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	<title>geopolítica | Tricontinental: Institute for Social Research</title>
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		<title>A agitação da ordem global</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jan 2024 08:00:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Com base em pesquisas originais realizadas com Global South Insights, o dossiê n. 72 analisa as mudanças tectônicas que estão ocorrendo no mundo e o novo clima no Sul Global.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em janeiro de 2023, um repórter do <em>Yomiuri Shimbun</em> pediu à secretária de Comunicação do Ministério das Relações Exteriores do Japão, Hikariko Ono, uma definição do termo “Sul Global”. “O governo do Japão não tem uma definição precisa do termo Sul Global”, ela respondeu, e completou: “entendo que, em geral, se refere aos países emergentes e em desenvolvimento” (Ministério de Relações Exteriores do Japão, 2023a).</p>
<p>O governo japonês se esforçou para encontrar uma avaliação mais precisa do Sul Global, a qual tentou apresentar no <em>Diplomatic Bluebook 2023</em>. Em uma longa seção sobre a ideia do Sul Global, as autoridades japonesas reconhecem que o antigo Terceiro Mundo parece ter desenvolvido um novo estado de espírito. Quando os países do Norte Global, liderados pelos Estados Unidos, exigiram que os países do Sul Global adotassem a posição da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre a guerra na Ucrânia (ou seja, isolar a Rússia), eles se recusaram, acusando o Ocidente de “dois pesos e duas medidas”, uma vez que, como observa o Ministério das Relações Exteriores do Japão, os EUA justificam suas próprias guerras enquanto critica as guerras dos outros. À luz desse novo clima no Sul Global, a chancelaria japonesa declarou a necessidade de uma nova atitude com “uma abordagem inclusiva que supere as diferenças de valores e interesses”; como escreveu o ministro da pasta, Yoshimasa Hayashi, no prefácio do relatório: “O mundo está agora em um momento decisivo da história” (Ministério das Relações Exteriores do Japão, 2023b).</p>
<p>Esse ponto de inflexão é exemplificado pelo fato de que poucos Estados do Sul Global estão dispostos a participar do isolamento da Rússia, recusando-se, por exemplo, a apoiar as resoluções ocidentais na Assembleia Geral das Nações Unidas. Nem todos os países que se recusaram a se juntar ao Ocidente em sua cruzada contra a Rússia são “antiocidentais” em um sentido político; muitos deles são motivados por questões práticas, como os preços mais baixos da energia na Rússia. Seja porque estão fartos de serem pressionados pelo Ocidente, seja porque veem oportunidades econômicas em seu relacionamento com a Rússia; cada vez mais os países da África, Ásia e América Latina se recusam a capitular diante da pressão de Washington para romper os laços com a Rússia. Foi essa recusa e evasão que levou o presidente da França, Emmanuel Macron (2023), a admitir que estava “muito impressionado com o quanto estamos perdendo a confiança do Sul Global”.</p>
<p>Em uma mesa de debate em 18 de fevereiro de 2023, na Conferência de Segurança de Munique, três líderes da África, da América Latina e da Ásia desenvolveram o argumento sobre por que estão insatisfeitos com a guerra na Ucrânia e com a campanha que os pressiona a romper laços com a Rússia. Como disse a primeira-ministra da Namíbia, Saara Kuugongelwa-Amadhila: “Estamos promovendo uma resolução pacífica do conflito [na Ucrânia] para que o mundo inteiro e todos os recursos do mundo possam se concentrar na melhoria das condições [de vida] dos povos em todo o mundo, em vez de serem gastos na aquisição de armas, na morte de pessoas e na criação de hostilidades”. Quando lhe perguntaram por que a Namíbia se absteve na votação das Nações Unidas sobre a guerra, Kuugongelwa-Amadhila disse: “Nosso foco é resolver o problema (…) e não transferir a culpa”. O dinheiro usado para comprar armas, disse ela, “seria melhor utilizado para promover o desenvolvimento na Ucrânia, na África, na Ásia, em outros lugares, e na própria Europa, onde muitas pessoas estão passando por dificuldades” (Conselho de Segurança de Munique, 2023).</p>
<p>Uma série de relatórios publicados pelas principais instituições financeiras ocidentais fazem eco ao desconforto de Macron sobre o declínio da credibilidade do Ocidente no Sul Global. A BlackRock observa que estamos entrando em “um mundo fragmentado com blocos concorrentes”, enquanto o Credit Suisse aponta para as “fraturas profundas e persistentes” que se abriram na ordem mundial (BlackRock Investment Institute, 2023, p. 13; Credit Suisse, 2023, p. 14). Em sua avaliação, o Credit Suisse descreve com precisão essas “fraturas”: o Ocidente global (países desenvolvidos ocidentais e aliados) se afastou do Oriente global (China, Rússia e aliados) em termos de interesses estratégicos centrais, enquanto o Sul global (Brasil, Rússia, Índia, China e a maioria dos países em desenvolvimento) está se reorganizando para buscar seus próprios interesses” (Credit Suisse, 2023, p. 14).</p>
<p>Para entender essas grandes mudanças que estão ocorrendo no mundo e a perplexidade do Norte Global com o novo clima no Sul Global, o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social produziu o dossiê n. 72, <em>A agitação da ordem global, </em>com base na pesquisa realizada com a Global South Insights e em nosso documento de trabalho produzido em colaboração, <em>Hiper-Imperialismo: uma nova fase perigosa e decadente</em> (janeiro de 2024).<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup>1</sup></a></p>
<hr class="single-post--content--separator-section">
<h2 style="margin:3em 0;">Sobre os termos Sul Global e Norte Global</h2>
<p>A Organização das Nações Unidas (ONU) é formada por 49 países do Norte Global e 145 países do Sul Global. Neste dossiê, usamos os termos “anéis” para descrever o Norte Global e “grupos” para descrever o Sul Global, com base nas representações das figuras a seguir. Os anéis do Norte Global são organizados em torno dos Estados Unidos e de seus aliados mais próximos no centro, sendo que cada anel que circunda esse centro, ou núcleo interno, é composto por Estados do Norte Global que, por diferentes motivos, não estão no núcleo interno. Esses anéis não sugerem nenhuma fragmentação do Norte Global, que opera como um bloco. O Sul Global, por sua vez, não é um bloco, mas um projeto emergente formado por diferentes grupos, cada um com sua própria lógica, como explicaremos a seguir.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-93649 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart.png"></p>
</div>
<h3 style="margin:2em 0;">O Norte Global</h3>
<p>A guerra na Ucrânia esclareceu e acelerou certas mudanças geopolíticas. Por um lado, um grupo de países que segue a orientação dos Estados Unidos reagiu à entrada das forças russas na Ucrânia como um bloco militar, econômico e político integrado. Esses países participam de determinadas plataformas, das quais a Otan e o Grupo dos Sete Países (G7) são as mais significativas. Isso reflete uma dinâmica que vem ocorrendo desde a queda da União Soviética em 1991, na qual a Otan e o G7 agem juntos para conduzir uma agenda amplamente definida pelos Estados Unidos, com a Europa e o Japão como potências secundárias na aliança.</p>
<p>Nas últimas décadas, as contradições entre a Otan e os países do G7 foram amenizadas e ficaram em segundo plano. Apesar das diferenças secundárias entre as posições e capacidades militares, econômicas e políticas desses países (como a discordância entre os EUA, o Reino Unido e a França sobre quem exportaria submarinos para a Austrália em 2021), o Norte Global pode ser melhor entendido como um bloco que está disposto a se unir em torno de questões centrais (Krause-Jackson <em>et al.</em>, 2021; Prashad, 2021).</p>
<p>O intelectual egípcio Samir Amin escreveu, em 1980, sobre a “consolidação gradual da zona central do sistema capitalista mundial (Europa, América do Norte, Austrália)”. Logo depois, Amin começou a usar o termo Tríade para se referir a essa “zona central” de potências imperialistas que surgiu após a Segunda Guerra Mundial (Amin, 1980, p. 104; Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, 2023). Ele argumentou que as classes dominantes da Europa e do Japão haviam subordinado seus próprios interesses nacionais ao que o governo dos Estados Unidos começou a chamar de “interesse comum”. Com base na concepção de Amin, organizamos a Tríade em quatro anéis, com modificações que refletem as tendências atuais das relações internacionais e regionais.</p>
<p>Esses quatro anéis são:</p>
<ol>
<li>O núcleo interno dos Estados colonizadores anglo-americanos imperialistas liderados pelos EUA, formado por Austrália, Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia e Reino Unido (todos fazem parte do Five Eyes Intelligence Oversight and Review Council [Conselho de Revisão e Supervisão de Inteligência dos Cinco Olhos], uma rede de agências de inteligência vinculadas por acordos não divulgados), além de Israel. Esses países – enraizados em formas de supremacia branca – são os mais avançados nas áreas militar, econômica e política, com os Estados Unidos mantendo o domínio sobre o grupo.</li>
<li>A camada seguinte é composta pelas nove principais potências imperialistas europeias: Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França,  Holanda, Itália, Noruega e Suécia. Todos esses países são membros da rede de espionagem “Quatorze Olhos” (formalmente conhecida como Sigint Seniors Europe), e todos são membros da Otan (com a adesão da Suécia praticamente garantida). Esses poderosos países europeus, no entanto, subordinam seus interesses nacionais ao núcleo interno, operando quase como Estados vassalos. Veja o caso da Alemanha, que – apesar de ter uma das maiores economias do mundo e dominar a União Europeia –, ainda assim enfraqueceu sua capacidade de cuidar de seus cidadãos desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, para não contestar a hegemonia dos EUA sobre a política externa europeia. Como descreveu o economista Michael Hudson, essa é “a terceira vez em um século que os Estados Unidos derrotam a Alemanha” (Hudson, 2022).</li>
<li>O terceiro anel é formado pelo Japão e por potências europeias secundárias, como Áustria, Finlândia, Grécia, Irlanda, Portugal e Suíça. Embora leais aos Estados Unidos, esses países não têm tanta influência na ordem mundial quanto as potências imperialistas europeias, com base em suas capacidades militares, econômicas e políticas. Alguns deles, como Portugal, Finlândia e Islândia, fazem parte da Otan, mas são menos importantes para a estratégia militar dos EUA. No caso de Portugal, por exemplo, apesar de ser uma antiga potência colonial, seu PIB relativamente menor é um fator de exclusão do círculo de potências europeias secundárias.</li>
<li>O quarto anel externo é composto por dezenove países do antigo Bloco Oriental. Esses países, que não eram potências coloniais, foram atraídos para o bloco imperialista na era pós-Guerra Fria, principalmente por meio da subordinação econômica e da expansão da Otan no leste. Alguns desses países são governados por regimes de direita pró-Otan (por exemplo, Polônia, Ucrânia e Estônia), que desempenham um papel de linha de frente nos esforços do Ocidente para conter a Rússia. Outros tentam manter distância da Otan (como a Sérvia), embora a pressão ocidental muitas vezes não lhes dê muita escolha.</li>
</ol>
<p>Em 1945, os EUA começaram a consolidar sua hegemonia sobre os países do Norte Global por meio de três eixos principais:</p>
<ol>
<li>O domínio militar dos Estados Unidos na Europa por meio da Otan e a expansão das bases militares dos EUA nas potências do eixo derrotadas (Alemanha, Itália e Japão).</li>
<li>Integração econômica e dependência dos Estados Unidos por parte do Japão, da Europa Ocidental e dos Estados colonizadores anglo-americanos. Isso começou com o Plano Marshall (1948) na Europa e no início da ocupação militar do Japão (1945-1952).</li>
<li>A subordinação política das elites dos Estados colonizadores europeus, japoneses e brancos à estrutura de elite dos EUA, selecionando quais partidos políticos teriam permissão para estar no poder. Isso foi realizado por meio da criação de uma elite global pró-EUA, por exemplo, abrindo as universidades dos EUA para estudantes de elite dessas partes do mundo e formando um conjunto de redes (como a Reunião de Bilderberg em 1954) que buscavam criar um entendimento comum do mundo moldado pelos Estados Unidos (Prashad, 2020).</li>
</ol>
<p>Além da subordinação do Norte Global aos Estados Unidos ao longo desses três eixos – que exigiu muito esforço e luta para ser alcançada –, três outros fatores são fundamentais para entender tanto o conceito de Norte Global quanto a lógica dos quatro anéis em que dividimos esses países.</p>
<ul>
<li><strong>Uma história compartilhada de brutalidade.</strong> O termo Norte Global não é um termo geográfico neutro. De fato, ele decididamente não é geográfico, dada a inclusão de países como a Austrália e a Nova Zelândia em seu núcleo interno. Em vez disso, o termo Norte Global é sinônimo de outros termos, como Ocidente e países avançados. Todas essas são designações educadas para o termo mais adequado: o bloco imperialista. Vale a pena observar que a maioria desses países – sejam eles os liderados pelo núcleo anglo-estadunidense (como Reino Unido e os Estados Unidos); o núcleo europeu (como a Alemanha e a Itália); ou potências europeias secundárias (como Portugal e Áustria) – moldaram o mundo moderno por meio de uma história compartilhada de violência que começou com o tráfico atlântico de pessoas escravizadas e continuou com o uso de bombas nucleares contra os civis em Hiroshima e Nagasaki e o genocídio contínuo dos palestinos. Não existe uma contabilização abrangente das centenas de milhões de pessoas mortas pelo colonialismo.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup>2</sup></a>Uma característica central dessa violência é a drenagem da riqueza das regiões colonizadas do mundo para as potências coloniais, que não apenas encheu os cofres dessas potências e pagou pela infraestrutura opulenta existente ainda hoje; ela também moldou o sistema neocolonial que continua a sugar a riqueza dos Estados colonizados muito depois do fim do colonialismo formal.</li>
<li><strong>O escoamento da riqueza do Sul para o Norte<em>.</em></strong> Apesar de representarem apenas 14,2% da população mundial, os 49 países do Norte Global respondem por 40,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, com base na Paridade do Poder de Compra (PPC).<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><sup>3</sup></a> Ao controlar o capital e a produção de matérias-primas, a propriedade intelectual e a ciência e tecnologia – todos parte do legado do colonialismo –, os países do Norte Global continuam garantindo o acúmulo de uma parcela maior da riqueza do planeta. Um exemplo do enorme roubo colonial de riquezas são os quase 45 trilhões de dólares que os britânicos drenaram da Índia entre 1765 e 1938, o que representa quase todo o período de domínio britânico na Índia (1757-1947). Essa riqueza inundou o sistema bancário britânico, possibilitou a acumulação de capital para a industrialização britânica e criou vantagens que perduraram por gerações (Patnaik, 2019). Enquanto isso, a expectativa média de vida diminuiu em 20% entre 1870 e 1921; e a taxa de alfabetização quando a Índia conquistou sua independência em 1947, após 300 anos de colonialismo, era de apenas 12,2% (Hickel; Sullivan, 2023).<br>
Um artigo recente mostra que, com base em trocas desiguais, 152 trilhões de dólares foram saqueados do Sul Global entre 1960 e 2017. Os autores destacam que, somente em 2017, o Norte Global se apropriou de 2,2 trilhões de dólares em <em>commodities</em> no Sul Global – “o suficiente para acabar com a pobreza extrema 15 vezes” (Hickel <em>et</em><em> al</em>., 2021).  Imagine se pudéssemos calcular toda a drenagem de riqueza das (antigas) colônias e o impacto social que isso teve em seus sistemas de saúde e educação.</li>
<li><strong>Uma condição comum de militarização e inteligência.</strong> O papel das redes de inteligência é frequentemente subestimado na avaliação do poder do Norte Global. A categoria de “inteligência” não se trata mais apenas de espionagem do tipo antigo, mas agora inclui vigilância digital e guerra (incluindo ataques cibernéticos à infraestrutura principal). Cada um dos países do Norte Global participa de uma coordenação militar de alto nível e do compartilhamento de inteligência, impulsionado pelo núcleo interno. Quanto mais próximo um país estiver do núcleo interno, mais sincronizado será o nível de inteligência e coordenação militar. Isso não significa que os países dos anéis externos não estejam ligados aos sistemas do núcleo interno, mas apenas que eles não são convidados a entrar no santuário interno dos sistemas de informações e armas. A estrutura dos quatro anéis se reflete nas redes globais de inteligência, como exemplificado pelas distinções entre as redes de inteligência Five, Nine e Fourteen Eyes. A rede de inteligência Five Eyes (composta por cinco dos seis países do núcleo interno, Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos – com Israel como um “sexto olho” de fato) trabalha em estreita colaboração, mas mantém uma distinção dos países Nine Eyes (Dinamarca, França, Holanda e Noruega, adicionados aos Five Eyes) e, finalmente, com os países Fourteen Eyes (Bélgica, Alemanha, Itália, Espanha e Suécia, adicionados aos Nine Eyes), que têm acesso a um nível de compartilhamento de inteligência cada vez mais reduzido quanto mais se afastam do núcleo interno.</li>
</ul>
<h3 style="margin:2em 0;">O Sul Global</h3>
<p>Ao contrário do Norte Global, o Sul Global não é um bloco integrado. Os países do Sul Global têm diferentes realidades econômicas, capacidades militares, sistemas políticos e governos, muitas vezes com tradições políticas conflitantes. Embora vários desses países compartilhem certas características e interesses, o conceito de Sul Global não é definido por seus pontos em comum, mas por um conjunto de outros fatores. No entanto, esses países compartilham o fato de que:</p>
<ul>
<li>são ex-colônias e semicolônias que foram submetidas a 500 anos de humilhação;</li>
<li>em alguns casos, têm e buscam projetos socialistas, pelos quais foram punidos pelo bloco imperialista;</li>
<li>eles são, por diversos motivos, vítimas da invasão imperialista por meio de força extraeconômica, como golpes e sanções;</li>
<li>muitas vezes, uniram-se em torno de vários interesses comuns, como buscar o alívio da dívida, estabelecer seu direito de construir uma democracia econômica e acessar medidas globais de saúde, incluindo vacinas durante a pandemia da Covid-19.</li>
</ul>
<p>Apesar desses pontos em comum, seria um exagero chamá-los – como fizemos com o Norte Global – de bloco. Em vez disso, pensamos no Sul Global como sendo composto por seis grupos com relações interligadas (bem como disputas antagônicas entre alguns deles). Esses agrupamentos são:</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-93649 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_2.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_2.png"></p>
</div>
<ol>
<li><strong> </strong><strong>Estados socialistas independentes</strong>. Esse grupo inclui seis países (China, Vietnã, Venezuela, Laos, República Democrática da Coreia e Cuba) que continuam comprometidos com a trajetória socialista, com todos os seus complexos ziguezagues. Desde 2016, a China, um dos principais membros do grupo, tem o maior PIB (PPC) do mundo e uma economia quase três vezes maior do que a da Índia (um país com uma população comparável).<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><sup>4</sup></a> O povo chinês realizou a maior façanha dos tempos modernos em termos de desenvolvimento humano, tirando 800 milhões de pessoas da pobreza (Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, 2021).</li>
<li><strong>Estados </strong><strong>em busca de </strong><strong>soberania</strong>. Esse grupo é definido por Estados que, mais recentemente e apesar das muitas diferenças internas entre eles, tomaram medidas para afirmar sua soberania, mas não estabeleceram um processo socialista formal. Muitos desses países, como a Eritreia e o Mali, fazem parte do Grupo de Amigos em Defesa da Carta da ONU, formado em julho de 2021 sob a liderança do governo venezuelano. O Ocidente, por sua vez, puniu essa postura por meio de uma guerra híbrida extrema.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5"><sup>5</sup></a> A Rússia, um caso especial nesse grupo, é o principal alvo da mudança de regime e de medidas coercitivas que buscam desmembrá-la e desnuclearizá-la.</li>
<li><strong>Estados </strong><strong>atualmente</strong><strong> progressistas</strong>. As sociedades desses países foram moldadas por movimentos de libertação nacional – como a luta contra o <em>apartheid </em>na África do Sul – e por movimentos contra ditaduras – como no Brasil – cujo impacto marcou profundamente suas culturas políticas. Apesar das limitações dos governos desse grupo, de suas graves contradições internas e das dificuldades de se emanciparem do sistema capitalista global, eles não se acovardaram diante da interferência dos EUA. No entanto, nenhum desses países se beneficiou de uma revolução socialista que poderia ter enfraquecido sua burguesia nacional por meio de uma reforma agrária substancial ou da socialização de setores avançados da economia, por exemplo.</li>
<li><strong>Novos Estados não alinhados</strong>. Esses países, com PIBs crescentes, estão superando sua dependência do Ocidente. O tamanho e a escala de suas economias lhes deram certa independência para buscar interesses econômicos nacionais sem avançar ativamente na soberania política. Eles perceberam que o confisco de reservas estrangeiras pelos EUA e o uso de sanções contra pelo menos 31,5% da população mundial se tornaram ameaças graves para a maioria global e que os Estados Unidos não são mais um mercado de último recurso nem um importante fornecedor de investimento estrangeiro direto.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6"><sup>6</sup></a></li>
<li><strong>O Sul Global Diverso</strong>. Esse grupo inclui os 111 países que não possuem uma unidade política, econômica ou militar clara. Eles variam no grau de alinhamento com o Norte Global.</li>
<li><strong>Estados fortemente</strong><strong> militar</strong><strong>izados pelos</strong><strong> EUA</strong>. Os dois países que compõem esse grupo – República da Coreia e Filipinas – são efetivamente colônias militares dos Estados Unidos, embora suas populações se esforcem contra as limitações de estarem subordinadas às necessidades militares e de segurança estadunidenses.</li>
</ol>
<p>Juntos, esses 145 países (incluindo a Palestina como Estado observador) representam 85,8% da população mundial e 59,4% do PIB mundial (PPC).<a href="#_ftn7" name="_ftnref7"><sup>7</sup></a> Como veremos na seção final deste dossiê, esses seis grupos fazem parte de grandes projetos regionais e internacionais (como a Organização de Cooperação de Xangai, a Unasul, o BRICS10 e o G77, respectivamente) que refletem o novo clima no Sul Global – um clima que está mudando em direção ao regionalismo e ao multilateralismo e se afastando do domínio único criado pelo bloco imperialista.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Sobre a ideia dos cinco controles</h2>
<p>A avaliação marxista do imperialismo ao longo do século passado foi moldada pelas contribuições teóricas e práticas de Vladimir Lenin, com base na experiência da Revolução Russa. Na obra clássica de Lenin, <em>Imperialismo: </em><em>estágio superior do capitalismo</em> (1916), ele argumenta que, em seu estágio mais competitivo, o capitalismo avançou para produzir oligopólios em setores importantes – como o financeiro – que entraram em contradição uns com os outros, levando seus Estados a um conflito sobre os mercados das colônias e a confrontos militares diretos entre si. A onda de descolonização formal iniciada após o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 – que tinha uma história anterior na América Latina nos anos 1800, mas foi reiniciada com a Revolução Cubana (1959) – criou novas condições para o imperialismo. O recuo territorial das potências imperialistas não foi acompanhado de forma alguma pela perda de seu controle sobre a economia mundial. Ao contrário, eles criaram o que Kwame Nkrumah chamou de neocolonialismo.</p>
<p>Nos últimos anos, no entanto, testemunhamos o lento desgaste do controle do Ocidente sobre a economia mundial, bem como a deslegitimação gradual de toda a estrutura neocolonial. Para entender melhor esse desgate, adotamos um método que Samir Amin desenvolveu há quase 30 anos para avaliar a natureza do poder imperialista (Amin, 1996).<a href="#_ftn8" name="_ftnref8"><sup>8</sup></a> Ele argumentou que a estrutura neocolonial não exigia que as corporações transnacionais baseadas no Ocidente possuíssem a maior parte dos ativos do mundo. Em vez disso, ele explicou, o que era necessário era que tivessem controle monopolista sobre muitos dos ativos em setores-chave e garantissem que o beneficiário final desses ativos fosse a Tríade, ou o Norte Global, e suas classes dominantes. Amin identificou cinco formas de controle que estão no centro da estrutura neocolonial:</p>
<ul>
<li>Controle sobre os recursos naturais</li>
<li>Controle sobre os fluxos financeiros</li>
<li>Controle sobre ciência e tecnologia</li>
<li>Controle sobre o poder militar</li>
<li>Controle sobre as informações</li>
</ul>
<p>Em <em>O mundo precisa de uma nova teoria socialista do desenvolvimento</em> (jul. 2023), argumentamos que o controle do Ocidente sobre os recursos naturais, os fluxos financeiros e a ciência e tecnologia está sendo contestado pela emergência das principais economias do Sul Global: China, Índia, Indonésia, Brasil, Turquia e México, que estavam entre as treze maiores economias do mundo em termos de PIB (PPC) em 2022.<a href="#_ftn9" name="_ftnref9"><sup>9</sup></a> A impressionante ascensão da China, que saiu da pobreza extrema, foi fundamental para enfraquecer o domínio do Norte Global sobre esses três primeiros controles.</p>
<p>Dois exageros dos Estados Unidos e do bloco imperialista, de meados da década de 1990 até a década de 2010, também contribuíram para enfraquecer esse controle:</p>
<ol>
<li><strong>As guerras dos EUA</strong>, da guerra global contra o terrorismo até as guerras no Afeganistão, Iraque e Líbia.</li>
<li>A <strong>superextensão econômica dos EUA</strong>, do excesso de crédito no mercado imobiliário dos EUA até a regulamentação frouxa do sistema bancário ocidental.</li>
</ol>
<p>Essas guerras dos EUA e a Grande Depressão de 2007-2008 provocaram uma crise na liderança do Norte Global no sistema mundial. Foi nesse contexto que o presidente russo, Vladimir Putin, disse na Conferência de Segurança de Munique de 2007 que o mundo não precisa de “um senhor”.<a href="#_ftn10" name="_ftnref10"><sup>10</sup></a> Começaram a surgir grandes dúvidas em grande parte do Sul Global sobre o papel dos EUA como o comprador de última instância, a âncora do sistema monetário mundial e o estabilizador político da ordem mundial.</p>
<p>Novos desenvolvimentos na China e na Rússia, que estavam ocorrendo ao mesmo tempo que essas guerras dos EUA e o caos no sistema capitalista mundial, começaram a acelerar novas mudanças:</p>
<ol style="list-style-type: lower-alpha;">
<li><strong>China.</strong> Nos últimos anos do governo de Hu Jintao (2003-2013), a liderança da China começou a reavaliar sua dependência do mercado e da liderança política dos EUA. A formação do BRICS em 2009 foi parte dessa nova postura. Essa reavaliação foi então traduzida em uma nova estrutura de políticas sob a liderança de Xi Jinping. Isso incluiu o estabelecimento de alternativas ao mercado e à liderança dos EUA, como a criação de um mercado interno por meio de investimentos de capital em larga escala, a erradicação da pobreza extrema e a construção da Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota (mais tarde, Iniciativa do Cinturão e Rota). Além disso, a China começou a usar o processo do BRICS para incentivar a formação de novos sistemas monetários e novas lideranças políticas.</li>
<li><strong>Rússia.</strong> No final da primeira década dos anos 2000, o governo russo começou a desfazer os danos que a destruição da União Soviética havia causado ao seu povo. Em primeiro lugar, o governo, liderado por Putin, começou a recuperar o setor de energia dos “oligarcas” e a organizar a base da economia em torno de princípios de autossuficiência, incluindo a manutenção do capital no país e a não permissão de retirada de lucros para o sistema bancário controlado pelo Ocidente. Em segundo lugar, o governo começou a aumentar o papel da Rússia na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+, que inclui outros 10 países não membros) e a construir seu setor de energia para vender petróleo e gás natural para a Europa em um contexto em que as guerras do Norte Global contra o Iraque e a Líbia e a guerra híbrida contra o Irã, impulsionada por sanções, interferiam nas principais fontes de energia da Europa.</li>
</ol>
<p>O magnetismo econômico da China e da Rússia – no contexto de uma crise econômica de longo prazo no Norte Global – levou os países da União Europeia a se integrarem mais à Eurásia. Isso ocorreu em dois níveis: os países europeus começaram a depender cada vez mais da energia russa (um terço das necessidades energéticas da Alemanha era atendido pela Rússia, por exemplo) e do investimento e da tecnologia da China (18 países da União Europeia aderiram à Iniciativa do Cinturão e Rota), incluindo Itália, Polônia, Portugal e República Tcheca (Nedopil, 2022). A integração da Europa com a Ásia foi historicamente lógica e necessária e, combinada com a ascensão da China, ameaçou a estrutura unipolar geral do Norte Global, bem como a estrutura neocolonial da economia mundial. Incapazes de reverter essa integração e a ascensão da China, os EUA, ao lado de seus aliados no Norte Global, aceleraram uma guerra híbrida contra a China e a Rússia. As linhas de frente dessa guerra eram inicialmente econômicas (por meio de uma guerra comercial, por exemplo), mas rapidamente começaram a se concentrar em duas áreas: Ucrânia e Taiwan. A guerra na Ucrânia teve duas consequências importantes na ordem mundial: em primeiro lugar, aumentou o custo dos alimentos e do combustível em todo o mundo e, em segundo lugar, houve uma recusa de muitos países em desenvolvimento em se curvar ao Ocidente e à sua postura em relação à guerra. Juntas, essas consequências geraram um novo clima no mundo em desenvolvimento e o surgimento de um novo não alinhamento.</p>
<p>O controle do Norte Global sobre o poder militar e as informações, no entanto, não diminuiu. Em um momento de apatia econômica e fragilidade política, o Norte Global – liderado pelos Estados Unidos – está exercendo o restante de seu poder com grande força e, ao fazê-lo, coloca em risco a existência do planeta. Como mostra nossa pesquisa, os países do Norte Global – especialmente os Estados Unidos – gastam quantias significativas de seus orçamentos com as Forças Armadas, sistemas de construção que ameaçam todos os aspectos da vida humana e desperdiçam a engenhosidade humana para destruir a vida em vez de afirmá-la.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">O controle de armas</h2>
<p>Incapazes e relutantes em construir um projeto social e político para lidar com os dilemas da humanidade em escala global, os Estados Unidos e seu bloco buscaram uma estratégia para manter seu domínio sobre o planeta. Esse domínio teve início com o colapso da União Soviética e do sistema estatal comunista na Europa Oriental em 1991, bem como com o enfraquecimento do Terceiro Mundo por meio da crise da dívida, que começou a se agravar com a inadimplência do México em 1982. Os intelectuais dos Estados Unidos começaram a falar como se esse domínio fosse eterno, com o “fim da história” pronunciado contra qualquer enfrentamento à ordem dos EUA. No entanto, as rachaduras nessa narrativa começaram a se ampliar à medida que o domínio do G7, com os EUA à frente, foi profundamente abalado por seu exagero militar na guerra global contra o terrorismo (especialmente a invasão ilegal do Iraque em 2003) e pela Terceira Grande Depressão, de 2007-2008 (desencadeada pelo colapso dos mercados imobiliários ocidentais).</p>
<p>Na segunda década do século XXI, os Estados Unidos e seus aliados fizeram todos os esforços para reafirmar seu controle sobre o planeta. A guerra da Otan contra a Líbia em 2011 foi uma importante sinalização da política ocidental, que foi um prelúdio para as discussões sobre o uso de uma Otan global como plataforma para avançar a agressão militar ocidental, do Mar do Sul da China ao Caribe. As sanções tentaram disciplinar qualquer um que cruzasse as linhas traçadas pelos Estados Unidos e por seus aliados, bloqueando países do sistema financeiro internacional e, assim, privando populações inteiras do acesso a medicamentos, alimentos e outros bens básicos. (Vale a pena observar que as sanções, que aumentaram 933% nos últimos 20 anos, tornaram-se a forma favorita de intervenção liderada pelos EUA) (Rodrigues, 2023; Departamento do Tesouro dos EUA, 2021). Por fim, o Fundo Monetário Internacional (FMI) retornou com uma agenda de austeridade renovada, que foi aprofundada mesmo durante a pandemia, forçando dezenas de países pobres a pagarem mais aos ricos detentores de títulos do que aos seus próprios sistemas de saúde e educação (Unctad, 2023).<a href="#_ftn11" name="_ftnref11"><sup>11</sup></a></p>
<p>Em 2018, os Estados Unidos declararam o fim da guerra contra o terrorismo e afirmaram claramente em sua Estratégia Nacional de Defesa que seus principais problemas eram a ascensão da China e da Rússia. O Secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, falou abertamente sobre a necessidade de impedir a ascensão de “rivais próximos” – China e Rússia – e sugeriu que toda a panóplia de poder dos EUA fosse usada para colocá-los de joelhos (Mattis, 2018).</p>
<p>Os Estados Unidos não só têm centenas de bases militares que circundam a Eurásia, como também têm aliados, da Alemanha ao Japão, que lhes fornecem posições avançadas contra a Rússia e a China. Em 2015 e 2019, respectivamente, a frota naval dos EUA e seus aliados iniciaram exercícios agressivos de “liberdade de navegação” contra a integridade territorial da China (no Mar do Sul da China) e da Rússia (principalmente no Ártico). Essas manobras, bem como a intervenção política dos EUA na Ucrânia em 2014 e o grande acordo de armas dos EUA com Taiwan em 2015, ameaçaram ainda mais a soberania da Rússia e da China. Então, em 2018, os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (conhecido pela sigla INF), o que abalou o mapa do controle de armas nucleares. Essa retirada, juntamente com os objetivos declarados dos EUA na Estratégia de Defesa Nacional de 2018, mostrou que os EUA estavam contemplando o uso de “armas nucleares táticas” contra a Rússia e a China.</p>
<p>Até o momento, os aliados dos EUA na região da Ásia-Pacífico, como a Austrália e a República da Coreia, não estão ansiosos para permitir a entrada de armas nucleares intermediárias em seu território, embora essas armas possam ser posicionadas em bases dos EUA em outros lugares, de Guam a Okinawa. É impossível entender a intervenção da Rússia na Ucrânia sem entender esse histórico mais longo de ameaças sofridas por Moscou. Não é despropositado se preocupar com a possibilidade de os Estados Unidos posicionarem suas armas nucleares intermediárias na Ucrânia, independentemente de a Ucrânia entrar ou não para a Otan.<a href="#_ftn12" name="_ftnref12"><sup>12</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-93649 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_3.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_3.png"></p>
</div>
<p>Para afirmar sua posição de domínio sobre a ordem mundial, os Estados Unidos e seus aliados aumentaram os gastos militares de forma inacreditável. O Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês) calculou que, em 2022, os gastos militares dos EUA foram de aproximadamente 877 bilhões de dólares, cerca de 39% dos gastos militares globais estimados (Sipri, 2023). No entanto, como mostra um relatório recente publicado na <em>Monthly Review</em>, esse número está muito subestimado: os gastos militares reais dos EUA estão mais próximos de 1,537 trilhão de dólares – quase o dobro do cálculo do Sipri e dos números oficiais dos EUA (Cernadas, Bellamy-Foster, 2023). Somando-se os gastos estimados para 2022 de outros países da Otan (360 bilhões de dólares) e de todos os aliados militares não pertencentes à Otan, dominados pelos EUA (234 bilhões de dólares), com base em números oficiais, o total de gastos militares do bloco militar liderado pelos EUA chega a 2,13 trilhões de dólares, embora esse valor possa estar abaixo dos gastos reais. Esse cálculo eleva os gastos militares globais em 2022 para 2,87 trilhões de dólares. Em outras palavras, o bloco militar liderado pelos EUA é responsável por 74,3% dos gastos militares mundiais, e os EUA gastam 12,6 vezes mais <em>per capita </em>do que a média mundial (Israel, em segundo lugar, gasta 7,2 vezes mais do que a média mundial <em>per capita</em>, e as outras potências imperialistas gastam de duas a três vezes mais do que a média mundial).<a href="#_ftn13" name="_ftnref13"><sup>13</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-93649 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_4.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_4.png"></p>
</div>
<p>A China, por sua vez, é responsável por 10% dos gastos militares mundiais (292 bilhões de dólares), e seus gastos militares <em>per capita </em>são 22 vezes menores do que os dos Estados Unidos.<a href="#_ftn14" name="_ftnref14"><sup>14</sup></a> O medo que se instala sobre os gastos militares chineses não é fundamentado pelos fatos. O que <em>está</em> comprovado por fatos é que a China gasta mais de sua riqueza social em infraestrutura e indústria do que no setor militar. Enquanto isso, os EUA gastam apenas 252 bilhões de dólares em educação, por exemplo, de acordo com o Centre on Budget and Policies Priorities, mas gastam 1,537 trilhão com as Forças Armadas, parte do qual é destinado ao pagamento de suas cerca de 902 bases militares em todo o mundo (Centre on Budget and Policy Priorities, 2023; World Beyond War, 2023).</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-93649 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_5.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_5.png"></p>
</div>
<p>A única área do mundo que está livre do aparato militar dos EUA é grande parte da Eurásia: China, Índia, Irã e Rússia. Desde 1992, os Estados Unidos sonham em conquistar essa região, inclusive com o uso de poder militar. Em 1997, Zbigniew Brzezinski, ex-conselheiro de segurança nacional do presidente dos EUA, Jimmy Carter, advertiu que “potencialmente, o cenário mais perigoso seria uma grande coalizão da China, Rússia e talvez do Irã, uma coalizão “anti hegemônica” unida não por ideologia, mas por queixas complementares”. “Para os Estados Unidos”, escreveu Brzezinski, “o principal prêmio geopolítico é a Eurásia”, que, segundo ele, é “o tabuleiro de xadrez no qual a luta pela primazia global continua a ser jogada” (Brzezinski, 1997). Para evitar esse cenário, Brzezinski e outros alertaram que os EUA deveriam tentar conquistar a China ou a Rússia para isolar a outra e, assim, dominar o “tabuleiro de xadrez” da Eurásia. No entanto, nas últimas décadas, os Estados Unidos fizeram exatamente o oposto, optando por pressionar a China e a Rússia por meio de sua Nova Guerra Fria que, como Brzezinski previu, uniu esses dois países em uma aliança estratégica bilateral e multilateral. Além disso, os dados do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA informam que as Forças Armadas dos EUA foram mobilizadas para 101 países entre 1798 e 2023 (Serviço de Pesquisa do Congresso, 2023). De acordo com o Projeto de Intervenção Militar, entre 1776 e 2019, os EUA realizaram pelo menos 392 intervenções militares em todo o mundo. Metade dessas operações foi realizada entre 1950 e 2019, e 25% delas ocorreram no período pós-Guerra Fria (Kushi; Toft, 2023). Somente em 2022, 317 forças imperialistas foram deslocadas para países do Sul Global e 137 para aliados do Norte Global, em um total de 454 deslocamentos (IISS, 2023).</p>
<p>Talvez a melhor evidência dos planos raciais, políticos, militares e econômicos das potências ocidentais que se manifestaram por meio da Nova Guerra Fria possa ser resumida por uma declaração recente da Otan e da UE:</p>
<blockquote><p>A Otan e a UE desempenham papéis complementares, coerentes e que se reforçam mutuamente no apoio à paz e à segurança internacionais. Mobilizaremos ainda mais o conjunto coordenado de instrumentos à nossa disposição, sejam eles políticos, econômicos ou militares, para buscar nossos objetivos comuns em benefício de nosso bilhão de cidadãos.</p></blockquote>
<h2 style="margin:3em 0;">Sobre o surgimento de novas organizações</h2>
<p>No último dia da cúpula do BRICS<a href="#_ftn15" name="_ftnref15"><sup>15</sup></a> em Joanesburgo, África do Sul, os cinco Estados fundadores (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)<a href="#_ftn16" name="_ftnref16"><sup>16</sup></a> deram as boas-vindas a seis novos membros: Argentina, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU). Embora o novo governo de direita da Argentina, liderado por Javier Milei, tenha se retirado oficialmente da adesão ao BRICS em 29 de dezembro de 2023, os dez países do bloco abrangem agora 45,5% da população mundial, com um PIB global combinado (PPC) de 35,6%. Em comparação, embora os Estados do G7 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) representem apenas 10% da população mundial, sua participação no PIB global (PPC) é de 30,3%. Enquanto os países que hoje formam o BRICS10 são responsáveis por 44,6% da produção industrial global, seus pares do G7 respondem por apenas 21,6%.<a href="#_ftn17" name="_ftnref17"><sup>17</sup></a> Todos os indicadores disponíveis, incluindo as safras e o volume total de produção de metal, mostram o imenso poder desse novo grupo. Celso Amorim, conselheiro do governo brasileiro e um dos arquitetos do BRICS durante seu mandato anterior como ministro das Relações Exteriores, disse sobre o novo desenvolvimento que “o mundo não pode mais ser ditado pelo G7” (Tass, 2023).</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-93649 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_6.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_6.png"></p>
</div>
<p>Certamente, as nações do BRICS, apesar de todas as suas hierarquias e desafios internos, agora representam uma parcela maior do PIB global do que o G7, que continua a se comportar como o poder executivo do mundo. Vinte e três países solicitaram sua adesão antes da reunião da África do Sul (incluindo sete dos 13 países da Opep), embora mais de 40 tenham expressado interesse em participar do BRICS10, incluindo a Indonésia, o sétimo maior país do mundo em termos de PIB (PPC).</p>
<p>É importante mencionar que o BRICS não opera de forma independente das novas formações regionais que visam construir plataformas fora do controle do Ocidente, como a Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe (Celac) e a Organização de Cooperação de Xangai (OCX, na sigla em inglês). Em vez disso, a participação no BRICS10 tem o potencial de aprimorar o regionalismo para aqueles que já fazem parte desses fóruns regionais.</p>
<p>Por que o BRICS acolheu um grupo de países tão díspares, incluindo duas monarquias? Quando solicitado a refletir sobre o caráter dos novos Estados membros plenos, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva disse: “o que importa não é a pessoa que governa, mas a relevância do país. Não podemos negar a relevância geopolítica do Irã e de outros países que se juntarão ao BRICS”. Essa é a medida de como os países fundadores tomaram a decisão de expandir sua aliança (Boadle, 2023).</p>
<p>No centro do crescimento do BRICS estão pelo menos três questões: controle sobre o fornecimento e as rotas de energia, controle sobre os sistemas financeiros e de desenvolvimento globais e controle sobre as instituições de paz e segurança.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Controle sobre suprimentos e vias de energia</h3>
<p>Um BRICS maior criou agora um grupo energético importante. O Irã, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também são membros da Opep, que, ao lado da Rússia, um dos principais membros da Opep+, responde atualmente por 26,3 milhões de barris de petróleo por dia, pouco menos de 30% da produção diária global de petróleo (Hill; Comstock, 2023). O papel da China na intermediação de um acordo entre o Irã e a Arábia Saudita em abril permitiu a entrada desses dois países produtores de petróleo no BRICS. O Egito, outro novo país no BRICS10, embora não seja membro da Opep, é, no entanto, um dos maiores produtores de petróleo da África, com uma produção que representa mais de um quarto da produção mundial de petróleo (The Global Economy, 2023). A questão aqui não é apenas a produção de petróleo, mas o estabelecimento de novas rotas globais de energia.</p>
<p>A Iniciativa de Cinturão e Rota, liderada pela China, combinada com o desenvolvimento da Visão 2030 da Arábia Saudita, já criou uma rede de plataformas de petróleo e gás natural no Sul Global, integrada à expansão do Porto Khalifa e às instalações de gás natural em Fujairah e Ruwais (nos Emirados Árabes Unidos). Há uma grande expectativa de que o BRICS10 comece a coordenar sua infraestrutura de energia com outros produtores de energia. Por exemplo, as tensões entre a Rússia e a Arábia Saudita sobre os volumes de petróleo aumentaram este ano, pois a Rússia excedeu sua cota em uma tentativa de compensar as sanções ocidentais impostas a ela como resultado da guerra na Ucrânia. Agora, esses dois países terão outro fórum, fora da Opep+ e com a China na mesa, para criar uma agenda comum sobre energia. Essa plataforma em expansão também ameaça minar o sistema de petrodólares, com mais países – como a Arábia Saudita – planejando vender petróleo para a China em renminbi, ou RMB (os outros dois principais fornecedores de petróleo da China, Iraque e Rússia, já recebem pagamento em RMB).</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Controle sobre os sistemas financeiros e de desenvolvimento globais</h3>
<p>Tanto as discussões na cúpula do BRICS quanto seu comunicado final destacaram a necessidade de fortalecer uma arquitetura financeira e de desenvolvimento para o mundo que não seja governada pelo triunvirato do Fundo Monetário Internacional (FMI), Wall Street e o dólar estadunidense. Entretanto, o BRICS não busca evitar as instituições de comércio e desenvolvimento globais estabelecidas, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Banco Mundial e o FMI. Por exemplo, na declaração final da cúpula, o BRICS reafirmou a importância do “sistema de comércio multilateral baseado em regras com a Organização Mundial do Comércio em seu núcleo” e pediu “uma Rede de Segurança Financeira Global robusta com um [FMI] baseado em cotas e com recursos adequados em seu centro” (BRICS, 2023). Suas propostas não rompem fundamentalmente com o FMI ou a OMC; em vez disso, oferecem um caminho duplo: primeiro, para que os BRICS exerçam mais controle e direção sobre essas organizações, das quais são membros, mas que foram subornadas a uma agenda ocidental; e, segundo, para que os Estados dos BRICS realizem suas aspirações de construir suas próprias instituições paralelas (como o Novo Banco de Desenvolvimento, ou NBD). O enorme fundo de investimento da Arábia Saudita vale cerca de 1 trilhão de dólares, o que poderia financiar parcialmente o NBD.</p>
<p>Para Cyril Ramaphosa (2023), atual presidente dos BRICS, a agenda do bloco para melhorar “a estabilidade, a confiabilidade e a justiça da arquitetura financeira global” está sendo levada adiante principalmente pelo “uso de moedas locais, acordos financeiros alternativos e sistemas de pagamento alternativos”. O conceito de “moedas locais” refere-se à prática crescente de os países usarem suas próprias moedas para o comércio internacional, em vez de dependerem do dólar. Embora aproximadamente 150 moedas no mundo sejam consideradas de curso legal, os pagamentos internacionais quase sempre dependem do dólar (que, a partir de 2021, passou a representar 40% dos fluxos na rede da Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunications, ou Swift) (Perez-Saiz, 2023).</p>
<p>Outras moedas desempenham um papel limitado, com o renminbi chinês representando 2,5% dos pagamentos internacionais. No entanto, o surgimento de novas plataformas globais de mensagens, como o Sistema Interbancário de Pagamentos Transfronteiriços da China, Interface Unificada de Pagamentos da Índia, e o Sistema de Mensagens Financeiras (SPFS) da Rússia, bem como os sistemas regionais de moeda digital, prometem aumentar o uso de moedas alternativas. Por exemplo, ativos de criptomoeda forneceram brevemente um caminho em potencial para novos sistemas de negociação antes que suas avaliações de ativos diminuíssem, e o BRICS expandido recentemente aprovou a criação de um grupo de trabalho para estudar uma moeda de referência do bloco.</p>
<p>Após a expansão do BRICS, o NBD disse que também expandirá seus membros e que, como sua Estratégia Geral, 2022-2026 30% de todo o seu financiamento será em moedas locais. Como parte de sua estrutura para um novo sistema de desenvolvimento, sua presidenta, Dilma Rousseff, disse que o NBD não seguirá a política do FMI de impor condições aos países tomadores de empréstimos. “Repudiamos qualquer tipo de condicionalidade”, disse Dilma. “Muitas vezes, um empréstimo é concedido sob a condição de que determinadas políticas sejam executadas. Nós não fazemos isso. Respeitamos as políticas de cada país”.</p>
<p>A entrada da Etiópia e do Irã no BRICS mostra como esses grandes países do Sul Global estão reagindo à política de sanções do Ocidente contra dezenas de países, incluindo dois membros fundadores do BRICS (China e Rússia). Há muito tempo a China mantém relações comerciais com a Etiópia, cuja capital, Adis Abeba, é a sede da União Africana. A inclusão da Etiópia no BRICS garante que esse grande país (com uma população considerável e importantes terras agrícolas) não voltará para a órbita ocidental.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Controle sobre instituições de paz e segurança</h3>
<p>Em seu comunicado, as nações do BRICS escrevem sobre a importância de uma “reforma abrangente da ONU, incluindo seu Conselho de Segurança”. Atualmente, o Conselho de Segurança da ONU tem 15 membros, cinco dos quais são permanentes (China, França, Rússia, Reino Unido e EUA). Não há membros permanentes da África, da América Latina ou do país mais populoso do mundo, a Índia. Para reparar essas desigualdades, o BRICS oferece seu apoio às “aspirações legítimas dos países emergentes e em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina, incluindo o Brasil, a Índia e a África do Sul, de desempenhar um papel mais importante nos assuntos internacionais” (BRICS, 2023, p. 3). A recusa do Ocidente em permitir que esses países tenham um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU apenas fortaleceu seu compromisso com o processo do BRICS e com o aprimoramento de seu papel no G20.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-93649 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_7.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Web_D71_PT_Chart_7.png"></p>
</div>
<p>Três grandes plataformas inter-regionais, ainda em estágio embrionário, definem o novo regionalismo e multilateralismo:</p>
<ol>
<li>O <strong>BRICS10</strong> (uma expansão da formação do BRIC em 2009), que é em grande parte estratégico, mas também uma potência econômica, tem 17 membros oficiais e vários parceiros não oficiais.</li>
<li><strong>A Organização de Cooperação de Xangai</strong> (2001), que foi formada principalmente em torno de questões de segurança na Ásia Central, avançou para conversas sobre desenvolvimento e comércio.</li>
<li><strong>O Group of Friends in Defence of the UN Charter (Grupo de Amigos em Defesa da Carta da ONU</strong>) (2021), que é sobretudo uma plataforma política, reúne 20 estados membros da ONU que estão enfrentando o peso das sanções ilegais dos EUA, da Argélia ao Zimbábue. Muitos desses países participaram da cúpula do BRICS como convidados e estão ansiosos para participar do bloco expandido como membros plenos.</li>
</ol>
<p>Não é por acaso que há três países, todos alvos principais de campanhas de pressão do bloco imperialista, que estão em todas essas três organizações: China, Irã e Rússia.</p>
<p>Há vários desafios e oportunidades compartilhados que surgiram no Sul Global e que reuniram muitos de seus países em torno da necessidade de uma estrutura comum para discussão e colaboração. Esses interesses comuns incluem a necessidade de:</p>
<ul>
<li><strong>Multilateralismo e regionalismo</strong> centrados na criação de uma cooperação ancorada no Sul Global.</li>
<li><strong>Nova modernização</strong> que se concentra na construção de economias regionais e continentais que usam moedas locais em vez do dólar para comércio e reservas.</li>
<li><strong>Soberania</strong>, que cria barreiras à intervenção ocidental. Isso inclui envolvimentos militares e colonialismo digital, que facilitam as intervenções da inteligência dos EUA.</li>
<li><strong>Reparações</strong>, que implica em negociação coletiva para compensar as armadilhas de dívidas centenárias do Ocidente e o abuso do excesso de orçamento de carbono, bem como seu legado de colonialismo de alcance muito maior.</li>
</ul>
<hr class="single-post--content--separator-section">
<p>Mudanças profundas estão ocorrendo no mundo, aceleradas pelas guerras na Ucrânia e pelo genocídio em rápida escalada na Palestina. Essas mudanças são moldadas, por um lado, pela perda de poder econômico do Norte Global ao lado do aumento da militarização e, por outro, pela nova disposição do Sul Global em relação à soberania e ao desenvolvimento econômico. Este dossiê é um exercício preliminar, baseado em pesquisas e análises originais, para dar sentido a essas mudanças e, consequentemente, ao novo clima no Sul Global.</p>
<hr class="single-post--content--separator-section single-post--content--separator-section-end">
<h3 class="single-post--content--citations-title" style="margin:2em 0;">Notas</h3>
<div class="single-post--content--citations-block">
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>1</sup></a> Leia nosso relatório completo: <em>Hiper-Imperialismo: uma nova fase perigosa e decadente. </em>Estudos sobre dilemas contemporâneos n. 4, 23 January 2024: <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-sobre-dilemas-contemporaneos-4-hiper-imperialismo/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-sobre-dilemas-contemporaneos-4-hiper-imperialismo.</a></p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2"><sup>2</sup></a> No entanto, há evidências de que, até 1600, pelo menos 56 milhões de indígenas nas Américas pereceram devido à violência colonial e à introdução de patógenos mortais; pelo menos 15,5 milhões de africanos foram capturados e vendidos no tráfico atlântico de escravos; pelo menos 10 milhões de pessoas morreram no Congo entre 1515 e 1865 devido à ganância do colonialismo belga; e, somente entre 1880 e 1920 (uma pequena parte do colonialismo britânico na Índia), pelo menos 165 milhões de indianos morreram em decorrência da violência colonial britânica. Consultar Alexander Koch <em>et al</em>. (2019); Steven J. Micheletti <em>et al</em>. (2020); Adam Hochschild (1999); Fritz Blackwell (2008), Dylan Sullivan; Jason Hickel (2023).</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3"><sup>3</sup></a> Elaboração própria do Global South Insights com base em dados do <em>World Development Indicators</em> (2022) e <em>World Economic Outlook</em> (2022). <a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2029/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2029/October.</a></p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4"><sup>4</sup></a> Elaboração própria da Global South Insights com base no WEO do FMI.</p>
<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5"><sup>5</sup></a> Para saber mais sobre guerra híbrida, ver Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.<em> Crepúsculo: a erosão do controle dos EUA e o futuro multipolar</em>, dossiê n. 36, 4 jan. 2021, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-35-crepusculo/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-35-crepusculo/</a> e <em>Venezuela e as guerras híbridas na América Latina</em>, dossiê n. 17, 3 de jun. 2019, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-17-venezuela-e-as-guerras-hibridas-na-america-latina/.">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-17-venezuela-e-as-guerras-hibridas-na-america-latina/.</a></p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6"><sup>6</sup></a> Elaboração própria da Global South Insights com base em <em>World Population Prospects 2022</em>, Departamento de Economia e Assuntos Sociais, Nações Unidas, 1 jul. 2022, <a href="https://population.un.org/wpp/">https://population.un.org/wpp/</a> e <em>What are Sanctions?</em>, Campanha SanctionsKill, set. 2022, <a href="https://sanctionskill.org">https://sanctionskill.org.</a></p>
<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7"><sup>7</sup></a> Elaboração própria da Global South Insights com base no WEO do FMI.</p>
<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8"><sup>8</sup></a> Ver também Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Globalização e sua alternativa: uma entrevista com Samir Amin</em>, caderno n. 1, 29 out. 2018, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/globalizacao-e-sua-alternativa/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/globalizacao-e-sua-alternativa/.</a></p>
<p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9"><sup>9</sup></a> Elaboração própria da Global South Insights com base no WEO do FMI; Instituto Tricontinental de Pesquisa Social,<em> O mundo precisa de uma nova teoria socialista do desenvolvimento</em>, dossiê n. 66, 4 jul. 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-66-teoria-do-desenvolvimento/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-66-teoria-do-desenvolvimento/.</a></p>
<p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10"><sup>10</sup></a> Vladimir Putin, discurso na Conferência de Munique sobre Política de Segurança: Conferência de Segurança de Munique, Munique, Alemanha, 10 de fevereiro de 2007, <a href="http://en.kremlin.ru/events/president/transcripts/24034">http://en.kremlin.ru/events/president/transcripts/24034.</a></p>
<p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11"><sup>11</sup></a> Para saber mais sobre a crise da dívida, ler  Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Vida ou dívida: o limiar estrangulador do neocolonialismo e a busca por alternativas na África</em>,  dossiê n. 63, 11 abr. 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-63-crise-da-divida-africana/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-63-crise-da-divida-africana/.</a></p>
<p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12"><sup>12</sup></a> Para saber mais sobre a Ucrânia, ver: Instituto Tricontinental  de Pesquisa Social,<em> Esta não é uma era de certezas, mas de contradições</em>, carta semanal n. 14. 7 abr. 2022, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania-2/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania-2/; </a><a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania-2/"><em>Estamos em um período de grandes mudanças tectônicas</em></a><a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania-2/">), carta semanal n. 11, 17 mar. 2022, </a><a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-mudanca-ordem-mundial/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-mudanca-ordem-mundial/</a><a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania-2/">; </a><a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania-2/"><em>Nestes dias de grande tensão, a paz é a prioridade</em></a><a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania-2/">, carta semanal n. 9, 3 mar. 2022</a><a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania-2/">, </a><a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania/</a><a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-ucrania-2/">.</a></p>
<p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13"><sup>13</sup></a> Elaboração própria do Global South Insights com base em números ajustados do “SIPRI Military Expenditure Database”, Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), acesso em: out. 2023, <a href="https://www.sipri.org/databases/milex">https://www.sipri.org/databases/milex</a><u>; e Monthly Review.</u></p>
<p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14"><sup>14</sup></a>Elaboração própria da Global South Insights com base em números ajustados do Sipri e da <em>Monthly Review.</em></p>
<p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15"><sup>15</sup></a> Para saber mais sobre a Ucrânia, ver: Instituto Tricontinental  de Pesquisa Social BRICS, ver: <em>BRICS, uma alternativa ao imperialismo?</em> , <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/brasil/brics-uma-alternativa-ao-imperialismo/.">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/brasil/brics-uma-alternativa-ao-imperialismo/.</a></p>
<p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16"><sup>16</sup></a> Para saber mais sobre os BRICS, ver: Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. BRICS: Uma alternativa ao imperialismo? 31 ago. 2023. Disponível em: <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/brasil/brics-uma-alternativa-ao-imperialismo/.">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/brasil/brics-uma-alternativa-ao-imperialismo/.</a></p>
<p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17"><sup>17</sup></a> Elaboração própria do Global South Insights com base no WPP da ONU, WDI do Banco Mundial e WEO do FMI.</p>
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<p>Sipri. “World Military Expenditure Reaches New Record High as European Spending Surges”. Stockholm International Peace Research Institute, 24 abr. 2023. Disponível em: <a href="https://www.sipri.org/media/press-release/2023/world-military-expenditure-reaches-new-record-high-european-spending-surges">https://www.sipri.org/media/press-release/2023/world-military-expenditure-reaches-new-record-high-european-spending-surges</a>.</p>
<p>Stoltenberg, Jens; von der Leyen, Ursula; Michel, Charles. “Joint Declaration on EU-NATO Cooperation”. North Atlantic Treaty Organisation, 10 jan. 2023. Disponível em: <a href="https://www.nato.int/cps/en/natohq/official_texts_210549.htm">https://www.nato.int/cps/en/natohq/official_texts_210549.htm</a>.</p>
<p>Sullivan, Dylan;  Hickel, Jason. “Capitalism and Extreme Poverty: A Global Analysis of Real Wage, Human Height, and Mortality since the Long 16th Century”. World Development 161, jan. 2023.</p>
<p>TASS. “BRICS” Credibility Growing as World Not Willing to Live by G7 Dogma – Brazilian Adviser, <em>TASS</em>, 22 ago. 2023. Disponível em: <a href="https://tass.com/world/1663753?utm_source=google.com&amp;utm_medium=organic&amp;utm_campaign=google.com&amp;utm_referrer=google.com">https://tass.com/world/1663753?utm_source=google.com&amp;utm_medium=organic&amp;utm_campaign=google.com&amp;utm_referrer=google.com</a>.</p>
<p>The Global Economy. “Egypt: Oil Production”, <em>The Global Economy</em>. Acesso em: 15 nov. 2023. Disponível em: <a href="https://www.theglobaleconomy.com/Egypt/oil_production/#:~:text=Oil%20production%2C%20thousand%20barrels%20per%20day&amp;text=The%20latest%20value%20from%202022,423.53%20thousand%20Barrels%20Per%20Day">https://www.theglobaleconomy.com/Egypt/oil_production/#:~:text=Oil%20production%2C%20thousand%20barrels%20per%20day&amp;text=The%20latest%20value%20from%202022,423.53%20thousand%20Barrels%20Per%20Day</a>.</p>
<p>Unctad.<em> A World of Debt</em>, United Nations, 12 jul. 2023. Disponível em: <a href="https://unctad.org/publication/world-of-debt">https://unctad.org/publication/world-of-debt</a>.</p>
<p>World BEYOND War<em>. </em>“USA’s Military Empire: A Visual Database”. Acesso em: 27 nov.  2023. Disponível em: <a href="https://worldbeyondwar.org/no-bases/">https://worldbeyondwar.org/no-bases/</a>.</p>
<p><em> </em></p>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Hiperimperialismo: um novo estágio decadente perigoso</title>
		<link>https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-sobre-dilemas-contemporaneos-4-hiper-imperialismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jan 2024 08:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dilemas contemporâneos]]></category>
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					<description><![CDATA[Com base em pesquisas originais realizadas com Global South Insights, o dossiê n. 72 analisa as mudanças tectônicas que estão ocorrendo no mundo e o novo clima no Sul Global.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="single-post--content--acknowledgments">
<p>A pesquisa realizada para a produção deste documento foi conduzida de forma coletiva durante mais de um ano e recebeu contribuições de diversos acadêmicos e ativistas socialistas. Foram compilados dados e gráficos fornecidos pela Sul Global Insights (GSI), com edição e coordenação de Gisela Cernadas, Mikaela Nhondo Erskog, Tica Moreno e Deborah Veneziale. Grande parte dos dados e gráficos da Parte IV se baseiam em pesquisas publicadas pelo economista John Ross.</p>
</div>
<h1>Introdução</h1>
<p>Faz apenas 30 anos que ideólogos burgueses declararam o “fim da história” em pantomimas de satisfação de desejos, por sentirem a inviolabilidade do imperialismo dos Estados Unidos.<a href="#_edn1" name="_ednref1"><sup>1</sup></a> Mas para as lutas e os movimentos populares que sentiam a bota do imperialismo no pescoço, esse fim não estava à vista.</p>
<p>Diante da violência da repressão, como a ocorrida no Massacre de Eldorado do Carajás em 1996 no Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra liderou a reivindicação de terras para a reforma agrária popular por meio da ocupação e da produção, desafiando gigantes do agronegócio, como a multinacional estadunidense Monsanto.<a href="#_edn2" name="_ednref2"><sup>2</sup></a> Hugo Chávez, um “soldado que abalou o continente”, venceu no voto popular em 1999, em uma forte guinada à esquerda que foi depois seguida por outros lugares da América Latina. Essa guinada incluiu uma onda de mobilizações em massa de milhões de pessoas trabalhadoras, camponesas, indígenas, mulheres e estudantes, que, em 2005, derrotaram a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) proposta pelos EUA, em um enfrentamento direto a quase 200 anos de Doutrina Monroe.<a href="#_edn3" name="_ednref3"><sup>3</sup></a></p>
<p>Em 2002, as mulheres nigerianas se reuniram em frente aos portões da Shell e da Chevron para protestar contra a destruição e a exploração ambiental no Delta do Níger. Os haitianos rejeitaram séculos de abuso em manifestações em massa após a destituição de Jean-Bertrand Aristide pelos EUA e a ocupação estadunidense em 2004. Milhões de nepaleses e nepalesas comemoraram a derrubada da monarquia por meio da resistência armada liderada por comunistas em 2006. Quando Mohamed Bouazizi ateou fogo em si mesmo em 2010, o povo tunisiano se rebelou contra o sistema neoliberal que levou o vendedor de frutas a tomar uma medida tão drástica.</p>
<p>Nos anos seguintes, ocorreram transformações, por vezes pequenas e imperceptíveis, por outras, voláteis e explosivas. Essas mudanças envolveram tanto movimentos populares quanto atores estatais, em alguns casos extremamente poderosos. Os EUA foram confrontados por uma potência econômica em ascensão, a China, por economias em crescimento no Sul Global (que ultrapassaram o PIB do Norte Global em termos de PPC em 2007), por anos de negligência no investimento de capital doméstico, pela financeirização da economia e a perda da superioridade na indústria.</p>
<p>A ascensão do Tea Party em 2009 sinalizou uma fratura na política interna dos EUA. No âmbito internacional, o país não conseguiu promover uma ruptura branda do regime na China nem uma desnuclearização ou mudança de regime na Rússia. Após uma redução temporária dos gastos militares com o fim da desastrosa guerra contra o Iraque (2003-2011), o uso efetivo do poder militar ou a ameaça de seu uso passou a ser um pilar central da resposta dos EUA a essas transformações.</p>
<p>Historicamente, a perda da hegemonia acontece em três estágios: produtivo, financeiro e militar.<a href="#_edn4" name="_ednref4"><sup>4</sup></a> Os Estados Unidos perderam a hegemonia na produção, embora ainda tenham algumas áreas remanescentes de hegemonia tecnológica, inclusive naquelas relacionadas às forças armadas. O país está vendo sua hegemonia financeira ser desafiada, mesmo que isso ainda esteja nos estágios iniciais e se relacione ao status do dólar estadunidense. Ainda que os aspectos econômicos e políticos de seu declínio possam estar se acelerando, os EUA ainda detêm poder militar, o que cria para o país a tentação de tentar superar as consequências de seu declínio econômico por meios militares ou afins.</p>
<p>Os EUA definiram a China como concorrente estratégica. Seu programa mínimo é a contenção e o enfraquecimento econômico do país asiático em medida suficiente para garantir a hegemonia econômica perpétua dos EUA no futuro.</p>
<p>De seu próprio ponto de vista, o capitalismo dos EUA é racional em suas tentativas de limitar a ascensão da China. Sem isso, haveria uma corrosão de sua vantagem relativa no controle dos níveis mais altos das forças produtivas e nos privilégios monopolistas resultantes desse controle. Há um alinhamento quase completo entre os atores estatais dos EUA para continuar conduzindo uma dissociação da China (apesar da quase impossibilidade de remodernizar totalmente as forças produtivas dentro dos EUA) e avançar nos preparativos militares contra o país asiático.</p>
<p>O movimento de tropas russas para a Ucrânia em fevereiro de 2022 – resultado das violações contínuas das garantias dos EUA sobre a não expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da guerra civil permanente entre Kiev e Donbas – marcou, para os EUA, uma nova fase explícita de alinhamento militar mundial. Em uma série de movimentos rápidos, os EUA subordinaram abertamente todos os países do Norte Global e, nesse processo, subordinaram ainda mais o aparato militar desses Estados. Estabeleceram-se como potência militar hegemônica óbvia daquilo que recebe o eufemismo de Otan+, que inclui todos os membros do antigo Bloco do Leste, com exceção de três. Aqueles que participaram como membros ou observadores da cúpula da Otan em 2023 em Vilnius, na Lituânia – incluindo Austrália, Nova Zelândia, Japão e República da Coreia<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup>5</sup></a> –, são membros <em>de facto </em>da Otan+. Apenas Israel (dispensado de comparecer por conveniência política) e alguns países menores do Norte Global não compareceram.</p>
<p>A partir de outubro de 2023, Israel iniciou uma campanha de expulsão, limpeza étnica, punição coletiva e genocídio da população palestina com o apoio total e descarado do governo dos Estados Unidos. Os acontecimentos na Ucrânia, seguidos pelas recentes escaladas em Gaza, são marcos significativos que refletem uma mudança qualitativa no sistema imperialista. Os EUA já concluíram sua subordinação econômica, política e militar de todos os outros países imperialistas. Isso consolidou um bloco imperialista integrado e militarmente focado. Seu objetivo é manter suas garras sobre o Sul Global como um todo e as atenções se voltaram para o domínio da Eurásia, última região do mundo que escapou de seu controle.</p>
<p>Não é exagero dizer que o Norte Global declarou um estado de guerra e hostilidade aberta contra qualquer parte do Sul Global que não esteja de acordo com suas políticas. Isso pode ser visto na <a href="https://www.nato.int/cps/en/natohq/official_texts_210549.htm">declaração conjunta</a> sobre a Cooperação UE-Otan publicada no dia 9 de janeiro de 2023:</p>
<blockquote><p>Mobilizaremos ainda mais o conjunto de instrumentos a nossa disposição, <em>sejam eles políticos, econômicos ou militares</em>, para alcançar nossos objetivos comuns em benefício do <em>nosso </em>bilhão de cidadãos.<a href="#_edn5" name="_ednref5"><sup>6</sup></a></p></blockquote>
<p>É certo que o povo palestino em Gaza está sentindo a barbárie palpável da Otan+ e o “consenso de massa” forçado que o Norte Global é capaz de promover. Como afirmou recentemente a liderança da luta pela libertação palestina Leila Khaled:</p>
<blockquote><p>Sabemos que eles falam em terrorismo, mas eles são os heróis do terrorismo. A força imperialista ao redor do mundo, no Iraque, na Síria, em diferentes países… está se preparando para atacar a China. Tudo o que dizem sobre terrorismo acaba sendo sobre eles mesmos. As pessoas têm o direito de resistir a isso com todos os meios, incluindo com a luta armada. Isso está na Carta das Nações Unidas. Então eles estão violando os direitos de resistência das pessoas, porque é direito delas recuperar sua liberdade. E essa é — como sempre digo — uma lei fundamental: onde há repressão, há resistência. As pessoas não querem viver sob ocupação e repressão. A história nos ensinou que, quando um povo resiste, ele consegue manter sua dignidade e sua terra.<a href="#_edn6" name="_ednref6"><sup>7</sup></a></p></blockquote>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>O imperialismo começou sua transformação para um novo estágio: o hiperimperialismo.<a href="#_edn7" name="_ednref7"><sup>8</sup></a> Trata-se de um imperialismo conduzido de forma exagerada e dinâmica, embora também sujeita às restrições que o império em declínio impôs a si mesmo. A qualidade espasmódica de seu esforço é sentida pelas milhões de pessoas congolesas, palestinas, somalis, sírias e iemenitas que vivem sob o militarismo dos EUA e têm a reação instintiva de proteger o corpo diante de sons repentinos.</p>
<p>No entanto, essa não é a marcha vigorosa que a Guerra Fria iniciou pelo mundo, travada em batalhas por procuração seguidas de um imperialismo econômico por meio do Banco Mundial e de outras instituições de desenvolvimento. Trata-se do imperialismo de um bilionário que está se afogando e tem a firme convicção de que deveria estar de volta ao seu iate. Um imperialismo que flexiona os músculos do poder que ainda estão fortes – os militares. Entretanto, na ausência de poder produtivo e sabendo que o poder financeiro está em um ponto de inflexão, o conjunto completo de tecnologias imperiais de controle que os EUA já tiveram não está mais à disposição. Desse modo, o país canaliza seus esforços por meio dos mecanismos de que mais dispõe: cultura (controle da verdade) e guerra.</p>
<p>As táticas do hiperimperialismo são moldadas, em parte, pela modernização da guerra híbrida, que inclui guerra jurídica (<em>lawfare</em>), hipersanções, tomada de reservas e ativos nacionais e outras formas de guerra não militar. Novas ferramentas tecnológicas de vigilância e comunicação direcionada que caracterizam a era digital são utilizadas para exercer o controle imperialista na batalha de ideias, incluindo a implementação de métodos mais perversos e secretos contra a verdade, como a prisão política do editor da WikiLeaks, Julian Assange, que expôs inúmeros crimes cometidos contra o Sul Global.<a href="#_edn8" name="_ednref8"><sup>9</sup></a></p>
<p>O Norte Global é um bloco militar, político e econômico integrado composto por 49 países. Entre eles estão os EUA, o Reino Unido, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, Israel, o Japão e países secundários da Europa Ocidental e Oriental. Na arena militar, a Turquia (como membro da Otan), as Filipinas e a República da Coreia (estas duas, efetivamente colônias militarizadas dos EUA) estão incluídas em nossa definição de “bloco militar liderado pelos EUA”, embora façam parte do Sul Global.</p>
<p>Nos últimos vinte anos, o Norte Global passou por um significativo declínio econômico <em>relativo</em>, juntamente com um declínio político, social e moral. Suas falsas reivindicações “morais” de direitos civis e “liberdade de imprensa” já se tornaram um completo escárnio, pois buscam tornar ilegal o apoio público (inclusive pela internet) aos direitos da população palestina. Esse apoio total à humilhação e à destruição dos povos de pele mais escura do mundo é reminiscência de séculos passados, expondo o que pode ser descrito como “fragilidade branca” coletiva.</p>
<p>Os países do Sul Global compreendem ex-colônias e semicolônias, alguns Estados independentes fora da Europa e projetos socialistas atuais e antigos. Na maior parte do Sul Global, as lutas por libertação nacional, independência, desenvolvimento e soberania econômica e política total ainda precisam ser concluídas.</p>
<p>Apesar das limitações da terminologia, falaremos em “Norte Global” e, ocasionalmente, em “Ocidente” (expressão vazia de uso frequente) de forma intercambiável com o termo mais preciso “campo imperialista liderado pelos EUA”. Analisaremos o Norte Global em quatro “anéis”. O restante do mundo é hoje conhecido como “Sul Global”, sendo que grande parte era chamada, no passado, de “Terceiro Mundo”. Analisaremos o Sul Global em seis “grupos”, determinados a partir da medida relativa com que um país é alvo de mudança de regime e pelo papel que seu governo desempenha na promoção pública de posições internacionais e anti-imperialistas (conforme Figura 1). O Norte Global está envolvido em níveis muito mais altos de conflito generalizado com o restante do mundo, o Sul Global.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95521 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-1-2-e1706551325492.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-1-4.png"></div>
<h1>PARTE I: A ascensão de um bloco militar do Norte Global totalmente liderado pelos EUA</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">Mudanças e consolidação</h2>
<p>O bloco militar liderado pelos EUA<br>
passou por duas transformações internas nas últimas três décadas:</p>
<ol>
<li>A maior expansão do bloco para incluir todos os países do Leste Europeu (faltando apenas Belarus).</li>
<li>O desafio de manter a total subordinação dos Estados capitalistas da Europa Ocidental, que abandonaram qualquer independência fundamental e, em muitos casos, até mesmo a falsa aparência de independência.</li>
</ol>
<p>Esta última transformação ficou evidente em 2018 pela genuflexão dos Estados da Europa Ocidental à retirada de Donald Trump do acordo nuclear com o Irã, de 2015 – um golpe significativo contra seus interesses econômicos. Mais adiante, discutiremos o histórico desse processo.<a href="#_edn9" name="_ednref9"><sup>10</sup></a></p>
<p>A Otan é o centro do “bloco militar liderado pelos EUA”, como o chamamos, que inclui também Japão, Austrália, Israel, Nova Zelândia, três países do Sul Global e alguns outros países europeus que não são membros da Otan.</p>
<p>O bloco militar liderado pelos EUA é o único bloco do mundo, uma aliança militar de fato e de direito com um comando central. Não existe nenhum outro bloco desse tipo. Sua clareza e unidade de propósito são evidentes. Nos últimos dez anos, os EUA abandonaram muitos tratados importantes de não proliferação de armas nucleares (Tratado sobre Mísseis Antibalísticos em 2002, Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário em 2019 e Tratado de Céus Abertos em 2020).<a href="#_edn10" name="_ednref10"><sup>11</sup></a> Isso permitiu que os responsáveis por planejamentos militares tivessem o potencial de se preparar para posicionar mísseis nucleares de alcance intermediário de modo que fossem capazes de obliterar Moscou em questão de minutos.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Gastos militares</h3>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95532 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-2-2-e1706552119618.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-2-4.png"></div>
