam sentadas em enormes quantias de dinheiro ou que tenham transformado montanhas de capital em cassinos financeiros improdutivos. Ao invés de investir esse dinheiro em iniciativas produtivas ou em benfeitorias sociais, elas o acumulam no circuito financeiro em que tentam produzir mais dinheiro a partir dele, sem a intermediação da produção. Continua não sendo surpresa que as pessoas que controlam algumas dessas multinacionais tenham se tornado indecentemente ricas. Segundo um estudo da Oxfam, atualmente, oito homens detém tanta riqueza quanto cinquenta por cento de toda a humanidade. Sua riqueza é uma resultante imediata da terceirização remota estabelecida pela desarticulação da produção e do crescimento atmosférico do setor financeiro, resultado da falta de necessidade em investir na produção.</p>
<p>Os ricos e as corporações não apenas acumularam enormes quantias de dinheiro, mas também – nos últimos 40 anos – se recusaram a dividí- lo. Corporações norte-americanas – por si só – mantém $1,9 trilhões em dinheiro nos Estados Unidos e mais $1,1 trilhões em contas no exterior. Bancos estadunidenses mantém em reserva $1 trilhão em dinheiro. É uma soma de $4 trilhões. Acrescentando o dinheiro mantido por corporações e bancos na Europa e no Japão, a soma chega a $7,3 trilhões, um número que não inclui o dinheiro sujo acumulado em Luxemburgo, Cingapura, Suíça e outros paraísos fiscais. Esse número – de acordo com a Agência Nacional de Pesquisa Econômica e com base nos números do Banco de Compensações Internacionais – indica que paraísos fiscais mantém uma estimativa de $5,6 trilhões (em 2007). A riqueza no exterior – mantida nesses paraísos – soma cerca de 10% do total do PIB global. Em alguns países (como os Emirados Árabes Unidos), a riqueza no exterior representa 70% do PIB. As elites dos Emirados, Venezuela, Arábia Saudita, Rússia e Argentina são as que mantém a maior porcentagem do PIB em riquezas no exterior. Esse vasto estoque de capital monetário significa que as multinacionais e os indivíduos mais ricos terceirizaram a estagnação econômica no coração do mundo – eles se recusaram a investir esse dinheiro no mundo social do trabalho, enquanto insistiam em cortes nos orçamentos nacionais mantidos pelos impostos pagos em sua maioria por trabalhadores e camponeses, e em abaixar o padrão de vida de trabalhadores e camponeses. Não há escândalo maior do que essa obstrução estrutural de capital, essa ‘greve de investimentos’.</p>
<p>Com base nessa dura realidade, é necessário desenvolver – numa linguagem popular – o conceito de ‘greve fiscal’. Aqueles que detém o Capital, que são proprietários, estão – essencialmente – em greve contra os regimes tributários. Eles usam suas vastas riquezas para esconder seu dinheiro ou mudar leis fiscais para que elas ofereçam-lhes proteção. Essa vasta riqueza não é usada de modo produtivo, de modo substancial. Quando o é, é usada para inflar o mercado de ações e as várias bolhas de ativos. A mais obscena forma de uso desse Capital está no centro do mundo financeiro: Wall Street. A turbulência que essa dinâmica pode produzir foi mostrada na explosão da maior bolha de ativos até o momento entre 2007 e 2008 – o mercado imobiliário dos Estados Unidos. No auge do boom imobiliário, a injeção de liquidez do governo dos Estados Unidos nos bancos foi chamada de Pacote Greenspan – o Presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, famoso por inundar mercados com Capital, usado para inflar bolhas de ativos, como os preços de habitação. Sem qualquer esquema real de assistência social ou aposentadoria, a aposentadoria dos estadunidenses mais velhos de classe média teve como premissa o aumento dos preços de habitação. Esse era o principal ativo, e por isso a classe média do país aceitou de bom grado o Pacote Greenspan e torceu para que as finanças crescessem fora de controle para seu próprio benefício de curto prazo. O Pacote Greenspan permitiu o sonho norte-americano para as camadas médias e superiores da classe trabalhadora que estava fundamentado no aumento de preços dos imóveis.</p>
<p>Se os preços de habitação permitiram que as camadas médias e superiores da classe trabalhadora pudessem sonhar com a aposentadoria, créditos bancários permitiram que as taxas de consumo crescessem muito além de seus próprios salários. O mercado estadunidense opera como “comprador em última instância” para o mercado mundial, absorvendo bens e serviços, assim como recursos de todo tipo de todo o planeta. A escala de consumo dos EUA é astronômica. Sendo apenas 5% da população mundial, os Estados Unidos consome pelo menos um quarto de toda energia. Se cada pessoa do planeta vivesse como um residente dos EUA, seriam necessárias pelo menos quatro Terras para sustentar esse nível de consumo. A escala de consumo, impulsionada pelo Greenspan e pelo crédito concedido através do sistema bancário permite que o consumidor estadunidense se torne essencial para os fabricantes, da China até o México. Portanto, a inflação do mercado de ativos e a entrada de crédito barato no setor de consumo dos EUA não é irracional para o sistema, mas perfeitamente racional. O sistema está desenhado desta maneira, com uma racionalidade que o leva de uma crise para outra, do caos ao caos.</p>
<p>Quando o mercado imobiliário dos Estados Unidos – uma bolha muito inflada – estourou, Greenspan, um dos principais especialistas em política monetária, disse estar “chocado”. Quando Greenspan compareceu diante do Congresso dos EUA em 2008, enfrentou perguntas sagazes do deputado da Califórnia Henry Waxman:</p>
<p>Greenspan: cometi um erro ao supor que o interesse próprio das organizações, especificamente dos bancos e outras, era tal que seriam capazes de proteger a seus próprios acionistas e seu capital nas empresas.</p>
<p>Waxman: Em outras palavras, descobriu que sua visão de mundo, sua ideologia, não estava correta, não funcionava.</p>
<p>Greenspan: Absolutamente, precisamente. Você sabe que essa é exatamente a razão pela qual me surpreendi, porque operei durante quarenta anos ou mais com evidências consideráveis de que ela funcionava excepcionalmente bem.</p>
<p>A ideologia de Greenspan, sua teoria, era defeituosa, e ele se chocou, mas isso não teve nenhum impacto na Economia como profissão ou em suas abordagens sobre políticas públicas. O monetarismo saiu ileso desta crise. A política macroeconômica permaneceu em mãos de tecnocratas que reforçaram a visão de que não é necessário haver uma discussão política sobre suas eleições. Estavam acima da política, no território da teoria, uma teoria que o próprio Greenspan havia declarado ao Congresso dos Estados Unidos que estava errada. O ex–ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, disse claramente: “O perigo de um golpe nos dias de hoje não vem de um tanque, mas de um banco”. Não foi necessário um golpe militar (exceto em alguns países) quando lobistas bem pagos e banqueiros bem-comportados acorrentaram a democracia.</p>
<p>Essa greve fiscal permitiu que indivíduos acumulassem grandes – inimagináveis – quantidades de riqueza social. Esta riqueza, muito além do que uma pessoa ou uma família podem consumir, criou o culto mórbido da filantropia. Doadores ricos se converteram em heróis do nosso tempo, com destaque para Bill Gates e seu trabalho em medicina e outros homens e mulheres endinheirados vistos como campeões contra a pobreza. Foram esses indivíduos que se converteram nos principais promotores de políticas sociais contra as necessidades democraticamente produzidas de um país. Desse modo, as políticas públicas estão agora menos impulsionadas pelas instituições democráticas e mais pelas agendas dos doadores. Como disse Sarah Musaka, do Fórum Feminista Africano: “Devemos advertir contra as tentativas de despolitizar a economia e o desenvolvimento, e impedir que esta agenda (de novo desenvolvimento) seja totalmente dirigida pelos doadores”.</p>
<p>As greves fiscais unem–se à insistência dos oficiais responsáveis pelas políticas públicas (respaldados pela força do grande capital) de que os funcionários públicos devem equilibrar os livros de finanças públicas. Os governos devem equilibrar seus orçamentos, mesmo quando o capital reduz seus pagamentos ao erário. Isso significa que os governos se veem forçados a vender seus ativos para levantar fundos a fim de continuar mantendo as instituições sociais ou se livrar dos bens sociais. A responsabilidade fiscal, junto com a greve fiscal, significa finanças públicas empobrecidas. Não é de se estranhar, então, que a pressão social passe agora do Estado para a sociedade. O que a mão invisível destruiu, o coração invisível teve que manter unido, os custos sociais da globalização desgastaram a sociedade, cujos laços soltos se mantiveram unidos pelo trabalho de tripla jornada, realizado majoritariamente nas famílias pelas mulheres.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;">Neoliberalismo</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15215 img-responsive" src="https://www.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/03_Neoliberalism.png" alt="" width="950" height="783" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/03_Neoliberalism.png 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/03_Neoliberalism-300x247.png 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/03_Neoliberalism-768x633.png 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<blockquote><p><em>Filosofia de uma sociedade sem esperança,</em></p>
<p><em>O homem come o homem, o homem não pode planejar</em></p>
<p><em>Sociedade de homens brancos, FMI e subsídios</em></p>
<p><em>e como mendigos, continuamos estendendo nossas mãos.</em></p>
<p>—Kalamashaka, Ni Wakati</p></blockquote>
<p> </p>
<p>Os Estados modernos, com compromissos sociais obtidos pela população através de lutas sustentadas, não puderam cortar imediatamente todos os direitos sociais. Cuidado infantil, educação, transporte, ar fresco, bem estar, aposentadorias, as pessoas haviam forçado os Estados a fornecer tudo isso. E isto foi parte da definição mínima de civilização moderna. O neoliberalismo foi produzido pela greve fiscal, responsabilidade fiscal e demandas públicas por direitos sociais. O neoliberalismo, em outras palavras, foi o produto de uma solução burguesa de políticas públicas à crise da globalização.</p>
<p>As greves, fiscal e de investimento, junto com a responsabilidade fiscal, evaporaram os orçamentos públicos. Os governos burgueses simplesmente não puderam encontrar meios para cumprir com suas obrigações. Os suados ativos públicos e parte da natureza não mercantilizada foram a leilão. Essa privatização levantou fundos para manter as frágeis finanças dos Estados modernos. Entidades internacionais como o FMI e os bancos comerciais puniram os Estados que não executaram cortes suficientes nos gastos públicos, degradando seus títulos, impedindo-os de levantar capital em curto prazo que poderia tê-los protegido da espiral que os levou à falência.</p>
<p>O controle das instituições ocidentais sobre as “nações em desenvolvimento” hoje é bem conhecido. Um relatório do Banco Mundial de 2007 revelou que, até o fim do ano anterior, “as agências de avaliação de risco haviam classificado apenas 86 países em desenvolvimento. Destes, 15 países não foram qualificados desde 2004. Quase 70 países em desenvolvimento nunca haviam sido qualificados”. Em outras palavras, as agências privadas – Fitch, Moody’s e Standard &amp; Poors – ignoram estes países e dificultam a obtenção de capital nos mercados comerciais. Quem qualifica esses países, muitas vezes negativamente, é o FMI, fazendo com que o dinheiro seja caro para eles. Estes países não perdem apenas porque seu PIB está sub declarado (uma vez que exportam matérias-primas valiosas a preços baixos, que são marcadas quando entram na zona imperialista), mas também sofrem prejuízos porque são considerados devedores de alto risco. Esta é a armadilha do financiamento para o desenvolvimento, em que as nações pobres em capital estão condenadas a permanecer assim. A liquidação dos ativos públicos é vista como a única forma de conter a hemorragia dos orçamentos nacionais.</p>
<p>O dinheiro arrecadado com as privatizações continua sendo usado para pagar as obrigações da dívida, bem como para arcar com as onerosas importações de energia. Este dinheiro não é usado para proporcionar nova infraestrutura nem para incrementar a riqueza social; ele raramente é usado para investimentos em educação e para ampliar as capacidades da população. Isto é, essencialmente, uma forma de roubo. Um estudo recente da Global Financial Integrity e do Centro de Pesquisa Aplicada da Escola Norueguesa de Economia constatou que, o total de ajuda, investimentos e renda que entrou nos países em desenvolvimento a partir do estrangeiro, desde 2012, ultrapassou a marca de US$ 1,3 trilhão. É uma quantidade enorme de dinheiro. Então, o estudo analisou os fluxos que saíram dos países em desenvolvimento no mesmo ano, e descobriu que a cifra era de US$ 3,3 trilhões. Em outras palavras, o mundo em desenvolvimento sofreu uma sangria de US$ 2 trilhões do Ocidente.</p>
<p>Desde 1980, o total de riqueza drenada foi de US$ 16,3 trilhões. As nações mais ricas, como vampiros, têm sugado a riqueza dos países mais pobres – não apenas no auge da colonização, como de fato ocorreu – mas na era atual. O que caracteriza esse dinheiro que escapa do mundo em desenvolvimento? Ele vem em três pacotes – US$ 4,2 trilhões em serviço da dívida (quase quatro vezes o total dos pacotes de ajuda), receita de empresas estrangeiras que são repatriadas para o Norte Global e fluxos desregulamentados e ilegais de capital (não só “dinheiro sujo”, mas também subfaturamento comercial, que sozinho alcançou a marca de US$ 700 bilhões em perda de capital). Para o Sul Global, então, os fundos para o desenvolvimento social básico não estão facilmente disponíveis.</p>
<p>As coisas não são mais simples no Norte Global, onde as obrigações neoliberais do Estado levaram o desenvolvimento social ao setor privado. De fato, a experiência da política pública neoliberal do Norte Global tornou-se mundial. A diminuição de impostos para os ricos e as restrições frouxas que permitem que as corporações repatriem seus lucros para os territórios onde estão domiciliadas diminuíram os ativos nos orçamentos nacionais. Os enormes gastos militares e com serviços de segurança minam o tesouro nacional. Não são fornecidos recursos para serviços sociais essenciais como educação e saúde. Então, torna-se uma obrigação privada dos cidadãos encontrar os meios para pagar o que deveria ser um direito social. O resultado é o aumento das dívidas pessoais quando as pessoas estudam ou adoecem.</p>
<p>Os jovens e os trabalhadores mais velhos que mudam de emprego são obrigados a pagar por sua educação, endividando-se, já que a educação é prometida como um caminho para o progresso individual. A dívida de financiamentos estudantis nos Estados Unidos é atualmente de 1,3 trilhão de dólares, e no Reino Unido, de 500 bilhões. Esse modelo de privatização dos direitos sociais foi rapidamente exportado para o mundo inteiro. O endividamento estudantil está crescendo da China até a África do Sul, da Índia ao México. Nos EUA, 85% da população tem algum tipo de seguro de saúde e, mesmo assim, em 2012, os moradores deste país gastaram US$ 2,7 trilhões em assistência médica do próprio bolso.</p>
<p>Um estudo de 2010 mostrou que 40% das pessoas que vivem nos Estados Unidos encontram dificuldades para pagar suas despesas médicas. As dívidas médicas são o principal motivo pelo qual os indivíduos declaram falência nos EUA. Esse “modelo estadunidense” de privatização resultou num aumento das falências por dívidas de assistência médica no mundo. Na Índia, o Banco Mundial e a Organização Mundial de Saúde (OMS) descobriram que, em 2011, 52,5 milhões de pessoas haviam empobrecido por causa dos custos com cuidados de saúde. Todos os anos, de acordo com o Banco Mundial e a OMS, aproximadamente 100 milhões de pessoas tornam-se “extremamente pobres” por causa destes custos. O número aumenta para 180 de pessoas por ano se aumentarmos o limiar da pobreza extrema de US$ 1,90 ou menos por dia para US$ 3,10 diários.</p>
<p>O ensino superior gratuito – um grande avanço da socialdemocracia – está reduzindo gradualmente em todo o mundo. As dívidas universitárias sufocam a capacidade dos estudantes de experimentar novas ideias. Eles estão ansiosos por carreiras que possam aumentar sua capacidade de encontrar trabalho bem remunerado quando se formarem. Para isso, dedicam seu tempo à procura de estágios não remunerados, cujo crescimento tem sido astronômico nas últimas décadas. Os estudantes buscam aulas de “coaching” que os ajudem com seu inglês, para ingressarem em programas privados de pós-graduação em instituições caras, e esperam que esses investimentos deem frutos em empregos que estão cada vez mais escassos. Isso significa que os cursos que desafiam a ordem social vigente ou que introduzem os estudantes ao pensamento inovador (sejam nas artes ou nas ciências) se tornam menos atrativos. A universidade se torna cada vez menos uma incubadora social e cada vez mais em um trampolim para o sucesso individual, impulsionado menos pela cobiça e mais pelo desespero perante as dívidas. Isto tem um impacto na vida intelectual em geral. “Era uma vez”, disse o professor Issa Shivji, da Universidade de Dar es Salaam, na Tanzânia, “a época em que nossas universidades tinham orgulho de serem centros de contestação, e agora procuramos ser centros de excelência. E a excelência não pode ser alcançada se for contestadora.” Em outras palavras, o discurso da “excelência” absorve a energia das novas ideias, especialmente as elaborações do pensamento contra hegemônico baseadas nas experiências de trabalhadores, camponeses e desempregados.</p>
<p>Como deve crescer a economia? A política neoliberal optou por liberar os espíritos selvagens do consumismo, pago por meio da dívida e da criação de novas tecnologias, e ativos que aumentariam milagrosamente as taxas de crescimento e produziriam uma riqueza social que poderia – de alguma forma – ser investida em bens sociais. Nada disso aconteceu. Ao contrário, o consumismo e o surgimento de novas tecnologias levaram ao endividamento e os ativos inflaram uma turbulência da economia global, uma civilização vicária, baseada na fraude e no roubo. Para fazer a economia crescer, as pessoas comuns precisaram endividar-se.</p>
<p>A dívida é parte do plano para manter o ritmo da economia, para garantir que a superprodução de mercadorias encontre compradores. A proliferação da publicidade para criar novos desejos é evidente na paisagem visual ao nosso redor. Empresas desenvolveram sofisticadas teorias de segmentação de mercado para concentrar-se mais nos desejos e, assim, produzir subculturas de consumo. Cria-se demanda para bens que não são essenciais ou que são novas versões de produtos anteriores que não precisam ser substituídos (como o desejo por telefones e automóveis novos).</p>
<p>A dinâmica da obsolescência programada certamente ajuda a expandir o mercado saturado, mas ao mesmo tempo cria enormes volumes de desperdício. A produção anual de lixo no mundo, segundo um estudo do Banco Mundial, chega a 1,3 bilhão de toneladas, ou seja, 11 milhões de toneladas de lixo por dia. Estima-se que 99% do que é comprado é descartado dentro de seis meses. O estudo do Banco Mundial mostra que até 2025, o total diário de lixo triplicará, e que em 2100, o total de lixo passará de 4 bilhões de toneladas por ano. Desde 1950, o mundo gerou 9 bilhões de toneladas de resíduos plásticos, dos quais apenas 9% são reciclados. A imagem especular da obsolescência programada para expandir um mercado em contração é montanhas de lixo que encontram seu lugar no fundo do mar e os gases tóxicos produzidos pela incineração de aterros sanitários que penetram em terras férteis e na valiosa água potável. O volume de lixo e a destruição da natureza estão corroendo lentamente a capacidade do capitalismo de cavalgar em direção à sua própria versão do Nirvana.</p>
<p>Mais do que como uma política econômica, o neoliberalismo tem funcionado como uma agenda cultural desejável. A promessa de um mundo de commodities é o apelo da política neoliberal. Mas por trás disso está um chamado a viver a vida não como um ser humano, mas como um empreendimento comercial. A sensibilidade de uma cultura empresarial ou de uma cultura empreendedora atrai pessoas de todas as origens, mas – como mostram uma grande quantidade de pesquisas psicológicas impacta de maneiras divergentes sobre os seres humanos.</p>
<p>As pessoas com menos recursos não são tão capazes de prosperar em um mundo de autoaperfeiçoamento e automotivação, não são tão capazes de viver com a assunção de ser indivíduos autoimpulsionados em um mundo onde o êxito está baseado nas origens e na sorte. Depressão e insegurança é o resultado de uma sociedade cada vez mais dirigida por um impulso quixotesco de êxito imediato baseado no talento ou na motivação individual. O fracasso é um custo que se assumo individualmente. “A vida psíquica do neoliberalismo”, como afirma a socióloga Christina Scharff, prejudica não apenas a sociedade, mas também a personalidade humana. Enfraquece a cultura da solidariedade em favor das culturas do consumismo e do individualismo, o que leva, em suma, a uma maior ansiedade dispersa e menos coesão social. Para esclarecer a questão, a Organização Mundial de Saúde sugere que nos últimos 45 anos as taxas de suicídio aumentaram em 60%. O suicídio é, hoje, como aponta a OMS, uma das três principais causas de morte entre mulheres e homens de 15 a 44 anos. A ideologia neoliberal, por mais sedutora que seja, tem efeitos duros em uma sociedade desigual e particularmente na juventude.</p>