<p>Em artigo publicado na edição de novembro de 2023 da <em>Monthly Review</em>, uma pesquisa bem conduzida por Gisela Cernadas e John Bellamy Foster, utilizando <em>apenas </em>estatísticas econômicas oficiais dos EUA consultadas junto ao Escritório de Análise Econômica (<em>Bureau of Economic Analysis</em>) e ao Escritório de Administração e Orçamento (<em>Office of Management and Budget – </em>OMB), revelou que o gasto militar real dos EUA é mais do que o <em>dobro </em>do que é reconhecido pelo governo estadunidense ou mesmo pelo Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz (Sipri na sigla em inglês).<a href="#_edn11" name="_ednref11"><sup>12</sup></a></p>
<p><em>O gasto militar real dos EUA em 2022 foi de US$ 1,537 trilhões.</em><a href="#_edn12" name="_ednref12"><sup>13</sup></a></p>
<p>Para calcular o gasto militar mundial total, selecionamos os números publicados pelo Sipri como nossa principal fonte de dados sobre todos os países, exceto para os EUA.<a href="#_edn13" name="_ednref13"><sup>14</sup></a> Apenas no caso dos EUA, utilizamos os números da <em>Monthly Review</em>. Em 2022, o Sipri ajustou a cifra do orçamento de defesa nacional divulgado pelo governo chinês, de US$ 229 bilhões para US$ 292 bilhões, um aumento de 27,5%.<a href="#_edn14" name="_ednref14"><sup>15</sup></a> A partir de 2021, o Sipri adotou uma nova metodologia para revisar os gastos militares da China.<a href="#_edn15" name="_ednref15"><sup>16</sup></a> O Sipri alterou, assim, os cálculos sobre os gastos militares da China, tanto para os anos anteriores quanto para os atuais.<a href="#_edn16" name="_ednref16"><sup>17</sup></a></p>
<p>O Sipri ajustou em 14,5% para mais o orçamento militar anual dos EUA informado pelo OMB a respeito do ano de 2022, passando de US$ 765,8 bilhões para US$ 876,9 bilhões.<a href="#_edn17" name="_ednref17"><sup>18</sup></a> Esse número corresponde a cerca de metade do aumento percentual adicionado à China.</p>
<p>O tratamento dado pelo Sipri aos gastos militares da China é bem diferente daquele dispensado aos EUA, pois o instituto adota uma abordagem muito mais cautelosa em relação aos cálculos dos EUA.</p>
<p>Mesmo que o Sipri dobrasse o número informado pela China a respeito de seu gasto militar, chegando a US$ 458 bilhões, essa soma representaria 2,6% do PIB do país. A cifra é significativamente inferior aos 6% realmente gastos pelos EUA em relação a seu PIB. Ainda assim, o gasto militar da China representaria apenas 29,8% do gasto dos EUA, com uma população quatro vezes maior que a estadunidense.<a href="#_edn18" name="_ednref18"><sup>19</sup></a></p>
<p>Além disso, ao contrário dos EUA, a China não tem 902 bases militares no exterior.<a href="#_edn19" name="_ednref19"><sup>20</sup></a> As bases e intervenções dos EUA criam um dreno não apenas no orçamento anual, mas também na dívida econômica de longo prazo. Mais detalhes podem ser encontrados na nota de fim.<a href="#_edn20" name="_ednref20"><sup>21</sup></a></p>
<p>Nossa análise encontrou uma série de descobertas patentes. A primeira é que os EUA controlam, pela Otan e por outros meios, surpreendentes 74,3% de todo o gasto militar do mundo (Figura 2). Isso equivale a mais de US$ 2 trilhões.<a href="#_edn21" name="_ednref21"><sup>22</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95543 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-3-3-e1706552772551.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-3-5.png"></div>
<p>A Figura 3 mostra que os países imperialistas são responsáveis por 12 dos 16 maiores orçamentos militares do mundo.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95553 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-4-2-e1706552832820.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-4-4.png"></div>
<p>A Figura 4 mostra os 16 países com maiores gastos militares per capita do Norte Global em comparação com os três países do Sul Global que mais gastam nessa área. Per capita, os Estados Unidos gastam 21 vezes mais nas forças armadas do que a China.<a href="#_edn22" name="_ednref22"><sup>23</sup></a> Não ficam dúvidas quanto à relevância desses números.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 5</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Países com gasto militar superior a US$ 20 bilhões</h3>
<p>Norte Global e Sul Global, 2022</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Nome do país (GSI)</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">dólares<br>
(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Porcentagem do PIB<br>
(TCC)</th>
<th style="text-align: right;">Per Capita<span class="single-post--table-heading--small">&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<th colspan="4">
<div>Bloco militar liderado pelos EUA</div>
</th>
</tr>
<tr>
<td>Estados Unidos</td>
<td style="text-align: right;">1.536.859</td>
<td style="text-align: right;">6,0%</td>
<td style="text-align: right;">12,6</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">68.463</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">2,8</td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td style="text-align: right;">55.760</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">1,9</td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td style="text-align: right;">53.639</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">2,3</td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td style="text-align: right;">46.365</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">2,5</td>
</tr>
<tr>
<td>Japão</td>
<td style="text-align: right;">45.992</td>
<td style="text-align: right;">1,1%</td>
<td style="text-align: right;">1,0</td>
</tr>
<tr>
<td>Ucrânia</td>
<td style="text-align: right;">43.998</td>
<td style="text-align: right;">27,4%</td>
<td style="text-align: right;">3,1</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td style="text-align: right;">33.490</td>
<td style="text-align: right;">1,7%</td>
<td style="text-align: right;">1,6</td>
</tr>
<tr>
<td>Austrália</td>
<td style="text-align: right;">32.299</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">3,4</td>
</tr>
<tr>
<td>Canadá</td>
<td style="text-align: right;">26.896</td>
<td style="text-align: right;">1,3%</td>
<td style="text-align: right;">1,9</td>
</tr>
<tr>
<td>Israel</td>
<td style="text-align: right;">23.406</td>
<td style="text-align: right;">4,5%</td>
<td style="text-align: right;">7,2</td>
</tr>
<tr>
<td>Espanha</td>
<td style="text-align: right;">20.307</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">1,2</td>
</tr>
<tr>
<th colspan="4">
<div>Sul Global</div>
</th>
</tr>
<tr>
<td>China</td>
<td style="text-align: right;">291.958</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">0,6</td>
</tr>
<tr>
<td>Rússia</td>
<td style="text-align: right;">86.373</td>
<td style="text-align: right;">3,8%</td>
<td style="text-align: right;">1,7</td>
</tr>
<tr>
<td>Índia</td>
<td style="text-align: right;">81.363</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
</tr>
<tr>
<td>Arábia Saudita</td>
<td style="text-align: right;">75.013</td>
<td style="text-align: right;">6,8%</td>
<td style="text-align: right;">5,7</td>
</tr>
<tr>
<td>Brasil</td>
<td style="text-align: right;">20.211</td>
<td style="text-align: right;">1,1%</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="4">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados do FMI, ONU, SIPRI e Monthly Review</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>A Figura 5 lista todos os países com orçamentos militares superiores a US$ 20 bilhões, sendo que 11 estão no Norte Global em comparação com seis (de 145) países no Sul Global. Nesta tabela, a República da Coreia foi incluída no bloco militar liderado pelos EUA.</p>
<p>É nítido que o Sul Global, ao contrário do Norte Global, não constitui um bloco nem, definitivamente, um bloco militar. O Sul Global enfrenta, desse modo, o monopólio extremo dos gastos militares do bloco militar liderado pelos EUA. Isso representa um perigo evidente e presente para todos os países do Sul Global – e um perigo iminente para a continuação da existência da humanidade e do planeta.</p>
<p>Por sua vez, o aspecto mais importante do poder do Estado – ou seja, o poder militar –, o perigo central absoluto para as classes trabalhadoras de <em>todos os </em>países, sobretudo das nações de pele mais escura do mundo, está no campo imperialista liderado pelos EUA. Objetivamente, não existe subimperialismo nem potências imperialistas não ocidentais (esses conceitos são enganações subjetivas que ofuscam as realidades factuais).</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Bases militares dos EUA e do Reino Unido</h3>
<p>Em março de 2002, a <em>Monthly Review </em>publicou um artigo com uma relação e um mapa de países onde é sabido haver bases militares dos EUA, argumentando que a extensão do império estunidense poderia ser descrita por suas bases.<a href="#_edn23" name="_ednref23"><sup>24</sup></a> Isso criou uma tempestade em alguns círculos militares dos EUA. Outros ampliaram esse trabalho nos anos seguintes, incluindo David Vine e a World <em>Beyond </em>War (que disponibilizou um mapa interativo ao público).<a href="#_edn24" name="_ednref24"><sup>25</sup></a></p>
<p>As informações sobre a localização dessas bases permitiu vislumbrar a natureza absolutamente alastrada da hegemonia militar dos EUA. A localização e o número de bases são elementos valiosos para se compreender a forma e a trajetória do imperialismo, evidenciando suas fronteiras e mostrando seu papel no patrulhamento delas.</p>
<p>Existem 902 bases militares dos EUA conhecidas e 145 bases militares do Reino Unido conhecidas, descritas abaixo.<a href="#_edn25" name="_ednref25"><sup>26</sup></a></p>
<p>Devido ao sigilo imposto pelas forças armadas e pelo governo dos EUA, faltam dados sobre o que ocorre dentro dessas bases e sobre as ações lançadas a partir das forças militares dos EUA localizadas nelas. Isso torna incompleta a análise qualitativa das atividades militares dos EUA no exterior. Entre as deficiências analíticas estão:</p>
<ul>
<li>As bases listadas não incluem as instalações e os locais das muitas operações militares privatizadas que os EUA criaram nos últimos 40 anos. Empresas como DynCorp International, Fluor Corporation, AECOM e KBR, Inc. realizam operações em todo o mundo, inclusive no Kuwait, na Arábia Saudita e na Indonésia.<a href="#_edn26" name="_ednref26"><sup>27</sup></a></li>
<li>Não estão incluídos projetos “não oficiais” das forças armadas dos EUA, como o controle do Terminal 1 do Aeroporto Internacional Kotoka, na capital de Gana, no qual os soldados dos EUA não precisam de passaporte nem visto para entrar (apenas a identificação militar) e as aeronaves militares estadunidenses têm “passe livre no embarque e na inspeção”.<a href="#_edn27" name="_ednref27"><sup>28</sup></a> Desse modo, o Terminal 1 é efetivamente uma base militar estadunidense. Gana cedeu a soberania nacional aos EUA.<a href="#_edn28" name="_ednref28"><sup>29</sup></a></li>
<li>Não estão incluídos projetos essenciais para o complexo militar-industrial-digital dos EUA. Muitos pontos terminais de cabos submarinos são controlados apenas por funcionários autorizados pela inteligência dos EUA. O controle da comunicação mundial por cabos submarinos é uma das principais prioridades da inteligência dos EUA.<a href="#_edn29" name="_ednref29"><sup>30</sup></a> Isso faz parte do programa da NSA de “coleta total” para reunir todas as comunicações do mundo e armazená-las em locais como o Centro de Processamento de Dados de Utah, em Bluffdale (codinome “Bumblehive”), primeiro centro desse tipo da Iniciativa Nacional de Segurança Cibernética Abrangente da Comunidade de Inteligência.<a href="#_edn30" name="_ednref30"><sup>31</sup></a></li>
<li>Excluem-se projetos e locais militares secretos (incluindo instalações da nação anfitriã conhecidas como “<em>lily pads</em>“), embora alguns tenham sido expostos e incluídos.<a href="#_edn31" name="_ednref31"><sup>32</sup></a></li>
<li>Há poucas informações sobre os movimentos militares dos EUA entre diferentes locais, a natureza das atividades realizadas (como movimentos de tropas ou assassinatos direcionados) e o volume de bens, aviões e embarcações.</li>
<li>Nem todas as bases são iguais em escala ou função, e é quase impossível avaliar a importância relativa de cada uma. Às vezes, um único edifício é classificado como uma base por estar desconectado de outros edifícios a um quilômetro de distância. Algumas bases são imensas e destroem tudo pelo caminho, como as instalações militares em Guam, que assolam o meio ambiente natural e a vida das pessoas que lá vivem. Outras são conhecidas como pequenas instalações de redes de espionagem.</li>
</ul>
<p>Essas limitações têm como resultado uma tendência a se relatar o que é mensurável, e não o que é desconhecido, mas estratégico.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95563 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-6-2-e1706552964915.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-6-4.png"></div>
<p>Primeiro, apresentamos um mapa com dados do World <em>Beyond </em>War que mostra quais países têm bases, sem detalhar o número exato em cada país. Isso ajuda a reduzir possíveis comparações incorretas. Mesmo a existência de uma única base dos EUA significa que o país já cedeu alguma soberania nacional. Em segundo lugar, para fins de completude, incluímos abaixo dois quadros (um para o Norte Global e outro para o Sul Global) com a relação de países com bases conhecidas de acordo com o World <em>Beyond </em>War.</p>
<p>A Figura 6 mostra que os EUA têm, pelo menos, 902 bases militares no exterior. São bases em grande medida concentradas em regiões de fronteira e zonas-tampão ao redor da China e que representam um grave abalo à soberania dos países do Sul Global.<a href="#_edn32" name="_ednref32"><sup>33</sup></a></p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 7</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Bases militares dos Estados Unidos em países e territórios do Norte Global</h3>
<p>2023</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Número de bases</th>
<th>País/território</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>50+</td>
<td>Alemanha (171), Japão (98)</td>
</tr>
<tr>
<td>20-49</td>
<td>Itália (45), Reino Unido (25)</td>
</tr>
<tr>
<td>5-19</td>
<td>Austrália (17), Bélgica (12), Portugal (9), Romênia (9), Noruega (8), Israel (7), Países Baixos (7), Grécia (5), Polônia (5)</td>
</tr>
<tr>
<td>1-4</td>
<td>Bulgária (4), Espanha (3), Islândia (3), Canadá (2), Geórgia (2), Hungria (2), Letônia (2), Eslovaquia (2), Dinamarca (1), Chipre (1), Irlanda (1), Luxemburgo (1), Estônia (1), Groenlândia (1), Kosovo (1)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td><strong>445</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="2">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>As bases militares dos EUA no exterior não existem apenas no Sul Global, mas também têm uma presença significativa no Norte Global (Figura 7). Mais de dois terços das bases conhecidas estão concentradas nos dois países derrotados na Segunda Guerra Mundial: Alemanha e Japão.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 8</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Bases militares dos Estados Unidos em países e territórios do Sul Global</h3>
<p>2023</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Número de bases</th>
<th>País/território</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td class="xl67">50+</td>
<td>Rep. da Coreia (62)</td>
</tr>
<tr>
<td>20-49</td>
<td>Guam (45), Porto Rico (34), Síria (28), Arábia Saudita (21)</td>
</tr>
<tr>
<td>5-19</td>
<td>Panamá (15), Turquia (12), Filipinas (11), Bahrein (10), Ilhas Marshall (10), Iraque (10), Bahamas (9), Belize (9), Honduras (9), Níger (9), Guatemala (8), Jordânia (8), Kuwait (8), Omã (8), Paquistão (8), Egito (7), Colômbia (6), El Salvador (6), Somália (6), Catar (5), Ilhas Marianas do Norte (5), Peru (5)</td>
</tr>
<tr>
<td>1-4</td>
<td>Camarões (4), Costa Rica (4), Ilhas Virgens (EUA) (4), Argentina (3), Chade (3), Emirados Árabes Unidos (3), Mauritânia (3), Nicarágua (3), Palau (3), Quênia (3), República Centro-Africana (3), Tailândia (3), Brasil (2), Diego Garcia (2), Djibuti (2), Gabão (2), Gana (2), Iêmen (2), Mali (2), República Dominicana (2), Samoa Americana (2), Singapura (2), Suriname (2), Tunísia (2), Uganda (2), Antártica (1), Antilhas Holandesas (1), Aruba (1), Botsuana (1), Burkina Faso (1), Burundi (1), Camboja (1), Chile (1), Cuba (1), Ilha de Ascensão (1), Ilha Wake (1), Indonésia (1), RD Congo (1), Samoa (1), Seicheles (1), Senegal (1), Sudão do Sul (1), Uruguai (1)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td><strong>457</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="2">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>A Figura 8 lista os locais das bases militares dos EUA nos países e territórios do Sul Global. A República da Coreia abriga 62 dessas bases permanentes.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 9</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Estruturas militares dos Estados Unidos no exterior</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Número de construções, área construída, área total e número de bases</h4>
<p>2023</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>País/território</th>
<th style="text-align: right;">Área construída<span class="single-post--table-heading--small">m2</span></th>
<th style="text-align: right;">Construções<span class="single-post--table-heading--small">número total</span></th>
<th style="text-align: right;">Área<span class="single-post--table-heading--small">hectares</span></th>
<th style="text-align: right;">Bases militares<span class="single-post--table-heading--small">número total</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Japão</td>
<td style="text-align: right;">10.339.000</td>
<td style="text-align: right;">12.079</td>
<td style="text-align: right;">41.715</td>
<td style="text-align: right;">76</td>
</tr>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td style="text-align: right;">9.135.000</td>
<td style="text-align: right;">12.537</td>
<td style="text-align: right;">2.682</td>
<td style="text-align: right;">93</td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td style="text-align: right;">5.631.000</td>
<td style="text-align: right;">5.832</td>
<td style="text-align: right;">12.262</td>
<td style="text-align: right;">62</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td style="text-align: right;">2.011.000</td>
<td style="text-align: right;">2.032</td>
<td style="text-align: right;">945</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
</tr>
<tr>
<td>Guam</td>
<td style="text-align: right;">1.382.000</td>
<td style="text-align: right;">2.807</td>
<td style="text-align: right;">25.322</td>
<td style="text-align: right;">45</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1.364.000</td>
<td style="text-align: right;">2.883</td>
<td style="text-align: right;">3.253</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
</tr>
<tr>
<td>Kuwait</td>
<td style="text-align: right;">676.000</td>
<td style="text-align: right;">1.503</td>
<td style="text-align: right;">2.549</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">661.000</td>
<td style="text-align: right;">663</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Cuba</td>
<td style="text-align: right;">588.000</td>
<td style="text-align: right;">1.540</td>
<td style="text-align: right;">11.662</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Turquia</td>
<td style="text-align: right;">478.000</td>
<td style="text-align: right;">817</td>
<td style="text-align: right;">1.356</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Espanha</td>
<td style="text-align: right;">419.000</td>
<td style="text-align: right;">889</td>
<td style="text-align: right;">3.802</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Porto Rico</td>
<td style="text-align: right;">411.000</td>
<td style="text-align: right;">794</td>
<td style="text-align: right;">7.042</td>
<td style="text-align: right;">29</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahrein</td>
<td style="text-align: right;">390.000</td>
<td style="text-align: right;">468</td>
<td style="text-align: right;">83</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
</tr>
<tr>
<td>Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">362.000</td>
<td style="text-align: right;">479</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Marshall</td>
<td style="text-align: right;">286.000</td>
<td style="text-align: right;">633</td>
<td style="text-align: right;">551</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Groenlândia</td>
<td style="text-align: right;">220.000</td>
<td style="text-align: right;">197</td>
<td style="text-align: right;">94.306</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Djibuti</td>
<td style="text-align: right;">171.000</td>
<td style="text-align: right;">379</td>
<td style="text-align: right;">459</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Países Baixos</td>
<td style="text-align: right;">151.000</td>
<td style="text-align: right;">150</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;">128.000</td>
<td style="text-align: right;">400</td>
<td style="text-align: right;">5.059</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Portugal</td>
<td style="text-align: right;">114.000</td>
<td style="text-align: right;">170</td>
<td style="text-align: right;">532</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Honduras</td>
<td style="text-align: right;">92.000</td>
<td style="text-align: right;">336</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">86.000</td>
<td style="text-align: right;">120</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Romênia</td>
<td style="text-align: right;">70.000</td>
<td style="text-align: right;">179</td>
<td style="text-align: right;">177</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahamas</td>
<td style="text-align: right;">62.000</td>
<td style="text-align: right;">179</td>
<td style="text-align: right;">219</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Grécia</td>
<td style="text-align: right;">61.000</td>
<td style="text-align: right;">85</td>
<td style="text-align: right;">41</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
</tr>
<tr>
<td>Santa Helena</td>
<td style="text-align: right;">43.000</td>
<td style="text-align: right;">124</td>
<td style="text-align: right;">1.402</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Austrália</td>
<td style="text-align: right;">41.000</td>
<td style="text-align: right;">83</td>
<td style="text-align: right;">8.124</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Bulgária</td>
<td style="text-align: right;">39.000</td>
<td style="text-align: right;">93</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Virgens (EUA)</td>
<td style="text-align: right;">26.000</td>
<td style="text-align: right;">29</td>
<td style="text-align: right;">5.964</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Jordânia</td>
<td style="text-align: right;">17.000</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
<td style="text-align: right;">3.978</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Chipre</td>
<td style="text-align: right;">16.000</td>
<td style="text-align: right;">38</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Israel</td>
<td style="text-align: right;">13.000</td>
<td style="text-align: right;">19</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Samoa Americana</td>
<td style="text-align: right;">11.000</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Níger</td>
<td style="text-align: right;">11.000</td>
<td style="text-align: right;">45</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Polônia</td>
<td style="text-align: right;">11.000</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Curaçau</td>
<td style="text-align: right;">9.000</td>
<td style="text-align: right;">15</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>El Salvador</td>
<td style="text-align: right;">6.000</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Marianas do Norte</td>
<td style="text-align: right;">5.000</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">6.499</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;">5.000</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Noruega</td>
<td style="text-align: right;">3.000</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Islândia</td>
<td style="text-align: right;">2.000</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">425</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;">2.000</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Canadá</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">91</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>35.548.000</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>48.712</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>240.533</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>468</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="5">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados do Departamento de Defesa dos EUA</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>A Figura 9 mostra a escala da presença militar dos EUA: quase 36 milhões de metros quadrados em 49 mil construções que cobrem 245 mil hectares. Na classificação por número de construções, as três potências do Eixo estão entre as quatro primeiras.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95583 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-10-2-e1706553104748.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-10-4.png"></div>
<p>Embora hoje o sol se ponha sem se preocupar com o Império Britânico, a Figura 10 mostra o tamanho que a rede de bases do Reino Unido ainda tem, com foco na Ásia Ocidental e na África.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Invasões, intervenções e “destacamentos” militares dos EUA e do Reino Unido</h3>
<p>Os países da Otan conduzem amplos destacamentos e intervenções militares em todo o mundo, apoiados por uma vasta rede de bases.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95593 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-11-2-e1706553187169.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-11-4.png"></div>
<p>As figuras 11 e 12 referem-se apenas ao ano de 2022. As forças imperialistas realizaram 317 operações militares em países do Sul Global e 137 em nações aliadas do Norte Global, totalizando 454 (sendo que 45 ocorreram em nações que não são membros da ONU). Entre os países imperialistas que conduziram o maior número de destacamentos militares estão EUA (56), Reino Unido (32), França (31), Itália (20), Alemanha (17), Espanha (15), Canadá (13) e Países Baixos (13) (Figura 11).<a href="#_edn33" name="_ednref33"><sup>34</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95603 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-12-2-e1706553434961.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-12-4.png"></div>
<p>A Figura 12 mostra como África e Ásia Ocidental continuam a ser os pontos focais dos esquemas ocidentais, tendo as cinco nações a seguir sofrido o maior número de destacamentos militares somente em 2022: Mali (31), Iraque (30), Líbano (18), República Centro-Africana (13) e Sudão do Sul (13).<a href="#_edn34" name="_ednref34"><sup>35</sup></a></p>
<p>Observando a geografia das bases dos EUA e do Reino Unido e os destacamentos do Norte Global, é nítido onde se encontram as fronteiras do patrulhamento dos EUA e como os campos de batalha do nosso tempo são a Eurásia e as regiões que funcionam como zona tampão.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95613 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-13-2-e1706553545362.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-13-4.png"></div>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95623 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-14-2-e1706553595327.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-14-4.png"></div>
<p>Durante séculos os EUA e seus aliados do Norte Global, sobretudo o Reino Unido, realizaram intervenções militares no mundo, conforme indicado nas Figuras 13 e 14. Por ser uma publicação oficial do governo dos EUA, o Serviço de Pesquisa do Congresso (Congressional Research Services – CRS) serve como fonte primária de dados sobre intervenções militares dos EUA e é utilizado para demonstrar sua magnitude e <em>longa duração </em>histórica. Entretanto, é preciso observar que o CRS não inclui missões secretas e não agrega dados para diferenciar os diferentes tipos de intervenções das forças armadas dos EUA no exterior. Os dados não são organizados com base na natureza qualitativa e quantitativa nem na escala de cada caso. Os casos relacionados (mais de 480) variam muito em tamanho, duração, autorização legal e relevância.<a href="#_edn35" name="_ednref35"><sup>36</sup></a></p>
<p>O Projeto sobre Intervenção Militar (Military Intervention Project – MIP) utiliza uma definição mais abrangente de intervenção militar que engloba “casos combinados de conflito internacional ou conflito potencial fora das atividades normais de tempos de paz em que a ameaça, demonstração ou uso intencional de força militar pelos canais oficiais do governo dos EUA são explicitamente direcionados ao governo, a representantes oficiais, a forças oficiais, a propriedades ou a territórios de outro ator estatal”.<a href="#_edn36" name="_ednref36"><sup>37</sup></a> O MIP não divulgou seu banco de dados na íntegra, portanto, os casos exatos de todas as intervenções militares identificadas ainda não estão disponíveis ao público. Dessa forma, este relatório acessou apenas dados resumidos da publicação “Introducing the Military Intervention Project” (2023) e não pôde produzir um mapa com base no MIP.</p>
<p>Como visto na Figura 13, em junho de 2023, os dados do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA mostram que as forças armadas dos EUA foram destacadas, assumidamente, para 101 países e territórios entre 1798 e 2023.<a href="#_edn37" name="_ednref37"><sup>38</sup></a> A Figura 14 expõe o Reino Unido, que invadiu militarmente mais de 170 países e territórios entre 1169 e 2012.</p>
<p>De acordo com o MIP, entre 1776 e 2019, os EUA realizaram mais de 392 intervenções militares em todo o mundo.<a href="#_edn38" name="_ednref38"><sup>39</sup></a> Metade dessas operações foi realizada entre 1950 e 2019, e 25% delas ocorreram no período pós-Guerra Fria.<a href="#_edn39" name="_ednref39"><sup>40</sup></a> O ritmo das intervenções militares dos EUA se acelerou nitidamente desde 1991.</p>
<p>Em 1950, no Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras, Claudia Jones, mulher negra comunista e imigrante, discursou em um ato de militantes nos EUA. Em circunstâncias diferentes, mas com o mesmo espírito, compartilhamos esse relato com o objetivo de – para Jones – “ampliar [nossa] consciência sobre a necessidade de se promover campanhas militantes de frente única em torno das demandas urgentes do dia, contra a opressão monopolista, contra a guerra e o fascismo”.<a href="#_edn40" name="_ednref40"><sup>41</sup></a></p>
<h1>PARTE II: Evolução do imperialismo</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">O novo estágio do imperialismo</h2>
<p>O monopólio do dólar estadunidense e a mudança de nação credora para devedora, iniciados na década de 1970, seguidos pela queda da União Soviética em 1991, deram início a um período em que os Estados Unidos tentaram criar sua própria ordem mundial unipolar. Não foi possível estabelecer uma unipolaridade total porque alguns Estados – que os EUA chamaram de “vilões” – recusaram a submissão a esse novo sistema.<a href="#_edn41" name="_ednref41"><sup>42</sup></a></p>
<p>Nos últimos quinze anos, o projeto de unipolaridade dos EUA se enfraqueceu consideravelmente. O período entre a “grande recessão financeira”, de 2008, e o conflito entre a Otan e a Rússia, de fevereiro de 2022, consolidou uma mudança quantitativa e qualitativa no imperialismo global.</p>
<p>Uma questão histórica fundamental decorrente disso foi a magnitude e as consequências das rivalidades interimperialistas, que acarretam profundas implicações estratégicas e políticas: outras potências imperialistas irão romper com os EUA em questões fundamentais ou subordinarão seus próprios interesses aos dos EUA?</p>
<p>Atualmente, os fatos mostram que essas diferenças não são mais estratégicas. O imperialismo consolidou um novo estágio de existência, melhor descrito como <strong>hiperimperialismo. </strong>Mais adiante, explicaremos por que escolhemos esse termo.</p>
<p>Entre as características desse novo estágio estão o seguinte:</p>
<ul>
<li>A China emergiu como maior e mais dinâmica economia do mundo. O crescimento do Sul Global excede o do Norte Global. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na Ásia é significativamente maior do que nos países do G7.</li>
<li>Apesar da força econômica que ainda mantêm, os EUA enfrentam um crescimento escasso e um declínio em relação à ascensão do Sul Global (que tem o crescimento da China como uma locomotiva importante). Isso é evidenciado por indicadores de PIB total, indústria, comércio, infraestrutura e comunicações 5G. Os EUA estão fazendo tentativas agressivas de restringir o crescimento econômico da China e seu papel em iniciativas globais como o Brics 10. Os EUA estão levando o mundo a um maior protecionismo.</li>
<li>Os EUA avançaram rapidamente na guerra híbrida, incluindo o uso de sanções (impostas a mais de um em cada quatro países do mundo).<a href="#_edn42" name="_ednref42"><sup>43</sup></a> O ataque a reservas nacionais (da Rússia, da Venezuela, do Irã e do Afeganistão) abriu os olhos de muitos no Sul Global.</li>
<li>Os EUA agora estão de olho na dominação da Eurásia, onde o Ocidente enfrenta a Rússia e a China, dois países poderosos com uma forte capacidade combinada: econômica, tecnológica, militar, energética e alimentar. A desmilitarização completa da longa fronteira entre a China e a Rússia e o anúncio da parceria “sem limites” entre as duas nações são prova de seus interesses comuns em termos de paz e segurança.</li>
<li>Há um perigo evidente e presente de que o imperialismo continue a trilhar um caminho militarista e dependa de seu domínio militar para compensar o crescente declínio econômico e político relativo que enfrenta. Os interesses políticos e militares dos imperialistas se tornam, agora, fundamentais. Perdas econômicas de curto prazo estão ocorrendo.<a href="#_edn43" name="_ednref43"><sup>44</sup></a> Os interesses de capitalistas individuais ou de grupos se tornam secundários.</li>
<li>A hegemonia do dólar estadunidense, a financeirização e a capacidade tecnológica permitem que o setor financeiro movimente trilhões de dólares em negociações em milissegundos, o que mudou a mecânica da acumulação capitalista e sua propriedade. Os capitalistas europeus e japoneses investem capital nas mesmas estruturas que seus pares de classe dos EUA, embora sob o controle destes últimos.</li>
<li>Os EUA aprimoraram sua já vasta infraestrutura de “<em>soft power</em>” sustentada pelo surgimento de uma nova geração de serviços avançados de redes sociais e <em>streaming</em> de vídeo, sob o controle total dos monopólios estadunidenses, todos explicitamente integrados ao complexo militar industrial digital dos EUA.</li>
<li>As contradições entre os países imperialistas deixaram de ser antagônicas e passaram a ser secundárias. A Alemanha, o Japão, a França e todas as outras potências imperialistas devem subordinar seus interesses de curto e médio prazo aos interesses fundamentais dos Estados Unidos. Seu trabalho é coordenado na Otan+. Os documentos oficiais de políticas afirmam que a estratégia em relação à China é reduzir o risco. No entanto, os parlamentares do <em>Bundestag </em>da Alemanha, por exemplo, estão liderando os pedidos de isolamento da China, mesmo que isso implique uma perda considerável de mercados para os fabricantes “alemães”.<a href="#_edn44" name="_ednref44"><sup>45</sup></a> Há também um ímpeto interno simultâneo de remilitarizar a Alemanha.</li>
<li>Novas instituições multilaterais e modelos alternativos de financiamento do desenvolvimento que vêm surgindo no Sul Global estão ganhando impulso. Isso fica evidente pela amplitude do apoio à Nova Rota da Seda (NRS) e pelo crescente interesse de participação no Brics, agora Brics 10. Quase 80% dos Estados-membros da ONU participam da NRS, compreendendo cerca de 64% da população global, enquanto suas economias combinadas representam 52% do PIB mundial (paridade do poder de compra – PPC) em 2022.<a href="#_edn45" name="_ednref45"><sup>46</sup></a> Os países do Brics 10 compreendem hoje 45,5% da população mundial e 35,6% do PIB global (PPC). Em comparação, embora os países do G7 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) representem apenas 10% da população mundial, sua participação no PIB global (PPC) é de 30,4%.<a href="#_edn46" name="_ednref46"><sup>47</sup></a></li>
<li>O Sul Global está perdendo a confiança na liderança econômica, política e moral dos EUA e da Europa. Foi China, e não os EUA, quem facilitou o acordo diplomático histórico entre a Arábia Saudita e o Irã. A Rússia e a China agora realizam a maior parte do comércio entre os dois países em suas próprias moedas. O Brics 10 está criando um grupo de trabalho para explorar alternativas ao uso do dólar estadunidense, incluindo sistemas de pagamentos internacionais e uma possível nova moeda de reserva. Na votação da resolução da ONU sobre um cessar-fogo em Gaza (A/ES-10/L.25), o Norte Global foi superado numericamente, com 14 votos contrários e 120 favoráveis à aprovação.</li>
<li>É a primeira vez em mais de 600 anos que existe uma alternativa econômica e política plausível ao domínio das relações mundiais pelos europeus e seus Estados coloniais de descendentes de colonizadores brancos. Em primeiro lugar, há o grupo socialista liderado pela China. Em segundo, as crescentes aspirações por soberania nacional, modernização econômica e multilateralismo que emergem do Sul Global.</li>
</ul>
<p>Diante dessas movimentações, os líderes da classe política dominante dos EUA no Centro para uma Nova Segurança Americana (<em>Center for a New American Security –CNAS</em>) – <em>think tank </em>com sede em Washington e núcleo intelectual do governo estadunidense – definiram como geoestratégia dos EUA a derrota dupla da Rússia e da China, o que significaria que o Norte Global ganharia o controle da Eurásia. As dimensões, a quantidade de recursos naturais, o poder militar, a proximidade geográfica e a independência da dominação imperialista da China e da Rússia são os principais fatores de suas respectivas perspectivas globais e parcerias estratégicas.</p>
<p>Esses fatores objetivos são muito mais dominantes do que os ideológicos. Os EUA querem terminar a missão inacabada de desnuclearizar a Rússia. Nas paredes de Washington, estão pendurados mapas que foram desenhados para mostrar os dois países divididos em pequenos pedaços, Estados vassalos do Ocidente, sem independência e, certamente, sem armas nucleares.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95633 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-15-3-e1706554470172.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-15-5.png"></div>
<p>Conforme ilustrado na Figura 15, China, Rússia, República Popular Democrática da Coreia e Irã são as quatro potências nucleares (ou potencialmente nucleares) que estão no centro da linha de frente de ataque do imperialismo. A China e a Rússia são os dois principais alvos, a primeira devido a sua força econômica e a segunda, ao seu arsenal nuclear. Síria, Venezuela, Cuba e Belarus também são alvos imediatos para uma mudança de regime.</p>
<p>O mundo está enfrentando um momento muito difícil e perigoso. Os países do Sul Global são extremamente diversos e heterogêneos, não formam um bloco e não têm um alinhamento ideológico. Certamente não têm alianças militares. Alguns – República da Coreia e Filipinas – se emaranharam na esfera militar dos EUA.</p>
<p>O que os países do Sul Global têm é uma história compartilhada. Sofreram durante centenas de anos o abuso colonial e semicolonial cometido pelo Norte Global. As nações mais brancas passaram os últimos cinquenta anos tentando apagar da história o terror que desencadearam sobre os povos de pele mais escura do mundo, inclusive aqueles que vivem dentro de suas próprias fronteiras.</p>
<p>A mídia ocidental se refestela com as grandes diferenças dentro do Sul Global. O Grupo dos 77 e o Movimento dos Não Alinhados, apesar de mais fracos, continuam existindo. Não é possível desconsiderar os avanços senso mais forte de identidade compartilhada entre os países do Sul Global. A demanda por soberania nacional é profundamente democrática e continua sendo uma questão crucial para melhorar a vida das classes populares no Sul Global, além de ser também uma etapa necessária no caminho para o socialismo.</p>
<p>A Primeira Guerra Mundial marcou o início da Revolução Russa (1917), seguida pela criação da União Soviética, primeiro Estado operário plenamente funcional do mundo, e por uma onda de lutas revolucionárias de libertação nacional. A Segunda Guerra Mundial terminou com a criação da República Popular Democrática da Coreia, em 1948, e da República Popular da China, em 1949, seguidas por mais uma onda de lutas de libertação nacional que incluiu importantes vitórias socialistas, como no Vietnã, em 1945 e 1975, e em Cuba, em 1959.</p>
<p>Hoje, não estamos vivendo um período comparável de revoluções. No entanto, é nítido que há novo ânimo e um despertar do espírito para levar adiante os projetos incompletos de libertação nacional que começaram nos dois períodos anteriores. A dominação do sistema neocolonial ocidental está sendo questionada. Estamos testemunhando “mudanças não vistas em 100 anos” e entrando em um novo período da história.</p>
<p>Em resumo, pode-se dizer que <strong>oito contradições principais </strong>são evidentes no mundo:<a href="#_edn47" name="_ednref47"><sup>48</sup></a></p>
<ul>
<li>Imperialismo moribundo liderado pelos EUA <em>x</em> socialismo emergente liderado pela China.</li>
<li>Capital parasitário em busca de renda <em>x</em> exigências das sociedades por desenvolvimento ambientalmente sustentável, indústria, agricultura e emprego.</li>
<li>Imperialismo liderado pelos EUA <em>x </em>necessidade urgente de soberania nacional dos países socialistas e capitalistas do Sul Global.</li>
<li>Classes dominantes do Norte Global <em>x</em> burguesia dos países capitalistas do Sul Global.</li>
<li>Classe dominante supremacista branca do G7 (e do restante do Norte Global) <em>x</em> classes populares (pessoas trabalhadoras, camponesas e da baixa pequena burguesia) nas nações de pele mais escura do Sul Global</li>
<li>Burguesia e estratos superiores dos países capitalistas do Sul Global <em>x</em> classes populares do Sul Global.</li>
<li>Imperialismo ocidental <em>x</em> futuro do planeta e da vida humana.</li>
<li>Contradição interna entre a burguesia do Norte Global <em>x</em> milhões da classe trabalhadora (pobres e parcelas cada vez mais numerosas das pessoas com trabalho qualificado e semiqualificada) no Norte Global.</li>
</ul>
<p>Assim como já começamos a fazer com o setor militar, buscamos aqui analisar esse novo estágio do imperialismo, o funcionamento interno do campo imperialista, e examinar a composição e as conotações do Sul Global para compreender as principais contradições do mundo atual.<a name="_Toc150359652"></a></p>
<h2 style="margin:3em 0;">Conquista, racismo e genocídio: A história comum do campo imperialista</h2>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95643 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-16-4-e1706554564584.png" alt="" width="442" height="950" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-16-6.png"></div>
<p>A riqueza do Norte Global teve origem no roubo histórico por meio de expropriações violentas promovidas ao longo de séculos (Figura 16). <a href="#_edn48" name="_ednref48"><sup>49</sup></a> A estagnação econômica e as demandas por crescimento estimularam o saque de recursos de outras regiões. Isso começou já nas invasões militares das Cruzadas contra as regiões árabes e muçulmanas da Ásia Ocidental (1050-1291).</p>
<p>O fim do Período Quente Medieval na Europa (que durou entre cerca de 950 e 1250 d.C.) e a catástrofe da Peste Negra (1346-1353) fizeram com que a situação pendesse a favor do campesinato, afastando-o da aristocracia. Em toda a Europa, as rebeliões camponesas e as cartas da floresta (<em>charters of the forest</em>) sinalizaram que o futuro do capitalismo estava longe de ser garantido.</p>
<p>A Europa iniciou, então, uma trajetória como poder hegemônico mundial por meio de suas potências marítimas militarizadas, começando com a invasão e captura de Ceuta, porto marroquino fortificado, por Portugal já em 1415 – data que utilizamos para marcar os mais de 600 anos de dominação ocidental. A primeira potência colonial europeia, Portugal, usou o capital genovês para financiar suas expedições, e o resto da Europa seguiu o exemplo nos anos 1400.</p>
<p>As conquistas das nações de pele mais escura do mundo, a subsequente expropriação de povos de suas terras e a subordinação de sua mão de obra fizeram surgir ideologias raciais. Essa camada ideológica se infiltrou na base e na superestrutura tanto das sociedades europeias quanto dos povos conquistados, e é mais pronunciada nos Estados coloniais de ocupação branca, que se estabeleceram como projetos raciais desde o início de sua existência. Dentro desses Estados coloniais de ocupação branca, os EUA e Israel representam agora a história mais aguda, permanente e profundamente arraigada de projetos raciais e religiosos.</p>
<p>A análise econômica mostra que o aumento real do investimento capitalista no Reino Unido começou quando os lucros da escravização e a pilhagem de países como a Índia possibilitaram o aumento histórico do investimento em capital fixo, sendo decisivos para a chamada acumulação primitiva capitalista e o financiamento da “revolução industrial”. Em um estudo de 2022, Utsa Patnaik indicou que o Reino Unido extraiu da Índia, entre 1765 e 1939, US$ 45 trilhões (a economista usou uma fórmula de taxa de juros composta, uma vez que ainda não foram reembolsados).<a href="#_edn49" name="_ednref49"><sup>50</sup></a> A maior parte das principais instituições britânicas lucrou com o comércio transatlântico de pessoas escravizadas. A base ideológica racial, por sua vez, moldou o desenvolvimento posterior do capitalismo e do imperialismo.</p>
<p>Ao longo dos séculos, a Europa criou diversos outros projetos coloniais de ocupação branca fora de seu centro histórico nas Américas e na Australásia, inclusive no Quênia, na África do Sul e no Zimbábue. Os “bem-sucedidos” não se estabeleceram em terras desabitadas – o mito da <em>terra nullius</em> –, mas sim promovendo genocídio e conquista militar, criando populações e Estados de população majoritariamente branca. A Alemanha foi o primeiro país a promover um genocídio colonial, assassinando aproximadamente 80 mil pessoas dos povos Herero e Nama, na Namíbia, entre 1904 e 1908.</p>
<p>Cinco desses projetos coloniais permanecem até hoje: Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Israel, todos projetos britânicos. O Reino Unido iniciou suas conquistas coloniais em meados no século XV, na Irlanda, e, nas Américas, seu papel resultou na criação dos Estados Unidos da América. A infame Declaração Balfour (1917) foi fundamental para a formação de Israel às custas da Palestina, então colônia britânica. A missão sionista precisava criar em Israel uma barreira para as “hordas bárbaras” da Ásia. Nenhuma outra nação é tão influente nos EUA quanto Israel. Os EUA, graças a seu tamanho e papel, continuam a ser a força dominante do terrorismo mundial, mas Israel tem um papel desproporcional em termos de violência e gastos militares, com armas nucleares que a mídia ocidental convenientemente minimiza.</p>
<p>Desde sua criação até os tempos modernos, os EUA têm sido definidos como um projeto racial. Em <em>American Holocaust: The Conquest of the New World </em>(1992), David E. Stannard estimou que, nos primeiros 150 anos da conquista europeia das Américas, cerca de 100 milhões de pessoas indígenas podem ter morrido devido à conquista e suas consequências, incluindo doenças, guerras e escravização.</p>
<p>Em 1860, quase quatro milhões de pessoas negras eram escravizadas somente nos EUA.<a href="#_edn50" name="_ednref50"><sup>51</sup></a> Em 2022, mais de 720 mil pessoas negras estavam encarceradas em presídios e cadeias dos EUA, representando 38% da população carcerária, apesar de corresponderem a apenas 12% da população dos EUA. Os EUA têm quase 20% de todos os prisioneiros do mundo, apesar de terem apenas 5% da população mundial.<a href="#_edn51" name="_ednref51"><sup>52</sup></a> Mais de 500 anos após o início da escravização (com a primeira chegada registrada de um navio negreiro em 1519), os EUA ainda colocam dezenas de milhares de pessoas negras em confinamento solitário, apesar da prática ser considerada uma forma de tortura pelas Nações Unidas.<a href="#_edn52" name="_ednref52"><sup>53</sup></a> Foi somente em 2013 que o estado do Mississippi ratificou oficialmente a 13.ª emenda que aboliu a escravidão no país – registrada oficialmente pela primeira vez na Constituição em 6 de dezembro de 1865.<a href="#_edn53" name="_ednref53"><sup>54</sup></a> Só é possível entender a ideologia da classe dominante dos EUA reconhecendo o caráter racializado de sua estrutura de classes.</p>
<p>A declaração de 2023 da Otan e o apoio unificado ao genocídio israelense contra o povo palestino são prova cabal de que o imperialismo não pode ser separado de aspectos raciais históricos. Durante mais de 600 anos, os Estados europeus e de ocupação branca buscaram e conseguiram dominar o mundo inteiro.</p>
<p>Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA têm buscado estender essa regra por pelo menos um milênio. Inicialmente, todos os Estados do campo imperialista eram brancos. Com a derrota absoluta na Segunda Guerra Mundial, inclusive com o uso de bombas atômicas, o Japão foi assimilado ao campo imperialista, acabando por alcançar o que os sul-africanos chamaram de status de “branco honorário”. Esse movimento foi possível sobretudo porque o Japão havia sido uma potência fascista que também vinculava sua expansão imperialista a práticas racializadas.</p>
<p>O imperialismo também tem bases patriarcais racializadas, que remontam à forma como a divisão sexual do trabalho, o controle das capacidades reprodutivas das mulheres e a exploração do trabalho não remunerado das mulheres foram reformulados na colonização ocidental, como pré-condições para a expansão internacional da acumulação de capital.<a href="#_edn54" name="_ednref54"><sup>55</sup></a> Desde então, a subordinação e a violência de gênero têm sido amplamente utilizadas na guerra e na conquista, desde a escravização sexual de dezenas de milhares de “mulheres de conforto” durante a ocupação militar do Japão na China e na Indonésia, até a atual exploração sexual que ocorre no entorno das bases militares dos EUA nas Filipinas.<a href="#_edn55" name="_ednref55"><sup>56</sup></a></p>
<p>Não é por acaso que os Estados Unidos aparecem em sete das oito categorias de violência histórica na Figura 16. Esse processo não começou na década de 1890 com o desenvolvimento do imperialismo moderno: é possível identificá-lo desde<a name="_Toc150359654"></a> 1492, com a primeira invasão europeia das Américas.</p>
<p>Em outubro de 2023, dos 193 membros da ONU, apenas os Estados Unidos e Israel votaram contra o fim do embargo e do bloqueio ilegais contra a heroica Cuba. Quando um projeto de resolução que pedia um cessar-fogo em Gaza foi redigido, em 16 de outubro de 2023, nenhum membro branco da Câmara dos Representantes dos EUA o assinou inicialmente.<a href="#_edn56" name="_ednref56"><sup>57</sup></a> Há uma linha direta entre os comerciantes portugueses de pessoas escravizadas na África Ocidental e os genocidas israelenses e estadunidenses na Palestina.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">História e definição de “hiperimperialismo”</h2>
<h3 style="margin:2em 0;">Antecedentes</h3>
<p>A pré-história do imperialismo moderno começou em 1415 com o advento da expansão marítima europeia. A África foi a primeira vítima, seguida da colonização das Américas e do genocídio de milhões de povos indígenas. Em seguida, a Europa (e seus Estados colonizadores) passaram rapidamente a depender do capital ensanguentado da escravização humana, que durou 400 anos.</p>
<p>A existência do Reino Unido como potência moderna começou com a dependência vampírica do sangue de pessoas escravizadas e trabalhadoras coloniais. Os britânicos foram responsáveis por milhões de mortes no comércio atlântico de escravizados e em suas conquistas coloniais. A mão de obra escravizada nas Américas – bem como a captura britânica de boa parte do excedente das colônias espanholas e portuguesas – forneceu o ingrediente “especial” da chamada acumulação primitiva ou originária (“ursprüngliche Akkumulation”, termo utilizado por Marx em <em>O capital</em>).<a href="#_edn57" name="_ednref57"><sup>58</sup></a></p>
<p>Além de começar como um projeto racial, o imperialismo dos EUA tem uma trajetória singular de desenvolvimento capitalista, que inclui o seguinte:</p>
<ul>
<li>Uma forma de escravização capitalista altamente lucrativa.</li>
<li>Um Estado em expansão desenfreada em um grande território, sem nenhum resquício do feudalismo.</li>
<li>O único grande país imperialista cujo território não foi atacado militarmente por outros imperialistas.</li>
<li>Uma potência imperial que começou depois que a Europa já havia dividido o mundo.</li>
<li>Um poder ilimitado autodefinido por meio da Doutrina Monroe (1823), além de conceitos como o Destino Manifesto e o excepcionalismo estadunidense.</li>
</ul>
<p>Desde o advento da indústria moderna, o sistema-mundo capitalista consistiu em dois períodos sucessivos com o domínio de uma única potência capitalista: primeiro o Reino Unido, depois os EUA. Do final do século XVIII até a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido foi considerado a força dominante no setor financeiro internacional. No entanto, houve um franco colapso dessa dominação quando os britânicos abandonaram a conversibilidade da libra em ouro e encerraram o padrão ouro-libra em 1931. Na realidade, o domínio dos EUA ficou evidente a partir da Primeira Guerra Mundial e a hegemonia reconhecida do país começou em 1945, quando a Europa estava em frangalhos. No centro do sistema imperialista, portanto, está o que se pode chamar de projeto anglo-americano.</p>
<p>A economia dos EUA ultrapassou a britânica em tamanho na década de 1870, mas o PIB per capita (PPC) dos EUA só se igualou ao do Reino Unido no século XX. Em 1913, a economia estadunidense já tinha o dobro do tamanho do PIB (PPC) britânico.<a href="#_edn58" name="_ednref58"><sup>59</sup></a> Entretanto, foi somente em 1945 (com a economia dos EUA sendo cinco vezes maior que a do Reino Unido) que a hegemonia estadunidense foi completa e formalmente estabelecida. Naquele momento, os EUA estavam fabricando mais da metade dos produtos do mundo.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Histórico</h3>
<p>A obra de Vladimir Lênin <em>Imperialismo, estágio superior do capitalismo </em>(1916), que se valeu muito do livro <em>O </em>c<em>apital financeiro</em>, de 1910, escrito por Rudolf Hilferding, explicou a ascensão do capital financeiro durante o último período do século XIX, marcando a transição do capitalismo liberal clássico para o imperialismo de orientação financeira.<a href="#_edn59" name="_ednref59"><sup>60</sup></a> Com o aumento da composição orgânica do capital, eram necessários desembolsos cada vez maiores de capital para expandir a produção. Isso foi além da capacidade da maioria dos capitalistas individuais envolvidos na concorrência clássica, levando à dominação por oligopólios e monopólios, com a reorganização do sistema financeiro para atender às suas exigências.</p>
<p>Paralelamente a isso, ocorreram transformações tecnológicas. A transição da energia a vapor para a energia elétrica na década de 1890 provocou um salto nas forças produtivas e na produção fabril: maior eficiência energética, menor manutenção, descentralização, reconfiguração do desenho do chão de fábrica, produção em massa e um aumento maciço na divisão e socialização do trabalho. Esse tipo de transformação rápida das forças produtivas ocorreu novamente, mais tarde, com a invenção do transistor e o surgimento dos computadores.</p>
<p>Lênin observou cinco características desse novo estágio: o surgimento do capital financeiro e da oligarquia financeira; a concentração da produção e dos monopólios; a exportação de capital; o surgimento de <strong>cartéis monopolistas, que “dividiram” o mundo entre si; </strong>e a conclusão da <strong>divisão territorial do mundo inteiro entre as maiores potências capitalistas, </strong>juntamente com o crescente conflito entre os Estados imperialistas.</p>
<p>Com esses desdobramentos, começava um novo e último estágio superior do capitalismo, ou seja, o estágio do imperialismo moderno. Não é possível haver outro novo estágio do capitalismo (pois um sistema sem concorrência não seria capitalismo).</p>
<p>O livro de Lênin foi escrito às vésperas da Revolução Soviética. Após a formação da União Soviética, o conflito entre trabalho e capital mudou qualitativamente, deixando de ser apenas uma contradição interna dos países e passando a incluir contradições entre Estados com diferentes bases de classe.</p>
<p>O imperialismo moderno herda totalmente a história de dominação e exploração do mundo pelo projeto europeu. Lênin define os superlucros, resultado do imperialismo moderno, como “um excedente de lucros além dos lucros capitalistas que são normais e costumeiros em todo o mundo”.<a href="#_edn60" name="_ednref60"><sup>61</sup></a></p>
<p>Após a Segunda Guerra Mundial, as divisões capitalistas internacionais se intensificaram mais uma vez durante a Grande Depressão (1929-1939), quando várias potências imperialistas trancaram suas economias com tarifas e outras barreiras. Antes do final da Segunda Guerra Mundial, a reorganização do sistema financeiro global, liderada pelos EUA, foi acordada em Bretton Woods em julho de 1944. A conversibilidade das principais moedas em dólar estadunidense e do dólar estadunidense em ouro estabeleceu a supremacia do novo “ouro verde”. Para garantir que suas normas fossem implementadas e seguidas, foram criados o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), que mais tarde se tornaria o Banco Mundial. Desde então, essas duas instituições têm sido os principais pilares da dominação dos EUA sobre o Sul Global.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Pós-Segunda Guerra Mundial</h3>
<p>Em 1945, os Estados Unidos obtiveram uma vitória decisiva entre as potências capitalistas, e deu-se início à dominação do dólar estadunidense. Entre 1945 e 1971, houve uma fase de expansão de seu imperialismo. Com efeito, o país sofreu perdas significativas nesse período, inclusive com uma série de novos projetos socialistas. No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, confiantes em sua própria supremacia produtiva, os EUA iniciaram uma reorganização radical do sistema capitalista global e desmantelaram as tarifas e outras medidas protecionistas que consideravam desnecessárias para seu próprio avanço (mas mantiveram medidas de subsídio que favoreciam suas próprias empresas capitalistas). A nova organização “globalizada” do capitalismo mundial pós-Segunda Guerra Mundial diferia significativamente, em sua estrutura internacional, do sistema capitalista anterior a 1945. O desenvolvimento das forças produtivas se acelerou em relação à era dos impérios coloniais anteriores. Ao longo dos séculos XIX e XX, por trás do verniz do livre comércio, sempre houve monopólios, como afirmou Karl Marx com relação ao Reino Unido. Os EUA avançaram ainda mais nessa dominação por meio de monopólios imperialistas protegidos por um aparato militar internacional.</p>
<p>Criada em 1949, a Otan tinha inicialmente três objetivos: primeiro, impedir a disseminação do espectro comunista na Europa Ocidental; segundo, garantir a subordinação militar de todos os outros países imperialistas aos EUA; e terceiro, criar um bloco militar para conter e, por fim, derrotar os países do bloco socialista. Os EUA também iniciaram a domesticação da elite europeia e angariaram apoio para o projeto do Atlântico Norte por meio da <em>integração e da dependência econômica (simbolizada pelo Plano Marshall, iniciado em 1948) e da </em>subordinação política (por meio de instituições como o Clube <em>de Bilderberg, a partir de 1954)</em>.<a href="#_edn61" name="_ednref61"><sup>62</sup></a></p>
<p>Os EUA tinham três objetivos no mundo colonial. Primeiro, finalizar a derrota do controle europeu e remover as barreiras a seus interesses econômicos. Segundo, proibir o alinhamento da Europa com o bloco socialista. Terceiro, derrotar qualquer projeto revolucionário de inspiração ou liderança comunista.</p>
<p>Com algumas exceções, como Cuba e Filipinas na virada do século XX, os EUA nunca tiveram o objetivo ou o desejo de governar ou administrar todo o escopo das relações políticas, econômicas e sociais locais do que era, então, chamado de Terceiro Mundo. Utilizando poder militar, operações secretas, incentivos econômicos e “<em>soft power</em>“, os EUA desenvolveram uma estratégia de neocolonialismo: independência política nominal e subordinação econômica quase total. O Bird, primeira instituição responsável pelo alistamento de europeus para o projeto hegemônico dos EUA após a Segunda Guerra Mundial, voltou-se para seu trabalho no Sul Global assim que o Plano Marshall entrou em vigor.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Neoliberalismo</h3>
<p>A próxima fase do imperialismo é geralmente chamada de neoliberalismo. Surgiu como uma resposta à estagnação econômica iniciada na década de 1960 (que se agravou com a crise de 1974) e à ameaça política dos projetos de esquerda do Terceiro Mundo.<a href="#_edn62" name="_ednref62"><sup>63</sup></a> O neoliberalismo foi experimentado pela primeira vez no Chile (1973) e na Argentina (1976) pelos “<em>Chicago Boys</em>” de Milton Friedman. Nos dois casos, sua implementação se deu por meio de golpes de Estado sangrentos que mataram dezenas de milhares de pessoas para erradicar o apoio a projetos de esquerda, com o apoio dos EUA. As eleições de Margaret Thatcher (1979), no Reino Unido, e Ronald Reagan (1980), nos EUA, abriram caminho para sua ascensão global.</p>
<p>Em 1981, os EUA se tornaram, em termos correntes, uma nação devedora. A queda da União Soviética, em 1991, permitiu que os EUA se engajassem em uma projeção imperialista mais despojada, sobretudo no âmbito militar. As principais características do neoliberalismo incluem o seguinte:</p>
<ul>
<li>O mundo vivenciou a globalização econômica e a financeirização do capitalismo monopolista, com privilégios de monopólio financeiro “superimperialista” criados pelos EUA para sustentar a retirada do dólar estadunidense do padrão ouro.</li>
<li>Os EUA ampliaram de forma agressiva seus direitos de propriedade intelectual em todo o mundo e obtiveram monopólios globais quase perpétuos. A economia de bens tangíveis foi subordinada à economia virtualizada. Grandes áreas de pequena produção foram impiedosamente destruídas.</li>
<li>O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial adotaram consistentemente políticas de austeridade que empobreceram e sobrecarregaram o Sul Global com grandes níveis de endividamento. Essa dívida só poderia ser paga por meio da exportação de produtos que o Norte Global pagaria em dólares estadunidenses. Diferentemente de qualquer outro banco, o Banco Mundial pode formular a política econômica de seus credores, encolhendo o Estado e esvaziando a moeda local para garantir a primazia do dólar estadunidense. A privatização, o cercamento do setor público, a redução do papel do Estado na economia e na sociedade (sobretudo no Sul Global) e o aumento da precarização do trabalho foram as principais demandas de suas políticas, o que resultou no aumento da pobreza e da desigualdade, assim como a intensificação do trabalho reprodutivo não remunerado das mulheres.<a href="#_edn63" name="_ednref63"><sup>64</sup></a></li>
<li>A desarticulação da produção fabril e das cadeias de suprimentos (auxiliada por enormes transformações tecnológicas e pelos preços do petróleo subsidiados pelos EUA) criou não apenas aumentos maciços na produtividade, mas também enormes vantagens para o capital global e suas corporações multinacionais às custas da classe trabalhadora. O capital conseguiu transferir, com facilidade, partes da produção entre diversos países pequenos e fracos do Sul Global, e os países de industrialização tardia do Sul Global, como o Brasil e a África do Sul, sofreram desindustrialização. O socialismo e o tamanho da China a protegeram desse destino.</li>
<li>Houve uma mudança da produção para a especulação financeira e o capital monopolista e rentista. Em todo o mundo, uma forte desregulamentação dos mercados financeiros e uma revolução nas tecnologias de comunicação possibilitaram enormes fluxos de capital financeiro especulativo em tempo real.</li>
<li>Uma nova forma avançada de produção e circulação monopolista tornou-se evidente em vários setores da economia. Notadamente, com a ascensão do capital digital monopolista, alguns monopólios e oligopólios, como o Google, dominam o mundo inteiro (com exceção de China, Rússia, Irã, República Popular Democrática da Coreia, Cuba e alguns outros).</li>
<li>Houve um crescimento do Estado coercitivo, níveis cada vez mais altos de desigualdade e um aumento do populismo neofascista.</li>
<li>A ascensão da hegemonia cultural, política e de política externa do Ocidente foi possível devido à onipresença e ao status de monopólio econômico das tecnologias estadunidenses, incluindo Google, Facebook, WhatsApp, Instagram e Twitter.<a href="#_edn64" name="_ednref64"><sup>65</sup></a></li>
</ul>
<p>A obra de Michael Hudson <em>Super Imperialism </em>(1972) descreve a grande derrota enfrentada pelo resto do mundo quando os EUA abandonaram o padrão ouro.<a href="#_edn65" name="_ednref65"><sup>66</sup></a> Em vez de comprar ouro para manter suas moedas, os EUA obrigaram outros bancos centrais a reciclar seus excedentes de dólares para comprar títulos do Tesouro dos EUA. Isso permitiu que os EUA forçassem o resto do mundo a pagar suas dívidas, inclusive aquelas contraídas com a guerra contra o povo do Vietnã. Os EUA se tornaram uma nação devedora, mas conseguiram terceirizar sua dívida por meio do instrumento do complexo dólar-Wall Street.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Tecnologia e soft power</h3>
<p>Imensas transformações na tecnologia e no desenvolvimento das forças produtivas acompanharam esse processo. Os semicondutores, por exemplo, tiveram um aumento de 100 bilhões de vezes na densidade de transistores entre 1954, quando foi criado o primeiro dispositivo de silício funcional, e junho de 2023, com o lançamento do chip Apple M2 Ultra, com 134 bilhões de transistores.<a href="#_edn66" name="_ednref66"><sup>67</sup></a></p>
<p>O poder do setor de tecnologia dos EUA surgiu, em primeiro lugar, devido à importância do avanço tecnológico para o complexo militar-industrial e, em segundo lugar, porque o domínio do comércio mundial pelos EUA lhes permitiu mover seus braços comerciais para reforçar a centralidade do Vale do Silício. Assim, o Vale do Silício é, ao mesmo tempo, um facilitador das principais funções de inteligência militar dos EUA e um dos beneficiários delas.</p>
<p>A natureza por trás do que é chamado de “efeito de rede” permitiu o rápido estabelecimento de monopólios e oligopólios “naturais” em muitas áreas da tecnologia. Assim como as centrais telefônicas de cem anos atrás, quando uma empresa como o Google ultrapassa um limite de participação de mercado em operações de busca e o monetizou, ela se torna um oligopólio. Tecnologias como a computação em nuvem permitiram que a Amazon deixasse de ser apenas um monopólio do setor de varejo e passasse a desafiar Google e Microsoft em novos mercados.</p>
<p>O termo “<em>soft power</em>” foi desenvolvido por Joseph Nye no final da década de 1980, mas é apenas um novo nome para a extensão adquirida pelos conceitos de hegemonia de Gramsci quando se trata do imperialismo dos EUA. Os seguintes “setores” fazem parte da hegemonia global dos EUA: cultura, informação, entretenimento, organizações sem fins lucrativos (ONGs), academia e<em> think tanks</em>. Todos dependem de um setor de comunicação centralizado comum, que abrange cabos submarinos de fibra óptica, satélites, redes de telecomunicações, imensos centros de dados e empresas de comunicação digital como Twitter (X), Facebook e Google.</p>
<p>No último século, foram aproximadamente cinco os estágios das tecnologias da comunicação:</p>
<ol>
<li>Rádio como meio de comunicação de massa, telefone e cinema “falado” (1920-1950).</li>
<li>Televisão e a ascensão da publicidade da Madison Avenue (1950-1970).</li>
<li>Revolução digital, crescimento em larga escala da internet (que, na verdade, começou como um projeto militar dos EUA em 1969) (1980-2000).</li>
<li>Celular e redes sociais de primeira geração (2000-2005).</li>
<li>Dispositivos móveis e inteligentes onipresentes e monopólios de serviços OTT de <em>streaming </em>de vídeo, como Netflix, Amazon Prime, Disney+, CGI, realidade aumentada e virtual e, em breve, mídia influenciada pela IA (2005 até o presente).</li>
</ol>
<p>Cada uma dessas cinco gerações de tecnologias foi comercializada e depois “transformada em arma” sob o olhar atento das agências militares e de inteligência dos EUA. Hollywood é famosa por esses vínculos. A quinta geração de tecnologias representa um salto quantitativo e qualitativo de capacidade. As empresas de tecnologia e mídia dos EUA, representantes da hegemonia norte-americana, hoje controlam efetivamente a maior parte das vozes que os jovens do Sul Global ouvem. Ainda que o X possa estar em declínio e tenha sido principalmente um espaço para as classes médias ilustradas e engajadas dos centros urbanos, o Facebook, o Instagram e serviços de <em>streaming, </em>como Netflix, penetram na vida de bilhões de pessoas da classe trabalhadora.</p>
<p>Vejamos o caso da Índia. Nos primeiros dez meses de 2023, 510 milhões de usuários únicos de internet no país passaram um total de 371 bilhões de horas online, registrando 2,9 trilhões de visualizações. Dessas horas, 105 bi foram gastas em redes sociais, 74 bi em entretenimento, 10,5 bi em notícias, 10 bi em varejo e 12,8 bi em outras atividades (principalmente relacionadas ao setor financeiro). Durante o mês de outubro de 2023, as pessoas com idade entre 18 e 24 anos passaram, em média, 940 minutos no Instagram, 708 no YouTube, 387 no Facebook e 117 no X. Entre todas as idades, o tempo gasto no Facebook, Instagram e X mais do que dobrou desde janeiro de 2020. Em outubro de 2023, os seguintes serviços OTT de <em>streaming </em>de vídeo lideraram em milhões de espectadores: 170 mi na Disney, 99 mi na MX Player (empresa indiana supostamente em negociações com a Amazon), 92 mi na JioCinema (Reliance, Paramount e James Murdoch) e outros como ZEE5, Netflix e Sony. Apesar da ascensão de Bollywood, Hollywood continua presente na Índia.<a href="#_edn67" name="_ednref67"><sup>68</sup></a></p>
<p>Globalmente, a mídia ocidental tem utilizado quatro tipos de censura nas redes sociais: <em>Shadow banning </em>ou <em>ghosting </em>(supressão secreta de usuários), listas de nomes favorecidos e desfavorecidos (priorização de conteúdo desejável; depreciação ou eliminação de conteúdo indesejado), manipulação algorítmica privada não visível e, agora, até mesmo remoção direta e supressão de conteúdo e/ou usuários.</p>
<p>Estima-se que 73% do tráfego da internet seja conduzido pelos chamados “<em>bad bots</em>“, incluindo contas falsas controladas pelo Estado, sobretudo pelos Estados Unidos e Israel.<a href="#_edn68" name="_ednref68"><sup>69</sup></a> Mais da metade desse tráfego utiliza técnicas de evasão para imitar o comportamento humano. Essas técnicas são mobilizadas sistematicamente em uma série de campanhas de <em>soft power </em>dos EUA, inclusive em eleições e para influenciar a opinião pública.</p>
<p>Observando a “supremacia cultural dos Estados Unidos”, o jornal <em>The Financial Times</em> demonstra preocupação com o império da seguinte forma: “Manter um imenso alcance cultural é uma excelente salvaguarda para uma superpotência após um pico. O truque é não se acomodar e relaxar demais”.<a href="#_edn69" name="_ednref69"><sup>70</sup></a></p>
<p>No entanto, o nível de detalhe do controle exercido pela inteligência dos EUA sobre cada chamada telefônica, mensagem e toque de tecla resulta em riscos muito altos para o Sul Global. É necessário dar muita atenção e não menosprezar a soberania digital.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Capital fictício</h3>
<p>Karl Marx analisou criticamente o aumento do capital fictício no Volume III de <em>O Capital</em>.<a href="#_edn70" name="_ednref70"><sup>71</sup></a> O último relatório do Banco de Compensações Internacionais apontou que o valor nocional total dos derivativos em circulação (sendo os três tipos taxa de juros, câmbio e ações) atingiu US$ 715 trilhões no final de junho de 2023, um aumento de 16% em seis meses, mais de quatro vezes o PIB mundial (PPC) e mais de sete vezes o PIB mundial em termos de taxa de câmbio corrente (TCC).<a href="#_edn71" name="_ednref71"><sup>72</sup></a> O valor bruto de mercado desses derivativos estava em quase US$ 20 trilhões.</p>
<p>Os fundos de <em>hedge</em>, como a Bridgewater Associates, e as empresas de participações privadas, como a BlackRock, participam dessa hiperespeculação. Uma analogia utilizada para ajudar a explicar os derivativos é que, se você se colocar entre dois espelhos posicionados com um ligeiro ângulo entre si, verá uma longa série de imagens suas. Você continua sendo de verdade, mas as imagens são efêmeras.</p>
<p>Embora o capital seja fictício, os resultados não são. A expropriação dos bens naturais e das empresas do Sul Global acontece agora em uma escala de trilhões de dólares estadunidenses a uma velocidade de milissegundos.<a href="#_edn72" name="_ednref72"><sup>73</sup></a></p>
<h3 style="margin:2em 0;">2008-2022: Uma transição</h3>
<p>A derrota da União Soviética, em 1991, levou o capital estadunidense a um novo sentimento de confiança eterna no imperialismo. Agora seria possível expropriar os mercados da antiga União Soviética e ter a sensação de ter alcançado o destino manifesto. A ideia de “fim da história” e o surgimento do sentimento de unilateralismo dominaram o pensamento do Conselho de Relações Exteriores (<em>Council on Foreign Relations</em>) e de outras instituições estratégicas dos EUA.</p>
<p>Diante de um declínio na taxa de criação de capital em suas economias, e como a financeirização e os direitos de propriedade intelectual aumentaram a prevalência de monopólios, uma proporção maior de capital evitou investimentos produtivos e passou a buscar cada vez mais ganhos de curto prazo, tornando-se ainda mais especulativa.</p>
<p>Com a crise financeira de 2007-2008 – no que chamamos de início da Terceira Grande Depressão –, as ferramentas anteriores de combate à estagnação se mostraram cada vez mais ineficazes. A impermeabilidade da China a essa crise aumentou o sinal de alerta do Norte Global. Nos 14 anos seguintes, um período de transição marcou o fim da fase do neoliberalismo. Do início dos anos 2000 até 2022, começaram a ocorrer grandes transformações. Algumas aceleraram a consolidação do capital, enquanto outras sinalizaram o início de uma crise existencial do capital:</p>
<ol>
<li>A mudança mais importante foi a ascensão da China como maior economia do mundo quando medida pela paridade do poder de compra (PPC).</li>
<li>O Sul Global passou de 40% do PIB mundial para 60% quando medido em PPC.</li>
<li>A Terceira Grande Depressão levou a uma queda ainda maior nas taxas de crescimento do PIB. Em 2022, as taxas de crescimento per capita médias em 10 anos registravam patamares inferiores a 1% na Europa e de 1,5% nos EUA.</li>
<li>O processo de “desnacionalização” do capital europeu e japonês foi acelerado pelas rápidas transformações nos mercados de capitais. Agora estão totalmente integrados, dependentes e subordinados aos EUA em questões fundamentais.</li>
<li>A China se consolidou como um projeto socialista e a esperança ocidental de um novo “Gorbatchov chinês” fracassou completamente.</li>
<li>Os países da Otan aumentaram o número de intervenções militares globais, mas foram confrontados com uma série de derrotas, como no Afeganistão, no Iraque e até mesmo, em certa medida, na Síria.</li>
<li>A decisão dos EUA de expandir a Otan para a Europa Oriental e usar a Ucrânia em uma batalha por procuração no centro da movimentação para controlar a Rússia resultou em um importante conflito militar entre potências nucleares.</li>
<li>Os EUA, diante de uma relativa hegemonia econômica e política, começaram a expandir maciçamente o uso de sanções, batalhas juríricas (<em>lawfare</em>), tarifas e apreensão de reservas em moeda estrangeira.</li>
<li>Para tentar impedir o avanço tecnológico da China, os EUA começaram a adotar tarifas e medidas protecionistas. Iniciaram um imenso ataque de <em>soft power</em> contra a China e começaram uma nova Guerra Fria.</li>
<li>As principais vozes da classe dominante dos EUA falam abertamente sobre a possibilidade de usar sua hegemonia militar para bloquear a China. Como também “perderam” a Rússia, pelo menos com Vladimir Putin no poder, os EUA estão concentrados em planejar a forma de concluir sua missão histórica de subordinar a Eurásia de uma vez por todas. Em última análise, isso implicaria a desnuclearização e o possível desmembramento da Rússia e da China.</li>
</ol>
<h3 style="margin:2em 0;">Periodização do imperialismo</h3>
<p>O imperialismo mudou nos últimos 100 anos. Grosso modo, podemos descrever alguns de seus principais períodos da seguinte forma:</p>
<ul>
<li><strong>1890 – 1916:</strong> A ascensão do imperialismo moderno.</li>
<li><strong>1917–1939:</strong> Nascimento da União Soviética, declínio da hegemonia britânica, continuação da extrema rivalidade interimperialista, ascensão do fascismo, disseminação de ideias socialistas pelo mundo e Grande Depressão.</li>
<li><strong>1940–1945: </strong>Batalha do mundo contra o fascismo, agressão alemã e japonesa.</li>
<li><strong>1945–2008</strong>: Estabelecimento da República Popular da China, era da hegemonia dos EUA dentro do campo imperialista, avanço das lutas de libertação nacional no Sul Global e fim do colonialismo direto, aumento da importância de projetos socialistas como Cuba e Vietnã, mudanças drásticas nas forças produtivas e inúmeras guerras nas quais os EUA assassinaram dezenas de milhões de pessoas. Esse período pode ser subdividido em duas partes: a chamada era de ouro do imperialismo estadunidense durante as décadas de 1950 e 1960, seguida pela década de 1970 e a virada para a estagnação e o neoliberalismo.</li>
<li><strong>2008–2023:</strong> A falsa esperança do unilateralismo dos EUA foi substituída pela consciência de que um poderoso projeto socialista não branco poderia, em pouco tempo, superar os EUA economicamente. Em 1918, no 73.<sup>o</sup> dia da República Socialista Federativa Soviética Russa, Vladimir Lênin deixou seu escritório no Instituto Smolny (Petrogrado) e dançou na neve. Ele comemorou o fato de que a experiência soviética havia superado a duração da Comuna de Paris. Em 18 de novembro de 2023, a República Popular da China completou 27.077 dias de existência, superando a duração do projeto socialista soviético. Conforme observado pelo Presidente Xi Jinping, estamos entrando em um período que não se viu em 100 anos.</li>
</ul>
<p>Em suma, essas mudanças configuram uma transição para o que seria melhor descrito como um novo estágio do imperialismo: o hiperimperialismo.</p>
<h1>PARTE III: Definindo o mundo</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">Definindo o Norte Global</h2>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-95653 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-17-2-e1706554944620.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-17-4.png"></div>