<p>Os dados sobre a pobreza em nossos tempos são absolutamente espantosos. Comecemos pelo fato de que 22 mil crianças morrem a cada dia por causa da pobreza. A cada dez segundos uma criança morre de fome. Cerca de metade da população mundial vive com menos de US$ 2,50 por dia. As taxas de endividamento das famílias em boa parte do mundo aumentaram drasticamente, envolvendo a classe média em padrões de consumo impulsionados pelo endividamento. Esses dados têm consequências miseráveis: a riqueza global, extraída da exploração do trabalho social, tem sido sequestrada por um número muito pequeno de pessoas; e a redução do sofrimento de um grande número de pessoas será esporádica e insuficiente.</p>
<p>Categorias mais antigas que foram deixadas de lado pelas ciências sociais, tais como humilhação, frustração, desolação, alienação, raiva – serão necessárias para entender as condições do planeta das favelas. Em vez de lutar para acabarem com a greve fiscal, os governos do mundo voltam suas energias para encurralar as massas através de dispositivos muito engenhosos: a Guerra às Drogas, a Guerra ao Terror, com um novo vocabulário que sugere a inevitabilidade de novos mecanismos de controle: segurança, vigilância, redução de riscos, análise de sensibilidade, perigos. A riqueza social que poderia ser usada para erradicar a pobreza agora se move, cada vez mais, para construir o arsenal da “segurança”.</p>
<p>Um relatório de 2016 do Instituto para Economia e Paz mostrou que o custo total da violência por ano é de aproximadamente US$ 13,6 trilhões, dos quais a metade (US$ 6,6 trilhões) são gastos militares e um quarto (US$ 3,5 trilhões) corresponde a gastos com segurança interna. O custo total da violência é de 13,3% do PIB mundial. Dado que o compromisso declarado para Assistência Oficial ao Desenvolvimento é apenas 0,7% do PIB global, esta discrepância entre assistência e violência mostra que o mercado falhou. A política neoliberal, que é essencialmente asfixiar a parte social das políticas públicas e ser indulgente com a parte militar das mesmas, tem poucas respostas diante da crescente brecha de desigualdade e da sensação de desespero, cada vez mais profunda, que se apodera de grande parte do planeta. As armas intimidam as pessoas, mas não lhes dão nenhuma esperança de um futuro melhor.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;">Neofascismo</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15224 img-responsive" src="https://www.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/04_neofascism.png" alt="" width="950" height="897" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/04_neofascism.png 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/04_neofascism-300x283.png 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/04_neofascism-768x725.png 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<blockquote><p><em>Simplesmente, não quero um pobre.</em></p>
<p>—Donald Trump</p></blockquote>
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<p>A fixação em Donald Trump é um instinto natural. É o mais belicoso dos homens poderosos, uma longa linhagem que vai desde o filipino Rodrigo Duterte, passando pelo indiano Narendra Modi até o turco Recip Tayip Erdogan. De todos eles, Trump está à frente do Estado mais poderoso, com ampla capacidade militar, cujo poder flui através das instituições financeiras internacionais e da diplomacia.</p>
<p>Trump e os neofascistas europeus representam uma silenciosa oposição retórica ao neoliberalismo. Não se opõe de forma direta às políticas neoliberais, tendo em vista que seguem comprometidos com políticas de crescimento econômico e de redução de gastos em políticas sociais. As críticas substanciais à globalização não se encontram no nível das políticas públicas, sendo somente no nível retórico ou político. É ali, nos discursos diante de seus eleitores, que Trump e os neofascistas dão uma guinada em políticas de soberania econômica. Eles reclamam da perda de empregos e das políticas comerciais, mas, como os neoliberais, não propõem uma alternativa real à globalização. Estão encurralados pelas contradições materiais: imensos benefícios colhidos pelas corporações multinacionais que alimentam a estrutura financeira, enquanto cresce a miséria da grande maioria da população mundial que produz a riqueza social, sobre a qual não parecem ter nenhum direito.</p>
<p>O neofascismo é o inverso da vida psíquica do neoliberalismo. A atmosfera cultural geral do neoliberalismo parte da ideia de que o êxito é uma questão individual, que a autodireção impulsiona a excelência e a riqueza. Esta é a atitude de Howard Roark, personagem do romance A nascente (1943) da dramaturga e filósofa Ayn Rand, que crê que os de “segunda mão” devem ser apartados para que as pessoas talentosas e motivadas, como ele mesmo, possam ganhar. Mas o que acontece com aqueles que não “ganham”, que não são “bem sucedidos”, que acham, inclusive, difícil viver num nível que acreditam ser necessário para suprir seus desejos? Você não pode permitir que o fracasso seja pessoal, mas tampouco pode compreendê-lo em termos estruturais. É outra pessoa, um bode expiatório, a razão do seu fracasso, não as próprias limitações ou barreiras ao avanço social, impostas pela maneira como o sistema está estruturado. Os que fracassam conforme as regras de Ayn Rand olham por cima dos ombros para encontrar alguém a quem culpar. É como escreveu Ernst Bloch quase um século atrás, uma “fraude de satisfação”, uma comunidade falsa e brutal que substitui uma comunidade genuinamente humana. Se o neoliberalismo culpa os indivíduos pelo seu “fracasso”, o neofascismo culpa um bode expiatório.</p>
<p>O que os neofascistas propõem é muito mais frágil que a soberania econômica estruturada em torno dos Estados-nacionais ou ao redor da classe trabalhadora. Sua retórica brilha em torno do nacionalismo econômico, mas, na verdade, suas medidas políticas estão à beira do nacionalismo cultural. Eles são obcecados com uma fantasia de homogeneidade cultural: uma Europa sem minaretes ou hijabs, uma Índia sem muçulmanos, os Estados Unidos sem mexicanos. O sentimento anti-imigrante é a plataforma do seu nacionalismo. O comércio deixa de ser baseado nos princípios do intercâmbio e está cada vez mais embasado no racismo. Há poucas discussões sérias sobre como as maiores taxas de produtividade no Ocidente, impulsionadas pela tecnologia, causaram perdas de emprego. O comércio desempenhou um papel marginal na sangria dos empregos de “colarinho branco”. Discussões econômicas sérias são colocadas de lado, já que o antídoto contra o sofrimento se vê sufocado por “Construir o Muro”, “Proibição Muçulmana”, “Proibição da carne” e a guerra contra “traficantes, ladrões e vagabundos”, slogans de grande significado para aqueles que são golpeados por eles, mas com pouco significado para aqueles que sofrem de insegurança econômica. Esta é a crueldade do neofascismo, a forma política dominante de nossos tempos.</p>
<p>Os filhos de Ayn Rand que creem que triunfaram, estão agora no comando, muito dinâmico, de Wall Street, da Finanzplatz, da Dalal Street e da Cidade de Londres, com a sensação de que a carga tributária diminuirá ainda mais e que a liquidez permitirá a criação de riquezas como nunca houve antes no mundo financeiro. As “reformas” tributárias da administração de Trump são indicadores do favoritismo em relação aos filhos de Ayn Rand do que em relação aos despossuídos. A riqueza está confortável com o neofascismo, ainda que um pouco envergonhada com sua obscenidade cultural. A greve fiscal continua sacrossanta. A greve de investimentos também. Nada disso está ameaçado pelo “nacionalismo” dos neofascistas, que estão muito felizes em dirigir sua atenção contra as pessoas vulneráveis do que contra os proprietários.</p>
<p>Os neofascistas não são obrigados a mascarar sua beligerância, nem a se esconder atrás de frases como “intervenção humanitária” ou “segurança”. Acreditam na violência e querem usá-la em doses alopáticas para manter sua dominação. Os chamados à recolonização somam-se aos chamados de saque dos recursos naturais. Suas guerras, internas e externas, são a profilaxia contra o fracasso de sua fantasia de soberania cultural. Não podem criar um mundo culturalmente homogêneo, então usam a força para intimidar aqueles que são vistos como estrangeiros, como forasteiros, como seres humanos inferiores.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;">Imperialismo</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15233 img-responsive" src="https://www.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/05_Imperialism.png" alt="" width="950" height="733" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/05_Imperialism.png 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/05_Imperialism-300x231.png 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/05_Imperialism-768x593.png 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<blockquote><p><em>Quando o imperialismo se sente fraco, recorre a força bruta.</em></p>
<p>­—Hugo Chávez</p></blockquote>
<p> </p>
<p>Nem o neoliberalismo nem o neofascismo são capazes de conduzir uma agenda humana contra as contradições produzidas pela globalização. As pessoas são vistas como descartáveis, como uma civilização de comunidades fechadas que se colocam acima da sociedade. É um mundo miserável que nos confronta.</p>
<p>É importante dizer diretamente que esta nova arquitetura de produção é mantida por uma extorsão diplomática e legal, bem como por intimidação militar. Quando os países não concordam com os arranjos institucionais que beneficiam em grande parte empresas multinacionais do Norte ou se políticas são movidas contra a sua propriedade, a força total da mídia corporativa e do corpo militar do Norte é colocada em ação. A pressão que vai da Venezuela ao Irã e à Coréia do Norte é uma demonstração visível do imperialismo, isto é, o poder extraeconômico usado pelos Estados em uma era de um capitalismo hiper-monopolista de “terceirização à distância”.</p>
<p>Em nosso período atual, o governo dos Estados Unidos tem sido o principal agente da estruturação do imperialismo. Ele liga uma teia de aliados que corre dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a importantes aliados regionais, como Arábia Saudita, Índia e Colômbia. Os Estados Unidos – e seus países europeus aliados – tem que manter unidos um conjunto insustentável de contradições. Os Estados Unidos deixou claro que não gostaria de ver nenhum rival desafiar sua suposta hegemonia – com os principais rivais do nosso tempo sendo a China e a Rússia.</p>
<p>O Fórum Econômico Mundial estimou que em 2017 os Estados Unidos seria a maior economia mundial (US $ 18 trilhões, pouco acima de 24% do tamanho da economia mundial), seguido pela China (US $ 11 trilhões, 14,84% da economia mundial). Dados do FMI mostram que a economia chinesa cresceu 6,7% em 2016, enquanto a economia dos EUA cresceu a um ritmo muito mais lento de 1,6%. Um estudo da PricewaterhouseCooper diz que a China será a maior economia até 2050. A China, em outras palavras, está prestes a se tornar a maior economia do mundo. Além disso, o dinamismo da economia da China não deve mais ser baseado em trabalho de baixa remuneração, mas sim em melhorias da produtividade impulsionadas pela tecnologia. O relatório da Organização Mundial de Propriedade Intelectual de 2016 mostrou que, no ano anterior, a China havia apresentado o maior número de pedidos de patentes – duas vezes o número de pedidos apresentados por entidades sediadas nos EUA. A China, de fato, entrou com um terço dos pedidos de patentes em 2015. Isto sugere que a China pode desafiar a dominação dos EUA e do Ocidente sobre a estratégia de acumulação por “terceirização à distância” baseada na propriedade intelectual.</p>
<p>Se esses rivais– China e Rússia – emergirem se tornando polos poderosos, então eles desafiariam os três pilares do sistema de vantagens do Ocidente de produção desarticulada e acumulação global de capital: “terceirizações à distância”, direitos de propriedade intelectual e uso da violência pelo Ocidente em beneficio próprio. Há pequenos sinais de que esses três pilares estão de fato sendo desafiados. Os dois primeiros estão certamente sendo prejudicados – embora sejam necessárias muitas décadas para que possam ser colocadas totalmente de lado. O terceiro pilar – monopólio da força – vai ser mais difícil de abalar. Os Estados Unidos, em 2016, gastou em armas mais do que os oito maiores investidores juntos, isto é: China, Rússia, Arábia Saudita, Índia, França, Reino Unido, Japão e Alemanha. Com US$ 611,2 bilhões, os Estados Unidos supera o segundo maior investidor, a China, que, em comparação, gastou apenas 215,7 bilhões de dólares.</p>
<p>O aumento proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para o orçamento militar dos EUA vai adicionar mais aos gastos militares do que o total gasto pelo terceiro maior investidor, a Rússia, em US $ 69,2 bilhões. Os Estados Unidos também tem um enorme rastro militar com suas oitocentas bases espalhadas em mais de setenta países. O Reino Unido, França e Rússia juntas têm um total de trinta bases estrangeiras. A China tem uma base militar estrangeira – no Djibuti – na sombra de uma enorme base dos EUA no mesmo país. As bases militares da Rússia ficam principalmente na antiga União Soviética (majoritariamente na Ásia Central), com duas bases no litoral da Ásia (Síria e Vietnã). Não há indicação de que essas potências – China e Rússia – serão capazes de desafiar a supremacia militar dos EUA a qualquer momento. No máximo, elas serão capazes de deter o agressivo comportamento dos Estados Unidos para conduzir operações para uma mudança de regime, como na Síria.</p>
<p>Apesar de sua fraqueza militar, esses países não podem ser facilmente subordinados. Muita pressão sobre eles iria acabar desestimulando, ou estimulando a construção das suas próprias redes de acumulação fora dos parâmetros das instituições ocidentais. A China já conseguiu através do seu projeto de uma nova Rota da Seda e seus investimentos na África, bem como também através do seu próprio desenvolvimento de propriedade intelectual, está construindo uma arquitetura de produção e acumulação que minaria o processo de produção desarticulada que beneficia as empresas ocidentais. Aumentar a pressão sobre na China e a Rússia pode levar a China a se retirar lentamente do sistema bancário ocidental para colocar seus excedentes em outro lugar e deixar de depender dos mercados ocidentais para a venda de seus produtos. A contradição entre inferiorizar seus rivais e se certificar de que eles não vão para fora da órbita do Ocidente é a tarefa complexa do imperialismo moderno.</p>
<p>O uso da força para fins econômicos é evidente na expansão da OTAN para a Rússia e no cerco à China. Os conflitos armados na Ucrânia e na Coréia do Norte e conflitos não armados em torno do Mar do Sul da China são a medida dessas lutas. Nem a Rússia nem a China estão dispostas a fornecer vantagens econômicas para o Ocidente. A China é a pedra no sapato dos Estados Unidos. Seus superávits comerciais aumentam. O comportamento da China, em oposição ao do Japão, é didático. Nos anos 80 e 90, os superávits comerciais do Japão também incomodaram os Estados Unidos. O governo do Japão permitiu, duas vezes, que a pressão política dos EUA revalorizasse o iene para o melhoramento do dólar (no Acordo Plaza de 1985 e no Acordo Plaza Reverso em 1995). Quando o povo japonês elegeu uma reforma governamental em um mandato para remover a base dos EUA em Okinawa em 2010, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, interveio diretamente para forçar a renúncia do primeiro-ministro Yukio Hatoyama. Não tem sido fácil forçar a China a reavaliar sua moeda e permitir que seu sistema político seja ditado por Washington. Por isso, tem sido decisivo desafiar o uso das rotas marítimas pela China e ameaçar sua segurança com bases militares e sobrevoos.</p>
<p>O mesmo tipo de choque de sabres é evidente na expansão da OTAN para o leste, quebrando o acordo mínimo entre os soviéticos e os alemães para a absorção da recém-unificada Alemanha na OTAN. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Hans- Dietrich Genscher, disse ao ministro das Relações Exteriores da União Soviética, Eduard Shevardnadze: “Estamos cientes de que a adesão da Alemanha unificada à OTAN para uma levanta questões complicadas. Para nós, uma coisa é certa: a OTAN não se expandirá para o leste.” Mas expandiu, e ao fazê-lo com um escudo agressivo de defesa antimíssil, ameaçou diretamente a segurança da Rússia. A crise da Ucrânia é uma consequência clara da expansão da OTAN na Europa Oriental. Esta expansão da OTAN para a Europa Oriental não é apenas para proteger os países ao longo do perímetro russo, mas para garantir que esses países permaneçam dentro dos tentáculos da economia política dominada pelo Ocidente, em vez da Rússia ou China. A força das armas é o punho de ferro dentro da luva de veludo da globalização.</p>
<p>De portas fechadas, os Donos do Mundo – os estados que formam o G7 – continuam suas travessuras apesar da crise financeira mundial. O espaço politico é restrito por eles em instituições internacionais, o que lhes permite grande flexibilidade em termos de subsídios, mas dá pouca liberdade ao Sul Global. A pressão sobre o Sul Global contra os seus requisitos de segurança alimentar é um exemplo. Outro é o Acordo sobre o Comércio de Serviços (TISA, na sigla em inglês) impulsionado pelos EUA, a União Europeia e os seus “bons amigos” (um estranho termo criado pelos EUA e pela UE para se referir ao bloco que eles montaram). A maioria dos “bons amigos” envolvidos nas negociações do TISA são países de alta renda, com apenas dois estados de renda mais baixa inclusos: Paquistão e Paraguai. O TISA força a privatização dos serviços públicos e o controle sobre dados de grandes corporações fora dos territórios onde esses dados são coletados. O objetivo da agenda do TISA é deixar de lado o antigo projeto de desenvolvimento e colocar em seu lugar uma estratégia de comércio eletrônico para reduzir a pobreza. Um relatório da UBS, empresa de serviços bancários e financeiros, sugere que a agenda do comércio eletrônico, ao invés de acabar com a pobreza, a aumentaria. Com o comércio eletrônico, disseram os analistas bancários, os países do Sul Global enfrentarão a ameaça da Quarta Revolução Industrial, que reduz os empregos de baixa qualificação através da automação extrema, mas pode não ter a capacidade tecnológica de obter ganhos relativos que poderiam ser redistribuídos pela conectividade extrema. Significa que o colonialismo digital entregará a um punhado de empresas – Facebook, Amazon, Netflix e Google (FANG, um acrônimo em inglês que quer dizer presa) – o poder de fornecer serviços em todo o planeta, colher dados dessa provisão e ganhos de eficiência que beneficiam o capital, mas têm um impacto negativo no trabalho e na sociedade.</p>
<p>Junto ao TISA há o regime comercial impulsionado pelo Oeste em ambos os flancos da Eurásia – o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, sigla em inglês) em todo o Atlântico e o Acordo de Associação Transpacífico (TPP, também em inglês) em todo o Pacífico. Tanto o TTIP como o TPP ligam países para as redes ocidentais de hegemonia comercial e mantêm os países mais frágeis fora das redes de China e Rússia. Ambos foram negociados totalmente em segredo – e se não fosse o vazamento ocasional – todo o conteúdo da discussão seria desconhecido pelo público. Leis nacionais seriam colocadas de lado diante do TTIP e do TPP, em que o Norte definiria uma agenda para o resto dos “parceiros”. Um dos documentos vazados sugere que os EUA estão aplicando “forte pressão” nos países para superar divergências de opinião sobre questões de propriedade intelectual. Um dos documentos mostra que, no debate em torno dos investimentos, os Estados Unidos se mostraram inflexíveis em suas propostas. O resultado dessas “negociações” é tipicamente uma vitória para o Ocidente. A pressão ocidental continua a ser esmagadora. Essas regras continuarão subordinando a economia do Sul dando vantagem para o Ocidente. Qualquer regra de comércio que enfraqueça o regime de propriedade intelectual que beneficia as grandes empresas monopolistas em busca de renda no Ocidente será rejeitada imediatamente pela liderança ocidental. Esta é a essência da pressão imperialista nas discussões sobre comércio.</p>
<p>O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto executivo para rasgar o TPP. Considerar a rejeição de Trump ao TPP como uma mudança de direção é uma ilusão. A verdadeira questão do TPP não são as regras de comércio em si, e nem mesmo a China, mas o surgimento de rivais que podem reescrever as regras de comércio e produzir novas redes para produção e acumulação global. Em 5 de outubro de 2015, o ex- presidente dos EUA, Barack Obama, disse: “Não podemos deixar países como a China escreverem as regras da economia global.” O TPP não era o essencial. Foi o isolamento da China e a prevenção de qualquer rival de escrever as regras da ordem global. Trump definiu um tom muito mais duro, mas diz exatamente a mesma coisa. China, um país soberano com a segunda maior economia do mundo, não deve estar à mesa quando as regras da economia global são escritas. Este é o substrato do imperialismo. Ele deve decidir as regras.</p>