<p>O Norte Global é um bloco militar, político e econômico integrado, atualmente composto por 49 países, conforme ilustrado na Figura 17. Entre eles estão os EUA, o Reino Unido, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, Israel, o Japão e países secundários da Europa Ocidental e Oriental. Esse bloco liderado pelos EUA é o campo imperialista no mundo atual.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95663 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-18-2-e1706555052330.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-18-4.png"></div>
<p>Conforme ilustrado na Figura 18, o Norte Global é fundamentalmente um projeto do Atlântico Norte, com três países periféricos, Austrália, Japão e Nova Zelândia.</p>
<p>Inspirada no conceito de tríade de Samir Amin, mas expandindo-o e modificando-o para se adequar às realidades atuais, a organização do bloco do Norte Global pode ser melhor compreendida em camadas de quatro anéis concêntricos.<a href="#_edn73" name="_ednref73"><sup>74</sup></a> A posição de cada país dentro de cada anel depende de sua ligação com os Estados Unidos e da proximidade entre seus serviços de inteligência e os dos EUA, conforme explicado abaixo.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 1 do Norte Global: Seis países imperialistas no núcleo anglo-americano liderado pelos EUA</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 19</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 1: Núcleo anglo-americano liderado pelos EUA</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Relação com Inteligência dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">5 olhos</th>
<th style="text-align: center;">9 olhos</th>
<th style="text-align: center;">14 olhos</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Estados Unidos</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">338</td>
<td style="text-align: right;">25.463</td>
<td style="text-align: right;">2,1%</td>
<td style="text-align: right;">76.343</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">68</td>
<td style="text-align: right;">3.717</td>
<td style="text-align: right;">1,5%</td>
<td style="text-align: right;">54.824</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Canadá</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">38</td>
<td style="text-align: right;">2.265</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">58.316</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Austrália</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: right;">1.629</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">62.026</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Israel</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">502</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">51.990</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Nova Zelândia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">266</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">51.962</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6 países</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>485</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>33.843</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>70.326</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>20,7%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 19</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 1: Núcleo anglo-americano liderado pelos EUA</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="8">Militar</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">OTAN<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th>OTAN+</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: right;">Bases EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">excl. EUA</span></th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
Intra-imperialistas</th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
militares<br>
no Sul Global</th>
<th>Potência<br>
nuclear</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Estados Unidos</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">1.536.859</td>
<td style="text-align: right;">12,6</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">22</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">68.463</td>
<td style="text-align: right;">2,8</td>
<td style="text-align: right;">25</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td style="text-align: right;">24</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Canadá</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">26.896</td>
<td style="text-align: right;">1,9</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Austrália</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">32.299</td>
<td style="text-align: right;">3,4</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Israel</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">23.406</td>
<td style="text-align: right;">7,2</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Nova Zelândia</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">2.829</td>
<td style="text-align: right;">1,5</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1.690.752</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>51</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>36</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>77</strong></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>58,9%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração do Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, World Beyond War, IISS</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>O Anel 1 (apresentado na Figura 19) representa o núcleo interno do imperialismo. Os vencedores brancos anglófonos da Segunda Guerra Mundial, que integram os Cinco Olhos (EUA, Reino Unido em 1946, Canadá em 1948, Austrália e Nova Zelândia em 1956), se estabeleceram como guarda pretoriana do que pode ser chamado de projeto anglo-americano, composto pelo Reino Unido e pelos Estados colonizadores de ocupação branca derivados dele. Israel, tratado pelos EUA como o sexto olho, não oficialmente, faz parte do núcleo interno. A coesão dos países nesse anel permanece; um exemplo é a aliança de segurança trilateral Aukus, criada em setembro de 2021.</p>
<p>A relação especial entre os Estados Unidos e Israel é uma chave fundamental para entender o Norte Global. São Estados colonizadores de ocupação branca, fundados e justificados nas bases da supremacia branca e do fanatismo religioso, e constituem o núcleo do Anel 1 do Norte Global. Os EUA foram fundados por extremistas religiosos brancos que, em 1690, conceberam e estabeleceram seus assentamentos coloniais como “<em>plantations</em> de religião”.<a href="#_edn74" name="_ednref74"><sup>75</sup></a> Eles acreditavam que somente eles, puritanos brancos, poderiam realizar o plano divino na “vastidão selvagem americana”. O genocídio promovido contra as populações indígenas americanas e a escravização de povos africanos eram vistos como resultado óbvio e inevitável de sua superioridade racial e religiosa.</p>
<p>Israel foi uma criação do imperialismo britânico e estadunidense, organizada pelos líderes do movimento sionista. Foi descrito pelo especialista militar do jornal <em>The Guardian</em>, Herbert Sidebotham, durante a Primeira Guerra Mundial, da seguinte forma: Os únicos colonizadores possíveis da Palestina são os judeus… representam, ao mesmo tempo, uma proteção contra o Oriente exótico e uma mediação entre ele e nós, uma civilização distinta da nossa, mas imbuída de nossas ideias políticas”.<a href="#_edn75" name="_ednref75"><sup>76</sup></a> Para os imperialistas, a “liberdade contra a discriminação” foi apenas o pretexto para a formação do Estado judaico e supremacista branco de Israel.</p>
<p>Conforme indicado anteriormente, entre 1776, ano da independência dos britânicos, e 2019, os EUA passaram 228 dos 245 anos desse período em guerra/conflito e apenas 17 anos em “paz”.</p>
<p>Durante sua história, as forças do Reino Unido (ou forças com mandato britânico) invadiram, tiveram algum controle ou travaram conflitos em 171 dos 193 países do mundo que são hoje membros da ONU – ou seja, nove em cada dez países.<a href="#_edn76" name="_ednref76"><sup>77</sup></a></p>
<p>Em seus 72 anos de existência, Israel iniciou “oficialmente” 16 conflitos militares com a população palestina e outras nações árabes. Um quarto deles ocorreu sob o comando de Benjamin Netanyahu (1996-1999; 2009-2023). Obviamente, não estão incluídas nessas estatísticas “oficiais” as diversas incursões dos colonos sionistas e de seus pares militares contra o povo palestino.</p>
<p>O racismo branco israelense e a demagogia religiosa passaram de justificativas ideológicas para forças materiais que contribuíram para a transformação qualitativa do imperialismo na atualidade. Um exemplo disso, entre outras coisas, é o gasto militar per capita dos EUA, que é 12,6 vezes maior do que a média mundial, e de Israel, que é 7,2 vezes maior. São os dois maiores gastos militares per capita no Norte Global. Apenas no primeiro mês após 7 de outubro de 2023, o número de civis mortos por Israel na Palestina superou aquele registrado na Ucrânia desde 2022. Além disso, Israel detonou mais toneladas de explosivos do que o peso combinado das duas bombas nucleares lançadas em Hiroshima e Nagasaki.<a href="#_edn77" name="_ednref77"><sup>78</sup></a></p>
<p>Segundo o Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA, “Israel é o maior beneficiário cumulativo de assistência externa dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial… Israel é o primeiro operador internacional do F-35 Joint Strike Fighter, aeronave furtiva de quinta geração do Departamento de Defesa, considerada o caça mais avançado tecnologicamente já fabricado”.<a href="#_edn78" name="_ednref78"><sup>79</sup></a> Ajustando os valores pela inflação, a ajuda dos EUA a Israel entre 1951 e 2022 totalizou US$ 317,9 bilhões.<a href="#_edn79" name="_ednref79"><sup>80</sup></a></p>
<p>No entanto, são os Estados Unidos que estão dirigindo a agenda na região após 7 de outubro de 2023, e não Israel. A “diplomacia de vaivém” de Blinken estabelece as regras e os tons das operações militares de Israel e as ações “proporcionais” contra a resistência palestina e as potências regionais. Os EUA fornecem o apoio político e militar necessário para que Israel elimine “permanentemente” a resistência palestina e promova a normalização com os países árabes vizinhos.</p>
<p>Todas essas intervenções dos EUA buscam preparar o terreno para a construção do planejado Corredor Econômico Índia-Oriente Médio-Europa (IMEC), que não se trata apenas de um mero corredor econômico, mas, essencialmente, de um plano ideológico e político para bloquear a crescente influência chinesa na região. Portanto, Israel constitui um “entroncamento central” para o IMEC, planejado pelos EUA e desenhado dentro da estrutura da Parceria do G7 para o Investimento em Infraestrutura Global, um plano do Norte Global que visa, essencialmente, combater a Nova Rota da Seda da China e qualquer forma de cooperação duradoura do Sul Global.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 2 do Norte Global: Nove principais potências imperialistas europeias</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 20</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 2: Núcleo europeu</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Relação com Inteligência dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">5 olhos</th>
<th style="text-align: center;">9 olhos</th>
<th style="text-align: center;">14 olhos</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td style="text-align: right;">1973</td>
<td style="text-align: right;">83</td>
<td style="text-align: right;">5.370</td>
<td style="text-align: right;">1,2%</td>
<td style="text-align: right;">64.086</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">65</td>
<td style="text-align: right;">3.696</td>
<td style="text-align: right;">1,1%</td>
<td style="text-align: right;">56.305</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">59</td>
<td style="text-align: right;">3.059</td>
<td style="text-align: right;">0,4%</td>
<td style="text-align: right;">51.827</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">2.272</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">47.711</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Países Baixos</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">18</td>
<td style="text-align: right;">1.244</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">70.728</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td style="text-align: right;">735</td>
<td style="text-align: right;">1,5%</td>
<td style="text-align: right;">63.268</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Suécia</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">695</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">66.091</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Noruega</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">427</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">78.014</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Dinamarca</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">419</td>
<td style="text-align: right;">2,1%</td>
<td style="text-align: right;">71.332</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>9 países</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>306</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>17.918</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>58.334</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3,8%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>10,9%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 20</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 2: Núcleo europeu</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="8">Militar</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">OTAN<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: center;">OTAN+</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: right;">Bases EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">excl. EUA</span></th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
Intra-imperialistas</th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
militares<br>
no Sul Global</th>
<th style="text-align: center;">Potência<br>
nuclear</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Alemanha</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">55.760</td>
<td style="text-align: right;">1,9</td>
<td style="text-align: right;">171</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>França</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">53.639</td>
<td style="text-align: right;">2,3</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
</tr>
<tr>
<td>Itália</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">33.490</td>
<td style="text-align: right;">1,6</td>
<td style="text-align: right;">45</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">15</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1982</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">20.307</td>
<td style="text-align: right;">1,2</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Países Baixos</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">15.607</td>
<td style="text-align: right;">2,5</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">6.867</td>
<td style="text-align: right;">1,6</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Suécia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">7.722</td>
<td style="text-align: right;">2,0</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Noruega</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">8.388</td>
<td style="text-align: right;">4,3</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Dinamarca</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">5.468</td>
<td style="text-align: right;">2,6</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong> 207.247</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>247</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>37</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>93</strong></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>7,2%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração do Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, World Beyond War, IISS</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Conforme apresentado na Figura 20, os países do Anel 2 são os mais próximos do núcleo interno liderado pelos EUA, a saber, Alemanha, França, Itália, Espanha, Países Baixos, Bélgica, Suécia, Noruega e Dinamarca. O Anel 2 é definido pela proximidade e afinidade de cada país e pela confiabilidade de suas atividades de inteligência em relação às dos Estados Unidos.</p>
<p>“A política é uma expressão concentrada da economia”, explicou Lênin.<a href="#_edn80" name="_ednref80"><sup>81</sup></a> A atividade militar é a expressão essencial dessa concentração política. Após a Segunda Guerra Mundial, e com o advento da internet e das redes sociais, o controle das comunicações e de todas as suas atividades relacionadas se tornou um ativo estratégico de inteligência do Estado, qualitativamente novo, e fez avançar ainda mais o controle hegemônico dominante dos EUA sobre vastas partes do mundo.</p>
<p>Graças ao trabalho do Wikileaks e à coragem de Julian Assange e Edward Snowden, pela primeira vez, o mundo secreto das relações de inteligência entre as forças imperialistas foi exposto mundialmente.<a href="#_edn81" name="_ednref81"><sup>82</sup></a></p>
<p>De forma pedagógica, os EUA priorizaram seu nível de confiança além dos Cinco Olhos e do relacionamento especial oculto com Israel. Posteriormente, de forma secreta, mas formal, os EUA criaram a aliança Nove Olhos, que incluiu a Dinamarca, a Noruega, a França e os Países Baixos. Os europeus não queriam que se soubesse, mesmo em particular, que Israel era um membro formal. Além disso, Israel não confiava totalmente na inteligência de muitas potências europeias. Portanto, todas as partes permitiram que os EUA continuassem a ter seu relacionamento especial com Israel.</p>
<p>Cinquenta anos após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos continuaram a excluir as antigas potências fascistas europeias (Alemanha, Itália e Espanha) das alianças Cinco e Nove Olhos. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA construíram um sistema internacional que tinha como premissa a subordinação e a integração das antigas potências fascistas e do restante da Europa. Esse processo de subordinação e integração ficou evidente no aparato militar construído pelos Estados Unidos, tendo a Otan como um de seus pilares. O estabelecimento de um sistema de bases militares estadunidenses nas potências derrotadas – Alemanha, Itália e Japão – permitiu que Washington deixasse de lado qualquer conversa sobre um projeto militar ou diplomático soberano para os derrotados.</p>
<p>Em 2011, outros cinco países (Alemanha, Bélgica, Itália, Espanha e Suécia) foram incluídos aos nove anteriores e se tornaram os Quatorze Olhos.<a href="#_edn82" name="_ednref82"><sup>83</sup></a> Entre 2005 e 2009, os EUA ficaram cada vez mais alarmados com a Rússia e a China. Começava, de forma não oficial, a “reorientação para a Ásia” (<em>Pivot to Asia</em>), cujo lançamento oficial foi adiado até a posse de Obama em 2012.<a href="#_edn83" name="_ednref83"><sup>84</sup></a></p>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 3 do Norte Global: Japão e quatorze potências imperialistas europeias menores</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 21</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 3: Japão + potências européias secundárias</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Relação com Inteligência dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">5 olhos</th>
<th style="text-align: center;">9 olhos</th>
<th style="text-align: center;">14 olhos</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Japão</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
<td style="text-align: right;">124</td>
<td style="text-align: right;">6.145</td>
<td style="text-align: right;">0,5%</td>
<td style="text-align: right;">49.090</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Suíça</td>
<td style="text-align: right;">2002</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">754</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">86.262</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Irlanda</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">684</td>
<td style="text-align: right;">8,9%</td>
<td style="text-align: right;">132.359</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Áustria</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">604</td>
<td style="text-align: right;">1,2%</td>
<td style="text-align: right;">66.889</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">439</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">42.692</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Grécia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">393</td>
<td style="text-align: right;">0,6%</td>
<td style="text-align: right;">37.526</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Finlândia</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">324</td>
<td style="text-align: right;">1,0%</td>
<td style="text-align: right;">58.445</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Luxemburgo</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">91</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">141.333</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Chipre</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">47</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">51.774</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Malta</td>
<td style="text-align: right;">1964</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
<td style="text-align: right;">6,1%</td>
<td style="text-align: right;">59.408</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Islândia</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">25</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">67.176</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Andorra</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">1,3%</td>
<td style="text-align: right;">66.155</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>San Marino</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">79.633</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Liechtenstein</td>
<td style="text-align: right;">1990</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Mônaco</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>15 países</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>176</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong> 9.543</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong> 53.935</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,2%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5,8%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 21</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 3: Japão + potências européias secundárias</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="8">Militar</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">OTAN<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: center;">OTAN+</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: right;">Bases EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">excl. EUA</span></th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
Intra-imperialistas</th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
militares<br>
no Sul Global</th>
<th style="text-align: center;">Potência<br>
nuclear</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Japão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">45.992</td>
<td style="text-align: right;">1,0</td>
<td style="text-align: right;">98</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Suíça</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">6.145</td>
<td style="text-align: right;">2,0</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Irlanda</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">1.164</td>
<td style="text-align: right;">0,6</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Áustria</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">3.626</td>
<td style="text-align: right;">1,1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">3.500</td>
<td style="text-align: right;">0,9</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Grécia</td>
<td style="text-align: right;">1952</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">8.105</td>
<td style="text-align: right;">2,2</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Finlândia</td>
<td style="text-align: right;">2023</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">4.823</td>
<td style="text-align: right;">2,4</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Luxemburgo</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">565</td>
<td style="text-align: right;">2,4</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Chipre</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">494</td>
<td style="text-align: right;">1,1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Malta</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">87</td>
<td style="text-align: right;">0,5</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Islândia</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Andorra</td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>San Marino</td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Liechtenstein</td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Mônaco</td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong> 74.501</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>118</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>15</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>40</strong></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,6%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração do Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, World Beyond War, IISS</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Embora seja composto por 15 países, o Anel 3 (apresentado na Figura 21) se concentra especialmente no Japão, que se tornou um ativo decisivo na linha de frente do esforço para limitar e suprimir a China e a Rússia. Entretanto, acrescentamos no Anel 3 outras potências secundárias da Europa Ocidental, que, embora leais aos Estados Unidos, são menos estratégicas do que outras. Algumas, como Portugal, Finlândia e Islândia, fazem parte da Otan. Portugal é a única ex-potência colonial fascista não incluída no Anel 2, em função de sua pouca relevância para a inteligência militar dos EUA (o país não faz parte dos Quatorze Olhos) e de seu PIB menor.</p>
<p>Portanto, o terceiro anel do campo imperialista inclui o Japão e outros 14 países europeus (Suíça, Irlanda, Áustria, Portugal, Grécia, Finlândia, Luxemburgo, Chipre, Malta, Islândia, Andorra, San Marino, Liechtenstein e Mônaco).</p>
<p>Nos últimos séculos, os países dos três primeiros anéis do campo imperialista, com exceção da Irlanda, provocaram enormes desastres humanos (Figura 16). O Reino Unido, os EUA e os Países Baixos se apropriaram de riquezas por meio do comércio de pessoas africanas escravizadas. Os europeus implementaram o colonialismo em todo o mundo; a totalidade do continente americano, quase toda a África e mais da metade da Ásia foram dominados por colonizadores. Os imigrantes brancos anglo-saxões expulsaram e assassinaram à força os povos indígenas das Américas, da Austrália e da Nova Zelândia. Diversas foram as tentativas imperialistas de desmembrar a China, inclusive a Primeira Guerra do Ópio, quando Hong Kong foi cedida, em 1842, e depois Taiwan, no final da Primeira Guerra Sino-Japonesa, em 1895. Em 1884-1885, os colonizadores europeus dividiram arbitrariamente a África na Conferência de Berlim. Essa metodologia violenta de divisão continua inabalável até hoje, como evidenciado pela divisão do Sudão em 2011 e pela destruição que continua afetando o país e seu povo. Em 1919, os impérios austro-húngaro e alemão foram desmantelados por meio do Tratado de Versalhes, os direitos de algumas áreas da China (Shandong) foram transferidos para o Japão, as colônias alemãs na África foram entregues às potências europeias vitoriosas e uma ordem mundial liderada pelas forças anglo-americanas foi restabelecida. Como resultado de crises internas e rivalidades imperialistas, surgiram Estados fascistas dentro desse campo, desencadeando a Segunda Guerra Mundial e provocando a morte de pelo menos 50 milhões de pessoas soviéticas e chinesas. Nos estágios finais da Segunda Guerra Mundial, os EUA lançaram bombas atômicas contra civis. Até hoje, o país se recusa a renunciar ao primeiro uso de armas nucleares e se retirou unilateralmente dos principais tratados sobre armas nucleares e mísseis.</p>
<p>Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão se tornou um aliado estratégico dos EUA. Em 1951, com a assinatura do tratado de segurança entre os dois países, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Yoshida, aceitou o domínio das forças armadas estadunidenses sobre seu país. Durante a Guerra Fria, o Japão desempenhou um papel significativo na contenção da União Soviética e da China na frente oriental, e esse papel continua sendo desempenhado até hoje. Em julho de 2023, o Japão era o segundo país com o maior número de bases militares dos EUA (98), atrás apenas da Alemanha (171). Até hoje, nenhuma dessas bases está localizada na antiga República Democrática Alemã<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup>85</sup></a>.</p>
<p>Embora não seja oficialmente membro da Otan, o Japão tem cooperado com a organização de modo individual desde 2014. Mais recentemente, em julho de 2023, aceitou aderir ao Programa de Parceria Individual Sob Medida e participou das duas últimas cúpulas da Otan. O país também participa regularmente de reuniões realizadas na sede da organização, em Bruxelas, envolvendo seus aliados e os quatro parceiros da região do Indo-Pacífico no nível de embaixadores. Essa incorporação prática pode ser explicada pelo Conceito Estratégico da Otan 2022, que afirma que “a cooperação com os parceiros dessa região é fundamental para enfrentar o ambiente de segurança global cada vez mais complexo, incluindo a guerra da Rússia contra a Ucrânia, a mudança no equilíbrio de poder global e a ascensão da China, além da situação de segurança na península da Coreia”.</p>
<p>Além disso, o Japão é o único membro do G7 que não faz parte da Otan. Em 2022, a China foi <a href="https://www.bbc.com/news/world-asia-64001554">rotulada</a> pelo governo japonês como “o maior desafio estratégico de todos os tempos para a garantia da paz e da estabilidade do Japão”, que anunciou, ainda, planos para dobrar os gastos militares oficiais para 2% do PIB (mesmo nível dos países da Otan) até 2027. O governo japonês derruba, assim, o limite de 1% do PIB para os gastos militares do país, que havia sido estabelecido após a Segunda Guerra Mundial.<a href="#_edn84" name="_ednref84"><sup>86</sup></a></p>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 4 do Norte Global: Dezenove países europeus do antigo Bloco do Leste integrados à Otan</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 22</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 4: Antigo Bloco do Leste Europeu</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Relação com Inteligência dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">5 olhos</th>
<th style="text-align: center;">9 olhos</th>
<th style="text-align: center;">14 olhos</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Polônia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">40</td>
<td style="text-align: right;">1.643</td>
<td style="text-align: right;">3,7%</td>
<td style="text-align: right;">43.624</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Romênia</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">737</td>
<td style="text-align: right;">3,5%</td>
<td style="text-align: right;">38.703</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Chéquia</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">519</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">47.955</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Ucrânia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">40</td>
<td style="text-align: right;">449</td>
<td style="text-align: right;">-4,0%</td>
<td style="text-align: right;">12.886</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Hungria</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">408</td>
<td style="text-align: right;">3,3%</td>
<td style="text-align: right;">42.121</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Eslovaquia</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">219</td>
<td style="text-align: right;">2,3%</td>
<td style="text-align: right;">40.211</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bulgária</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">205</td>
<td style="text-align: right;">2,3%</td>
<td style="text-align: right;">31.857</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Sérvia</td>
<td style="text-align: right;">2000</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">164</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">24.564</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Croácia</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">155</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">40.128</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Lituânia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">133</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">47.107</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Eslovênia</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">103</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">48.757</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Geórgia</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">75</td>
<td style="text-align: right;">4,2%</td>
<td style="text-align: right;">20.243</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Letônia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">73</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">39.167</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bósnia e Herzegovina</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">64</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">18.518</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Estônia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">60</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">44.630</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Albânia</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">52</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">18.164</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Macedônia do Norte</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">41</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">20.129</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Moldova</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">40</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">15.710</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Montenegro</td>
<td style="text-align: right;">2006</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">16</td>
<td style="text-align: right;">2,7%</td>
<td style="text-align: right;">25.862</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>19 países</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>167</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5.156</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>32.662</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 22</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Anel 4: Antigo Bloco do Leste Europeu</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="8">Militar</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">OTAN<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: center;">OTAN+</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: right;">Bases EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">excl. EUA</span></th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
Intra-imperialistas</th>
<th style="text-align: right;">Operações<br>
militares<br>
no Sul Global</th>
<th>Potência<br>
nuclear</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Polônia</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">16.573</td>
<td style="text-align: right;">1,2</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Romênia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">5.187</td>
<td style="text-align: right;">0,7</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Chéquia</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">4.005</td>
<td style="text-align: right;">1,1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Ucrânia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">43.998</td>
<td style="text-align: right;">3,1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Hungria</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">2.572</td>
<td style="text-align: right;">0,7</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Eslovaquia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">1.994</td>
<td style="text-align: right;">1,0</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bulgária</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">1.336</td>
<td style="text-align: right;">0,5</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Sérvia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;">1.426</td>
<td style="text-align: right;">0,5</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Croácia</td>
<td style="text-align: right;">2009</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">1.309</td>
<td style="text-align: right;">0,9</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Lituânia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">1.732</td>
<td style="text-align: right;">1,8</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Eslovênia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">735</td>
<td style="text-align: right;">1,0</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Geórgia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">360</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Letônia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">849</td>
<td style="text-align: right;">1,3</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Bósnia e Herzegovina</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">184</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Estônia</td>
<td style="text-align: right;">2004</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">811</td>
<td style="text-align: right;">1,7</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Albânia</td>
<td style="text-align: right;">2009</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">289</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Macedônia do Norte</td>
<td style="text-align: right;">2020</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">225</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Moldova</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Montenegro</td>
<td style="text-align: right;">2017</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: right;">98</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>83.732</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>27</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>42</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>69</strong></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,9%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração do Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, World Beyond War, IISS</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>O Anel 4 (apresentado na Figura 22) é composto pelos membros europeus do antigo Bloco do Leste e pelos membros da Europa Oriental do antigo Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comecon, que existiu entre 1949 e 1991). Trata-se de uma nova categoria dentro do campo imperialista e, portanto, não foi incluído por Samir Amin em seu influente trabalho sobre a tríade.</p>
<p>O Anel 4 do campo imperialista inclui Polônia, Romênia, Chéquia, Ucrânia, Hungria, Eslováquia, Bulgária, Sérvia, Croácia, Lituânia, Eslovênia, Letônia, Bósnia e Herzegovina, Estônia, Albânia, Macedônia do Norte, Moldávia e Montenegro (exceto Belarus). Cinco países eram repúblicas formais da União Soviética.</p>
<p>Esses países não faziam parte do campo imperialista anteriormente. Para expandir sua hegemonia, os EUA têm visado essa região militar, política e culturalmente. A Sérvia, parte da antiga Iugoslávia, foi submetida a um bombardeio de 78 dias pela Otan em 1999. Apesar de não ser membro da organização até hoje, o país foi obrigado a participar de exercícios militares conjuntos com países da Otan em junho de 2023.</p>
<p>A entrada da Romênia na Otan não envolveu a realização de um referendo. Em vez disso, o governo no poder modificou a Constituição, permitindo que os senadores tomassem a decisão sem consultar o povo romeno.</p>
<p>A expansão dos EUA e da Europa Ocidental aconteceu principalmente por meio da subordinação econômica e da expansão oriental da Otan. Quatorze são membros da Otan, enquanto quatro (Bósnia e Herzegovina, Geórgia, Moldávia e Ucrânia) participaram da reunião da Otan em Vilnius em junho de 2023. Alguns desses países são governados por regimes de direita pró-Otan (entre os exemplos estão Polônia, Ucrânia e Estônia) e desempenham um papel ativo como tropas de linha de frente contra a Rússia.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Definindo o Sul Global</h2>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95674 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-23-3-e1706556499567.png" alt="" width="793" height="950" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-23-5.png"></div>
<p>Para além dos 49 países do campo imperialista do Norte Global, há 145 países que constituem o Sul Global e compõem a grande maioria da população mundial (Figura 23).</p>
<p>O termo “Sul Global” tem sido comumente utilizado como uma referência vaga e imprecisa. No entanto, as ações promovidas nos últimos quatro anos pelo bloco militar liderado pelos EUA, agora totalmente alinhado e integrado, criaram um grande grupo de países que são o “resto do mundo”. O “resto do mundo” está, portanto, alinhado inicialmente pela “unidade negativa”, ou seja, todos os seus membros são excluídos. Consequentemente, eles se tornaram uma negação do campo imperialista. Esses países incluem a Rússia e a Belarus, que não são países em desenvolvimento, mas são em grande medida alvos para a promoção de mudanças de regime e subjugação.</p>
<p>O Sul Global inclui sobretudo os chamados países “menos desenvolvidos” ou “em desenvolvimento”, geograficamente associados a países da América Latina, Ásia, África e Oceania. Trata-se de uma referência implícita a países que foram historicamente marginalizados no sistema econômico global e que estão lutando contra os legados do colonialismo e do imperialismo. Era comum chamar esses países de Terceiro Mundo.</p>
<p>O Sul Global carece de coesão, de uma identidade coletiva consensual e de organização e ação unificadas. Ao contrário do bloco integrado do Norte Global, o Sul Global não é um bloco unificado. Cada um desses 145 países tem ideologias e agendas políticas distintas, com diferenças de proximidade e orientação entre si e com os países do Norte Global. São diversas as disputas entre alguns deles, que vão desde disputas territoriais (como o caso da Eritreia e da Etiópia) até lutas pelo poder político intrarregional (como o caso histórico da Arábia Saudita e do Irã).</p>
<p>Grande parte do Sul Global busca a soberania, a paz e o desenvolvimento, mas esses países raramente chegam a um consenso global sobre qualquer questão. Muitas vezes, isso aponta para diferenças no grau de proximidade de um determinado país com o núcleo interno do Norte Global. Dessa forma, organizamos esses países em “grupos” com base em alguns atributos comuns, em vez de colocá-los em camadas de anéis integrados ou blocos distintos.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95684 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-24-3-e1706556570469.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-24-5.png"></div>
<p>No entanto, isso não significa que o Sul Global seja – como algumas perspectivas ocidentais gostariam – um conceito fabricado e desprovido de substância. O Sul Global (Figura 24) são ex-colônias ou semicolônias do campo imperialista do Norte Global, que sofreram séculos de opressão e humilhação sob o imperialismo. Alguns desses países compartilham, em graus variados de compromisso e percepção, uma orientação política socialista. Objetivamente, com a renda per capita atual registrada em 2022 (US$ 12.850), a China é um país em desenvolvimento.<a href="#_edn85" name="_ednref85"><sup>87</sup></a> Foi também por causa desse contexto histórico comum que Xi Jinping declarou, em seu discurso no Fórum Empresarial do Brics de 2023 (lido por Wang Wentao): “Como país em desenvolvimento e membro do Sul Global, a China respira o mesmo fôlego que outros países em desenvolvimento e busca um futuro compartilhado com eles”.<a href="#_edn86" name="_ednref86"><sup>88</sup></a></p>
<p>É possível encontrar as raízes genealógicas do Sul Global no projeto do Terceiro Mundo, que tentou alterar o equilíbrio internacional de forças em favor dos interesses dos países que haviam conquistado independência política em meados do século XX, mas mantinham uma relação de servidão econômica com o Norte Global. Isso incluiu os esforços da Conferência de Bandung (1955), o Movimento dos Não Alinhados (1961), a Organização de Solidariedade com os Povos da Ásia, África e América Latina – OSPAAL (1966) e a busca por uma nova ordem econômica internacional (1974) por meio da formação da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (1964) por parte dos países em desenvolvimento.<a href="#_edn87" name="_ednref87"><sup>89</sup></a></p>
<p>Em comum, esses países têm a marginalização histórica e contemporânea na ordem econômica e política global. Um dos exemplos mais pungentes e devastadores desse aspecto é o dano ambiental e ecológico que o Norte Global vem causando a países do Sul Global. A extração de recursos e a especulação financeira sobre a terra e as plantações levaram ao desmatamento, à destruição de habitats, à degradação do solo e à poluição da água. Isso vem resultando em fome generalizada e tem provocado uma perda significativa de biodiversidade e grandes extensões de terras agrícolas não cultiváveis, destruindo ecossistemas e espécies locais.</p>
<p>Além disso, as empresas multinacionais do Norte Global são responsáveis pela poluição do ar, da água e do solo com seus métodos perversos, enquanto o neoliberalismo garante que não haja regulamentações para evitar essas práticas. Proibidos no Norte Global, mas amplamente utilizados no Sul Global, os agrotóxicos e a geração de materiais perigosos e outros resíduos aumentaram os riscos à saúde, especialmente para povos indígenas, mulheres, crianças e pessoas idosas.<a href="#_edn88" name="_ednref88"><sup>90</sup></a> Empresas de manufatura, mineração, energia e transporte seguem emitindo gases do efeito estufa, o que mais contribui para as mudanças climáticas, colocando o Sul Global no perigo iminente de sofrer uma catástrofe. O investimento estrangeiro direto das corporações multinacionais do Norte Global devasta o meio ambiente, destrói terras agrícolas e aumenta a precariedade de todos os povos trabalhadores. Ao mesmo tempo, o Norte Global usa a crise climática para promover mais acaparamento de terras e privatização da biodiversidade por meio da financeirização da natureza.<a href="#_edn89" name="_ednref89"><sup>91</sup></a></p>
<p>Todos esses 145 países estão agora sofrendo a imensa pressão da superexpansão imperialista. Entre os desafios comuns que continuam enfrentando estão o subdesenvolvimento histórico, a dependência do setor primário, a industrialização limitada, a dívida externa, os desequilíbrios comerciais, as lacunas tecnológicas, o déficit de infraestrutura e a crise ambiental desproporcional.</p>
<p>Desiludidos com os desafios mencionados acima, setores cada vez maiores da nova burguesia dos países do Sul Global – que surgiram com o rápido crescimento econômico registrado nas últimas duas décadas, sobretudo na Ásia – estão aos poucos perdendo a confiança na liderança política, econômica e moral dos Estados Unidos e da Europa. Novos centros de poder econômico, como a China, oferecem modelos alternativos de desenvolvimento e investimento (por exemplo, por meio de iniciativas como a Nova Rota da Seda) e se tornam mais atraentes para a burguesia do Sul Global.</p>
<p>Entre os 145 países do Sul Global, identificamos seis grupos. Ainda que haja traços comuns entre cada um deles, o número atribuído a cada grupo está correlacionado à ordem decrescente de países considerados uma ameaça ao bloco imperialista anglo-americano liderado pelos EUA. O pertencimento dos países aos grupos é dinâmico e pode mudar de acordo com a conjuntura política e econômica.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 1 do Sul Global: Seis países socialistas independentes</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 25</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 1: Socialistas independentes</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>China</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">1.426</td>
<td style="text-align: right;">30.217</td>
<td style="text-align: right;">6,2%</td>
<td style="text-align: right;">21.404</td>
<td style="text-align: center;">Semi-colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, Japão, EUA</td>
<td style="text-align: right;">1949</td>
</tr>
<tr>
<td>Vietnã</td>
<td style="text-align: right;">1977</td>
<td style="text-align: right;">98</td>
<td style="text-align: right;">1.321</td>
<td style="text-align: right;">6,1%</td>
<td style="text-align: right;">13.284</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França, Japão</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
</tr>
<tr>
<td>Venezuela</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">28</td>
<td style="text-align: right;">197</td>
<td style="text-align: right;">-11,8%</td>
<td style="text-align: right;">7.302</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1811</td>
</tr>
<tr>
<td>Laos</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">8</td>
<td style="text-align: right;">69</td>
<td style="text-align: right;">5,1%</td>
<td style="text-align: right;">9.207</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1953</td>
</tr>
<tr>
<td>RPD Coreia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Japão</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
</tr>
<tr>
<td>Cuba</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1959</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1.597</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>31.804</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>20.577</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>6 Col+SemiCol</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td></td>
<td style="text-align: right;"><strong>20,0%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>19,4%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 25</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 1: Socialistas independentes</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>China</td>
<td style="text-align: right;">291.958</td>
<td style="text-align: right;">0,6</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Vietnã</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Venezuela</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Laos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>RPD Coreia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Cuba</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>291.963</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>5</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>6</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>1</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>10,2%</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 25</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 1: Socialistas independentes</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>China</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;">Original</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Vietnã</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Venezuela</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Laos</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>RPD Coreia</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Cuba</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>5 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>5 Contra+abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Os seis países do Grupo 1 (Figura 25) promovem o socialismo em graus variados e, muitas vezes, adotam posições internacionais progressistas. Cinco dos seis fazem parte do Grupo de Amigos em Defesa da Carta da ONU.</p>
<p>A China é o membro mais importante desse grupo. Seu PIB, medido em paridade do poder de compra, está em primeiro lugar no mundo, representando quase o triplo do PIB (PPC) da Índia. Também corresponde a 119% do PIB (PPC) dos Estados Unidos.<a href="#_edn90" name="_ednref90"><sup>92</sup></a> A China alcançou o avanço mais significativo no desenvolvimento humano, tirando 850 milhões de pessoas da pobreza extrema nas últimas quatro décadas.<a href="#_edn91" name="_ednref91"><sup>93</sup></a> Embora não busque a hegemonia sobre o sistema-mundo, o país é visto pelos EUA e seus aliados como a principal ameaça à sua hegemonia, e foi rotulado nos últimos anos como um concorrente “quase rival” nos documentos de estratégia dos departamentos de Estado e Defesa dos EUA. A China representa não apenas uma ameaça econômica, mas, com o ressurgimento de um partido comunista mais forte sob o comando do presidente Xi Jinping, também uma grande ameaça política com sua revitalização manifesta das tradições socialistas e comunistas. A China é impelida por seus interesses nacionais e sociais e por seu apoio histórico ao Sul Global para o papel de apoio a processos e projetos contra-hegemônicos. O país continua a declarar publicamente o compromisso de “reduzir a desigualdade entre Norte e Sul”.<a href="#_edn92" name="_ednref92"><sup>94</sup></a></p>
<p>Enquanto a China representa, hoje, o maior desafio econômico e político à hegemonia do Norte Global, Cuba e Venezuela representam a linha de frente da resistência socialista histórica. Cuba segue resistindo ao sofrimento causado por mais de seis décadas de embargo e bloqueio econômico liderados pelos EUA. A Venezuela enfrenta sanções pesadas. Esses dois países não tentam esconder sua aposta em uma agenda socialista. A República Popular Democrática da Coreia continua sendo o “bicho-papão” que o Ocidente teme no Leste, enquanto o Laos e o Vietnã têm partidos comunistas de longa data no comando de seus governos e estão passando por um rápido desenvolvimento econômico.</p>
<p>Desde a fundação da União Soviética, as forças de esquerda do mundo têm enfrentado uma contradição entre as necessidades do Estado e do povo dos projetos socialistas e as necessidades da classe trabalhadora em países e regiões específicas. É necessário que as lideranças da classe trabalhadora em todos os países tenham pensamento estratégico para evitar o antagonismo nas “contradições entre os povos” e garantir que o golpe decisivo seja direcionado ao centro do imperialismo. Seguir a máxima de que comunistas “não têm interesses separados daqueles do proletariado como um todo” exige uma investigação do concreto.<a href="#_edn93" name="_ednref93"><sup>95</sup></a> Por exemplo, derrotas como a queda da União Soviética são catastróficas para todas as pessoas trabalhadoras. São necessárias diversas decisões táticas para tirar proveito das rachaduras no campo imperialista para proteger os projetos e movimentos socialistas, estejam eles no poder ou não.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 2 do Sul Global: Dez países em forte busca por soberania</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 26</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 2: Em forte busca de soberania</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rússia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">145</td>
<td style="text-align: right;">4.770</td>
<td style="text-align: right;">0,8%</td>
<td style="text-align: right;">33.253</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Irã</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">89</td>
<td style="text-align: right;">1.617</td>
<td style="text-align: right;">2,0%</td>
<td style="text-align: right;">18.865</td>
<td style="text-align: center;">Semi-colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1979</td>
</tr>
<tr>
<td>Belarus</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">210</td>
<td style="text-align: right;">0,1%</td>
<td style="text-align: right;">22.679</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Burkina Faso</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">23</td>
<td style="text-align: right;">58</td>
<td style="text-align: right;">4,9%</td>
<td style="text-align: right;">2.549</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Mali</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">23</td>
<td style="text-align: right;">57</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">2.514</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné</td>
<td style="text-align: right;">1958</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
<td style="text-align: right;">44</td>
<td style="text-align: right;">5,8%</td>
<td style="text-align: right;">3.025</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1958</td>
</tr>
<tr>
<td>Níger</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: right;">40</td>
<td style="text-align: right;">5,7%</td>
<td style="text-align: right;">1.518</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Síria</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">22</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
</tr>
<tr>
<td>Afeganistão</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
<td style="text-align: right;">41</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Semi-colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, EUA</td>
<td style="text-align: right;">2021</td>
</tr>
<tr>
<td>Eritreia</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Itália</td>
<td style="text-align: right;">1993</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>395</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6.795</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>20.938</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>8 Col+SemiCol</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5,0%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>4,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 26</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 2: Em forte busca de soberania</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rússia</td>
<td style="text-align: right;">86.373</td>
<td style="text-align: right;">1,7</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Irã</td>
<td style="text-align: right;">6.847</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Belarus</td>
<td style="text-align: right;">821</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Burkina Faso</td>
<td style="text-align: right;">563</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Mali</td>
<td style="text-align: right;">515</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné</td>
<td style="text-align: right;">441</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Níger</td>
<td style="text-align: right;">243</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">9</td>
</tr>
<tr>
<td>Síria</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Afeganistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Eritreia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">28</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>95.802</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>8</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>6</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>40</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3,3%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 26</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 2: Em forte busca de soberania</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rússia</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;">Original</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Irã</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Belarus</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;">Observador</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Burkina Faso</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Mali</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Níger</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Síria</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Afeganistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Observador</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Eritreia</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>4</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>9 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>7 Contra+abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Os países do grupo 2 (Figura 26) não são Estados socialistas, mas são os principais alvos de mudanças de regime lideradas pelos EUA. São países que estão defendendo aguerridamente sua soberania e a de outros (como visto por sete dos nove países do grupo que votaram contra a resolução apoiada pelos EUA para a retirada da Rússia em fevereiro de 2023 e seu total apoio ao cessar-fogo em Gaza).</p>
<p>Essas nações enfrentam algumas das situações mais agudas da luta por soberania nacional, embora tenham motivos diferentes para isso. Elas estão na linha de frente da luta do Sul Global contra o imperialismo. Ainda que todas tenham total ou parcial dependência econômica do Ocidente, buscam ativamente a independência política e, portanto, estão sujeitas a uma guerra híbrida extrema travada pelo imperialismo. Simplificando, esses países, em sua maioria, estão incluídos nos alvos críticos da inteligência dos EUA para a promoção de mudanças de regime.</p>
<p>Sobretudo desde o golpe de direita apoiado pelos EUA na Ucrânia em fevereiro de 2014, seguido pela anexação da Crimeia para a unificação, a Rússia tem sido o principal alvo de uma mudança de regime empreendida pelo campo imperialista. Os EUA e seus aliados vêm dedicando recursos consideráveis para enfraquecer, desmantelar e desnuclearizar a Rússia; os EUA forneceram mais de US$ 90 bilhões em assistência militar à Ucrânia para a campanha contra a Rússia entre fevereiro de 2014 e fevereiro de 2022.<a href="#_edn94" name="_ednref94"><sup>96</sup></a> Belarus tem alinhamento geopolítico e econômico com a Rússia (por exemplo, por meio da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, formada em 1992, e da União de Bielorrússia e Rússia, formada em 1996) e, portanto, permanece na mira da inteligência dos EUA.</p>
<p>Desde as revoluções de 1978 e 1979, que depuseram líderes alinhados aos EUA, o Afeganistão e o Irã têm sido alvos de intervenção militar e interferência política estadunidense. O Irã tem sido um obstáculo para os avanços ocidentais na região, com seu programa de energia nuclear, forte influência regional em conflitos por procuração e postura consistente contra o Ocidente (e Israel). O Afeganistão foi invadido em 2001, e os EUA gastaram duas décadas e mais de US$ 2 trilhões (US$ 300 milhões por dia) para conquistar um ponto de apoio na Ásia Central – acabando por se retirar em 2021.<a href="#_edn95" name="_ednref95"><sup>97</sup></a> Desde 2011, a Síria tem sido um campo de batalha para as tentativas dos EUA de garantir o controle de toda a Ásia Ocidental, uma guerra que comprova a definição sobre a Síria dada em 1965 pelo jornalista Patrick Seale: “o espelho dos interesses rivais”.<a href="#_edn96" name="_ednref96"><sup>98</sup></a></p>
<p>Esse grupo está crescendo, e países como Eritreia, Mali, Burkina Faso e Níger estão tomando medidas mais ousadas para proteger a própria soberania nacional. A Eritreia nutre uma hostilidade histórica contra os EUA e é alvo de intervenção dos EUA por meio da Etiópia. Burkina Faso, Mali e Níger rejeitaram a presença neocolonial da França no Sahel e depuseram seus líderes políticos alinhados ao Ocidente. Esses países criaram a Aliança Econômica do Sahel e a Aliança dos Estados do Sahel, com o intuito de promover a cooperação econômica e militar. Entretanto, a situação política ainda é instável e eles lutam para alcançar, de fato, a independência das potências imperialistas.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 3 do Sul Global: Onze países atual ou historicamente progressistas</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 27</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 3: Atual ou historicamente progressistas</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Brasil</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">215</td>
<td style="text-align: right;">3.837</td>
<td style="text-align: right;">0,5%</td>
<td style="text-align: right;">18.897</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1822</td>
</tr>
<tr>
<td>Colômbia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">52</td>
<td style="text-align: right;">966</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">18.720</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1819</td>
</tr>
<tr>
<td>África do Sul</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">60</td>
<td style="text-align: right;">953</td>
<td style="text-align: right;">0,9%</td>
<td style="text-align: right;">15.728</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1931</td>
</tr>
<tr>
<td>Argélia</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">45</td>
<td style="text-align: right;">584</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">12.900</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Nepal</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
<td style="text-align: right;">144</td>
<td style="text-align: right;">4,5%</td>
<td style="text-align: right;">4.787</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Bolivia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td style="text-align: right;">119</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">9.936</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1825</td>
</tr>
<tr>
<td>Honduras</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">70</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">6.832</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Nicarágua</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">7.229</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Zimbábue</td>
<td style="text-align: right;">1980</td>
<td style="text-align: right;">16</td>
<td style="text-align: right;">41</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">2.603</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1980</td>
</tr>
<tr>
<td>Palestina</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">6.364</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Israel, Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Namíbia</td>
<td style="text-align: right;">1990</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">29</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">11.080</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Alemanha, África do Sul</td>
<td style="text-align: right;">1990</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>456</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6.826</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>15.397</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>10 Col</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5,7%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>4,2%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 27</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 3: Atual ou historicamente progressistas</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Brasil</td>
<td style="text-align: right;">20.211</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Colômbia</td>
<td style="text-align: right;">9.938</td>
<td style="text-align: right;">0,5</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>África do Sul</td>
<td style="text-align: right;">2.995</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Argélia</td>
<td style="text-align: right;">9.146</td>
<td style="text-align: right;">0,6</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Nepal</td>
<td style="text-align: right;">428</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Bolivia</td>
<td style="text-align: right;">640</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Honduras</td>
<td style="text-align: right;">478</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">9</td>
</tr>
<tr>
<td>Nicarágua</td>
<td style="text-align: right;">84</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Zimbábue</td>
<td style="text-align: right;">182</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Palestina</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Namíbia</td>
<td style="text-align: right;">369</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>44.471</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>7</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>20</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1,6%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 27</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 3: Atual ou historicamente progressistas</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Brasil</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Original</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Colômbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>África do Sul</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Original</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Argélia</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Nepal</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Bolivia</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Honduras</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Nicarágua</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
</tr>
<tr>
<td>Zimbábue</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Palestina</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Namíbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>5</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>10 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>6 Contra+abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Os países relacionados na Figura 27 estão alocados no grupo 3 com base em duas preocupações essenciais: o grau relativo em que são alvos de mudança de regime e seu papel na promoção de posições anti-imperialistas, de forma pública, no âmbito internacional. Os países deste grupo ou são os próximos da fila nas tentativas de promover mudanças de regime (logo atrás do Grupo 2) ou estão desempenhando um papel nítido e aberto de enfrentar os interesses do campo imperialista.</p>
<p>Entre os exemplos de países que buscam promover agendas progressistas estão o Brasil sob o governo do Partido dos Trabalhadores (PT) e a África do Sul sob a aliança tripartite (que inclui o Congresso Nacional Africano, o Partido Comunista Sul-Africano e o Congresso dos Sindicatos Sul-Africanos). O primeiro demonstra liderança na construção de instituições intergovernamentais alternativas, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) em 2008, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em 2011 e o Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas), que foi complementado pelo Brics em 2009. Já a África do Sul desempenha um papel importante na construção da União Africana. Por vezes, esses países defendem posições internacionais progressistas, como o apoio a Cuba contra as sanções dos EUA em organizações internacionais. O Nepal aboliu a monarquia em 2008, estabeleceu uma república liderada pela esquerda e alcançou avanços significativos na emancipação legal e política de comunidades historicamente marginalizadas.</p>
<p>A Palestina está sob ocupação e cerco há mais de sete décadas. A Argélia tem dedicado apoio firme à autodeterminação e independência palestina e, dentro da União Africana, tem sido influente na promoção de posições progressistas sobre o desenvolvimento econômico e a unidade africana. Depois do golpe popular no Níger, a Argélia foi o único Estado africano a defender, de imediato, soluções não militares para as crises políticas.</p>
<p>Esses países estão buscando um caminho de desenvolvimento soberano em um sistema capitalista global, mas enfrentam graves contradições internas. Por exemplo, a África do Sul foi obrigada a fazer concessões econômicas significativas na década de 1990, inclusive com desindustrialização e privatização, o que levou a consequências catastróficas. Hoje, 57% da população do país vive abaixo da linha da pobreza, 46% está desempregada, e a participação da indústria manufatureira no PIB caiu de 25% em 1981 – durante o regime do <em>apartheid </em>– para 12% em 2022.<a href="#_edn97" name="_ednref97"><sup>99</sup></a></p>
<p>Ao contrário da China, por exemplo, essas nações tiveram seu potencial revolucionário reduzido – ou suas revoluções não culminaram no socialismo –, mas buscaram apostar em agendas progressistas nas esferas doméstica, regional e/ou internacional. São países que os EUA consideram ter posições políticas hostis à hegemonia do Norte Global. Muitos sofreram intervenções dos EUA, guerras híbridas, sanções e quedas de governos. Entre os exemplos recentes dessas intervenções estão os golpes em Honduras (2009), no Brasil (2016) e na Bolívia (2019). O Zimbábue continua sofrendo sanções dos EUA.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 4 do Sul Global: Cinco países recentemente não alinhados</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 28</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 4: Recém não alinhados</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Índia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">1.417</td>
<td style="text-align: right;">11.901</td>
<td style="text-align: right;">5,7%</td>
<td style="text-align: right;">8.398</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
</tr>
<tr>
<td>Indonésia</td>
<td style="text-align: right;">1950</td>
<td style="text-align: right;">276</td>
<td style="text-align: right;">4.037</td>
<td style="text-align: right;">4,2%</td>
<td style="text-align: right;">14.687</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Países Baixos</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
</tr>
<tr>
<td>Turquia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">85</td>
<td style="text-align: right;">3.353</td>
<td style="text-align: right;">5,3%</td>
<td style="text-align: right;">39.314</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>México</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">128</td>
<td style="text-align: right;">3.064</td>
<td style="text-align: right;">1,2%</td>
<td style="text-align: right;">23.548</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1810</td>
</tr>
<tr>
<td>Arábia Saudita</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">36</td>
<td style="text-align: right;">2.150</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">66.836</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1.942</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>24.505</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>12.634</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>3 Col</strong></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>24,3%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>15,0%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 28</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 4: Recém não alinhados</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Índia</td>
<td style="text-align: right;">81.363</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Indonésia</td>
<td style="text-align: right;">8.987</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Turquia</td>
<td style="text-align: right;">10.645</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">12</td>
</tr>
<tr>
<td>México</td>
<td style="text-align: right;">8.536</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Arábia Saudita</td>
<td style="text-align: right;">75.013</td>
<td style="text-align: right;">5,7</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">21</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>184.543</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>1</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>4</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>34</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>6,4%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 28</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 4: Recém não alinhados</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Índia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;">Original</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Indonésia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Turquia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>México</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Arábia Saudita</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>4 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>1 Abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Com economias de escala consideráveis, o não alinhamento recente que caracteriza os países do grupo 4 é econômico, não político (Figura 28). Esses países não são socialistas e não estão reanimando o projeto político do Movimento dos Não Alinhados. A maioria teve 50 anos ou mais de independência dos antigos poderes coloniais e, hoje, tem relações muito diferentes com eles.</p>
<p>Economicamente, os cinco não alinhados têm PIBs significativos (estavam entre as 20 maiores economias em termos de PIB [PPC] em 2022) e estão tomando medidas econômicas cada vez mais independentes.</p>
<p>Esses países reconheceram que o acúmulo de reservas cambiais pelos EUA e as sanções contra países com 30% da população mundial representam graves ameaças globais. Atualmente, mais de um em cada quatro países está sofre sanções da ONU e de governos ocidentais, enquanto 29% do PIB global é produzido em países afetados por sanções. Na década de 1960, esse número ficava em 4%.<a href="#_edn98" name="_ednref98"><sup>100</sup></a></p>
<p>Politicamente, trata-se de um grupo ambivalente. Militarmente, a Indonésia, a Turquia e a Arábia Saudita mantêm relações muito próximas com os Estados Unidos. A Arábia Saudita é um dos maiores compradores de armas avançadas dos EUA. Recep Tayyip Erdoğan, da Turquia, é um parceiro menos confiável para o Ocidente, apesar de o país ser membro da Otan.</p>
<p>Esse grupo apresenta comportamentos bastante contraditórios no cenário internacional. Há algum grau de lenta redução da dependência econômica e do alinhamento com o Ocidente e/ou há algum preparo para se opor a ele em algumas questões importantes.</p>
<p>Apesar do alinhamento da Índia com os EUA em organizações como o Quad e de suas posições reacionárias em relação a Israel na guerra contra Gaza, desde o início da guerra na Ucrânia, o país tem se recusado a atender a algumas exigências importantes dos EUA, como a implementação de sanções contra a Rússia. O ministro das Relações Exteriores, S. Jaishankar, defendeu com veemência a recusa de seu governo em ceder à pressão de Washington, afirmando em uma coletiva de imprensa, em junho de 2023: “Muitos americanos ainda têm na cabeça a construção do tratado da Otan… Fica quase parecendo que esse é o único modelo ou ponto de vista com o qual eles olham para o mundo… Esse não é um modelo que se aplica à Índia”.<a href="#_edn99" name="_ednref99"><sup>101</sup></a> O conflito com o Canadá, e agora com os EUA, sobre supostas operações de inteligência indiana em seus países, está complicando o plano dos EUA de obter o apoio da Índia contra a China. A grande burguesia nacional indiana está começando a fazer valer seus interesses.</p>