<p>O imperialismo da nova era vem em dois eixos. Primeiro, na frente institucional, o Norte Global força uma série de organizações, como a OMC, a fornecer um único fórum para discussão de questões de comércio e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o Norte Global subordina instituições mais antigas, como a ONU, para concretizar seu lance em termos de uso da força. Em segundo lugar, na frente ideológica, o Norte Global argumentou contra qualquer alternativa ao conjunto de políticas que carregam o nome de neoliberalismo. O crescimento impulsionado pelo setor privado com fins lucrativos para o setor privado é visto como o único caminho lógico para o desenvolvimento. Este, então, tem sido o novo imperialismo, as chamadas instituições globais que apoiam uma plataforma de política neoliberal, mesmo com o lamentar dos neofascistas sobre as ameaças à sua cultura.</p>
<p>Nos anos 2000, o primeiro grande desafio interestatal para o novo imperialismo emergiu. Em 2003, muitos estados da ONU questionaram o desejo dos EUA de estender sua guerra no Iraque, enquanto os estados emergentes em uma reunião da OMC em Cancun bloqueou a agenda do Norte Global para propriedade intelectual. Estes dois desenvolvimentos – entre outros – forneceu a base para o surgimento dos BRICS (Brasil-Rússia-China-Índia-África do Sul). O que foi o bloco BRICS em seu estágio inicial? Isso não foi uma plataforma anti- imperialista. Uma plataforma anti-imperialista teria exigido o bloco BRICS para assumir imperialismo tanto no nível institucional quanto o ideológico. O agrupamento BRICS foi meramente um desafio institucional à “unipolaridade”, uma mudança dos principais estados para criar um mundo multipolar.</p>
<p>O BRICS certamente tentou uma nova fundação ao lado do Norte Global – o Novo Banco de Desenvolvimento contra o Banco Mundial; o Acordo de Reserva de Contingência contra o FMI; a demanda por assentos permanentes para os estados dentro do BRICS no Conselho de Segurança da ONU. Fala-se de uma agência de classificação do Sul contra a hegemonia do Fitch, Moody’s e Standard &amp; Poors. Há também Discussões sobre outras moedas para denominar o comercio interestadual. Pelo menos de forma convincente, os BRICS iniciaram uma conversa para a criação de uma nova arquitetura de segurança.</p>
<p>Mas o bloco BRICS – dada a natureza de suas classes dominantes (e particularmente agora com a ascendência da direita no Brasil e na Índia) – não tem ideologias alternativas ao imperialismo. As políticas domésticas adotadas pelos estados do BRICS podem ser descritas como neoliberais com características do sul – com foco nas vendas de commodities, baixos salários aos trabalhadores com o excedente reciclado entregue como crédito ao Norte, mesmo com o sustento de seus próprios cidadãos estando comprometida, e mesmo quando desenvolveram novos mercados em outros países, muitas vezes mais vulneráveis, e que já fizeram parte do bloco do Terceiro Mundo. Há um pequeno argumento dentro dos BRICS para defender a soberania alimentar ou o direito à alimentação, para criar empregos decentes contra a riqueza acumulada, e para lutar contra o poder dos banqueiros. De fato, as novas instituições dos BRICS estarão ligadas ao FMI e ao dólar – sem disposição para criar uma nova plataforma para o comércio e desenvolvimento à parte da ordem do norte. O Acordo de Reserva de Contingência continuará Confiando na vigilância do FMI e nos acordos do FMI como uma maneira de medir seus próprios empréstimos. O dólar é onipresente nesses mecanismos. A ânsia para os mercados ocidentais continua a dominar a agenda de crescimento dos estados do BRICS. As imensas necessidades de suas próprias populações não dirigem suas orientações políticas.</p>
<p>Finalmente, o projeto BRICS não tem capacidade de ir contra o domínio militar dos EUA e da OTAN. Quando a ONU vota para permitir ‘Estados-Membros a utilizar todas as medidas necessárias”, como fez com a Resolução de 1973 sobre a Líbia, essencialmente dá a carta branca para o mundo atlântico para atuar com força militar. Não há alternativas regionais que tenham a capacidade de operar em tais resoluções da ONU. As intervenções militares russas na Crimeia em 2014 e na Síria em 2015 são indicações de que a unipolaridade militar do EUA pode estar um pouco enfraquecida, mas não no seu fim. Os EUA são uma força global com bases em todos os continentes e com a capacidade de atacar quase em qualquer lugar. Mecanismos regionais para paz e resolução de conflitos são enfraquecidos pela presença global da OTAN e da maquina de guerra dos Estados Unidos. Poder militar esmagador se traduz em poder político. O BRICS possui poucos meios, neste momento, para desafiar esse poder.</p>
<p>Alianças russas e chinesas em toda a Eurásia sobre segurança e linhas econômicas não são sinais da criação de um polo alternativo para o Imperialismo ocidental. Eles são meros sinais de defesa contra a agressão imperialista, com a Rússia sancionada buscando abrigo nos excedentes chineses e com a cautela chinesa dando algum impulso na confiança russa. Os exercícios navais russo-chineses durante o impasse do EUA-norte-coreano de 2017 e a entrada de forças russas na Ásia Ocidental, apoiada pela China, é um sinal de que eles não permitiram a dominação completa dos EUA – como tem sido o caso desde 1991 até o presente. O que eles estão fazendo é para proteger sua soberania e a zona de influência em torno de seu território – não para competir contra o poder imperialista dos EUA em todo o mundo.</p>
<p>Ao invés de um conflito interimperialista temos um conflito intercapitalista com os BRICS – principalmente a China – que pressiona por participação no mercado ao redor do mundo e empurra de volta um bloco econômico ocidental enfraquecido. As tensões da Primeira política americana de Trump e a ordem político-econômica que depende dos vastos reservatórios de trabalho trazidos para a órbita capitalista desde a década de 1990, levou a crise intercapitalista assumir dimensões interestatais. Mas essas fantasias nem sempre foram traduzidas de retórica à política. O perigo agora é que as políticas sejam colocadas de uma forma que poderia confundir o sistema enquanto ele opera. O primeiro-ministro chinês, Xi Jinping, disse claramente na reunião de Davos de 2017, “ninguém vai emergir como vencedor em uma guerra comercial”. O que ele quis dizer não é sobre uma guerra comercial, mas um conflito interestatal com resultados conflituosos. Enquanto as rivalidades intercapitalistas aceleram a tendência para conflitos interestatais – e com tempo, para interimperialistas – os conflitos não devem ser subestimados.</p>
<p>O imperialismo continua a estruturar a ordem mundial – mas não aparece mais como colonialismo cru ou como o neocolonialismo do século XX. As questões estão mais complexas. Aqui estão seis contornos do imperialismo do século XXI:</p>
<p>(1) Manter o sistema de aliança, com os Estados Unidos como eixo central e seus aliados secundários (o Reino Unido, França, Alemanha, Japão e outros) como seu suporte. Na parte externa estão aliados subsidiários, como Colômbia, Índia, Israel e Arábia Saudita. Esses aliados são essenciais para o alcance global do poder dos EUA. Qualquer desafio aos aliados será rapidamente derrubado pela força total dos militares dos Estados Unidos e com o fluxo aberto de equipamento militar e treinamento das potências atlânticas para seus aliados subsidiários.</p>
<p>(2) Para garantir que nenhum desafio envolvendo o sistema da aliança seja permitido emergir. O fim da Guerra Fria marcou a derrota da principal ameaça à aliança – a União Soviética e seus satélites. Desde então, os Estados Unidos e seus confederados fizeram questão de estiar qualquer desafio ao seu sistema. A Pressão tem aumentado na China e na Rússia na expansão da OTAN para a Europa Oriental e com o aumento das forças dos EUA na região do Pacífico. O surgimento da América do Sul teve que ser cortado, seja através dos antigos golpes (como em Honduras) ou através de golpes pós-modernos (como no Brasil). Os BRICS, a ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), ou qualquer outra sopa de letrinhas que procurou uma base de poder alternativo tinha que ser destruído.</p>
<p>(3) Para garantir que a confiança dos EUA permaneça alta. Durante a primeira Guerra do Golfo de 1990- 91, o Presidente dos EUA G. H. W. Bush disse que a “Síndrome do Vietnã” foi reprimida. Os EUA agora sentem confiança mais uma vez para agir como uma grande potência no cenário mundial – sem medo de exercer sua força total. As Guerras delegadas dos anos 1980 podem ser anuladas. Os EUA podem agora dominar seus adversários sob um espectro total. O chamado para o “outro século dos Estados Unidos” ressoou após a guerra dos EUA contra o Iraque em 2003 – havia o receio de que o mal entendido no Iraque aumentaria as dúvidas sobre o poder dos EUA. Isso tinha que ser esmagado. Era importante reavivar a autoimagem dos Estados Unidos como primus inter pares: o primeiro entre seus iguais, o “poder indispensável” como a Secretária de Estado dos EUA Madeleine Albright disse. Ameaças contra o Irã e a Coreia do Norte são representações visíveis desse estardalhaço.</p>
<p>(4) Para proteger a cadeia global de commodities, que é a base para a produção industrial – cujos benefícios são garantidos por corporações transnacionais com base no Norte Global. Com locais de produção fragmentados (com fábricas espalhadas pelas nações) e com leis de propriedade intelectual rigorosas, permitem que essas empresas tenham muito mais poder ao longo desta cadeia global de commodities do que organizações de trabalhadores e Estados-nação. O Poder diplomático e militar do sistema de alianças do Global Norte é usado contra políticas de nacionalização e os bens comuns intelectuais. Mecanismos de subcontratações de regras trabalhistas permitem que o Norte Global mantenha seu padrão moral alto, enquanto eles confiam inteiramente em condições brutais de trabalho que tornam as relações sociais tóxicas.</p>
<p>(5) Para garantir a passagem segura de matérias-primas de minas e poços, com taxas muito abaixo do que pode ser pago para as pessoas que são os guardiões dessas riquezas. Ambientalmente práticas ilegais e desumanas de extração estão escondidas em florestas e desertos, onde protestos serão travados em nome da guerra do terror ou a guerra contra as drogas ou algum tipo de guerra que permite a extração ser colocada em prática sem ameaça. Ambas as parceiras subsidiárias do Norte Global e os estados emergentes dependem das exportações de matérias-primas para a sua pauta de crescimento, permitindo ao Norte Global lavar suas mãos da crueldade que ocorre no escuro – fora de seu controle direto.</p>
<p>(6) Para garantir o poder financeiro do Norte Global, seja protegendo a família real da Arábia Saudita, para garantir o fluxo de petrodólares aos bancos do Norte ou estabelecendo que as dívidas tomadas pelos países pobres sejam pagos integralmente. Quando a crise financeira atingiu o mundo atlântico, o Norte Global implorou aos grandes estados da Ásia (China, Índia e Indonésia) para fornecer liquidez no sistema. Em troca, o Norte Global prometeu encerrar seu executivo – o Grupo dos Sete (G7) – e substituí-lo pelo Grupo dos Vinte (G20). Depois que seus bancos foram recuperados, essa promessa foi esquecida. O poder financeiro teve que ser restaurado. Foi o fundo do poço. O desafio dos BRICS foi extremamente silenciado. Isso tem muito a ver com as suas próprias contradições internas, a ascensão de poder da direita no Brasil e na Índia, bem como caminha na África do Sul, e o rebaixamento dos preços das commodities que atingem o coração do poder econômico dos BRICS. Os BRICS falharam – por enquanto<br>
• para reequilibrar a ordem mundial. Foi deixado a dois dos seus membros – Rússia e China – para produzir um modesto desafio ao imperialismo ocidental. Constrito nos dois flancos da Eurásia por manobras militares e por ameaças ocidentais contra o Irã e a Coreia do Norte, tal como por sanções contra a Rússia pela sua intervenção na Crimeia, os russos e os chineses assinaram acordos econômicos e comerciais Como também acordos militares e estratégicos. Os laços econômicos e comerciais – particularmente para as vendas de energia permanecem, no entanto, modestas. As manobras navais chinesas e russas fora da costa da Coreia do Norte e a entrada de navios chineses de guerra para o Mediterrâneo perto dos navios russos são sinais de que não permitirão facilmente o uso da força do Ocidente para moldar um mundo à seu favor. Mas estas são posturas defensivas, não são capazes de reequilibrar totalmente a ordem mundial, muito menos fornecer uma alternativa para essa ordem. É difícil dizer se eles serão capazes de sustentar sua tentativa defensiva neste tempo de neofascismo: Os aviões russos e chineses pousaram em Teerã e Pyongyang para impedir a mudança de regime nesses dois estados limites da Eurásia?</p>
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<h2 style="margin:3em 0;">Parte 2: Agência</h2>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;">Decomposição do Agente Histórico</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15242 img-responsive" src="https://www.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/06_Agency.png" alt="" width="666" height="950" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/06_Agency.png 666w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/06_Agency-210x300.png 210w" sizes="auto, (max-width: 666px) 100vw, 666px"></p>
<blockquote><p><em>General, seu tanque é um veículo forte.</em></p>
<p><em>Destrói um bosque e esmaga centenas de pessoas.</em></p>
<p><em>Mas tem um defeito: precisa de um condutor.</em></p>
<p>—Bertolt Brecht, <em>Um livro de guerra alemão</em>.</p></blockquote>
<p> </p>
<p>O que resta antes de nós? Em todo o planeta há muitos movimentos populares fortes e poderosos: lutas trabalhistas e lutas pela dignidade, lutas pela defesa do direito aos recursos naturais e lutas pela defesa dos direitos sobre o próprio corpo. Essas são as principais vias de resistência contra os poderosos.</p>
<p>Durante cem anos, fábricas e escritórios atraíram grande número de trabalhadores em um ambiente denso de vigilância e produtividade. O Capital, faminto por lucro, viu as vantagens de criar fábricas e escritórios gigantescos. A escala de produção beneficiou o capital – ao produzir enormes quantidades de mercadorias, o capital poderia reduzir o preço das matérias-primas e saturar o mercado com seu volume. As pequenas empresas fecharam. As oficinas de trabalho desapareceram lentamente, enquanto os trabalhadores tiveram que tomar o seu lugar em infinitas linhas de produção, onde gastavam sua energia em tarefas cada vez menores que, somadas – fora de seu controle – criavam a mercadoria. Nenhum trabalhador fez toda a mercadoria, mas todos os trabalhadores, combinados, produziam a mercadoria. Isso transformou os trabalhadores individuais em “apêndices de máquinas”, como escreveu Marx no Capital (1867). As exigências intelectuais para os trabalhadores caíram e os artesãos viram suas habilidades sendo consumidas pela linha de montagem e pelas máquinas. As vidas dos trabalhadores tornou-se dívida com a fábrica, e a classe trabalhadora se viu arrastada – como Marx escreveu – “sob a roda de Juggernaut do capital”.</p>
<p>A vantagem do capital logo se tornou sua desvantagem. Tendo um grande número de trabalhadores juntos em uma só fábrica permitiu o diálogo entre eles. Eles deliberaram sobre seus problemas e refletiram sobre como entender o colapso de sua dignidade. Foi nessas conversas e ações que o movimento sindical moderno se desenvolveu. As fábricas eram o centro desse movimento, porque estes eram os lugares onde os trabalhadores estavam em maior concentração. Eles eram também armadilhas para o capital, que havia investido dinheiro nelas, e qualquer segundo de desperdício geraria perdas para os patrões. Isso significava que, se os trabalhadores pudessem fazer greves, poderiam pressionar o capital. Durante este período, na Grã-Bretanha, por exemplo, grande parte dos trabalhadores assalariados não era empregada nas fábricas, mas sim no serviço doméstico. Mas empregados domésticos não tinham a vantagem de estar em um fábrica, onde poderiam se organizar e realizar greves que pudessem pressionar o capital. Se um empregado doméstico protestasse, ele ou ela seria demitido. Era mais difícil demitir toda a força de trabalho de uma fábrica. É por isso que as fábricas se tornaram o centro do movimento sindical, e é por isso que os marxistas e socialistas viam os sindicatos como o centro do futuro socialista. Revela também como o machismo por partes do movimento sindical se reproduziu na estratégia do sindicalismo industrial: a maioria da classe trabalhadora, difícil de organizar porque estava dispersa nas casas dos proprietários, estava fora da hegemonia das organizações da classe trabalhadora.</p>
<p>Em meados do século XX, cem anos depois do movimento sindical e suas conquistas, o capital recorreu a novos métodos de exploração. Entramos em uma era – como vimos – de produção desarticulada. Fábricas menores não têm mais o tipo de concentração de trabalhadores que as grandes empresas têm. Se uma mercadoria é produzida através das fronteiras nacionais, o capital adquire vantagem sobre as nações, porque é difícil para os governos populares nacionalizarem uma fábrica, uma vez que eles só seriam capazes de nacionalizar uma parte da cadeia de produção. A cadeia de mercadorias anula a estratégia de nacionalização. A desarticulação da produção dificulta o sindicalismo, porque o capital agora diz que, se houver greve em uma fábrica, ela fechará e a produção será transferida para outro lugar. Seus investimentos não estão mais estagnados como costumavam ser. Como uma grande parte da produção é terceirizada para pequenos capitalistas em terras distantes, as empresas monopolistas não precisam pensar muito para abandonar um fornecedor por outro num país diferente. Sua lealdade aos fornecedores é zero. Em outras palavras, as novas técnicas de produção prejudicaram o sindicalismo. São também nestas novas, menores e mais dispersas fábricas, que as mulheres trabalhadoras têm se tornado uma entidade tão crucial, extraídas por menos de uma década de suas vidas, desgastadas pela aceleração da fábrica e, em seguida, enviadas de volta a vida rural de onde vieram – como resíduos da produção do capitalismo contemporâneo.</p>
<p>Com os trabalhadores viajando em busca de empregos inseguros, o dia de trabalho se alongou de tal forma que agora o tempo de lazer é mínimo, senão inexistente, e assim o tempo necessário para construir os bastiões da classe trabalhadora e do campesinato foi devorado. Este tempo de busca tem consumido o tempo da comunidade e do sindicato. A vida social foi erodida, à medida que o tempo foi roubado das pessoas, não apenas pelos empregadores, mas também pela estrutura de insegurança e de trabalhos de meio período. Muitas vezes, mais tempo é gasto procurando trabalho do que trabalhando.</p>
<p>Além disso, a cultura do sindicalismo foi castigada pela cultura de consumo. As pessoas se converteram, cada vez mais, por uma explosão feroz da mídia, da indústria da publicidade e das instituições de ensino, em consumidoras, e não trabalhadoras. Ou seja, a nova identidade, desgastada pela vida psíquica do neoliberalismo, não deve ser vista em relação ao local de trabalho, mas a seus padrões de consumo. Shoppings e propagandas atraem pessoas de muitas classes que se imaginam como outra pessoa. Quando não são shoppings, são os centros religiosos – templos, mesquitas, igrejas – que se tornaram bálsamos para os trabalhadores informais deslocados, cujos corpos e consciências derrotados são agora redimidos através da salvação prometida pelos pregadores de diferentes crenças. O pentecostalismo na América Latina, o cristianismo protestante na China etc., marcaram obstinadamente seu território onde predominava a cultura sindical e socialista. As comunidades são criadas em torno do desejo por mercadorias e em torno da fé. Em muitos lugares elas se tornaram mais atraentes do que a cultura sindical e as organizações socialistas.</p>
<p>O sindicalismo, nesse contexto, parece anacrônico. É retratado na opinião pública predominante como a cultura de ontem, com seus slogans retratados como reminiscências dos dias sem shoppings ou anúncios. Mas isso não é tudo, já que até os sentimentos mais gerais de unidade, como o nacionalismo e o patriotismo, foram corroídos. Eles estão simplesmente se tornando estilos de vida, não atributos culturais significativos. Alguém pode fingir ser um nacionalista sem ter qualquer compromisso com as pessoas que compõem a nação. A fronteira do nacionalismo é a luta contra o dissenso. A sedição chorosa tornou- se a ordem do dia. Estudantes, jornalistas, trabalhadores, camponeses, mulheres, qualquer um que pretenda sugerir que há problemas com o “consenso” nacional é visto como estranho à nação. O “nacionalismo” aceitável é uma forma odiosa e irrefletida de coesão social que não exige o trabalho de construir uma sociedade, mas baseia-se em atividades antissociais e na violência.</p>