<p>A Arábia Saudita discorda dos EUA quando seus interesses econômicos assim determinam, por exemplo, ao aumentar os investimentos entre o país e a China (incluindo acordos para a comercialização de petróleo em yuan chinês) e utilizar sua parceria com a Rússia na Opep+ para definir o preço global do petróleo. No entanto, ao mesmo tempo, durante os preparativos para a cúpula da Liga Árabe em novembro de 2023, a Arábia Saudita bloqueou os esforços da Argélia para fechar as bases dos EUA, bloqueou a ajuda militar proposta pelo Irã para a Palestina, impediu um boicote comercial proposto e se recusou a reduzir as remessas de petróleo para Israel. O Pentágono, a CIA e a Arábia Saudita foram aliados de primeira linha na recente guerra contra o Iêmen, que tirou dezenas de milhares de vidas. As Forças Especiais dos EUA forneceram aos pilotos sauditas as coordenadas para o bombardeio de alvos.<a href="#_edn100" name="_ednref100"><sup>102</sup></a></p>
<p>A Indonésia, que abriga a maior população islâmica do mundo, teve uma taxa de crescimento média composta do PIB (PPC) de 4,2% entre 2012 e 2022.<a href="#_edn101" name="_ednref101"><sup>103</sup></a> De acordo com as previsões do FMI, até 2030, o país poderá se tornar a quinta maior economia do mundo em termos de PIB (PPC). A participação dos ativos de suas empresas estatais no PIB aumentou de 43%, em 2014, para 54%, em 2018.<a href="#_edn102" name="_ednref102"><sup>104</sup></a> Em 2020, a Indonésia proibiu a exportação de níquel bruto, componente essencial das baterias de lítio. O país foi responsável por 39% da produção global de níquel em 2022. Em termos correntes, suas exportações totais dispararam de US$ 183 bilhões para US$ 323 bilhões, entre 2020 e 2022.<a href="#_edn103" name="_ednref103"><sup>105</sup></a> No dia 2 de fevereiro de 2023, durante o Mandiri Investment Forum em Jacarta, o presidente Joko Widodo advertiu: “Devemos nos lembrar das sanções impostas pelos EUA à Rússia. Visa e Mastercard podem ser um problema”, afirmando também que, “se usarmos nossas próprias plataformas e todos as usarem, desde ministérios e administrações locais até governos municipais, estaremos mais seguros”. No entanto, em novembro de 2023, os EUA (participantes ativos na tortura e no assassinato de mais de 500 mil pessoas comunistas indonésias) e a Indonésia assinaram um acordo que atualiza suas relações em uma parceria estratégica abrangente.<a href="#_edn104" name="_ednref104"><sup>106</sup></a> A Indonésia retirou seu pedido de adesão ao Brics em 2023 e expressou interesse público em se tornar membro da OCDE.</p>
<p>O projeto imperial emergente dos EUA no México se consolidou efetivamente em 1846. Confrontado com uma guerra de agressão sob a lei internacional, o México foi forçado a trocar terras por paz e ceder 50% de seu território. A nova fronteira entre os dois países se tornou uma linha histórica que, internamente, constitui uma determinação inexorável e preestabelecida. Por outro lado, o México tem uma história que retorna incessantemente a suas raízes anticoloniais, à cultura indígena e à história moderna anti-imperialista. Há pouquíssima análise sobre a complexa interdependência entre os dois países, por exemplo, em termos de população, cultura e economia, mas talvez haja uma análise mais significativa em termos de segurança geopolítica para a viabilidade da hegemonia dos EUA.<a href="#_edn105" name="_ednref105"><sup>107</sup></a> Em vários níveis, o governo de López Obrador é uma tentativa dos movimentos sociais mexicanos de lançar uma reforma contra-neoliberal de baixa intensidade. Concentra-se na recuperação da propriedade pública de todos os recursos estratégicos, no lançamento de uma nova reforma agrária e na reivindicação da terra como propriedade social. A atual reforma agrária do México garante por lei o registro de 50,6% do território como propriedade social comunitária nas mãos de comunidades camponesas e indígenas (29.803 comunas agrárias em 99,7 milhões de hectares). No entanto, o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, anteriormente denominado Acordo de Livre Comércio da América do Norte) de 2020 representa um impeditivo constante para a desconexão ou desvinculação da posição política do México, diante do Sul Global emergente. Em junho de 2023, os EUA iniciaram procedimentos preliminares (por meio da arbitragem do USMCA) para bloquear o decreto presidencial que tomaria uma série de medidas para proibir o milho geneticamente modificado, que representa 96% das exportações de milho dos EUA.<a href="#_edn106" name="_ednref106"><sup>108</sup></a> Os EUA estão exibindo políticas mais agressivas e intervencionistas para minar as conquistas históricas da soberania mexicana, que foram alcançadas após longas e duras batalhas. Em 2022, o presidente mexicano López Obrador se recusou a participar da VIII Cúpula das Américas em Los Angeles, depois que veio a público a notícia de que os Estados Unidos não convidariam lideranças cubanas, venezuelanas e nicaraguenses para a reunião.</p>
<p>Os cinco países deste grupo têm diferentes perspectivas políticas, econômicas e militares e diferentes níveis de proximidade, com nuances diversas, com o Norte Global. No entanto, suas novas e crescentes burguesias nacionais estão aos poucos buscando relações econômicas alternativas e divergências políticas ocasionais com os EUA, embora por interesse próprio e autopreservação. A questão da nova burguesia nacional que está surgindo no Sul Global está fora do escopo deste texto; ela será abordada em nossa pesquisa de 2024 sobre formação e propriedade de capital no Sul Global.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5 do Sul Global: Cento e onze países diversos do Sul Global</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 29</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, 20 países principais, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">111</td>
<td style="text-align: right;">1.676</td>
<td style="text-align: right;">4,3%</td>
<td style="text-align: right;">16.174</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1922</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
<td style="text-align: right;">236</td>
<td style="text-align: right;">1.520</td>
<td style="text-align: right;">4,0%</td>
<td style="text-align: right;">6.695</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
<td style="text-align: right;">72</td>
<td style="text-align: right;">1.482</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">21.154</td>
<td style="text-align: center;">Semi-colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, França</td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;">1974</td>
<td style="text-align: right;">171</td>
<td style="text-align: right;">1.343</td>
<td style="text-align: right;">6,5%</td>
<td style="text-align: right;">7.971</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">219</td>
<td style="text-align: right;">1.281</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">5.909</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">46</td>
<td style="text-align: right;">1.226</td>
<td style="text-align: right;">0,3%</td>
<td style="text-align: right;">26.484</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha, Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1816</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">1.137</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">34.834</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">835</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">84.657</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">719</td>
<td style="text-align: right;">3,3%</td>
<td style="text-align: right;">127.563</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">19</td>
<td style="text-align: right;">603</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">30.523</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">579</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">29.221</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1818</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">523</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">15.310</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">44</td>
<td style="text-align: right;">505</td>
<td style="text-align: right;">2,7%</td>
<td style="text-align: right;">11.948</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1932</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
<td style="text-align: right;">37</td>
<td style="text-align: right;">363</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">9.900</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França, Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">123</td>
<td style="text-align: right;">358</td>
<td style="text-align: right;">8,4%</td>
<td style="text-align: right;">3.435</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">35</td>
<td style="text-align: right;">340</td>
<td style="text-align: right;">5,9%</td>
<td style="text-align: right;">9.634</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">22</td>
<td style="text-align: right;">320</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">14.267</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;">1963</td>
<td style="text-align: right;">54</td>
<td style="text-align: right;">311</td>
<td style="text-align: right;">4,5%</td>
<td style="text-align: right;">6.151</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1963</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">309</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">109.160</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
<td style="text-align: right;">54</td>
<td style="text-align: right;">261</td>
<td style="text-align: right;">3,3%</td>
<td style="text-align: right;">4.847</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
</tr>
<tr>
<td>…</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2.242</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>21.171</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>9.687</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>103 Col+SemiCol</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>28,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>12,9%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI. Nota: os totais se referem aos 111 países do grupo 5, detalhados na figura 56</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 29</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, 20 países principais, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;">4.646</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">7</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;">10.337</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;">5.724</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;">4.806</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;">3.109</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;">2.578</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;">3.671</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">11.688</td>
<td style="text-align: right;">5,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;">1.133</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;">5.566</td>
<td style="text-align: right;">0,8</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;">2.845</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;">4.683</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;">4.995</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;">1.031</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;">1.053</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;">1.138</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">15.412</td>
<td style="text-align: right;">15,9</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;">1.857</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>…</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>131.182</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>17</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>63</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>192</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>4,6%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War. Nota: os totais se referem aos 111 países do grupo 5, detalhados na figura 56</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 29</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, 20 países principais, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>…</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>17</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>77 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>20 Abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights. Nota: os totais se referem aos 111 países do grupo 5, detalhados na figura 56</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Existem 111 países que não foram incluídos nos quatro grupos anteriores do Sul Global acima, em função de múltiplas diversidades. A Figura 29 apresenta uma relação das vinte maiores economias entre eles; a lista completa está no apêndice. Esses países não compartilham as mesmas visões políticas nem os mesmos sistemas governamentais. Essuatíni, Qatar e Butão ainda são governados por monarquias, enquanto Líbia, Síria e Somália não têm uma única autoridade governamental. Alguns países abandonaram as agendas socialistas depois de serem tolhidos pelo financiamento ocidental ao desenvolvimento, como no caso de Angola e Moçambique. Por causa da intervenção política e econômica imperialista, diversos países deste grupo sofrem grave disfuncionalidade governamental (colapso da governança, da autoridade e da lei) e são quase totalmente incapazes de prover o sustento de sua população.</p>
<p>O desempenho econômico desses países varia significativamente. Por exemplo, apesar de a Nigéria ser a segunda maior economia da África e ter um PIB (PPC) quatorze vezes maior que o do Camboja, a primeira teve uma taxa de crescimento médio anual negativa de 0,4% entre 2012 e 2022, enquanto a segunda cresceu 5,3%.</p>
<p>Entre esses países, há diferentes níveis de lealdade militar ao Norte Global. O Egito tem sido um parceiro estratégico de Israel e dos Estados Unidos desde 1979, enquanto Bangladesh, Comores e Djibuti participaram da apresentação de um caso ao Tribunal Penal Internacional sobre a situação no Estado da Palestina no dia 17 de novembro de 2023.</p>
<p>Há neste grupo uma série de conflitos internos e disputas territoriais, como no caso da ocupação colonial do Saara Ocidental pelo Marrocos, iniciada em 1975.<a href="#_edn107" name="_ednref107"><sup>109</sup></a> Outros, como a República Democrática do Congo e o Haiti, estão sujeitos a intervenções militares da ONU, das quais participam outros países do Sul Global.</p>
<p>Os países do Grupo 5 participam de diversas articulações multilaterais com nações do Sul Global e do Norte Global. O pertencimento a este grupo pode mudar caso um país desenvolva características mais distintivas. Por exemplo, embora a Argentina tenha desempenhado papéis historicamente progressistas na América Latina, a recente guinada à direita impede a inclusão do país no grupo 3 hoje. Portanto, a posição nos grupos não é estática ou permanente.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 6 do Sul Global: Duas efetivas colônias militares dos EUA</h3>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 30</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 6: Altamente militarizados pelos EUA</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">52</td>
<td style="text-align: right;">2.780</td>
<td style="text-align: right;">2,7%</td>
<td style="text-align: right;">53.845</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Japão</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
</tr>
<tr>
<td>Filipinas</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">116</td>
<td style="text-align: right;">1.171</td>
<td style="text-align: right;">4,9%</td>
<td style="text-align: right;">10.495</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha, EUA</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>167</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3.951</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>24.210</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>2 Col</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2,4%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 30</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 6: Altamente militarizados pelos EUA</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ajust. per capita<br>
&gt; média mundial<br>
(vezes)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td style="text-align: right;">46.365</td>
<td style="text-align: right;">2,5</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">62</td>
</tr>
<tr>
<td>Filipinas</td>
<td style="text-align: right;">3.965</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">11</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>50.331</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"><strong>2</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>73</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>1,8%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 30</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 6: Altamente militarizados pelos EUA</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, países classificados pelo PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Afiliações internacionais</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Votos na ONU</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Filipinas</td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td style="text-align: center;"><strong>0 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>0 Contra+abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>Os povos dessas duas nações (Figura 30) estão em grande medida alinhados com o Sul Global. Ambos os países já tiveram tanto líderes pró-EUA quanto também líderes de inclinação mais independente. No entanto, são, do ponto de vista militar, totalmente controlados pelos EUA.</p>
<p>Historicamente, as duas nações foram subordinadas aos EUA por meio de conquistas militares: após a Segunda Guerra Mundial, quando os EUA ocuparam militarmente a península coreana e, mais tarde, no final da Guerra da Coreia, a República da Coreia manteve uma grande presença militar dos EUA. Sua reconstrução econômica foi financiada e dirigida quase na totalidade pelos EUA. Após a Guerra Hispano-Americana, as Filipinas passou quase cinco décadas como colônia dos EUA (1898-1946).</p>
<p>Essa vassalagem é evidente nos dias de hoje: após as eleições de Yoon Suk-yeol na República da Coreia e de Ferdinand Marcos Jr. nas Filipinas em 2022, ambos têm servido como posições de linha de frente na contenção da China. Em fevereiro de 2023, as Filipinas convidaram os EUA a expandir sua presença militar no país, acrescentando mais quatro bases às cinco já existentes e operadas pelos EUA – isso 30 anos depois de ter aprovado leis para encerrar permanentemente a presença militar estadunidense no país. A República da Coreia também aumentou essa expansão militar, <a href="https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2023/08/18/the-spirit-of-camp-david-joint-statement-of-japan-the-republic-of-korea-and-the-united-states/">participando</a>, ao lado do Japão, “da inauguração de uma nova era de parceria trilateral” com os EUA.<a href="#_edn108" name="_ednref108"><sup>110</sup></a> Além disso, o Acordo de Segurança Geral de Informações Militares entre o Japão e a República da Coreia, facilitado pelo alinhamento próximo dos EUA, expande o compartilhamento de inteligência entre os dois países para incluir “ameaças da China e da Rússia”.<a href="#_edn109" name="_ednref109"><sup>111</sup></a> Seus gastos militares devem ser atribuídos ao bloco militar liderado pelos EUA.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 31</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Países do Sul Global com gasto militar per capita superior a média mundial (excl. Rússia)</h3>
<p>2022</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th>Nome do país</th>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">dólares (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Percentual do PIB<br>
(TCC)</th>
<th style="text-align: right;">Per Capita<br>
<span class="single-post--table-heading--small">&gt;média mundial<br>
(vezes)</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Arábia Saudita</td>
<td style="text-align: right;">75.013</td>
<td style="text-align: right;">6,8%</td>
<td style="text-align: right;">5,7</td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. da Coreia</td>
<td style="text-align: right;">46.365</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">2,5</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">15.412</td>
<td style="text-align: right;">6,5%</td>
<td style="text-align: right;">15,9</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">11.688</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">5,4</td>
</tr>
<tr>
<td>Kuwait</td>
<td style="text-align: right;">8.244</td>
<td style="text-align: right;">4,7%</td>
<td style="text-align: right;">5,4</td>
</tr>
<tr>
<td>Omã</td>
<td style="text-align: right;">5.783</td>
<td style="text-align: right;">5,0%</td>
<td style="text-align: right;">3,5</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbano</td>
<td style="text-align: right;">4.739</td>
<td style="text-align: right;">21,8%</td>
<td style="text-align: right;">2,4</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahrein</td>
<td style="text-align: right;">1.381</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">2,6</td>
</tr>
<tr>
<td>Uruguai</td>
<td style="text-align: right;">1.376</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">1,1</td>
</tr>
<tr>
<td>Brunei</td>
<td style="text-align: right;">436</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">2,7</td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="4">Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados do FMI, ONU, SIPRI e Monthly Review</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<p>A Figura 31 traz a relação de todos os países do Sul Global com gastos militares superiores à média mundial (exceto a Rússia, que foi apresentada anteriormente). Muitos desses países têm relações militares próximas com os Estados Unidos, mas não estão listados no Grupo 6.</p>
<h1>PARTE IV: Ocidente em declínio</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">A erosão da hegemonia econômica e política dos Estados Unidos</h2>
<p>A desaceleração do crescimento econômico dos EUA, medida pela desaceleração da taxa de crescimento do PIB, pela queda da fatia do investimento líquido no PIB, pelos níveis mais altos de capacidade produtiva não utilizada e pelo desemprego/subemprego, começou em meados da década de 1960 e se acelerou a partir da primeira metade da década de 1970. <a href="#_edn110" name="_ednref110"><sup>112</sup></a>transição para que os EUA se tornassem um importador líquido de capital exacerbou as contradições do capital monopolista.</p>
<p>A conta de capital dos EUA passou a depender da importação contínua de capital em larga escala a partir da década de 1980. Essa mudança é fundamental para um processo de geração de riqueza financeirizada e um mecanismo econômico crucial do imperialismo estadunidense. Os ativos de capital do mundo estão predominantemente em dólares estadunidenses e alimentam a posição geral do capital monopolista-financeiro dos EUA.</p>
<p>Em 2009, os EUA começaram a planejar sua reorientação para a Ásia para coibir o crescimento econômico da China. Durante o período de Obama, os EUA começaram movimentos contra a Organização Mundial do Comércio. Esse período também marcou o aumento da adoção de tarifas, sanções, medidas protecionistas e guerras híbridas.</p>
<p>Como agora dependem de importações líquidas de capital em larga escala, que em 2022 atingiram US$ 1 trilhão por ano, os EUA têm pouca capacidade econômica interna de oferecer vantagens econômicas aos seus aliados do Norte Global e do Sul Global.<a href="#_edn111" name="_ednref111"><sup>113</sup></a> Com efeito, o país precisa continuar tentando extrair ainda mais excedentes deles.</p>
<p>Sob o neoliberalismo, a autonomia relativa dos EUA diminuiu, e o capital privado passou a exercer um controle mais direto sobre grande parte do Estado. Hoje, no entanto, diante das crescentes ameaças econômicas internacionais à posição dos EUA e do fracasso do neoliberalismo em manter o domínio econômico do país, os interesses políticos coletivos da classe dominante estão sendo afirmados por um Estado cada vez mais autônomo (em vez de representar os interesses de grupos capitalistas individuais). Citando Lênin, “a política”, também para os capitalistas, “deve prevalecer sobre a economia”.<a href="#_edn112" name="_ednref112"><sup>114</sup></a></p>
<p>A financeirização ou acumulação sob a fase do capital monopolista-financeiro é realmente um desenvolvimento parasitário que visa tirar sangue de uma esponja e marcar a crise estrutural do capital. O capital estadunidense tem uma contradição interna. À medida que busca aumentar a extração de excedente de sua própria classe trabalhadora, o capital dos EUA corre o risco de perder o apoio para suas guerras militares externas, que têm como objetivo remover obstáculos internacionais aos interesses econômicos capitalistas do país.</p>
<p>A classe dominante dos EUA é, portanto, forçada a atacar simultaneamente o Sul Global e sua própria classe trabalhadora – e isso exigiu o surgimento de correntes cada vez mais à direita no capitalismo estadunidense. Na década de 1930, os EUA tinham reservas suficientes para enfrentar uma crise profunda do capitalismo com um programa doméstico reformista, ao contrário do ataque aberto à classe trabalhadora promovido na Alemanha e no Japão. Diferente do que se alega popularmente, os EUA não escaparam da depressão econômica devido ao <em>New Deal</em> keynesiano, mas foi preciso haver a Segunda Guerra Mundial para isso. Hoje, nessa nova situação, os EUA não têm outra alternativa a não ser combinar a agressão externa com uma agenda interna cada vez mais repressiva.</p>
<p>Os EUA utilizam a inflação para tentar aumentar os lucros, uma tendência exacerbada pelos gastos militares e pela dívida contraída. Os juros da dívida militar dos EUA representam mais de 70% do pagamento líquido de juros do governo federal dos EUA. Na década de 1970, os EUA conseguiram administrar as consequências de sua Bonança do Vietnã em gastos militares ao se retirar do padrão ouro para empurrar o custo dessa dívida para outros países. Esse ataque bem-sucedido contra os rivais imperialistas fortaleceu o poder econômico e financeiro dos EUA em relação a eles.</p>
<p>É necessário adotar uma perspectiva histórica precisa, bem como das mudanças de curto prazo, ao analisar o possível declínio de um império. Na Europa, a transição da escravização para o feudalismo levou vários séculos, assim como a transição do feudalismo para o capitalismo. A França ainda lutava contra os resquícios do feudalismo no século XIX, centenas de anos depois do início do capitalismo europeu em pequena escala nas cidades-Estado italianas.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95694 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-32-2-e1706557317241.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-32-5.png"></div>
<p>O declínio econômico relativo de um Estado imperialista pode ser identificado por sua necessidade crescente de extrair capital do exterior. O Reino Unido e os EUA seguem uma tendência histórica semelhante. O Reino Unido deixou de ser um exportador de capital no início da década de 1930 (Figura 32).</p>
<p>O balanço de pagamentos de um país equivale à diferença entre a criação de capital doméstico (poupança/excedente) e o investimento de capital doméstico. Se a criação de capital “doméstico” de um país for maior do que seu investimento doméstico, ele estará, portanto, exportando capital e terá um superávit no balanço de pagamentos. Se a criação de capital interno de um país for menor que seu investimento de capital “doméstico”, ele terá um déficit no balanço de pagamentos e estará importando capital, ou seja, terá um superávit em sua conta de capital.</p>
<p>Entre 1913 e o início da década de 1980, com raras exceções, os EUA geraram mais excedentes do que investiram “internamente”. O país tinha um excedente de capital que podia investir em outros países e estender sua hegemonia internacional não apenas por meio da violência. Após a Segunda Guerra Mundial, os beneficiários específicos desse cenário foram os países imperialistas que os EUA desejavam lograr, integrar e dominar, como visto no Plano Marshall na Europa. Outros beneficiários, como a República da Coreia, tornaram-se Estados da fronteira militar explorada para coibir Rússia e China e, por isso, receberam investimentos econômicos dos EUA.</p>
<p>No final da década de 1960, os EUA entenderam que a ameaça mais urgente era econômica, e não política, e não vinha do comunismo. A atenção começou a se concentrar em coibir o crescimento de outros rivais capitalistas. Algumas economias capitalistas – primeiro a Alemanha no período imediatamente após a guerra, depois o Japão até o final da década de 1970 – alcançaram taxas de investimento muito superiores às dos EUA, chegando a 30% do PIB ou mais. Isso permitiu que esses países alcançassem taxas de crescimento do PIB mais altas que as dos EUA. Esse foi um resultado histórico das imensas derrotas das classes trabalhadoras alemã e japonesa pelo fascismo, cujas consequências continuaram no período pós-guerra. Os capitalistas alemães e japoneses conseguiram aumentar as taxas de exploração, o que financiou altas taxas de investimento de capital. Ao mesmo tempo, sua “industrialização tardia” também lhes permitiu ter acesso a tecnologia de melhor qualidade, o que aumentou ainda mais a produtividade. Embora os EUA estivessem preparados para aceitar as consequências econômicas disso no período imediato do pós-guerra, a continuação desse processo começou a afetar seu crescimento econômico.</p>
<p>Para evitar a concorrência econômica efetiva desses países, os Estados Unidos usaram pressão política e militar para forçar a redução das taxas de investimento e, portanto, das taxas de crescimento. A desvinculação do dólar estadunidense do ouro em 1971 e, portanto, a eliminação das restrições do uso do controle dos EUA como arma contra o sistema monetário internacional, desempenhou um papel fundamental nesse processo.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95704 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-33-1-e1706557372879.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-33-4.png"></div>
<p>Os números na Figura 33, positivos e negativos, mostram o balanço entre a poupança/criação de capital doméstico e o investimento doméstico ao longo de 120 anos. Um número positivo, por exemplo, 0,8% em 1929, significa que os EUA estão poupando/criando mais capital do que investindo internamente, ou seja, estão emprestando/exportando capital para o exterior. Um número negativo, como, por exemplo, -3,9% do Produto Nacional Bruto (PNB) em 2022, significa que o investimento interno dos EUA é maior do que a criação/poupança de capital interno dos EUA. Portanto, há um influxo de capital de 3,9% do PNB do exterior. Um número positivo representa uma saída de capital, e um número negativo indica uma entrada de capital no país.<a href="#_edn113" name="_ednref113"><sup>115</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95714 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-34-2-e1706557441311.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-34-4.png"></div>
<p>Mas, apesar dessa capacidade de desacelerar os rivais imperialistas, os EUA se mostraram incapazes de aumentar sua própria taxa de crescimento econômico (para alcançar uma nova taxa mais alta de investimento e exploração). Isso se deu, em parte, por causa da retirada dos capitalistas dos EUA dos investimentos produtivos de longo prazo feitos no país. Na verdade, o crescimento econômico dos EUA desacelerou ainda mais – sua média anual de crescimento econômico hoje é de apenas 2,0%, menos da metade da taxa de crescimento registrada na década de 1960 e muito atrás da taxa de crescimento da China ou mesmo de uma série de Estados asiáticos. A Figura 34 mostra que, desde 1953, os EUA vêm enfrentando um declínio geral histórico na taxa média de crescimento.</p>
<p>Confrontados com essa situação, os EUA passaram então a recorrer à adoção de tarifas, sanções econômicas e proibições de tecnologia, o que levou a um ambiente cada vez mais protecionista. No entanto, apesar desse declínio econômico, conforme já analisado, os EUA ainda mantêm uma liderança militar sobre todos os outros Estados. Assim, o imperialismo estadunidense agora se volta para uma crescente dependência da força.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95724 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-35-2-e1706557482632.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-35-4.png"></div>
<p>Identificando os processos por trás disso e mostrando a incapacidade dos EUA de aumentar sua taxa de crescimento sem uma reestruturação completa da economia (algo que não está na pauta), a Linha 1 da Figura 35 mostra que, a partir de 1965, a poupança líquida/criação de capital dos EUA caiu progressivamente até atingir, em 2009, o patamar de -2,7% da RNB. A linha 2 mostra que, a partir da década de 1980, os empréstimos tomados pelos EUA do exterior – o uso de capital importado de outros países – começou a aumentar acentuadamente. Em 2002, pela primeira vez, esses empréstimos foram maiores do que a criação líquida de capital doméstico; ou seja, pela primeira vez, até mesmo o aumento imediato no estoque de capital dos EUA estava sendo financiado mais por capital de outros países do que dos próprios EUA. Isso se reverteu ligeiramente e depois flutuou até 2020, quando, novamente, uma parte maior do acréscimo ao estoque de capital dos EUA foi financiado por outros países.</p>
<p>Para resumir esse processo geral, os EUA estruturaram a economia mundial a seu favor. Suas corporações obtêm quantidades colossais de mais-valor por meio da arbitragem global no Sul Global, e todo o sistema imperial força a entrada de dólares estadunidenses em outros países, não só via processos econômicos, mas também por bases militares dos EUA e outros meios. O objetivo é criar um sistema em que os países não tenham escolha a não ser colocar seus dólares estadunisenses em títulos dos EUA, financiando o déficit e o investimento interno dos EUA. É assim que funciona o capital monopolista-financeiro global, que é uma forma avançada de imperialismo financeiro apoiado pelo poder militar e político.</p>
<p>O que está perturbando esse sistema é o fato de o capital monopolista estar relativamente estagnado em termos de produção (economia real), o que permitiu que a China e outros países do Sul Global dessem um salto na produção. O livro <em>Super Imperialism,</em> de Hudson, traz uma contribuição sobre quais seriam as consequências caso os EUA perdessem a hegemonia do dólar.<a href="#_edn114" name="_ednref114"><sup>116</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95734 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-36-2-e1706557568977.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-36-4.png"></div>
<p>A Figura 36 mostra que a China ultrapassou os EUA em formação líquida de capital fixo, enquanto os EUA registraram declínio gradual. Ainda que esta seção não abranja a ascensão da China, deve-se observar aqui que, em todos os 30 anos desde 1992, o país tem sido exportador líquido de capital. É esse excedente de capital que torna o financiamento de iniciativas internacionais, como a Nova Rota da Seda, economicamente possível.</p>
<p>Esse se torna um fator decisivo para entender que dois núcleos de processos internacionais estão se desenvolvendo:</p>
<ul>
<li>Os EUA têm se tornado um empecilho cada vez maior para o desenvolvimento das forças produtivas em nível nacional e global.</li>
<li>A China agora está concentrada no desenvolvimento de suas forças produtivas nacionais e no trabalho com as nações em desenvolvimento como um todo. Isso apresenta um novo caminho para a modernização por meio do desenvolvimento das forças produtivas do mundo como um todo (por meio da NRS, da Iniciativa de Desenvolvimento Global e de vários projetos de industrialização em escala continental).</li>
</ul>
<h3 style="margin:2em 0;">O ocaso da democracia liberal burguesa</h3>
<p>Algumas pessoas de fora dos EUA têm historicamente mantido a ilusão de que a democracia estadunidense existe há séculos e que só recentemente foi desfigurada. Em 1776, as duas alas do capital do país, uma liderada por Alexander Hamilton e outra por Thomas Jefferson (que era proprietário de pessoas escravizadas), garantiram que somente homens brancos com propriedades, como eles, tivessem o direito de votar. De 1776 em diante, os direitos de propriedade foram sacralizados e subordinaram todos os outros direitos.</p>
<p>A “liberdade de expressão” era efetivamente restrita a quem detinha os meios de produção material, que, como apontado por Karl Marx e Friedrich Engels em <em>A ideologia alemã </em>(1846), era em geral quem detinha os meios de produção mental, ou seja, a mídia, a começar pela imprensa. Em alguns casos, esse direito se estendia àqueles que sabidamente tinham pouco ou nenhum apoio, ou outros que não representavam ameaça ao sistema. Quem se opunha aos interesses da classe capitalista e tinha a chance de ter algum apoio significativo ficava sujeito não só a repressão, prisão e sanções, como também ao assassinato e à morte pelo uso criminoso da pena capital. A democracia burguesa sempre foi um veículo para proteger os direitos de propriedade. Foi apenas a pressão dos EUA para se defender de projetos socialistas internacionais no século XX e que ampliou temporariamente o direito ao voto para a população negra e aumentou a aparência de liberdade de expressão e outras liberdades civis.</p>
<p>Há um grande mal-entendido internacional sobre os partidos políticos dos EUA. Desde o início, nem os Democratas nem os Republicanos se constituíram como partidos de massa. Os dois são sobretudo associações hierárquicas das elites proprietárias e de aliados da classe média alta, estreitamente alinhados com o <em>status quo</em>. Não há praticamente influência de terceiros no sistema estadunidense, um duopólio de partidos políticos. O Comitê Nacional Democrata e o Comitê Nacional Republicano, que dirigem suas respectivas legendas, são formalmente organizados como empresas sem fins lucrativos e isentas de impostos. Trata-se, na essência, de máquinas de angariar votos baseadas no dinheiro, que em intervalos periódicos atraem eleitores no contexto de disputas eleitorais. Desse modo, são bastante distintos dos partidos políticos por filiação, como são muitas das legendas europeias. Ainda que existam democratas e republicanos filiados, isso afeta sobretudo o direito de votar nas primárias. Portanto, a vinculação partidária da grande maioria da população não vai além do voto que se deposita na urna de uma eleição. Assim, cerca de metade dos eleitores dos EUA se considera politicamente independente, sem vinculação com nenhum dos principais partidos. De fato, nenhum dos dois, quando no poder, reflete os interesses da maioria da população do país.</p>
<p>Uma das composições mais pungentes sobre a hipocrisia da autoproclamada grandeza dos Estados Unidos está em um poema de Langston Hughes:</p>
<blockquote><p>Que a América seja América outra vez.<br>
Que seja o sonho que já foi um dia.<br>
Que seja o pioneiro na planície<br>
Em busca de um lar onde seja livre.</p>
<p>(A América nunca foi América para mim).</p>
<p>Que a América seja o sonho que os sonhadores sonharam —<br>
Que seja aquela grande e forte terra de amor<br>
Onde nunca os reis conspiram nem os tiranos maquinam<br>
Para que se esmague um homem por um que está acima.</p>
<p>(Nunca foi América para mim.)</p>
<p>Ah, que minha terra seja terra onde a Liberdade<br>
se coroe sem falsa patriótica grinalda,<br>
Mas onde a oportunidade seja fato e a vida seja livre,<br>
A igualdade esteja no ar que se respira.</p>
<p>(Nunca houve igualdade para mim,<br>
nem liberdade nesta “pátria dos livres”).</p>
<p>…</p>
<p>Quem falou em livre? Não fui eu?<br>
Decerto não fui eu? Os milhões que estão sendo socorridos hoje?<br>
Os milhões que são abatidos quando fazemos greve?<br>
Os milhões que não têm nada em troca de nosso salário?<br>
Por todos os sonhos que sonhamos<br>
e todas as músicas que cantamos<br>
e todas as esperanças que tivemos<br>
e todas as bandeiras que penduramos,<br>
os milhões que não têm nada em troca de nosso salário —<br>
exceto o sonho que hoje está quase morto.<a href="#_edn115" name="_ednref115"><sup>117</sup></a></p></blockquote>
<p>Grande parte da classe capitalista no Norte Global e seus seguidores se entregaram a um período de euforia causado pelo fim da União Soviética em 1991. Eles se iludiram e acreditaram no “fim da história” com aspirações de um mundo unipolar perpétuo. A campanha da Guerra ao Terror defendida pelos EUA foi uma metodologia construída com brilhantismo para obter apoio ao militarismo.</p>
<p>Entre 2006 e 2009, novas realidades começaram a se estabelecer:</p>
<ul>
<li>O fim da União Soviética não resultou na promessa de Yeltsin de uma Rússia desnuclearizada, nem no estabelecimento permanente de um governo russo que seguisse totalmente as orientações dos EUA. Seguiram-se os gritos habituais de “quem fracassou na Rússia?”.</li>
<li>Os círculos estratégicos dos EUA começaram a anunciar a ideia (amoral e não científica) de que os EUA poderiam alcançar a capacidade de promover um ataque preventivo em uma guerra nuclear.</li>
<li>Diante da contínua expansão da Otan para o leste e das afirmações dos Estados Unidos de que o país estaria prestes a alcançar a primazia nuclear, Vladimir Putin fez um discurso em Munique em fevereiro de 2007, marcando o fim de qualquer ilusão de que a Rússia seria adotada pelo clube anglo-americano. Nesse discurso, Putin criticou o “hiperuso quase incontido da força – força militar – nas relações internacionais” e sugeriu que o mundo não deve ser governado por “um senhor, um soberano”.<a href="#_edn116" name="_ednref116"><sup>118</sup></a></li>
<li>Em 2007, a criação do Centro para uma Nova Segurança Americana (<em>Center for New American Security</em>) marcou um casamento histórico de dois grupos das elites da política externa, os neoconservadores, principalmente republicanos, e os intervencionistas liberais, em grande medida, democratas. Sua estratégia conjunta era atacar imediatamente a Rússia por meio da Ucrânia.</li>
<li>Liderado por neofascistas populistas, o Tea Party surgiu em 2009 e atraiu a pequena burguesia e uma parte dos estratos superiores (sobretudo brancos, ainda que não exclusivamente) da classe trabalhadora que havia feito pouco ou nenhum progresso econômico e temia a perda de privilégios. Isso sinalizou o fim do chamado consenso bipartidário que havia dominado o sistema dos EUA durante décadas.</li>
<li>A bolha causada pela financeirização transformou-se na Terceira Grande Depressão a partir de 2008, a mais relevante crise econômica desde a década de 1930.</li>
<li>Cresciam as evidências de que não haveria Gorbatchov na China para liderar a rendição da Revolução Chinesa.</li>
<li>Concebeu-se a “reorientação para a Ásia”, que é mais precisamente a reorientação para a China e uma estratégia para o controle da Eurásia pelos EUA.</li>
</ul>
<p>A economia da China continuou sua rápida expansão após o início da Terceira Grande Depressão, enquanto as economias ocidentais estavam anêmicas.<a href="#_edn117" name="_ednref117"><sup>119</sup></a> Em 2016, a China ultrapassou os EUA em termos de PIB (PPC), e havia um medo palpável de que, até 2030, também ultrapassasse o PIB em termos de taxa de câmbio corrente (TCC). A classe dominante estadunidense precisava de uma resposta.</p>
<p>O neofascismo e as forças de extrema direita cresceram em todo o mundo. Obama, o presidente democrata, adotou medidas internas regressivas que teriam causado inveja nos governos republicanos anteriores. A eleição de Trump enfraqueceu a identidade compartilhada dos interesses da burguesia e ampliou a consciência sobre as limitações do sistema político dos EUA.</p>
<p>No âmbito internacional, essa situação também marcou a retomada da consciência global de que o imperialismo é o maior perigo enfrentado pela humanidade. Diante do evidente fracasso do neoliberalismo, que culminou na Terceira Grande Depressão, iniciou-se um novo movimento para reverter alguns aspectos do esvaziamento do Estado que o neoliberalismo havia produzido.</p>
<p>Para compreender exatamente os eventos que se seguiram ao início da Terceira Grande Depressão, é preciso avaliar os 60 anos anteriores. Em 1964, o republicano Barry Goldwater, capitalista de extrema direita, perdeu a eleição geral, mas conseguiu trazer a extrema direita para a corrente principal do Partido Republicano e do país. Os democratas perderam a eleição de 1968 para Richard Nixon, republicano de centro, que conquistou o voto da população branca do sul do país e introduziu um novo sistema institucional de encarceramento de base racista, seguido por ambos os partidos desde então. O Partido Democrata iniciou um período de racha interno e começou a abandonar qualquer posicionamento à esquerda em nome da “elegibilidade” e da “triangulação”. Em vez disso, tentou capitalizar o embalo de direita dos republicanos.</p>
<p>A eleição de Ronald Reagan em 1980 marcou a efetiva tomada de controle do Partido Republicano pela extrema direita. Em 1985, a formação do Democratic Leadership Council (DLC), uma empresa privada, marcou o início de uma nova fase do Partido Democrata: a ascensão dos Novos Democratas.  Na lista de alguns ex-presidentes do DLC figuram nomes como Dick Gephardt, Chuck Robb, Sam Nunn e Joe Lieberman – todos defensores do intervencionismo militar, que favoreciam a transferência de gastos sociais para as forças armadas. O DLC conseguiu derrotar a esquerda, e sua maior vitória foi a conquista da presidência pelo candidato de sua escolha, Bill Clinton, em 1992.</p>
<p>Do ponto de vista do DLC, a virtude de Clinton era a possibilidade de trazer o sul branco de volta para o Partido Democrata, com um discurso à esquerda e uma prática à direita. Por exemplo, o então presidente adotou políticas contrárias ao bem-estar social e favoráveis ao encarceramento (duas posições com uma marca racial), ao mesmo tempo em que alegava ter uma agenda progressista. Menos antitrabalhista que Reagan, Clinton representou a estratégia democrata de tentar permanecer no “centro” em uma dinâmica política que havia se deslocado demais à direita, defendendo uma versão mais leve e gentil do neoliberalismo.</p>
<p>É útil pensar que os partidos Democrata e Republicano operam como empresas privadas, com receitas provenientes sobretudo de capitalistas diversos para atender aos interesses dos acionistas e dos principais executivos da corporação. No caso do Partido Democrata, isso inclui grupos como o Comitê Nacional Democrata (<em>Democratic National Committee </em>– DNC) e o Centro para o Progresso Americano (<em>Center for American Progress </em>– CAP).<a href="#_edn118" name="_ednref118"><sup>120</sup></a> O produto vendido são candidatos eleitos que implementam os interesses de seus financiadores. Entre as autoridades mais conhecidas estão John Podesta e Debbie Wasserman Schultz.</p>
<p>Uma vez eleitos, Tony Blair e Hillary Clinton se tornaram parasitas do Estado, ganharam dezenas de milhões de dólares e se juntaram aos escalões mais altos da classe capitalista. Pelo menos 85 das 154 pessoas de grupos de interesse privado que se reuniram ou tiveram conversas telefônicas agendadas com Hillary Clinton, enquanto ela liderava o Departamento de Estado sob o comando do presidente Obama, doaram um total de US$ 156 milhões para a Fundação Clinton.<a href="#_edn119" name="_ednref119"><sup>121</sup></a></p>
<p>O modelo de negócios do DNC exige a montagem de um conjunto díspar de blocos eleitorais e a necessidade de manipular inúmeros estratos, grupos e movimentos sociais. Atualmente, há uma divergência aguda entre os interesses das pessoas que votam no Partido Democrata e os interesses muito diversos dos tesoureiros do partido.</p>
<p>O escopo deste documento não inclui uma avaliação mais abrangente dessa questão. De todo modo, a ideia de uma democracia empresarial, na qual os conceitos de concorrência entre indivíduos e grupos capitalistas e a batalha para obter votos como em um mercado, vem desde Joseph Schumpeter.<a href="#_edn120" name="_ednref120"><sup>122</sup></a></p>
<p>Nos últimos vinte anos, o Partido Republicano se transformou ideologicamente. O surgimento do Tea Party em 2009 sinalizou tanto o crescimento de uma ideologia neofascista quanto a criação de um núcleo e uma base mais engajados. Embora o Partido Republicano também tenha rachas internos, o uso de grandes setores da classe média baixa como arma gerou uma direita radical que desestabiliza a democracia liberal burguesa.</p>
<p>Todas as contradições anteriores de raça, classe, gênero e identidade social foram transformadas em armas tanto pela extrema direita quanto pela corporação DNC para diferentes propósitos. A divisão social entre os diversos estratos dos EUA é aguda. No entanto, afirmações hiperbólicas de que os EUA estão caminhando para uma guerra civil são altamente enganosas. Não há base econômica para a Califórnia se separar dos EUA. Este não é o período pré-guerra civil nos EUA.</p>
<p>A partir de 1970, a classe trabalhadora estadunidense recebeu muito pouco dos vastos aumentos de riqueza criada pela dominação mundial dos EUA. Milhões de crianças sofrem com a insegurança alimentar, e o trabalho e a vida de seus pais estão precarizados. Os EUA estão passando por mudanças demográficas significativas. Algumas estimativas mostram que a população branca não hispânica se tornará minoria nos EUA até 2045, o que sugere que a trajetória do capitalismo racial do país se direciona a uma maior segregação e até mesmo ao <em>apartheid</em>.</p>
<p>O narcisismo, o pessimismo, o niilismo e o fatalismo são hoje características fundamentais de um capitalismo cada vez mais estagnado no Norte Global. As armadilhas tradicionais da democracia liberal burguesa estão se tornando grilhões para as necessidades do capital, que, ironicamente, está envolvido em um processo de autonegação.</p>
<p>Essas fissuras no sistema político dos EUA são importantes para a classe trabalhadora do país, que vive um desenvolvimento muito desigual de sua capacidade revolucionária. São grandes os perigos e as oportunidades. Não se pode ter a ilusão de que “quanto pior melhor”.</p>
<p>Simultaneamente a essa erosão da democracia liberal, milhões de jovens, de Jacarta a Istambul, de Joanesburgo a Des Moines, no estado de Iowa, passaram a participar da vida política com base em sua indignação moral, racial, religiosa e política. Isso foi recebido com severa repressão por Washington em seus papéis geopolíticos, econômicos e militares hegemônicos globais. Os Estados Unidos são uma potência hegemônica em declínio; uma potência ferida e, consequentemente, mais perigosa.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Europa e Japão derrotados e submissos</h2>
<p>Desde o final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos estão comprometidos com a integração militar, política e econômica dos países da Europa e do Japão em um bloco sob seu controle. Por meio da estrutura da Otan+, os EUA garantiram o domínio militar completo dentro do grupo imperialista, instalando diversas bases militares em países derrotados na Segunda Guerra Mundial, inclusive no Japão (120), na Alemanha (119) e na Itália (45). Esta última abriga mais de 12 mil militares estadunidenses.<a href="#_edn121" name="_ednref121"><sup>123</sup></a></p>
<p>A partir da década de 1950, os EUA colocaram as elites políticas europeias em sua órbita. Por meio do Plano Marshall, os interesses econômicos europeus foram subordinados aos dos EUA. Ao longo dos cinquenta anos seguintes, até mesmo os líderes imperialistas que ousaram se opor parcialmente aos interesses dos EUA – como Jacques Chirac (presidente da França entre 1995 e 2007) e Gerhard Schröder (chanceler da Alemanha de 1998 a 2005), ambos contrários à invasão do Iraque – foram alvo de substituição pelos EUA.</p>
<p>Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão, como Estado da linha de frente contra o comunismo soviético e chinês, foi autorizado a desenvolver rapidamente sua economia. No entanto, na década de 1980, a ascensão econômica do país começou a representar uma possível ameaça à hegemonia global dos Estados Unidos, levando ao aumento dos atritos comerciais bilaterais. Os Estados Unidos forçaram uma rápida valorização do iene japonês por meio do “Acordo de Plaza” de 1985, reduzindo as exportações e fazendo com que o Japão perdesse seu impulso econômico.<a href="#_edn122" name="_ednref122"><sup>124</sup></a> Em seguida, após o <em>crash </em>de Wall Street em 1987, os EUA obrigaram o Japão a adotar políticas monetárias e econômicas extremamente frouxas. O objetivo era aumentar o fluxo de capital para os EUA para ajudar a financiar a agressão internacional contra a URSS. Nesse processo, criou-se a “economia da bolha” no Japão, cujo estouro mergulhou o país em uma estagnação econômica que durou décadas.</p>
<p>Nos campos da tecnologia da informação e da nova energia, entre outras áreas de alta tecnologia, o Japão também enfrentou a repressão dos Estados Unidos, o que prejudicou sua modernização industrial. A Toshiba era líder mundial na fabricação de semicondutores em 1987, até sofrer sanções dos EUA sob o pretexto de que estaria fazendo acordos com a URSS (muito semelhante ao que os Estados Unidos fizeram com a chinesa Huawei). Os principais concorrentes da Toshiba, IBM e Intel, se beneficiaram dessa política de Estado dos EUA.</p>
<p>Após a queda da União Soviética e a subsequente reunificação da Alemanha, a burguesia alemã cobiçou os mercados e a energia de baixo custo da Rússia. Havia um desejo de estabelecer laços econômicos com a Rússia, mas somente enquanto, ao lado dos compatriotas franceses, fosse possível manter a dominação irrestrita do projeto europeu, que essa burguesia detinha desde a Segunda Guerra Mundial. Isso significava a construção de laços econômicos com a Rússia, mas a exclusão da liderança política russa de qualquer participação igualitária nos assuntos, nas decisões e nas estruturas políticas da Europa. A estratégia dos EUA, por sua vez, era evitar qualquer relacionamento estratégico entre Rússia e Alemanha, pois sua força combinada criaria um concorrente econômico formidável na Europa.</p>
<p>A propriedade do capital e dos meios de produção é sempre fundamental. Nos últimos 30 anos, a capacidade do capital de se movimentar com agilidade e facilidade entre as fronteiras dos países imperialistas aumentou exponencialmente. Os investimentos de capital têm um número definido de categorias primárias, incluindo ações, títulos, patrimônio privado, títulos da dívida pública, imóveis e muitas formas de derivativos. O mercado de ações é um dos veículos fundamentais para investimentos de longo prazo para a maioria dos capitalistas. Uma empresa alemã pode abrir seu capital nas bolsas de valores dos EUA ou da Alemanha. Grandes fundos, como o Vanguard, compram esses fundos, mas não são os proprietários efetivos, e sim agentes fiduciários efetivos do grande capital. Uma pequena porcentagem desse capital é de propriedade da pequena burguesia e de setores privilegiados da classe trabalhadora por meio de fundos de pensão e outros instrumentos.</p>
<p>Os acionistas originais dessa empresa podem em algum momento vender suas ações, agora abertas, e assim o fazem. Eles não dependem mais da administração de seu patrimônio por meio de seus investimentos em uma única empresa. Em vez disso, contratam gestores patrimoniais, seja por meio de empresas como a Goldman Sachs ou de seus próprios consultores, que, por sua vez, investem os recursos em dinheiro obtidos com a venda das ações. Os consultores de muitos capitalistas farão com que eles invistam bem mais de 50% de sua carteira nos mercados de ações dos EUA. Desse modo, a “riqueza familiar” do capitalista alemão não desaparece quando o valor da empresa alemã da qual ele era originalmente proprietário diminui.</p>
<p>São imensas as consequências econômicas, políticas e sociais dessa mudança nos mercados de capital e na propriedade. Esse novo capitalista global – que antes era “alemão” – se comporta de forma muito semelhante a seus pares franceses, ingleses, suecos e estadunidenses. Esse nível de integração e desnacionalização do capital resulta em uma lealdade aos EUA muito mais robusta em termos econômicos e, no limite, a reforça em termos políticos.</p>
<p>Tamanho nível de integração do mercado de ações e de capital raramente ocorre nos países do Sul Global, por muitas razões históricas. Um capitalista na Turquia tem muito mais dificuldade de abrir o capital de sua empresa nos EUA. O que o capitalista turco pode fazer é abrir o capital na Turquia, vender suas ações, transformar os lucros em dólares estadunidenses e depois investir esses dólares em ações nos EUA. Esse é o caminho mais comum de entrada dos capitalistas turcos na elite global. Esse processo, no entanto, é muito mais competitivo, menos frequente e mais longo, ocorrendo em menor quantidade.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;">
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95744 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-37-3-e1706557740726.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-37-5.png"></p>
</div>
<p>A Figura 37 mostra uma pesquisa da OCDE que indica a porcentagem de propriedade estrangeira efetiva de cada um dos principais mercados de ações do mundo.<a href="#_edn123" name="_ednref123"><sup>125</sup></a> Percebe-se que a Europa, de modo geral, tem uma alta porcentagem de propriedade estrangeira, enquanto os EUA, a China e a Arábia Saudita têm menos de 20% de propriedade estrangeira.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95754 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-38-2-e1706557775664.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-38-4.png"></div>
<p>Por exemplo, a situação atual da Alemanha ilustra nitidamente a eficácia desse processo de integração e consolidação econômica dos EUA, conforme mostrado na Figura 38. Segundo dados de 2020 da IHS Markit, apenas 13,3% do valor do mercado de ações alemão está nas mãos de alemães, enquanto investidores da América do Norte e do Reino Unido detêm 58,3%.<a href="#_edn124" name="_ednref124"><sup>126</sup></a> Um estudo de 2023 realizado pela Ernst &amp; Young revelou que, em 2022, pelo menos 52,1% do valor de mercado das 40 ações de maior liquidez que compõem o índice DAX da Alemanha eram de propriedade de fundos de fora do país. Das ações restantes, 16,5% eram de propriedade não identificada (muito provavelmente também de capital estrangeiro), e apenas 31,3% do valor de mercado estava nas mãos de alemães.<a href="#_edn125" name="_ednref125"><sup>127</sup></a> As principais empresas da economia alemã não são, em sua maioria, de propriedade de alemães.</p>
<p>Nos últimos 18 anos, o valor adicionado da indústria da Alemanha caiu de 9% do mundo para pouco mais de 6%.<a href="#_edn126" name="_ednref126"><sup>128</sup></a> É provável que a perda da energia barata russa e sua adaptação a essa dissociação, administrando-se os riscos, tenham efeitos desastrosos para a competitividade internacional do país. Além disso, o advento dos veículos elétricos (VE) levou a um enorme prejuízo com o fim da relevância do motor de combustão. Essa foi uma superioridade tecnológica centenária central desfrutada pela Alemanha.</p>
<p>Em 2022, o IED na Alemanha diminuiu 50,4% em relação ao ano anterior.<a href="#_edn127" name="_ednref127"><sup>129</sup></a> Ao longo de 15 trimestres, a partir do terceiro trimestre de 2019, o PIB da Alemanha aumentou apenas 0,6% no total, em preços constantes, enquanto a China cresceu 20,2% durante o mesmo período e os EUA, 8,1%.<a href="#_edn128" name="_ednref128"><sup>130</sup></a></p>
<p>Na mídia, os EUA dominam não só o Sul Global. O mercado europeu de televisão é, em grande parte, um negócio dos EUA: “Cerca de um em cada cinco (18%) canais de TV privados (excluindo a TV local) é de propriedade dos EUA e mais de um terço de todos os serviços SVOD (39%) e TVOD (33%) na Europa pertencem a alguma empresa dos EUA… Cerca de metade de todos os canais de TV infantil na Europa são de propriedade dos EUA (48%), assim como 59% dos serviços de entretenimento em vídeo sob demanda por assinatura”.<a href="#_edn129" name="_ednref129"><sup>131</sup></a></p>
<p>Conforme demonstrado pela Alemanha no contexto da guerra na Ucrânia, o colapso da “vontade nacional”, da disposição de seguir um caminho que corresponda aos interesses capitalistas nacionais, mostra que o país foi derrotado pela terceira vez desde o início do século XX (as duas primeiras derrotas foram nas guerras mundiais, conforme observado por Hudson).<a href="#_edn130" name="_ednref130"><sup>132</sup></a> Apesar do custo que representaria para si própria, a Alemanha apoiou as sanções contra a Rússia e a ajuda militar à Ucrânia. Quando a guerra de Israel contra Gaza entrou em seu centésimo dia, já tendo matado mais de 23.000 palestinos, a Alemanha – com sua violência histórica na Namíbia e o holocausto doméstico contra o povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial – apoiou Israel na ação apresentada pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça.<a href="#_edn131" name="_ednref131"><sup>133</sup></a></p>
<p>Nos últimos meses de 2023, os representantes políticos do capital alemão no Bundestag levantaram de forma privada e depois introduziram medidas para restringir o comércio com a China sob o pretexto de reduzir riscos. Trata-se de uma evidente contradição com os interesses de curto e médio prazo das empresas alemãs. Marx descreveu as relações entre os capitalistas como uma relação entre um bando de irmãos em guerra.<a href="#_edn132" name="_ednref132"><sup>134</sup></a> Em períodos de crise, o Estado, como órgão da classe dominante, exerce seu papel político, apesar da natureza fissípara das relações intracapitalistas. Hoje, os interesses de curto prazo dos executivos de empresas nominalmente alemãs estão subordinados aos interesses do hiperimperialismo.</p>
<p>Com a formação do Império Alemão (1871-1918), a expansão política e econômica para a Europa Oriental não era apenas uma expansão territorial, mas uma estratégia fundamental. Após a reunificação em 1990, a Alemanha adotou uma estratégia dupla: primeiro, apoiou de forma resoluta a estratégia dos EUA de expansão da Otan com relação à Rússia. Em segundo lugar, liderou uma estratégia simultânea de “penetração de capital” na Rússia com o objetivo de garantir o controle político dos grupos mais ligados aos interesses ocidentais e alemães naquele Estado, contra aqueles que buscavam uma política mais independente. O capital alemão apoiou representantes como o bilionário russo (à época) Mikhail Khodorkovsky. Em 2001, Khodorkovsky criou a Fundação Rússia Aberta, tendo Henry Kissinger no quadro de diretores.<a href="#_edn133" name="_ednref133"><sup>135</sup></a> Em 2004, o russo foi preso por fraude e apropriação indébita após tentar implementar políticas contra Putin.</p>
<p>A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, adotou estratégias duplas de apoio aos preparativos militares contra a Rússia e de organização da oposição interna a Putin. Também orquestrou a construção do gasoduto Nord Stream 2, apesar da enorme resistência dos EUA. No entanto, esta última medida tinha o intuito de atender ao próprio interesse da Alemanha, e não de apaziguar a Rússia ou impedir a expansão da Otan. Em 2014, Merkel organizou a libertação de Khodorkovsky e permitiu uma violação calculada dos acordos de Minsk. Mas a estratégia dupla terminou em fevereiro de 2022, quando a Alemanha, como parceira disposta ao lado dos EUA, e com a ajuda da Ucrânia, decidiu lutar e derrubar a Rússia.</p>
<p>No entanto, a realidade da Alemanha é que, a menos que esteja preparada para romper totalmente com a política estadunidense, o que nenhum setor significativo da burguesia alemã está disposto a considerar, qualquer estratégia que adote fracassará sem o apoio dos EUA. Isso dá aos EUA a vantagem nesse relacionamento. Surge então um paradoxo no qual os EUA queriam manter a inimizade entre Alemanha e Rússia, mas sem apoiar uma vitória total da Alemanha nessa briga. Isso explica, em parte, por que parece que os EUA estão ameaçando cortar o financiamento da Ucrânia. O objetivo estadunidense de destruir as relações entre Alemanha e Rússia já foi alcançado, assim como a vassalagem da Europa e da Alemanha sob pena de desindustrialização desta última.</p>
<p>Os EUA continuarão privando a burguesia alemã de todas as principais opções de afirmação de posições políticas independentes. Com a ajuda das relações de propriedade de capital que descrevemos, a burguesia alemã se deparará com a subsunção absoluta de opções de ação do capital alemão sob a égide dos EUA. A hostilidade em relação à Rússia atua como um impulsionador da subordinação da Europa aos EUA e como uma perda de qualquer possibilidade de desenvolvimento independente.</p>
<p>A situação de contradições antagônicas entre o capital estadunidense e o europeu em questões fundamentais acabou. Existem pequenas diferenças, mas estas não são estratégicas. Pode-se ver a profundidade da subordinação da Europa aos EUA no fato de que apenas 11 dos 49 países do Norte Global não fazem parte de uma conhecida rede de espionagem dos EUA nem participaram da reunião da Otan+ em Vilnius. São eles Andorra, Bósnia e Herzegovina, Chipre, Irlanda, Liechtenstein, Malta, Moldávia, Mônaco, San Marino, Sérvia e Suíça. Coletivamente, essas nações têm 28,3 milhões de habitantes (quase o equivalente à população de Délhi) e um PIB combinado de 1,8 trilhão de dólares (1% do PIB mundial), uma pequena parcela do Norte Global.</p>
<p>Embora fosse membro do grupo secreto Quatorze Olhos, a impotência da Alemanha ficou evidente quando foi revelado que seus líderes eram espionados pelos EUA, e o país foi incapaz de fazer uma mínima queixa. Hoje, a burguesia da Europa se tornou bajuladora das operações de inteligência dos EUA.</p>
<p>Há muito a Otan pressiona a Alemanha a gastar um mínimo de 2% do PIB com as forças armadas, seguindo o que foi chamado de princípio de Cachinhos Dourados (estabelecido na década de 1950), com o objetivo de:</p>
<blockquote><p>… incentivar as contribuições de defesa de aliados de médio porte – por exemplo, a [República da] Coreia durante a Guerra Fria e a Polônia atualmente – e, ao mesmo tempo, ter cautela com aliados maiores, como a Alemanha e o Japão. Dessa forma, busca-se maximizar as contribuições de aliados poderosos o suficiente para oferecer poder militar significativo à aliança, mas não tão poderosos que possam se dar ao luxo de rejeitar a aliança.<a href="#_edn134" name="_ednref134"><sup>136</sup></a></p></blockquote>
<p>Por ordem dos EUA, os governos do Japão apostaram em políticas de provocação contra a China, apesar das grandes vantagens que laços mais estreitos com a China trariam para a economia japonesa. No Reino Unido, a oposição dos EUA ao “período de ouro” das relações com a China promovidas durante o mandato de David Cameron como primeiro-ministro obrigou a reversão dessas relações nos mandatos posteriores, o que levou a consequências prejudiciais para o capital britânico.</p>
<p>Em 2020, o primeiro-ministro Fumio Kishida estabeleceu metas de gastos de 43 trilhões de ienes (US$ 316 bilhões) para os cinco anos seguintes.<a href="#_edn135" name="_ednref135"><sup>137</sup></a> O país já tem o segundo maior número de aeronaves avançadas F35 do mundo (depois dos EUA) e assinou um acordo naquele ano para comprar outros 105 caças – que podem ser equipados com armas nucleares. O país revisou sua estratégia de segurança nacional para permitir o desenvolvimento de uma capacidade de ataque preventivo e de utilização de mísseis de longo alcance.<a href="#_edn136" name="_ednref136"><sup>138</sup></a></p>
<p>O rearmamento das duas principais potências fascistas da Segunda Guerra Mundial deve ser considerado um crime. Um perigoso movimento revanchista está ressurgindo na Alemanha. A diferença é que, desta vez, eles fazem parte do bloco militar liderado pelos EUA.</p>
<h1>PARTE V: Mudanças na ordem mundial</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">Um deslocamento da base econômica para o Sul</h2>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95764 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-39-2-e1706557871471.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-39-4.png"></div>
<p>Enquanto os países do Norte Global vêm enfrentando um declínio prolongado do crescimento econômico, os países do Sul Global, sobretudo na Ásia, apresentam uma trajetória de crescimento econômico mais alta nos últimos trinta anos. Como pode-se observar na Figura 39, no final da Guerra Fria, em 1993, o Norte Global respondia por 57,2% do PIB global (PPC), enquanto o Sul Global respondia por apenas 42,8%. Trinta anos depois, essas proporções se inverteram definitivamente: a participação do Sul Global chegou a 59,4%, e o Norte Global detém 40,6%.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95852 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-40-2-e1706620004888.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-40-4.png"></div>
<p>O G7 (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão) é o núcleo econômico do bloco do Norte Global. Em 1993, esses sete países representavam 45,4% da economia global. Enquanto isso, as economias mais importantes do Sul Global, que mais tarde viriam a ser conhecidas como Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), representavam apenas 16,7% da economia global naquele ano. Entre eles, a Rússia tinha acabado de emergir após a dissolução da União Soviética, e a China estava aprofundando suas reformas econômicas e estabelecendo uma economia socialista de mercado. Na época, nem a Rússia nem a China eram concorrentes do G7. Trinta anos depois, os países do Brics já representavam 31,5% da economia global, tendo ultrapassado o G7 (30,3%), conforme mostrado na Figura 40.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95862 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-41-2-e1706620060744.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-41-4.png"></div>
<p>Em agosto de 2023, o Brics se expandiu com o convite para a inclusão de seis países: Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Irã e Argentina (embora a Argentina tenha temporariamente recusado o convite). O Brics 10 (sem a Argentina) acrescentou quase 4% à participação do Brics no PIB mundial (PPC), conforme mostrado na Figura 41.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95872 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-42-2-e1706620094729.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-42-4.png"></div>
<p>Nos últimos trinta anos, os Estados Unidos, líder absoluto do Norte Global, viu sua participação na economia mundial cair lentamente em termos de PPC, de 19,7% em 1993 para 15,5% em 2022. Enquanto isso, no Sul Global, a rápida ascensão da China tem sido a variável mais notável. Em 1993, a China representava apenas 5% da economia mundial (Figura 42); já em 2016, sua economia ultrapassou a dos Estados Unidos em termos de PPC e, em 2022, sua participação na economia mundial chegou a 18,4%. Isso marca a primeira vez, em mais de 600 anos, que um país não dominado por brancos rompeu economicamente a hegemonia dos países imperialistas brancos. Essa realidade econômica fez com que os EUA começassem a tentar suprimir com urgência a ascensão da China.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95882 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-43-2-e1706620169309.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-43-4.png"></div>
<p>Entretanto, seria um equívoco considerar a China como a única fonte de crescimento do Sul Global. Mesmo sem o país, as economias do Sul Global já haviam ultrapassado as do Norte Global em 2022, sendo suas respectivas participações na economia global de 41% e 40,6% (Figura 43). O desenvolvimento econômico geral do Sul Global proporcionou objetivamente a capacidade de buscar uma ordem internacional mais justa, o que é contrário aos desejos do bloco imperialista do Norte Global.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95892 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-44-2-e1706620219943.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-44-4.png"></div>
<p>Identificamos todos os 43 países cuja participação no PIB mundial (PPC) chega a 41,1% (Figura 44) e que fazem parte de uma ou mais das três novas organizações internacionais que não são controladas por imperialistas: Brics 10 (fundado em 2009, ampliado em 2010 e 2023), Organização para Cooperação de Xangai (fundada como “Cinco de Xangai” em 1996, ampliada em 2001, 2017 e 2023) e o Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas (fundado em 2021). A lista completa é apresentada em seção posterior.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95902 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-45-3-e1706620257488.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-45-5.png"></div>
<p>A Figura 45 mostra a taxa média de crescimento anual do PIB (PPC) per capita registrada na última década pelas 21 maiores economias do Sul Global e pelos países do G7. A taxa de crescimento da China (5,8%) continua a liderar entre os países selecionados. A taxa de crescimento da Ásia é geralmente mais alta do que a de outros países do Sul Global. Os cinco países seguintes com as maiores taxas de crescimento são Bangladesh (5,3%), Vietnã (4,9%), Índia (4,6%), Filipinas (3,3%) e Indonésia (3,1%). Com exceção dos Estados Unidos, o restante dos países do G7 tem uma taxa média de crescimento per capita inferior a 1%. Lamentavelmente, as maiores economias da África e da América Latina tiveram um crescimento per capita negativo: Nigéria e África do Sul, com -0,4%, e Brasil e Argentina, com 0% e -0,7%, respectivamente.</p>
<p>Obviamente, reconhecemos que as próprias taxas de crescimento podem mascarar as intensas lutas de classe travadas nos países, onde a parcela do crescimento não é de modo algum distribuída de forma equitativa entre capital e trabalho. Entretanto, seria um erro ignorar as taxas de crescimento e o que suas linhas de tendência descrevem.</p>
<p>Uma das mudanças mais significativas ocorrida nos últimos 20 anos na economia mundial foi uma guinada radical na geografia da produção industrial mundial.</p>
<p>O Banco Mundial divulga a porcentagem da indústria no PIB utilizando os preços correntes e as taxas de câmbio correntes, o que este estudo chama de método da Taxa de Câmbio Corrente (TCC). Atualmente, não temos conhecimento de nenhuma divulgação das porcentagens da indústria calculando-se o PIB (PPC).</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95912 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-46-2-e1706620450581.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-46-4.png"></div>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95922 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-47-2-e1706620488248.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-47-4.png"></div>
<p>As Figuras 46 e 47 mostram as mudanças na porcentagem do valor adicionado da indústria no PIB, tanto em termos de TCC quanto de PPC, nos últimos 18 anos. É provável que os números da participação do valor adicionado mundial da indústria estejam em algum ponto entre a TCC e a PPC. Os gráficos subsequentes desta série apresentam apenas o método PPC e têm as mesmas qualificações da primeira série.<a href="#_edn137" name="_ednref137"><sup>139</sup></a></p>
<p>O que vemos é que há, de fato, uma mudança na base da economia, na qual o Sul Global abriga a parcela majoritária. Apesar de muitas previsões acerca de uma nova sociedade pós-industrial, nenhum país importante alcançou a modernização sem industrialização.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95932 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-48-2-e1706620555986.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-48-5.png"></div>
<p>A participação do Brics 10 no valor adicionado da indústria mundial representa, em 2022, o dobro da participação do G7 (Figura 48).</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95942 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-49-2-e1706620808221.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-49-4.png"></div>
<p>Os resultados mostram o seguinte em relação ao valor adicionado da indústria como porcentagem do PIB mundial (PPC):</p>
<ul>
<li>A China é o principal país industrial do mundo, com uma participação de 25,7% no valor adicionado, enquanto os EUA detêm apenas 9,7%.</li>
<li>O Sul Global tem uma participação de 69,4%, enquanto o Norte Global tem uma participação de 30,6%.</li>
<li>O Brics 10 tem uma participação de 44% e supera o G7.</li>
<li>A participação de Japão, Alemanha, França e Reino Unido também está diminuindo, enquanto a da Índia está aumentando (Figura 49).</li>
</ul>
<p>Utilizamos a porcentagem do Banco Mundial para a indústria multiplicada pelo PIB anual (PPC) de cada país, em cada ano, para obter o valor adicionado da indústria com base em cada país. Em seguida, utilizamos esses números para calcular a porcentagem do valor adicionado total da indústria mundial, por país e categoria de grupo de países. Há algumas limitações e questões complexas relacionadas a essa metodologia.</p>
<p>Alguns economistas tentaram minimizar essa mudança. Há argumentos de que, com os monopólios do dólar estadunidense e a propriedade de grandes corporações multinacionais, os números do PIB exageram a mudança. No mínimo, não se pode dizer que a China tenha toda a sua produção sob o controle dos EUA. Mesmo na Índia, é um erro subestimar a importância de uma grande e crescente burguesia nacional (embora grande parte dela seja politicamente reacionária). A transferência da produção industrial para o Sul Global só poderia ter ocorrido com melhorias maciças em sua infraestrutura.</p>
<p>Ao se despedir do presidente russo Vladimir Putin durante sua visita de Estado em março de 2023, o presidente chinês Xi Jinping afirmou: “Neste momento, há mudanças – como não víamos há 100 anos – e somos nós que estamos conduzindo essas mudanças juntos”.<a href="#_edn138" name="_ednref138"><sup>140</sup></a> A Eurásia é agora o palco central para determinar o futuro do próximo período da existência humana.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">Estratégia dos EUA para coibir o crescimento econômico e a influência da China</h2>
<p>Em 2007, Vladimir Putin proferiu um famoso discurso em Munique, criticando o domínio monopolista dos EUA e “o hiperuso quase incontido da força – força militar – nas relações internacionais, força que está mergulhando o mundo em um abismo de conflitos permanentes”.<a href="#_edn139" name="_ednref139"><sup>141</sup></a> No mesmo ano, foi criado o Centro para uma Nova Segurança Americana (<em>Center for New American Security</em> – CNAS). Em 2009, telegramas secretos dos EUA para Washington, revelados pelo Wikileaks, afirmavam:</p>
<p>Xi sabe o quanto a China é corrupta e sente repulsa pela ampla comercialização da sociedade chinesa e seus consequentes novos-ricos, pela corrupção entre funcionários do governo, pela perda de valores, dignidade e respeito próprio, além dos “males morais” como drogas e prostituição… Quando Xi assumir o comando do partido, ele poderá tentar resolver esses males de forma agressiva, talvez às custas da nova classe endinheirada.<a href="#_edn140" name="_ednref140"><sup>142</sup></a></p>
<p>Os alarmes estavam tocando em Langley e Foggy Bottom. O sonho do Ocidente de ver surgir um “Gorbatchov chinês” foi destruído em 2012 e ficou nítido que não havia derrota iminente à vista para uma China que ascendia economicamente. Assim, a estratégia de reorientação para a Ásia começou a integrar seus aliados para conter o país. A então secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, declarou publicamente que “o século XXI será o século do Pacífico dos Estados Unidos”.<a href="#_edn141" name="_ednref141"><sup>143</sup></a> Em contrapartida, Xi Jinping disse ao presidente dos EUA, Barack Obama, que “o Oceano Pacífico é grande o suficiente para acomodar o desenvolvimento tanto da China quanto dos Estados Unidos”.<a href="#_edn142" name="_ednref142"><sup>144</sup></a></p>