<p>O desemprego estrutural e o setor informal expandido canalizam as queixas fora do local de trabalho e nas ruas. Sobrevivência nessas ruas leva a atividades que poderiam ser consideradas como ilegais – tráfico de drogas, sexo, armas ou até mesmo barganha. A existência dessas atividades dá ao Estado a oportunidade de travar uma guerra contra a população. O caráter do Estado tende mais para a segurança do que ao bem-estar, ao policiamento da população ao invés de seus cuidados. As ideologias que defendem um estado menor (o neoliberalismo) não têm nenhum problema com um aparelho estatal expandido para segurança. O cálculo entre o desespero e a revolução é claro para a elite. Tom Clausen, do Bank of America, é exemplar: “Quando as pessoas estão desesperadas, há revoluções. É, naturalmente, do nosso próprio interesse, garantir que eles não sejam forçados a isso. Você deve manter o paciente vivo, porque, caso contrário, você não poderá efetuar a cura. ” Para prevenir a jornada revolucionária, há apenas dois caminhos abertos para a elite: concessões para aliviar os piores efeitos das políticas neoliberais (que era o caráter do liberalismo) ou medidas severas de segurança para esmagar o espírito de revolta (que era o caráter do fascismo). Mas, na verdade, em nossos tempos, apenas um caminho se abre à medida que o neoliberalismo e o neofascismo encontram uma causa em comum: enviar as tropas de choque. A diferença se estreita entre a força do “livre comércio” e a da “intervenção humanitária”, entre as cadeias globais de mercadorias que cercam o mundo e as guerras de mudança de regime que rompem os estados para criar o caos. A força é, escreveu Marx em 1867, “em si um poder econômico”.</p>
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<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;">Recomposição do Agente Histórico</span></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15251 img-responsive" src="https://www.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/07_AgencyRecomposition.png" alt="" width="950" height="633" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/07_AgencyRecomposition.png 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/07_AgencyRecomposition-300x200.png 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2018/03/07_AgencyRecomposition-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<blockquote><p><em>Eles têm medo de nós porque nós não temos medo deles.</em></p>
<p>—Berta Cáceres</p></blockquote>
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<p>O que a esquerda faz hoje quando se confronta com a desarticulação da produção, a cultura do consumismo e a ascensão do Estado de Segurança? Não há respostas fáceis, mas há questões essenciais. Não pode haver um renascimento completo do poder sindical sem um renascimento da cultura dos trabalhadores. Não se pode facilmente haver um renascimento do poder sindical sem um reconhecimento da desarticulação da produção, e a necessidade, portanto, de construir o poder dos trabalhadores onde os trabalhadores vivem se nem sempre é possível para eles se organizarem onde trabalham. O ponto é construir o poder popular, não só poder nas fábricas. Grandes mudanças sociais e econômicas estão acontecendo debaixo de nossos pés, o que irá gerar frustração e raiva entre os trabalhadores. O papel das sentinelas destes, isto é, dos sindicatos e partidos, é estar preparados quando estas ondas surgirem, quando as condições objetivas da angústia levam à erupção subjetiva do protesto. Por esse motivo, a recomposição da classe trabalhadora e do campesinato vêm da essência.</p>
<p>A promessa do sindicalismo é construir o poder dos trabalhadores e trabalhadoras. Construir esse poder não significa apenas construir sindicatos no local de trabalho, especialmente nas fábricas e nos campos. Mas não há dúvida de que permanece importante organizar os trabalhadores em sindicatos. Mas, as dificuldades em muitos setores, principalmente nas pequenas manufaturas em Zonas de Processamento de Exportação e o trabalho doméstico, significa que devemos implantar outros meios, criativos, para organizar os trabalhadores. Por exemplo, grande parte do trabalho mais dinâmico de organização em todo o mundo aconteceu nos lugares onde os trabalhadores vivem, enquanto eles lutam para sobreviver diante do aumento de preços de serviços essenciais, incluindo a água, e enquanto eles lutam para produzir espaços seguros para suas famílias. Tais batalhas, pela água e por espaços públicos, estimularam trabalhadores e camponeses em torno de noções como “comunidade” ou “vizinhança”, termos que superficialmente não possuem uma conotação de classe, mas que certamente tem quando são abordados de uma perspectiva materialista. Afinal, a “comunidade” que os trabalhadores de Cochabamba (Bolívia), organizada por sindicalistas, defendiam durante a “guerra da água” não era uma abstração, mas uma comunidade concreta de trabalhadores cujas vidas estavam sendo dilaceradas pela privatização. Eles sabiam que sua comunidade era um fato concreto em suas vidas, a solidariedade que eles precisavam para lutar contra a privatização da água e os laços sociais que eles precisavam para se agarrar e reconstruir sua sobrevivência nas lutas prolongadas que se aproximavam.</p>
<p>As experiências do Abahali baseMjondolo em África do Sul (AbM ou favelas) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Brasil (MST), como também a Federação da Juventude Democrática da Índia (DYFI, na sigla em inglês) e a Associação de Mulheres Democrática de Toda Índia (AIDWA, na sigla em inglês) – ambas organizações de massas do movimento comunista indiano, mostram a eficácia da construção do poder camponês e popular nas áreas onde os trabalhadores e os camponeses vivem. As favelas são as casas dos trabalhadores e camponeses do nosso tempo. São áreas congestionadas, com mínimo apoio estatal. A ONU Habitat (Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos) estima que um quarto da população mundial viva em favelas. Em algumas cidades do Sul Global, metade da população mora em favelas, com moradia inadequada, falta de água potável, falta de saneamento básico e pouco ou nenhum serviço de saúde e educação. Os números das agências internacionais parecem estar subestimados. Por exemplo, diz-se que a favela de Khayelitsha, na Cidade do Cabo (África do Sul), tem 400.000 residentes, embora aqueles que trabalham lá atualmente dizem que a população real é pelo menos três vezes maior. Dharavi, em Mumbai (Índia), acomoda entre 1 milhão e 1,5 milhão de pessoas, enquanto que Ciudad Neza, na Cidade do México (México), abriga 1 milhão de pessoas. Dizem que a maior favela no mundo é Orangi Town, em Karachi (Paquistão), que abriga mais de 2,5 milhões de pessoas. Nessas favelas vivem pessoas que trabalham no setor informal – em alguns países, abrangendo a totalidade da força de trabalho (o setor informal da Índia, por exemplo, é 90% da força de trabalho). Essas populações da classe trabalhadora estão fora dos regulamentos sociais da política trabalhista orientada pelo Estado e, frequentemente, também estão fora das redes sindicais.</p>
<p>A riqueza social não escorre para esses lugares. O lado bom do Estado está praticamente ausente aqui. Como resultado, os trabalhadores nessas áreas confiam na (a) sua própria engenhosidade e auto-organização; (b) nos mercados criados por criminosos de um tipo ou de outro, bem como grupos religiosos e ONGs; (c) o coração invisível das mulheres trabalhadoras, cuja luta para proteger a integridade de suas famílias as movem a grandes esforços de reprodução social. A primeira prática demonstra a possibilidade do socialismo. É onde se pode observar formação de cooperativas e grupos de autoajuda da classe trabalhadora e para a classe trabalhadora. O segundo é o desafio mais importante, já que é aqui que as organizações religiosas e as máfias afundam seus tentáculos mais profundamente na vida da classe trabalhadora. Eles, incluindo as ONGs, são um obstáculo estrutural ao crescimento da esquerda. Mas a esquerda já aprendeu que não crescerá simplesmente desafiando diretamente essas entidades. Experiências em todo o Sul Global nos mostram que a esquerda terá que provar, pelo seu trabalho na arena da reprodução social, que é, de fato, uma alternativa melhor que as organizações religiosas e de caridade, assim como a máfia. Organizações de esquerda já estão trabalhando para criar plataformas para ajudar a classe trabalhadora em suas lutas pela água, eletricidade, moradia, rua, escolas e serviços de saúde, e ao mesmo tempo, trabalhando ao lado da classe trabalhadora, uma vez que ela começa a fornecer esses serviços de forma relativamente autônoma. Esta é uma atividade perigosa. Significa minar as gangues criminosas, os grupos religiosos e as ONGs, todos com grande interesse nesse tipo de trabalho. Ao mesmo tempo, a intervenção da esquerda nesses espaços socializa o trabalho privatizado de reprodução social realizado principalmente por mulheres. Um grande esforço deverá ser feito para construir as instituições de reprodução social entre os trabalhadores e camponeses, e da mesma forma, uma grande quantidade de trabalho deverá ser feito pelas e pelos intelectuais para estudar essas iniciativas, escrever sobre elas, compartilhá-las em diferentes ambientes e trocar as melhores experiências e resultados que tem surgido dessa força popular.</p>
<p>Além disso, o poder da classe trabalhadora, em nossos tempos, é construído com grande energia contra as divisões sociais de gênero, étnicas, religiosas e outros tipos de hierarquias e discriminações. Os marxistas costumavam se preocupar que essas divisões da hierarquia social poderiam “quebrar” a unidade da classe trabalhadora; na verdade, essas divisões da sociedade já romperam a unidade e mais negligência sobre essas questões só exacerba a desunião e a desconfiança. A luta pela dignidade dos trabalhadores e dos camponeses não estão fora da política de classe. Eles são precisamente a essência de uma política de classe que deseja nos libertar da opressão e exploração e nos redimir como seres humanos completos. Trabalhadores e camponeses não podem ser poderosos a menos que estejam unidos. Os 180 milhões de trabalhadores na Índia que, sob a bandeira do movimento sindical, entraram em greve em setembro de 2016, porque as questões em discussão incluíam questões políticas relacionadas às divisões sociais, incluindo a divisão entre trabalhadores sindicalizados do setor formal e trabalhadores que não são sindicalizados do setor informal (muitos deles mulheres, como aquelas que trabalham na saúde pública e na educação infantil). As e os trabalhadores demonstraram que a luta contra as hierarquias sociais, o sectarismo religioso e misoginia é central para a construção do poder da classe trabalhadora e camponesa.</p>