<p>Em 2016, o PIB da China, calculado pela paridade do poder de compra, já havia ultrapassado o dos Estados Unidos. Em 2020, o Centro de Pesquisa Econômica e Empresarial (<em>Centre for Economics and Business Research</em>) previu que, em 2028, o PIB da China, medido em dólares estadunidenses, ultrapassaria o dos EUA, uma previsão que se tornou uma “barreira demoníaca”.<a href="#_edn143" name="_ednref143"><sup>145</sup></a> As autoridades estadunidenses definiram a China reiteradamente como a ameaça estratégica mais significativa que o país e o Norte Global enfrentam.</p>
<p>O declínio relativo do poder dos EUA, a ascensão da China socialista e o crescimento econômico do Sul Global são os principais motivos por trás da subordinação ativa e da subsequente integração, pelos EUA, do restante dos países imperialistas. Isso levou a um bloco militar, político e econômico completamente sob o controle dos EUA. Em 1998, o ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA, Zbigniew Brzezinski, alertou: “O cenário mais perigoso seria uma grande coalizão entre China, Rússia e talvez Irã… não por um amor repentino entre eles, mas por uma oposição compartilhada à potência predominante (os EUA)”.<a href="#_edn144" name="_ednref144"><sup>146</sup></a></p>
<p>Formado por uma combinação de neoconservadores e liberais defensores do intervencionismo, o CNAS gerou um núcleo de quadros das elites políticas dos EUA – dos dois partidos – que se concentrou no desenvolvimento de uma nova estratégia geopolítica para os EUA. Em 2021, ignorando o aviso de Brzezinski, o Centro começou a promover publicamente a preparação para guerras simultâneas. Entre as figuras importantes do CNAS estão o secretário de Estado Antony Blinken, o vice-secretário de Estado Kurt Campbell e a ex-subsecretária de Políticas de Defesa Michèle Flournoy. Ex-funcionários e consultores do CNAS têm permeado os órgãos estratégicos do Estado, inclusive o Conselho de Segurança Nacional.</p>
<p>O Conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan, embora não seja membro do CNAS, agora desempenha um papel dominante na presidência e segue a mesma estratégia internacional. Em abril de 2023, Sullivan fez um discurso intitulado “Renovando a liderança econômica americana” no Brookings Institute.<a href="#_edn145" name="_ednref145"><sup>147</sup></a> Esse discurso foi relevante por três motivos. Primeiro, é muito incomum que um discurso tão importante sobre a economia dos EUA seja proferido por um Conselheiro de Segurança Nacional. Historicamente, esses conselheiros, como Henry Kissinger, restringem-se ao âmbito da segurança nacional, da geopolítica e dos assuntos militares. Em segundo lugar, o discurso de Sullivan buscou criar um “novo Consenso de Washington” para restabelecer a hegemonia econômica dos EUA. Terceiro, Sullivan reconheceu a profundidade da crise estrutural dos EUA, incluindo sua estagnação econômica.</p>
<p>Esse plano econômico é necessário para dar suporte à expansão militar. Em julho de 2023, os EUA propuseram um projeto de lei para acrescentar US$ 345 milhões em ajuda militar a Taiwan.<a href="#_edn146" name="_ednref146"><sup>148</sup></a> De Tel Aviv a Kiev e Taipei, os EUA estão intensificando operações militares até as portas da Eurásia.</p>
<p>As guerras frias, necessariamente associadas a conflitos entre potências nucleares, são sempre perigosas. Em 1988, Edward Herman e Noam Chomsky publicaram <em>A manipulação do público: Política e poder econômico no uso da mídia</em>, no qual criticavam o “modelo de propaganda” utilizado pela mídia corporativa dos EUA, muitas vezes em parceria com o Estado. Os autores já apontavam isso muito antes de esse sistema poder se valer das novas ferramentas tecnológicas de vigilância e comunicação direcionada que caracterizam a era digital. Graças às denúncias de Edward Snowden, o mundo pôde vislumbrar a vasta expansão do controle dos EUA sobre todas as comunicações e a forma como integraram todas as plataformas do monopólio tecnológico de TI dos EUA em adjuntos da infraestrutura de segurança nacional dos EUA.</p>
<p>“Colete tudo” foi como um ex-oficial sênior de inteligência descreveu a abordagem do ex-diretor da Agência de Segurança Nacional, Keith Alexander, com relação à coleta de dados. Todos os e-mails, todas as chamadas telefônicas e mensagens de texto de todos os tipos (incluindo os do WhatsApp, Telegram e Signal), cada toque de tecla e cada URL, tudo da grande maioria da população mundial é capturado (fora da China, da Rússia e de alguns outros países). Esses dados são armazenados em imensas redes de discos rígidos em locais como Bluffdale, no estado de Utah. Os EUA criaram uma rede global capaz de captar e administrar quase todos os pacotes de dados de todos os cabos submarinos de fibra óptica, todo o tráfego de celulares e o tráfego de dados via satélite.</p>
<p>Apesar da hegemonia militar, o capital ainda precisa de algo próximo do consentimento. Com o tempo, novas técnicas, como o aprendizado de máquina, proporcionaram um salto qualitativo na capacidade dos EUA de conduzir uma guerra psicológica secreta contra o povo, o Sul Global e suas populações.<a href="#_edn147" name="_ednref147"><sup>149</sup></a> Os modelos econômicos de todas as empresas de mídia entraram em colapso com o advento da internet e a criação de monopólios econômicos de tecnologia, que desintermediaram todos os lucros da mídia. Começou uma nova era de total transformação de meios de comunicação em arma – um desdobramento que faz parte da estratégia geral de guerra híbrida (incluindo sanções econômicas e isolamento diplomático), utilizada pelo <em>establishment </em>dos EUA em todo o mundo.</p>
<p>A reorientação para a Ásia, que na realidade volta-se para a China, começou formalmente em 2012, sob o comando de Obama. Os EUA combinaram estratégias diplomáticas, econômicas, políticas e de propaganda para tentar conter, a princípio, o desenvolvimento econômico da China e, posteriormente, sua crescente influência em instituições como o Brics. A partir de 2016, Trump tentou evitar o conflito com a Rússia e começou a concentrar todas as energias dos EUA contra a China.</p>
<p>Nos últimos oito anos, os EUA utilizaram um conjunto de temas selecionados com curadoria para definir a narrativa da mídia ocidental sobre a China. Apesar dos milhões de pessoas muçulmanas mortas pelas mãos das forças da Otan no Iêmen, na Síria, no Iraque e no Afeganistão, o Ocidente conseguiu integrar seu formidável conjunto de recursos de <em>soft power </em>para travar uma guerra fria virulenta contra a China. Até o principal agente de propaganda nazista, Joseph Goebbels, teria se espantado com a arrogância do Ocidente ao reivindicar o manto dos direitos humanos e tentar usar Xinjiang como ponto de ataque contra a China.</p>
<p>Lawrence Wilkerson, ex-chefe de gabinete do secretário de Estado Colin Powell e ex-coronel do exército, observou que um importante objetivo estratégico da invasão militar dos EUA e de sua longa presença no Afeganistão era conter a Nova Rota da Seda da China (2013-atual) e criar divisões étnicas e agitação social em Xinjiang.<a href="#_edn148" name="_ednref148"><sup>150</sup></a> Os veículos <em>The New York Times</em>, <em>The Guardian </em>e <em>BBC </em>se tornaram os principais apoios em uma campanha de operação psicológica característica dos EUA.</p>
<p>Como explicamos na análise das economias ocidentais, não é irracional que o Ocidente procure retardar o crescimento da China. O ponto central do próximo estágio de desenvolvimento chinês é a promoção de uma economia de dupla circulação, ou seja, aumentar o peso do mercado interno e, ao mesmo tempo, continuar a aumentar seu comércio internacional, passar a um desenvolvimento de alta qualidade e promover o desenvolvimento econômico das províncias do oeste do país. O ataque a Xinjiang atende simultaneamente a muitos interesses ocidentais: enfraquece as estratégias de crescimento interno da China, isola o país internacionalmente, mascara a violência dos EUA contra os países muçulmanos e mantém o apoio a grupos extremistas para desestabilizar seus adversários.</p>
<p>As alegações forjadas de genocídio entre a população uigur em Xinjiang, sem nenhuma comprovação pelo Departamento de Estado dos EUA, permitiram que o governo dos EUA impusesse sanções à China, com o objetivo de atingir toda a cadeia do setor têxtil chinês, que exporta mais de US$ 300 bilhões e responde por mais de um terço das exportações têxteis do mundo, ocupando o primeiro lugar no ranking global.<a href="#_edn149" name="_ednref149"><sup>151</sup></a> Mas, apesar dessas sanções, o comércio exterior de Xinjiang aumentou 51,25% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 30 bilhões nos três primeiros trimestres de 2023, e o comércio com cinco nações da Ásia Central cresceu 59,1%.<a href="#_edn150" name="_ednref150"><sup>152</sup></a> A China acaba de anunciar uma zona de livre comércio em Xinjiang para promover a conectividade com os países da região da Nova Rota da Seda.</p>
<p>Além da guerra de “<em>soft power</em>“, os EUA não pouparam esforços para conter o desenvolvimento da China em setores de alta tecnologia, sobretudo para enfraquecer a capacidade chinesa de produzir ou mesmo comprar chips semicondutores de ponta. Ao impor uma competência de longo alcance sobre tecnologias como as máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) fabricadas pela empresa holandesa ASML, os EUA buscam impedir que a China entre no futuro da tecnologia dos chips. O governo Biden acredita que o impacto disso vai muito além de enfraquecer os avanços militares da China, mas também ameaçará o crescimento econômico e a liderança científica do país.</p>
<p>Gregory C. Allen, diretor do Projeto de Governança de Inteligência Artificial e membro sênior do Programa de Tecnologia Emergente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, acredita que a mensagem transmitida pelos controles de exportação contra a China, emitidos pelo Escritório de Indústria e Segurança (<em>Bureau of Industry and Security – </em>BIS) dos EUA, em outubro de 2022, faz parte de “uma nova política dos EUA de estrangular ativamente grandes segmentos do setor de tecnologia chinês – estrangular com a intenção de matar”.<a href="#_edn151" name="_ednref151"><sup>153</sup></a> C.J. Muse, analista da indústria nos EUA, declarou: “Se você me falasse sobre essas regras cinco anos atrás, eu teria dito que trata-se de um ato de guerra – seria necessário estar em guerra”.<a href="#_edn152" name="_ednref152"><sup>154</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95952 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-50-2-e1706621019673.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-50-5.png"></div>
<p>Apesar das severas restrições impostas pelos EUA, a China continua crescendo mais do que o Norte Global (Figura 50).</p>
<p>Por meio da Nova Rota da Seda, a China fortalece suas conexões econômicas com o Sul Global. De 2013 a 2022, o volume total de comércio da China com os países participantes da Nova Rota da Seda atingiu US$ 19,1 trilhões, com um aumento médio anual de 6,4%. O investimento bilateral acumulado ultrapassou US$ 380 bilhões, e o investimento estrangeiro direto da China ultrapassou US$ 240 bilhões. Os novos projetos contratados pelo país atingiram US$ 2 trilhões, concluindo um volume de negócios acumulado de US$ 1,3 trilhão.<a href="#_edn153" name="_ednref153"><sup>155</sup></a></p>
<p>Ironicamente, a contenção dos EUA nos campos de alta tecnologia apenas fortaleceu a determinação da China de ser autossuficiente em inovação. Nos últimos anos, o país asiático fez avanços significativos em inovação independente em chips de ponta, veículos elétricos e tecnologia digital, tornando o bloqueio e a contenção dos EUA em campos da alta tecnologia cada vez mais impraticáveis.</p>
<h2 style="margin:3em 0;">O Norte Global empurrando o mundo para a guerra</h2>
<p>A ascensão pacífica dos países do Sul Global, liderada pela Ásia e sobretudo pela China, representa um desafio econômico abrangente ao domínio mundial imperialista. É a primeira vez em 600 anos que as potências imperialistas do Atlântico se deparam com uma força econômica não branca capaz de se contrapor a elas.</p>
<p>Para conter a ascensão da China, os EUA estão intensificando a integração interna dentro do campo imperialista, permitindo e exigindo o rearmamento de dois países fascistas derrotados na Segunda Guerra Mundial, Japão e Alemanha. De forma unânime, os líderes políticos dos EUA consideram essencial conter e derrotar a China, como um inimigo estratégico central, e deram início a uma nova guerra fria. Os líderes militares estadunidenses fazem declarações alarmantes sobre a China. O objetivo geopolítico dos EUA é derrubar os regimes da China e da Rússia, desnuclearizar e, se possível, desmembrar os dois países, dividi-los em vários países pequenos e garantir que nunca mais possam desafiar sua hegemonia militar e econômica.</p>
<p>Na fronteira ocidental da Rússia, a expansão da Otan para o leste levou a questão da segurança da Ucrânia a um ponto crítico de ebulição. Antes da dissolução da União Soviética, os Estados Unidos haviam prometido a Gorbatchov que a Otan não se expandiria para o leste, já que sua missão original – combater a União Soviética e conter o comunismo europeu – havia terminado com o fim da Guerra Fria. No entanto, a Otan não cumpriu esse “acordo de cavalheiros” e incorporou 14 novos Estados-membros, incluindo diversas antigas repúblicas soviéticas. Em 2018, a Ucrânia alterou sua Constituição para priorizar a entrada na Otan e na União Europeia como estratégia nacional, o que representa uma ameaça significativa à segurança nacional da Rússia. Como Kiev está localizada a apenas 760 km de distância de Moscou, permitir que a Otan implante armas nucleares na Ucrânia constituiria uma ameaça militar incontrolável para a Rússia.</p>
<p>Ao mesmo tempo, as forças neonazistas no oeste da Ucrânia estavam em ascensão. Em janeiro de 2022, foram realizadas procissões com tochas em cidades como Kiev e Lviv, comemorando o aniversário do colaborador nazista Stepan Bandera. Em conflitos anteriores, extremistas nacionalistas da mesma região hasteavam bandeiras nazistas e ameaçavam aniquilar ucranianos do leste do país e pessoas favoráveis à Rússia. A população russa étnica do leste da Ucrânia teve que organizar a resistência e buscar ajuda russa. Nessas circunstâncias, a Rússia lançou uma “operação militar especial” na Ucrânia, essencialmente enfrentando um confronto direto com a força militar da Otan.</p>
<p>No Pacífico Ocidental, os Estados Unidos fazem tentativas contínuas de alimentar as tensões em torno do Mar do Sul da China e de Taiwan. Em agosto de 2022, apesar da forte oposição e das demonstrações diplomáticas de descontentamento da China, a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, visitou Taiwan, cometendo uma grave violação do princípio de “Uma só China” e das disposições dos três comunicados conjuntos EUA-China, afetando seriamente a base política das relações sino-estadunidenses. É importante lembrar que, em 1972, no comunicado de Xangai, os Estados Unidos aceitaram a política de “Uma só China”, que reconhece que existe apenas uma China e que Taiwan não é um Estado soberano separado. Em agosto de 2023, a Marinha dos EUA, juntamente com as forças do Canadá e da República da Coreia, realizou exercícios militares conjuntos no Mar do Japão e no Mar Amarelo.<a href="#_edn154" name="_ednref154"><sup>156</sup></a> No entanto, os exercícios terminaram abruptamente após, apenas cinco horas, devido às mobilizações militares direcionadas da China.<a href="#_edn155" name="_ednref155"><sup>157</sup></a> Desde que Ferdinand Marcos Jr. assumiu a presidência das Filipinas, em junho de 2022, o país abriu diversas bases militares para os EUA, fortaleceu os laços de segurança com a Austrália e o Japão e desencadeou disputas com a China sobre questões de soberania no Mar do Sul da China. Navios de guerra dos EUA, do Canadá, da Austrália e de outros países também patrulham e fazem exercícios com frequência no Mar do Sul da China, provocando diversos contatos imediatos e atritos com a Marinha chinesa.</p>
<p>Até o momento, diante das contínuas provocações dos Estados Unidos e de seus aliados, a China tem mantido uma postura contida, esforçando-se para evitar conflitos militares com esses países, pois um confronto desse tipo poderia se transformar em uma guerra nuclear global. No entanto, Taiwan tem uma importância especial. Como parte da China historicamente e segundo a lei internacional, a continuação da separação de Taiwan significa que não houve fim para a guerra civil da China e até mesmo para o “século de humilhação”, que começou com as Guerras do Ópio em 1840. A divisão de Taiwan é inaceitável para a China, mesmo que isso signifique o risco de uma guerra direta contra os Estados Unidos.</p>
<p>Com o apoio direto de Biden e Blinken, Israel está promovendo uma limpeza étnica e o genocídio da população civil palestina em Gaza. A situação deixa evidente a verdadeira face do campo imperialista do Norte Global como um coletivo de colonizadores brancos: quando surgem conflitos entre colonos brancos e pessoas não brancas colonizadas, o campo imperialista apoia em uníssono o lado dos colonos.</p>
<p>As fraturas na Ucrânia e na Palestina exacerbaram a polarização dos social-democratas, sendo que alguns de seus setores se mostraram incapazes de superar o desejo de aceitabilidade e de se unir a um movimento robusto pela paz.</p>
<p>Voltemos à citação da Otan e da UE de que estariam “protegendo nosso bilhão de cidadãos, preservando nossa liberdade e democracia… contra todas as ameaças”. Essa frase, que aparece no primeiro parágrafo do comunicado da Otan-UE de 2023, descreve nitidamente a estrutura do mundo atual: o campo imperialista, centrado nos EUA e baseado na infraestrutura da Otan, está totalmente unido e mobilizado militar, política e economicamente, pronto para sufocar quaisquer forças emergentes que possam representar uma ameaça ao seu status hegemônico. Essa inédita e imensa pressão imperialista obrigou muitos no “resto do mundo” (aqueles que estão fora do campo imperialista) a identificar estruturas e identidades alternativas de autopreservação.</p>
<h1>EPÍLOGO: Uma alternativa política e econômica plausível para a ordem mundial</h1>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95962 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-51-3-e1706621129234.png" alt="" width="793" height="950" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-51-5.png"></div>
<p>Vinte e cinco anos após a publicação do livro <em>O grande tabuleiro de xadrez </em>(1997), de Zbigniew Brzezinski, identificando este como o maior perigo geopolítico para os EUA, a China, a Rússia e o Irã realmente se aproximaram em diversos campos, incluindo economia, política e segurança. Não por coincidência, são os únicos três países que fazem parte do Brics 10, da Organização de Cooperação de Xangai e do Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas (Figura 51). A força motriz por trás dessa convergência – exatamente como Brzezinski previu – é a crescente pressão hegemônica do grupo imperialista liderado pelos Estados Unidos. Em comparação com a Otan, que é altamente unificada em termos de ideologia, comando militar e compartilhamento de inteligência, não há nenhuma organização internacional anti-imperialista comparável. Ainda assim, três organizações internacionais influentes surgiram no Sul Global:</p>
<ul>
<li>O Brics, iniciado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é um mecanismo de cooperação econômica que se expandiu para 17 parceiros de cooperação oficiais e não oficiais após a cúpula do Brics realizada em agosto de 2023. O Brics 10 representa 45,5% da população mundial, 35,6% do PIB (PPC) e 44% da produção industrial global. O Novo Banco de Desenvolvimento do Brics começou com US$ 100 bilhões em investimento de capital e sua estrutura de reserva de contingência também detém US$ 100 bilhões.<a href="#_edn156" name="_ednref156"><sup>158</sup></a></li>
<li>A Organização de Cooperação de Xangai (OCX) começou com foco em questões de segurança. Reúne países do continente eurasiano – desde países com grande desempenho econômico, como China, Índia e Turquia, até os principais países da Opep, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, além de membros da Liga dos Estados Árabes – para enfrentar os desafios de segurança por meio de abordagens multifacetadas de desenvolvimento. A OCX representa 60% do território eurasiano, um quarto do PIB mundial e 40% da população global.<a href="#_edn157" name="_ednref157"><sup>159</sup></a> Em julho de 2023, Xi Jinping propôs a criação de um banco de desenvolvimento da OCX.</li>
<li>O recém-criado Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas (ACNU) busca defender o multilateralismo e se opor à hegemonia e ao unilateralismo dentro do marco da Carta das Nações Unidas. Atualmente, esse grupo tem 20 países-membros e foi iniciado pela Venezuela. Sobre a questão da Palestina, o grupo apoia a justa demanda pela independência nacional do povo palestino, apoia a candidatura da Palestina para se tornar um membro formal das Nações Unidas e defende o estabelecimento de um Estado palestino independente, tendo Jerusalém Oriental como capital.</li>
</ul>
<p>Ao atingir seu marco de 10 anos, a Nova Rota da Seda também teve um impacto significativo no Sul Global. Até o momento, com um investimento que ultrapassa US$ 1 trilhão, a NRS tem sido uma força fundamental no desenvolvimento de infraestrutura no Sul Global.<a href="#_edn158" name="_ednref158"><sup>160</sup></a></p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-95972 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-52-3-e1706621189434.png" alt="" width="793" height="950" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-52-5.png"></div>
<p>Ao contrário do campo imperialista, as principais aspirações dos países do Sul Global são a soberania, o desenvolvimento e a conquista da paz. Especificamente, eles compartilham pelo menos oito desafios e oportunidades (Figura 52), descritos a seguir:</p>
<ul>
<li><strong>Multilateralismo:</strong> Engajamento em diálogos multilaterais profundos e cooperação entre os países do Sul Global sem depender de articulações oferecidas pelos países do Norte Global.</li>
<li><strong>Nova modernização: </strong>Construção da integração econômica regional por meio de corredores e eixos econômicos dentro do Sul Global para concretizar economias de escala em nível continental.</li>
<li><strong>Desdolarização: </strong>Redução da dependência do dólar estadunidense (sobretudo para os países que enfrentam sanções) no comércio internacional por meio de mecanismos como transações em moeda local, <em>swaps </em>cambiais e moedas regionais comuns.</li>
<li><strong>Inovação liderada pelo Sul Global:</strong> Promoção da inovação tecnológica democrática e aberta entre os países do Sul Global. Isso inclui a redução do ágio econômico proporcionado pelos monopólios de propriedade intelectual em áreas como medicina, novas energias e tecnologia da informação.</li>
<li><strong>Reparações e resolução da dívida:</strong> Enfrentamento à armadilha do endividamento centenário imposto pelos países imperialistas, por meio de negociações coletivas para reduções e compensações.</li>
<li><strong>Soberania alimentar: </strong>Garantia do direito dos povos e dos Estados de definir sua política agrícola e alimentar, sem qualquer <em>dumping </em>em relação a outros países, corporações transnacionais e acordos de livre comércio.</li>
<li><strong>Soberania digital: </strong>Aumento da capacidade dos países do Sul Global de controlar os espaços digitais em termos de hardware, software, dados, conteúdo, padrões e regulamentações, e construção de alternativas às plataformas digitais monopolizadas pelos EUA.</li>
<li><strong>Justiça ambiental:</strong> Formulação de planos justos de alocação de direitos de emissão e exigências aos países imperialistas para que compensem sua poluição cumulativa de longo prazo. A financeirização da natureza é um beco sem saída para o Sul Global.</li>
</ul>
<p>A humanidade enfrenta uma potência militar perigosa e implacável. Os EUA estão em uma marcha para rearmar as duas principais potências fascistas da Segunda Guerra Mundial, enquanto se voltam mais para uma política de extrema direita e neofascismo.</p>
<p>Infelizmente, é bem verdade que as forças de esquerda fora do campo socialista são de fato fracas e que o aspecto subjetivo da revolução na maioria dos países não está pronto para conduzir a revolução. Mas estamos testemunhando mudanças e rupturas significativas na consciência, embora não seja uma consciência de classe plena. Milhões de pessoas estão nas ruas em revolta com a insanidade não só dos regimes genocidas dos EUA e de Israel, mas também da França e do Reino Unido. As quatro potências nucleares do imperialismo se uniram, demonstrando sua força. O custo provável disso será a criação de uma futura geração de jovens no mundo árabe e muçulmano que nunca esquecerá nem perdoará essa ostentação de brutalidade e humilhação. Mao Tsé-Tung descreveu essa dialética histórica:</p>
<p>O imperialismo e todos os reacionários, analisados em sua essência, de um ponto de vista de longo prazo, de um ponto de vista estratégico, devem ser vistos pelo que são: tigres de papel. Com base nisso, devemos construir nosso pensamento estratégico. Por outro lado, eles também são tigres vivos, tigres de ferro, tigres de verdade que podem devorar pessoas. Com base nisso, devemos desenvolver nosso pensamento tático.<a href="#_edn159" name="_ednref159"><sup>161</sup></a></p>
<p>Sob a liderança do Presidente Xi Jinping, a China propôs recomendações visionárias para a humanidade. O modelo de modernização da China, resultado do socialismo com características chinesas, indica um caminho para os países do Sul Global que não se baseia na exploração e na opressão de outras nações. Ele equilibra a civilização material e espiritual, o desenvolvimento econômico e o meio ambiente ecológico, oferecendo uma referência essencial para o desenvolvimento do Sul Global.</p>
<p>Como resultado de mais de 600 anos de humilhação, violência racial e exploração econômica pelo Norte Global, chegamos a esse estágio de hiperimperialismo. No entanto, um Sul Global emergente, mesmo com suas contradições, nos lembra que os seres humanos não são obrigados a continuar sendo vítimas da história. Apesar do contexto diferente de fatores subjetivos, o apelo final do <em>Manifesto comunista </em>(1848) segue eloquente nos dias de hoje:</p>
<p>Temos um mundo a ganhar.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: right;"><strong>“Mulher Negra”</strong></p>
<p style="text-align: right;">Pela poeta cubana<br>
Nancy Morejón</p>
<p style="text-align: right;">Ainda sinto o cheiro da espuma do mar que me fizeram atravessar.<br>
Da noite, não consigo me lembrar.<br>
Nem mesmo o oceano poderia se lembrar.<br>
Mas nunca me esqueci da primeira gaivota que vi.<br>
No alto, as nuvens, como inocentes testemunhas oculares.<br>
Talvez eu não tenha esquecido minha costa perdida nem minha língua ancestral.<br>
Me deixaram aqui e aqui tenho vivido.<br>
E porque trabalhei feito cão,<br>
Foi aqui que renasci.<br>
A quanta epopeia mandinga tentei recorrer.</p>
<p style="text-align: right;">Me rebelei.</p>
<p style="text-align: right;">Sua Graça me comprou em praça pública.<br>
Bordei o manto de Sua Graça e um filho homem seu pari.<br>
Meu filho não recebeu nome.<br>
E Sua Graça morreu nas mãos de um impecável lord inglês.</p>
<p style="text-align: right;">Andei.</p>
<p style="text-align: right;">Esta é a terra onde sofri açoites de cabeça para baixo.<br>
Remei por todos os seus rios.<br>
Sob seu sol, plantei, colhi e as colheitas não comi.<br>
Por casa tive uma senzala.<br>
Eu mesma carreguei as pedras para construí-la,<br>
mas cantei no compasso natural dos pássaros nacionais.</p>
<p style="text-align: right;">Me amotinei.</p>
<p style="text-align: right;">Nesta mesma terra toquei o sangue quente<br>
e os ossos podres de muitos outros,<br>
trazidos a ela, ou não, como eu fui.<br>
Nunca mais imaginei o caminho para Guiné.<br>
Era Guiné? Benin? Era Madagascar? Ou Cabo Verde?</p>
<p style="text-align: right;">Trabalhei muito mais.</p>
<p style="text-align: right;">Fundei melhor meu canto milenar e minha esperança.<br>
Aqui construí meu mundo.<br>
Fui para o monte.<br>
Minha verdadeira independência foi o palenque<br>
e cavalguei entre as tropas de Maceo.</p>
<p style="text-align: right;">Só um século depois, junto de meus descendentes,<br>
do alto de uma montanha azul,</p>
<p style="text-align: right;">Desci da Sierra</p>
<p style="text-align: right;">para acabar com os capitalistas e usurários,<br>
e os generais e burgueses.<br>
Agora sou: somente agora temos e criamos.<br>
Nada está além de nosso alcance.<br>
Nossa a terra.<br>
Nosso o mar e o céu.<br>
Nossa a magia e a quimera.<br>
Meus iguais, aqui os vejo dançar<br>
ao redor da árvore que plantamos para o comunismo.<br>
Sua madeira pródiga é retumbante.</p>
<h1>APÊNDICE</h1>
<h2 style="margin:3em 0;">Metodologia</h2>
<p>Este relatório foi produzido com dados e gráficos da Sul Global Insights (GSI pela sigla em inglês), com base em diversas fontes, incluindo o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a Organização das Nações Unidas, a OCDE, o Conference Board, o Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa pela Paz, a <em>Monthly Review </em>e o World <em>Beyond </em>War, entre outros (veja a Figura 55). Nesta seção, apresentamos as definições e os critérios metodológicos que orientaram a elaboração do documento.</p>
<p>Todos os 193 Estados-membros da ONU e a Palestina como Estado observador estão incluídos nos anéis do Norte Global ou nos grupos do Sul Global.</p>
<p>Ao analisar o Norte Global, concluímos que, entre os fatores incluídos em nossa pesquisa – relações históricas, militares e de inteligência –, um elemento fundamental foi o relacionamento de cada país com a inteligência dos EUA. Consequentemente, dividimos o Norte Global em quatro anéis, compreendendo 49 países no campo imperialista liderado pelos EUA. Nossa análise do Sul Global indicou fatores como a independência econômica e política do país em relação ao imperialismo e as relações estratégicas entre os países do Sul Global. No entanto, um fator fundamental foi o grau relativo com que foram alvos da promoção de mudança de regime e seu papel na defesa pública e internacional de posições anti-imperialistas. Portanto, os 145 países do Sul Global estão divididos em seis grupos.</p>
<p>Além dos países-membros da ONU, incluímos o número de bases militares localizadas em países que não membros da ONU e nos territórios – às vezes disputados– onde as bases estrangeiras estão localizadas.</p>
<p>Outros cálculos comparativos deste relatório incluem todos os países e territórios de seus respectivos bancos de dados de origem.</p>
<p>Embora de valor inestimável, os bancos de dados internacionais, como os do FMI e do Banco Mundial, enfrentam limitações decorrentes de disparidades nos processos nacionais de produção de estatísticas, em especial nas metodologias de medição de variáveis. Isso leva à não harmonização dos dados nacionais compilados pelos bancos de dados internacionais em suas fontes. Da mesma forma, os bancos de dados internacionais podem ter limitações com relação à integralidade. A governança de dados e os rigorosos procedimentos de auditoria conduzidos pela GSI buscaram garantir a máxima consistência dos dados.</p>
<p>Com relação aos dados relacionados ao PIB, este relatório utiliza principalmente dados do FMI. É importante notar que esse banco de dados não inclui informações sobre quatro países: Cuba e a República Popular Democrática da Coreia, devido à decisão soberana dessas nações de não se submeter aos ditames do FMI, e também Mônaco e Liechtenstein. O campo PIB (PPC) nas tabelas que apresentam esses quatro países é deixado em branco.</p>
<p>Utilizamos dados econômicos do Banco Mundial somente para calcular o valor adicionado da indústria mundial. O Banco Mundial divulga a porcentagem do valor adicionado da indústria no PIB usando preços e taxas de câmbio correntes, denominados neste estudo como método da Taxa de Câmbio Corrente (TCC). Somente nesse caso são apresentados tanto valores do PIB em termos de TCC como de PPC.</p>
<p>Neste documento, o padrão adotado é o PIB (PPC). Essa não é uma escolha livre de controvérsias e, devido ao escopo do relatório, não nos aprofundaremos em nossas reflexões metodológicas sobre tais controvérsias. Os fatores de conversão da PPC são estimativas estatísticas baseadas em cestas de bens e serviços para anos de referência, aplicadas posteriormente ao PIB para estimativas do PIB (PPC). Embora haja argumentos de que os dados do PIB (PPC) possam superestimar os países do Sul Global, essa é uma medida mais precisa de comparação do desempenho econômico e dos padrões de vida de diferentes países, pois ajusta as diferenças nos níveis de preços e fornece uma métrica mais estável para comparações internacionais. Ao mesmo tempo, o PIB (PPC) oferece uma base mais significativa para classificar os países em relação ao seu tamanho econômico e à sua contribuição para a economia global, em comparação com as classificações do PIB que utilizam a TCC. Nestas classificações, os países com moedas fortes podem ter uma classificação mais alta, mesmo que sua produção econômica real não seja tão significativa.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95982 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-53-2-e1706621432365.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-53-4.png"></div>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-95992 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-54-2-e1706621469836.png" alt="" width="950" height="534" data-original-src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/01/Figure-54-4.png"></div>
<p>As Figuras 53 e 54 mostram as comparações dos cálculos de TCC versus PPC da porcentagem do PIB total mundial para 1) China <em>versus </em>Estados Unidos e 2) Sul Global <em>versus </em>Norte Global. Tanto a TCC quanto a PPC mostram um aumento expressivo nas porcentagens relativas da China e do Sul Global.</p>
<p>Entretanto, os fatores de conversão da PPC para medir os gastos militares são necessariamente menos confiáveis do que a TCC, pois não são coletados dados de preços relativos aos gastos militares. Desse modo, a natureza dos gastos militares carece dessas informações para que seja possível estabelecer comparações internacionais. O Sipri reconhece que o uso do ajuste de PPC para gastos militares é impreciso e, portanto, menos confiável do que o uso de taxas de câmbio. Com relação aos gastos militares, combinamos os dados da <em>Monthly Review </em>relativos aos gastos militares reais dos EUA, juntamente com os dados do Sipri, para calcular os gastos militares mundiais reais utilizando a TCC.</p>
<p>Quanto a outros dados militares, foram usadas diversas fontes para abordar de forma abrangente esse fenômeno central na análise do hiperimperialismo; no entanto, as limitações persistem devido a diferentes metodologias, variáveis de medição, escassez de dados e sigilo. Usamos dados do Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS) dos EUA combinados com os dados do Projeto sobre Intervenção Militar (<em>Military Intervention Project – </em>MIP) relativos à quantidade de intervenções. Ainda que seja uma publicação oficial dos EUA que serve como fonte primária de dados sobre as intervenções militares dos EUA, o primeiro não inclui algumas missões secretas e não agrega dados para diferenciar os diversos tipos de intervenções realizadas pelas forças armadas dos EUA no exterior. Já o segundo adota uma definição mais abrangente de intervenção militar, embora publique apenas um resumo dos dados. Por fim, utilizamos as listas publicadas pelo World <em>Beyond </em>War, informações da Declassified UK e o relatório de estruturas de bases do Departamento de Defesa dos EUA para obter dados sobre bases militares.</p>
<p>Além das fontes de dados mencionadas acima, a elaboração da GSI neste relatório baseia-se em um conjunto mais amplo de fontes de dados listadas abaixo. A GSI criou novas categorias com muito cuidado e construiu plataformas complexas de integração de dados para oferecer a análise do ponto de vista do Sul Global. Os processos de classificação são inerentemente desafiadores e sujeitos a modificações, uma vez que as políticas nacionais e regionais podem mudar rapidamente. A extensa coleta e integração de dados em diversos países permitiu o teste de hipóteses. Por exemplo, para determinar quem eram os aliados mais próximos dos EUA, avaliamos a proximidade com a inteligência dos EUA. Os dados para essa análise foram expostos por Edward Snowden, quando mostrou-se que, além do “Cinco Olhos” – mais antiga parceria de inteligência do mundo entre cinco Estados ocidentais anglófonos, que começou com o Acordo de Inteligência de Comunicação entre a Grã-Bretanha e os EUA em 1946 –, havia dois outros grupos ocultos, o “Nove Olhos” e o “Quatorze Olhos” (SIGINT Seniors Europe, formado em 1982).</p>
<p>Este relatório se fundamenta na integração de bancos de dados, análise de dados e elaboração da GSI.</p>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 55</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Fontes e descrição dos dados usados na pesquisa</h3>
</caption>
<thead>
<tr>
<th style="min-width: 10em;">Fonte</th>
<th style="min-width: 14em;">Base de dados</th>
<th style="min-width: 14em;">Descrição do GSI</th>
<th style="min-width: 20em;">URLs</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA)</td>
<td>Renewable energy statistics 2023</td>
<td></td>
<td><a href="https://www.irena.org/Publications/2023/Jul/Renewable-energy-statistics-2023">https://www.irena.org/Publications/2023/Jul/Renewable-energy-statistics-2023</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Agência Nacional de Estatísticas da China (NBS, pela sigla em inglês)</td>
<td></td>
<td>PIB trimestral da China de T3/2019 a 3T/2023</td>
<td><a href="https://data.stats.gov.cn/english/easyquery.htm?cn=B01">https://data.stats.gov.cn/english/easyquery.htm?cn=B01</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Banco Mundial (BM)</td>
<td>World Development Indicators (WDI)</td>
<td>Poupança ajustada: consumo de capital fixo (US$ corrente)</td>
<td><a href="https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/">https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Banco Mundial (BM)</td>
<td>World Development Indicators (WDI)</td>
<td>PIB em termos de taxa de câmbio corrente (TCC) usando US$ corrente</td>
<td><a href="https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/">https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Banco Mundial (BM)</td>
<td>World Development Indicators (WDI)</td>
<td>PIB em termos de Paridade do Poder de Compra (PPC) usando dólar internacional corrente</td>
<td><a href="https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/">https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Banco Mundial (BM)</td>
<td>World Development Indicators (WDI)</td>
<td>Formação bruta de capital fixo (US$ corrente)</td>
<td><a href="https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/">https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Banco Mundial (BM)</td>
<td>World Development Indicators (WDI)</td>
<td>Indústria (incluindo construção), valor adicionado (% do PIB)</td>
<td><a href="https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/">https://datatopics.worldbank.org/world-development-indicators/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Conference Board (CB)</td>
<td>Growth Accounting and Total Factor Productivity</td>
<td>Contribuição do trabalho qualificado para o crescimento real do PIB</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://data-central.conference-board.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Conference Board (CB)</td>
<td>Growth Accounting and Total Factor Productivity</td>
<td>Contribuição da quantidade de trabalho para o crescimento real do PIB</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://data-central.conference-board.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Conference Board (CB)</td>
<td>Growth Accounting and Total Factor Productivity</td>
<td>Contribuição do total de serviços do capital para o crescimento real do PIB</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://data-central.conference-board.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Conference Board (CB)</td>
<td>Growth Accounting and Total Factor Productivity</td>
<td>Contribuição do total dos fatores de produtividade para o crescimento real do PIB</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://data-central.conference-board.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Conference Board (CB)</td>
<td>Growth Accounting and Total Factor Productivity</td>
<td>Crescimento real do PIB</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://data-central.conference-board.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Congressional Research Service (CRS)</td>
<td></td>
<td>Uso reconhecido das forças armadas dos EUA no exterior, 1798 a abril de 2023</td>
<td><a href="https://crsreports.congress.gov/product/pdf/R/R42738/41">https://crsreports.congress.gov/product/pdf/R/R42738/41</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Declassified UK</td>
<td></td>
<td>Bases do Reino Unido tornadas públicas, 2020</td>
<td><a href="https://www.declassifieduk.org/revealed-the-uk-militarys-overseas-base-network-involves-145-sites-in-42-countries/">https://www.declassifieduk.org/revealed-the-uk-militarys-overseas-base-network-involves-145-sites-in-42-countries/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Departmento de Defesa dos Estados Unidos</td>
<td>Base Structure Reports FY2023</td>
<td>Construções sob controle militar dos EUA em países no exterior</td>
<td><a href="https://www.acq.osd.mil/eie/Downloads/BSI/Base%20Structure%20Report%20FY23.xlsx">https://www.acq.osd.mil/eie/Downloads/BSI/Base%20Structure%20Report%20FY23.xlsx</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Enciclopédia Britânica</td>
<td></td>
<td>Membros da comunidade britânica</td>
<td><u> </u></td>
</tr>
<tr>
<td>Enerdata</td>
<td>Global Energy &amp; CO2 Data</td>
<td>Dados de energia global e CO2</td>
<td><a href="https://www.enerdata.net/">https://www.enerdata.net/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Enerdata</td>
<td>World Energy Efficiency &amp; Demand</td>
<td>Demanda e eficiência energética mundial</td>
<td><a href="https://www.enerdata.net/">https://www.enerdata.net/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Energy Information Administration (EIA)</td>
<td>Natural Gas</td>
<td>Reservas de gás natural</td>
<td><a href="https://www.eia.gov/naturalgas/">https://www.eia.gov/naturalgas/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Ernst &amp; Young</td>
<td>Who owns the DAX? Analysis of the shareholder structure of DAX companies in 2018 – abridged version</td>
<td>Estrutura acionária das empresas DAX 2018</td>
<td><a href="https://assets.ey.com/content/dam/ey-sites/ey-com/de_de/news/2019/06/ey-wem-gehoert-der-dax-2019.pdf?download=.">https://assets.ey.com/content/dam/ey-sites/ey-com/de_de/news/2019/06/ey-wem-gehoert-der-dax-2019.pdf?download=.</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Federação de Cientistas Americanos</td>
<td></td>
<td>Compartilhamento nuclear, 2023</td>
<td><a href="https://fas.org/wp-content/uploads/2023/11/Nuclear-weapons-sharing-2023.pdf">https://fas.org/wp-content/uploads/2023/11/Nuclear-weapons-sharing-2023.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Federação de Cientistas Americanos</td>
<td></td>
<td>Situação das forças nucleares mundiais</td>
<td><a href="https://fas.org/initiative/status-world-nuclear-forces/">https://fas.org/initiative/status-world-nuclear-forces/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB medido em termos de Taxa de Câmbio Corrente (TCC) usando preços constantes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB medido em termos de Taxa de Câmbio Corrente (TCC) usando preços correntes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB medido em termos de Paridade de Poder de Compra (PPC) usando preços constantes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB medido em termos de Paridade de Poder de Compra (PPC) usando preços correntes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB per capita em termos de Taxa de Câmbio Corrente (TCC) usando preços correntes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB per capita em termos de Paridade de Poder de Compra (PPC) usando preços constantes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>PIB per capita em termos de Paridade de Poder de Compra (PPC) usando preços correntes</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Fundo Monetário International (FMI)</td>
<td>World Economic Outlook (WEO)</td>
<td>População</td>
<td><a href="https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October">https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2023/October</a></td>
</tr>
<tr>
<td>G-77</td>
<td></td>
<td>Grupo dos 77 na Organização das Nações Unidas</td>
<td><a href="https://www.g77.org/doc/">https://www.g77.org/doc/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Green Finance &amp; Development Center</td>
<td></td>
<td>Países signatários de memorando de entendimento da Nova Rota da Seda</td>
<td><u> </u></td>
</tr>
<tr>
<td>Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas</td>
<td></td>
<td>Amigos da Carta das Nações Unidas</td>
<td><u> </u></td>
</tr>
<tr>
<td>IHS Markit</td>
<td></td>
<td>Estrutura acionária por região, 2020</td>
<td><u> </u></td>
</tr>
<tr>
<td>International Institute for Strategic Studies (IISS)</td>
<td></td>
<td>Informação de envios de tropas</td>
<td><u> </u></td>
</tr>
<tr>
<td>Maddison</td>
<td>Historical Statistics of the World Economy</td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>Monthly Review</td>
<td></td>
<td>Gasto militar real dos EUA, 2022</td>
<td><a href="https://greenfdc.org/countries-of-the-belt-and-road-initiative-bri/">https://greenfdc.org/countries-of-the-belt-and-road-initiative-bri/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td>World Population Prospects (WPP)</td>
<td>Estimativas de expectativa de vida por região, sub-região e país, anual, 1950–2021</td>
<td><a href="https://www.gof-uncharter.org/">https://www.gof-uncharter.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td>World Population Prospects (WPP)</td>
<td>Estimativas de expectativa de vida por região, sub-região e país, anual, 2022–2100</td>
<td><a href="https://cdn.ihsmarkit.com/www/pdf/0621/DAX-Study-2020---DIRK-Conference-June-2021_IHS-Markit.pdf">https://cdn.ihsmarkit.com/www/pdf/0621/DAX-Study-2020—DIRK-Conference-June-2021_IHS-Markit.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td>World Population Prospects (WPP)</td>
<td>Regiões, sub-regiões e zonas intermediárias conforme definição da ONU</td>
<td><a href="https://www.iiss.org/publications/the-military-balance/">https://www.iiss.org/publications/the-military-balance/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td>World Population Prospects (WPP)</td>
<td>Estimativas de população por região, sub-região e país, anual, 1950–2021</td>
<td><a href="https://www.rug.nl/ggdc/historicaldevelopment/maddison/releases/maddison-database-2010">https://www.rug.nl/ggdc/historicaldevelopment/maddison/releases/maddison-database-2010</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td>World Population Prospects (WPP)</td>
<td>Estimativas de população por região, sub-região e país, anual, 2022–2100</td>
<td><a href="https://monthlyreview.org/2023/11/01/actual-u-s-military-spending-reached-1-53-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/">https://monthlyreview.org/2023/11/01/actual-u-s-military-spending-reached-1-53-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td></td>
<td>Membros da ONU</td>
<td><a href="https://population.un.org/wpp/">https://population.un.org/wpp/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização das Nações Unidas (ONU)</td>
<td></td>
<td>Dados sobre votos na ONU</td>
<td><a href="https://population.un.org/wpp/">https://population.un.org/wpp/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização de Cooperação de Xangai (OCX)</td>
<td></td>
<td>Membros da OCX</td>
<td><a href="https://population.un.org/wpp/Download/Documentation/Documentation/">https://population.un.org/wpp/Download/Documentation/Documentation/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP)</td>
<td>The Annual Statistical Bulletin (ASB)</td>
<td>Reservas comprovadas de petróleo bruto por país</td>
<td><a href="https://population.un.org/wpp/">https://population.un.org/wpp/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP)</td>
<td></td>
<td>Membros da OPEP</td>
<td><a href="https://population.un.org/wpp/">https://population.un.org/wpp/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)</td>
<td></td>
<td>Participantes da Cúpula da OTAN em Vilnius, 2023</td>
<td><a href="https://www.un.org/en/about-us/member-states">https://www.un.org/en/about-us/member-states</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)</td>
<td></td>
<td>Países membros da OTAN</td>
<td><a href="https://digitallibrary.un.org/search?cc=Voting+Data&amp;ln=en&amp;c=Voting+Data">https://digitallibrary.un.org/search?cc=Voting+Data&amp;ln=en&amp;c=Voting+Data</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização Internacional de Padronização (ISO)</td>
<td></td>
<td>Países e territórios ISO</td>
<td><a href="https://eng.sectsco.org/">https://eng.sectsco.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)</td>
<td>Capital Market Series</td>
<td>Capital controlado por investidores não domésticos, 10.000 maiores empresas da OCDE</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://asb.opec.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)</td>
<td>Capital Market Series</td>
<td>Propriedade doméstica e estrangeira das ações nas principais bolsas de valores</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://www.opec.org/opec_web/en/about_us/25.htm</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)</td>
<td></td>
<td>PIB trimestral da Zona do Euro de T3/2019 a T3/2023</td>
<td><a href="https://www.nato.int/cps/en/natohq/events_216418.htm?selectedLocale=en">https://www.nato.int/cps/en/natohq/events_216418.htm?selectedLocale=en</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Relatório Nuclear Mundial</td>
<td></td>
<td>elatório de Situação da Indústria Nuclear Mundial, 2022</td>
<td><a href="https://www.nato.int/cps/en/natohq/topics_52044.htm">https://www.nato.int/cps/en/natohq/topics_52044.htm</a></td>
</tr>
<tr>
<td>SanctionsKill Campaign</td>
<td></td>
<td>Países sancionados pelos EUA</td>
<td><a href="https://www.iso.org/iso-3166-country-codes.html">https://www.iso.org/iso-3166-country-codes.html</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI)</td>
<td>SIPRI Military Expenditure</td>
<td>Despesas militares mundiais (dólar constante)</td>
<td><a href="https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.pdf">https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI)</td>
<td>SIPRI Military Expenditure</td>
<td>Despesas militares mundiais (dólar corrente)</td>
<td><a href="https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.pdf">https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Stuart Laycock (2012)</td>
<td></td>
<td>Invasões do Reino Unido 927–2012</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://data.oecd.org/gdp/quarterly-gdp.htm</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Sul Global Insights (GSI)</td>
<td></td>
<td>Status colonial</td>
<td><a href="https://www.worldnuclearreport.org/IMG/pdf/wnisr2022-v3-hr.pdf">https://www.worldnuclearreport.org/IMG/pdf/wnisr2022-v3-hr.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Sul Global Insights (GSI)</td>
<td></td>
<td>História comum dos países imperialistas</td>
<td><a href="https://data-central.conference-board.org/">https://sanctionskill.org/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Sul Global Insights (GSI)</td>
<td></td>
<td>Norte Global ou Sul Global</td>
<td><a href="https://www.sipri.org/databases/milex">https://www.sipri.org/databases/milex</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Sul Global Insights (GSI)</td>
<td></td>
<td>Anéis do Norte Global ou Agrupamentos do Sul Global</td>
<td><a href="https://www.sipri.org/databases/milex">https://www.sipri.org/databases/milex</a></td>
</tr>
<tr>
<td>Sul Global Insights (GSI)</td>
<td></td>
<td>Bloco militar dos EUA</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>The Economist</td>
<td>One Hundred Years of Economic Statistics</td>
<td>Balanço de conta corrente do Reino Unido</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>The Economist</td>
<td>One Hundred Years of Economic Statistics</td>
<td>PIB do Reino Unido em termos de preços de mercado</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>The Economist</td>
<td>One Hundred Years of Economic Statistics</td>
<td>Balanço de conta corrente dos Estados Unidos 1885–1987</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>The Economist</td>
<td>One Hundred Years of Economic Statistics</td>
<td>Produto nacional bruto dos EUA (PNB) 1889–1987</td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td>US Bureau of Economic Analysis (BEA)</td>
<td>International Transactions, International Services, and International Investment Position Tables</td>
<td>Balanço em conta corrente</td>
<td><a href="https://apps.bea.gov/itable/?reqid=62&amp;step=1&amp;_gl=1*xxlwzz*_ga*Mjk5NDQ2MTIxLjE2OTA0NjEwMzA.*_ga_J4698JNNFT*MTcwMjMxNjAyMC4xNS4xLjE3MDIzMTYwMjkuMC4wLjA.#eyJhcHBpZCI6NjIsInN0ZXBzIjpbMSwyLDYsNl0sImRhdGEiOltbIlByb2R1Y3QiLCIxIl0sWyJUYWJsZUxpc3QiLCIxIl0sWyJGaWx0ZXJfIzEiLFsiMCJdXSxbIkZpbHRlcl8jMiIsWyIwIl1dLFsiRmlsdGVyXyMzIixbIjAiXV0sWyJGaWx0ZXJfIzQiLFsiMCJdXSxbIkZpbHRlcl8jNSIsWyIwIl1dXX0=">https://apps.bea.gov/itable/?reqid=62&amp;step=1&amp;_gl=1*xxlwzz*_ga*Mjk5NDQ2MTIxLjE2OTA0NjEwMzA.*_ga_J4698JNNFT*MTcwMjMxNjAyMC4xNS4xLjE3MDIzMTYwMjkuMC4wLjA.#eyJhcHBpZCI6NjIsInN0ZXBzIjpbMSwyLDYsNl0sImRhdGEiOltbIlByb2R1Y3QiLCIxIl0sWyJUYWJsZUxpc3QiLCIxIl0sWyJGaWx0ZXJfIzEiLFsiMCJdXSxbIkZpbHRlcl8jMiIsWyIwIl1dLFsiRmlsdGVyXyMzIixbIjAiXV0sWyJGaWx0ZXJfIzQiLFsiMCJdXSxbIkZpbHRlcl8jNSIsWyIwIl1dXX0=</a></td>
</tr>
<tr>
<td>US Bureau of Economic Analysis (BEA)</td>
<td>National Income and Product Accounts</td>
<td>Produto Interno Bruto (PIB), índices de quantidade</td>
<td><a href="https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey">https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey#eyJhcHBpZCI6MTksInN0ZXBzIjpbMSwyLDMsM10sImRhdGEiOltbImNhdGVnb3JpZXMiLCJTdXJ2ZXkiXSxbIk5JUEFfVGFibGVfTGlzdCIsIjMiXSxbIkZpcnN0X1llYXIiLCIyMDIxIl0sWyJMYXN0X1llYXIiLCIyMDIzIl0sWyJTY2FsZSIsIjAiXSxbIlNlcmllcyIsIkEiXSxbIlNlbGVjdF9hbGxfeWVhcnMiLCIxIl1dfQ==</a></td>
</tr>
<tr>
<td>US Bureau of Economic Analysis (BEA)</td>
<td>National Income and Product Accounts</td>
<td>Produto Nacional Bruto</td>
<td><a href="https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey&amp;_gl=1*es60tl*_ga*Mjk5NDQ2MTIxLjE2OTA0NjEwMzA.*_ga_J4698JNNFT*MTcwMjMxNjAyMC4xNS4xLjE3MDIzMTYyODEuMC4wLjA.#eyJhcHBpZCI6MTksInN0ZXBzIjpbMSwyLDMsM10sImRhdGEiOltbImNhdGVnb3JpZXMiLCJTdXJ2ZXkiXSxbIk5JUEFfVGFibGVfTGlzdCIsIjMxNyJdLFsiRmlyc3RfWWVhciIsIjIwMjEiXSxbIkxhc3RfWWVhciIsIjIwMjMiXSxbIlNjYWxlIiwiLTkiXSxbIlNlcmllcyIsIkEiXSxbIlNlbGVjdF9hbGxfeWVhcnMiLCIxIl1dfQ==">https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey&amp;_gl=1*es60tl*_ga*Mjk5NDQ2MTIxLjE2OTA0NjEwMzA.*_ga_J4698JNNFT*MTcwMjMxNjAyMC4xNS4xLjE3MDIzMTYyODEuMC4wLjA.#eyJhcHBpZCI6MTksInN0ZXBzIjpbMSwyLDMsM10sImRhdGEiOltbImNhdGVnb3JpZXMiLCJTdXJ2ZXkiXSxbIk5JUEFfVGFibGVfTGlzdCIsIjMxNyJdLFsiRmlyc3RfWWVhciIsIjIwMjEiXSxbIkxhc3RfWWVhciIsIjIwMjMiXSxbIlNjYWxlIiwiLTkiXSxbIlNlcmllcyIsIkEiXSxbIlNlbGVjdF9hbGxfeWVhcnMiLCIxIl1dfQ==</a></td>
</tr>
<tr>
<td>US Bureau of Economic Analysis (BEA)</td>
<td>National Income and Product Accounts</td>
<td>Poupança e investimento por setor</td>
<td><a href="https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey#eyJhcHBpZCI6MTksInN0ZXBzIjpbMSwyLDNdLCJkYXRhIjpbWyJjYXRlZ29yaWVzIiwiU3VydmV5Il0sWyJOSVBBX1RhYmxlX0xpc3QiLCIxMzciXV19">https://apps.bea.gov/itable/?reqid=19&amp;step=2&amp;isuri=1&amp;categories=survey#eyJhcHBpZCI6MTksInN0ZXBzIjpbMSwyLDNdLCJkYXRhIjpbWyJjYXRlZ29yaWVzIiwiU3VydmV5Il0sWyJOSVBBX1RhYmxlX0xpc3QiLCIxMzciXV19</a></td>
</tr>
<tr>
<td>World Beyond War</td>
<td>USA’s Military Empire: A Visual Database</td>
<td>902 bases militares atuais dos EUA</td>
<td><a href="https://worldbeyondwar.org/no-bases/">https://worldbeyondwar.org/no-bases/</a></td>
</tr>
<tr>
<td>World Resources Institute (WRI)</td>
<td></td>
<td>Shapefiles dos limites e fronteiras nacionais, Perspectiva da Índia, última atualização em 4 de maio de 2017</td>
<td><a href="https://github.com/wri/wri-bounds">https://github.com/wri/wri-bounds</a></td>
</tr>
<tr>
<td>XV Cúpula do BRICS 2023</td>
<td>Johannesburg II Declaration BRICS and Africa: Partnership for Mutually Accelerated Growth, Sustainable Development and Inclusive Multilateralism</td>
<td>Membros do BRICS</td>
<td><a href="https://brics2023.gov.za/wp-content/uploads/2023/08/Jhb-II-Declaration-24-August-2023-1.pdf">https://brics2023.gov.za/wp-content/uploads/2023/08/Jhb-II-Declaration-24-August-2023-1.pdf</a></td>
</tr>
<tr>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="4">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h2 style="margin:3em 0;">Sul Global Insights</h2>
<p>Sul Global Insights (GSI, pela sigla em inglês) é uma rede de pesquisadores comprometidos com o avanço da pesquisa quantitativa e orientada por dados no campo das ciências humanas e sociais. É parceira do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.</p>
<p>A GSI adota tecnologias avançadas com foco em bancos de dados estatísticos de diversas instituições fidedignas, incorporando mecanismos abrangentes de governança e auditoria de dados.</p>
<p>Entre as questões comuns enfrentadas pelas pesquisadoras e pelos pesquisadores estão:</p>
<ul>
<li><strong>Fontes de dados complexas, dificuldade na integração de dados. </strong>No caso de dados de uso comum, como estatísticas sobre populações e o PIB, organizações como as Nações Unidas, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional têm abordagens estatísticas distintas. Não há padronização entre os dados divulgados por essas instituições, o que leva a diversos problemas de compatibilidade e interoperabilidade durante a integração de dados.</li>
<li><strong>Qualidade de dados baixa, dificuldade na auditoria dos dados</strong>. Dados faltantes e errôneos são frequentes nos conjuntos de dados publicados por várias organizações. A auditoria dos dados originais e dos integrados/analisados depende muito de operações manuais, que exigem um trabalho intensivo e são ineficientes e propensas a erros, carecendo de repetibilidade.</li>
<li><strong>Ferramentas básicas de processamento, dificuldade na análise avançada. </strong>A integração e a análise de dados dependem muito de ferramentas básicas como o Excel, ineficientes e complicadas de se utilizar em operações como a obtenção de médias móveis de 10 anos e regressão linear. Esses desafios dificultam a realização de análises abstratas de mais alto nível.</li>
<li><strong>Visualização limitada, dificuldade na apresentação de <em>insights</em>. </strong>Contar com os formatos limitados dos gráficos fornecidos pelo Excel dificulta a criação de apresentações de dados mais expressivas, como gráficos compostos, mapas, mapas de calor etc. Não é possível atualizar automaticamente os gráficos criados com ferramentas de design após alterações de dados.</li>
<li><strong>Falta de gestão de ativos de dados, dificuldade de colaboração em equipe</strong>. Os processos de pesquisa quantitativa baseados em arquivos de Excel carecem de acúmulo e gestão de ativos de dados, como dados de origem, resultados de auditoria de dados, fluxos de trabalho de processamento de dados, dados de processos e resultados provisórios, o que dificulta o apoio à pesquisa colaborativa de longo prazo entre diversas pessoas e diversos temas. <a name="_Toc150359664"></a></li>
</ul>
<h2 style="margin:3em 0;">Lista completa de “Cento e onze países diversos do Sul Global”</h2>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 56</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, todos os países, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 1</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th class="br" rowspan="2">País</th>
<th class="br" style="text-align: center;" colspan="5">Geral</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">História colonial</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">ONU<br>
<span class="single-post--table-heading--small">ano de entrada</span></th>
<th style="text-align: right;">População<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">(bi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Taxa de crescimento<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10 anos<br>
média movel anual</span></th>
<th style="text-align: right;">PIB (PPC)<br>
<span class="single-post--table-heading--small">per capita</span></th>
<th style="text-align: center;">Situação<br>
colonial</th>
<th style="text-align: right;">Principais<br>
colonizadores</th>
<th style="text-align: right;">Ano de<br>
independência</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">111</td>
<td style="text-align: right;">1.676</td>
<td style="text-align: right;">4,3%</td>
<td style="text-align: right;">16.174</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1922</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
<td style="text-align: right;">236</td>
<td style="text-align: right;">1.520</td>
<td style="text-align: right;">4,0%</td>
<td style="text-align: right;">6.695</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
<td style="text-align: right;">72</td>
<td style="text-align: right;">1.482</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">21.154</td>
<td style="text-align: center;">Semi-colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, França</td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;">1974</td>
<td style="text-align: right;">171</td>
<td style="text-align: right;">1.343</td>
<td style="text-align: right;">6,5%</td>
<td style="text-align: right;">7.971</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">219</td>
<td style="text-align: right;">1.281</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">5.909</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">46</td>
<td style="text-align: right;">1.226</td>
<td style="text-align: right;">0,3%</td>
<td style="text-align: right;">26.484</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha, Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1816</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">1.137</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">34.834</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">835</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">84.657</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">719</td>
<td style="text-align: right;">3,3%</td>
<td style="text-align: right;">127.563</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">19</td>
<td style="text-align: right;">603</td>
<td style="text-align: right;">2,9%</td>
<td style="text-align: right;">30.523</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">579</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">29.221</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1818</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">523</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">15.310</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">44</td>
<td style="text-align: right;">505</td>
<td style="text-align: right;">2,7%</td>
<td style="text-align: right;">11.948</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1932</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
<td style="text-align: right;">37</td>
<td style="text-align: right;">363</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">9.900</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França, Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">123</td>
<td style="text-align: right;">358</td>
<td style="text-align: right;">8,4%</td>
<td style="text-align: right;">3.435</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">35</td>
<td style="text-align: right;">340</td>
<td style="text-align: right;">5,9%</td>
<td style="text-align: right;">9.634</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">22</td>
<td style="text-align: right;">320</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">14.267</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;">1963</td>
<td style="text-align: right;">54</td>
<td style="text-align: right;">311</td>
<td style="text-align: right;">4,5%</td>
<td style="text-align: right;">6.151</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1963</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">309</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">109.160</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
<td style="text-align: right;">54</td>
<td style="text-align: right;">261</td>
<td style="text-align: right;">3,3%</td>
<td style="text-align: right;">4.847</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1948</td>
</tr>
<tr>
<td>República Dominicana</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">256</td>
<td style="text-align: right;">5,2%</td>
<td style="text-align: right;">24.117</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1844</td>
</tr>
<tr>
<td>Kuwait</td>
<td style="text-align: right;">1963</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">249</td>
<td style="text-align: right;">0,3%</td>
<td style="text-align: right;">51.238</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
</tr>
<tr>
<td>Angola</td>
<td style="text-align: right;">1976</td>
<td style="text-align: right;">36</td>
<td style="text-align: right;">248</td>
<td style="text-align: right;">0,4%</td>
<td style="text-align: right;">6.944</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Equador</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">18</td>
<td style="text-align: right;">231</td>
<td style="text-align: right;">1,0%</td>
<td style="text-align: right;">12.818</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1822</td>
</tr>
<tr>
<td>Gana</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
<td style="text-align: right;">33</td>
<td style="text-align: right;">217</td>
<td style="text-align: right;">4,5%</td>
<td style="text-align: right;">6.752</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1957</td>
</tr>
<tr>
<td>Tanzânia</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
<td style="text-align: right;">65</td>
<td style="text-align: right;">209</td>
<td style="text-align: right;">6,2%</td>
<td style="text-align: right;">3.394</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
<td style="text-align: right;">47</td>
<td style="text-align: right;">204</td>
<td style="text-align: right;">0,6%</td>
<td style="text-align: right;">4.366</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
</tr>
<tr>
<td>Omã</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">191</td>
<td style="text-align: right;">2,1%</td>
<td style="text-align: right;">38.699</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1650</td>
</tr>
<tr>
<td>Guatemala</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">18</td>
<td style="text-align: right;">188</td>
<td style="text-align: right;">3,5%</td>
<td style="text-align: right;">10.076</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa do Marfim</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">28</td>
<td style="text-align: right;">184</td>
<td style="text-align: right;">6,8%</td>
<td style="text-align: right;">6.486</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Azerbaijão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">181</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">17.800</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Panamá</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">173</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">39.397</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1903</td>
</tr>
<tr>
<td>Tunísia</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td style="text-align: right;">154</td>
<td style="text-align: right;">1,2%</td>
<td style="text-align: right;">12.723</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1956</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbia</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">143</td>
<td style="text-align: right;">-4,4%</td>
<td style="text-align: right;">21.104</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Itália</td>
<td style="text-align: right;">1951</td>
</tr>
<tr>
<td>RD Congo</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">99</td>
<td style="text-align: right;">136</td>
<td style="text-align: right;">5,3%</td>
<td style="text-align: right;">1.409</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Uganda</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">47</td>
<td style="text-align: right;">134</td>
<td style="text-align: right;">4,8%</td>
<td style="text-align: right;">3.062</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa Rica</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">131</td>
<td style="text-align: right;">3,0%</td>
<td style="text-align: right;">25.000</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Jordânia</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">124</td>
<td style="text-align: right;">2,0%</td>
<td style="text-align: right;">12.055</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1946</td>
</tr>
<tr>
<td>Camarões</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">28</td>
<td style="text-align: right;">124</td>
<td style="text-align: right;">4,0%</td>
<td style="text-align: right;">4.431</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França, Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Turcomenistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">119</td>
<td style="text-align: right;">1,1%</td>
<td style="text-align: right;">19.028</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Paraguai</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">108</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">14.535</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1811</td>
</tr>
<tr>
<td>Uruguai</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">99</td>
<td style="text-align: right;">1,6%</td>
<td style="text-align: right;">27.770</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1825</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahrein</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">90</td>
<td style="text-align: right;">2,7%</td>
<td style="text-align: right;">58.426</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
</tr>
<tr>
<td>Camboja</td>
<td style="text-align: right;">1955</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">90</td>
<td style="text-align: right;">5,5%</td>
<td style="text-align: right;">5.613</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1953</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbano</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">78</td>
<td style="text-align: right;">-4,0%</td>
<td style="text-align: right;">11.794</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1943</td>
</tr>
<tr>
<td>Zâmbia</td>
<td style="text-align: right;">1964</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">78</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">3.894</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1964</td>
</tr>
<tr>
<td>Senegal</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">73</td>
<td style="text-align: right;">5,1%</td>
<td style="text-align: right;">4.117</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>El Salvador</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">70</td>
<td style="text-align: right;">2,1%</td>
<td style="text-align: right;">11.097</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1821</td>
</tr>
<tr>
<td>Iêmen</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">68</td>
<td style="text-align: right;">-4,8%</td>
<td style="text-align: right;">2.035</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1967</td>
</tr>
<tr>
<td>Benim</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">13</td>
<td style="text-align: right;">54</td>
<td style="text-align: right;">5,5%</td>
<td style="text-align: right;">4.048</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Armênia</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">53</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">17.795</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Madagascar</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">30</td>
<td style="text-align: right;">53</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">1.817</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Tajiquistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">49</td>
<td style="text-align: right;">7,1%</td>
<td style="text-align: right;">4.943</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Mongólia</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">4,4%</td>
<td style="text-align: right;">13.996</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">1911</td>
</tr>
<tr>
<td>Moçambique</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">33</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">3,9%</td>
<td style="text-align: right;">1.469</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Botsuana</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">48</td>
<td style="text-align: right;">3,8%</td>
<td style="text-align: right;">18.323</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
</tr>
<tr>
<td>Quirguistão</td>
<td style="text-align: right;">1992</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">42</td>
<td style="text-align: right;">4,0%</td>
<td style="text-align: right;">6.127</td>
<td style="text-align: center;">Independente</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Trindade e Tobago</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">41</td>
<td style="text-align: right;">-1,4%</td>
<td style="text-align: right;">29.050</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Gabão</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">39</td>
<td style="text-align: right;">2,4%</td>
<td style="text-align: right;">18.207</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Papua Nova Guiné</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">39</td>
<td style="text-align: right;">3,8%</td>
<td style="text-align: right;">3.252</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Austrália</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Ruanda</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
<td style="text-align: right;">38</td>
<td style="text-align: right;">6,3%</td>
<td style="text-align: right;">2.904</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Haiti</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">12</td>
<td style="text-align: right;">38</td>
<td style="text-align: right;">0,6%</td>
<td style="text-align: right;">3.161</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1804</td>
</tr>
<tr>
<td>Malawi</td>
<td style="text-align: right;">1964</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">36</td>
<td style="text-align: right;">3,6%</td>
<td style="text-align: right;">1.628</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1964</td>
</tr>
<tr>
<td>Maurícia</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">2,1%</td>
<td style="text-align: right;">26.934</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiana</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">13,4%</td>
<td style="text-align: right;">42.699</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
</tr>
<tr>
<td>Jamaica</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">34</td>
<td style="text-align: right;">0,6%</td>
<td style="text-align: right;">12.302</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Brunei</td>
<td style="text-align: right;">1984</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
<td style="text-align: right;">-0,5%</td>
<td style="text-align: right;">70.576</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1984</td>
</tr>
<tr>
<td>Mauritânia</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">31</td>
<td style="text-align: right;">3,9%</td>
<td style="text-align: right;">7.113</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Somália</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">18</td>
<td style="text-align: right;">30</td>
<td style="text-align: right;">3,1%</td>
<td style="text-align: right;">1.928</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, Itália</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Chade</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">18</td>
<td style="text-align: right;">30</td>
<td style="text-align: right;">1,2%</td>
<td style="text-align: right;">1.724</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné Equatorial</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">29</td>
<td style="text-align: right;">-4,2%</td>
<td style="text-align: right;">19.465</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. Congo</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: right;">-1,4%</td>
<td style="text-align: right;">5.277</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Togo</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">23</td>
<td style="text-align: right;">5,0%</td>
<td style="text-align: right;">2.594</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahamas</td>
<td style="text-align: right;">1973</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">0,6%</td>
<td style="text-align: right;">42.023</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1973</td>
</tr>
<tr>
<td>Serra Leoa</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">17</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">2.009</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1961</td>
</tr>
<tr>
<td>Fiji</td>
<td style="text-align: right;">1970</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">14</td>
<td style="text-align: right;">2,0%</td>
<td style="text-align: right;">14.950</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1970</td>
</tr>
<tr>
<td>Maldivas</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">13</td>
<td style="text-align: right;">5,3%</td>
<td style="text-align: right;">33.663</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
</tr>
<tr>
<td>Essuatini</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">13</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">11.217</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
</tr>
<tr>
<td>Suriname</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">-1,7%</td>
<td style="text-align: right;">17.498</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Países Baixos</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Burundi</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
<td style="text-align: right;">13</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">856</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Bélgica</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Butão</td>
<td style="text-align: right;">1971</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">3,4%</td>
<td style="text-align: right;">13.219</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1947</td>
</tr>
<tr>
<td>Timor Leste</td>
<td style="text-align: right;">2002</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">8,5%</td>
<td style="text-align: right;">7.064</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">2002</td>
</tr>
<tr>
<td>Libéria</td>
<td style="text-align: right;">1945</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">9</td>
<td style="text-align: right;">1,5%</td>
<td style="text-align: right;">1.690</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">EUA</td>
<td style="text-align: right;">1847</td>
</tr>
<tr>
<td>Gâmbia</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">3,6%</td>
<td style="text-align: right;">2.670</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1965</td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão do Sul</td>
<td style="text-align: right;">2011</td>
<td style="text-align: right;">11</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">0,3%</td>
<td style="text-align: right;">456</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">2011</td>
</tr>
<tr>
<td>Djibuti</td>
<td style="text-align: right;">1977</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">5,1%</td>
<td style="text-align: right;">6.502</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1977</td>
</tr>
<tr>
<td>Lesoto</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">7</td>
<td style="text-align: right;">0,3%</td>
<td style="text-align: right;">3.092</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné-Bisáu</td>
<td style="text-align: right;">1974</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">4,1%</td>
<td style="text-align: right;">2.911</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1973</td>
</tr>
<tr>
<td>República Centro-Africana</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
<td style="text-align: right;">6</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">-2,3%</td>
<td style="text-align: right;">1.081</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1960</td>
</tr>
<tr>
<td>Cabo Verde</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">9.263</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Barbados</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">-0,3%</td>
<td style="text-align: right;">17.339</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1966</td>
</tr>
<tr>
<td>Belize</td>
<td style="text-align: right;">1981</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">5</td>
<td style="text-align: right;">2,8%</td>
<td style="text-align: right;">10.564</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1981</td>
</tr>
<tr>
<td>Seicheles</td>
<td style="text-align: right;">1976</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">4</td>
<td style="text-align: right;">5,3%</td>
<td style="text-align: right;">39.079</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1976</td>
</tr>
<tr>
<td>Santa Lúcia</td>
<td style="text-align: right;">1979</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">0,7%</td>
<td style="text-align: right;">17.840</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1979</td>
</tr>
<tr>
<td>Comores</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">3</td>
<td style="text-align: right;">2,5%</td>
<td style="text-align: right;">3.363</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">França</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Antígua e Barbuda</td>
<td style="text-align: right;">1981</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">2,2%</td>
<td style="text-align: right;">23.575</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1981</td>
</tr>
<tr>
<td>Granada</td>
<td style="text-align: right;">1974</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">2,6%</td>
<td style="text-align: right;">18.843</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1974</td>
</tr>
<tr>
<td>São Vicente e Granadinas</td>
<td style="text-align: right;">1980</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">16.216</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1979</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Salomão</td>
<td style="text-align: right;">1978</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1,3%</td>
<td style="text-align: right;">2.325</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1978</td>
</tr>
<tr>
<td>São Cristóvão e Neves</td>
<td style="text-align: right;">1983</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">2</td>
<td style="text-align: right;">1,4%</td>
<td style="text-align: right;">27.767</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1983</td>
</tr>
<tr>
<td>Samoa</td>
<td style="text-align: right;">1976</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">0,1%</td>
<td style="text-align: right;">5.883</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Nova Zelândia</td>
<td style="text-align: right;">1962</td>
</tr>
<tr>
<td>Dominica</td>
<td style="text-align: right;">1978</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">0,0%</td>
<td style="text-align: right;">13.293</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1978</td>
</tr>
<tr>
<td>Vanuatu</td>
<td style="text-align: right;">1981</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">1,8%</td>
<td style="text-align: right;">2.890</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, França</td>
<td style="text-align: right;">1980</td>
</tr>
<tr>
<td>São Tomé e Príncipe</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">3,2%</td>
<td style="text-align: right;">4.067</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Portugal</td>
<td style="text-align: right;">1975</td>
</tr>
<tr>
<td>Tonga</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">1</td>
<td style="text-align: right;">1,0%</td>
<td style="text-align: right;">6.686</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1970</td>
</tr>
<tr>
<td>Micronésia</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">-0,2%</td>
<td style="text-align: right;">3.693</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Imp. Alemão, Japão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Quiribati</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">2,3%</td>
<td style="text-align: right;">2.271</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1979</td>
</tr>
<tr>
<td>Palau</td>
<td style="text-align: right;">1994</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">-1,2%</td>
<td style="text-align: right;">14.515</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Imp. Alemão, Japão, EUA</td>
<td style="text-align: right;">1994</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Marshall</td>
<td style="text-align: right;">1991</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">1,9%</td>
<td style="text-align: right;">5.497</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Espanha, Imp. Alemão, Japão, EUA</td>
<td style="text-align: right;">1986</td>
</tr>
<tr>
<td>Nauru</td>
<td style="text-align: right;">1999</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">4,4%</td>
<td style="text-align: right;">10.930</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia</td>
<td style="text-align: right;">1968</td>
</tr>
<tr>
<td>Tuvalu</td>
<td style="text-align: right;">2000</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 1</td>
<td style="text-align: right;">0</td>
<td style="text-align: right;">3,5%</td>
<td style="text-align: right;">5.376</td>
<td style="text-align: center;">Colônia</td>
<td style="text-align: right;">Reino Unido</td>
<td style="text-align: right;">1978</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>2.242</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>21.171</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>9.687</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>103 Col+SemiCol</strong></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"><strong>28,1%</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>12,9%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="9">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados da ONU, FMI</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 56</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, todos os países, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 2</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="2">Militar</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3">Alvo militar dos EUA</th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Gasto militar<br>
<span class="single-post--table-heading--small">aj. (mi)</span></th>
<th style="text-align: right;">Military spend<br>
<span class="single-post--table-heading--small">adj. per capita<br>
&gt; world avg. (times)</span></th>
<th style="text-align: center;">Sanções<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">lista</span></th>
<th style="text-align: center;">Intervenção<br>
militar<br>
dos EUA<br>
<span class="single-post--table-heading--small">hist.</span></th>
<th style="text-align: center;">Bases militares<br>
EUA</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;">4.646</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">7</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;">10.337</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;">5.724</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;">4.806</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;">3.109</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;">2.578</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;">3.671</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;">11.688</td>
<td style="text-align: right;">5,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;">1.133</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;">5.566</td>
<td style="text-align: right;">0,8</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;">2.845</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;">4.683</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;">4.995</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;">1.031</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;">1.053</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;">1.138</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;">15.412</td>
<td style="text-align: right;">15,9</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">5</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;">1.857</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>República Dominicana</td>
<td style="text-align: right;">761</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Kuwait</td>
<td style="text-align: right;">8.244</td>
<td style="text-align: right;">5,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Angola</td>
<td style="text-align: right;">1.623</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Equador</td>
<td style="text-align: right;">2.489</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Gana</td>
<td style="text-align: right;">229</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Tanzânia</td>
<td style="text-align: right;">832</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Omã</td>
<td style="text-align: right;">5.783</td>
<td style="text-align: right;">3,5</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Guatemala</td>
<td style="text-align: right;">431</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa do Marfim</td>
<td style="text-align: right;">607</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Azerbaijão</td>
<td style="text-align: right;">2.991</td>
<td style="text-align: right;">0,8</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Panamá</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">15</td>
</tr>
<tr>
<td>Tunísia</td>
<td style="text-align: right;">1.156</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>RD Congo</td>
<td style="text-align: right;">371</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Uganda</td>
<td style="text-align: right;">923</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa Rica</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">4</td>
</tr>
<tr>
<td>Jordânia</td>
<td style="text-align: right;">2.323</td>
<td style="text-align: right;">0,6</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">8</td>
</tr>
<tr>
<td>Camarões</td>
<td style="text-align: right;">417</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">4</td>
</tr>
<tr>
<td>Turcomenistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Paraguai</td>
<td style="text-align: right;">366</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Uruguai</td>
<td style="text-align: right;">1.376</td>
<td style="text-align: right;">1,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahrein</td>
<td style="text-align: right;">1.381</td>
<td style="text-align: right;">2,6</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Camboja</td>
<td style="text-align: right;">611</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbano</td>
<td style="text-align: right;">4.739</td>
<td style="text-align: right;">2,4</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Zâmbia</td>
<td style="text-align: right;">326</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Senegal</td>
<td style="text-align: right;">433</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>El Salvador</td>
<td style="text-align: right;">422</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Iêmen</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Benim</td>
<td style="text-align: right;">97</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Armênia</td>
<td style="text-align: right;">795</td>
<td style="text-align: right;">0,8</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Madagascar</td>
<td style="text-align: right;">98</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Tajiquistão</td>
<td style="text-align: right;">103</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Mongólia</td>
<td style="text-align: right;">118</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Moçambique</td>
<td style="text-align: right;">282</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Botsuana</td>
<td style="text-align: right;">489</td>
<td style="text-align: right;">0,5</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Quirguistão</td>
<td style="text-align: right;">150</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Trindade e Tobago</td>
<td style="text-align: right;">201</td>
<td style="text-align: right;">0,4</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Gabão</td>
<td style="text-align: right;">278</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Papua Nova Guiné</td>
<td style="text-align: right;">97</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Ruanda</td>
<td style="text-align: right;">177</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Haiti</td>
<td style="text-align: right;">13</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Malawi</td>
<td style="text-align: right;">76</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Maurícia</td>
<td style="text-align: right;">20</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Guiana</td>
<td style="text-align: right;">84</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Jamaica</td>
<td style="text-align: right;">215</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Brunei</td>
<td style="text-align: right;">436</td>
<td style="text-align: right;">2,7</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Mauritânia</td>
<td style="text-align: right;">225</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Somália</td>
<td style="text-align: right;">115</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">6</td>
</tr>
<tr>
<td>Chade</td>
<td style="text-align: right;">357</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné Equatorial</td>
<td style="text-align: right;">157</td>
<td style="text-align: right;">0,3</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. Congo</td>
<td style="text-align: right;">266</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Togo</td>
<td style="text-align: right;">337</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Bahamas</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">9</td>
</tr>
<tr>
<td>Serra Leoa</td>
<td style="text-align: right;">24</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Fiji</td>
<td style="text-align: right;">67</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Maldivas</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Essuatini</td>
<td style="text-align: right;">74</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Suriname</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Burundi</td>
<td style="text-align: right;">101</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Butão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Timor Leste</td>
<td style="text-align: right;">44</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Libéria</td>
<td style="text-align: right;">19</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Gâmbia</td>
<td style="text-align: right;">15</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão do Sul</td>
<td style="text-align: right;">379</td>
<td style="text-align: right;">0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Djibuti</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">2</td>
</tr>
<tr>
<td>Lesoto</td>
<td style="text-align: right;">35</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné-Bisáu</td>
<td style="text-align: right;">25</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>República Centro-Africana</td>
<td style="text-align: right;">42</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Cabo Verde</td>
<td style="text-align: right;">10</td>
<td style="text-align: right;">&lt; 0,1</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Barbados</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Belize</td>
<td style="text-align: right;">24</td>
<td style="text-align: right;">0,2</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">9</td>
</tr>
<tr>
<td>Seicheles</td>
<td style="text-align: right;">26</td>
<td style="text-align: right;">0,7</td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Santa Lúcia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Comores</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Antígua e Barbuda</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Granada</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>São Vicente e Granadinas</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Salomão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>São Cristóvão e Neves</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Samoa</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">1</td>
</tr>
<tr>
<td>Dominica</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Vanuatu</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>São Tomé e Príncipe</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Tonga</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Micronésia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Quiribati</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Palau</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">3</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Marshall</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;">S</td>
<td style="text-align: center;">10</td>
</tr>
<tr>
<td>Nauru</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td>Tuvalu</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>131.182</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"><strong>17</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>63</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>192</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Porcentagem do mundo</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>4,6%</strong></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
<td style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Elaboração de Sul Global Insights com base em dados de SIPRI e Monthly Review, ONU, CRS, World Beyond War</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<div class="single-post--table-responsive--wrapper">
<table class="single-post--table-responsive single-post--table-styled">
<caption>
<h5>Figura 56</h5>
<h3 style="margin:2em 0;">Grupo 5: Sul Global diverso</h3>
<h4 style="margin:2em 0;">Informações selecionadas, todos os países, classificados por PIB (PPC), 2022</h4>
<p>Parte 3</p>
</caption>
<thead>
<tr>
<th rowspan="2">País</th>
<th style="text-align: center;" colspan="3"><strong>Afiliações internacionais</strong></th>
<th style="text-align: center;" colspan="2"><strong>Votos na ONU</strong></th>
</tr>
<tr>
<th style="text-align: right;">Amigos da<br>
Carta da ONU</th>
<th style="text-align: right;">Org. de<br>
Cooperação<br>
de Xangai</th>
<th style="text-align: right;">Brics10</th>
<th style="text-align: center;">Cessar-fogo<br>
em Gaza<br>
<span class="single-post--table-heading--small">10/2023</span></th>
<th style="text-align: center;">Retirada<br>
da Rússia<br>
<span class="single-post--table-heading--small">02/2023</span></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Egito</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Paquistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Tailândia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Bangladesh</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Nigéria</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Argentina</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Malásia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Emirados Árabes Unidos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Singapura</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Cazaquistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Chile</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Peru</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Iraque</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Marrocos</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Etiópia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Novo</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Uzbequistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Sri Lanka</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Quênia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Catar</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Mianmar</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>República Dominicana</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Kuwait</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Angola</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Equador</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Gana</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Tanzânia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Omã</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Guatemala</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa do Marfim</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Azerbaijão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Panamá</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Tunísia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>RD Congo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Uganda</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Costa Rica</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Jordânia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Camarões</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Turcomenistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Paraguai</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Uruguai</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahrein</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Camboja</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Líbano</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Zâmbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Senegal</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>El Salvador</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Iêmen</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Benim</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Armênia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Madagascar</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Tajiquistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Mongólia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Observador</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Moçambique</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Botsuana</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Quirguistão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Pleno</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Trindade e Tobago</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Gabão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Papua Nova Guiné</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Ruanda</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Haiti</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Malawi</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Maurícia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiana</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Jamaica</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Brunei</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Mauritânia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Somália</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Chade</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné Equatorial</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Rep. Congo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Togo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Bahamas</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Serra Leoa</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Fiji</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Maldivas</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;">Diálogo</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Essuatini</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Suriname</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Burundi</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Butão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Timor Leste</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Libéria</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Gâmbia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Sudão do Sul</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Djibuti</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Lesoto</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Guiné-Bisáu</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>República Centro-Africana</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
</tr>
<tr>
<td>Cabo Verde</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Barbados</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Belize</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Seicheles</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Santa Lúcia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Comores</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Antígua e Barbuda</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Granada</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>São Vicente e Granadinas</td>
<td style="text-align: right;">S</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Salomão</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>São Cristóvão e Neves</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Samoa</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Dominica</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
</tr>
<tr>
<td>Vanuatu</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>São Tomé e Príncipe</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Não votou</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Tonga</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Micronésia</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Quiribati</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Palau</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Ilhas Marshall</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Nauru</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Contra</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td>Tuvalu</td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: right;"></td>
<td style="text-align: center;">Abstenção</td>
<td style="text-align: center;">A favor</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Total</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>17</strong></td>
<td style="text-align: right;"><strong>3</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>77 A favor</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>20 Abstenção</strong></td>
</tr>
</tbody>
<tfoot>
<tr>
<td colspan="6">
<div>Fonte: Sul Global Insights</div>
</td>
</tr>
</tfoot>
</table>
</div>
<h3 class="single-post--content--citations-title" style="margin:2em 0;">Notas de fim</h3>
<div class="single-post--content--citations-block">
<p><a href="#_ednref1" name="_edn1"><sup>1</sup></a> Vijay Prashad, <em>Struggle Makes Us Human: Learning from Movements for Socialism </em>(Nova York: Haymarket Books, 2022); Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Dez teses sobre marxismo e descolonização</em>, dossiê no. 56, 20 de setembro de 2022, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-dez-teses-sobre-marxismo-e-descolonizacao/.">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-dez-teses-sobre-marxismo-e-descolonizacao/.</a></p>
<p><a href="#_ednref2" name="_edn2"><sup>2</sup></a> Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Reforma agrária popular e a luta pela terra no Brasil</em>, dossiê no. 27, 6 de abril de 2020, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-27-terra/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-27-terra/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref3" name="_edn3"><sup>3</sup></a> Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Um legado estratégico: o pensamento revolucionário do comandante Chávez 10 anos após sua partida</em>, dossiê no. 61, 28 de fevereiro de 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossierchavez-pensamento-estrategico/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossierchavez-pensamento-estrategico/</a>; Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Um mapa do presente da América Latina: uma entrevista com Héctor Béjar</em>, dossiê no. 49, 7 de fevereiro de 2022, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-49-bejar-america-latin/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-49-bejar-america-latin/</a>; Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>O Ministério das Colônias dos EUA e sua cúpula</em>, alerta vermelho nº 14, 25 de maio de 2022, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-14-cupula-americas/.">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-14-cupula-americas/.</a></p>
<p><a href="#_ednref4" name="_edn4"><sup>4</sup></a> Immanuel Wallerstein, “The Three Instances of Hegemony in the History of the Capitalist World-Economy”, ed. Lenski, <em>Current Issues and Research in Macrosociology</em>, 1 de janeiro de 1984, 100-108, <a href="https://doi.org/10.1163/9789004477995_008">https://doi.org/10.1163/9789004477995_008</a>.</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>5</sup></a> NT: O documento adota os nomes oficiais da República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte) e República da Coreia (Coreia do Sul).</p>
<p><a href="#_ednref5" name="_edn5"><sup>6</sup></a> Jens Stoltenberg, Ursula von der Leyen e Charles Michel, “Joint Declaration on EU-NATO Cooperation”, Organização do Tratado do Atlântico Norte, 10 de janeiro de 2023, <a href="https://www.nato.int/cps/en/natohq/official_texts_210549.htm.">https://www.nato.int/cps/en/natohq/official_texts_210549.htm.</a></p>
<p><a href="#_ednref6" name="_edn6"><sup>7</sup></a> Leila Khaled: “Onde há repressão, há resistência”, <em>Capire, </em>27 de outubro de 2023, <a href="https://capiremov.org/entrevista/leila-khaled-onde-ha-repressao-ha-resistencia/">https://capiremov.org/entrevista/leila-khaled-onde-ha-repressao-ha-resistencia/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref7" name="_edn7"><sup>8</sup></a> Vladimir I. Lênin, <em>Imperialism, the Highest Stage of Capitalism: A Popular Outline </em>(Nova York: International Publishers, 1939); Walter Rodney, <em>How Europe</em> <em>Underdeveloped Africa </em>(Londres: Bogle-L’Ouverture Publications, 1972); Kwame Nkrumah, <em>Neo-Colonialism: The Last Stage of Imperialism</em>, reimpresso (Londres: Panaf, 2004).</p>
<p><a href="#_ednref8" name="_edn8"><sup>9</sup></a> Julian Assange, <em>When Google Met WikiLeaks </em>(Nova York: OR Books, 2014).</p>
<p><a href="#_ednref9" name="_edn9"><sup>10</sup></a> Donald Trump, “President Donald J. Trump Is Ending United States Participation in an Unacceptable Iran Deal”, Casa Branca, 8 de maio de 2018, <a href="https://trumpwhitehouse.archives.gov/briefings-statements/president-donald-j-trump-ending-united-states-participation-unacceptable-iran-deal/">https://trumpwhitehouse.archives.gov/briefings-statements/president-donald-j-trump-ending-united-states-participation-unacceptable-iran-deal/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref10" name="_edn10"><sup>11</sup></a> “US Completes Open Skies Treaty Withdrawal”, Arms Control Association, dezembro de 2020, <a href="https://www.armscontrol.org/act/2020-12/news/us-completes-open-skies-treaty-withdrawal">https://www.armscontrol.org/act/2020-12/news/us-completes-open-skies-treaty-withdrawal</a>; C. Todd Lopez, “US Withdraws From Intermediate-Range Nuclear Forces Treaty”, Departamento de Defesa dos EUA, 2 de agosto de 2019, <a href="https://www.defense.gov/News/News-Stories/article/article/1924779/us-withdraws-from-intermediate-range-nuclear-forces-treaty/https%3A%2F%2Fwww.defense.gov%2FNews%2FNews-Stories%2FArticle%2FArticle%2F1924779%2Fus-withdraws-from-intermediate-range-nuclear-f">https://www.defense.gov/News/News-Stories/article/article/1924779/us-withdraws-from-intermediate-range-nuclear-forces-treaty/</a>; George W. Bush, “Statement by the President”, Casa Branca, 13 de junho de 2002, <a href="https://www.defense.gov/News/News-Stories/article/article/1924779/us-withdraws-from-intermediate-range-nuclear-forces-treaty/https%3A%2F%2Fwww.defense.gov%2FNews%2FNews-Stories%2FArticle%2FArticle%2F1924779%2Fus-withdraws-from-intermediate-range-nuclear-f">https://georgewbush-whitehouse.archives.gov/news/releases/2002/06/20020613-9.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref11" name="_edn11"><sup>12</sup></a> Gisela Cernadas e John Bellamy Foster, “Actual US Military Spending Reached US$ 1,53 trillion in 2022 – More than Twice Acknowled Level: New Estimates Based on US National Accounts”, <em>Monthly Review</em>, 1 de novembro de 2023, <a href="https://monthlyreview.org/2023/11/01/actual-u-s-military-spending-reached-1-53-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/.">https://monthlyreview.org/2023/11/01/actual-u-s-military-spending-reached-1-53-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/.</a></p>
<p><a href="#_ednref12" name="_edn12"><sup>13</sup></a> O Quincy Institute e outros autores também publicaram estimativas de gastos militares dos EUA significativamente mais altas. Andrew Cockburn, “Getting the Defense Budget Right: A (Real) Grand Total, over $1.4 Trillion”, <em>Responsible Statecraft</em>, 7 de maio de 2023, <a href="https://responsiblestatecraft.org/2023/05/07/getting-the-defense-budget-right-a-real-grand-total-over-1-4-trillion/">https://responsiblestatecraft.org/2023/05/07/getting-the-defense-budget-right-a-real-grand-total-over-1-4-trillion/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref13" name="_edn13"><sup>14</sup></a> “SIPRI Military Expenditure Database”, Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://www.sipri.org/databases/milex">https://www.sipri.org/databases/milex</a>.</p>
<p><a href="#_ednref14" name="_edn14"><sup>15</sup></a> Chen Zhuo, “Explainer: Prudent Chinese Defense Budget Growth Ensures Broad Public Security”, Ministério da Defesa Nacional, República Popular da China, 6 de março de 2022, <a href="http://eng.mod.gov.cn/xb/News_213114/TopStories/4906180.html">http://eng.mod.gov.cn/xb/News_213114/TopStories/4906180.html</a>; Escritório Nacional de Estatísticas da China, acessado em 20 de dezembro de 2023,<br>
<a href="https://data.stats.gov.cn/english/adv.htm?m=advquery&amp;cnC01">https://data.stats.gov.cn/english/adv.htm?m=advquery&amp;cnC01</a>.</p>
<p><a href="#_ednref15" name="_edn15"><sup>16</sup></a> O ajuste de 2022 do Sipri inclui despesas relacionadas a (a) gastos com a força paramilitar da Polícia Armada do Povo (PAP); (b) pagamentos de desmobilização e aposentadoria de soldados do Ministério de Assuntos Civis; (c) financiamento adicional de pesquisa, desenvolvimento, testes e avaliação militares (PDT&amp;A) fora do orçamento de defesa nacional; (d) despesas adicionais de construção militar; (e) ganhos comerciais do Exército de Libertação Popular (zero a partir de 2015); (f) subsídios à indústria armamentista (zero a partir de 2010); (e) importações de armas chinesas (zero a partir de 2020); e (g) a Guarda Costeira chinesa (desde 2013). A nova série continua consistente internamente ao longo do período entre 1989 e 2019. <em>Ver </em>Nan Tian e Fei Su, “A New Estimate Of China’s Military Expenditure”, Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz, janeiro de 2021, <a href="https://www.sipri.org/sites/default/files/2021-01/2101_sipri_report_a_new_estimate_of_chinas_military_expenditure.pdf">https://www.sipri.org/sites/default/files/2021-01/2101_sipri_report_a_new_estimate_of_chinas_military_expenditure.pdf</a>; “Sources and Methods”, Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://www.sipri.org/databases/milex/sources-and-methods#sipri-estimates-for-chin">https://www.sipri.org/databases/milex/sources-and-methods#sipri-estimates-for-chin</a>a.</p>
<p><a href="#_ednref16" name="_edn16"><sup>17</sup></a> Os números do SIPRI sobre a China em 2021 são, em média, cerca de 1,36 vez maior do que o orçamento oficial da defesa nacional do país, embora reduzindo as estimativas feitas no passado. Por exemplo, para o ano de 2019, a nova estimativa do Sipri é de 1.660 bilhões de yuans ou US$ 240 bilhões, um pouco abaixo da antiga estimativa de 1.803 bilhões de yuans ou US$ 261 bilhões. De acordo com as estimativas anteriores, o Sipri aumentou em 48,6% o orçamento oficial de defesa da China correspondente a 2021. Com as novas estimativas, o orçamento da China para 2021 foi aumentado em 36,8% pelo Sipri. Com os novos ajustes, os gastos militares da China correspondem a 1,6% do PIB, comparado a 1,3% representado no orçamento oficial. Os cálculos do PIB se baseiam nos dados do PIB TCC do Panorama Econômico Mundial do FMI.</p>
<p><a href="#_ednref17" name="_edn17"><sup>18</sup></a> Escritório de Administração e Orçamento, “Historical Tables. Tabela 3.2. Outlays by Function and Subfunction: 1962-2028”, Casa Branca, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://www.whitehouse.gov/omb/budget/historical-tables/">https://www.whitehouse.gov/omb/budget/historical-tables/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref18" name="_edn18"><sup>19</sup></a> Cálculos baseados nas estimativas de gasto militar real dos EUA para o ano de 2022 por Gisela Cernadas e John Bellamy Foster. <em>Ver </em>nota 11.</p>
<p><a href="#_ednref19" name="_edn19"><sup>20</sup></a> “USA’s Military Empire: A Visual Database”, <em>World Beyond War</em>, acessado em 27 de novembro de 2023, <a href="https://worldbeyondwar.org/no-bases/">https://worldbeyondwar.org/no-bases/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref20" name="_edn20"><sup>21</sup></a> Há décadas, pesquisadoras e pesquisadores independentes reconhecem que os gasto militar real dos EUA representa, aproximadamente, o dobro do nível oficialmente reconhecido. As pesquisas independentes não se restringem aos círculos de esquerda, mas incluem o Quincy Institute for Responsible Statecraft, financiado pelo bilionário de direita George Soros, o Project on Government Oversight (POGO) e o “liberal” Center for American Progress. <em>Ver </em>Lawrence J. Krob e Kaveh Toofan, “A Trillion-Dollar Defense Budget? – Center for American Progress”, <em>Center for American Progress</em>, 12 de julho de 2022, <a href="https://www.americanprogress.org/article/a-trillion-dollar-defense-budget/">https://www.americanprogress.org/article/a-trillion-dollar-defense-budget/</a>; Cockburn, “Getting the Defense Budget Right: A (Real) Grand Total, over $1.4 Trillion”; William Hartung e Mandy Smithberger, “Making Sense of the $1.25 Trillion National Security State Budget”, <em>Project on Government Oversight</em>, 7 de maio de 2019, <a href="https://www.pogo.org/analysis/making-sense-of-the-1-25-trillion-national-security-state-budget">https://www.pogo.org/analysis/making-sense-of-the-1-25-trillion-national-security-state-budget</a>.</p>
<p><a href="#_ednref21" name="_edn21"><sup>22</sup></a> Nossos <em>números sobre Gasto Militar Mundial utilizam taxas de câmbio corrente (TCC). </em>Os fatores de conversão de PPC para medir os gastos militares são necessariamente menos confiáveis do que as taxas de câmbio. As taxas PPC são estimativas estatísticas, calculadas com base em dados de preços coletados para cestas de bens e serviços relativos a anos de referência. Dados de preços desse tipo não são coletados referentes aos gastos militares. Portanto, a natureza dos gastos militares carece dessas informações para que seja possível realizar comparações internacionais. Assim, o cálculo dos gastos militares aplicando-se as taxas de PPC por meio de fatores de conversão do PIB é metodologicamente inválido, pois se baseia na suposição implícita de que a proporção dos preços militares equivale à proporção dos preços relativos do PIB, o que não é comprovado. O Sipri reconhece que o uso do ajuste de PPC para gastos militares é impreciso e, portanto, menos confiável do que o uso de taxas de câmbio. <em>Ver </em>Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa pela Paz, “Frequently Asked Questions”, Banco de dados do Sipri sobre gastos militares, acessado em 25 de dezembro de 2023,<a href="https://www.sipri.org/databases/milex/frequently-asked-questions#PPP"> https://www.sipri.org/databases/milex/frequently-asked-questions#PPP</a>.</p>
<p><a href="#_ednref22" name="_edn22"><sup>23</sup></a> Como os gastos militares da China se concentram apenas no território chinês, a expansão militar da China encontra limites evidentes. O país não tem bases militares significativas no exterior, ao contrário dos EUA, que tinha 902 em 2022. Essa ideia é sustentada pelo Quincy Institute for Responsible Statecraft: “Até o momento, a China estabeleceu apenas uma base militar real e operacional no exterior, no chifre da África, em Djibuti, e provavelmente está estabelecendo uma instalação naval no Camboja. Mas há limites reais até onde a China pode ir para duplicar esses locais. Como apontou Isaac Kardon, do Carnegie Endowment, a China não tem alianças militares formais (além do caso duvidoso da República Popular Democrática da Coreia) e é improvável que construa alguma em um futuro próximo, fato que impõe grandes restrições à sua capacidade de estabelecer bases militares sérias. Poucos países, se é que há algum, desejam se comprometer a abrigar instalações militares completas e de grande porte que poderiam projetar o poder militar chinês em sua região e, no processo, convidar uma resposta dos EUA”. <em>Ver </em>Michael D. Swaine, “Actually, China’s Military Isn’t Going Global”, <em>Responsible Statecraft</em>, 8 de setembro de 2023, <a href="https://responsiblestatecraft.org/china-military/">https://responsiblestatecraft.org/china-military/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref23" name="_edn23"><sup>24</sup></a> Editores, “US Military Bases and Empire”, <em>Monthly Review</em>, 1º de março de 2002, <a href="https://monthlyreview.org/2002/03/01/u-s-military-bases-and-empire">https://monthlyreview.org/2002/03/01/u-s-military-bases-and-empire</a>.</p>
<p><a href="#_ednref24" name="_edn24"><sup>25</sup></a> Editores, “US Military Bases and Empire”, <em>Monthly Review</em>, 1º de março de 2002, <a href="https://monthlyreview.org/2002/03/01/u-s-military-bases-and-empire">https://monthlyreview.org/2002/03/01/u-s-military-bases-and-empire</a>.</p>
<p><a href="#_ednref25" name="_edn25"><sup>26</sup></a> <em>The Military Balance 2023</em>, Instituto Internacional de Estudos de Segurança, 15 de fevereiro de 2023, <a href="https://www.iiss.org/en/publications/the-military-balance/">https://www.iiss.org/en/publications/the-military-balance/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref26" name="_edn26"><sup>27</sup></a> Sally Williamson, “Logistics Contractors and Strategic Logistics Advantage in US Military Operations”, <em>Logistics In War</em>, 4 de junho de 2023,<a href="https://logisticsinwar.com/2023/06/04/logistics-contractors-and-strategic-logistics-advantage-in-us-military-operations/"> https://logisticsinwar.com/2023/06/04/logistics-contractors-and-strategic-logistics-advantage-in-us-military-operations/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref27" name="_edn27"><sup>28</sup></a> “Agreement Between the United States of America and Ghana”, Tratados e outras leis internacionais, série 18-531, Departamento de Estado dos EUA, <a href="https://www.state.gov/wp-content/uploads/2019/02/18-531-Ghana-Defense-Status-of-Forces.pdf">https://www.state.gov/wp-content/uploads/2019/02/18-531-Ghana-Defense-Status-of-Forces.pdf</a>.</p>
<p><a href="#_ednref28" name="_edn28"><sup>29</sup></a> Vijay Prashad, “Why Does the United States Have a Military Base in Ghana?”, <em>Peoples Dispatch</em>, 15 de junho de 2022, <a href="https://peoplesdispatch.org/2022/06/15/why-does-the-united-states-have-a-military-base-in-ghana">https://peoplesdispatch.org/2022/06/15/why-does-the-united-states-have-a-military-base-in-ghana</a>/.</p>
<p><a href="#_ednref29" name="_edn29"><sup>30</sup></a> Matthew P. Goodman e Matthew Wayland, “Securing Asia’s Subsea Network: US Interests and Strategic Options”, <em>Centro de Estudos Estratégicos Internacionais</em>, 4 de abril de 2022,<a href="https://www.csis.org/analysis/securing-asias-subsea-network-us-interests-and-strategic-options"> https://www.csis.org/analysis/securing-asias-subsea-network-us-interests-and-strategic-options</a>.</p>
<p><a href="#_ednref30" name="_edn30"><sup>31</sup></a> Centro de Dados de Utah, <em>Diretório de vigilância doméstica</em>, acessado em 27 de novembro de 2023, <a href="https://nsa.gov1.info/utah-data-center/">https://nsa.gov1.info/utah-data-center/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref31" name="_edn31"><sup>32</sup></a> Nick Turse, “Pentagon Misled Congress About US Bases in Africa”, <em>The Intercept</em>, 8 de setembro de 2023, <a href="https://theintercept.com/2023/09/08/africa-air-base-us-military/">https://theintercept.com/2023/09/08/africa-air-base-us-military/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref32" name="_edn32"><sup>33</sup></a> “USA’s Military Empire: A Visual Database”, <em>World Beyond War</em>, acessado em 27 de novembro de 2023, <a href="https://worldbeyondwar.org/no-bases/">https://worldbeyondwar.org/no-bases/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref33" name="_edn33"><sup>34</sup></a> <em>The Military Balance </em><em>2023</em>.</p>
<p><a href="#_ednref34" name="_edn34"><sup>35</sup></a> <em>The Military Balance </em><em>2023</em>.</p>
<p><a href="#_ednref35" name="_edn35"><sup>36</sup></a> Barbara Salazar Torreon e Sofia Plagakis, <em>Instances of Use of United States Armed Forces Abroad, 1798-2023</em>, Serviço de Pesquisa do Congresso, 7 de junho de 2023,<a href="https://crsreports.congress.gov/product/pdf/R/R42738"> https://crsreports.congress.gov/product/pdf/R/R42738</a>.</p>
<p><a href="#_ednref36" name="_edn36"><sup>37</sup></a> Kushi e Toft, “Introducing the Military Intervention Project”, 4.</p>
<p><a href="#_ednref37" name="_edn37"><sup>38</sup></a> Salazar Torreon e Plagakis, <em>Instances of Use of United States Armed Forces Abroad, –1798-2023</em>.</p>
<p><a href="#_ednref38" name="_edn38"><sup>39</sup></a> Sidita Kushi e Monica Duffy Toft, “Introducing the Military Intervention Project: A New Dataset on US Military Interventions, 1776-2019”, <em>Journal of Conflict Resolution </em>67, no. 4 (2023): 752–779. <a href="https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/00220027221117546?icid=int.sj-full-text.citing-articles.1">https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/00220027221117546?icid=int.sj-full-text.citing-articles.1</a>.</p>
<p><a href="#_ednref39" name="_edn39"><sup>40</sup></a> O Projeto sobre Intervenção Militar (<em>Military Intervention Project – </em>MIP) tem uma estimativa um pouco menor do que as listas maiores de fontes como o Serviço de Pesquisa do Congresso (<em>Congressional Research Service </em>– CRS), cujos números são citados com mais frequência pelos pesquisadores. O MIP usa uma variedade de bancos de dados publicados conhecidos. No entanto, por ter uma definição mais abrangente, seu processo de agregação resulta em um número total ligeiramente menor devido à reclassificação. O MIP e o CRS, portanto, têm conjuntos de dados e números brutos que não podem ser comparados, por terem maneiras diferentes de tratar datas, a escala, a duração, a legalidade e a intenção das operações. O MIP e o CRS têm abordagens metodológicas incomparáveis. Utilizamos o CRS porque são os maiores dados publicados disponíveis. <em>Ver </em>Kushi e Toft, “Introducing the Military Intervention Project”.</p>
<p><a href="#_ednref40" name="_edn40"><sup>41</sup></a> Claudia Jones, “International Women’s Day and the Struggle for Peace”, discurso proferido em um ato do 8 de março de 1950,  <em>Liberation School</em>, 29 de março de 2023, <a href="https://www.liberationschool.org/claudia-jones-1950-iwd-speech/">https://www.liberationschool.org/claudia-jones-1950-iwd-speech/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref41" name="_edn41"><sup>42</sup></a> Anthony Lake, “Confronting Backlash States”, <em>Foreign Affairs</em>, 1º de março de 1994,<a href="https://www.foreignaffairs.com/articles/iran/1994-03-01/confronting-backlash-states"> https://www.foreignaffairs.com/articles/iran/1994-03-01/confronting-backlash-states</a>.</p>
<p><a href="#_ednref42" name="_edn42"><sup>43</sup></a> Francisco R. Rodríguez, ‘The Human Consequences of Economic Sanctions”, Centro de Pesquisa em Política Econômica, 4 de maio de 2023, <a href="https://cepr.net/press-release/new-report-finds-that-economic-sanctions-are-often-deadly-and-harm-peoples-living-standards-in-target-countries/">https://cepr.net/press-release/new-report-finds-that-economic-sanctions-are-often-deadly-and-harm-peoples-living-standards-in-target-countries/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref43" name="_edn43"><sup>44</sup></a> Agence France-Presse, “US Commerce Chief Warns against China ‘Threat'”, <em>South China Morning Post</em>, 3 de dezembro de 2023, <a href="https://www.scmp.com/news/world/united-states-canada/article/3243657/us-commerce-chief-warns-against-china-threat">https://www.scmp.com/news/world/united-states-canada/article/3243657/us-commerce-chief-warns-against-china-threat</a>.</p>
<p><a href="#_ednref44" name="_edn44"><sup>45</sup></a> Deutscher Bundestag, <em>China-Strategie der Bundesregierung </em>[Estratégia do Governo Federal para a China], 20/7770, 13 de julho de 2023, <a href="https://dserver.bundestag.de/btd/20/077/2007770.pdf.">https://dserver.bundestag.de/btd/20/077/2007770.pdf.</a></p>
<p><a href="#_ednref45" name="_edn45"><sup>46</sup></a> Elaboração própria com base em dados de Christoph Nedopil Wang, “Countries of the Belt and Road Initiative (BRI) – Green Finance &amp; Development Center”, acessado em 2 de dezembro de 2023, <a href="https://greenfdc.org/countries-of-the-belt-and-road-initiative-bri/">https://greenfdc.org/countries-of-the-belt-and-road-initiative-bri/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref46" name="_edn46"><sup>47</sup></a> Elaboração própria da Sul Global Insights com base nos Indicadores de Desenvolvimento Mundial do Banco Mundial e na Perspectiva Econômica Mundial do FMI.</p>
<p><a href="#_ednref47" name="_edn47"><sup>48</sup></a>  Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Oito contradições da “ordem baseada em regras” imperialista</em>, Estudos sobre os dilemas contemporâneos, 13 de março de 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/oito-contradicoes-da-ordem-baseada-em-regras-imperialista/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/oito-contradicoes-da-ordem-baseada-em-regras-imperialista/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref48" name="_edn48"><sup>49</sup></a> Todas as imagens em “História comum dos países imperialistas” estão em domínio público ou em licença por Creative Commons. Ver atribuição, em relação cronológica: Joseph Swain, <em>A bordo de um navio negreiro</em>, c.1835, <a href="https://commons.m.wikimedia.org/wiki/File:On_Board_a_Slave-Ship,_engraving_by_Swain_c._1835_Colorized.jpg">https://commons.m.wikimedia.org/wiki/File:On_Board_a_Slave-Ship,_engraving_by_Swain_c._1835_Colorized.jpg</a>; Desconhecido,<em> Destruição dos Pequots</em>, c. século 19, <a href="https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:Mystic_Massacre_1637_Destruction_Of_The_Pequots_in_Connecticut.png">https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:Mystic_Massacre_1637_Destruction_Of_The_Pequots_in_Connecticut.png</a>; Desconhecido, <em>Conferência de Berlim sobre a divisão da África</em>, c. 1884, <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Afrikakonferenz.jpg">https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Afrikakonferenz.jpg</a>; William Heysham Overend, <em>Soldados chineses destroem bandeira britânica</em>, 8 de outubro de 1856, <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Chinese_officers_tear_down_the_British_flag_on_the_arrow.JPG">https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Chinese_officers_tear_down_the_British_flag_on_the_arrow.JPG</a>; Edward N. Jackson, Conselho de Quatro na conferência de paz de Paris na Primeira Guerra Mundial, 27 de maio de 1919,  <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/File:Big-Four-Paris_1919.jpg">https://en.wikipedia.org/wiki/File:Big-Four-Paris_1919.jpg</a>; Charles Levy, Nuvem atômica sobre <em>Nagasaki, Japão</em>, 9 de agosto de 1945, <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nagasakibomb.jpg">https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nagasakibomb.jpg</a></p>
<p><a href="#_ednref49" name="_edn49"><sup>50</sup></a> Utsa Patnaik, “Revisiting the ‘Drain’, or Transfer from India to Britain in the Context of Global Diffusion of Capitalism”, em <em>Agrarian and Other Histories: Essays for Binay Bhushan Chaudhuri</em>, editado por Shubhra Chakrabarti e Utsa Patnaik (Nova Délhi: Tulika, 2017).</p>
<p><a href="#_ednref50" name="_edn50"><sup>51</sup></a> Michael Johnson, “Teaching about Slavery”, Instituto de Pesquisa em Política Externa, agosto de 2008, <a href="https://www.fpri.org/article/2008/08/teaching-about-slavery/">https://www.fpri.org/article/2008/08/teaching-about-slavery/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref51" name="_edn51"><sup>52</sup></a> Wendy Sawyer e Peter Wagner, “Mass Incarceration: The Whole Pie 2023”, Iniciativa sobre Política Carcerária, 14 de março de 2023, <a href="https://www.prisonpolicy.org/reports/pie2023.html">https://www.prisonpolicy.org/reports/pie2023.html.</a></p>
<p><a href="#_ednref52" name="_edn52"><sup>53</sup></a> Comércio transatlântico de pessoas escravizadas – banco de dados, <em>SlaveVoyage</em>, 2019, <a href="https://www.slavevoyages.org/voyage/database">https://www.slavevoyages.org/voyage/database</a>.</p>
<p><a href="#_ednref53" name="_edn53"><sup>54</sup></a> Rachel Nuwer, “Mississippi Officially Ratifies Amendment to Ban Slavery, 148 Years Late”, <em>Smithsonian Magazine</em>, 20 de fevereiro de 2013, <a href="https://www.smithsonianmag.com/smart-news/mississippi-officially-ratifies-amendment-to-ban-slavery-148-years-late-21328041/">https://www.smithsonianmag.com/smart-news/mississippi-officially-ratifies-amendment-to-ban-slavery-148-years-late-21328041/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref54" name="_edn54"><sup>55</sup></a> Maria Mies, <em>Patriarchy and Accumulation on a World Scale: Women in the International Division of Labour </em>(Londres: Zed Books, 2001).</p>
<p><a href="#_ednref55" name="_edn55"><sup>56</sup></a> Jean Enriquez, “Das ‘mulheres de conforto’ à prostituição nas bases militares”, <em>Capire</em>, 18 de julho de 2023, <a href="https://capiremov.org/entrevista/das-mulheres-de-conforto-a-prostituicao-nas-bases-militares/">https://capiremov.org/entrevista/das-mulheres-de-conforto-a-prostituicao-nas-bases-militares/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref56" name="_edn56"><sup>57</sup></a> Cori Bush et. al., “Calling for an Immediate De-escalation and Cease-Fire in Israel and Occupied Palestine”, Pub. L. No. H.Res.786, 118º Congresso (2023-2024) (2023), <a href="https://www.congress.gov/bill/118th-congress/house-resolution/786/cosponsors">https://www.congress.gov/bill/118th-congress/house-resolution/786/cosponsors.</a></p>
<p><a href="#_ednref57" name="_edn57"><sup>58</sup></a> Rosalind C. Morris, “<em>Ursprüngliche Akkumulation</em>: The Secret of an Originary Mistranslation”, <em>boundary 2</em> 43, no. 3 (1 de agosto de 2016), p. 29–77, <a href="https://doi.org/10.1215/01903659-3572418">https://doi.org/10.1215/01903659-3572418</a>.</p>
<p><a href="#_ednref58" name="_edn58"><sup>59</sup></a> Daniel Larsen, <em>Plotting for Peace: American Peacemakers, British Codebreakers, and Britain at War, 1914-1917</em>, (Cambridge: Cambridge University Press, 2021), <a href="https://doi.org/10.1017/9781108761833">https://doi.org/10.1017/9781108761833</a>.</p>
<p><a href="#_ednref59" name="_edn59"><sup>60</sup></a> Lênin, <em>Imperialism</em>; Rudolf Hilferding, <em>Finance Capital: A Study of the Latest Phase of Capitalist Development </em>(Londres: Routledge &amp; Kegan Paul, 1985).</p>
<p><a href="#_ednref60" name="_edn60"><sup>61</sup></a> Vladimir Lenin, “Imperialism and the Split in Socialism”, em <em>V. I. Lenin Collected Works</em>, vol. 23 (Moscou: Progress Publishers, 1964), 114, <a href="https://www.marxists.org/archive/lenin/works/1916/oct/x01.htm.">https://www.marxists.org/archive/lenin/works/1916/oct/x01.htm.</a></p>
<p><a href="#_ednref61" name="_edn61"><sup>62</sup></a> “Lista de participantes da Reunião de Bilderberg de 2023”, <em>Public Intelligence</em>, 19 de maio de 2023, <a href="https://publicintelligence.net/2023-bilderberg-participant-list/">https://publicintelligence.net/2023-bilderberg-participant-list/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref62" name="_edn62"><sup>63</sup></a> Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>O golpe contra o Terceiro Mundo: Chile, 1973</em>, dossiê no. 68, 5 de setembro de 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-68-golpe-contra-terceiro-mundo-chile-1973/.">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-68-golpe-contra-terceiro-mundo-chile-1973/.</a></p>
<p><a href="#_ednref63" name="_edn63"><sup>64</sup></a> Nalu Faria, “O Feminismo Latino-Americano e Caribenho: Perspectivas Diante Do Neoliberalismo”, em <em>Desafios Do Livre Mercado Para O Feminismo</em>, Cadernos Sempreviva 9 (São Paulo: SOF, 2005).</p>
<p><a href="#_ednref64" name="_edn64"><sup>65</sup></a> Assange, <em>When Google Met WikiLeaks</em>.</p>
<p><a href="#_ednref65" name="_edn65"><sup>66</sup></a> Michael Hudson, <em>Super Imperialism: The Origin and Fundamentals of US World Dominance </em>(Londres: Pluto Press, 2003).</p>
<p><a href="#_ednref66" name="_edn66"><sup>67</sup></a> “The Transistor Revolution: How Transistors Changed the World”, <em>Arrow</em>, 22 de dezembro de 2022, <a href="https://www.arrow.com/en/research-and-events/articles/the-transistor-revolution-how-transistors-changed-the-world">https://www.arrow.com/en/research-and-events/articles/the-transistor-revolution-how-transistors-changed-the-world</a>; Omar Sohail, “Apple’s M3 Max Has the Highest Generational Leap in Transistor Count with a 37 Percent Difference Compared to the M2 Max”, <em>WCCF Tech</em>, 3 de novembro de 2023, <a href="https://wccftech.com/apple-m3-max-highest-transistor-count-for-any-m-series-chip/">https://wccftech.com/apple-m3-max-highest-transistor-count-for-any-m-series-chip/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref67" name="_edn67"><sup>68</sup></a><em> 2023 Year in Review – India Review</em>, Comscore, dezembro de 2023,<a href="https://www.comscore.com/Insights/Events-and-Webinars/Webinar/2023/2023-Year-in-Review-India-Edition"> https://www.comscore.com/Insights/Events-and-Webinars/Webinar/2023/2023-Year-in-Review-India-Edition</a>.</p>
<p><a href="#_ednref68" name="_edn68"><sup>69</sup></a> Kevin Townsend, “Bad Bots Account for 73% of Internet Traffic: Analysis”, <em>Security Week</em>, 16 de novembro de 2023, <a href="https://www.securityweek.com/bad-bots-account-for-73-of-internet-traffic-analysis/">https://www.securityweek.com/bad-bots-account-for-73-of-internet-traffic-analysis/</a>; <em>Unheard Voices: Evaluating Five Years of pro-Western Covert Influence Operations</em>, Graphika e Stanford Internet Observatory, 24 de agosto de 2022, <a href="https://public-assets.graphika.com/reports/graphika_stanford_internet_observatory_report_unheard_voice.pdf.">https://public-assets.graphika.com/reports/graphika_stanford_internet_observatory_report_unheard_voice.pdf.</a></p>
<p><a href="#_ednref69" name="_edn69"><sup>70</sup></a> Janan Ganesh, “America’s Cultural Supremacy and Geopolitical Weakness”, <em>Financial Times</em>, 19 de dezembro de 2023, <a href="https://www.ft.com/content/dce07860-f39e-432b-a0f6-1a2124e4e1a3">https://www.ft.com/content/dce07860-f39e-432b-a0f6-1a2124e4e1a3</a>.</p>
<p><a href="#_ednref70" name="_edn70"><sup>71</sup></a><em> Ver </em>Karl Marx, “Component Parts of Bank Capital”, em <em>Capital</em>, vol. III (Nova York: International Publishers, 1995), <a href="https://www.marxists.org/archive/marx/works/1894-c3/ch15.htm">https://www.marxists.org/archive/marx/works/1894-c3/ch15.htm</a>, p. 336-337.</p>
<p><a href="#_ednref71" name="_edn71"><sup>72</sup></a> “OTC Derivatives Statistics at End-June 2023”, Banco de Pagamentos Internacionais, 16 de novembro de 2023, <a href="https://www.bis.org/publ/otc_hy2311.pdf">https://www.bis.org/publ/otc_hy2311.pdf</a>.</p>
<p><a href="#_ednref72" name="_edn72"><sup>73</sup></a> Estatísticas de Derivativos OTC no final de junho de 2023.</p>
<p><a href="#_ednref73" name="_edn73"><sup>74</sup></a> Samir Amin, “How to Defeat the Collective Imperialism of the Triad”, <em>Monthly Review</em>, 5 de dezembro de 2022, <a href="https://mronline.org/2022/12/05/samir-amin-how-to-defeat-the-collective-imperialism-of-the-triad/">https://mronline.org/2022/12/05/samir-amin-how-to-defeat-the-collective-imperialism-of-the-triad/</a>; Samir Amin, <em>Globalisation and Its Alternative</em>, entrevista por Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, 30 de outubro de 2018, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/globalizacao-e-sua-alternativa/">https://dev.thetricontinental.org/globalisation-and-its-alternative/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref74" name="_edn74"><sup>75</sup></a>“Religion and the Founding of the American Republic”, Exposições, Biblioteca do Congresso, <a href="https://www.loc.gov/exhibits/religion/rel01.html">https://www.loc.gov/exhibits/religion/rel01.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref75" name="_edn75"><sup>76</sup></a> Mohammad Shahid Alam, <em>Israeli Exceptionalism: The Destabilising Logic of Zionism </em>(Nova York: Palgrave Macmillan, 2009), p. 109.</p>
<p><a href="#_ednref76" name="_edn76"><sup>77</sup></a> Stuart Laycock, <em>All the Countries We’ve Ever Invaded: And the Few We Never Got Round To </em>(Londres: The History Press, 2012).</p>
<p><a href="#_ednref77" name="_edn77"><sup>78</sup></a> ‘Israel Hits Gaza Strip with the Equivalent of Two Nuclear Bombs’, <em>Euro-Mediterranean Human Rights Monitor</em>, 2 de novembro de 2023,<a href="https://euromedmonitor.org/en/article/5908/Israel-hit-Gaza-Strip-with-the-equivalent-of-two-nuclear-bombs"> https://euromedmonitor.org/en/article/5908/Israel-hit-Gaza-Strip-with-the-equivalent-of-two-nuclear-bombs</a>.</p>
<p><a href="#_ednref78" name="_edn78"><sup>79</sup></a> Jeremy M. Sharp, <em>US Foreign Aid to Israel</em>, Congressional Research Service, 1 de março de 2023, <a href="https://crsreports.congress.gov/product/pdf/RL/RL33222">https://crsreports.congress.gov/product/pdf/RL/RL33222</a>/, i.</p>
<p><a href="#_ednref79" name="_edn79"><sup>80</sup></a> “How Much Aid Does the US Give to Israel?”, <em>USA FACTS</em>, 12 de outubro de 2023, <a href="https://usafacts.org/articles/how-much-military-aid-does-the-us-give-to-israel/">https://usafacts.org/articles/how-much-military-aid-does-the-us-give-to-israel/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref80" name="_edn80"><sup>81</sup></a> Vladimir Lênin, “Once Again on the Trade Unions: The Current Situation and the Mistakes of Trotsky and Bukharin”, em <em>V. I. Lenin Collected Works</em>, vol. 32 (Moscou: Progress Publishers, 1965), p. 70-107.</p>
<p><a href="#_ednref81" name="_edn81"><sup>82</sup></a> Justin Cremer, “Denmark Is One of the NSA’s ‘9-Eyes'”, <em>The Copenhagen Post</em>, 4 de novembro de 2013, <a href="https://web.archive.org/web/20131219010450/http:/cphpost.dk/news/denmark-is-one-of-the-nsas-9-eyes.7611.html">https://web.archive.org/web/20131219010450/http:/cphpost.dk/news/denmark-is-one-of-the-nsas-9-eyes.7611.html</a></p>
<p><a href="#_ednref82" name="_edn82"><sup>83</sup></a> Ryan Gallagher, “The Powerful Global Spy Alliance You Never Knew Existed”, <em>The Intercept</em>, 1<sup>o</sup> de março de 2018, <a href="https://theintercept.com/2018/03/01/nsa-global-surveillance-sigint-seniors/">https://theintercept.com/2018/03/01/nsa-global-surveillance-sigint-seniors/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref83" name="_edn83"><sup>84</sup></a> Office of Press Secretary, ‘Remarks By President Obama to the Australian Parliament’, The White House, 17 November 2011, <a href="https://obamawhitehouse.archives.gov/the-press-office/2011/11/17/remarks-president-obama-australian-parliament">https://obamawhitehouse.archives.gov/the-press-office/2011/11/17/remarks-president-obama-australian-parliament</a>.</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2"><sup>85</sup></a> NT: Alemanha Oriental.</p>
<p><a href="#_ednref84" name="_edn84"><sup>86</sup></a> “Japan Defence: China Threat Prompts Plan to Double Military Spending”, <em>BBC</em>, 16 de dezembro de 2022, <a href="https://www.bbc.com/news/world-asia-64001554">https://www.bbc.com/news/world-asia-64001554</a>.</p>
<p><a href="#_ednref85" name="_edn85"><sup>87</sup></a> De acordo com o Banco Mundial, “economias de alta renda são aquelas com um RNB per capita de US$ 13.846 ou mais”. <em>Ver </em>“World Bank Country and Lending Groups”, Banco Mundial, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://datahelpdesk.worldbank.org/knowledgebase/articles/906519#High_income;">https://datahelpdesk.worldbank.org/knowledgebase/articles/906519#High_income;</a> “GNI per Capita, Atlas Method (Current US$) – China”, Dados do Banco Mundial, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://data.worldbank.org/indicator/NY.GNP.PCAP.CD?end=2022&amp;locations=CN&amp;start=2005">https://data.worldbank.org/indicator/NY.GNP.PCAP.CD?end=2022&amp;locations=CN&amp;start=2005</a>.</p>
<p><a href="#_ednref86" name="_edn86"><sup>88</sup></a> Xi Jinping, discurso na Cerimônia de Encerramento do Fórum Empresarial do Brics 2023. Texto completo: <a href="https://newsaf.cgtn.com/news/2023-08-23/Full-text-Xi-Jinping-s-speech-at-the-Closing-Ceremony-of-the-BRICS-Business-Forum-2023-1mulkZSzuso/index.html">https://newsaf.cgtn.com/news/2023-08-23/Full-text-Xi-Jinping-s-speech-at-the-Closing-Ceremony-of-the-Brics-Business-Forum-2023-1mulkZSzuso/index.html</a></p>
<p><a href="#_ednref87" name="_edn87"><sup>89</sup></a> Para saber mais, <em>ver </em>Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>O mundo precisa de uma nova teoria socialista do desenvolvimento</em>, dossiê no. 66, 4 de julho de 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-66-teoria-do-desenvolvimento/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-66-teoria-do-desenvolvimento/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref88" name="_edn88"><sup>90</sup></a> Larissa Mies Bombardi, <em>Agrotóxicos e Colonialismo Químico </em>(São Paulo, SP: Elefante, 2023).</p>
<p><a href="#_ednref89" name="_edn89"><sup>91</sup></a> Larissa Packer e Camila Moreno, ed., O Brasil Na Retomada Verde: Integrar Para Entregar (Brasília: Grupo Carta de Belém, 2021).</p>
<p><a href="#_ednref90" name="_edn90"><sup>92</sup></a> Elaboração própria com base em dados do Banco Mundial.</p>
<p><a href="#_ednref91" name="_edn91"><sup>93</sup></a> Instituto Tricontinental de Pesquisa Social,<em> Servir ao povo: a erradicação da pobreza extrema na China</em>, Estudos Socialismo em Construção no. 1, 23 de julho de 2021, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-1-socialismo-em-construcao/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-1-socialismo-em-construcao/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref92" name="_edn92"><sup>94</sup></a> Xi Jinping, Hold High the Great Banner of Socialism with Chinese Characteristics and Strive in Unity to Build a Modern Socialist Country in All Respects, relatório para o 20º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, 16 de outubro de 2022, <a href="http://my.china-embassy.gov.cn/eng/zgxw/202210/t20221026_10792358.htm.">http://my.china-embassy.gov.cn/eng/zgxw/202210/t20221026_10792358.htm.</a></p>
<p><a href="#_ednref93" name="_edn93"><sup>95</sup></a> Karl Marx e Friedrich Engels, <em>The Communist Manifesto</em>, 22ª impressão da edição do 100º aniversário (Nova York: International Publishers, 1979).</p>
<p><a href="#_ednref94" name="_edn94"><sup>96</sup></a> Bureau of Political-Military Affairs, “US Security Cooperation with Ukraine”, Departamento de Estado dos EUA, 12 de dezembro de 2023, <a href="https://www.state.gov/u-s-security-cooperation-with-ukraine">https://www.state.gov/u-s-security-cooperation-with-ukraine</a>/.</p>
<p><a href="#_ednref95" name="_edn95"><sup>97</sup></a> Joe Biden, “Remarks by President Biden on the End of the War in Afghanistan”, Casa Branca, 31 de agosto de 2021, <a href="https://www.whitehouse.gov/briefing-room/speeches-remarks/2021/08/31/remarks-by-president-biden-on-the-end-of-the-war-in-afghanistan/">https://www.whitehouse.gov/briefing-room/speeches-remarks/2021/08/31/remarks-by-president-biden-on-the-end-of-the-war-in-afghanistan/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref96" name="_edn96"><sup>98</sup></a> Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, <em>Dossiê 3: A guerra sangrenta e implacável da Síria</em>, dossiê no. 3, 5 de abril de 2018, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-3-a-guerra-sangrenta-e-implacavel-da-siria/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-3-a-guerra-sangrenta-e-implacavel-da-siria/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref97" name="_edn97"><sup>99</sup></a> “Manufacturing, Value Added (% Of GDP) – South Africa”, Dados do Banco Mundial, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://data.worldbank.org/indicator/NV.IND.MANF.ZS?locations=ZA">https://data.worldbank.org/indicator/NV.IND.MANF.ZS?locations=ZA</a>.</p>
<p><a href="#_ednref98" name="_edn98"><sup>100</sup></a> Rodríguez, “The Human Consequences of Economic Sanctions”.</p>
<p><a href="#_ednref99" name="_edn99"><sup>101</sup></a> Tricontinental: Institute for Social Research, ‘The Emergence of a New Non-Alignment’, newsletter no. 24, 15 June 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-novo-nao-alinhamento/">https://dev.thetricontinental.org/newsletterissue/new-non-alignment/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref100" name="_edn100"><sup>102</sup></a> Patrick Wintour, “Gulf States Fend off Call From Iran to Arm Palestinians at Riyadh Summit”, <em>The Guardian</em>, 12 de novembro de 2023, <a href="https://www.theguardian.com/world/2023/nov/12/gulf-states-fend-off-call-from-iran-to-arm-palestinians-at-riyadh-summit">https://www.theguardian.com/world/2023/nov/12/gulf-states-fend-off-call-from-iran-to-arm-palestinians-at-riyadh-summit</a>.</p>
<p><a href="#_ednref101" name="_edn101"><sup>103</sup></a> Elaboração própria com base em dados do Banco Mundial.</p>
<p><a href="#_ednref102" name="_edn102"><sup>104</sup></a> Patrick Wintour, “Gulf States Fend off Call From Iran to Arm Palestinians at Riyadh Summit”, <em>The Guardian</em>, 12 de novembro de 2023, <a href="https://www.theguardian.com/world/2023/nov/12/gulf-states-fend-off-call-from-iran-to-arm-palestinians-at-riyadh-summit">https://www.theguardian.com/world/2023/nov/12/gulf-states-fend-off-call-from-iran-to-arm-palestinians-at-riyadh-summit</a>.</p>
<p><a href="#_ednref103" name="_edn103"><sup>105</sup></a> “Exports of Goods and Services (Current US$) – Indonesia”, Dados do Banco Mundial, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://data.worldbank.org/indicator/NE.EXP.GNFS.CN?locations=ID">https://data.worldbank.org/indicator/NE.EXP.GNFS.CN?locations=ID</a>.</p>
<p><a href="#_ednref104" name="_edn104"><sup>106</sup></a> Daniel Kritenbrink et al., “Joint Statement on the United States-Indonesia Senior Officials’ 2+2 Foreign Policy and Defense Dialogue”, Departamento de Defesa dos EUA, 23 de outubro de 2023, <a href="https://www.defense.gov/News/Releases/Release/Article/3566363/joint-statement-on-the-united-states-indonesia-senior-officials-22-foreign-poli/">https://www.defense.gov/News/Releases/Release/Article/3566363/joint-statement-on-the-united-states-indonesia-senior-officials-22-foreign-poli/</a>; “US Embassy Tracked Indonesia Mass Murder 1965”, <em>Arquivo de Segurança Nacional</em>, 17 de outubro de 2017, <a href="https://nsarchive.gwu.edu/briefing-book/indonesia/2017-10-17/indonesia-mass-murder-1965-us-embassy-files">https://nsarchive.gwu.edu/briefing-book/indonesia/2017-10-17/indonesia-mass-murder-1965-us-embassy-files</a>.</p>
<p><a href="#_ednref105" name="_edn105"><sup>107</sup></a> Ana Esther Ceceña e David Rodriguez, “La Guerra Contra El Narco En México Como Política de Reordenamiento Social”, OLAG, no 157 (2022), <a href="https://geopolitica.iiec.unam.mx/index.php/node/1294">https://geopolitica.iiec.unam.mx/index.php/node/1294</a>.</p>
<p><a href="#_ednref106" name="_edn106"><sup>108</sup></a> Timothy A. Wise, “The US Assault on Mexico’s Food Sovereignty”, <em>Global Issues</em>, 6 de junho de 2023, <a href="https://www.globalissues.org/news/2023/06/06/33954">https://www.globalissues.org/news/2023/06/06/33954</a>.</p>
<p><a href="#_ednref107" name="_edn107"><sup>109</sup></a> Chaba Brahim, “‘Até que nossos territórios sejam livres’: mulheres do Saara Ocidental em luta permanente”, <em>Capire</em>, 18 de fevereiro de 2021, <a href="https://capiremov.org/entrevista/ate-que-nossos-territorios-sejam-livres/">https://capiremov.org/entrevista/ate-que-nossos-territorios-sejam-livres/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref108" name="_edn108"><sup>110</sup></a> “The Spirit of Camp David: Joint Statement of Japan, the Republic of Korea, and the United States”, declaração à imprensa, Casa Branca, <a href="https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2023/08/18/the-spirit-of-camp-david-joint-statement-of-japan-the-republic-of-korea-and-the-united-states/">https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2023/08/18/the-spirit-of-camp-david-joint-statement-of-japan-the-republic-of-korea-and-the-united-states/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref109" name="_edn109"><sup>111</sup></a> Shanna Khayat, “GSOMIA vs. TISA: What Is the Big Deal?”, <em>Fórum do Pacífico</em>, 10 de fevereiro de 2020, <a href="https://pacforum.org/publication/yl-blog-19-gsomia-vs-tisa-what-is-the-big-deal">https://pacforum.org/publication/yl-blog-19-gsomia-vs-tisa-what-is-the-big-deal</a>.</p>
<p><a href="#_ednref110" name="_edn110"><sup>112</sup></a> Os dados e gráficos desta seção do documento baseiam-se em grande parte na pesquisa publicada pelo economista John Ross.</p>
<p><a href="#_ednref111" name="_edn111"><sup>113</sup></a> Calculado por John Ross a partir de <em>One Hundred Years of Economic Statistics: </em>United Kingdom, United States of America, Australia, Canada, France, Germany, Italy, Japan, <em>and </em>Sweden, compilado por T. Liesner (The Economist, 1989) e “International Transactions”, Tabela 1, Escritório de Dados de Análise Econômica, acessado em 13 de novembro de 2022, <a href="https://www.bea.gov/data/intl-trade-investment/international-transactions">https://www.bea.gov/data/intl-trade-investment/international-transactions</a>.</p>
<p><a href="#_ednref112" name="_edn112"><sup>114</sup></a> Lênin, “Once Again on the Trade Unions”.</p>
<p><a href="#_ednref113" name="_edn113"><sup>115</sup></a> Atish Rex Ghosh e Uma Ramakrishnan, “Current Account Deficits”, Fundo Monetário Internacional, acessado em 7 de dezembro de 2023, <a href="https://www.imf.org/en/Publications/fandd/issues/Series/Back-to-Basics/Current-Account-Deficits">https://www.imf.org/en/Publications/fandd/issues/Series/Back-to-Basics/Current-Account-Deficits</a>.</p>
<p><a href="#_ednref114" name="_edn114"><sup>116</sup></a> Hudson, <em>Super Imperialism</em>, 77.</p>
<p><a href="#_ednref115" name="_edn115"><sup>117</sup></a> Langston Hughes, <em>The Collected Poems of Langston Hughes</em>, 1ª edição (Nova York: Knopf, distribuído pela Random House, 1994).</p>
<p><a href="#_ednref116" name="_edn116"><sup>118</sup></a> Vladimir Putin, discurso proferido no Conselho de Segurança de Munique, Munique, Alemanha, 10 de fevereiro de 2007, <a href="https://is.muni.cz/th/xlghl/DP_Fillinger_Speeches.pdf">https://is.muni.cz/th/xlghl/DP_Fillinger_Speeches.pdf</a>.</p>
<p><a href="#_ednref117" name="_edn117"><sup>119</sup></a> Para entender por que evitamos usar os termos “grande recessão” ou “grande crise financeira”, <em>ver </em>estudo: <em>O mundo em depressão econômica: uma análise marxista da crise</em>, caderno no. 4, 10 de outubro de 2023, <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-caderno-4-crise-economica/">https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-caderno-4-crise-economica/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref118" name="_edn118"><sup>120</sup></a> Independent Voter Project, “DNC to Court: We Are a Private Corporation With No Obligation to Follow Our Rules”, <em>Independent Voter News</em>, 14 de agosto de 2022, <a href="https://ivn.us/posts/dnc-to-court-we-are-a-private-corporation-with-no-obligation-to-follow-our-rules">https://ivn.us/posts/dnc-to-court-we-are-a-private-corporation-with-no-obligation-to-follow-our-rules</a>.</p>
<p><a href="#_ednref119" name="_edn119"><sup>121</sup></a> Associated Press, “Many Who Met with Clinton as Secretary of State Donated to Foundation”, CNBC, 23 de agosto de 2016, <a href="https://www.cnbc.com/2016/08/23/most-of-those-who-met-with-clinton-as-secretary-of-state-donated-to-foundation.html">https://www.cnbc.com/2016/08/23/most-of-those-who-met-with-clinton-as-secretary-of-state-donated-to-foundation.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref120" name="_edn120"><sup>122</sup></a> Joseph A. Schumpeter, <em>Capitalism, Socialism, and Democracy </em>(Nova York: Harper Perennial Modern Thought, 2008).</p>
<p><a href="#_ednref121" name="_edn121"><sup>123</sup></a><em> The Military Balance 2022</em>, Instituto Internacional de Estudos de Segurança, 15 de fevereiro de 2023, <a href="https://www.iiss.org/en/publications/the-military-balance/">https://www.iiss.org/en/publications/the-military-balance/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref122" name="_edn122"><sup>124</sup></a> Vijay Prashad, <em>The Poorer Nations: A Possible History of the Global South </em>(Londres  e Nova York: Verso, 2014).</p>
<p><a href="#_ednref123" name="_edn123"><sup>125</sup></a> A. De La Cruz, A. Medina e Y. Tang, “Owners of the World’s Listed Companies”, Série de Mercado de Capitais da OCDEOECD Capital Market Series, 17 de outubro de 2019, <a href="https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.htm">https://www.oecd.org/corporate/Owners-of-the-Worlds-Listed-Companies.htm</a>.</p>
<p><a href="#_ednref124" name="_edn124"><sup>126</sup></a> <em>Who Owns the German DAX? The Ownership Structure of the German DAX 30 in 2020 – A Joint Study of IHS Markit and DIRK</em>, IHS Markit, junho de 2021, <a href="https://cdn.ihsmarkit.com/www/pdf/0621/DAX-Study-2020---DIRK-Conference-June-2021_IHS-Markit.pdf">https://cdn.ihsmarkit.com/www/pdf/0621/DAX-Study-2020—DIRK-Conference-June-2021_IHS-Markit.pdf</a>.</p>