<p>Uma grande limitação para a construção do poder dos trabalhadores tem sido o poder esmagador da cultura mercantil dominada pela burguesia que propaga a ideia de pessoas como consumidores. Essa dinâmica cultural, impulsionada pela mídia corporativa e pela urgência da publicidade, enfraquece as noções de história e de comunidade, a história é reduzida a emblemas para venda de bens e na história a intervenção dos indivíduos é favorecida em detrimento das lutas coletivas das classes populares. Essas ideias estão inseridas nos discursos midiáticos e acadêmicos, onde há grande hesitação em admitir a importância da ação popular no fazer da história e onde há um sentimento geral de que a mudança transformadora não é desejável nem possível. Isto implica que há a necessidade de uma luta cultural que enriqueça os reservatórios da história da esquerda, para enfatizar e iluminar a contribuição dos trabalhadores e camponeses para o mundo. Os jovens não aprendem mais sobre a esquerda de maneira consistente. A luta para introduzir a história da esquerda e dos trabalhadores e camponeses na imaginação da juventude é essencial, não superficial, para qualquer luta para reconstruir a força da esquerda. Os intelectuais simpatizantes precisarão fazer conexões com movimentos para ajudar a impulsionar essa agenda.</p>
<p>O debate sobre ideias, em outras palavras, é um ponto central frente para os movimentos de esperança e possibilidades. A mídia corporativa, por exemplo, opera dentro de um regime da verdade que promove a visão de que o Ocidente é benevolente quando bombardeia países e impõe políticas comerciais que destroem a agricultura nos países. Quando o Exército dos Estados Unidos mata civis no Afeganistão ou na Somália, os fatos são tratados como acidentes, quando um governo que é considerado um problema mata civis, o fato é visto como essencial para o caráter desse país ou civilização. Se uma política comercial impulsionada pelo Ocidente acaba destruindo a produção de algodão no Mali, por exemplo, isso é visto como um efeito necessário das leis da natureza; quando um país que é tratado como um problema comete um erro na política econômica, é visto como o resultado de um modelo falho. O controle da narrativa da história é um problema, mas controle das representações midiáticas do presente é outro. Uma mídia corporativa estreita e esclerosada, seja a CNN International ou a Rede Globo, está saturada de uma estrutura ideológica que considera que as guerras de mudança de regime promovidas pelo Ocidente são aceitáveis e as políticas comerciais como inevitáveis. É crucial rejeitar o controle institucional desses meios de comunicação e sua estrutura ideológica, bem como fornecer redes alternativas para a troca de informações emancipatórias.</p>
<p>Qual é a tarefa dos intelectuais socialistas junto ao trabalho realizado pelos movimentos sociais e políticos? Em uma época anterior, era considerado óbvio que os intelectuais socialistas aprenderiam com os movimentos, veriam quais tipos de alternativas os movimentos propunham para construir teorias de futuro em todos os sentidos. Essa postura dos intelectuais socialistas não é mais auto evidente. Muitos deles, por várias razões, se encontram distantes dos movimentos. Isso ocorre por uma série de motivos: o aburguesamento da classe intelectual (tanto os intelectuais na mídia como os acadêmicos), a decomposição dos movimentos e a adoção da ideia de que grandes mudanças simplesmente não são possíveis, o constrangimento na era pós-moderna de tomar uma posição forte em favor de valores que são considerados contingentes e incertos. No entanto, existem milhões de intelectuais em todo o mundo que não foram impactados por esses processos e continuam a ter laços fortes com os movimentos e desempenhando papéis vitais para eles. Uma das tarefas do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social é unir esses intelectuais além das fronteiras nacionais e inspirar – pelo seu trabalho – outros a se juntarem a projetos que são realizados em estreita associação com movimentos sociais e políticos para fins emancipatórios.</p>
<p>Se olharmos atentamente para os nossos movimentos, descobriremos que eles querem colocar as políticas macroeconômicas sob controle democrático, querem aumentar o investimento social, querem construir infraestruturas para atender às necessidades populares, querem romper a greve fiscal das corporações e da elite, querem converter bancos, entidades privadas, em serviços públicos, querem garantir um meio de vida e querem moradia para todos. Aqui estão os elementos de um futuro. Cabe aos intelectuais pegar essas ideias e estimular debates em torno delas. É importante criarmos uma plataforma intelectual para uma ordem econômica, política, social e cultural alternativa, extraída da experiência dos próprios movimentos. É importante, igualmente, recuperar duas ideias que foram corroídas pelo ataque da ideologia burguesa, isto é, as ideias socialistas do que é humano e do que é futuro.</p>
<p>A cultura das mercadorias e a ideia de pessoas como consumidoras desintegraram a ideia do humano. Os socialistas bolivianos analisaram profundamente suas próprias tradições e elaboraram um vocabulário para falar sobre o caráter humano de uma sociedade humana não abrangida pelas normas sociais capitalistas. David Choquehuanca, secretário executivo da Aliança Bolivariana para Povos das Nossa América (ALBA), fala do Quapaq ñan, o caminho do bem viver, da necessidade de criar iyambae, pessoas sem dono, não consumidores e proprietários. Ser uma pessoa sem dono é, como Choquehuanca diz, “o futuro, o caminho das pessoas que buscam viver bem”. Tais esforços para reviver as ideias do humano e a necessidade da criação de uma comunidade humana exigem um grande de esforço, esforço este já aparente nos movimentos de massa que lutam contra a redução da capacidade de decisão humana à lógica dos livros contábeis de dupla entrada.</p>
<p>Como intelectuais socialistas, é importante recuperar a ideia de que o presente não é eterno e que uma transformação é possível. A possibilidade de tal transformação não é senão uma ideia do futuro. Não há debate entre nós sobre a existência de um passado e de um presente. Estes são termos auto evidentes. Mas não há um debate sobre o futuro. Sabemos que o amanhã chegará e o dia seguinte também, e o próximo mês e o ano que vem. Mas isso é apenas o tempo sequencial, o presente se estendendo para frente. Mas essa não é a ideia do futuro. Se há uma ideia de senso comum do futuro, ela foi tomada pela tecnologia. A tecnologia, não o caráter do humano, tornou-se a ideia do futuro. Nesse período, imaginamos que os novos avanços tecnológicos serão capazes de resolver nossas crises sociais: novas tecnologias verdes nos libertarão da mudança climática, novas tecnologias digitais e nanotecnologias nos libertarão da estagnação econômica. O determinismo tecnológico fez com que os problemas que cercam os sonhos de bilhões de pessoas não tenham barreiras sociais ou políticas, mas sejam problemas totalmente técnicos. Esta é uma ideia muito limitada da história e do futuro. Certamente, alguns desenvolvimentos tecnológicos serão essenciais para um mundo melhor, mas a tecnologia por si só não moldará a história. As mais antigas hierarquias herdadas de riqueza e poder devem ser confrontadas antes que os avanços tecnológicos possam ter um impacto social positivo e não apenas fornecer mais e mais riqueza e poder àqueles no topo dessas hierarquias herdadas.</p>
<p>Uma ideia de um futuro frutífero demanda que imaginemos que o presente não será eterno. Transformações são possíveis, novas soluções para os problemas atuais são necessárias, novos horizontes devem ser construídos. As soluções virão de pessoas que sabem na própria carne que a organização social da sociedade é inadequada às nossas esperanças e sonhos. Nossos movimentos nos dão indicadores desses horizontes. Devemos nos certificar que nossas ciências sociais não se tornem o cinismo do impossível.</p>
<p>A bestialidade organizada de nossos tempos, com comida sendo negada a pessoas e armas sendo vendidas com voracidade às nações que têm apenas escassos recursos públicos, vem com pouca condenação. O cinismo e niilismo são a ordem do dia. Isso abre espaço para uma atitude blasé em relação à ideia de humanidade, do esforço necessário para produzir a liberdade humana. Todas as tradições conhecidas da humanidade parecem estar sob grande ameaça. Conceitos como democracia, paz e cultura foram desgastados. Eles significam tão pouco, frequentemente uma frágil casca das ideias poderosas que eles poderiam se tornar. Está claro para nós que algo em nosso mundo está morrendo. O que não está tão claro é o que está nascendo no lugar do velho.</p>
<p>Trinta milhões de pessoas estão atualmente no limiar da fome. Elas gostariam de fugir em busca de comida e para longe da seca, dos incêndios e da guerra. Espremidos entre o fim dos meios de subsistência e a proibição da migração, os pobres do mundo sofrem punição por um crime que é desconhecido. O que eles fizeram para merecer esse destino? Por que eles estão sendo punidos quando não cometeram nenhum crime?</p>
<p><em>Vijay Prashad é o diretor executivo do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Ele é autor de vinte e cinco livros e editor de vinte outros. Entre esses livros estão: The Poorer Nations: A Possible History of the Global South [As Nações Pobres: Uma História Possível do Sul Global] e The Darker Nations: A People’s History of the Third World [As Nações Escuras: Uma História Popular do Terceiro Mundo] Escreve regularmente para Frontline e The Hindu (Índia), Alternet (EUA) e BirGün (Turquia). Ele é o editor chefe da LeftWord Books (Nova Delhi).</em></p>
<h4 style="margin:2em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">Referências</span></strong></h4>
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<p>• Junot Diaz, ‘Apocalypse’, <em>Boston Review</em>, 2011.</p>
<p>• Jorge Máttar y Luis Mauricio Cuervo, eds., <em>Planificación para el desarrollo en América Latina y el Caribe: Enfoques, experiencias y perspectivas</em> (CEPAL, 2016).</p>
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<p>• Prabir Purkayastha, ‘Net Neutrality in the Age of Internet Monopolies’, <em>The Marxist</em> (2015).</p>
<p>• Spotlight on Sustainable Development 2017: Reclaiming Policies for the Public (Civil Society Reflection Group, 2017).</p>
<p>• <em>Strongmen: Trump-Modi-Erdogan-Duterte</em>, edited by Vijay Prashad (LeftWord, 2018).</p>
<p>• <em>The Economic Value of Peace 2016</em> (Institute for Economics and Peace, 2016).</p>
<p>• <em>The Long View: How will the global economic order change by 2050?</em> (PricewaterhouseCoopers, 2017).</p>
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<p>• UNICEF, <em>The State of the World’s Children 2016: A Fair Chance for Every Child</em> (UNICEF, 2016).</p>
<p>• Utsa Patnaik and Prabhat Patnaik, <em>A Theory of Imperialism</em> (Tulika, 2016).</p>
<p>• Vijay Prashad, <em>The Poorer Nations: A Possible History of the Global South</em> (Verso, 2013).</p>
<p>• Vijay Prashad, <em>No Free Left: the Futures of Indian Communism</em> (LeftWord, 2015).</p>
<p>• Wendy Wolford, <em>This Land is Ours Now: Social Mobilisation and the Meaning of Land in Brazil</em> (Duke, 2010).</p>
<p>• <em>World Intellectual Property Indicators – 2016</em> (World Intellectual Property Organisation, 2016).</p>
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