<p><a href="#_ednref125" name="_edn125"><sup>127</sup></a> Henrik Ahlers, <em>Wem gehört der DAX? </em><em>Analyse der Aktionärsstruktur der im Deutschen Aktienindex vertretenen Unternehmen</em> [Quem é o dono do DAX? Análise da estrutura de acionistas das empresas no DAXem 2018 – versão resumida] (Ernst &amp; Young, julho de 2023), <a href="https://www.ey.com/de_de/forms/download-forms/2023/07/wem-gehoert-der-dax-2023">https://www.ey.com/de_de/forms/download-forms/2023/07/wem-gehoert-der-dax-2023</a>.</p>
<p><a href="#_ednref126" name="_edn126"><sup>128</sup></a>  <em> Quem é o dono do DAX alemão? </em></p>
<p><a href="#_ednref127" name="_edn127"><sup>129</sup></a> “Foreign Direct Investment, Net Inflows (BoP, Current US$) – Germany”, Dados do Banco Mundial, acessado em 20 de dezembro de 2023, <a href="https://data.worldbank.org/indicator/BX.KLT.DINV.CD.WD?end=2022&amp;locations=DE&amp;start=1971">https://data.worldbank.org/indicator/BX.KLT.DINV.CD.WD?end=2022&amp;locations=DE&amp;start=1971</a>.</p>
<p><a href="#_ednref128" name="_edn128"><sup>130</sup></a> John Ross, 事实表明，中国经济表现继续远优于G7’事实表明，中国经济表现继续远优于G7国家 [Fatos mostram que a economia da China continua a superar com folga as economias do G7]”, <em>Weibo </em>(blog), 12 de abril de 2023, <a href="https://weibo.com/ttarticle/p/show?id=2309404975244548113063">https://weibo.com/ttarticle/p/show?id=2309404975244548113063</a>.</p>
<p><a href="#_ednref129" name="_edn129"><sup>131</sup></a> “US Companies Dominating European TV Market”, <em>Moonshot News </em>(blog), 20 de janeiro de 2022, <a href="https://moonshot.news/news/media-news/us-companies-dominating-european-tv-market/">https://moonshot.news/news/media-news/us-companies-dominating-european-tv-market/</a>; Agnes Schneeberger, “Audiovisual Media Services in Europe – 2023 edition”, junho de 2023, Observatório Audiovisual Europeu e Conselho da Europa, <a href="https://rm.coe.int/audiovisual-media-services-in-europe-2023-edition-a-schneeberger/1680abc9bc#:~:text=Around%20one%20in%20five%20(18,in%20documentary%20and%20children's%20programming">https://rm.coe.int/audiovisual-media-services-in-europe-2023-edition-a-schneeberger/1680abc9bc#:~:text=Around%20one%20in%20five%20(18,in%20documentary%20and%20children’s%20programming</a><u>, 7.</u></p>
<p><a href="#_ednref130" name="_edn130"><sup>132</sup></a> Hudson, <em>Super Imperialism</em>.</p>
<p><a href="#_ednref131" name="_edn131"><sup>133</sup></a> ‘Namibia Condemns Germany for Defending Israel in ICJ Genocide Case’, <em>Al Jazeera</em>, 14 January 2024, <a href="https://www.aljazeera.com/news/2024/1/14/namibia-condemns-germany-for-defending-israel-in-icj-genocide-case">https://www.aljazeera.com/news/2024/1/14/namibia-condemns-germany-for-defending-israel-in-icj-genocide-case</a>.</p>
<p><a href="#_ednref132" name="_edn132"><sup>134</sup></a> Marx, “Exposition of the Internal Contradictions of the Law”.</p>
<p><a href="#_ednref133" name="_edn133"><sup>135</sup></a> David Hoffman, “Russia’s Billionaire Matchmaker To the West”, <em>Washington Post</em>, 24 de setembro de 2002, <a href="https://www.washingtonpost.com/archive/lifestyle/2002/09/24/russias-billionaire-matchmaker-to-the-west/e6c98740-ac21-4933-a445-674ea6149102">https://www.washingtonpost.com/archive/lifestyle/2002/09/24/russias-billionaire-matchmaker-to-the-west/e6c98740-ac21-4933-a445-674ea6149102</a>.</p>
<p><a href="#_ednref134" name="_edn134"><sup>136</sup></a> Brian D. Blankenship, “NATO and the Persistent Problem of German Defense Spending”, Cornell University Press (blog), 1 de novembro de 2023, <a href="https://www.cornellpress.cornell.edu/burden-sharing-dilemma-coercive-diplomacy-brian-blankenship-11-01-2023/">https://www.cornellpress.cornell.edu/burden-sharing-dilemma-coercive-diplomacy-brian-blankenship-11-01-2023/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref135" name="_edn135"><sup>137</sup></a> Mari Yamguchi, “Japan to Jointly Develop New Fighter Jet with UK, Italy’, <em>Associated Press</em>, 9 de dezembro de 2022, <a href="https://apnews.com/article/business-japan-united-kingdom-government-states-219e0adadd5f14b115766141cd0c5f6f">https://apnews.com/article/business-japan-united-kingdom-government-states-219e0adadd5f14b115766141cd0c5f6f</a>.</p>
<p><a href="#_ednref136" name="_edn136"><sup>138</sup></a> Valerie Insinna, “US Gives the Green Light to Japan’s $23B F-35 Buy”, 10 de julho de 2020, <a href="https://www.defensenews.com/smr/2020/07/09/us-gives-the-green-light-to-japans-massive-23b-f-35-buy/">https://www.defensenews.com/smr/2020/07/09/us-gives-the-green-light-to-japans-massive-23b-f-35-buy/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref137" name="_edn137"><sup>139</sup></a> Se houver evidências de que a indústria tem uma conversão significativamente menor do que outros elementos do PIB, os números da PPC que apresentamos superestimariam as porcentagens do Sul Global. Acreditamos que, apesar desse possível erro, a direção dessa abordagem oferece contribuições úteis. A composição percentual do PIB por setor depende dos dados de preço usados para medir o valor agregado de cada um deles. Os fatores de conversão de PPC são estimativas estatísticas baseadas em cestas de bens e serviços relativos a anos de referência que são posteriormente aplicadas ao PIB relativas às estimativas de PIB (PPC).</p>
<p><a href="#_ednref138" name="_edn138"><sup>140</sup></a> Barbara Kollmeyer, “‘Right Now There Are Changes, the Likes of Which We Haven’t Seen in 100 Years.’ Here’s What China’s Xi Said to Putin before Leaving Russia”, <em>Market Watch</em>, 22 de março de 2023, <a href="https://www.marketwatch.com/story/right-now-there-are-changes-the-likes-of-which-we-havent-seen-in-100-years-what-china-president-xi-said-to-putin-before-leaving-russia-d15150ce">https://www.marketwatch.com/story/right-now-there-are-changes-the-likes-of-which-we-havent-seen-in-100-years-what-china-president-xi-said-to-putin-before-leaving-russia-d15150ce</a>.</p>
<p><a href="#_ednref139" name="_edn139"><sup>141</sup></a> Agnieszka Bryc, “The Russian Federation and Reshaping a Post-Cold War Order”, <em>Politeja </em>5, no. 62 (31 de outubro de 2019), p. 161–74, <a href="https://doi.org/10.12797/Politeja.16.2019.62.09">https://doi.org/10.12797/Politeja.16.2019.62.09</a>;  Vladimir Putin, discurso proferido no Conselho de Segurança de Munique, Munique, Alemanha, 10 de fevereiro de 2007, <a href="https://is.muni.cz/th/xlghl/DP_Fillinger_Speeches.pdf">https://is.muni.cz/th/xlghl/DP_Fillinger_Speeches.pdf</a>.</p>
<p><a href="#_ednref140" name="_edn140"><sup>142</sup></a> “Special Report: Cables Show US Sizing up China’s Next Leader”, <em>Reuters</em>, 17 de fevereiro de 2011, <a href="https://www.reuters.comarticle/idUSTRE71G5WH/">https://www.reuters.comarticle/idUSTRE71G5WH/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref141" name="_edn141"><sup>143</sup></a> Luke Hunt, ‘The World’s Gaze Turns to the South Pacific”, <em>The Diplomat</em>, 4 de setembro de 2012, <a href="https://thediplomat.com/2012/09/the-worlds-gaze-turns-to-the-south-pacific/">https://thediplomat.com/2012/09/the-worlds-gaze-turns-to-the-south-pacific/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref142" name="_edn142"><sup>144</sup></a> Xi Jinping, “Remarks by President Obama and President Xi Jinping in Joint Press Conference”, 12 de novembro de 2014, Casa Branca, <a href="https://obamawhitehouse.archives.gov/the-press-office/2014/11/12/remarks-president-obama-and-president-xi-jinping-joint-press-conference#:~:text=At%20the%20same%20time%2C%20I,instead%20of%20mutually%20exclusive%20ones">https://obamawhitehouse.archives.gov/the-press-office/2014/11/12/remarks-president-obama-and-president-xi-jinping-joint-press-conference#:~:text=At%20the%20same%20time%2C%20I,instead%20of%20mutually%20exclusive%20ones</a>.</p>
<p><a href="#_ednref143" name="_edn143"><sup>145</sup></a> “China to Leapfrog US as World’s Biggest Economy by 2028 – Think Tank”, <em>Reuters</em>, 26 de dezembro de 2020, <a href="https://www.reuters.com/article/idUSKBN290003/">https://www.reuters.com/article/idUSKBN290003/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref144" name="_edn144"><sup>146</sup></a> Zbigniew Brzezinski, <em>The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives</em> (New York: Basic Books, 1997), 55; 30–31.</p>
<p><a href="#_ednref145" name="_edn145"><sup>147</sup></a> Editores, “Notes from the Editors”, <em>Monthly Review </em>75, no. 4 (1 de setembro de 2023), <a href="https://monthlyreview.org/2023/09/01/mr-075-04-2023-08_0/">https://monthlyreview.org/2023/09/01/mr-075-04-2023-08_0/</a>;  Jake Sullivan, “Remarks by National Security Advisor Jake Sullivan on Renewing American Economic Leadership at the Brookings Institution”, Casa Branca, 27 de abril de 2023, <a href="https://www.whitehouse.gov/briefing-room/speeches-remarks/2023/04/27/remarks-by-national-security-advisor-jake-sullivan-on-renewing-american-economic-leadership-at-the-brookings-institution/">https://www.whitehouse.gov/briefing-room/speeches-remarks/2023/04/27/remarks-by-national-security-advisor-jake-sullivan-on-renewing-american-economic-leadership-at-the-brookings-institution/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref146" name="_edn146"><sup>148</sup></a> Nomaan Merchant et al., “US Announces $345 Million Military Aid Package for Taiwan”, TIME, 29 de julho de 2023, <a href="https://time.com/6299419/us-military-aid-taiwan/">https://time.com/6299419/us-military-aid-taiwan/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref147" name="_edn147"><sup>149</sup></a> Apesar das recentes denúncias de práticas fraudulentas, a economia comportamental foi utilizada com sucesso como arma pela inteligência dos EUA em campanhas de mídia on-line.</p>
<p><a href="#_ednref148" name="_edn148"><sup>150</sup></a> Daniel McAdams, “‘What Is The Empire’s Strategy?” – Col Lawrence Wilkerson Speech At RPI Media &amp; War Conference”, Instituto Ron Paul pela Paz e a Prosperidade, 22 de agosto de 2018, <a href="https://ronpaulinstitute.org/what-is-the-empires-strategy-col-lawrence-wilkerson-speech-at-rpi-media-war-conference/">https://ronpaulinstitute.org/what-is-the-empires-strategy-col-lawrence-wilkerson-speech-at-rpi-media-war-conference/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref149" name="_edn149"><sup>151</sup></a> Colum Lynch, “State Department Lawyers Concluded Insufficient Evidence to Prove Genocide in China”, <em>Foreign Policy</em>, 19 de fevereiro de 2021, <a href="https://foreignpolicy.com/2021/02/19/china-uighurs-genocide-us-pompeo-blinken/">https://foreignpolicy.com/2021/02/19/china-uighurs-genocide-us-pompeo-blinken/</a>; ‘Textile Exports by Country 2023’, <em>World Population Review</em>, acessado em 26 de dezembro de 2023, <a href="https://worldpopulationreview.com/country-rankings/textile-exports-by-country">https://worldpopulationreview.com/country-rankings/textile-exports-by-country</a>; “China’s Major Exports by Quantity and Value, December 2022 (in USD)”, Administração Geral de Alfândegas, República Popular da China, 8 de janeiro de 2023, <a href="http://english.customs.gov.cn/Statics/aeb5aefa-b537-4ef3-8e13-59244228cb0e.html">http://english.customs.gov.cn/Statics/aeb5aefa-b537-4ef3-8e13-59244228cb0e.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref150" name="_edn150"><sup>152</sup></a> Li Xuanmin, “A Decade of BRI Development Transforms China’s Xinjiang Region into a Core Area of the Silk Road Economic Belt – Global Times”, <em>Global Times</em>, 1 de outubro de 2023, <a href="https://www.globaltimes.cn/page/202310/1299158.shtml">https://www.globaltimes.cn/page/202310/1299158.shtml</a>.</p>
<p><a href="#_ednref151" name="_edn151"><sup>153</sup></a>  Gregory C. Allen, “Choking off China’s Access to the Future of AI”, Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, 11 de outubro de 2023, <a href="https://www.csis.org/analysis/choking-chinas-access-future-ai">https://www.csis.org/analysis/choking-chinas-access-future-ai</a>.</p>
<p><a href="#_ednref152" name="_edn152"><sup>154</sup></a> Alex W. Palmer, ” ‘An Act of War’: Inside America’s Silicon Blockade Against China”, <em>The New York Times</em>, 12 de julho de 2023, <a href="https://www.nytimes.com/2023/07/12/magazine/semiconductor-chips-us-china.html">https://www.nytimes.com/2023/07/12/magazine/semiconductor-chips-us-china.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref153" name="_edn153"><sup>155</sup></a> Xinhua, “The Belt and Road Initiative: A Key Pillar of the Global Community of Shared Future”, Escritório de Informações do Conselho de Estado, República Popular da China, 10 de outubro de 2023, <a href="http://english.scio.gov.cn/whitepapers/2023-10/10/content_116735061_5.htm">http://english.scio.gov.cn/whitepapers/2023-10/10/content_116735061_5.htm</a>.</p>
<p><a href="#_ednref154" name="_edn154"><sup>156</sup></a> David Choi, “US, South Korean, Canadian Warships Train in Yellow Sea Ahead of Incheon Anniversary”, <em>Stars and Stripes</em>, 15 de setembro de 2023, <a href="https://www.stripes.com/branches/navy/2023-09-15/trilateral-naval-drill-yellow-sea-incheon-11383145.html">https://www.stripes.com/branches/navy/2023-09-15/trilateral-naval-drill-yellow-sea-incheon-11383145.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref155" name="_edn155"><sup>157</sup></a> An Dong, ‘黄海军演仅5小时，美准航母跑路，舰载机坠毁，美军被迫发帖寻找 [Apenas cinco horas depois de inicar exercício naval no Mar Amarelo, pseudo-porta-aviões dos EUA foge, carregador se acidenta e exército é forçado a mandar buscas para encontrá-lo]”, <em>IFENG</em>, 18 de setembro de 2023, <a href="https://i.ifeng.com/c/8TBMF5tH2bY">https://i.ifeng.com/c/8TBMF5tH2bY</a>.</p>
<p><a href="#_ednref156" name="_edn156"><sup>158</sup></a> “Investor FAQs”, Novo Banco de Desenvolvimento, acessado em 26 de novembro de 2023, <a href="https://www.ndb.int/investor-relations/inverstor-faqs/">https://www.ndb.int/investor-relations/inverstor-faqs/</a>; Centro de Informaçeõs do Brics, ‘Treaty for the Establishment of a Brics Contingent Reserve Arrangement’, Universidade de Toronto, acessado em 26 de novembro de 2023, <a href="http://www.brics.utoronto.ca/docs/140715-treaty.html">http://www.brics.utoronto.ca/docs/140715-treaty.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref157" name="_edn157"><sup>159</sup></a> “Answers to the Questions of the Video Conference ‘SCO – Shaping Eurasia'”, Organização de Cooperação de Xangai, 27 de outubro de 2020, <a href="https://eng.sectsco.org/20201027/686658.html">https://eng.sectsco.org/20201027/686658.html</a>.</p>
<p><a href="#_ednref158" name="_edn158"><sup>160</sup></a> Christoph Nedopil Wang, “China Belt and Road Initiative (BRI) Investment Report 2023 H1”, Centro de Desenvolvimento e Finanças Verdes, 1 de agosto de 2023, <a href="https://greenfdc.org/china-belt-and-road-initiative-bri-investment-report-2023-h1/">https://greenfdc.org/china-belt-and-road-initiative-bri-investment-report-2023-h1/</a>.</p>
<p><a href="#_ednref159" name="_edn159"><sup>161</sup></a> Mao Tsé-Tung, “Speech at the Wuchang Meeting of the Political Bureau of the Central Committee of the Communist Party of China”, em <em>Selected Works of Mao Tse-Tung</em>, vol. IV (Pequim: Foreign Languages Press, 1958), p. 98-99, <a href="https://www.marxists.org/reference/archive/mao/works/red-book/ch06.htm.">https://www.marxists.org/reference/archive/mao/works/red-book/ch06.htm.</a></p>
</div>
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		<title>Em direção ao horizonte da paz e do não alinhamento</title>
		<link>https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-sobre-dilemas-contemporaneos-2-paz-e-nao-alinhamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 07:00:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nosso último estudo analisa como o declínio da hegemonia do Norte Global mudou o cenário geopolítico e abriu novas possibilidades para o Sul Global.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>Catástrofes de um tipo ou de outro irradiaram da Ucrânia, incluindo uma inflação galopante e fora de controle. As áreas do mundo diretamente envolvidas no conflito estão sendo duramente atingidas pelo aumento dos preços, com a agitação política como consequência inevitável. Nesse contexto, o <a href="https://thecorbynproject.com/">Projeto Paz e Justiça</a>, instituto de pesquisa liderado por Jeremy Corbyn, uniu-se ao <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/">Instituto Tricontinental de Pesquisa Social</a> e a dois parceiros de mídia, <a href="https://globetrotter.media/">Globetrotter</a> e <a href="https://www.morningstaronline.co.uk/">Morning Star</a>, para produzir uma série de reflexões sobre os conceitos de não alinhamento e paz. O primeiro relatório, de Roger McKenzie e Vijay Prashad, apresenta as questões que são mais exploradas pelo restante dos artigos desta série.</p>
<p>Estes textos foram originalmente produzidos e distribuídos em inglês, espanhol e português pela Globetrotter e pela Morning Star entre abril e julho de 2022. Eles foram atualizados pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social para publicação em setembro de 2022. A equipe da <a href="https://revistaopera.com.br/">Revista Ópera</a> contribuiu com a tradução dos artigos para o português.</p>
<p> </p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-66978 img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/Logos-Post-66056.png" alt="" width="626" height="70"></p>
<p> </p>
<hr class="line">
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Sumário</strong></span></h3>
<ol>
<li><a href="#section_1">Agora é hora de não-alinhamento e paz</a> – Roger Mackenzie y Vijay Prashad</li>
<li><a href="#section_2">Agora, falemos de paz</a> – Jeremy Corbyn</li>
<li><a href="#section_3">Por que o não alinhamento é um imperativo urgente para o Sul Global</a> – Nontobeko Hlela</li>
<li><a href="#section_4">A América Latina entre o não alinhamento e a multipolaridade</a> – Marco Fernandes</li>
<li><a href="#section_5">A Índia tem um papel fundamental a desempenhar em uma possível nova ordem mundial</a> – Prasanth Radhakrishnan</li>
<li><a href="#section_6">Europa na encruzilhada: entre o neoliberalismo e o desejo popular</a> – Nora García Nieves</li>
<li><a href="#section_7">O não-alinhamento de Cuba: uma política internacional por paz e socialismo</a> – Manolo De Los Santos</li>
<li><a href="#section_8">Não basta rechaçar a guerra: o racismo impossibilita a paz</a> – Claudia Webbe</li>
<li><a href="#section_9">Por que a paz e o desarmamento estão no coração do não-alinhamento?</a> – Kate Hudson</li>
<li><a href="#section_10">2 trilhões de dólares para a guerra, 100 bilhões para salvar o Planeta</a> – Murad Qureshi</li>
</ol>
<p> </p>
<hr class="line">
<p> </p>
<p><a name="section_1"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Agora é hora de não-alinhamento e paz </strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Roger McKenzie e Vijay Prashad</span></h2>
<p> </p>
<p>A guerra é uma parte feia da experiência humana. Tudo nela é horrível. A guerra é, obviamente, o ato de invasão e a brutalidade que acompanha suas operações. Nenhuma guerra é cirúrgica; toda guerra fere civis. Cada ato de bombardeio provoca um estremecimento neurológico na sociedade.</p>
<p>A Segunda Guerra Mundial demonstrou essa feiúra no Holocausto e no bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki. De Hiroshima e do Holocausto surgiram dois movimentos poderosos, um pela paz e contra os perigos de novos ataques nucleares, e o outro pelo fim das divisões da humanidade e pelo não alinhamento com essas segmentações. O Apelo de Estocolmo, de 1950, assinado por quase 300 milhões de pessoas, pedia a proibição absoluta das armas nucleares. Cinco anos depois, 29 países da África e da Ásia, representando 54% da população mundial, reuniram-se em Bandung, na Indonésia, para assinar um compromisso de 10 pontos contra a guerra e pela “promoção de interesses mútuos e cooperação”. O Espírito Bandung se posicionava pela paz e pelo não alinhamento, para que os povos do mundo se esforçassem na construção de um processo para erradicar as mazelas da história (analfabetismo, doenças, fome) usando sua riqueza social. Por que gastar dinheiro em armas nucleares se ele pode ser gasto em salas de aula e hospitais?</p>
<p>Apesar dos grandes ganhos de muitas das novas nações que emergiram do colonialismo, a força esmagadora das antigas potências coloniais impediu o Espírito de Bandung de definir a história humana. Em vez disso, a civilização da guerra prevaleceu. Essa civilização da guerra se revela no enorme desperdício da riqueza humana na produção de forças armadas – suficientes para destruir centenas de planetas – e no uso dessas forças como o primeiro recurso na resolução de disputas. Desde a década de 1950, o campo de batalha dessas ambições não tem sido a Europa ou a América do Norte, mas sim a África, Ásia e América Latina – áreas do mundo onde velhas sensibilidades coloniais acreditam que a vida humana é menos importante. Essa divisão internacional da humanidade – que diz que uma guerra no Iêmen é normal, enquanto uma guerra na Ucrânia é horrível – define nosso tempo. Há 40 guerras ocorrendo em todo o mundo; é preciso haver vontade política para lutar para acabar com cada uma delas, não apenas aquelas que estão ocorrendo na Europa. A bandeira ucraniana está onipresente no Ocidente; quais são as cores da bandeira iemenita, da bandeira saharaui e da bandeira somali?</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Retorno à paz, retorno ao não-alinhamento</strong></span></h3>
<p>Estamos aturdidos nos dias de hoje com certezas que parecem cada vez menos reais. À medida que a guerra da Rússia na Ucrânia continua, há uma visão desconcertante de que as negociações são fúteis. Essa visão circula mesmo quando pessoas razoáveis concordam que todas as guerras devem terminar em negociações. Se for esse o caso, por que não pedir um cessar-fogo imediato e construir a confiança necessária para as negociações? As negociações só são viáveis se houver respeito de todos os lados e se houver uma tentativa de entender que todos os lados em um conflito militar têm exigências razoáveis. Ou seja, pintar esta guerra como fruto dos caprichos do presidente russo Vladimir Putin faz parte do exercício da guerra permanente. São necessárias garantias de segurança para a Ucrânia; mas também para a Rússia, o que inclui o regresso a um regime internacional sério de controle de armas.</p>
<p>A paz não vem meramente porque a desejamos. Requer uma luta nas trincheiras das ideias e das instituições. As forças políticas no poder lucram com a guerra, e assim se vestem de “machos” para melhor representar os traficantes de armas que querem mais guerra, não menos. Não se deve confiar a esses burocratas de ternos azuis o futuro do mundo. Eles falham quando se trata da catástrofe climática; falham quando se trata da pandemia; falham quando se trata de pacificação. Precisamos convocar os velhos espíritos de paz e não-alinhamento e trazê-los à vida dentro de movimentos de massa, que são a única esperança deste planeta.</p>
<p>Não é meramente nostalgia fazer uma volta ao passado para dar vida ao Movimento dos Não-Alinhados de hoje. As contradições do presente já levantaram o espectro do não alinhamento em partes da África, Ásia e América Latina. A maioria desses países votou contra a condenação da Rússia não porque eles apoiam a guerra na Ucrânia, mas porque reconhecem que a polarização é um erro fatal. O que é necessário é uma alternativa ao mundo de dois campos da Guerra Fria. Essa é a razão pela qual muitos dos líderes desses países – de Xi Jinping (China) a Narendra Modi (Índia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul) – pediram, apesar de suas orientações políticas muito diferentes, um afastamento da “mentalidade da Guerra Fria”. Eles já estão caminhando em direção a uma nova plataforma não alinhada. É esse movimento real da história que nos provoca a refletir sobre um retorno aos conceitos de não-alinhamento e paz.</p>
<p>Ninguém quer imaginar todas as implicações do cerco da China e da Rússia pelos Estados Unidos e seus aliados. Mesmo países que estão intimamente aliados aos Estados Unidos – como Alemanha e Japão – reconhecem que, se uma nova cortina de ferro descer ao redor da China e da Rússia, isso será fatal para seus próprios países. A guerra e as sanções já criaram sérias crises políticas em Honduras, Paquistão, Peru e Sri Lanka, e outras surgem à medida que os preços dos alimentos e dos combustíveis aumentam astronomicamente. A guerra é muito cara para as nações mais pobres. Gastar com a guerra está consumindo o espírito humano, e a própria guerra aumenta o sentimento geral de desespero das pessoas.</p>
<p>Os belicistas são idealistas. Suas guerras não resolvem os principais dilemas da humanidade. As ideias de não-alinhamento e paz, por outro lado, são realistas; seu enquadre tem respostas para as crianças que querem comer, aprender, brincar e sonhar.</p>
<hr class="separator">
<p><a name="section_2"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Agora, falemos de paz</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Jeremy Corbyn</span></h2>
<p> </p>
<p>Com bombas russas caindo sobre cidades ucranianas, um cessar-fogo inquieto no Iêmen, o ataque aos palestinos em oração em Jerusalém e muitos outros conflitos ao redor do mundo, pode parecer inadequado para alguns falarem de paz.</p>
<p>Quando uma guerra está acontecendo, porém, é definitivamente o momento de falar de paz. De que outra forma podemos evitar a perda de mais vidas ou ainda que milhões sejam forçados a se refugiar em algum outro lugar do mundo? É positivo que, finalmente, as Nações Unidas tenham tomado a iniciativa de colocar em prática o pedido do secretário-geral, António Guterres, de que se façam reuniões presenciais com o presidente russo Vladimir Putin e o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy.</p>
<p>Deve haver um cessar-fogo imediato na Ucrânia, seguido de uma retirada das tropas russas e um acordo entre ambos os países sobre futuros acordos de segurança.</p>
<p>Todas as guerras terminam com algum tipo de negociação — então por que não agora?</p>
<p>Todos sabem que isso é o que acontecerá em algum momento. Não há razão em adiá-lo para que ocorram mais bombardeios e assassinatos, mais refugiados, mais mortos e mais famílias em luto na Ucrânia e na Rússia. Mas, em vez de pedir a paz, a maioria das nações europeias aproveitou a oportunidade para aumentar o fornecimento de armas, alimentar a máquina de guerra e aumentar os preços das ações dos fabricantes de armas.</p>
<p>É também a hora de falar sobre nossa humanidade, ou falta dela, para pessoas em profunda angústia como resultado de conflitos armados, violação de seus direitos ou a pobreza opressiva que muitos enfrentam como resultado do sistema econômico global.</p>
<p>Quase 10% da população da Ucrânia está agora no exílio, sofrendo traumas, perdas e medo. A maioria dos países da Europa tem apoiado os refugiados ucranianos. O governo britânico finge fazê-lo também, mas depois afoga os ucranianos em burocracias governamentais deliberadamente labirínticas e dignas de um pesadelo para desencorajá-los. Em vez disso, os refugiados ucranianos devem ser apoiados e bem-vindos. Isso é o que o povo britânico em geral quer; a enorme generosidade das pessoas comuns está mostrando o melhor da nossa humanidade.</p>
<p>No entanto, com relação ao tratamento de refugiados em desespero, vindos de guerras em que a Grã-Bretanha tem responsabilidade direta, como Afeganistão, Iraque, Líbia e Iêmen, a história é dolorosamente diferente.</p>
<p>Se alguém está tão desesperado a ponto de arriscar tudo para tentar cruzar o Canal da Mancha em um bote perigoso e frágil, merece simpatia e apoio. Em vez disso, o plano do governo é removê-los para Ruanda. Se acreditamos na humanidade e nos direitos dos refugiados, todos devem ser tratados de forma igual e decente e deve ser permitido que eles possam dar sua contribuição à nossa sociedade, e não sofrerem criminalização e encarceramento. Se o Partido Conservador se safar com essa “terceirização”, outros países europeus farão o mesmo. O governo dinamarquês já falou animadamente sobre essa proposta cruel e impraticável.</p>
<p>Os efeitos dessa guerra na política e nas esperanças de nossa sociedade serão enormes, principalmente para as instituições do mundo. As Nações Unidas foram estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial para “salvar gerações sucessivas do flagelo da guerra”. Desde então, podemos desenrolar a longa e extensa lista de conflitos e guerras por procuração que o mundo enfrentou e que tirou a vida de milhões. Coréia, Vietnã, Irã-Iraque, Iugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Índia-Paquistão, República Democrática do Congo e muitos outros conflitos foram pouco noticiados pela grande mídia, talvez por serem conflitos contra a ocupação colonial, como ocorre no Quênia.</p>
<p>Uma grande questão deve ser feita à ONU sobre o conflito na Ucrânia. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia de forma brutal e ilegal, não era esse o momento para a ONU enviar seu secretário-geral a Moscou para exigir um cessar-fogo? A ONU tem sido muito lenta para agir, e boa parte do sistema inter Estados pressionou pela escalada, não pela negociação.</p>
<p>O apelo por instituições internacionais mais eficazes e proativas para apoiar a paz foi feito com força em abril de 2022, em Madri, em uma conferência organizada pelo partido de esquerda Podemos, da Espanha, após um diálogo iniciado pela organização ativista de esquerda Internacional Progressista. Cada um dos 17 oradores condenou a guerra e a ocupação e pediu um cessar-fogo e um futuro de paz para o povo da Ucrânia e da Rússia. Os participantes sabiam dos perigos da escalada desse conflito e das novas guerras quentes e violência que uma nova Guerra Fria traria. Existem 1.800 ogivas nucleares no mundo preparadas e prontas para uso. Uma arma “tática” mataria centenas de milhares; uma bomba nuclear mataria milhões. Não pode ser contida, tampouco seus efeitos podem ser controlados.</p>
<p>Em junho de 2022, Viena sediou uma grande série de eventos de paz em torno do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares. Esse tratado, apoiado pela Assembleia Geral da ONU e contestado pelos Estados declarados com armas nucleares, oferece a melhor esperança e oportunidade para um futuro sem armas nucleares. A oportunidade deve ser agarrada com as duas mãos.</p>
<p>Alguns dizem que discutir a paz em tempos de guerra é sinal de algum tipo de fraqueza; a verdade é justamente o oposto. É a bravura dos manifestantes pela paz em todo o mundo que impediu alguns governos de se envolverem no Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Iêmen ou qualquer uma das dezenas de outros conflitos em andamento.</p>
<p>A paz não é apenas a ausência de guerra; é a verdadeira segurança. A segurança de saber que você poderá comer, seus filhos serão educados e cuidados e que um serviço de saúde estará lá quando você precisar. Para milhões, isso não é uma realidade agora; os efeitos posteriores da guerra na Ucrânia tirarão isso de outros milhões de pessoas.</p>
<p>Enquanto isso, muitos países estão aumentando os gastos com armas e investindo recursos em armamentos cada vez mais perigosos. Os Estados Unidos acabam de aprovar seu maior orçamento de defesa de todos os tempos. Esses recursos usados para armas são todos os recursos não usados para saúde, educação, habitação ou proteção ambiental.</p>
<p>Este é um momento perigoso. Observar o horror se desenrolar e se preparar para mais conflitos no futuro não garantirá que a crise climática, a crise da pobreza ou o suprimento de alimentos sejam resolvidos. Cabe a todos nós construir e apoiar movimentos que possam traçar outro rumo para a paz, segurança e justiça para todos.</p>
<hr class="separator">
<p><a name="section_3"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Por que o não alinhamento é um imperativo urgente para o Sul Global</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Nontobeko Hlela</span></h2>
<p> </p>
<p>A África do Sul e outros <a href="https://news.un.org/en/story/2022/04/1115782">países que se abstiveram de votar contra a Rússia</a> na Assembleia Geral das Nações Unidas em resposta à guerra na Ucrânia enfrentam intensas críticas internacionalmente. Na África do Sul, as críticas domésticas foram extraordinariamente estridentes e muitas vezes claramente racializadas. Supõe-se frequentemente que a abstenção significa que a África do Sul apoia a invasão russa, e que isso se deva a relações corruptas entre as elites russas e sul-africanas, ou à nostalgia em relação ao apoio soviético à luta anti-apartheid, ou ambas.</p>
<p>Raramente há qualquer reconhecimento de que o não alinhamento, neste caso a recusa em se alinhar com os Estados Unidos e seus aliados ou com a Rússia, pode ser uma posição de princípios, bem como um compromisso tático sagaz com as realidades geopolíticas. Como duas figuras fundadoras do Movimento dos Não-Alinhados (MNA), o então presidente da Iugoslávia, Josip Broz Tito, e o então primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, disseram em uma <a href="https://www.jstor.org/stable/26924448">declaração conjunta</a> de 22 de dezembro de 1954: “a política de não-alinhamento com blocos (…) não representa ‘neutralidade’ ou ‘neutralismo’; nem representa passividade, como às vezes é alegado. Representa a política positiva, ativa e construtiva que tem, como objetivo, a paz coletiva como fundamento da segurança coletiva”.</p>
<p>O Sul Global abriga <a href="https://www.un.org/en/global-issues/population">mais de 80% da população mundial</a>, mas seus países são sistematicamente excluídos de qualquer tomada de decisão nas organizações internacionais que determinam como a “comunidade internacional” opera. Por décadas, os países do Sul Global têm defendido que as Nações Unidas sejam reformadas para que se distanciem do jogo de soma zero da mentalidade da Guerra Fria que continua a conduzi-la. Gabriel Valdés, então Ministro das Relações Exteriores do Chile, conta que em junho de 1969, Henry Kissinger lhe disse: “nada importante pode vir do Sul. A história nunca foi produzida no Sul. O eixo da história começa em Moscou, vai para Bonn, cruza para Washington e depois vai para Tóquio. O que acontece no Sul não tem importância”.</p>
<p>Poucos anos antes, em 30 de setembro de 1963, Jaja Wachuku, então ministro das Relações Exteriores da Nigéria, <a href="https://www.jstor.org/stable/1035325">fez uma pergunta</a> urgente à 18ª Sessão da ONU: “essa organização quer (…) que os Estados africanos sejam apenas membros vocais, sem qualquer direito de expressar sua visão sobre qualquer assunto em particular em órgãos importantes das Nações Unidas…? Vamos continuar apenas assistindo?” Os países do Sul Global ainda são como “crianças assistindo o debate”, observando os adultos fazerem as regras e decidirem o caminho que o mundo deve tomar. Eles continuam a ser repreendidos e a levar sermões quando não fazem o que é deles esperado.</p>
<p>É hora de um Movimento dos Não-Alinhados (MNA) revitalizado. O MNA só terá sucesso se os líderes dos países do Sul Global colocarem seus egos de lado, pensarem estrategicamente em escala global e usarem melhor seu considerável capital humano, recursos naturais e engenhosidade tecnológica. O Sul Global inclui uma China ascendente, a segunda maior economia do mundo. Inclui também a Índia, um dos países líderes em assistência médica e inovação tecnológica. E ainda a África, um continente com uma população crescente e os recursos naturais necessários para a multiplicação das indústrias de Inteligência Artificial (IA) e energia mais limpa. No entanto, esses recursos ainda são extraídos para que o lucro seja acumulado em capitais distantes, enquanto a África e grande parte do Sul Global permanecem subdesenvolvidos, com milhões ainda presos no desespero do empobrecimento.</p>
<p>Um MNA renovado tem um potencial real e é necessário tempo para edificar novas instituições e construir amortecedores contra a guerra econômica que os Estados Unidos vêm travando contra países, como Cuba e Venezuela, e agora contra a Rússia. A autonomia financeira é fundamental.</p>
<p>O BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) desenvolveu um <a href="https://www.prnewswire.com/news-releases/new-development-bank-updates-ndb-enters-2022-in-expansion-mode-301460273.html">banco</a> para seus membros, e para as 16 nações da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (<a href="https://www.sadc.int/">SADC</a>, na sigla em inglês) existe o Banco de Desenvolvimento da África Austral; no entanto, as reservas dos países vinculados a esses projetos ainda são mantidas nos Estados Unidos ou em capitais europeias. Esse é o momento de os líderes do Sul Global acordarem e perceberem que, dado o tipo de guerra econômica que está sendo desencadeada atualmente contra um país como a Rússia, os países mais fracos do Sul Global não têm autonomia significativa.</p>
<p>Esse é o momento de repensar como conduzimos a política, a economia e a política externa quando estiver claro que o Ocidente pode decidir dizimar países inteiros. As armas econômicas que estão sendo construídas contra a Rússia estarão disponíveis para serem usadas contra outros países que tenham a temeridade de não seguir a linha de Washington.</p>
<p>O BRICS foi decepcionante em muitos aspectos, mas abriu espaço para os países do Sul Global – com suas muitas diferenças de credo, cultura, sistemas políticos e econômicos – encontrarem uma maneira de trabalhar juntos. O rechaço à pressão intensa para que se curvassem coletivamente no Conselho de Segurança das Nações Unidas é um exemplo encorajador do Sul Global rejeitando a suposição de que seus países deveriam permanecer como espectadores.</p>
<p>À medida que os Estados Unidos intensificam rapidamente sua nova Guerra Fria contra a Rússia e a China, e esperam que outros países fiquem na linha, há agora um imperativo urgente de rejeitar essa mentalidade de guerra fria que divide o mundo em velhas linhas. O Sul Global deve rejeitar essa visão e exigir o respeito ao direito internacional por todos os países. Quando os direitos humanos e o direito internacional são evocados apenas quando os países de quem o Ocidente não gosta ou discorda os violam, eles zombam desses conceitos.</p>
<p>Somente unindo-se e falando a uma só voz, os países do Sul Global podem esperar ter alguma influência nos assuntos internacionais e não continuar a ser apenas carimbadores das posições do Ocidente.</p>
<p>O Movimento dos Não-Alinhados precisa ser confiante e corajoso e não buscar permissão do Ocidente. Os líderes do MNA precisam entender que estão lá para servir e proteger os interesses de seu povo e não permitir que a tentação de ser incluído no “clube dos meninos grandes” influencie sua posição sobre as questões. Eles precisam ter em mente que foram mantidos como “café com leite” por muito tempo e, a menos que realmente tomem seu destino em suas mãos, estarão para sempre aos pés da mesa, com seu povo se alimentando apenas dos restos da riqueza acumulada pela economia global, grande parte obtida com a exploração do Sul.</p>
<hr class="separator">
<p><a name="section_4"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>A América Latina entre o não alinhamento e a multipolaridade</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Marco Fernandes</span></h2>
<p> </p>
<p>O mundo urge pelo fim da guerra na Ucrânia. No entanto, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) parece apostar no prolongamento do conflito, aumentando o envio de armas à Ucrânia e declarando que seu objetivo é “<a href="https://www.wsj.com/articles/u-s-to-return-embassy-to-ukraine-boost-military-aid-blinken-and-austin-tell-zelensky-in-visit-to-kyiv-11650859391">enfraquecer a Rússia</a>”. Até 3 de março de 2022, somente os EUA já haviam aprovado 13,6 bilhões de dólares em orçamentos de emergência, a maior parte em armas. Em abril, o presidente dos EUA, Joe Biden, solicitou outros 33 bilhões ao Congresso. Para efeito de comparação, seriam necessários 45 bilhões de dólares por ano <a href="https://ceres2030.org/wp-content/uploads/2020/10/ceres2030-what-would-it-cost_.pdf">para acabar com a fome no mundo</a> até 2030.</p>
<p>Mesmo que as negociações avancem e a guerra acabe, uma solução pacífica talvez não seja possível. Nada leva a crer que as tensões geopolíticas diminuam de fato e que cessem as tentativas do Norte Global de frear o desenvolvimento da China, de quebrar seus laços com a Rússia e de conter as parcerias estratégicas chinesas com o Sul Global.</p>
<p>Por exemplo, em depoimento dado em março de 2022 ao Senado estadunidense, os comandantes do <a href="https://www.washingtonexaminer.com/policy/defense-national-security/southcom-commander-warns-about-russian-and-chinese-influence-in-latin-america">Comando do Sul</a> (General Laura Richardson) e do <a href="https://www.news24.com/news24/africa/news/us-army-general-concerned-about-china-and-russias-growing-influence-in-africa-20220323">Comando da África</a> (General Stephen J. Townsend) alertaram para os “perigos” do aumento da influência da Rússia e da China na África e na América Latina e Caribe. Reafirmando a nova doutrina de segurança nacional lançada em 2018 pelo governo de Donald Trump – que elegeu Rússia e China como os “<a href="https://www.cnn.com/2018/01/19/politics/trump-defense-strategy-china-russia/index.html">desafios centrais</a>” aos EUA – os generais recomendam ações para enfraquecer a influência de Moscou e Pequim. Com suas ações e retórica cada vez mais agressivas, os EUA e seus aliados parecem dispostos a levar o mundo a uma nova guerra fria.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Basta de Guerra Fria</strong></span></h3>
<p>A América Latina não quer uma nova guerra fria. Nossa região já sofreu uma experiência traumática com a polarização do mundo pós II Guerra. A propaganda da “ameaça comunista” serviu de pretexto para a derrubada de inúmeros governos democraticamente eleitos. Buscavam alternativas, nos marcos do capitalismo, para superar o subdesenvolvimento e a histórica desigualdade social. Mesmo assim, sofreram golpes operados pelas elites locais com <a href="https://www.theguardian.com/news/2020/sep/03/operation-condor-the-illegal-state-network-that-terrorised-south-america">apoio da Casa Branca</a>. Dezenas de milhares de pessoas foram torturadas, assassinadas e exiladas, inúmeros países da região viveram muitos anos sob ditaduras militares e as condições de vida do povo pioraram.</p>
<p>A América Latina quer paz. Mas somente a unidade regional será capaz de nos defender das pressões internacionais que devem crescer. Esse processo já foi iniciado há mais de 20 anos, após uma série de revoltas populares em inúmeros países e do sucesso eleitoral de governos progressistas na região, como reação ao esgotamento do tsunami de políticas neoliberais de austeridade. Venezuela (1999), Brasil (2002), Argentina (2003), Uruguai (2004), Bolívia (2005), Nicarágua (2006), Equador (2007) e Paraguai (2008) se juntaram a Cuba e impulsionaram pela primeira vez uma tentativa de integração regional por meio de organismos como a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), em 2004, a União das Nações Sul-americanas (Unasul), em 2008, e a Comunidade de Estados da América Latina e Caribe (Celac), em 2011. Estas plataformas visavam aumentar o comércio regional e a integração política. Seus avanços foram respondidos por crescentes agressões de Washington, que buscou <a href="https://therealnews.com/the-role-the-us-played-in-reversing-latin-americas-pink-tide">enfraquecer o processo</a>, ao tentar derrubar governos dos países-membros e dividir os blocos conforme os interesses da Casa Branca.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>O tropeço do Brasil</strong></span></h3>
<p>Por seu tamanho e relevância, o Brasil foi um dos protagonistas destas articulações. Em 2009, voou ainda mais alto ao compor os BRICS, junto a Rússia, Índia, China e África do Sul, uma nova aliança com potencial para rearranjar as relações de forças do comércio e da política globais.</p>
<p>Mas o protagonismo brasileiro não agradou a Casa Branca, que sofisticou seus métodos de intervenção. Em vez de um golpe militar, o Brasil foi palco de uma bem-sucedida operação de “guerra híbrida”, combinando o uso do Judiciário, do Legislativo e da mídia (tradicional e redes sociais). Baseados em investigações sobre corrupção na Petrobras (estatal petroleira), criaram as condições políticas para o <em>impeachment</em> da presidenta Dilma Rousseff em 2016 e a prisão do ex-presidente Lula em 2018, quando liderava as pesquisas da eleição presidencial.</p>
<p>Graças ao <a href="https://theintercept.com/2019/06/09/brazil-archive-operation-car-wash/">vazamento</a> da conta de <a href="https://thewire.in/world/lula-de-silva-brazil-cia">Telegram</a> de <a href="https://www.conjur.com.br/2021-fev-08/deltan-disse-prisao-lula-presente-cia">um dos promotores</a>, temos provas sobre a ilegalidade do processo e sobre o papel do Departamento de Justiça dos EUA e do <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-publica/2020/07/01/o-fbi-e-a-lava-jato.htm">FBI</a> na operação que acusou injustamente os ex-presidentes. Algum tempo depois, a Suprema Corte anulou todos os processos. Mas o afastamento de Lula e Dilma já havia semeado o solo para a ascensão da extrema direita. Com a eleição de Jair Bolsonaro (2018), o Brasil abandonou a <a href="https://www.radiohc.cu/en/noticias/internacionales/188489-brazil-quits-unasur-after-receiving-pro-tempore-presidency">Unasul</a> e a <a href="https://www.reuters.com/article/us-brazil-diplomacy-celac-idUSKBN1ZF2U9">Celac</a>, e se mantém no BRICS apenas formalmente – como é também o caso da Índia –, enfraquecendo a perspectiva de alianças estratégicas do Sul Global contra a hegemonia estadunidense.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>A maré está virando</strong></span></h3>
<p>Nos últimos anos, o continente latino-americano vive uma nova onda de governos progressistas e a ideia de integração regional volta a ter força. Após quatro anos sem uma reunião de cúpula, a <a href="https://elpais.com/mexico/2021-09-18/lopez-obrador-pide-la-integracion-comercial-y-el-fin-de-los-bloqueos-en-america-latina.html#?rel=mas">Celac se reuni</a><u>u novamente</u> em setembro de 2021, graças à liderança do presidente mexicano, López Obrador, e do argentino, Alberto Fernández. Com a vitória de <a href="https://www.reuters.com/world/americas/colombian-leftist-petro-leads-presidential-election-poll-2022-04-29/">Gustavo Petro</a> na Colômbia, em maio, e a provável vitória de <a href="https://www.theguardian.com/world/2022/apr/30/is-brazil-ready-for-the-next-incarnation-of-president-lula">Lula </a>em outubro, pela primeira vez em décadas, teremos as <a href="https://es.statista.com/grafico/26372/paises-latinoamericanos-con-el-mayor-pib-a-traves-del-tiempo/">quatro maiores economias</a> da região (<a href="https://www.statista.com/statistics/802640/gross-domestic-product-gdp-latin-america-caribbean-country/">Brasil, México, Argentina e Colômbia</a>) governadas pela centro-esquerda, notadamente apoiadores da integração latino-americana e caribenha. Em inúmeras entrevistas, Lula já defendeu o <a href="https://lula.com.br/integra-do-discurso-de-lula-na-camara-dos-deputados-do-mexico/">retorno do Brasil à Celac</a> e a retomada de uma postura ativa nos <a href="https://www.brasil247.com/blog/vitoria-de-lula-na-onu-incomoda-washington-porque-fortalece-geopolitica-dos-brics-x-eua-otan">BRICS</a>.</p>
<p>O Sul Global pode estar criando as condições para a retomada de um novo lugar na ordem mundial até o fim de 2022. A tentativa da Otan de criar uma grande aliança global contra a Rússia despertou reações contrárias em várias partes do <a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2022/mar/10/russia-ukraine-west-global-south-sanctions-war">Sul Global</a>. Mesmo governos que condenam a guerra (como Brasil, México, Argentina, África do Sul e Índia) não concordam em sancionar a Rússia unilateralmente, e preferem apoiar as negociações por uma solução pacífica. A ideia da retomada de um “<a href="https://www.nytimes.com/2022/04/24/world/asia/cold-war-ukraine.html">movimento dos não alinhados</a>”, inspirado pela histórica iniciativa lançada na Conferência de Bandung (Indonésia), em 1955, tem encontrado ressonância em inúmeros círculos.</p>
<p>Sua intenção é correta, pois buscam conter a escalada de tensões políticas globais, que são uma ameaça à soberania dos países e tendem a impactar negativamente a economia global. Na pior das hipóteses, elas podem nos arrastar para uma nova guerra mundial. O espírito de não confrontação, e de paz, de Bandung é urgente hoje.</p>
<p>Mas o “movimento dos não alinhados” surgiu como uma recusa dos países do “terceiro mundo” em escolher um dos lados na polarização entre EUA e URSS. Eles lutavam por sua soberania e pelo direito a ter relações com os países de ambos sistemas, sem que sua política externa fosse decidida em Washington ou Moscou.</p>
<p>Este não é o cenário atual. É somente o Eixo Washington-Bruxelas (e aliados) que exige alinhamento à sua chamada “<a href="https://mronline.org/2022/01/12/the-u-s-makes-a-mockery-of-treaties-and-international-law/">ordem internacional baseada em regras</a>”. Aqueles que não se alinham, sofrem com as sanções, aplicadas contra dezenas de países (devastando economias inteiras, como <a href="https://www.wola.org/2020/10/new-report-us-sanctions-aggravated-venezuelas-economic-crisis/">Venezuela</a> e <a href="https://www.jacobinmag.com/2021/07/us-policy-cuba-blockade-embargo-protests-rubio-history-war-covid-food-medicine-shortages">Cuba</a>), o confisco ilegal de centenas de bilhões de dólares em ativos (Venezuela, Irã, <a href="https://www.nytimes.com/2022/02/13/world/asia/afghanistan-funds-biden.html">Afeganistão</a>, <a href="https://www.globaltimes.cn/page/202203/1255112.shtml">Rússia</a>) as invasões militares que resultam em genocídios (Iraque, Síria, Líbia e Afeganistão) e o apoio a “<a href="https://www.scmp.com/news/china/diplomacy/article/3124567/china-and-russia-should-work-together-combat-colour">revoluções coloridas</a>” (da <a href="https://www.wsws.org/en/topics/event/2014-coup-ukraine">Ucrânia em 2014</a> ao Brasil em 2016). A exigência de “alinhamento” só vem do Norte Global, não da China, nem da Rússia.</p>
<p>A humanidade se defronta com desafios urgentes, como a desigualdade, a fome, a crise climática e a ameaça de novas pandemias. Para superá-los, alianças regionais no Sul Global precisam ser capazes de instituir uma nova multipolaridade na política global. Mas os suspeitos de sempre podem ter outros planos para a humanidade.</p>
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<p><a name="section_5"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>A Índia tem um papel fundamental a desempenhar em uma possível nova ordem mundial</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Prasanth Radhakrishnan</span></h2>
<p> </p>
<p>Na primeira quinzena de abril de 2022, o ministro de Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, <a href="https://www.businesstoday.in/latest/economy/story/indias-monthly-oil-purchase-from-russia-less-than-europes-in-an-afternoon-jaishankar-329481-2022-04-12">fez algumas observações reveladoras</a> durante uma coletiva de imprensa em Washington, D.C. Ele estava ao lado do secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e do secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin. Quando perguntado sobre a compra de petróleo russo pela Índia, Jaishankar respondeu: “Se você estiver analisando as compras de energia da Rússia, sugiro que sua atenção se concentre na Europa. Nós compramos alguma energia, que é necessária para a nossa segurança energética. Mas suspeito, olhando para os números, que nossas compras totais para o mês seriam menores do que a Europa compra em uma tarde”.</p>
<p>A declaração de Jaishankar não foi incomum. Ele e seus colegas <a href="https://www.business-standard.com/article/international/don-t-patronize-us-indian-envoy-at-un-to-dutch-ambassador-on-unga-voting-122050600161_1.html">têm pressionado contra as “preocupações” e “conselhos” do Ocidente</a> sobre a posição da Índia em relação à Rússia no conflito na Ucrânia, incluindo a <a href="https://www.ndtv.com/india-news/india-abstains-on-resolution-to-call-for-un-general-assembly-session-on-ukraine-2793567">recusa indiana</a> de <a href="https://thewire.in/diplomacy/un-general-assembly-india-abstain-resolution-criticise-russia-ukraine-invasion">votar contra o país nas Nações Unidas</a>, bem como as discussões da Índia com a Rússia para estabelecer um <a href="https://www.livemint.com/politics/policy/russia-india-explore-opening-alternative-payment-channels-amid-sanctions-11647371750761.html">mecanismo de pagamento</a> que contornaria as sanções impostas pelo Ocidente. <a href="https://indianexpress.com/article/world/india-united-states-daleep-singh-russia-ukraine-war-7847094/">As visitas</a> de <a href="https://www.gov.uk/government/news/foreign-secretary-in-india-as-part-of-diplomatic-push-on-ukraine">diplomatas ocidentais</a> à Índia não ajudaram a alterar as ações do governo indiano.</p>
<p>Sob o comando do primeiro-ministro Narendra Modi, a Índia tem se mantido firmemente no campo pró-EUA, <a href="https://thediplomat.com/2017/11/us-japan-india-and-australia-hold-working-level-quadrilateral-meeting-on-regional-cooperation/">tendo tomado parte na revitalização da aliança Quad</a> (Austrália, Índia, Japão e EUA) e assinado <a href="https://theprint.in/defence/the-3-foundational-agreements-with-us-and-what-they-mean-for-indias-military-growth/531795/">três acordos de defesa fundamentais com os Estados Unidos</a>. Esses movimentos sugerem que a Índia teve uma forte concordância com o foco estadunidense na contenção da China. Mas teria a Índia deixado de lado seu alinhamento com os Estados Unidos em função das suas relações com a Rússia? O não-alinhamento está de volta à mesa? As respostas a estas perguntas são muito mais complicadas do que parece na superfície.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Economia</strong></span></h3>
<p>A recente resposta da Índia pode ser explicada, em parte, simplesmente por razões econômicas. Para um governo lidando com uma inflação galopante, a <a href="https://www.livemint.com/news/india/russia-offers-oil-to-india-at-35-bbl-discount-from-pre-war-price-11648704105136.html">possibilidade de obter petróleo com descontos da Rússia</a> era <a href="https://www.financialexpress.com/economy/indias-russian-oil-purchases-since-ukraine-invasion-more-than-double-2021-total/2502873/">muito boa para ser negada</a>. Além disso, <a href="https://www.business-standard.com/article/economy-policy/russia-accounted-for-half-of-india-s-arms-imports-during-2016-20-122022600072_1.html">a Rússia continua sendo a maior fornecedora de armas da Índia</a>, apesar desta dependência aparentemente <a href="https://www.business-standard.com/article/economy-policy/russia-accounted-for-half-of-india-s-arms-imports-during-2016-20-122022600072_1.html">estar diminuindo</a> (importações de Israel e dos Estados Unidos <a href="https://warontherocks.com/2022/04/after-ukraine-where-will-india-buy-its-weapons/">aumentaram</a> nos últimos 30 anos). Um fato ainda menos notado é que a Índia <a href="https://www.thehindubusinessline.com/opinion/russia-ukraine-war-choking-fertiliser-supply/article65210842.ece">também depende da Rússia para obter fertilizantes vitais para seu setor agrícola</a>. Esses laços econômicos são muito lucrativos para serem cortados. Há precedentes para isso também. Afinal, a Índia não cedeu às pressões dos EUA, <a href="https://www.hindustantimes.com/india-news/s400-missile-system-deal-us-may-still-sanction-india-says-top-diplomat-101646281899828.html">nem sob ameaça de sanções</a>, quando esta tratava de adquirir o sistema de mísseis S-400 da Rússia. Geopoliticamente, a Rússia continua sendo fundamental se a Índia quiser se envolver com sua vizinhança imediata, onde anteriormente perdeu a janela em momentos-chave, como durante a crise no Afeganistão.</p>
<p>No entanto, atualmente, perspectivas puramente econômicas e geopolíticas talvez sejam inadequadas.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Autonomia estratégica</strong></span></h3>
<p>A abordagem da Índia no pós-Guerra Fria muitas vezes foi definida como autonomia estratégica, conceito que abrangeu agrupamentos tão diversos quanto a aliança BRICS de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul; a Organização de Cooperação de Xangai; e o Quad, composto pelos Estados Unidos, Índia, Japão e Austrália. No entanto, a política externa da Índia nas últimas décadas tem se caracterizado por uma abordagem mais transacional, buscando mais aproveitar o que faz sentido financeiro e estratégico em um determinado momento do que qualquer perspectiva de longo prazo.</p>
<p>As respostas do Ocidente e seus aliados à guerra na Ucrânia indicam que tal abordagem tem uma utilidade limitada. <a href="https://economictimes.indiatimes.com/news/international/world-news/russia-becomes-worlds-most-sanctioned-country/articleshow/90070310.cms">O regime de sanções</a>, a apreensão de bens, o <a href="https://qz.com/2135316/the-g-7-froze-all-of-russias-reserve-assets-in-their-countries/">congelamento de reservas</a> e o ataque à moeda russa não são meras respostas a um conflito armado. São métodos que foram usados como armas e <a href="https://inthesetimes.com/article/sanctions-war-economic-punishment-afghanistan-iran-cuba-venezuela">implementados, em um determinado momento, contra países</a> como Cuba, Venezuela e Irã, e constituem como um aviso para qualquer um que busque desafiar a hegemonia dos Estados Unidos e seus aliados. São um sinal de que qualquer contestação à atual ordem global será recebida com uma dura resposta. Hoje o alvo é a Rússia. Poderia ser a China amanhã? A Índia no dia seguinte?</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><strong>Um robusto não-alinhamento</strong></h3>
<p>O momento atual exige uma nova abordagem, e é aqui que a proposta de não-alinhamento surge. Embora não se trate de uma nova ideia, ela pode ter encontrado agora o seu momento de urgência.</p>
<p>A gênese do Movimento dos Não-Alinhados (NAM) está na tradição das <a href="https://www.telesurenglish.net/multimedia/The-Non-Aligned-Movement-was-Heart-of-Anti-Colonial-Struggle-20160711-0017.html">lutas anticoloniais</a>. Um emergente MNA, por exemplo, interviu criticamente nos movimentos de libertação nacional na África. Em contraste com o colonialismo, que se desenvolveu e continuou com suas atividades predatórias, o MNA foi reduzido a uma voz moral, e seus membros foram isolados e perseguidos pela ordem global neoliberal que surgiu a partir dos anos 1970.</p>
<p>Então, o que significa o não-alinhamento hoje, quando alguns homens e mulheres, com um golpe de caneta, podem apreender bilhões em reservas estrangeiras e barrar o comércio entre dois países soberanos? Está claro que para o não-alinhamento ser efetivo, ele não pode se restringir a relacionamentos transacionais ou meras posturas morais.</p>
<p>Também está claro que o não-alinhamento hoje precisa se basear na exigência da <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/texto-um-plano-para-salvar-o-mundo/">transformação da ordem mundial</a>, o que implica a rejeição da ditadura do Banco Mundial e do FMI e o impacto duradouro do endividamento, a abolição das sanções como ferramentas de guerra, e uma Organização das Nações Unidas mais igualitária. Isso requer a construção de estruturas para as quais já existem precedentes. As nações do BRICS tiveram a <a href="https://peoplesdispatch.org/2022/05/02/why-nonalignment-is-an-urgent-imperative-for-the-global-south/">ideia certa</a> com o Novo Banco de Desenvolvimento, anteriormente chamado de Banco de Desenvolvimento dos BRICS, que pode ser um modelo para futuros blocos. Organizações como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) na <a href="https://peoplesdispatch.org/2022/05/10/why-latin-america-needs-a-new-world-order/">América Latina</a> deram exemplos de tais agrupamentos em ação.</p>
<p>Tais estruturas, no entanto, não são construídas isoladamente ou simplesmente porque alguns líderes o decretam. Sua fundação deve basear-se em uma estratégia de duas frentes em cada país. Uma frente deve ser uma ênfase renovada na autodeterminação no desenvolvimento econômico e na pesquisa científica e tecnológica. Isso talvez seja o que a Índia perdeu quando abandonou o planejamento central e acabou sendo uma fornecedora de recursos humanos qualificados e uma mera receptora de tecnologia e bens.</p>
<p>A outra frente há de ser o desenvolvimento de relações econômicas que beneficiam os pontos fortes de cada um dos países, e que possa ser alcançado apesar das diferenças políticas e diplomáticas entre eles. Blocos comerciais no Sudeste Asiático, África e América Latina nos forneceram sugestões do que isso poderia significar e quão profundamente isso pode afetar a ordem global.</p>
<p>Para a Índia e outros países do Sul Global, esse momento oferece enormes desafios e fornece vislumbres de um possível novo mundo. A Índia transcenderá sua abordagem de transição e abraçará essa possibilidade? Há poucas razões para esperar qualquer desejo de mudança da classe dominante – mas essa possibilidade é parte integrante da agenda dos movimentos populares.</p>
<hr class="separator">
<p><a name="section_6"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Europa na encruzilhada: entre o neoliberalismo e o desejo popular</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Nora García Nieves</span></h2>
<p> </p>
<p>“Nem guerra que nos destrua, nem paz que nos oprima”: este lema histórico do movimento feminista espanhol contra a guerra detém uma das chaves fundamentais para a construção de um horizonte de paz. Ele proclama que a paz não é apenas um cessar-fogo ou a rendição e o silêncio diante daqueles que nos impõem suas guerras. Mas sim que a paz é a construção das bases para relações baseadas no respeito mútuo e na cooperação.</p>
<p>Não se trata de uma ideia ingênua, nem algo impossível, porque se há vontade, há um caminho.</p>
<p>A construção deste caminho é a única alternativa possível para a sustentabilidade da vida das pessoas e do planeta. O contrário é a paz dos cemitérios, a perda de vidas humanas, um mundo partido em dois, em guerra permanente, armas nucleares e miséria para os povos.</p>
<p>Os que dizem defender a liberdade não querem que aqueles que não são como eles a desfrutem. O que se coloca é um “comigo ou contra mim”, ou, <a href="https://mobile.twitter.com/dw_espanol/status/1498829189482356739">nas palavras de Josep Borrell</a>, Alto Representante da União Europeia para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, “lembraremos daqueles que não estão do nosso lado”.</p>
<p>A liberdade, portanto, não é simplesmente escolher entre duas opções, mas sim a possibilidade de criar opções próprias. Por isso é fundamental que frente a esta visão <em>mainstream</em> do mundo, que nos retira a capacidade de construir novos imaginários, articulemos um em que possamos entrar todas juntas. A guerra não é inevitável.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>“A Europa é indefensável”</strong></span></h3>
<p>No contexto em que vivemos, com a invasão russa na Ucrânia, nos vemos cercados por uma amnésia e a sensação de estar de volta ao século 20. De novo a guerra, de novo o ódio, de novo o “nós” e os “outros”. É chocante que, diante da guerra na Ucrânia, a <a href="https://www.amnesty.org/en/documents/eur05/001/2014/en/">Fortress Europe</a> agora ache que é tão fácil fazer mudanças nas políticas e abrir suas portas para os brancos de olhos azuis. Essa é a mesma abordagem que, na resposta da Europa aos refugiados e migrantes de países pobres e devastados pela guerra no Sul Global, transformou o Mar Mediterrâneo em uma <a href="https://www.clarin.com/mundo/mediterraneo-gran-fosa-comun-inmigrantes-europa_0_FhU7-2XHT.html">vala comum</a>; que desrespeita <a href="https://www.theguardian.com/global-development/2021/may/05/revealed-2000-refugee-deaths-linked-to-eu-pushbacks">ilegalmente</a> os migrantes; e que <a href="https://www.nbcnews.com/news/world/frontex-europes-border-agency-fire-aiding-libyas-brutal-migrant-detent-rcna6778">prende</a> os requerentes de asilo em centros de detenção, sem acesso a advogados. No entanto, a guerra na Ucrânia mostrou que a UE é perfeitamente capaz de receber refugiados, mas para aqueles presos na Líbia – aquele país que destruímos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – não há rotas seguras, nem trens, nem ônibus gratuitos. Isso nos diz novamente que <em>se há vontade, há um caminho</em>.</p>
<p>Todas as pessoas têm direito de fugir da guerra e de refazer suas vidas, como os afegãos, curdos e sírios vivendo sob superlotação em Moria, o campo de refugiados na ilha de Lesbos, na Grécia, que pegou fogo durante a pandemia com <a href="https://www.bbc.com/news/world-europe-54082201">quase 13 mil pessoas dentro</a> e onde crianças de 10 anos <a href="https://tdh-europe.org/news/lesbos-prisoners-of-the-horror-camp-story-in-lillustre-magazine/7402">tentaram suicídio</a> por conta da violência, fome e superlotação. Parece que a História da Europa colonial persiste, com vidas que importam e vidas que não importam.</p>
<p>Mas há poucos anos, milhares de famílias espanholas fugiam de um fascismo que também perseguia “os outros”, como o povo cigano, pessoas da comunidade LGTBI ou defensores da República Espanhola. Como escreveu Aimé Césaire em seu <em>Discurso sobre o colonialismo</em>, “a Europa é indefensável”. O nível de contradições é tão alto que seria suicídio continuar nesse caminho em que falamos de paz e mandamos armas, falamos de democracia e apoiamos a censura, falamos de direitos humanos e desmantelamos a ONU, falamos de liberdade e fechamos os olhos ao fascismo. E no centro de tudo isso: a OTAN. Como se não bastasse entregar nossa soberania aos mercados, também a entregamos às guerras dos EUA.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>“Não se come dignidade, mas um povo sem dignidade se ajoelha e acaba sem comer”</strong></span></h3>
<p>A famosa frase do dirigente <a href="https://elpais.com/opinion/2020-05-16/julio-y-el-hilo-rojo.html">Julio Anguita González</a>, ex-prefeito de Córdoba e influente líder político da esquerda espanhola, “não se come dignidade, mas um povo sem dignidade se ajoelha e acaba sem comer” ressoa na minha cabeça enquanto tento discernir o que está ocorrendo na Europa, ou, mais importante: o que é a Europa e como podemos torná-la o contrário do que é. Mas para entender o que é a Europa hoje, devemos recordar que os debates que construíram os consensos no sentido da criação desta União Europeia se deram em termos abstratos e aspiracionais, associando a modernidade ao neoliberalismo. Enquanto os povos absorviam uma identidade europeia vazia, se construíam os andaimes para uma economia independente do poder político e democrático.</p>
<p>Como a pequena sereia do conto popular de Hans Christian Andersen, vendemos nossas vozes por uma ideia de amor romântico. Sem a nossa voz, os construtores da UE preencheram o abismo entre o econômico e o social com instituições geradoras de desigualdades e um projeto europeu de segurança a serviço de Washington. As decisões da UE face à crise de 2008, à pandemia de Covid-19 ou à guerra na Ucrânia não poderiam estar mais longe das reais e cotidianas necessidades de segurança das pessoas. Com a pequena sereia, aprendemos que sem a nossa voz não pode haver amor verdadeiro.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>A luta contra a amnésia</strong></span></h3>
<p>Aqueles de nós que lutam contra a amnésia sabem que não precisamos de alianças militares, porque a guerra é um sintoma terrível, mas não é a doença do mundo. Para erradicá-la, a Europa precisa urgentemente de um transplante de coração, de um coração antifascista e anticolonial, que seja responsável pelo mundo que constrói e pelas pessoas que vivem e chegam a ele. Então, como podemos tornar a Europa o oposto do que é? Em primeiro lugar, partindo do princípio de que não podemos adiar o abrir dos olhos, olhar para a Europa como ela é e enfrentar a tarefa mais difícil: construir o nosso próprio caminho. Com a memória, seremos capazes de enfrentar esse caminho, porque ele já foi tentado antes. Escutemos o passado e tornemos ele melhor. Esse caminho passa por Rosa Luxemburgo, o Movimento dos Países Não Alinhados, os BRICS, o pan-africanismo ou a luta das Mães da Praça de Maio. Toda essa história nos lembra que a luta para construir outro caminho de paz é cheia de coragem, e que quem lutou aprendeu que sua vontade também contava.</p>
<p>Porque <em>se há vontade, há um caminho.</em></p>
<p>Mais armas não nos salvarão. Nós mesmas o faremos.</p>
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<p><a name="section_7"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>O não-alinhamento de Cuba: uma política internacional por paz e socialismo</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Manolo De Los Santos</span></h2>
<p> </p>
<p>Apesar do fato de que as cidades de Bandung, na Indonésia, e Havana, em Cuba, não poderiam estar mais distantes geograficamente – com cada uma delas localizadas em distantes ilhas em seus respectivos países e separadas por mais de 17 mil quilômetros – as duas cidades estiveram bastante próximas ideologicamente na imaginação de muitas pessoas no Sul Global. O <a href="https://www.globallearning-cuba.com/blog-umlthe-view-from-the-southuml/the-third-world-project-1948-79">Projeto do Terceiro Mundo</a>, nascido da colaboração contínua dos novos Estados recém independentes e suas lutas por libertação nacional, definiu e continua a definir a história dos movimentos por paz e não-alinhamento ainda hoje.</p>
<p>Quando a Conferência de Bandung começou, em 18 de abril de 1955, Fidel Castro ainda era um preso político na então chamada Ilha de Pinhos, ao sul de Havana. Ele cumpria uma sentença de 15 anos de prisão por ter organizado um ataque fracassado contra o Quartel Moncada, dois anos antes. Naqueles anos de prisão, durante os quais o jovem Fidel leu ferozmente, ele começou a solidificar suas ideias sobre os conceitos de soberania e independência, e como eles precisavam ser redefinidos no contexto da Guerra Fria, no qual o imperialismo desenvolvia novas abordagens no sentido de manter a subjugação de continentes inteiros.</p>
<p>À medida que Fidel e seus camaradas na prisão traçavam um novo caminho para Cuba, ficava claro que sua causa de libertação nacional precisaria estar intimamente conectada a um projeto mais amplo, visando o desenvolvimento e o trabalho por um não-alinhamento ativo para os povos do Terceiro Mundo.</p>
<p>Numa mesa redonda em Bandung, na Indonésia, os líderes do Terceiro Mundo lançavam uma luta global para <a href="https://www.globallearning-cuba.com/blog-umlthe-view-from-the-southuml/the-third-world-project-1948-79">reestruturar</a> o sistema mundial prevalecente naqueles tempos. A conferência foi lugar de convergência dos países socialistas e do Terceiro Mundo, e testemunhou uma crescente unidade entre essas nações nas lutas para aprofundar o processo de descolonização.</p>
<p>Na Conferência de Bandung, os governos independentes da Ásia e África levantaram a urgência de reviver a luta anticolonial e anti-imperialista e a necessidade de unir e solidificar cada vez mais os interesses e aspirações de seus povos. Enquanto isso, a vasta maioria dos governos da América Latina estavam contra os interesses e aspirações de seus povos, e profundamente submetidos ao imperialismo estadunidense sob o disfarce da Organização dos Estados Americanos (OEA), que já funcionava como o Ministério das Colônias do Departamento de Estado dos EUA, <a href="https://mondediplo.com/2020/05/13oas">como Fidel depois a apelidaria</a>.</p>
<p>Em 1959, a Revolução Cubana triunfou. Ela marcou um ponto transformador sem volta para a América Latina e suas relações com os Estados Unidos. O governo estadunidense decidiria não reconhecer o processo revolucionário na ilha. Em 1961, Cuba se tornou o foco da agressão norte-americana na região, levando a um bloqueio que hoje <a href="https://www.midwesternmarx.com/articles/the-blockade-against-cuba-turns-60-by-rosa-miriam-elizalde">já tem seis décadas</a>. Pela primeira vez na história, um movimento guerrilheiro tinha levado adiante uma revolução e confrontado o imperialismo dos Estados Unidos bem debaixo de seu nariz, desencadeando profundas transformações em sua estrutura socioeconômica, que se opunham aos interesses neocoloniais de dominação estadunidense.</p>
<p>Pouco tempo depois, Cuba se tornou o único país da América Latina a fazer parte do Movimento dos Não-Alinhados (MNA), criado na Iugoslávia em 1961. Fidel Castro e a Revolução Cubana começariam a ter <a href="https://www.e-ir.info/2020/12/19/cuban-cold-war-internationalism-and-the-nonaligned-movement/">um papel estratégico</a> na solidariedade internacionalista com as lutas de libertação anticoloniais e anti-imperialistas dos povos do Terceiro Mundo.</p>
<p>A Revolução Cubana estava plenamente consciente de que seu destino estava ligado ao dos povos da América Latina, Ásia e África. Como Fidel <a href="https://tinyurl.com/yu36wvwa">declarou</a> em 1962, “qual é a história de Cuba senão a história da América Latina? E qual é a história da América Latina senão a história da Ásia, África e Oceania? E qual é a história de todos esses povos senão a história da exploração mais implacável e cruel do imperialismo em todo mundo?”</p>
<p>Quando Cuba ingressou no MNA, em 1961, sua política externa estava em um estágio de definição estratégica. O compromisso de Cuba com o Terceiro Mundo tornou-se um pilar de sua estratégia internacionalista, seja por meio do Movimento dos Não-Alinhados ou da <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/nossa-historia/">Conferência Tricontinental</a>, ou ainda da posterior <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/carta-semanal-31-2019-homenagem-a-ospaaal-a-organizacao-de-solidariedade-dos-povos-da-asia-africa-e-america-latina/">Organização de Solidariedade com os Povos de Ásia, África e América Latina</a> (OSPAAAL). Nas décadas seguintes, muitos dos movimentos de libertação nacional que se encontraram em Havana em janeiro de 1966, durante a primeira conferência da OSPAAAL, estariam no governo de novos estados que passaram a participar no Movimento dos Não-Alinhados, tornando-se este o novo paradigma do Terceiro Mundo.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Comprometidos com nossos próprios princípios de não-alinhamento</strong></span></h3>
<p>Na reunião de fundação do Movimento dos Não-Alinhados na Belgrado socialista (então capital da Iugoslávia) em 1961, Osvaldo Dorticós Torrado, então presidente de Cuba, afirmou que o não-alinhamento “não significa que não somos países comprometidos. Estamos comprometidos com nossos próprios princípios. E aqueles de nós que são amantes da paz, que lutam para afirmar sua soberania e alcançar a plenitude do desenvolvimento nacional, estão, finalmente, comprometidos em responder a essas aspirações transcendentes e não trair esses princípios”. Numa época em que muitos criticavam o aparente “alinhamento” de Cuba com a União Soviética e atacavam a premissa de que a libertação nacional estava vinculada a um projeto socialista, Dorticós, em seu discurso de abertura, durante a reunião de fundação do MNA, procurou definir melhor o não-alinhamento, afirmando que o momento exigia “mais do que formulações gerais, [e que] problemas concretos devem ser considerados”.</p>
<p>Essa definição ativa do não-alinhamento tem sido importante para a política externa de Cuba em sua relação com as forças mais progressistas do Terceiro Mundo. O pensamento do Movimento dos Não Alinhados, a partir de 1973, parece ter abandonado as ideias de “neutralidade” que permeavam o movimento desde sua criação e expandido suas atividades para as relações econômicas internacionais com muito mais força do que em seu período anterior, em defesa da necessidade de uma nova ordem econômica internacional.</p>
<p>Desde a queda da URSS e a ascensão dos Estados Unidos a uma posição de quase primazia, o MNA teve problemas para se adaptar às novas realidades e ficou à deriva. Nos últimos anos, no entanto, com o ressurgimento do regionalismo na América Latina e com o surgimento da integração eurasiana, a importância do não-alinhamento e do MNA está gradualmente sendo reconsiderada. Povos de todo o mundo resistem às táticas de coerção adotadas pelos Estados Unidos, que vêm tentando isolar os países que não se submetem à vontade de Washington. Isso ficou especialmente claro com a Cúpula das Américas da Organização dos Estados Americanos de junho de 2022, onde países como Bolívia e México ameaçaram <a href="https://www.usnews.com/news/politics/articles/2022-05-21/biden-risks-troubled-americas-summit-in-los-angeles">boicotar</a> a cúpula em Los Angeles se Cuba, Nicarágua e Venezuela fossem proibidas de participar. Como alternativa, a <a href="https://www.usnews.com/news/politics/articles/2022-05-21/biden-risks-troubled-americas-summit-in-los-angeles">Cúpula dos Povos pela Democracia</a> leva adiante o legado de Bandung e Havana, reunindo as vozes dos excluídos.</p>
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<p><a name="section_8"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Não basta rechaçar a guerra: o racismo impossibilita a paz</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Claudia Webbe</span></h2>
<p> </p>
<p>A guerra e o racismo sempre foram violenta e tragicamente inseparáveis. Durante séculos, os conflitos mais devastadores e brutais do mundo foram impulsionados pelas destrutivas ideias de superioridade racial e afirmações assassinas sobre diferenças étnicas.</p>
<p>A invasão russa na Ucrânia é abominável e profundamente preocupante: trata-se de um atropelo não provocado e injustificável, e uma terrível violação do direito internacional que terá consequências duradouras e trágicas. A agressão russa, o bombardeio militar e o envio de tropas à Ucrânia devem terminar imediatamente.</p>
<p>A guerra e a escalada militar não podem trazer nada de bom. Como <a href="https://peoplesdispatch.org/2022/02/26/vijay-prashad-war-itself-is-a-crime/">disse</a> o jornalista da <a href="https://globetrotter.media/author/vijayprashad/">Globetrotter</a>, Vijay Prashad, durante o <a href="https://peoplesforum.org/">Fórum dos Povos</a>, em fevereiro de 2022: “A guerra nunca é boa para os pobres. A guerra nunca é boa para os trabalhadores. A guerra é em si mesma um crime”. A comunidade internacional deve redobrar seus esforços para encontrar uma solução diplomática que garanta a paz e proteja a vida dos habitantes da Ucrânia e de outros países assolados pela guerra.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Racismo e guerras</strong></span></h3>
<p>A onipresença do apoio à Ucrânia – especialmente por parte dos Estados ocidentais – é um espelho que mostra como, pelo prisma do racismo, alguns conflitos, guerras e incidentes de sofrimento massivo são considerados mais importantes e merecedores de simpatia do que outros. Houve inúmeros casos de jornalistas que expressaram sua comoção pelo fato de que as espantosas imagens de sofrimento na Ucrânia vinham de um país europeu com uma população majoritariamente branca. Assim se expressou a correspondente da <em>NBC News</em> em Londres, Kelly Cobiella, que <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CBWuDajHdCo">disse</a>: “Para dizer claramente, estes não são refugiados da Síria, são refugiados da vizinha Ucrânia… São cristãos, são brancos. São muitos similares [a nós]”. Ecoando essa referência explícita à raça, o ex-procurador-chefe adjunto da Ucrânia, David Sakvarelidze, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=pU-8gKaUO_Y">declarou</a> à <em>BBC</em>: “É muito emocionante para mim, porque vejo que matam pessoas europeias com olhos azuis e cabelos loiros”.</p>
<p>Se contrastamos isso com a linguagem desumanizada que se utiliza para descrever os refugiados não-brancos, os solicitantes de asilo e vítimas de guerra (como a <a href="https://www.bbc.com/news/av/uk-politics-33714282">descrição</a> feita pelo primeiro-ministro britânico David Cameron dos refugiados e refugiadas como um “enxame”), evidencia-se o muito preocupante racismo, inerente à forma como a mídia, os líderes e o público de todo o mundo informam, discutem e respondem à crise. Essa omissão em relação aos não-brancos e não-europeus serve para descartar seu sofrimento. Deveríamos nos opor ao trauma injustificável das pessoas na Ucrânia com a mesma veemência com a qual nos opomos ao sofrimento das vítimas dos conflitos na Palestina, Síria, Iraque, Afeganistão e outros países que sofrem dos males da guerra.</p>
<p>Os meios de comunicação e o governo do Reino Unido devem reconhecer que todos os cenários de conflito merecem tanto nossa solidariedade quanto nossa compaixão. Portanto, o governo do Reino Unido deve garantir o ingresso e o refúgio para as pessoas deslocadas, refugiadas e solicitantes de asilo que chegam da Ucrânia, bem como de todos os demais cenários de conflito ao redor do mundo. A contínua hipocrisia do governo do Reino Unido fica evidente com o abominável <a href="https://news.un.org/en/story/2022/04/1116342">plano de processamento no exterior de Ruanda</a> e a <a href="https://bills.parliament.uk/bills/3023">Lei de Nacionalidade e Fronteiras de 2022</a>, uma lei “anti-refugiados” que prevê mudanças drásticas no sistema de asilo da Grã Bretanha. Estas políticas devem ser descartadas imediatamente.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>A l</strong><strong>onga tradição de não-alinhamento</strong></span></h3>
<p>No dia 2 de março de 2022, as Nações Unidas <a href="https://news.un.org/en/story/2022/03/1113152">votaram</a> uma moção que condenava a invasão russa na Ucrânia. Esta foi apoiada por 141 dos 193 estados membros, e só <a href="https://theweek.com/russo-ukrainian-war/1010836/only-5-countries-including-north-korea-vote-against-un-resolution">cinco Estados</a> (Rússia, Bielorrússia, Coreia do Norte, Eritréia e Síria) votaram contra. Para entender por que 35 Estados – em sua imensa maioria antigas colônias no Sul Global – se abstiveram de votar, temos de tomar em conta a larga tradição do não-alinhamento sobre a qual se sustentam.</p>
<p>A <a href="https://www.globallearning-cuba.com/blog-umlthe-view-from-the-southuml/the-third-world-project-1948-79">Conferência de Bandung</a> de 1955 é considerada, justificadamente, uma das reuniões mais importantes da história da humanidade, por ser enormemente inspiradora para os povos anteriormente colonizados e representar uma forte afirmação do pan-africanismo e da solidariedade anti-imperialista. A conferência também contribuiu para popularizar o Movimento dos Não-Alinhados, um esforço para responder à rápida polarização do mundo durante a Guerra Fria, na qual duas grandes potências formaram blocos e embarcaram em uma política para atrair o resto do mundo às suas órbitas. Um desses blocos era o bloco comunista pró-soviético, unido sob o Pacto de Varsóvia, e outro era o grupo de países capitalistas pró-estadunidenses, muitos dos quais eram membros da OTAN. Milhões de civis morreram durante as guerras por procuração entre Estados Unidos e União Soviética na segunda metade do século 20, e a ameaça sempre presente da aniquilação nuclear pendia como uma espada de Dâmocles sobre todo o planeta.</p>
<p>O não-alinhamento nos orienta a um futuro mais seguro e pacífico. Em 1961, baseando-se nos princípios acordados na Conferência de Bandung de 1955, se estabeleceu formalmente o Movimento dos Não-Alinhados em Belgrado, então parte da Iugoslávia. Na atualidade, o Movimento dos Não-Alinhados inclui 120 países, que representam <a href="https://espace-mondial-atlas.sciencespo.fr/en/topic-regulatory-efforts/focus-6F02-EN-contemporary-aspects-of-nonalignment.html">quase dois terços</a> dos membros das Nações Unidas, onde vive 55% da população mundial. Kwame Nkrumah, primeiro presidente de Gana e líder do Movimento dos Não-Alinhados, <a href="https://www.nytimes.com/1960/11/21/archives/ghana-tells-us-she-is-a-neutral-nkrumah-assures-envoy-in-accra-his.html">disse</a>: “não olhamos nem ao Leste nem ao Oeste; olhamos para a frente”.</p>
<p>Apesar do Movimento dos Não-Alinhados ter se desenvolvido durante a geopolítica da Guerra Fria, ele foi fundado e perdurou sobre o reconhecimento de que nada de bom pode sair da guerra e que os conflitos violentos, o colonialismo e o racismo sempre estiveram estreitamente vinculados. Por exemplo, dos 35 países que se abstiveram de votar no 2 de março, <a href="https://www.brookings.edu/blog/africa-in-focus/2022/03/09/figure-of-the-week-african-countries-votes-on-the-un-resolution-condemning-russias-invasion-of-ukraine/">17 eram nações africanas</a>, que durante séculos sofreram a extração violenta do colonialismo. A abstenção não foi, de forma alguma, um reflexo do apoio à invasão russa. Foi uma afirmação do pacifismo, feita por países que durante séculos viveram debaixo dos abomináveis resultados racistas da guerra colonial.</p>
<p>Em todo o mundo, os casos de assassinatos e atroz violência pelas mãos do Estado britânico foram apagados de nossa imperial “memória do presente”. É chegado o momento dos antigos Estados coloniais se desculparem e levarem a sério a dívida histórica que têm com os países, comunidades e pessoas que suportaram suas crueldades. Um Movimento dos Não-Alinhados revitalizado, guiado pelos princípios do pacifismo, da justiça e da cooperação internacional, poderia ajudar a equilibrar a balança da política mundial, distanciando-a das guerras racistas e a aproximando de um futuro de paz.</p>
<hr class="separator">
<p><a name="section_9"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Por que a paz e o desarmamento estão no coração do não-alinhamento?</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Kate Hudson</span></h2>
<p> </p>
<p>Nunca houve maior necessidade de um novo equilíbrio global, do rechaço à guerra, à exploração e à agressão das grandes potências do que agora que nosso mundo se aproxima da catástrofe da guerra nuclear. Hoje, mais do que nunca, é necessário rechaçar a brutal agenda unipolar dos Estados Unidos, a distribuição do mundo entre potências hostis e a supressão dos direitos de muitos em função do interesse de uns poucos. Isso se vê mais claramente quando tratamos da posse de armas nucleares: somente nove Estados possuem essas armas de destruição massiva por excelência, e, apesar de serem tão poucos, podem manter o resto do mundo em xeque com seu terror nuclear.</p>
<p>A luta por um mundo genuinamente multipolar, alinhado só com os povos do mundo e não com blocos militares, tem a paz e o desarmamento em seu centro: isso é tão verdadeiro agora como foi há 60 anos, quando foi fundado o Movimento dos Não-Alinhados (MNA). Além da oposição à colonização e à submissão econômica, os fundadores do Movimento defendiam a autodeterminação e a igualdade nas relações entre os Estados, e também coincidiam em sua oposição aos blocos militares, seu compromisso com a paz mundial e uma defesa muito firme do desarmamento nuclear mundial.</p>
<p>Praticamente todo o Sul Global está auto-organizado em zonas livres de armas nucleares reconhecidas internacionalmente, proposta que tem suas origens na década de 1960. Em 1968, 20 países da América Latina estabeleceram uma zona livre de armas nucleares, renunciando à aquisição e transferência delas em seus territórios. Os firmantes desse tratado, o Tratado de Tlatelolco, também aceitaram a jurisdição da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre suas instalações nucleares. Em troca, os Estados com armas nucleares concordaram em não utilizar – nem ameaçar utilizar – armas nucleares contra nenhum dos Estados firmantes. O Tratado de Rarotonga foi assinado em 1985 e proibiu os dispositivos explosivos nucleares no Pacífico Sul, assim como os testes e uso de tecnologias de explosivos nucleares. A zona livre de armas nucleares da África se formalizou em 1996, com a assinatura do Tratado de Pelindaba, após a renúncia, por parte da África do Sul, das armas nucleares que tinha desde a época do <em>apartheid</em>.</p>
<p>Tivemos um forte desenvolvimento regional em matéria de desarmamento, liderado pelo Sul Global, mas também houve – e segue havendo – tentativas de globalizar estas propostas. O Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), negociado durante a década de 1960, mas que entrou em vigor em 1970, foi impulsionado, em grande parte, pela Índia, para controlar a proliferação e a expansão dos arsenais. Depois, tanto a Índia quanto o Paquistão se negaram a aderir ao TNP, afirmando que ele consagrava em lei aqueles que tinham e aqueles que não tinham armas nucleares, um sistema de dois pesos e duas medidas. Lamentavelmente, ambos países testaram e desenvolveram seus próprios arsenais. Mas seu ponto era correto: os Estados com armas nucleares não cumpriram com suas obrigações de desarmamento segundo o TNP. De fato, posteriormente trataram de reinterpretar o TNP como se este lhes permitisse manter suas armas nucleares.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>O afastamento do Ocidente</strong></span></h3>
<p>Nos primeiros anos do século 21, no contexto da chamada “guerra contra o terror”, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, tentaram alterar o marco jurídico que trata das armas nucleares. Buscaram anular a exigência do desarmamento, centrando-se em evitar que mais países adquirissem armas nucleares. Seu objetivo era reinterpretar o TNP para legitimar a posse de armas por parte dos Estados nucleares existentes, ao mesmo tempo que o utilizavam como justificativa para a confrontação com os Estados acusados de proliferação. Afirmavam que era necessário um novo documento que refletisse as drásticas mudanças nas condições da segurança internacional, incluindo os atentados do 11 de setembro de 2001.</p>
<p>A realidade era que os Estados Unidos e o Reino Unido estavam fazendo pesquisas para novas armas (que estariam dispostos a usar inclusive contra Estados que não tivessem armas nucleares) ao mesmo tempo que desenvolviam armas para enfrentar Estados mais poderosos, como a Rússia e a China. Este foi o verdadeiro motor da proliferação nuclear, junto com a determinação dos Estados Unidos de converter Israel no único Estado com armas nucleares do Oriente Médio.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Um novo caminho</strong></span></h3>
<p>Foi a frustração com o NPT que levou à fundação, em 2013, da Iniciativa Humanitária sobre as consequências das armas nucleares. Essa iniciativa se materializou no Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPAN), que entrou em vigor em janeiro de 2021.</p>
<p>O tratado pela primeira vez torna as armas nucleares ilegais, proibindo o desenvolvimento, posse e uso de armas nucleares por parte dos Estados participantes. Atualmente, o tratado conta com 61 Estados, que estão legalmente obrigados a cumpri-lo, e muitos outros estão em processo de adesão. Os países do Sul Global estão na vanguarda da concretização deste tratado; entendem que qualquer uso de armas nucleares por parte dos estados do Norte Global afetará de forma desastrosa suas próprias populações, terras e produção de alimentos. Sustentam o que sempre foi sua postura: qualquer posse de armas nucleares é inaceitável; não há garantias quando se trata deste tipo de arma.</p>
<p>Sem dúvida, é notável que o tratado imponha aos firmantes a obrigação de ajudar as vítimas do uso e testes de armas nucleares. Ele exige a reparação de terrenos contaminados pelos testes nucleares. Também reconhece explicitamente o impacto desproporcional das atividades de armamento nuclear sobre os povos indígenas, dadas as escolhas feitas pelas potências nucleares para seus locais de teste. Por exemplo, muitos dos testes do Reino Unido foram feitos nos territórios dos Primeiros Povos Australianos em Emu Field e Maralinga, contaminando amplas zonas do sul da Austrália. A França também realizou testes nucleares em suas antigas colônias, incluindo 17 na Argélia e 193 na Polinésia Francesa. Estes erros históricos devem ser corrigidos.</p>
<p>As iniciativas da maior parte do mundo pela paz e o desarmamento demonstram que outro mundo é possível. A guerra é terrível. Em todas as guerras, os povos sofrem, e as consequências afetam várias gerações. O futuro de inúmeras pessoas é destruído, como vemos na Ucrânia, Afeganistão, Palestina, Iêmen, Líbia, Síria, Iraque e Sahel. As prioridades da humanidade são a luta contra a desigualdade e a pobreza, o enfrentamento à crise climática e a ampliação do acesso à saúde e às vacinas. O gasto maciço dos Estados na produção e destruição militar é um desperdício criminoso dos recursos. As alianças militares não resolvem nossos problemas, mas o diálogo, a desmilitarização e a cooperação internacional sim.</p>
<hr class="separator">
<p><a name="section_10"></a></p>
<h1><span style="color: #403b99;"><strong>2 trilhões de dólares para a guerra, 100 bilhões para salvar o Planeta</strong></span></h1>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;">Por Murad Qureshi</span></h2>
<p> </p>
<p>Entre o fim de abril e o começo de maio, o sul da Ásia foi afetado pelos terríveis impactos do aquecimento global. As temperaturas <a href="https://www.npr.org/2022/05/03/1096085028/climate-scientists-say-south-asias-heat-wave-120f-is-a-sign-of-whats-to-come">alcançaram quase 50 graus celsius</a> em algumas cidades da região. Essa alta nas temperaturas veio junto de perigosas enchentes no nordeste da Índia e em Bangladesh, com rios transbordando em inundações repentinas que <a href="https://reliefweb.int/report/bangladesh/flash-flooding-northeast-bangladesh-sylhet-sunamganj-and-netrokona-district-briefing-note-19062022">atingiram lugares como Sunamganj</a>, em Sylhet, no Bangladesh.</p>
<p>O diretor do <a href="https://www.iied.org/users/saleemul-huq#:~:text=Saleemul%20Huq%20is%20the%20director,the%20perspective%20of%20developing%20countries.">Centro Internacional de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento</a>, Saleemul Huq, é de Bangladesh. Ele é um veterano das negociações sobre mudanças climáticas da ONU. Quando Huq leu um tuíte de Marianne Karlsen, co-presidente do Comitê de Adaptação da ONU, que <a href="https://twitter.com/LossandDamage/status/1537434616809725953">dizia</a> que “mais tempo é preciso para alcançarmos um acordo” sobre as negociações sobre o financiamento de perdas e danos, ele <a href="https://twitter.com/SaleemulHuq/status/1537437290263216128">respondeu</a>: “a única coisa que nos falta é o tempo! Os impactos das mudanças climáticas já estão acontecendo, e os pobres estão sofrendo perdas e danos devido às emissões dos ricos. Conversas não são mais substitutas aceitáveis para a ação (dinheiro!)”. O comentário de Karlsen se referia ao <a href="https://time.com/6188699/loss-damages-blocked-from-cop27-agenda/">lento processo de negociação</a> sobre a agenda de “perdas e danos” da 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2022, ou COP27, a ser realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito, em novembro desse ano.</p>
<p>Em 2009, durante a COP15, os países desenvolvidos acordaram colaborar com um fundo de assistência para a adaptação de <a href="https://www.unep.org/news-and-stories/story/what-does-cop26-mean-adaptation">100 bilhões de dólares</a>, que deveria ser pago até 2020. Esse fundo tinha o objetivo de ajudar países do Sul Global a mudar sua dependência em fontes de emissão de carbono para fontes de energia renováveis, e para adaptar suas realidades à catástrofe climática. Na altura da COP26, realizada em Glasgow em novembro de 2021, no entanto, os países desenvolvidos não tinham cumprido com esse compromisso. Os 100 bilhões de dólares podem parecer um financiamento modesto, mas são muito menos do que o “<a href="https://news.un.org/en/story/2021/06/1094762">Desafio de Financiamento Climático de um Trilhão de Dólares</a>” que será necessário para garantir uma ação climática abrangente.</p>
<p>Os estados mais ricos – liderados pelo Ocidente – não só se recusaram a financiar seriamente essa adaptação, como também renegaram os acordos originais, como o <a href="https://unfccc.int/kyoto_protocol">Protocolo de Kyoto</a> (1997), um importante passo para mitigar a crise climática que o Congresso dos EUA se <a href="https://edition.cnn.com/2013/07/26/world/kyoto-protocol-fast-facts/index.html">recusou</a> a ratificar. Os Estados Unidos mudaram as metas de redução de suas emissões de metano e se recusaram a contabilizar a <a href="https://watson.brown.edu/research/2019/pentagon-fuel-use-climate-change-and-costs-war">enorme produção</a> de emissões de carbono das Forças Armadas dos EUA.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>O dinheiro da Alemanha vai para a guerra, não para o clima</strong></span></h3>
<p>A Alemanha abriga o secretariado da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Em junho, como prelúdio da COP27, a ONU realizou uma <a href="https://unfccc.int/SB56">conferência</a> em Bonn sobre as mudanças climáticas. As conversas terminaram em choques sobre o financiamento do que se conhece como “perdas e danos”. A União Europeia bloqueou sistematicamente todos os debates sobre compensações. Eddy Pérez, da Rede de Ação pelo Clima do Canadá, <a href="https://climatenetwork.org/2022/06/16/eu-hypocrisy-as-a-climate-champion-exposed-at-bonn-climate-conference%EF%BF%BC/">declarou</a>: “consumidos por seus interesses estreitos, os países ricos e em particular blocos como a União Europeia vieram para a Conferência do Clima de Bonn para bloquear, atrasar e minar os esforços dos povos e comunidades nas linhas de frente no enfrentamento a perdas e danos causados por combustíveis fósseis”.</p>
<p>Sobre a mesa estava a hipocrisia de países como a Alemanha, que reivindica ser um líder nessas questões, mas vem de fato adquirindo combustíveis fósseis no exterior e gastando cada vez mais dinheiro em suas forças armadas. Ao mesmo tempo, esses países negaram o apoio a países em desenvolvimento que enfrentam a devastação do aumento do nível do mar e de supertempestades causadas pelas mudanças climáticas.</p>
<p>Após as eleições alemãs de setembro de 2021, havia esperança de que a nova coalizão dos social-democratas com o Partido Verde levantaria a agenda verde. No entanto, o chanceler alemão Olaf Scholz <a href="https://www.ft.com/content/a9045654-f378-4f42-a012-e35f9e43b135">prometeu</a> 100 bilhões de euros para as forças armadas, o que o repórter Guy Chazan do <em>Financial Times</em> descreveu como “o maior aumento nos gastos militares do país desde o fim da Guerra Fria”. O chanceler Scholz também se comprometeu a “[gastar] mais de 2% do PIB do país nas forças armadas”. Isso significa mais dinheiro para os militares e menos dinheiro para a mitigação dos problemas climáticos e para a transformação verde.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>As forças armadas e a catástrofe climática</strong></span></h3>
<p>O dinheiro que está sendo engolido pelos estabelecimentos militares ocidentais não só se afasta de qualquer gasto climático, mas também promove uma maior catástrofe climática. As Forças Armadas dos EUA são as maiores poluidoras institucionais do planeta. A manutenção de suas mais de 800 bases militares ao redor do mundo, por exemplo, <a href="https://worldbeyondwar.org/climate-collapse-and-the-responsibility-of-the-military/">consome</a> 395 mil barris de petróleo diariamente. Em 2021, os governos do mundo <a href="https://www.sipri.org/media/press-release/2022/world-military-expenditure-passes-2-trillion-first-time#:~:text=(Stockholm%2C%2025%20April%202022),2021%2C%20to%20reach%20%242113%20billion.">gastaram</a> 2 trilhões de dólares em armas, com os países líderes sendo os mais ricos (assim como os mais hipócritas no debate climático). O dinheiro está disponível para a guerra, mas não para lidar com a catástrofe climática.</p>
<p>A forma como as armas foram despejadas no conflito na Ucrânia faz muitos de nós refletir. O prolongamento dessa guerra <a href="https://www.washingtonpost.com/climate-environment/2022/06/13/climate-disasters-collide-with-ukraine-war-deepen-hunger-crisis/">colocou mais 49 milhões de pessoas</a> de 46 países em risco de fome, de acordo com o <a href="https://www.fao.org/documents/card/en/c/cc0364en/">relatório “Hunger Hotspots”</a> das agências das Nações Unidas, como resultado de condições climáticas extremas e devido aos conflitos. Os conflitos e a violência organizada foram as principais fontes de insegurança alimentar na África e no Oriente Médio, concretamente no norte da Nigéria, no centro do Sahel, no leste da República Democrática do Congo, Etiópia, Somália, Sudão do Sul, Iêmen e Síria. A guerra na Ucrânia agravou a crise alimentar ao fazer os preços de produtos agrícolas subirem. A Rússia e a Ucrânia representam conjuntamente cerca de 30% do comércio mundial de trigo. Portanto, quanto mais durar a guerra na Ucrânia, mais “focos de fome” crescerão, levando a maior concentração de insegurança alimentar para além da África e do Oriente Médio.</p>
<p>Embora já se tenha celebrado uma reunião da COP no continente africano, outra ocorrerá no final deste ano. Abidjã, na Costa do Marfim, sediou a Convenção das Nações Unidas de Luta contra a Desertificação em maio de 2022, e depois Sharm el-Sheikh, Egito, acolherá a Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, em novembro de 2022 (COP27). Se tratam de fóruns importantes para que os estados africanos ponham sobre a mesa os grandes danos causados pela catástrofe climática em algumas partes do continente.</p>
<p>Quando os representantes dos países de todo o mundo se reunirem em Sharm el-Sheikh, no Egito, em novembro de 2022, para participarem da COP27, escutarão os representantes ocidentais falando de mudanças climáticas, fazendo promessas, para logo depois seguirem fazendo todo o possível para seguir agravando a catástrofe. O que vimos em Bonn é um prelúdio do que será um fiasco em Sharm el-Sheikh.</p>
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<h1><span style="color: #403b99;"><strong>Notas sobre os colaboradores</strong></span></h1>
<p> </p>
<div class="footnotes">
<p><strong>Jeremy Corbyn</strong> é membro do parlamento britânico, ex-líder do Partido Trabalhista e fundador do <a href="https://thecorbynproject.com/">Peace and Justice Project</a>.</p>
<p><strong>Claudia Webbe</strong> representa Leicester East no parlamento do Reino Unido. Você pode segui-la no <a href="https://www.facebook.com/claudiaforLE/">Facebook</a> e no Twitter <a href="https://twitter.com/ClaudiaWebbe">@ClaudiaWebbe</a>.</p>
<p><strong>Vijay Prashad</strong> é historiador, editor e jornalista indiano, articulista e correspondente-chefe da Globetrotter e editor-chefe da LeftWord Books. É diretor do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social e membro sênior não residente do Instituto de Estudos Financeiros de Chongyang, Universidade Renmin (China). Escreveu mais de 20 livros, incluindo <em>The Darker Nations </em>e <em>The Poorer Nations</em>. Seus últimos livros são <em>Struggle Makes Us Human: Learning from Movements for Socialism</em> e <em>The Withdrawal: Iraq, Libya, Afghanistan, and the Fragility of U.S. Power</em>, com Noam Chomsky.</p>
<p><strong>Roger McKenzie</strong> é repórter do <a href="https://morningstaronline.co.uk/author/roger-mckenzie">Morning Star</a> e secretário-geral de <a href="https://liberationorg.co.uk/about-us/">Libe</a><a href="https://liberationorg.co.uk/about-us/">ration</a>, uma das mais antigas organizações de direitos humanos do Reino Unido.</p>
<p><strong>Nontobeko Hlela</strong> foi a primeira secretária (política) do Alto Comissariado da África do Sul em Nairobi, no Quênia. Ela atualmente trabalha como pesquisadora para o escritório sul-africano do <a href="https://dev.thetricontinental.org/south-africa/">Instituto Tricontinental de</a> <a href="https://dev.thetricontinental.org/south-africa/">Pesquisa Social</a></p>
<p><strong>Marco Fernandes</strong> é pesquisador do <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/">Instituto Tricontinental de Pesquisa</a> <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/">Social</a>. É membro da campanha <a href="https://nocoldwar.org/">No Cold War</a> e é co-fundador e co-editor do Notícias da China (<a href="https://dongshengnews.org/pt/">Dongsheng</a>). Mora em Xangai.</p>
<p><strong>Prasanth Radhakrishnan </strong>é jornalista da Newsclick e do Peoples Dispatch.</p>
<p><strong>Nora García Nieves</strong> é membro da organização <a href="https://nocoldwar.org/">No Cold War</a>, vive em Madrid, onde desenvolve o seu ativismo na luta feminista, internacionalista e cultural.</p>
<p><strong>Manolo De Los Santos</strong> é co-diretor executivo do <a href="https://peoplesforum.org/">People’s Forum</a> e pesquisador do <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/">Instituto Tricontinental de Pesquisa Social</a>. Coeditou, mais recentemente, <em>Viviremos: Venezuela vs. Guerra Híbrida</em> (<a href="https://mayday.leftword.com/catalog/product/view/id/22050">LeftWord Books</a><a href="https://mayday.leftword.com/catalog/product/view/id/22050">/</a><a href="https://1804books.com/products/viviremos-venezuela-vs-hybrid-war">1804</a> <a href="https://1804books.com/products/viviremos-venezuela-vs-hybrid-war">Books</a>, 2020) e <em>Comrade of the Revolution: Selected Speeches of Fidel Castro</em> <a href="https://mayday.leftword.com/catalog/product/view/id/22524">(</a><a href="https://mayday.leftword.com/catalog/product/view/id/22524">LeftWord Books</a><a href="https://mayday.leftword.com/catalog/product/view/id/22524">/</a><a href="https://1804books.com/products/comrade-of-the-revolution-selected-speeches-of-fidel-castro">1804 Books</a><a href="https://1804books.com/products/comrade-of-the-revolution-selected-speeches-of-fidel-castro">,</a> 2021). É co-coordenador da <a href="https://peoplessummit2022.org/">Cúpula dos</a> <a href="https://peoplessummit2022.org/">Povos pela Democracia</a>.</p>
<p><strong>Kate Hudson</strong> é secretária-geral da <a href="https://cnduk.org/">Campanha para o Desarmamento</a> <a href="https://cnduk.org/">Nuclear</a>. É uma destacada ativista antinuclear e antibélica tanto no Reino Unido como a nível internacional.</p>
<p><strong>Murad Qureshi</strong> é um antigo membro da Assembleia de Londres e ex-presidente da Stop the War Coalition.</p>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Olhando em direção à China</title>
		<link>https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-51-multipolaridade-china-america-latina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Apr 2022 12:04:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
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					<description><![CDATA[Em nossa colaboração com o Projeto Paz e Justiça, Globetrotter e Morning Star, exploramos as realidades da guerra e as possibilidades de não alinhamento e paz.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Dossiê 51</strong></p>
<p> </p>
<div class="chinesecaption">
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-58314 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_1.jpg" alt="" width="594" height="950" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_1.jpg 594w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_1-188x300.jpg 188w" sizes="auto, (max-width: 594px) 100vw, 594px"></p>
</div>
<p> </p>
<p> </p>
<p><span class="caption" style="color: #ba2025;">A arte desse dossiê traz um mural em larga escala feito pelos artistas chineses Shengtian Zheng e Jingbo Sun, intitulado Ventos<i> de Fusang</i> (2017). “Fusang” é uma palavra chinesa antiga que se refere a – o que se acredita ser – o litoral do México. A obra é uma homenagem à influência da América Latina na China, particularmente dos artistas mexicanos no desenvolvimento da arte chinesa moderna. Com retratos de 50 retratistas – de David Alfaro Siqueiros a Lu Xun, de Frida Kahlo a Li Cheng, e de José Venturelli ao próprio Shengtian Zheng – o mural é um resgate de uma rica tradição de intercâmbios culturais entre os povos da América Latina e China.</span></p>
<p> </p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Introdução</strong></span></h2>
<p>As profecias sobre o “Novo Século Americano” ficaram para trás e a emergência da República Popular da China, não apenas como potência econômica, mas também como ator global, é inquestionável. As estratégias do império estadunidense para desenvolver sua política de unipolaridade foram sepultadas nos escombros de um mundo ocidental que tentou, após a Segunda Guerra Mundial, forjar-se à imagem e semelhança dos Estados Unidos.</p>
<p>As mudanças se aceleraram desde 2001 e o desejo de um mundo capitalista ocidental e globalizado não correspondeu às expectativas nem mesmo de seus defensores mais entusiastas. Hoje testemunhamos um mundo multipolar, para além dos desejos dos globalistas, neoconservadores e “americanistas”. É claro que essa situação favoreceu o surgimento de movimentos da nova e de velhas direitas com novos disfarces (ver nosso <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-47-ofensiva-da-direita-na-america-latinaamerica-latina/">Dossiê 47</a>). E esta situação de crise de hegemonia, que anda de mãos dadas com uma transição geopolítica já em pleno desenvolvimento, coloca sobre a mesa desafios profundos, mas ao mesmo tempo grandes oportunidades para os povos do Sul.</p>
<p>Em particular para a região latino-americana, considerada “seu quintal” há anos pelos Estados Unidos, a decadência do império e a formação de um mundo multipolar a partir de 2001, acelerado pela crise de 2008, abre uma série de possibilidades e novos debates. Debates sobre quais são as margens de autonomia para um processo de desconexão que valorize as necessidades das maiorias populares da região e provoque uma transição para abandonar nossa condição de países capitalistas dependentes.</p>
<p>É nesse marco que surgem duas discussões incontornáveis: que condições a emergência da China e seu peso global conferem para ganhar graus de autonomia nacional neste contexto? Que papel podem desempenhar os processos de integração da América Latina para usar nossos recursos como povos para satisfazer as necessidades das maiorias? A América Latina hoje é um continente atravessado por uma dinâmica pendular ainda sem resolução. Por um lado, novos projetos populares que conseguem chegar ao Estado a partir das lutas travadas para enfrentar a nova ofensiva da direita, das classes dominantes e do império estadunidense desde pelo menos 2012. Por outro lado, uma série de expressões da direita com alto grau de legitimidade, mesmo ao custo de colocar em crise os fundamentos de sua própria democracia burguesa.</p>
<p>Nesta complexa situação, este Dossiê 51 do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social tenta recuperar e atualizar os debates sobre as oportunidades oferecidas pelo poder econômico e geopolítico da China para debater um novo tipo de integração regional que hoje se torna mais urgente do que nunca diante das garras desesperadas do império em decadência.</p>
<p> </p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-58324 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_2.jpg" alt="" width="599" height="950" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_2.jpg 599w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_2-189x300.jpg 189w" sizes="auto, (max-width: 599px) 100vw, 599px"></p>
<p> </p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>1. Uma transição hegemônica que se intensifica </strong></span></h2>
<p> </p>
<p>Atualmente, testemunhamos um momento de transição geopolítica da hegemonia global com deslocamento de seu eixo do Ocidente para o Oriente, fato inédito em toda a história do sistema-mundo capitalista. Essa transformação obviamente não é a primeira na história, mas apresenta novidades transcendentais. Primeiro, a transição está entrelaçada com uma crise social, econômica e ecológica sem precedentes. Uma crise que apresenta tantas arestas e dimensões que inúmeros autores insistem em defini-la como “civilizatória”. Em segundo lugar, o sistema capitalista, pela primeira vez em seus quase quinhentos anos de história, começa a perder seu centro do eixo atlântico. Isso explica não só a dinâmica das guerras comerciais entre a China e os Estados Unidos e as lutas pelo domínio global, mas também a flexibilização da aliança atlântica entre estadunidenses e europeus, suas respectivas crises internas, o ressurgimento de forças fascistas e ultraconservadoras em seu seio, e o agravamento de núcleos de conflito político regional nas zonas de influência de potências de primeira e segunda ordem em plena ascensão. Podemos citar, a título de exemplo, os acontecimentos no Iêmen, Caxemira ou Ucrânia, este último como um dos exemplos de intervenção do que chamamos de guerra híbrida (ver nosso <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-47-ofensiva-da-direita-na-america-latinaamerica-latina/">Dossiê 17</a>).</p>
<p>Como argumentou Giovanni Arrighi (1994), cada época de transição hegemônica global é caracterizada por um aumento na competição interestatal e intercapitalista. Isso também acarreta um aguçamento das lutas sociais dentro de cada formação social nacional e é precedido por uma crise-sinal que tem como componente característico a expansão financeira. A crise-sinal da hegemonia estadunidense começou a mostrar seus lampejos no final da década de 1960 e depois o “choque Volcker” de 1979 – quando o Departamento do Tesouro dos EUA elevou os juros do dólar e desencadeou a crise da dívida global – acabou marcando claramente que a transição estava em curso com um acelerado processo de financeirização que foi construído sobre a acentuada deterioração da economia produtiva (Harvey, 2007). Cabe esclarecer que esse primeiro sinal de crise não teve como consequência imediata uma transição hegemônica, mas apenas mostrou os limites do que os apologistas de Bretton Woods chamaram de “a idade de ouro do capitalismo”.</p>
<p>Durante várias décadas, os Estados Unidos gozaram de um lugar privilegiado na ordem mundial não sendo apenas o protagonista na esfera econômica e militar, mas também produzindo uma mudança importante se compararmos com outros impérios que os precederam: introduziu sua forma de vida (o <em>american way of life</em>, baseado na realização pessoal por meio do consumo) e seu paradigma de democracia liberal como o único possível para todo o mundo ocidental (Anderson, 2002). No entanto, a luva de veludo não conseguiu esconder o punho de ferro imperial e os povos do Sul Global questionaram o paradigma político e cultural hegemônico entre as décadas de 1950 e 1970 do século passado. As revoluções sociais, os processos de libertação nacional, os encontros pela unidade dos povos oprimidos pela estratégia do Norte, colocam limites claros à reprodução do mundo à imagem e semelhança dos Estados Unidos e seus aliados.</p>
<p>Essa crise se tornou cada vez mais profunda. A financeirização atingiu níveis impensáveis e deu origem a um punhado de super ricos controlando mais de 60% da renda mundial (<a href="https://dev.thetricontinental.org/es/argentina/desigualdad-cuaderno1/">Tricontinental</a>, 2020). A militarização e o ciclo bélico se intensificaram, assim como ocorreu em outros processos de transição hegemônica global, como a Guerra dos Trinta Anos, no século XVII, as Guerras Napoleônicas, no século XIX, e as duas guerras mundiais no século XX. Desde o início da década de 1990, multiplicaram-se as intervenções militares dos Estados Unidos, com a convicção de que o novo século aguardava à potência do Norte com a batuta do maestro da orquestra global de forma duradoura após a queda da União Soviética. Diversas intervenções diretas por meio da Organização do Tratado do Atlântico Norte – Otan (Iraque, Afeganistão, Síria, ex-Iugoslávia, Líbia, Haiti) e diversas intervenções encobertas ou por meio de Estados afins (Venezuela, Honduras, Iêmen), foram algumas das mais importantes e que mostram a face mais dura da dominação imperial e do unipolarismo estadunidense.</p>
<p>Atordoados com o sucesso da vitória contra o grande rival do mundo bipolar, os Estados Unidos pareciam não ouvir os sussurros de um mundo que havia começado a mudar fortemente e que mostraria toda a sua dimensão partir do final dos anos 1990. O outro lado do declínio dos Estados Unidos é o ressurgimento da Ásia Oriental e, em particular, da China. Este país se recuperou da Grande Divergência: um processo que ofuscou e subordinou, através das guerras do ópio, milhares de anos de história do desenvolvimento humano no continente asiático (Ross, 2021) no momento de emergência do capitalismo industrial como sistema global que colocou o Ocidente na vanguarda do mundo em termos econômicos e geopolíticos (Merino; Bilmes; Barrenengoa, 2021).</p>
<p>Cabe esclarecer que não há uma causalidade direta entre a emergência da  Ásia Oriental e o início da crise de hegemonia nos Estados Unidos. Ao contrário, isso responde a um processo de crise global do capitalismo que ficou conhecido como a “grande turbulência” e que teve uma busca de resolução conservadora no Ocidente (Brenner, 2006).</p>
<p>Dessa forma, a crise de hegemonia dos Estados Unidos acelerou seu ritmo desde o final da década de 1990 e, da mesma forma, a China intensificou sua estratégia de disputa por uma nova ordem mundial com características multipolares. A revogação (1999) da Lei Glass-Steagall, que desde 1993 separava bancos comerciais e bancos de investimento, o maior peso dos neoconservadores desde 2001, e as novas incursões militares da chamada “Guerra ao Terror” minaram ainda mais o poder imperial e, da mesma forma, aprofundaram as tensões internas entre globalistas e “americanistas” que perduram até nossos dias (Merino, 2020).</p>
<p>Essas tensões têm seu fundo político-ideológico, mas expressam em grande medida para os países do Sul formas incontornáveis ​​de unipolaridade, que podemos identificar em diferentes projetos em disputa no interior do <em>establishment</em> estadunidense. Por um lado, a unipolaridade unilateral defendida pelos “americanistas” e pela direita do Partido Republicano. Por outro lado, a unipolaridade multilateral, que busca construir uma frente mais ampla no Norte Global que se encontra no núcleo da política de relações internacionais de Biden e outros globalistas como Obama, Clinton e boa parte do Partido Democrata.</p>
<p>A emergência da China reduz ao mínimo o espaço para projeções de unipolaridade em todas as suas formas e é aí que se abrem janelas de possibilidades na periferia do mundo. A velha ordem nascida de Bretton Woods já não existe com o mesmo peso e perdeu força em relação aos anos anteriores. No entanto, as instituições de Bretton Woods ainda funcionam como ferramentas para o exercício do poder imperial, ainda que não sejam capazes de conter os novos pólos de poder emergente. Tentam aprofundar o alinhamento a algumas das versões da unipolaridade por meio de graus crescentes de coerção: condicionamentos financeiros através do Fundo Monetário Internacional (FMI), aplicação de sanções comerciais e financeiras para aqueles que são considerados como “Estados párias”, apoio às opções antipopulares de direita em vários países da América Latina, tentativas de controle militar por meio de Estados-tampão na Eurásia, financiamento de vários tipos de estratégias de desestabilização. Já sem disfarces, os Estados Unidos apelam para retomar suas posições estratégicas com todas as suas forças, independentemente dos “danos colaterais”.</p>
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<p> </p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-58334 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_3.jpg" alt="" width="602" height="950" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_3.jpg 602w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_3-190x300.jpg 190w" sizes="auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px"></p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">2. A emergência da Ásia e o mundo multipola</span>r</strong></h2>
<p> </p>
<p>Como mencionamos, o outro lado do declínio dos Estados Unidos é a emergência da Ásia Oriental e, em particular, da China. No século XIX, consolidou-se a Grande Divergência, marcando o início do domínio global do Ocidente capitalista e a destruição das avançadas culturas orientais (Pomeranz, 2000).</p>
<p>Depois desse período de periferialização da Ásia, produto da estratégia do capital britânico, de 1914 a 1917 a região da Ásia começa a ressurgir em termos econômicos e políticos e dá um salto significativo em direção aos anos 1960 do século XX. Nesse momento, os chamados tigres asiáticos e também o Japão avançaram em processos de desenvolvimento intensivo de sua força produtiva. Em particular, a República Popular da China avançou em um processo de abertura após a morte de Mao, em 1976, que, longe de subordinar o crescimento do gigante asiático aos acordos bilaterais com os Estados Unidos como o resto dos Estados da Ásia Oriental, optou por um processo de forte controle estatal da planificação do desenvolvimento (Merino; Bilmes; Barrenengoa, 2021). Isso levou a aumentar os níveis de crescimento econômico a uma média de 9,5% ao ano entre 1978 e 2017 (Ross, 2021). No entanto, o mais relevante é que desde a Revolução liderada por Mao Zedong em 1949, a China reconstruiu a soberania sobre o território nacional e fortaleceu suas instituições estatais, conquistou um nível significativo de igualdade social, alcançou um alto índice de crescimento econômico e promoveu um modelo exitoso de reforma agrária que se baseou na nacionalização de terras e em permitir  seu uso ao campesinato. Esses elementos permitiram ampliar radicalmente as possibilidades de intervenção para custear uma estratégia de desenvolvimento que priorizasse as necessidades populares, a redução da pobreza e a inclusão da maioria, tornando-se, segundo Samir Amin (2013), o único país realmente emergente com graus completos de soberania e sem entrar em uma dinâmica de desenvolvimento capitalista por etapas, como propunha o ideólogo do conceito de desenvolvimento econômico do centro, Walt Rostow (1960). Durante as duas décadas e meia que se seguiram à revolução de 1949, a China de Mao alcançou uma taxa de crescimento econômico de cerca de 11% ao ano (<a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-1-socialismo-em-construcao/">Tricontinental</a>, 2021).</p>
<p>No entanto, na década de 1970, quando a grande crise de grande turbulência global que atingiu o Ocidente capitalista começou a ser claramente notada, a República Popular da China exigiu uma virada que lhe permitisse aumentar tanto sua capacidade produtiva quanto sua capacidade tecnológica e, ao mesmo tempo, incluir uma boa parcela de sua população urbana que havia aumentado significativamente desde o final da década de 1940. Assim, o governo de Deng Xiaoping avançou em uma série de reformas significativas: a abertura da economia a uma economia de mercado (ou seja, fixação de preços não centralizada), abertura ao investimento estrangeiro com claro controle estatal sobre o destino desses investimentos, modificações no uso da terra pelo campesinato (o que permitiu o aumento da escala de produção sem provocar um retrocesso em direção às formas de latifúndio), entre outros aspectos de peso.</p>
<p>Os dados mostram claramente que a China iniciou, no final da década de 1970, uma corrida de crescimento econômico sustentado, com altos níveis de planificação, com processos de redução da pobreza muito acelerados e com peso crescente no comércio e na produção global. De acordo com dados de Sugihara (2003), a Ásia Oriental passou de uma representação de 5% do produto mundial em 1950 para 20% em 2003. Em 2020, somente a República Popular da China, com pouco mais de 22% do produto global, ultrapassou a Europa Ocidental (El Economista, 2020).</p>
<p>Portanto, é inegável que, no plano econômico, a China é um ator global, impulsionando o crescimento econômico em várias regiões do mundo. Por isso, converteu-se em um polo no concerto geopolítico global, algo que, como mencionamos, nem mesmo os governos dos países alinhados quase automaticamente com os Estados Unidos podem ignorar. Ao mesmo tempo, é um modelo de “economia exitosa” que rompe com os moldes neoliberais aplicados a todo o Terceiro Mundo desde os anos 1970, ao mesmo tempo que desconcerta àqueles que querem atribuir às reformas pró-mercado e à abertura econômica a chave de seu crescimento e desenvolvimento meteóricos. Ao contrário, parece que a planificação econômica do Estado é a chave de seu sucesso, o que marca uma referência inegável para todos os povos afogados por décadas de mandatos do Fundo Monetário Internacional.</p>
<p>Há, no entanto, duas questões interessantes sobre esse ressurgimento da China. Em primeiro lugar, há uma longa discussão sobre o caráter socialista da economia chinesa. Uma parte das abordagens das esquerdas ocidentais considera que a China percorreu seu próprio caminho de transição de uma economia socialista para um desenvolvimento capitalista por etapas semelhantes às vividas pela Europa e, sobretudo, pelos Estados Unidos (ver, por exemplo, Walker e Buck, 2007). Por outro lado, vários intelectuais que consideramos interessantes para pensar o sistema-mundo contemporâneo descartam esse argumento, afirmando que a China, de fato, seguiu seu processo próprio de desenvolvimento, que combina uma “revolução industriosa” baseada em uma cultura de divisão social de trabalho e descentralização em pequena escala, com um planejamento socialista de perspectivas estratégicas (Arrighi, 2007; Sugihara, 2003). Isso dá um poder socioeconômico particular à experiência de desenvolvimento chinesa que não tem nenhuma semelhança com o modelo de desenvolvimento capitalista ocidental. É um modelo com geração constante de postos de trabalho, distributivo e planificado de acordo com as necessidades sociais (saúde, educação, habitação, etc.). Por sua vez, a terra, os bancos e os recursos naturais estratégicos são de propriedade exclusiva do Estado, aspecto que não se modificou em tempos de abertura comercial e globalização. Em segundo lugar, um ponto central neste dossiê é a eficácia com que a China está ligada ao resto do mundo como um pólo emergente de poder. Uma interpretação é que, efetivamente, a China em seu desenvolvimento subordina as opções soberanas da periferia de forma semelhante ao imperialismo ocidental (para este debate detalhado, ver Li, 2021).</p>
<p>No entanto, essa ideia ignora uma série de fatores. A nação chinesa teve um desenvolvimento e esplendor sem precedentes antes do século 19, baseado em princípios de cooperação, não intervenção e respeito às outras nações. Isso inclusive foi reforçado a partir da Revolução de 1949, no que ficou conhecido como os Cinco Princípios da Coexistência Pacífica entre China, Índia e Mianmar: respeito mútuo pela soberania e integridade territorial, não agressão mútua, não interferência nos assuntos internos de outros países, igualdade e benefício mútuos e, por fim, coexistência pacífica.</p>
<p>O líder chinês Xi Jinping se expressou em diversas ocasiões no mesmo sentido desses postulados de coexistência pacífica, como em seu <a href="http://spanish.xinhuanet.com/2021-07/01/c_1310038399.htm">discurso</a> no centenário da fundação do Partido Comunista da China:</p>
<p>Na nova expedição, devemos erguer a bandeira da paz, do desenvolvimento, da cooperação e do lucro compartilhado, buscar uma política externa independente e de paz, seguir com perseverança o caminho do desenvolvimento pacífico e impulsionar a articulação do novo tipo de relações internacionais, a estruturação de uma comunidade de destino da humanidade e o desenvolvimento de alta qualidade da construção conjunta do Cinturão e Rota, oferecendo novas oportunidades ao mundo com o novo desenvolvimento da China.</p>
<p>Essa visão sobre a estratégia das relações internacionais é diametralmente oposta àquela oferecida pelo império estadunidense com seus planos de intervenção, guerras híbridas, listas de Estados párias, violações de direitos humanos, exportação de seu modelo político pela força, total subordinação às lógicas do capital financeirizado que domina o Ocidente, entre outras questões.</p>
<p>Apesar desses postulados, as tensões da China com outros Estados continuaram presentes, como com a Índia (1962) e a URSS (1966). Embora sejam pontos de partida, a prática das relações diplomáticas da China requer uma análise mais detalhada.</p>
<p> </p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-58344 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_4.jpg" alt="" width="595" height="950" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_4.jpg 595w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_4-188x300.jpg 188w" sizes="auto, (max-width: 595px) 100vw, 595px"></p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"></h2>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>3. O projeto do Cinturão e Rota e a importância da América Latina na estratégia chinesa</strong></span></h2>
<p> </p>
<p>Desde que o geógrafo britânico Halford Mackinder escreveu seu artigo <em>The Geographical Pivot of History</em> [O pivô geográfico da História] em 1904, todas as potências imperialistas levaram em conta o controle da Eurásia ou o bloqueio do desenvolvimento de outra potência naquela área. A máxima mais famosa de Mackinder afirma: “Quem governa o <em>Heartland</em> governa a Ilha do Mundo. Quem governa a Ilha do Mundo governa o mundo” sintetiza o que mais tarde ficou conhecido como a Teoria do Heartland ou “área pivô”, que considera a Eurásia central como território estratégico mundial. Ou seja, a maior faixa contínua de território do planeta, onde se concentra a maior densidade populacional e cuja continuidade histórico-cultural é milenar. Se levado em conta esse plano geopolítico, a Iniciativa de Cinturão e Rota (ICR), que promove a integração de toda essa extensão por meio de sistemas de transporte, infraestrutura, comunicações e zonas de comércio internacionais, apoia essa estratégia de unidade euroasiática frente às estratégias implementadas nos dois últimos séculos pelo Império Britânico, inicialmente, e pelos Estados Unidos no século 20 e início do 21, com o último grande avanço do Ocidente nas guerras do Afeganistão e do Iraque (concluída em 2021, com a retirada das tropas estadunidenses de Cabul).</p>
<p>O projeto “Nova Rota da Seda”, atualmente chamado de Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), foi anunciado oficialmente pelo presidente chinês Xi Jinping em setembro de 2013 durante uma visita oficial ao Cazaquistão. Inicialmente, tratava-se da comunicação e integração terrestre da parte leste da China, a mais pobre e isolada, com os países da Ásia Central e da Europa. Ao longo dos anos, foi agregando as rotas marítimas que incorporam o Sudeste Asiático e o Oceano Índico, África, e desde 2018 já foi incorporado à América Latina, com sua projeção em direção ao Oceano Ártico.</p>
<p>O megaprojeto, também conhecido como “Plano Marshall Chinês”, tem dois eixos centrais: o desenvolvimento de uma rota terrestre ligando a China ao Paquistão, Afeganistão, Turquia, Rússia, Cazaquistão, Turcomenistão, Quirguistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Europa através dos Balcãs até chegar à França (centralmente, via trens); e o aprofundamento de uma rota marítima (que tem sido chamada de “colar de pérolas”) para a América Latina, África e Oriente Médio, o que implica a instalação de portos comerciais nos oceanos Índico, Pacífico e Caribe.</p>
<p>Embora a China tenha priorizado a região da Eurásia em sua fase inicial e o desenvolvimento da ICR  tenha seu ponto nodal nessa região do mundo, a importância da América Latina e do Caribe (ALC) vem aumentando.</p>
<p>Nos últimos quinze anos, as relações da China com a América Latina se ampliaram enormemente. Em novembro de 2008, o governo chinês publicou um Livro Branco sobre a América Latina e Caribe, que é o primeiro documento político da China para a região e destaca a importância que o país atribui à América Latina e Caribe. Nos quinze anos anteriores, a China já havia estabelecido formalmente relações de parceria estratégica com o Brasil (1993), Venezuela (2001), México (2003), Argentina (2004) e Chile (2012). O comércio entre a China e a região passou de 14,9 bilhões de dólares em 2001 para 261,288 bilhões de dólares em 2012, convertendo a China no segundo maior parceiro comercial da América Latina e Caribe. Até o final de 2012, o estoque de investimentos diretos da China na região foi de 68,2 bilhões de dólares, segundo estatísticas da República Popular da China. Além disso, a China assinou três Tratados de Livre Comércio (TLC): com Chile (2005), Peru (2009) e Costa Rica (2010).</p>
<p>Desde a chegada de Xi Jinping ao governo, essas relações assumiram um caráter muito mais proeminente. Em 2014, em Brasília, em uma reunião de chefes de Estado e de governo organizada pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e em 2015, em Beijing, na primeira reunião ministerial do Fórum China-Celac, o presidente chinês propôs estabelecer um novo quadro de cooperação abrangente entre a China e a América Latina e Caribe chamado “1+3+6”. O 1 refere-se ao <a href="http://www.chinacelacforum.org/eng/zywj_3/201501/t20150123_6475954.htm">Plano de Cooperação</a> entre o país asiático e nossa região entre 2015-2019; 3 são os três motores: comércio, investimento e cooperação financeira; e 6 são as seis áreas: recursos energéticos, infraestrutura, agricultura, manufatura, inovação tecnológica e tecnologia informática.</p>
<p>Em novembro de 2016, o governo da China emitiu um <a href="https://repositorio.uasb.edu.ec/bitstream/10644/4596/1/13-AR-Documentos.pdf"><em>Segundo Livro Branco</em></a>, intitulado <em>Documento de Política da China para a América Latina e o Caribe</em>, no qual uma longa lista de temas é detalhada, mas seu núcleo está centrado na concepção da China sobre a cooperação econômica com a região: comércio, investimento, finanças, agricultura, indústria transformadora, infraestrutura, recursos e energia, alfândegas, inspecção da qualidade, turismo, redução da dívida pública, bem como assistência técnica. Os objetivos buscados são claros em relação à necessidade da China de ter acesso a matérias-primas para alimentar seu espetacular crescimento econômico, mas sobretudo em se posicionar como um ator global que tende a uma ordem mais justa e respeitosa. O documento enfatiza este plano, que ultrapassa o comercial, atendendo aos Cinco Princípios de Convivência Pacífica já mencionados.</p>
<p>O <em>Segundo Livro Branco</em> também explica a importância que a China atribui ao crescente papel internacional que a América Latina adquiriu nos últimos anos, levando à descrição dos laços inter-regionais como “estratégicos”. Também deixa claro que o princípio de “uma só China” é a base e condição <em>sine qua non</em> para o estabelecimento de relações bilaterais com os países da região. A China também tenta evitar gerar suscetibilidades e ressentimentos do lado estadunidense, ao circunscrever a cooperação com a região à área de intercâmbios, cooperação e diálogo para a defesa.</p>
<p>Embora o país asiático evite qualquer tipo de confronto diplomático com os EUA, a resposta costuma ser direta e ameaçadora. Pode-se estabelecer uma relação entre o avanço imperialista estadunidense na região e a aproximação de projetos soberanos e revolucionários à China. Há uma notável continuidade entre uma série de eventos, por exemplo:</p>
<ol>
<li>A radicalização da guerra híbrida contra a Venezuela e o fortalecimento de seus laços comerciais, políticos e militares com a China.</li>
<li>O golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, apoiado pelos EUA e iniciado logo após a Cúpula do BRICS em Fortaleza e a Cúpula Celac-China em Brasília, ambas realizadas em 2014.</li>
<li>A aposta do imperialismo estadunidense por Mauricio Macri, na Argentina, após o desenvolvimento de uma marcada agenda multipolar do governo de Cristina Fernández.</li>
<li>A subordinação do Equador à agenda de Washington com a chegada de Lenín Moreno.</li>
<li>O golpe de Estado na Bolívia em 2019, que contou com o apoio dos Estados Unidos e interrompeu vários projetos de cooperação com a China que vinham sendo realizados bilateral ou regionalmente através da Celac, cuja formação foi viabilizada pela iniciativa e promoção de Hugo Chávez, acompanhado por Rafael Correa e Evo Morales.</li>
</ol>
<p>A primeira convocação de países latino-americanos para a ICR ocorreu em maio de 2017, quando a China convidou ao Fórum Um Cinturão, Uma Rota para Cooperação Internacional, em Beijing, que contou com a presença dos então presidentes da Argentina, Mauricio Macri, e do Chile, Michelle Bachelet, e vinte ministros de outros países da América Latina e Caribe (Xinhua, 15 de maio de 2017). Desses dois países, apenas o Chile continuou aprofundando seus laços econômicos, enquanto a Argentina, como mencionado acima, se encarregou de boicotar a Celac e esfriou qualquer relação com a China fora do âmbito formal e comercial. Nesse mesmo ano de 2017, o Panamá, país estratégico para a ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico, anunciou o rompimento das relações diplomáticas com Taiwan, reconhecendo assim a política promovida por Beijing de “Uma Só China” e, alguns meses depois, o presidente panamenho Varela e Xi Jinping assinaram um Memorando de Entendimento para Cooperação no Marco da Rota da Seda e do Cinturão Econômico e da Rota da Seda Marítima do Século 21. A República Dominicana e El Salvador estabeleceram relações diplomáticas com a China em 2018. Atualmente, dos 33 países da região, 24 já estabeleceram relações diplomáticas com o país asiático. Além disso, até o momento, 12 países da região – Brasil, México, Argentina, Chile, Equador, Peru, Venezuela, Bolívia, Uruguai, Costa Rica, Suriname e Jamaica – estabeleceram relações denominadas Associação Estratégica com a China e os sete primeiros países estabeleceram relações de Associação Estratégica Integral.</p>
<p>A segunda reunião ministerial entre a China e a Celac, realizada no Chile em janeiro de 2018, foi um novo ponto de partida, uma vez que a China convocou formalmente os Estados latino-americanos a fazerem parte da ICR. A proposta foi muito bem recebida por atores de diversas origens ideológicas, sendo o então governo neoliberal do Chile um dos mais entusiastas. Nessa reunião, foi aprovada uma <a href="https://www.cancilleria.gov.co/newsroom/news/declaracion-santiago-ii-reunion-ministerial-foro-celac-china-celac-china-trabajando">declaração especial</a> sobre a Iniciativa do Cinturão e Rota, onde todos os governos acordaram que “a Iniciativa do governo chinês constitui uma importante oportunidade para fortalecer a cooperação para o desenvolvimento entre os países envolvidos”.</p>
<p>A China, por sua vez, apresentou cinco sugestões destinadas a aprofundar a cooperação em áreas-chave:</p>
<ul>
<li>Ligação entre terra e mar, reforçando a construção de infraestruturas.</li>
<li>Abertura de um grande mercado, facilitando o comércio e o investimento.</li>
<li>Formação de um grande setor avançado, acelerando a cooperação da capacidade de produção.</li>
<li>Desenvolvimento ecológico e inovação, melhorando a cooperação dos setores emergentes.</li>
<li>Incrementar os intercâmbios culturais com base na igualdade.</li>
<li>Construir confiança mútua, ampliando os estudos entre as duas partes.</li>
</ul>
<p>Essa cúpula deixou em alerta o governo dos EUA que, um mês depois, em fevereiro de 2018, enviou o então secretário de Estado, Rex Tillerson, para visitar vários países da América Latina e do Caribe. Esse representante do imperialismo estadunidense não se privou de fazer declarações elogiando a Doutrina Monroe, alertando sobre as supostas ambições da China na região e denunciando a Venezuela: “<em>A América Latina não precisa de novas potências imperiais que buscam apenas beneficiar seu próprio povo (…). O modelo de desenvolvimento liderado pelo Estado da China é uma reminiscência do passado” </em>(apud Lissardy, 2018)<em>. </em></p>
<p>Apesar dos esforços de Washington, os laços entre a China e a América Latina e Caribe continuaram a se aprofundar. Em setembro de 2021, foi realizada a VI Cúpula da Celac, após quatro anos de congelamento dessas instâncias que vinham sendo realizadas anualmente desde a primeira Cúpula, em 2010. Essa última cúpula, presidida pelo México, não só teve uma forte marca unionista em um contexto de claro questionamento da Organização dos Estados Americanos (OEA), de denúncia do bloqueio contra Cuba e da plena participação da Venezuela, mas também esteve no centro dos consensos alcançados o compromisso de manter vínculos e laços com parceiros extrarregionais, em particular com o Fórum Celac-China. É nesse marco que o <a href="http://www.chinacelacforum.org/esp/zywj_4/202112/t20211213_10467432.htm">Plano de Ação Conjunta China-Celac para Cooperação em Áreas-Chave (2022-2024)</a>, enumerou uma série de elementos-chave dos vínculos e possibilidades que abrem a aposta para enfraquecer as estratégias de integração subordinadas ao projeto estadunidense em uma multiplicidade de planos: segurança, economia, turismo, finanças, inovação tecnológica, entre outros.</p>
<p>Esse fortalecimento das relações políticas surge graças à mudança de vários governos da região, que tendem ao multipolarismo, mas também porque o valor total do comércio entre a China e a América Latina e o Caribe registrou um novo máximo em 2021, com mais de 450 bilhões de dólares, e tudo indica que continuará a crescer sustentadamente. De acordo com o último Boletim Estatístico de Investimento Estrangeiro Direto, publicado pelo governo chinês (2020), a América Latina representa 10,8% dos fluxos de investimento da China no exterior. Isso torna a região a principal receptora de investimentos chineses fora da Ásia, superando Europa, América do Norte, África e Oceania.</p>
<p>Atualmente, 21 países da América Latina e Caribe assinaram memorandos ou acordos de cooperação com a China no âmbito da Iniciativa do Cinturão e Rota: Panamá, Costa Rica, El Salvador, Trinidad e Tobago, Dominica, Granada, Antígua e Barbuda, República Dominicana, Barbados, Jamaica, Cuba, Suriname, Bolívia, Guiana, Venezuela, Uruguai, Chile, Equador, Peru; mais recentemente, Nicarágua, em janeiro de 2022, e Argentina, em fevereiro de 2022</p>
<p>Esse quadro geopolítico faz com que alguma instância de articulação com o pólo de atração asiático seja um fato para a região. A questão é com que objetivos políticos e com que estratégias de desenvolvimento para os povos da nossa região.</p>
<p> </p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-58354 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_5.jpg" alt="" width="597" height="950" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_5.jpg 597w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_5-189x300.jpg 189w" sizes="auto, (max-width: 597px) 100vw, 597px"></p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>4. América Latina e os projetos de integração em disputa </strong></span></h2>
<p> </p>
<p>É claro que os governos de diferentes posições políticas na região latino-americana fizeram progressos no fortalecimento dos laços econômicos e políticos com a República Popular da China. A ICR gerou entusiasmo em diferentes governos latino-americanos, acostumados aos planos de endividamento financeira ditados por Washington e pouco ou nenhum investimento em infraestrutura. A isso se deve acrescentar que, com a chegada da pandemia de Covid-19, a colaboração de atores como China e Rússia no acesso a vacinas superou de forma abismal a assistência dos EUA, mesmo para seus parceiros mais servis da região. Por exemplo, o governo neoliberal de Piñera avançou na assinatura de sua participação na ICR com um plano de investimento em infraestrutura de 42,8 bilhões de dólares (BBC, 2019). Da mesma forma, o governo de Nayib Bukele, em El Salvador, um dos representantes mais evidentes das novas expressões da direita no continente, assinou sem hesitações um acordo comercial com o gigante asiático em 2019. Até mesmo o governo conservador da Colômbia está debatendo sua entrada na ICR após a visita de Iván Duque à China em 2019. Apenas alguns poucos governos subscreveram uma posição abertamente pró-EUA e anti-China no nível discursivo. Um exemplo claro foi o governo de direita de Jair Bolsonaro, no Brasil, em uma posição que, sem dúvida, não foi pactuada com o setor representado pelo ministro da Economia Paulo Guedes (veja nosso dossiê <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-47-ofensiva-da-direita-na-america-latinaamerica-latina/"><em>Novas roupas, velhos fios</em></a>).</p>
<p>Por outro lado, os governos progressistas e de esquerda da região mantêm relações fluidas com a China, o que lhes possibilitou o ingresso de dólares, tanto para o desenvolvimento de certas indústrias (especialmente ligadas à extração mineral e infraestrutura) quanto para sustentar suas moedas contra as ofensivas especulativas do capital financeiro dos EUA. Esse é, certamente, o caso das relações que a República Bolivariana da Venezuela desenvolveu, mas também o de outros países com governos progressistas, como México e Argentina (este último acaba de assinar um acordo de investimento de 23 bilhões de dólares para fazer parte da ICR) .</p>
<p>As oportunidades oferecidas pela China aos países latino-americanos para levar a cabo um projeto de desenvolvimento soberano que priorize as necessidades do povo dependem fundamentalmente de dois fatores.</p>
<ol>
<li>A capacidade dos movimentos populares de politizar suas lutas e deslocar as oligarquias do poder estatal. Esse ponto é crucial porque a dependência de nossa região também tem um forte correlato na ideologia colonizada das classes dominantes que, na maioria dos casos e no melhor cenário, tentam se tornar apêndices do capital estadunidense; em outros setores, a dependência ideológica inclusive atenta, ainda, contra seus interesses.</li>
<li>Voltar a desenvolver, como foi possível durante a primeira década do século 21, um processo de integração e unidade regional que priorize a cooperação sobre a competição e que exclua os Estados Unidos e sua política externa baseada na ingerência nas instituições políticas latino-americanas.</li>
</ol>
<p>Consideramos que os projetos em disputa em nossa região se organizam em torno de duas contradições principais:</p>
<ol>
<li><strong>Unipolaridade versus multipolaridade</strong>. Os projetos dos Estados latino-americanos ajudarão os Estados Unidos a manter e reforçar sua frágil ambição unipolar, reforçada após o colapso da URSS em 1990-91? Ou trabalharão para promover uma ordem mundial baseada no crescimento de cada região?</li>
<li><strong>O desenvolvimento do subdesenvolvimento versus soberania nacional</strong>. Os projetos estatais latino-americanos continuarão se subordinando a um sistema econômico mundial que cria riqueza para o Norte e para uma pequena parte dos capitalistas da região, ao mesmo tempo que empobrece a maioria de seus povos (ou seja, o que André Gunder Frank chamou de “desenvolvimento do subdesenvolvimento”)? Ou promoverão uma agenda que priorize o desenvolvimento nacional, regional e popular?</li>
</ol>
<p>O papel da China na América Latina não está de um lado ou de outro dessas contradições. É possível que a integração com a China promova o “desenvolvimento do subdesenvolvimento” se os projetos estatais latino-americanos produzirem uma nova relação de dependência com a China por meio da mera exportação de produtos primários. Será muito melhor para os povos da região se a relação for baseada na igualdade (multipolaridade), bem como na transferência de tecnologia, na ampliação dos processos produtivos e na integração regional (soberania nacional e regional).</p>
<p>Os projetos da direita latino-americana, comprometida com políticas de livre comércio, desenvolveram uma abordagem pragmática em relação à China. Esse pragmatismo está enraizado tanto em um multilateralismo que não desafia a unipolaridade dos EUA, quanto na combinação da extração de recursos primários com certa melhora da produção de alto valor. Aceitam o papel da China, mas não querem permitir que com ela se ampliem os laços comerciais com ela nem produzir qualquer mudança profunda na estrutura econômica e social de seus países, muito menos na estrutura da ordem global. É o caso do governo de Sebastián Piñera, no Chile, de Iván Duque, na Colômbia, Nayib Bukele, em El Salvador, e alguns outros, que veem no potencial econômico da China uma forma de reproduzir as oligarquias locais e seu poder através de uma inserção internacional novamente periférica, e isso aprofunda a dependência externa.</p>
<p>Por outro lado, há um potencial que alguns de nossos países estão explorando timidamente, enquanto outros claramente o desenvolvem: um projeto de autonomia e soberania nacional. Esse grupo de países, alguns com passo firme e outros com mais dúvidas, começam a gerar uma proposta que se baseia em aproveitar as trocas virtuosas e mutuamente benéficas com a China para elaborar um projeto de mudança estrutural na economia e de soberania no plano político. Esse olhar é o ponto de partida de uma refundação do Projeto Bolivariano que após a morte do comandante Hugo Chávez Frías ficou sem rumo na região e foi o objetivo principal do novo Plano Condor.</p>
<p>Nesse sentido, o projeto da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), criado em 2004 e cujos objetivos principais são a soberania e não a dominação externa e a integração para o desenvolvimento interno, representa uma alternativa. Esse projeto nos legou a importância da cooperação em oposição à competição na esfera comercial; da complementaridade das trocas em função das necessidades de cada povo e região; de unidade para enfrentar negociações possíveis com outros blocos regionais; o objetivo de uma moeda própria que rompa com a dependência do dólar; e uma coordenação para o desenvolvimento de iniciativas de infraestrutura e financiamento (como o Banco do Sul). Esses elementos estão presentes hoje e a possibilidade de que o ressurgimento da China  – com sua ancestral convicção de desenvolvimento baseado na cooperação e na não ingerência – seja uma oportunidade para eles depende crucialmente de nossas lutas como povo latino-americano e da capacidade que desenvolvemos para quebrar a inércia colonial que nos impôs que o caminho ocidental do desenvolvimento capitalista é a única alternativa possível.</p>
<p>Em suma, deixar de lado o caminho do desenvolvimento capitalista ocidental implica outra globalização e uma ruptura com a modernidade ocidental. Uma globalização que dê conta do multipolarismo baseado em valores de cooperação e planificação, e na qual consigamos sair do círculo vicioso das relações internacionais como jogos de soma zero e possamos, de uma vez por todas, avançar com um processo de integração do tipo ganha-ganha. A China não está apenas emergindo no mundo como uma grande potência, mas seu próprio surgimento está mudando o mundo em todos os sentidos. No entanto, a construção de um novo futuro multipolar que eleve a soberania das nações em desenvolvimento dependerá também da capacidade dos povos de aproveitarem essa realidade geopolítica em mutação para consolidar um projeto de país e de Pátria Grande que coloque os interesses da maioria em primeiro lugar.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-58364 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_6.jpg" alt="" width="592" height="950" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_6.jpg 592w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting_6-187x300.jpg 187w" sizes="auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px"></p>
<h2 style="margin:3em 0;"></h2>
<h2 style="margin:3em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">Créditos da arte</span></strong></h2>
<p> </p>
<p>Shengtian Zheng &amp; Jingbo Sun</p>
<p><i>Ventos de Fusang, </i>2017.</p>
<p>Acrílico sobre tela, painel de seis, 320 x 200 cm cada.</p>
<p>Cortesia dos artistas</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">Lista de retratos</span></strong></h3>
<p><b><i>Página 1</i></b></p>
<ol>
<li>Lu Xun (1881-1936)</li>
<li>Xu Fancheng (1909-2000)</li>
<li>Zhang Guangyu (1900-1964)</li>
<li>Miguel Covarrubias (1904-1957)</li>
<li>Zhang Zhengyu (1904-1976)</li>
<li>Ye Qianyu (1907-1995)</li>
<li>Bernardine Szold-Fritz (1896-1982)</li>
<li>Rosa Rolanda Covarrubias (1895-1970)</li>
<li>Shao Xunmei (1906-1968)</li>
<li>Sun Jingbo (1945-)</li>
</ol>
<p><b><i>Página 2</i></b></p>
<ol start="11">
<li>Diego Rivera (1886-1957)</li>
<li>Frida Kahlo (1907-1954)</li>
<li>Xavier Guerrero (1896-1974)</li>
<li>Mireya Lafuente (1905-1976)</li>
<li>Alipio Jaramillo (1913-1999)</li>
</ol>
<p><b><i>Página 3</i></b></p>
<ol start="16">
<li>Dr. Atl (Gerardo Murillo Cornada, 1875-1964)</li>
<li>Ignacio Aguirre (1900-1990)</li>
<li>José Clemente Orozco (1883-1949)</li>
<li>Arturo Estrada Hernández (1925-)</li>
<li>Mario Orozco Rivera (1930-1998)</li>
<li>Zhou Enlai (1898-1976)</li>
<li>Celia Calderón (1921-1969)</li>
<li>José Raúl Anguiano Valadez (1915-2006)</li>
<li>Arturo García Bustos (1926-2017)</li>
<li>Rina Lazo ( 1923-2019)</li>
</ol>
<p><b><i>Página 4</i></b></p>
<ol start="26">
<li>David Alfaro Siqueiros (1896-1974)</li>
<li>Angelica Arenal (1910-1989)</li>
<li>Wang Qi (1918-2016)</li>
<li>Yao Zhonghua (1939-)</li>
<li>Dong Xiwen (1914-1973)</li>
<li>Delia Baraona (d. 1988)</li>
<li>Adolfo Mexiac (1927)</li>
</ol>
<p><b><i>Página 5</i></b></p>
<ol start="33">
<li>Paz Venturelli Baraona (1951-)</li>
<li>José Venturelli (1924-1988)</li>
<li>Zhuo Dong (1980-)</li>
<li>Yiming Hou (1930-)</li>
<li>Li Cheng (1941-)</li>
<li>Yunfu Yuan (1933)</li>
<li>Zhang Ding (1917-2010)</li>
</ol>
<p><b><i>Página 6</i></b></p>
<ol start="40">
<li>Xiaohe Tang (1941-)</li>
<li>Zheng Fei (1938-)</li>
<li>Yunsheng Yuan (1937-)</li>
<li>Huaji Li (1931-)</li>
<li>Zhenghuan Quan (1932-2009)</li>
<li>Huixiang Xiao (1933-)</li>
<li>Danian Zhu (1916-1995)</li>
<li>Ling Zhou (1941-)</li>
<li>Binjiang Liu (1937-)</li>
<li>Xin Ma (1986-)</li>
<li>Shengtian Zheng (1938-)</li>
</ol>
<p> </p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-58446 size-full img-responsive" src="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting-2.jpg" alt="" width="950" height="506" srcset="https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting-2.jpg 950w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting-2-300x160.jpg 300w, https://dev.thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/04/17112017-Winds-from-Fusang-painting-2-768x409.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<p> </p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Agradecimentos</strong></span></h3>
<p> </p>
<p>Agradecemos a colaboração para este dossiê de Gisela Cernadas, de Dongsheng, e Gonzalo Armúa, da Secretaria Operativa da ALBA Movimentos.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Bibliografia</strong></span></h3>
<p>Amin, S. <em>China, 2013</em>. Disponible en: <a href="https://monthlyreview.org/2013/03/01/china-2013/">https://monthlyreview.org/2013/03/01/china-2013/</a>.</p>
<p>Anderson, P. Fuerza y Consentimiento, en <em>New Left Review</em>, nov. / dez. 2002.</p>
<p>Arrighi, G. <em>El largo siglo XX</em>. Madrid: Akal, 1994.</p>
<p>Arrighi, G. <em>Adam Smith en Pekín</em>. Madrid: Akal, 2007.</p>
<p>Brenner, R. <em>The economics of global turbulence</em>. Londres: Verso, 2006.</p>
<p>Gobierno de China, Statistical Bulletin of China’s Outward Foreign Direct Investment. 2020 Disponível em: ​​<a href="http://images.mofcom.gov.cn/hzs/202110/20211014083913502.pdf">http://images.mofcom.gov.cn/hzs/202110/20211014083913502.pdf</a></p>
<p>Gunder Frank, A. ReOriente. Economía global en la Era Asiática. Conclusiones historiográficas e implicaciones teóricas [1967], En <em>Crítica y Emancipación</em> Ano 1, n. 2. Clacso, 2009.</p>
<p>Harvey, D. <em>Breve historia del neoliberalismo</em>. Madrid: Akal, 2007.</p>
<p>Li, Minqi (2021). China: Imperialism or Semi-Periphery?, <em>Monthly Review</em>. Disponível em: <a href="https://monthlyreview.org/2021/07/01/china-imperialism-or-semi-periphery/">https://monthlyreview.org/2021/07/01/china-imperialism-or-semi-periphery/</a></p>
<p>Merino, G. La reconfiguración imperial y las fisuras internas frente al ascenso de China. En López, E. (comp.) <em>Las venas del sur siguen abiertas</em>. Buenos Aires: Batalla de Ideas, 2020.</p>
<p>Merino, G.; Bilmes, J. y Barrenengoa, A. (2021). El ascenso de China desde una mirada histórica. Disponível em: <a href="https://dev.thetricontinental.org/es/argentina/chinacuaderno2/">https://dev.thetricontinental.org/es/argentina/chinacuaderno2/</a>.</p>
<p>Pomeranz, K. <em>The Great Divergence: China, Europe, and the Making of the Modern World Economy</em>. Princeton Press, 2000.</p>
<p>Rivara, L. y Vicente Prieto, F (comp.). <em>El nuevo Plan Cóndor. Geopolítica e imperialismo en América Latina y el Caribe</em>. Buenos Aires: Batalla de Ideas, 2022.</p>
<p>Ron, C. y Vicente Prieto, F. La integración en disputa: Bolívar versus Monroe en el siglo XXI. En Rivara y Vicente Prieto (comp.) <em>El nuevo plan Cóndor</em>. Buenos Aires: Batalla de Ideas, 2022.</p>
<p>Ross, J. <em>China’s Great Road. Lessons for Marxist Theory and Socialist Practices. Articles 2010-2021</em>. International Publishers &amp; 1804 Books at the People’s Forum: New York, 2021.</p>
<p>Rostow, W. <em>Las etapas del crecimiento económico. Un Manifiesto no comunista</em>. México: FCE: 1960.</p>
<p>Sugihara, K. The East Asian path of economic development: a long-term perspective. En Arrighi et. Al. <em>The resurgence of East Asia</em>. Londres: Routledge, 2003.</p>
<p>Tricontinental (2019). Venezuela e as guerras híbridas na América Latina, Dossiê 17. Disponível em: https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/dossie-17-venezuela-e-as-guerras-hibridas-na-america-latina/</p>
<p>Tricontinental (2020). Des-iguales: las causas del Abismo entre el norte y el sur. Disponível em: <a href="https://dev.thetricontinental.org/es/argentina/desigualdad-cuaderno1/">https://dev.thetricontinental.org/es/argentina/desigualdad-cuaderno1/</a>.</p>
<p>Tricontinental (2021). <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-1-socialismo-em-construcao/">Servir al pueblo: La erradicación de la extrema pobreza en China</a>, Disponível em: <a href="https://dev.thetricontinental.org/pt-pt/estudos-1-socialismo-em-construcao/">https://dev.thetricontinental.org/es/estudios-1-construccion-socialismo/</a>.</p>
<p>Walker y Buck. The Chinese Road. Cities in the Transition to Capitalism. En: <em>New Left Review 46</em>, jun. – jul. 2007. Disponível em: <a href="https://newleftreview.org/issues/ii46/articles/richard-walker-daniel-buck-the-chinese-road">https://newleftreview.org/issues/ii46/articles/richard-walker-daniel-buck-the-chinese-road</a>.</p>
<p> </p>
<div class="chinesecaption">
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Fontes: </strong></span></h3>
</div>
<p>Discursos de Xi Jinping</p>
<p><a href="https://www.chinadaily.com.cn/china/19thcpcnationalcongress/2017-11/04/content_34115212.htm">https://www.chinadaily.com.cn/china/19thcpcnationalcongress/2017-11/04/content_34115212.htm</a></p>
<p><a href="http://www.xinhuanet.com/english/special/2021jpxbg.pdf">http://www.xinhuanet.com/english/special/2021jpxbg.pdf</a></p>
<p><a href="https://www.nature.com/articles/d41586-021-00638-3">https://www.nature.com/articles/d41586-021-00638-3</a></p>
<p><a href="http://spanish.xinhuanet.com/2021-07/01/c_1310038399.htm">http://spanish.xinhuanet.com/2021-07/01/c_1310038399.htm</a><u> </u></p>
<p>Libro blanco Documento sobre América Latina. Disponível em: <a href="https://repositorio.uasb.edu.ec/bitstream/10644/4596/1/13-AR-Documentos.pdf"><em>https://repositorio.uasb.edu.ec/bitstream/10644/4596/1/13-AR-Documentos.pdf</em></a>      Declaración de Santiago, II Foro CELAC – China</p>
<p>https://www.cancilleria.gov.co/newsroom/news/declaracion-santiago-ii-reunion-ministerial-foro-celac-china-celac-china-trabajando</p>
<p>BBC, Los países de América Latina que forman parte de la Nueva Ruta de la Seda de China, 26 abr. 2019. Disponível em: <a href="https://www.bbc.com/mundo/noticias-america-latina-48071584">https://www.bbc.com/mundo/noticias-america-latina-48071584</a></p>
<p>El Economista. China ya supera a Estados Unidos y ya es la primera economía mundial. 8 out. 2014. Disponível em: <a href="https://www.eleconomista.es/global/noticias/6142651/10/14/China-pasa-a-ser-la-primera-potencia-mundial-mientras-Espana-sigue-desinflandose.html">https://www.eleconomista.es/global/noticias/6142651/10/14/China-pasa-a-ser-la-primera-potencia-mundial-mientras-Espana-sigue-desinflandose.html</a>.</p>
<p>Lissardy, Gerardo. “América Latina no necesita un nuevo poder imperial”: la dura advertencia de Estados Unidos sobre la creciente influencia de China en la región. En BBC Mundo, 2 de fev. 2018. Disponível em: <a href="https://www.bbc.com/mundo/noticias-internacional-42913719"><em>https://www.bbc.com/mundo/noticias-internacional-42913719</em></a></p>
<p> </p>
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